Galp - Tópico Geral
Re: Galp - Tópico Geral
Ponto relevante para os acionistas:
Esta JV permite criar valor para os acionistas da Galp ao libertar capital para investimentos de maior retorno.
A JV liberta capital porque a Galp deixa de financiar sozinha negócios de baixo retorno (downstream) e pode redirecionar esse capital para negócios de alto retorno (upstream, HVO/SAF, hidrogénio). Isto aumenta o ROACE, reduz risco e melhora o valuation.
Ou seja: A Galp passa de uma empresa pesada em downstream para uma empresa focada em upstream de alto retorno + combustíveis sustentáveis premium.
Esta JV permite criar valor para os acionistas da Galp ao libertar capital para investimentos de maior retorno.
A JV liberta capital porque a Galp deixa de financiar sozinha negócios de baixo retorno (downstream) e pode redirecionar esse capital para negócios de alto retorno (upstream, HVO/SAF, hidrogénio). Isto aumenta o ROACE, reduz risco e melhora o valuation.
1. O downstream é intensivo em capital e tem retornos baixos
Refinação e distribuição têm:
• margens baixas
• volatilidade elevada
• forte pressão regulatória
• necessidade de investimentos pesados em descarbonização
São negócios que consomem muito capital e geram retornos modestos.
Ao partilhar estes negócios com a Moeve, a Galp:
• reduz capex futuro
• reduz risco
• reduz exposição a margens baixas
Isto liberta capital para negócios com ROACE muito superior.
2. A Galp tem negócios com retorno muito mais alto onde quer acelerar
Upstream (Brasil + Namíbia)
• Altíssimo retorno
• Baixíssimo custo
• Forte geração de caixa
• Crescimento de produção em 2026
Cada euro investido aqui vale muito mais do que no downstream.
Biocombustíveis (HVO/SAF)
• Margens premium
• Procura regulatória garantida
• Sines tem vantagem competitiva estrutural
Hidrogénio verde
• Financiamento europeu
• Redução de ETS
• Integração com e‑fuels
Estes projetos têm retorno superior ao WACC - ao contrário do downstream.
3. A JV permite realocar capital para onde cria mais valor por euro investido
Sem a JV, a Galp teria de:
• financiar 100% da modernização de Sines
• financiar 100% da descarbonização
• financiar 100% da rede de postos
• financiar 100% da logística e supply chain
Com a JV:
• financia apenas parte
• partilha risco
• partilha capex
• partilha obrigações regulatórias
O capital libertado pode ser reinvestido em negócios de maior retorno, aumentando o valor para o acionista.
4. Isto melhora a “equity story” da Galp
A própria Galp afirma que a JV permite:
• “afinar o foco na sua equity story diferenciada”
• concentrar-se nos negócios onde tem vantagem competitiva
• reforçar a criação de valor sustentável
Ou seja: A Galp passa de uma empresa pesada em downstream para uma empresa focada em upstream de alto retorno + combustíveis sustentáveis premium.
Re: Galp - Tópico Geral
com o wti a subir quase 5%
3 milhões de acções trocadas hoje
amanhã tem tudo para voltar aos €15,70
viewtopic.php?p=1941780#p1941780
3 milhões de acções trocadas hoje
viewtopic.php?p=1941780#p1941780
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Re: Galp - Tópico Geral
?????
Galp & Moeve – O que está realmente em jogo para os acionistas?
Nos últimos dias surgiram várias notícias sobre um acordo preliminar entre a Galp Energia e a Moeve (ex-Cepsa) para integrar os seus negócios de refinação e postos de combustíveis na Península Ibérica. O mercado reagiu com uma subida de cerca de 2% nas ações da Galp, mas importa perceber se isto é realmente bom para quem já é acionista.
Abaixo fica a análise baseada em múltiplas fontes de imprensa económica (Reuters, Cinco Días, El Mundo, ECO, Investing, EuropaPress, etc.).
1) Não é uma fusão total — é um acordo preliminar
O que foi anunciado é um acordo não vinculativo para negociar a integração dos negócios downstream (refino, logística e postos).
Nada ainda está fechado — há due diligence, negociações e reguladores pelo meio.
2) Duas novas empresas vão ser criadas
O plano é criar dois veículos:
RetailCo
Vai juntar as redes de postos da Galp e da Moeve
Cerca de 3.500 estações de serviço em Portugal e Espanha
Focada em mobilidade, conveniência e transição energética
A Galp deverá ter cerca de 50%
IndustrialCo
Vai integrar refinarias, química, biocombustíveis, hidrogénio
Capacidade conjunta de cerca de 700 mil barris/dia
A Galp ficará com uma posição minoritária (>20%)
O controlo ficará com os acionistas da Moeve (Mubadala e Carlyle)
3) O mais importante: o que fica fora
A Galp mantém fora desta operação:
Exploração e produção (upstream)
Renováveis
Trading de energia
Ou seja, a Galp cotada em Lisboa passa a ser essencialmente uma:
empresa de upstream + renováveis + participações no downstream ibérico
Isto é uma mudança estrutural profunda.
4) Porque o mercado reagiu bem?
Porque:
O downstream (refinação e postos) é capital-intensivo e volátil
O upstream e renováveis têm múltiplos de mercado mais elevados
Separar os negócios pode reduzir o “desconto de conglomerado” que hoje penaliza a Galp
Além disso, juntar forças com a Moeve cria um “campeão ibérico”, mais eficiente e com maior capacidade de investir na transição energética.
5) Onde está o risco para o acionista?
Aqui está o ponto crítico que poucos estão a discutir.
A Galp vai colocar ativos muito valiosos (refinarias e rede de postos) em empresas onde:
Num caso (IndustrialCo) terá apenas minoria
No outro (RetailCo) terá controlo partilhado
A grande questão é:
Que valor vai a Galp receber por esses ativos?
Se for:
em participações justas
e/ou em dinheiro
e/ou em redução de dívida
então o acionista ganha.
Se for mal avaliado:
parte do valor da Galp passa para a Moeve sem compensação adequada.
Este é o verdadeiro risco.
6) Porque o Estado português é importante
A Parpública tem 8,24% da Galp.
Isso reduz muito a probabilidade de uma operação que destrua valor para os acionistas portugueses — porque:
Haveria impacto político
E possivelmente legal
Conclusão honesta
A operação é estrategicamente interessante
Pode desbloquear valor escondido
Pode tornar a Galp mais focada e mais bem avaliada pela bolsa
Mas…
Ainda não sabemos se os acionistas da Galp vão ser bem pagos pelos ativos que vão sair.
Sem essa informação, ninguém pode dizer com certeza que é “boa” ou “má”.
O mercado hoje está a apostar que vai ser bem feita.
Cabe à administração provar isso nos próximos meses.
J.f.vieira
Galp & Moeve – O que está realmente em jogo para os acionistas?
Nos últimos dias surgiram várias notícias sobre um acordo preliminar entre a Galp Energia e a Moeve (ex-Cepsa) para integrar os seus negócios de refinação e postos de combustíveis na Península Ibérica. O mercado reagiu com uma subida de cerca de 2% nas ações da Galp, mas importa perceber se isto é realmente bom para quem já é acionista.
Abaixo fica a análise baseada em múltiplas fontes de imprensa económica (Reuters, Cinco Días, El Mundo, ECO, Investing, EuropaPress, etc.).
1) Não é uma fusão total — é um acordo preliminar
O que foi anunciado é um acordo não vinculativo para negociar a integração dos negócios downstream (refino, logística e postos).
Nada ainda está fechado — há due diligence, negociações e reguladores pelo meio.
2) Duas novas empresas vão ser criadas
O plano é criar dois veículos:
RetailCo
Vai juntar as redes de postos da Galp e da Moeve
Cerca de 3.500 estações de serviço em Portugal e Espanha
Focada em mobilidade, conveniência e transição energética
A Galp deverá ter cerca de 50%
IndustrialCo
Vai integrar refinarias, química, biocombustíveis, hidrogénio
Capacidade conjunta de cerca de 700 mil barris/dia
A Galp ficará com uma posição minoritária (>20%)
O controlo ficará com os acionistas da Moeve (Mubadala e Carlyle)
3) O mais importante: o que fica fora
A Galp mantém fora desta operação:
Exploração e produção (upstream)
Renováveis
Trading de energia
Ou seja, a Galp cotada em Lisboa passa a ser essencialmente uma:
empresa de upstream + renováveis + participações no downstream ibérico
Isto é uma mudança estrutural profunda.
4) Porque o mercado reagiu bem?
Porque:
O downstream (refinação e postos) é capital-intensivo e volátil
O upstream e renováveis têm múltiplos de mercado mais elevados
Separar os negócios pode reduzir o “desconto de conglomerado” que hoje penaliza a Galp
Além disso, juntar forças com a Moeve cria um “campeão ibérico”, mais eficiente e com maior capacidade de investir na transição energética.
5) Onde está o risco para o acionista?
Aqui está o ponto crítico que poucos estão a discutir.
A Galp vai colocar ativos muito valiosos (refinarias e rede de postos) em empresas onde:
Num caso (IndustrialCo) terá apenas minoria
No outro (RetailCo) terá controlo partilhado
A grande questão é:
Que valor vai a Galp receber por esses ativos?
Se for:
em participações justas
e/ou em dinheiro
e/ou em redução de dívida
então o acionista ganha.
Se for mal avaliado:
parte do valor da Galp passa para a Moeve sem compensação adequada.
Este é o verdadeiro risco.
6) Porque o Estado português é importante
A Parpública tem 8,24% da Galp.
Isso reduz muito a probabilidade de uma operação que destrua valor para os acionistas portugueses — porque:
Haveria impacto político
E possivelmente legal
Conclusão honesta
A operação é estrategicamente interessante
Pode desbloquear valor escondido
Pode tornar a Galp mais focada e mais bem avaliada pela bolsa
Mas…
Ainda não sabemos se os acionistas da Galp vão ser bem pagos pelos ativos que vão sair.
Sem essa informação, ninguém pode dizer com certeza que é “boa” ou “má”.
O mercado hoje está a apostar que vai ser bem feita.
Cabe à administração provar isso nos próximos meses.
J.f.vieira
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- Registado: 29/11/2007 3:59
Re: Galp - Tópico Geral
Pmart 1 Escreveu:Bem passou uma sessão de bolsa e a valorização foi perto de 2,5% , com o dobro do volume médio a 3 meses , e ainda ninguém tocou no ponto que parece essencial para quem é investidor na GALP
Coloco em baixo um excerto dum artigo do El Mundo e sua tradução https://www.elmundo.es/economia/empresa ... b45b4.html
Tanto el negocio industrial como la plataforma comercial operarán de forma independiente, también en lo financiero. Galp, a diferencia de Moeve, es una empresa cotizada, de modo que la operación supondrá una escisión: en bolsa quedarán los negocios de exploración o upstream (que representa aproximadamente el 60% del ebitda del grupo), trading y renovables
Tanto o negócio industrial quanto a plataforma comercial operarão de forma independente, inclusive financeiramente. Ao contrário da Moeve, a Galp é uma empresa de capital aberto, portanto a transação envolverá uma cisão: os negócios de exploração e produção (que representam aproximadamente 60% do EBITDA do grupo), comercialização e energias renováveis permanecerão listados na bolsa de valores.
Eles tocam no ponto que o investidor GALP tem e terá de estar atento, dependendo do acordo final o que é mencionado acima terá de acontecer ,o negócio da GALP e seu valor serão completamente diferentes
Bem veremos , aqui os pequenos investidores não estão sós o ESTADO , através da Parpública - Participações Públicas tem 8,24%
Como será se retirarmos activos os acionistas tem de ser remunerados ou ?
Bem , acho que é um tema interessante para troca de opiniões
Mais uma pequena luz do que disse atrás e se lê nos sites espanhóis
https://www.consumidorglobal.com/notici ... 5_102.html
Hasta que la operación se cierre, ambas compañías seguirán operando de forma independiente, sin impacto en empleados ni clientes. [b]Galp, además, mantendrá su cotización en la bolsa portuguesa con los activos que no se integren en la nueva alianza.[/b]
Estes até são criativos
https://cincodias.elpais.com/companias/ ... erias.html
Estas dos nuevas compañías no cotizarían, pero sí seguiría haciéndolo Galp en Lisboa por sus negocios no integrados y por el porcentaje que tendría en las participadas IndustrialCo y RetaliCo.
Presume-se que a Galp ficará com uma participação na empresa que resultar da cisão dos activos. Parece um desenvolvimento positivo para a empresa cotada porque se estão a juntar os dois negócios é para crescer em Espanha. Em Portugal a GALP já tem uma grande cobertura do mercado.
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Re: Galp - Tópico Geral
Bem passou uma sessão de bolsa e a valorização foi perto de 2,5% , com o dobro do volume médio a 3 meses , e ainda ninguém tocou no ponto que parece essencial para quem é investidor na GALP
Coloco em baixo um excerto dum artigo do El Mundo e sua tradução https://www.elmundo.es/economia/empresa ... b45b4.html
Tanto el negocio industrial como la plataforma comercial operarán de forma independiente, también en lo financiero. Galp, a diferencia de Moeve, es una empresa cotizada, de modo que la operación supondrá una escisión: en bolsa quedarán los negocios de exploración o upstream (que representa aproximadamente el 60% del ebitda del grupo), trading y renovables
Tanto o negócio industrial quanto a plataforma comercial operarão de forma independente, inclusive financeiramente. Ao contrário da Moeve, a Galp é uma empresa de capital aberto, portanto a transação envolverá uma cisão: os negócios de exploração e produção (que representam aproximadamente 60% do EBITDA do grupo), comercialização e energias renováveis permanecerão listados na bolsa de valores.
Eles tocam no ponto que o investidor GALP tem e terá de estar atento, dependendo do acordo final o que é mencionado acima terá de acontecer ,o negócio da GALP e seu valor serão completamente diferentes
Bem veremos , aqui os pequenos investidores não estão sós o ESTADO , através da Parpública - Participações Públicas tem 8,24%
Como será se retirarmos activos os acionistas tem de ser remunerados ou ?
Bem , acho que é um tema interessante para troca de opiniões
Mais uma pequena luz do que disse atrás e se lê nos sites espanhóis
https://www.consumidorglobal.com/notici ... 5_102.html
Hasta que la operación se cierre, ambas compañías seguirán operando de forma independiente, sin impacto en empleados ni clientes. [b]Galp, además, mantendrá su cotización en la bolsa portuguesa con los activos que no se integren en la nueva alianza.[/b]
Estes até são criativos
https://cincodias.elpais.com/companias/ ... erias.html
Estas dos nuevas compañías no cotizarían, pero sí seguiría haciéndolo Galp en Lisboa por sus negocios no integrados y por el porcentaje que tendría en las participadas IndustrialCo y RetaliCo.
Coloco em baixo um excerto dum artigo do El Mundo e sua tradução https://www.elmundo.es/economia/empresa ... b45b4.html
Tanto el negocio industrial como la plataforma comercial operarán de forma independiente, también en lo financiero. Galp, a diferencia de Moeve, es una empresa cotizada, de modo que la operación supondrá una escisión: en bolsa quedarán los negocios de exploración o upstream (que representa aproximadamente el 60% del ebitda del grupo), trading y renovables
Tanto o negócio industrial quanto a plataforma comercial operarão de forma independente, inclusive financeiramente. Ao contrário da Moeve, a Galp é uma empresa de capital aberto, portanto a transação envolverá uma cisão: os negócios de exploração e produção (que representam aproximadamente 60% do EBITDA do grupo), comercialização e energias renováveis permanecerão listados na bolsa de valores.
Eles tocam no ponto que o investidor GALP tem e terá de estar atento, dependendo do acordo final o que é mencionado acima terá de acontecer ,o negócio da GALP e seu valor serão completamente diferentes
Bem veremos , aqui os pequenos investidores não estão sós o ESTADO , através da Parpública - Participações Públicas tem 8,24%
Como será se retirarmos activos os acionistas tem de ser remunerados ou ?
Bem , acho que é um tema interessante para troca de opiniões
Mais uma pequena luz do que disse atrás e se lê nos sites espanhóis
https://www.consumidorglobal.com/notici ... 5_102.html
Hasta que la operación se cierre, ambas compañías seguirán operando de forma independiente, sin impacto en empleados ni clientes. [b]Galp, además, mantendrá su cotización en la bolsa portuguesa con los activos que no se integren en la nueva alianza.[/b]
Estes até são criativos
https://cincodias.elpais.com/companias/ ... erias.html
Estas dos nuevas compañías no cotizarían, pero sí seguiría haciéndolo Galp en Lisboa por sus negocios no integrados y por el porcentaje que tendría en las participadas IndustrialCo y RetaliCo.
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Re: Galp - Tópico Geral
Visto de Espanha, negócio entre Galp e Moeve cria rival para a Repsol - Energia - Jornal de Negócios
A imprensa espanhola sublinha que a união entre a petrolífera portuguesa e a do país vizinho permitirá enfrentar a gigante Repsol. Galp e Moeve, juntas, somarão cerca de 3.500 postos de combustíveis na Península Ibérica.
FLOP - Fundamental Laws Of Profit
1. Mais vale perder um ganho que ganhar uma perda, a menos que se cumpra a Segunda Lei.
2. A expectativa de ganho deve superar a expectativa de perda, onde a expectativa mede a
__.amplitude média do ganho/perda contra a respectiva probabilidade.
3. A Primeira Lei não é mesmo necessária mas com Três Leis isto fica definitivamente mais giro.
Re: Galp - Tópico Geral
NirSup Escreveu:A Verdade acima de tudo. A Verdade por fim triunfará!
O Our World in Data (OWID), na sua página de dados sobre consumo de combustíveis fósseis, não publica projeções oficiais.
A visualização disponível no site termina, em 2024, e não inclui cenários futuros (a ferramenta é essencialmente histórica) e não mostra projeções por si só.
By Nirvana
Essas projeções têm-se revelado consistentemente incorretas ao longo das últimas décadas.
Re: Galp - Tópico Geral
A Verdade acima de tudo. A Verdade por fim triunfará!
O Our World in Data (OWID), na sua página de dados sobre consumo de combustíveis fósseis, não publica projeções oficiais.
A visualização disponível no site termina, em 2024, e não inclui cenários futuros (a ferramenta é essencialmente histórica) e não mostra projeções por si só.
By Nirvana
O Our World in Data (OWID), na sua página de dados sobre consumo de combustíveis fósseis, não publica projeções oficiais.
A visualização disponível no site termina, em 2024, e não inclui cenários futuros (a ferramenta é essencialmente histórica) e não mostra projeções por si só.
By Nirvana
It’s easy to make money in the stock market. What’s hard is choosing the winning horse. And only he wins the prize
Re: Galp - Tópico Geral
NirSup Escreveu:Obviamente que ele não acredita nisso e está a ser irónico.
Certamente que está a ser irónico.
- Anexos
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“It is not the strongest of the species that survives, nor the most intelligent, but rather the one most adaptable to change.”
― Leon C. Megginson
― Leon C. Megginson
Re: Galp - Tópico Geral
Na Galp devemos estar mais atento a isto é verdade os espanhóis não são cotados , mas são empresas próximas na dimensão.
“ As negociações da Galp com a espanhola Moeve para uma eventual fusão nos negócios downstream enquadram-se na estratégia de formar parcerias com "operadores altamente credíveis", numa complementaridade que neste caso representa a oportunidade de "criar grandes grupos europeus na Península Ibérica", segundo Paula Amorim, presidente da petrolífera portuguesa.
“ As negociações da Galp com a espanhola Moeve para uma eventual fusão nos negócios downstream enquadram-se na estratégia de formar parcerias com "operadores altamente credíveis", numa complementaridade que neste caso representa a oportunidade de "criar grandes grupos europeus na Península Ibérica", segundo Paula Amorim, presidente da petrolífera portuguesa.
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Re: Galp - Tópico Geral
NirSup Escreveu:Irónico ou Ridículo?
Ou ridiculamente irónico?
Este homem, que já foi durante anos CEO da Galp, deu uma entrevista (podcast) onde afirmou o seguinte:
“Os EUA estão a dizer que o petróleo vai durar por muitos e bons anos”
Obviamente que ele não acredita nisso e está a ser irónico.
Mas porque razão não deu a sua opinião sobre o futuro (ou não futuro) do petróleo?
Enquanto CEO da Galp tomou medidas na direção da transição energética para as energias renováveis. Mas nunca foi muito claro sobre qual o rumo que a Galp deveria seguir nesta matéria.
Submarino que gosta de navegar em águas turvas.
By Nirvana
.................... ................... ..................
Irónico? Talvez. Mas sobretudo revelador.
Quando um ex-CEO da Galp diz que “os EUA dizem que o petróleo vai durar por muitos e bons anos”, ele não está a fazer futurologia — está a fazer política energética. E isso explica precisamente porque nunca foi claro sobre o rumo da Galp.
Quem esteve anos à frente de uma petrolífera europeia sabe duas coisas:
que o petróleo não vai desaparecer tão cedo,
que dizer isso em voz alta na Europa custa caro a nível político, ESG e financeiro.
Por isso fala-se em “transição”, “renováveis”, “descarbonização”… mas evita-se sempre a frase proibida:
o mundo vai precisar de petróleo e gás durante décadas.
Esse silêncio estratégico não é inocente. É típico de quem navega entre:
pressão regulatória,
fundos ESG,
e a realidade física do sistema energético.
A Galp da época investiu em renováveis — bem — mas nunca teve coragem de assumir que o seu verdadeiro motor de valor continuaria a ser upstream e refinação. E agora vê-se: Brasil, Namíbia, gás, biofuels, HVO, SAF… tudo gira em torno de hidrocarbonetos, não contra eles.
Submarino em águas turvas, como dizes —
mas o mar da energia é tudo menos transparente.
J.f.vieira
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- Registado: 29/11/2007 3:59
Re: Galp - Tópico Geral
Irónico ou Ridículo?
Ou ridiculamente irónico?
Este homem, que já foi durante anos CEO da Galp, deu uma entrevista (podcast) onde afirmou o seguinte:
“Os EUA estão a dizer que o petróleo vai durar por muitos e bons anos”
Obviamente que ele não acredita nisso e está a ser irónico.
Mas porque razão não deu a sua opinião sobre o futuro (ou não futuro) do petróleo?
Enquanto CEO da Galp tomou medidas na direção da transição energética para as energias renováveis. Mas nunca foi muito claro sobre qual o rumo que a Galp deveria seguir nesta matéria.
Submarino que gosta de navegar em águas turvas.
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Ou ridiculamente irónico?
Este homem, que já foi durante anos CEO da Galp, deu uma entrevista (podcast) onde afirmou o seguinte:
“Os EUA estão a dizer que o petróleo vai durar por muitos e bons anos”
Obviamente que ele não acredita nisso e está a ser irónico.
Mas porque razão não deu a sua opinião sobre o futuro (ou não futuro) do petróleo?
Enquanto CEO da Galp tomou medidas na direção da transição energética para as energias renováveis. Mas nunca foi muito claro sobre qual o rumo que a Galp deveria seguir nesta matéria.
Submarino que gosta de navegar em águas turvas.
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Re: Galp - Tópico Geral
PC05 Escreveu:JOINT‑VENTURE GALP + MOEVE (CEPSA)
1. Criação imediata de valor
• Consolidação do downstream ibérico → maior escala, menores custos, margens mais estáveis.
• Galp passa a deter >20% da empresa de refinação e 50% da empresa de distribuição.
2. Eficiência operacional e sinergias
• Otimização logística, compras, armazenamento e supply chain.
• Redução estrutural de OPEX num negócio historicamente de margens baixas.
3. Redução de risco e libertação de capital
• Partilha de risco num setor fóssil em declínio regulatório.
• Capital libertado pode ser redirecionado para HVO, SAF, hidrogénio e renováveis.
4. Valorização estratégica de Sines
• Integração num grupo ibérico maior aumenta relevância industrial.
• Potencial para acelerar conversão para combustíveis sustentáveis.
5. Potencial re-rating da ação
• Aumento de eficiência + menor exposição ao downstream fóssil + foco em negócios premium
→ melhora perceção ESG e reduz risco regulatório.
• Movimento visto como “criador de valor” pela liderança da Galp.
A JV pode transformar o downstream da Galp: mais escala, mais eficiência, menos risco
e mais capital disponível para a transição energética — um catalisador claro de valorização.
................... .................. ..................
Galp + Moeve é, no essencial, correta, mas há um ponto que convém sublinhar: isto não é uma saída do downstream — é uma reengenharia do downstream para o tornar mais valioso e menos volátil.
O downstream ibérico sempre foi um negócio:
intensivo em capital,
com margens cíclicas,
e elevado risco regulatório.
Ao juntá-lo numa plataforma ibérica maior, a Galp:
ganha escala,
dilui risco,
estabiliza margens,
e mantém controlo estratégico (Sines, rede, logística).
Isto é exatamente o que os grandes grupos fazem:
transformar ativos “commodity” em plataformas industriais eficientes.
Quanto ao “libertar capital”:
É importante perceber que não é só cash.
É sobretudo CAPEX futuro que deixa de ser da Galp.
Refinação e retalho vão exigir biliões nos próximos 15 anos para cumprir regras ambientais — agora isso passa a ser partilhado.
O efeito prático é este:
mais free cash flow para upstream (Brasil, Namíbia),
mais capacidade para investir em combustíveis premium (HVO, SAF, biofuels),
e menor volatilidade nos resultados.
Isto casa perfeitamente com Mopane e Bacalhau:
Galp foca-se cada vez mais onde cria mais valor por euro investido — offshore de baixo custo + produtos energéticos premium.
Não é um movimento defensivo.
É um movimento típico de empresa que está a subir na cadeia de valor.
J.f.vieira
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Re: Galp - Tópico Geral
JOINT‑VENTURE GALP + MOEVE (CEPSA)
1. Criação imediata de valor
• Consolidação do downstream ibérico → maior escala, menores custos, margens mais estáveis.
• Galp passa a deter >20% da empresa de refinação e 50% da empresa de distribuição.
2. Eficiência operacional e sinergias
• Otimização logística, compras, armazenamento e supply chain.
• Redução estrutural de OPEX num negócio historicamente de margens baixas.
3. Redução de risco e libertação de capital
• Partilha de risco num setor fóssil em declínio regulatório.
• Capital libertado pode ser redirecionado para HVO, SAF, hidrogénio e renováveis.
4. Valorização estratégica de Sines
• Integração num grupo ibérico maior aumenta relevância industrial.
• Potencial para acelerar conversão para combustíveis sustentáveis.
5. Potencial re-rating da ação
• Aumento de eficiência + menor exposição ao downstream fóssil + foco em negócios premium
→ melhora perceção ESG e reduz risco regulatório.
• Movimento visto como “criador de valor” pela liderança da Galp.
A JV pode transformar o downstream da Galp: mais escala, mais eficiência, menos risco
e mais capital disponível para a transição energética — um catalisador claro de valorização.
Re: Galp - Tópico Geral
Se não aproveitar agora que o Dax vai como um tiro aos 26000, a Galp não se livrará dos 14 euros a curto prazo.
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Re: Galp - Tópico Geral
NirSup Escreveu:J.f.vieira Escreveu:(.....) Estes três fatores criam uma nova camada de procura estrutural que não existia há 10 anos e que torna muito mais difícil um colapso sustentado do preço do petróleo e do gás.
J.f.vieira
Eppur si muove, si… ma verso il basso
By Nirvana
............. .................. ..................
NirSup,
O gráfico que mostras diz apenas que o mercado está nervoso no curto prazo — não diz que o valor da Galp está a cair. São coisas diferentes.
Depois de um choque como Mopane, o que acontece quase sempre é:
ajustamento rápido de expectativas
saída de traders de curto prazo
reposicionamento de fundos
Isso cria volatilidade e quedas técnicas, não destruição de valor.
O que eu disse continua verdadeiro:
o sistema energético mundial tem hoje novas camadas de procura estrutural que não existiam há 10 anos — IA, data centers, rearmamento, reconstrução (Ucrânia, Gaza), gás como energia
de transição. Ao mesmo tempo, o investimento global em upstream continua baixo e os campos maduros declinam.
Portanto, mesmo que a ação ande “verso il basso” durante dias ou semanas, o piso económico do petróleo e do gás é hoje muito mais alto do que no passado. E a Galp, com Brasil, África, refinação forte e agora Mopane com a Total como parceiro, está exatamente do lado certo desse equilíbrio.
Gráficos mexem-se todos os dias.
Reservas, cash-flow e ativos de classe mundial não evaporam porque o mercado está a ajustar stops.
J.f.vieira
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Re: Galp - Tópico Geral
J.f.vieira Escreveu:(.....) Estes três fatores criam uma nova camada de procura estrutural que não existia há 10 anos e que torna muito mais difícil um colapso sustentado do preço do petróleo e do gás.
J.f.vieira
Eppur si muove, si… ma verso il basso
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Re: Galp - Tópico Geral
E há ainda três vetores que o mercado continua a subestimar: IA, defesa e reconstrução. A explosão dos data centers, cloud, semicondutores e IA está a provocar um crescimento brutal do consumo elétrico e de combustíveis fósseis indiretos (gás, diesel, fuel, logística, construção de infraestruturas). Ao mesmo tempo, o rearmamento global — EUA, Europa, Médio Oriente e Ásia — implica aço, cimento, transporte pesado, aviação e navios, tudo altamente intensivo em energia fóssil. A isto soma-se a futura reconstrução da Ucrânia e de Gaza, que vai exigir durante décadas enormes volumes de energia, combustíveis, betão, aço e logística pesada. Estes três fatores criam uma nova camada de procura estrutural que não existia há 10 anos e que torna muito mais difícil um colapso sustentado do preço do petróleo e do gás.
J.f.vieira
J.f.vieira
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Re: Galp - Tópico Geral
Investor Tuga Escreveu:Boa tarde,
Penso que há que distinguir:
- No médio /longo prazo a cotação do petróleo tende a descer progressivamente, tendo em conta a relação desiquilibrada entre a oferta e a procura (esta muito influenciada pelas novas fontes de energia);
- No curto prazo, pelo menos em 2026, os preços não deve sair do atual contexto, 60/65 usd.
E atenção: está em curso uma "guerra" geopolítica, económica e financeira entre os EUA e a China (e a Rússia, em paralelo).
Na minha opinião há mais riscos de perturbações, conflitos, interrupções no mercado do petróleo do que acréscimos de oferta.
Relembro que a China está ainda muito tranquila, sem reação, a estes claros ataques aos seus interesses na Venezuela e na América do Sul.
Mas vai reagir...não tenhamos dúvidas.
Sobre a cotação da Galp...que ontem subir aos 15,17 € e hoje caiu até 14,45 €...o que dizer?...
................... ................. ......................
Investor Tuga,
Concordo contigo numa parte importante: o petróleo entrou numa fase em que já não cresce como no passado, mas isso não é o mesmo que dizer que vai colapsar. O mercado está a confundir “pico da procura” com “excesso estrutural de oferta” — e são coisas muito diferentes.
No médio/longo prazo, é provável que o consumo nos países desenvolvidos estagne ou até caia. Mas isso é largamente compensado por:
Ásia,
África,
petroquímica,
aviação,
transporte marítimo,
e sobretudo pela enorme inércia do parque automóvel mundial.
Ao mesmo tempo, o lado da oferta está cada vez mais frágil:
O investimento global em upstream ainda está bem abaixo dos níveis de 2013–2014.
Os grandes campos maduros declinam 4–6% ao ano.
Shale só cresce se o preço estiver acima de ~60 USD.
A OPEP+ controla mais de metade da oferta exportável.
Ou seja: mesmo com crescimento baixo da procura, a oferta também está estruturalmente limitada. Isto cria exatamente o tipo de mercado que temos agora: volátil, tenso e com piso firme, não um mercado em colapso.
Quanto à geopolítica, aí concordo totalmente contigo. Venezuela, Mar Vermelho, Ucrânia, Médio Oriente, tensão EUA–China — tudo isto aumenta o risco de disrupções, não de excesso de crude. E a China, como dizes bem, ainda não respondeu. Quando responder, será de forma estratégica, não ruidosa.
Sobre a Galp:
A oscilação entre 15,17€ e 14,45€ não diz nada de estrutural. Isto é fluxo, stops, volatilidade pós-notícia e rotação setorial. O mercado ainda está a digerir Mopane e a nova estrutura de risco/capital.
Mas o essencial mantém-se:
Produção a crescer (Brasil, África),
Refinação forte,
Cash flow elevado mesmo a 60 USD,
E agora um ativo de classe mundial (Mopane) com um major como parceiro.
Num mundo onde a energia volta a ser estratégica, empresas com reservas reais, baixo custo e escala offshore vão valer cada vez mais. A Galp está exatamente nesse grupo.
J.f.vieira
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Re: Galp - Tópico Geral
A Venezuela representa 1% da produção mundial, as insfraestruras estão obsoletas e a extração é caríssima (85% das reservas são de petróleo pesado).
A Venezuela deve à China 10 bilhões de dólares, que estavam a ser pagos com petróleo.
Pedro
A Venezuela deve à China 10 bilhões de dólares, que estavam a ser pagos com petróleo.
Pedro
Re: Galp - Tópico Geral
Boa tarde,
Penso que há que distinguir:
- No médio /longo prazo a cotação do petróleo tende a descer progressivamente, tendo em conta a relação desiquilibrada entre a oferta e a procura (esta muito influenciada pelas novas fontes de energia);
- No curto prazo, pelo menos em 2026, os preços não deve sair do atual contexto, 60/65 usd.
E atenção: está em curso uma "guerra" geopolítica, económica e financeira entre os EUA e a China (e a Rússia, em paralelo).
Na minha opinião há mais riscos de perturbações, conflitos, interrupções no mercado do petróleo do que acréscimos de oferta.
Relembro que a China está ainda muito tranquila, sem reação, a estes claros ataques aos seus interesses na Venezuela e na América do Sul.
Mas vai reagir...não tenhamos dúvidas.
Sobre a cotação da Galp...que ontem subir aos 15,17 € e hoje caiu até 14,45 €...o que dizer?...
Penso que há que distinguir:
- No médio /longo prazo a cotação do petróleo tende a descer progressivamente, tendo em conta a relação desiquilibrada entre a oferta e a procura (esta muito influenciada pelas novas fontes de energia);
- No curto prazo, pelo menos em 2026, os preços não deve sair do atual contexto, 60/65 usd.
E atenção: está em curso uma "guerra" geopolítica, económica e financeira entre os EUA e a China (e a Rússia, em paralelo).
Na minha opinião há mais riscos de perturbações, conflitos, interrupções no mercado do petróleo do que acréscimos de oferta.
Relembro que a China está ainda muito tranquila, sem reação, a estes claros ataques aos seus interesses na Venezuela e na América do Sul.
Mas vai reagir...não tenhamos dúvidas.
Sobre a cotação da Galp...que ontem subir aos 15,17 € e hoje caiu até 14,45 €...o que dizer?...
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Re: Galp - Tópico Geral
yaya Escreveu:Basicamente, e resumindo o histórico dos acontecimentos, algumas empresas petrolíferas americanas tinham contratos para extração de petróleo na Venezuela. Contratos esses que foram revogados no tempo de Chavez, ou seja nacionalizou os poços e as petrolíferas americanas ficaram a arder com o dinheiro que lá investiram.
Daí o argumento "they stole oil from us". Se é legal ou não invadir um país por causa da nacionalização dos poços, acho que não, mas como não têm armas nucleares são um alvo fácil. Também se fala que isto é uma forma de retribuir os milhões que as petrolíferas americanas financiaram durante a campanha de Trump.
Interessa a Trump baixar o preço do petróleo para controlar a inflação e continuar a baixar as taxas de juro da FED. O problema é chegar a um preço que deixa de ser viável às petrolíferas a extração do petróleo. Mais ainda que, apesar da Venezuela ter as maiores reservas de petróleo do mundo, o petróleo Venezuelano é pesado e exige bastante refinação e equipamento para perfuração a altas profundidades. As petrolíferas americanas terão de investir bastante dinheiro para desenvolver as infraestruturas necessárias que garantam a viabilidade da operação. E terão de ter garantias de segurança para não voltar a acontecer nova nacionalização.
Mas também há outro aspeto, a Venezuela andava a vender crude em moeda que não o dólar para contornar sanções dos EUA.
Vai ser mau para países como a China que compravam petróleo barato à Venezuela em yenes.
Também se fala que isto vai ser mau para a Rússia.
Dito isto, com a queda do consumo de petróleo, o crescimento de VE, a abundância de petróleo, e agora a tomada de poços na Venezuela pelos USA, julgo que a tendência no crude será de queda.
................ .................... ....................
yaya,
O teu enquadramento histórico da Venezuela está correto em vários pontos, mas a conclusão de que isto leva inevitavelmente a crude estruturalmente mais barato parece-me um salto demasiado grande.
Primeiro:
Mesmo que os EUA recuperassem influência operacional sobre campos venezuelanos, isso não cria petróleo novo no mercado de forma rápida. A Venezuela produz hoje ~700 kbpd, quando já produziu mais de 3 mbpd. Para voltar sequer a 2 mbpd seriam necessários 5–7 anos e dezenas de milhares de milhões em capex, porque o petróleo é pesado, os reservatórios estão degradados e a infraestrutura foi destruída. Isto não é shale, é engenharia pesada, upgrader plants, diluição, pipelines e terminais. Ou seja:
não há choque de oferta no curto nem médio prazo.
Segundo:
O petróleo pesado venezuelano não substitui Brent ou WTI. Precisa de refinarias específicas (Golfo do México) e diluentes. Isso cria um mercado segmentado, não um colapso global de preços.
Terceiro:
O argumento do “Trump quer petróleo barato” ignora a restrição fundamental:
A indústria shale dos EUA colapsa abaixo de ~60 USD. Se o crude cair muito, a produção americana cai automaticamente, e o mercado reequilibra. É por isso que desde 2016 o petróleo vive dentro de uma banda — há um floor económico, não político.
Quarto:
O tema geopolítico (China, Rússia, moeda) é relevante, mas não muda o facto central:
A OPEP+ continua a controlar mais de 50% da oferta exportável e ajusta produção para defender preços. A Venezuela, mesmo “recuperada”, estaria sob esse chapéu.
Quinto:
EVs e transição energética reduzem crescimento, não criam colapso.
A procura global ainda cresce 1–1,5 mbpd/ano fora OCDE. A queda de capex upstream desde 2015 criou um défice estrutural de oferta futura. Isso é exatamente o que torna descobertas como Mopane, Bacalhau, Guyana, etc., tão valiosas.
Conclusão:
A Venezuela pode voltar a ser relevante, mas como processo de uma década, não como choque deflacionista do crude. O petróleo barato que destrói o sector é um mito político — o mercado não o permite.
E para empresas como a Galp, com produção offshore de baixo custo, ativos em Brasil e Namíbia, e refinação integrada, um crude a 60–70 USD continua a ser extremamente rentável.
Não é um cenário de colapso — é um cenário de rotação geopolítica dentro de um mercado estruturalmente apertado.
J.f.vieira
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Re: Galp - Tópico Geral
Basicamente, e resumindo o histórico dos acontecimentos, algumas empresas petrolíferas americanas tinham contratos para extração de petróleo na Venezuela. Contratos esses que foram revogados no tempo de Chavez, ou seja nacionalizou os poços e as petrolíferas americanas ficaram a arder com o dinheiro que lá investiram.
Daí o argumento "they stole oil from us". Se é legal ou não invadir um país por causa da nacionalização dos poços, acho que não, mas como não têm armas nucleares são um alvo fácil. Também se fala que isto é uma forma de retribuir os milhões que as petrolíferas americanas financiaram durante a campanha de Trump.
Interessa a Trump baixar o preço do petróleo para controlar a inflação e continuar a baixar as taxas de juro da FED. O problema é chegar a um preço que deixa de ser viável às petrolíferas a extração do petróleo. Mais ainda que, apesar da Venezuela ter as maiores reservas de petróleo do mundo, o petróleo Venezuelano é pesado e exige bastante refinação e equipamento para perfuração a altas profundidades. As petrolíferas americanas terão de investir bastante dinheiro para desenvolver as infraestruturas necessárias que garantam a viabilidade da operação. E terão de ter garantias de segurança para não voltar a acontecer nova nacionalização.
Mas também há outro aspeto, a Venezuela andava a vender crude em moeda que não o dólar para contornar sanções dos EUA.
Vai ser mau para países como a China que compravam petróleo barato à Venezuela em yenes.
Também se fala que isto vai ser mau para a Rússia.
Dito isto, com a queda do consumo de petróleo, o crescimento de VE, a abundância de petróleo, e agora a tomada de poços na Venezuela pelos USA, julgo que a tendência no crude será de queda.
Daí o argumento "they stole oil from us". Se é legal ou não invadir um país por causa da nacionalização dos poços, acho que não, mas como não têm armas nucleares são um alvo fácil. Também se fala que isto é uma forma de retribuir os milhões que as petrolíferas americanas financiaram durante a campanha de Trump.
Interessa a Trump baixar o preço do petróleo para controlar a inflação e continuar a baixar as taxas de juro da FED. O problema é chegar a um preço que deixa de ser viável às petrolíferas a extração do petróleo. Mais ainda que, apesar da Venezuela ter as maiores reservas de petróleo do mundo, o petróleo Venezuelano é pesado e exige bastante refinação e equipamento para perfuração a altas profundidades. As petrolíferas americanas terão de investir bastante dinheiro para desenvolver as infraestruturas necessárias que garantam a viabilidade da operação. E terão de ter garantias de segurança para não voltar a acontecer nova nacionalização.
Mas também há outro aspeto, a Venezuela andava a vender crude em moeda que não o dólar para contornar sanções dos EUA.
Vai ser mau para países como a China que compravam petróleo barato à Venezuela em yenes.
Também se fala que isto vai ser mau para a Rússia.
Dito isto, com a queda do consumo de petróleo, o crescimento de VE, a abundância de petróleo, e agora a tomada de poços na Venezuela pelos USA, julgo que a tendência no crude será de queda.
Re: Galp - Tópico Geral
Alguém com interesses importantes na GALP fez um esforço para fazer passar a ideia que o negócio da Namibia foi mau, aproveitou para fazer despencar a cotação e agora está tranquilamente a recomprar as acções que vendeu a um preço bastante mais baixo.
O negócio da Namibia pode ter sido frustrante para alguém que estava à espera de uma venda com entrada de cash imediato que gerasse um dividendo extraordinário ou algo parecido.
Para alguém que acredita no negócio a longo prazo foi um bom negócio. Assegura condições para investir nas condições de produção e uma parceria sólida para explorar as reservas no futuro.
A prazo a cotação vai recuperar e voltar a máximos.
O negócio da Namibia pode ter sido frustrante para alguém que estava à espera de uma venda com entrada de cash imediato que gerasse um dividendo extraordinário ou algo parecido.
Para alguém que acredita no negócio a longo prazo foi um bom negócio. Assegura condições para investir nas condições de produção e uma parceria sólida para explorar as reservas no futuro.
A prazo a cotação vai recuperar e voltar a máximos.
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