Caldeirão da Bolsa

Alan Greenspan e a crise

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por charles » 22/10/2007 20:32

Sempre achei que o imobiliario é um barometro de um economia pujante e em desenvolvimento , quando os sinais são de recessão neste sector pára tudo, pois as industrias e serviços dependentes deste sector são a grande maioria, continuo a pensar que estou certo sobre o assunto imobilario/barometro....


"Leilões de casas por pagar já são um bom negócio
Malparado Desemprego e divórcio são causas principais do incumprimento no crédito à habitação Instituições bancárias livram-se de habitações através de leilão




Isabel Forte

Comprar um apartamento com quatro assoalhadas em Lisboa por 60 mil euros, ou com duas, na Póvoa de Varzim, por 40 mil, pode não ser um negócio impossível. O importante é estar atento e ter a sorte durante as licitações dos leilões de imóveis - a última moda em Portugal - de serem vendidas casas a preços atractivos. Até porque grande parte dos imóveis que chegam a estes leilões provêm de instituições bancárias e resultam de crédito mal parado.

Só em Agosto deste ano, revela o Banco de Portugal, dos 72 mil milhões de euros em movimento para crédito à habitação, mais de mil milhões diziam respeito a incumprimento bancário.

Ora, o negócio dos bancos é comprar e vender dinheiro, nunca investir em imóveis. Pelo que, basicamente, quantos mais imóveis um banco tem, menos dinheiro possui para emprestar. "O dinheiro tem de rodar, não pode ficar parado", explica ao JN fonte bancária, cuja instituição também tem aproveitado os leilões para "despachar" imóveis. "Quanto mais um banco tiver habitações, mais necessidade tem de aumentar o seu capital próprio". E simplifica: "Imagine-se que são meras questões contabilísticas, que obrigam a que um banco tenha todo o interesse em ter o valor do património reduzido ao mínimo".

A vantagem, portanto, é vender rapidamente o "stock" de habitações paradas, quando os clientes deixam de pagar as prestações do crédito à habitação. E se estes novos leilões ajudam a "despachar" o que está a mais, tanto melhor. Para os bancos e para os consumidores.

Só este mês, por exemplo, a Euro Estates, uma das empresas que agarrou a iniciativa dos leilões, já realizou duas sessões. Uma em Lisboa e outra em Vila Nova de Gaia. Muitos dos imóveis licitados, refere a empresa, foram encaminhados por instituições bancárias. Desde a Caixa Geral de Depósitos, ao Millennium bcp, Montepio Geral ou Banif.

Mas a venda de imóveis, por crédito mal parado, é quase o último recurso da maior parte das instituições. Quase sem excepção, todos tentam, junto do cliente incumpridor, negociar o melhor para que a casa sujeita a crédito não mude de mãos.

Na Caixa Geral de Depósitos, por exemplo, onde a percentagem maior de crédito mal parado está ligada a clientes que passaram por uma situação de divórcio ou ficaram no desemprego, tenta-se de tudo para arranjar uma solução. "São situações sociais complicadas", explica ao JN fonte do gabinete de imprensa da CGD. "Nesses casos, o gestor de clientes entra em contacto com a pessoa, tenta perceber o motivo do incumprimento e, se for pontual, resolve-se"; se for uma situação de desemprego, "negoceia-se um prazo mais alargado para o pagamento do crédito". Só em último caso, refere, "é que se irá para tribunal".

No Millennium bcp, o crédito mal parado também aparece ligado a situações de divórcio (31%) e de desemprego (25%). A instituição tenta, primeiro, "resolver o problema numa prespectiva positiva". No mesmo plano está o BPI, onde o incumprimento se deve ao desemprego e divórcio (50%). Cartas de aviso ao incumpridor é a primeira acção tomada. Só em último caso se opta pela via judicial"
Cumpt

só existe um lado do mercado, nem é o da subida nem o da descida, é o lado certo
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por charles » 22/10/2007 20:25

Uma coisa é certa o crédito mal parado atingiu valores record, situa-se nos 2.200 mihoes de euros, o petroleo está quase nos 100 dls,um dia destes isto vai ter de estoirar por algum lado e normalmente é pelo elo mais fraco.


Banco de Portugal 2006-11-22 11:50
Crédito mal parado atinge os 2181 M€ em Setembro
O saldo dos créditos de cobrança duvidosa, no final de Setembro de 2006, era de 2181 milhões de euros (M€) contra 2172 M€ no mês anterior e 2006 M€ no período homólogo de 2005, revelou o Banco de Portugal (BdP).

Rita Paz com Reuters

Segundo revelou o Banco de Portugal (BdP) no seu Boletim Estatístico de Novembro, o saldo dos empréstimos de cobrança duvidosa em Setembro no sector da habitação era de 1166 M€ contra 1162 M€ no mês anterior e de 1172 M€ no período homólogo de 2005.

No sector da habitação, o saldo dos empréstimos atingiu os 90,12 mil M€ em Setembro dos quais 89,14 mil M€ com um prazo superior a cinco anos, 781 M€ entre um a cinco anos e 198 M€ a menos de um ano.

O saldo dos empréstimos de cobrança duvidosa no sector do consumo atingia os 427 M€ no final de Setembro, contra 425 M€ em Agosto e 288 M€ em Setembro de 2005.

Nos empréstimos bancários para outros fins que não a habitação ou o consumo, o saldo de cobrança duvidosa atingia os 588 M€ no final

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por Presa36 » 22/10/2007 18:36

Bem, eu já admirava bastante o velhote Greenspan, mas agora que estou a ler o livro ainda o admiro mais.

Ele sabe do que fala. Anda nisto há 50 anos. Já viu este filme montes de vezes, e por dentro.

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por R_Martins » 22/10/2007 18:06

...Àh, já percebi porque é que...
Será que o Velho falou mesmo de crise?...

Patrícia Silva Dias. Na minha geração não existia muito este nome de Patrícia, aliás, é posterior aos anos oitenta que este nome é mais pupularucho, significa por isso que a Patrícia é uma jornalista jovem todavia, obviamente sem controle emocional bem defenido, dizendo que o Velho disse o que o Velho não disse...
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por R_Martins » 22/10/2007 17:58

Eu devo ser muito BURRO...
Ainda não percebi onde está a crise...
Hoje o telejornal abriu a falar de catastrofe, bolsas no vermelho etc.
Para além da subida anual o nasdaq, agora mesmo ás 19.07 horas está:
NASDAQ 2,754 1.07% 14.04%
S&P 500 1,508 0.48% 6.31%
Que o velho se passe do caixote, tudo bem, agora os mais novos...
Rmartins

Índice Valor Var. Var.Ano
PSI20 12,624 -0.97% 12.74%
CAC40 5,661 -1.38% 2.16%
DAX Xetra 7,795 -1.13% 18.16%
NASDAQ 2,754 1.07% 14.04%
S&P 500 1,508 0.48% 6.31%
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Alan Greenspan e a crise

por Old Trader » 22/10/2007 16:57

«Alan Greenspan
“Se não tivesse sido o imobiliário, teria sido outra coisa qualquer” a iniciar a crise financeira
O antigo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Alan Greenspan, considera que mesmo que não tivesse surgido uma crise no mercado hipotecário de alto risco ("subprime"), surgiria "outra coisa qualquer" a iniciar uma crise financeira internacional.

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Patrícia Silva Dias
patriciadias@mediafin.pt



O antigo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Alan Greenspan, considera que mesmo que não tivesse surgido uma crise no mercado hipotecário de alto risco ("subprime"), surgiria "outra coisa qualquer" a iniciar uma crise financeira internacional.

"Alguma coisa tinha de acontecer. Se não tivesse sido o imobiliário, a crise teria detonado noutro sector qualquer", afirmou Alan Greenspan, citado pela Bloomberg, à margem das reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Washington.

O ex-presidente da Fed comentava o nível de endividamento elevado dos diferentes agentes económicos dos Estados Unidos (famílias, empresas, poderes públicos). "Esse endividamento não pode crescer eternamente", alertou o mesmo responsável.

"É o nível de dívida, e não a origem geográfica de quem financia, que provoca tensões no sistema financeiro", advertiu Greenspan.»

Fonte: Negocios.pt
Quem se lembra do crash de 87? E da 1ª OPV da PT? E da Marconi?
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