Caldeirão da Bolsa

Um mundo menos pobre ­ mas muito desigual

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por Sei lá » 5/12/2007 11:17

África precisa é de líderes em condições que não olhem só para o seu umbigo.

Angola está a desenvolver-se enchendo o bolso a um grupo restrito de angolanos, não precisou de "comércio livre". Se tivesse líderes que não roubassem o país, todo o país beneficiava e toda a população beneficiaria do desenvolvimento. Mesmo com esses roubos dissimulados, o país desenvolve-se, agora imagine-se com as coisas feitas de forma honesta.
O mercado cega... nem uma ida a Cuba resolve. Cuba?!? :shock: Phone-ix!! Eles são socialistas pá!!!!
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Re: Um mundo menos pobre ­ mas muito desigual

por Camisa Roxa » 5/12/2007 10:41

lu22 Escreveu:E eu não sou a favor da redistribuição de riqueza como um fim em si mesmo. O que sugiro é algo mais direcionado e específico: tirar as amarras que impedem a chegada do crescimento a algumas partes do mundo.


Exacto, o que África precisa não é de caridade, precisa é que comércio livre sem barreiras, precisa que os países desenvolvidos quebrem as barreiras alfandegárias particularmente no sector agrícola.

A PAC e os auxílios aos agricultores americanos são provavelmente o maior entrave ao desenvolvimento de África. O que África precisa é de um comércio global e livre onde pode competir. Não precisa de Live8s nem Bob Geldoffs nem hipocrisias do género que apenas aconchegam a consciência de alguns...

lu22 Escreveu:Meu cálculo inicial era que o mundo rico deveria gastar cerca de 0,7% do PIB global a cada ano. (...) afinal, é menos de 1% do PIB do mundo desenvolvido --, mas faria muita diferença. (...)
Porque haverá um acréscimo para que o mundo rico ajude os países pobres a lidar com a mudança climática.


pronto, começou bem mas rapidamente descambou para o reino da fantasia!

lu22 Escreveu:A miséria tem de ser imaginada. É como a Aids e a malária. Não quero fazer comparações nem dizer que uma doença é mais grave do que a outra, mas sem dúvida a Aids recebeu mais atenção porque houve muito mais casos da doença nos países ricos.


esquecem-se que a malária já podia ter sido erradicada da Terra senão fossem os malditos ambientalistas terem proibido o DDT! Talking about hypocrisy!!!

lu22 Escreveu:Eu atribuo isso a investimentos insuficientes, pois a ajuda não veio.


eu atribuo isso a falta de comércio livre

lu22 Escreveu:A China também está muito envolvida na África. Em parte pelo interesse nos recursos naturais do continente e pela busca de influência geopolítica, é claro, mas há um grande investimento em curso.


ui, a China está a ajudar África! A China está (e muito bem para os chineses!) a tomar conta de África para ficar com as matérias-primas... Enfim, está a dar uma lição à UE que se fica sempre por palavras ocas e lições de moralismo. A China está em campo e está a meter dinheiro em África. Mas não é ajuda! É investimento! Pois irão lucrar muito com esse investimento, não sejamos ingénuos...
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por Keyser Soze » 5/12/2007 10:05

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Um mundo menos pobre ­ mas muito desigual

por lu22 » 5/12/2007 9:43

Um mundo menos pobre ­ mas muito desigual

O economista Jeffrey Sachs diz que a globalização vai ajudar a erradicar a miséria, mas as diferenças de renda vão continuar aumentando

Guillaume Bonn Sachs fala numa escola de Uganda, um dos países mais pobres da África: os países ricos prometeram ajuda, mas ainda não entregaram.

Por Sérgio Teixeira Jr.
EXAME

Brilhante, ambicioso, presunçoso, estrela pop: há mais de 20 anos, o nome do economista americano Jeffrey Sachs aparece sempre na companhia de pelos menos um desses adjetivos. Em 1987, aos 30 anos, ele ajudou a Bolívia a derrotar a hiperinflação com uma receita de abertura econômica radical. A reputação de "consertador de países" o levou a um famoso e controverso período de consultoria a nações do recém-desmontado bloco soviético. Os resultados foram variados. A Polônia fez a transição para a economia de mercado com sucesso e hoje integra a União Européia. Na Rússia, a história foi diferente. O país ainda paga o preço de uma abertura econômica que muitos consideram mal planejada -- uma crítica direta a Sachs e sua suposta arrogância. Mas, em ambição, esses choques capitalistas não chegam perto da tarefa seguinte a que Sachs se propôs: erradicar a miséria do planeta. Ele acredita que a globalização é parte da resposta, mas que é preciso fazer mais. "O desenvolvimento não é um processo inevitável", disse ele a EXAME, de Nova York. "Os países ricos prometeram ajuda à África, mas ainda não a entregaram. Foram muitas palavras, mas pouca ação." Sachs diz ser um otimista com relação à meta de erradicar a pobreza. "Mas meu otimismo é posto à prova diariamente." Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

A globalização vai resolver o problema da miséria?

Ela não vai solucionar o problema por si só, mas é uma força poderosa. O desenvolvimento não é um processo inevitável. Há muitos lugares no mundo que não progridem. A globalização permite que países pobres dêem saltos tecnológicos e alcancem rapidamente os de maior renda. Foi o que aconteceu com a China nos últimos 25 anos e com a Índia nos últimos 15. Espero que aconteça com o Brasil nos próximos 15. O país teve períodos de crescimento rápido, mas não por muito tempo seguido. Agora, a expansão voltou a acontecer.
Os críticos apontam que a globalização pode reduzir a miséria, mas também aumenta as desigualdades. O senhor concorda?
Há alguma verdade nisso. Em qualquer país, haverá áreas mais beneficiadas do que outras. Nos últimos 20 anos, regiões urbanas capazes de se conectar à rede mundial de tecnologia da informação tiveram melhores resultados. Indústrias, serviços financeiros e empresas de mídia tiram proveito desse fenômeno, enquanto as áreas rurais geralmente ficam para trás. A globalização certamente não impulsiona todos os setores de uma economia na mesma medida. Isso levanta algumas questões. As regiões que ficaram para trás serão beneficiadas por tabela? Sim, mas o ganho não será comparável ao das regiões líderes. Outra questão: há algo que a sociedade possa fazer a respeito da desigualdade crescente? Acredito que a resposta também seja positiva. São necessários investimentos públicos -- em educação, infra-estrutura, saúde e assim por diante -- para garantir que os benefícios sejam compartilhados por igual, e ao mesmo tempo preparar o terreno para que os investimentos estrangeiros e as melhorias tecnológicas cheguem por igual a todos os pontos do país.

O senhor costuma dizer que é a economia, não a política, o melhor remédio contra a pobreza extrema. Deixando de lado considerações morais, pode dar razões econômicas para atacar o problema?
A razão básica é que a pobreza extrema é um anacronismo. A renda per capita média do mundo hoje é cerca de 9 000 dólares e, nos países ricos, pode ficar entre 35 000 e 40 000 dólares. Como, em alguns lugares do mundo, ela pode ser de apenas 350 ou mesmo 1 000 dólares? É simplesmente um choque e uma afronta para a sociedade saber que há pessoas morrendo de fome enquanto outras se beneficiam do moderno desenvolvimento econômico. Você pode dizer que essa é uma discussão moral, mas eu diria que ela também é pragmática. Enquanto tivermos esse tipo de miséria, vamos conviver com instabilidade, doenças, migrações em massa, crescimento populacional acelerado, conflitos armados, degradação ambiental e berços para o terrorismo. Com um pouco de ajuda externa, que dure tempo suficiente para reconstruir a infra-estrutura básica e cuidar da saúde e da educação da população, países hoje miseráveis também poderão tirar vantagem do movimento global de crescimento econômico. E eu não sou a favor da redistribuição de riqueza como um fim em si mesmo. O que sugiro é algo mais direcionado e específico: tirar as amarras que impedem a chegada do crescimento a algumas partes do mundo.

O senhor já estimou o custo de erradicar a pobreza...
Meu cálculo inicial era que o mundo rico deveria gastar cerca de 0,7% do PIB global a cada ano. A riqueza produzida pelos países ricos é algo em torno de 35 trilhões de dólares. Portanto, estamos falando de algo como 240 bilhões de dólares ao ano. Não é tanta coisa -- afinal, é menos de 1% do PIB do mundo desenvolvido --, mas faria muita diferença. Conseguiríamos resolver questões básicas, controlar doenças como malária e Aids, e o mundo rico mal sentiria. É muita miopia não fazer sequer esse pequeno investimento. Mas agora acho que precisaremos gastar um pouco mais.

Por quê?
Porque haverá um acréscimo para que o mundo rico ajude os países pobres a lidar com a mudança climática. Isso não fazia parte da conta inicial e talvez represente alguns décimos percentuais a mais no valor. Mas, insisto, estamos buscando de senvolvimento sustentável, e a um custo muito baixo.

O senhor mencionou a mudança climática. Nos países ricos, o assunto parece receber muito mais atenção do que a miséria. Por quê?
É simples: o aquecimento global atinge as pessoas nos países ricos. A miséria tem de ser imaginada. É como a Aids e a malária. Não quero fazer comparações nem dizer que uma doença é mais grave do que a outra, mas sem dúvida a Aids recebeu mais atenção porque houve muito mais casos da doença nos países ricos. Ou seja, uma doença foi compreendida pelas sociedades desenvolvidas; a outra, não. Agora, com o furacão Katrina, as secas na Austrália e as ondas de calor na Europa, eles sentem o problema diretamente. E isso é uma força muito poderosa.

Como estão as metas de redução da pobreza estabelecidas pelo senhor no chamado Projeto do Milênio, da Organização das Nações Unidas?
Na África subsaariana, estamos caminhando muito devagar para atingir os objetivos. Eu atribuo isso a investimentos insuficientes, pois a ajuda não veio. O que me preocupa é que os países ricos prometeram ajuda à África, mas ainda não a entregaram. Foram muitas palavras, mas pouca ação.

Que papel países como Brasil, Índia e China têm a desempenhar na luta contra a miséria?
Podem ter um papel significativo, pois são países que conhecem o problema de perto e têm tecnologias e conhecimentos mais apropriados para combatê-lo. Se o Brasil usasse o conhecimento que tem da indústria do etanol para ajudar países como São Tomé e Príncipe e Moçambique, por exemplo, faria uma grande contribuição, e não haveria nenhuma ameaça aos mercados do país. A China também está muito envolvida na África. Em parte pelo interesse nos recursos naturais do continente e pela busca de influência geopolítica, é claro, mas há um grande investimento em curso. E a Índia tem uma longa lista de tecnologias que estão sendo usadas, especialmente no campo da saúde, como hidratação, remédios genéricos, novas abordagens para garantir a sobrevivência de recém-nascidos e assim por diante.

O senhor é conhecido por seu otimismo. Continua o mesmo?
Acho que sim. Sei que algumas medidas podem ter efeito muito rápido. Países africanos podem dobrar ou triplicar sua produção de comida em três anos, pois sofrem com a falta de fertilizantes e sementes de boa qualidade. Se houvesse uma aceleração da ajuda, o progresso seria imediato. Doenças como a malária, que mataram até 2 milhões de crianças, podem ser controladas em poucos anos, pois há remédios e tecnologia para isso. Ou seja, temos as condições técnicas, mas não conseguimos colocá-las em uso. Então, diria que meu otimismo é condicionado. Ele é posto à prova diariamente.
 
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