Literacia financeira em Portugal
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Concordo, um dos conceitos que deviam ensinar na escola é que o Estado não gera riqueza e o seu papel não é ser empregador nacional nem desenrascar pessoasa que tiraram o curso errado.
Era importante do ponto de vista eleitoral que isto mudasse para as pessoas poderem avaliar as propostas melhor e encararem o populismo com mais cepticismo.
Era importante do ponto de vista eleitoral que isto mudasse para as pessoas poderem avaliar as propostas melhor e encararem o populismo com mais cepticismo.
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Literacia financeira em Portugal
Euclides Major
(I) Literacia financeira em Portugal
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Activo e Passivo. São palavras usadas diariamente por milhares de profissionais em Portugal. Contudo, será que a maioria dos portugueses realmente percebe estes conceitos? Não. Claramente não. Basta olhar para o grau de endividamento das famílias portuguesas. Até a “elite política” que governa Portugal não consegue assimilar estes dois conceitos.
Até a "elite política" que governa Portugal não consegue assimilar estes dois conceitos. Este artigo visa alertar os leitores para um dos principais problemas da sociedade portuguesa.
Desde que o capitalismo passou a caracterizar a sociedade contemporânea que o consumismo é incentivado, e em geral muito para além das possibilidades económicas de cada um.
De facto, o maior problema da maioria dos portugueses não é a forma como ganha ou pode ganhar dinheiro, mas sim o modo como o gasta. E aqui entra o défice de literacia financeira intrínseco à sociedade actual. Na escola não é ensinado o real do valor do dinheiro, nem muito menos o que significa os conceitos de activo e passivo.
Editorial do leitor
Envie um Artigo de Opinião para o Jornal de Negócios, para nc@mediafin.pt, sobre um tema de actualidade económica. Todos os dias, durante dez edições, o Jornal de Negócios escolherá um desses textos, em função da pertinência do tema, da inovação na abordagem, do contributo para a reflexão e da qualidade textual. Saiba mais aqui.
A maior parte das pessoas pensa que compra activos. Mas não. Um activo é na sua essência algo, que gera ou pode gerar benefícios futuros. Ora, as viagens, férias, telemóveis, a compra de um carro a crédito, tudo isto gera benefícios futuros? Não. E é esta simples diferença que a maior parte da sociedade não compreende. Basta parar e observar à sua volta, e certamente encontrará um padrão: quase ninguém realmente compra ou tenciona comprar um bem que lhe proporcionará um influxo de dinheiro (activo). E pior ainda é adquirir este tipo de bens recorrendo ao crédito.
Um outro exemplo claro de iliteracia financeira é o abuso excessivo do cartão de crédito. É prática comum, hoje em dia, mesmo quando os juros cobrados são absolutamente astronómicos. Aqui, a culpa também é dos agentes económicos como os bancos (onde está a famosa ética e responsabilidade social?), que recorrem às estratégias mais inimagináveis para incentivar o consumo.
Obviamente que numa sociedade onde predomina esta mentalidade, o próprio Governo espelha esta falta de literacia financeira. Só assim se explica o montante do desequilíbrio das contas públicas, e pior ainda, a falta de uma solução estrutural (e não apenas mais umas máscaras que disfarçam a real dimensão e persistência) para resolver o défice. Se houvesse mais literacia financeira, o grau de exigência seria muito maior, e os portugueses não se deixariam levar em promessas eleitorais de diminuição do défice sem aumento dos impostos e sem qualquer medida estrutural que vise a diminuição clara de despesa. Claro que o Governo, tendo em primeiro lugar o objectivo de ter um bom resultado nas eleições seguintes não pode perante uma sociedade que não compreende sequer a diferença entre activo e passivo, tomar as medidas necessárias para conter a despesa e equilibrar as contas públicas. Porquê? Iliteracia financeira meus caros?
Fonte: negócios.pt
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