Caldeirão da Bolsa

Empresário português!!!

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por Surfer » 18/10/2007 13:41

Horaclito Escreveu:Caro Surfer, sou empresário há 14 anos e digo-lhe que a competitividade é extremamente saudável quando as empresas lutam entre si com todas as armas "legais" ao seu dispor, caso contrário a competitividade é defraudada por fraudes que não têm nada a ver com competitividade....é a mesma coisa que um atleta de alta competição se dopar para vencer uma competição, em que situação ficam os outros atletas, onde está a competividade duma competição que já foi viciada??

Quanto aos mais fracos, conservadores e limitados morrerem como diz é verdade, mas em nada se aplica ao tema, senão o que deduziria é que para o sr, o empresário moderno, forte e com um skill acima da média é aquele cuja actividade principal é a fraude fiscal proporcionada através da sua actividade de negócio!!

E dou por encerrado este tópico.

Cumprimentos


Caro Horaclito,

Antes demais obrigado pela observação (critica) ao meu comentário.

Compreendo e concordo plenamente com a tua observação relativamente á competitividade justa ou ausência dela.

Mas eu exprimi-me com base em experiência própria numa empresa que vive e sobrevive felizmente com "saude" ao longo de quase 25 anos num sector industrial e tecnológico 100% de exportação.
Estou habituado a lidar com a concorrência de todo género e espécie, de ordem de grandeza muito superior ao mercado nacional.

Não acho que o empresário português seja inferior aqueles que a maioria das pessoas (sobretudo fora do âmbito empresarial) tendem a comparar e responsabilizar pelo mau estado da economia nacional.

O problema hoje não é tanto a fuga ao fisco (embora prevaleça sempre) dado que hoje felizmente os mecanismos de combate á fuga fiscal sejam mais eficazes e persistentes que anteriormente. A fuga ao fisco é um mal "obrigatório" e originário do capitalismo mundial.

O problema dos empresários sobretudo portugueses reside nomeadamente nas leis de mercado internas que para além de conservadoras, limitam a flexibilidade de acção e desenvolvimento das empresas. Aqui reside a origem do problema que depois ao longo tempo cria e alimenta mentalidades e acções nocivas ao desenvolvimento económico saudável e competitivo.

Existe muito pouca cultura empresarial em Portugal e sobretudo noção do que se trata na realidade a orgânica empresarial e a importância que isso significa para a economia e bem estar do pais.
Como se pode criticar e exigir responsabilidades ao empresário português quando a própria sociedade não entende ou percebe as dificuldades e problemas que os empresários portugueses vivem e enfrentam todos os dias interna e extrenamente.

São quase 25 anos a competir com países como a Espanha, Itália, Japão, Coreia do Sul, India, China, Vietname possivelmente no futuro e outros, algumas contra empresas com capital e subsidiadas por fundos estatais com base em projectos nacionais desses países... Ao longo de 25 anos, creio que não me recordo de uma vez que seja de assistir e viver greves ou assistir a pedidos de clemência por parte dos empresários ou associações do meu sector a entidades do estado português.

O empresário português ou novos empresários como lhe queiram chamar não necessita de subsídios, pedidos ou ajudas de clemencia como forma se subsistência. Nós necessitamos é de uma sociedade aberta e livre de preconceitos ou complexos que pertencem ao passado. Uma sociedade que entenda os problemas, que procure o conhecimento e de modo poder discutir e resolver os problemas, assim com estar preparada para enfrentar novos desafios.
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por Horaclito » 18/10/2007 11:36

Surfer Escreveu:Eu somente agora encontrei e li este tópico e sinceramente e honestamente penso que o problema em Portugal é as pessoas julgarem-se conhecedoras de tudo que as rodea e dessa forma sentem-se no direito de opinar sobretudo de forma agressiva sobre temas ou problemas que nada entendem ou conhecem.

Deixo uma sugestão aqueles que criticam indiscriminadamente os empresários portugueses... Arrisquem... Tornem-se empresários... Enfrentem todas as obrigações justas e injustas, sobretudo as que vos limitam a vossa ambição, a vossa competitividade e o desenvolvimento.

Sinceramente custa ainda ver no sec. XXI, quase 34 anos de democracia depois, ainda ouvir e ler conversas ou textos que carregam e expressam sentimentos de revolta com base na ignorância e no pensamento populista, conceitos limitados e ultrapassados.

Até parece que não estamos no Sec. XXI e não vivemos hoje numa comunidade global aonde a concorrência e competitividade é enorme e "feroz", aonde existe competitividade em prol dos consumidores, aonde os mais fracos, conservadores e limitados morrem...



Caro Surfer, sou empresário há 14 anos e digo-lhe que a competitividade é extremamente saudável quando as empresas lutam entre si com todas as armas "legais" ao seu dispor, caso contrário a competitividade é defraudada por fraudes que não têm nada a ver com competitividade....é a mesma coisa que um atleta de alta competição se dopar para vencer uma competição, em que situação ficam os outros atletas, onde está a competividade duma competição que já foi viciada??

Quanto aos mais fracos, conservadores e limitados morrerem como diz é verdade, mas em nada se aplica ao tema, senão o que deduziria é que para o sr, o empresário moderno, forte e com um skill acima da média é aquele cuja actividade principal é a fraude fiscal proporcionada através da sua actividade de negócio!!

E dou por encerrado este tópico.

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por Surfer » 18/10/2007 10:41

Eu somente agora encontrei e li este tópico e sinceramente e honestamente penso que o problema em Portugal é as pessoas julgarem-se conhecedoras de tudo que as rodea e dessa forma sentem-se no direito de opinar sobretudo de forma agressiva sobre temas ou problemas que nada entendem ou conhecem.

Deixo uma sugestão aqueles que criticam indiscriminadamente os empresários portugueses... Arrisquem... Tornem-se empresários... Enfrentem todas as obrigações justas e injustas, sobretudo as que vos limitam a vossa ambição, a vossa competitividade e o desenvolvimento.

Sinceramente custa ainda ver no sec. XXI, quase 34 anos de democracia depois, ainda ouvir e ler conversas ou textos que carregam e expressam sentimentos de revolta com base na ignorância e no pensamento populista, conceitos limitados e ultrapassados.

Até parece que não estamos no Sec. XXI e não vivemos hoje numa comunidade global aonde a concorrência e competitividade é enorme e "feroz", aonde existe competitividade em prol dos consumidores, aonde os mais fracos, conservadores e limitados morrem...
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por Horaclito » 18/10/2007 9:19

Operação Furacão ataca Texto e Porto Editora
A Texto Editores e a Porto Editora foram ontem alvo de buscas, no âmbito da chamada Operação Furacão, a qual se concentra na investigação de crimes de branqueamento de capitais.

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Celso Filipe
cfilipe@mediafin.pt


A Texto Editores e a Porto Editora foram ontem alvo de buscas, no âmbito da chamada Operação Furacão, a qual se concentra na investigação de crimes de branqueamento de capitais.

As sedes das duas empresas, localizadas em Lisboa e no Porto, respectivamente, foram inspeccionadas por elementos do Departamento Central de Investigação e de Acção Penal, da Direcção-Geral de Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros e Direcção de Serviços da Inspecção Tributária, acompanhados por elementos da brigada Fiscal, soube o Jornal de Negócios.

Fonte oficial da Texto Editores, confrontada com esta busca, confirmou a existência da mesma, tendo acrescentado que a acção incidiu sobre as contas compreendidas entre os anos 2000 e 2005, mas escusou-se a adiantar mais pormenores.

A Porto Editora também confirmou ter recebido a visita das autoridades. As duas editoras estão indiciadas na utilização de facturação falsa com recurso a sociedades "offshore" que encobrem todas as operações, envolvendo um montante que ultrapassará ligeiramente os 20 milhões de euros.

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Portugal e Espanha acho que vai ser considerado pela união europeia os "paraisos" da fraude fiscal!!!

Agora é só imaginar:

Se nas grandes empresas conseguem ter o esquema montado, e as autoridades andarem anos e anos e mais anos para chegarem a algum resultado, que depois no final não dá em nada, ou seja, ninguém é condenado a coisa alguma, as micro, pequenas/médias empresas envolvidas em fraude fiscal podem continuar á vontade!

O que interessa (a este governo) é que os que pagam os seus impostos regularmente (os burros) continuem a pagar...

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por Horaclito » 5/10/2007 10:21

Fisco vai cobrar 200 milhões em multasA máquina fiscal cobrou em multas e coimas mais de 141 milhões de euros até Agosto último e estima uma cobrança superior a 200 milhões de euros até ao final do ano, um acréscimo de 8,3% em relação aos valores do ano passado.

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Jornal de Negócios Online
negocios@mediafin.pt


A máquina fiscal cobrou em multas e coimas mais de 141 milhões de euros até Agosto último e estima uma cobrança superior a 200 milhões de euros até ao final do ano, um acréscimo de 8,3% em relação aos valores do ano passado.

De acordo com o "Diário de Notícias", entre Janeiro e Setembro, os serviços da justiça tributária instauraram mais de 1,6 milhões de processos de contra-ordenação aos contribuintes, por atrasos de pagamentos dos impostos ou por desrespeito pelos prazos.

Em contrapartida, a máquina fiscal deverá falhar nas metas para a cobrança coerciva de impostos em falta. As Finanças tencionam este ano - de acordo com plano de actividades da DGI, publicado em Janeiro - cobrar mais de 1,6 mil milhões de euros em execuções fiscais. Mas a "escassez" de processos em cobrança coerciva, por falta de pagamento de impostos, deverá estacionar a receita fiscal "ligeiramente abaixo do alcançado no ano passado", de acordo com fonte do fisco.

"A verdade é que começa a existir maior voluntariedade no cumprimento das obrigações fiscais", refere, "o que diminuiu os processos a instaurar", bem como " a receita associada aos incumprimentos em litígio fiscal".

No ano passado, as receitas obtidas pela máquina fiscal com recurso a leilões de bens - como carros, casas ou equipamentos - ou a penhora de contas bancárias atingiram os 1,56 mil milhões de euros.

Mas já nos últimos dois meses de 2006, os serviços locais de cobrança foram pressionados pela hierarquia a aceleraram as execuções fiscais, sob pena de não conseguirem cumprir com o plano então desenhado por Paulo Macedo, o ex-director dos Impostos. Os objectivos de então de captar receitas no montante de 1,5 mil milhões de euros acabariam por ser ultrapassados apenas na última quinzena de Dezembro.

Em multas e coimas, o Estado arrecadou cerca de 20 milhões de euros em Setembro, mais de 50% do que o cobrado em todo o ano de 2003. Foi a partir desse ano que se registou a explosão na cobrança de coimas. Surge então o "Sistema electrónico de sancionamento de infracções fiscais", SCO, que permite gerir de forma electrónica a cobrança das multas.

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Estas medidas de cobrança coerciva são muito boas para cobrar o valor de impostos em divida de pessoas e empresas que tenham por onde pagar, ou seja, que tenham dinheiro, património, etc....

E as empresas que não têm nada (já com o intuito de cometer fraudes fiscais) nem os gerentes têm nada, ninguém tem nada de nada...como pagam as fraudes fiscais que cometem e pagam ao estado (e a todos os contribuintes) os montantes astronómicos de dividas fiscais??

Este pais anda doido...já me disseram que anda uma empresa no norte a comercializar paletes usadas para portugal e espanha em que o respónsável pelo negócio (não em nome de quem está a empresa) ganha milhões em fraude de IVA em portugal e espanha....agora imagine-se o tipo de negócio que se fala "paletes usadas"..para mim isto é um sinal que este pais está armadilhado com estes tipos de esquemas em todas as areas de negócio...para mal da nossa ECONOMIA e CONCORRÊNCIA!!!

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por charles » 27/9/2007 22:12

A nivel empresarial a falta de formação (continua) é para mim o problema mais grave que o nosso pais enfrenta se juntarmos isto á falta de ambição de aprender de muitos funcionarios das empresas e tambem do outro lado uma forte resistência de uma geração de patroes ainda dominante, que pouco ou nada aposta na inovação nas novas tecnologias, vivendo ainda muito do lapis na orelha, as empresas são demasiado familiares e passam de pais para filhos, onde não interessa muito ter os mais competentes e pagar-lhes em conformidade, interessa sim é meter malta conhecida, tipo os filho a nora o primo o sobrinho o amigo do sobrinho o vizinho etc... é um pouco do muito que noto nas ultimas decadas , claro que me refiro á maior parte das pequenas e medias empresas, no mundo comercial os exemplos são mais que muitos, claro que temos de excluir alguns gigantes como edps pt bancos seguradoras etc....


cumpt
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só existe um lado do mercado, nem é o da subida nem o da descida, é o lado certo
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por Horaclito » 27/9/2007 21:43

Re
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por Horaclito » 27/9/2007 21:27

José Azevedo Pereira: 2007-09-27 17:41
“Aceitei um desafio de gestão”
“Tem a ver com a forma como o desafio foi colocado: se fosse para consultor fiscal, não teria aceite, mas aceitei um desafio de gestão, para liderar uma equipa com 11 mil pessoas”. José Azevedo Pereira, que tomou hoje posse, como director-geral dos Impostos em substituição de Paulo Macedo.

Paula Cravina de Sousa

Azevedo Pereira não adiantou pormenores sobre as prioridades para o mandato, afirmando que vai reunir primeiro com a sua equipa de subdirectores. No discurso de tomada de posse, Azevedo Pereira agradeceu a confiança depositada em si pelo ministro das Finanças e afirmou ser “com grande sentido de responsabilidade”, que encara o cargo. O novo director-geral dos Impostos afirmou ainda que “podemos e devemos tornar a máquina fiscal mais simples e mais fácil de entender aos olhos do cidadão para que este compreenda porque está a pagar impostos”. Por sua vez, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos afirmou que as prioridades irão passar pelo combate à fraude e evasão fiscais, a continuação de medidas


Esta é boa, o novo director geral dos impostos tem um desafio importante:

- Fazer entender ás pessoas porque pagam impostos!!!

Isto só pode ser para rir...

E eu a achar que o que as pessoas devem entender é porque é que uns pagam impostos e outros não pagam e ainda se julgam mais espertos (os que não pagam) que os que pagam!
Isto vai de mal a pior...

Andam a convidar professores universitários para estes cargos depois é o que dá!

Se tivessem convidado um criminoso vigaro qualquer era muito mais bem sucedido pois sabia logo como e onde actuar..

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por Horaclito » 25/9/2007 21:16

Soube hoje que os individuos em nome de quem estão estas empresas ficticias a actuar em portugal com o objectivo de ganhar os 21% de IVA em portugal e os 16% de IVA em espanha, logo as contas bancárias destas firmas também estão em nome deles (gerentes ficticios), recebem 3.500 euros em "notas" por mês por terem dado o nome, tendo como unica tarefa (porque só podem ser eles) ir buscar todas as semanas ao banco o dinheiro depositado dos clientes.

Só me resta mais uma vez perguntar a mim mesmo:

Como é que isto é possivel em paises supostamente organizados???????????

É inacreditável!!!!!!


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por Horaclito » 23/9/2007 14:28

Pata-Hari Escreveu:O problema deste país não são os empresários, é sim a falta deles. Temos um excesso brutal de pessoas que querem ser funcionários e um déficit horrível de pessoas que querem ser empresários.


Eu também concordo que o problema deste pais não são os empresários, bem pelo contrário. O problema são aqueles querem ser empresários e até o são na cabeça deles com objectivos de destruir a competitividade dos seus concorrentes de cada actividade de negócio, com métodos ilegais graves (empresas ficticias com o objectivo de não pagar impostos) e estão no mercado só com este propósito!!

As autoridades nada fazem para combater estas fraudes!!!

Será que é tão dificil saber quem são os individuos por detrás destes negócios??

Será que é tão dificil saber (ao que se consta pelo menos para quem está a actuar todos os dias nas suas actividades de negócio) em nome de quem estão as contas bancárias destas empresas ficticias, para de seguida os meter na cadeia até confessarem quem são os responsáveis por estes crimes económicos??

Será que é tão dificil saber que estas contas e firmas (ao que se consta) estão em nome de cidadãos portugueses em território espanhol e de cidadãos espanhois em território português apesar de estarem todos ligados entre si, com o objectivo de dificultar a investigação e confundir as autoridades??

Enfim, é como diz aquele ditado português "quando a vontade é pouca para andar até as pernas atrapalham"

Cumprimentos
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Re: Horaclito

por GodsDead » 21/9/2007 16:31

Horaclito Escreveu:Godsdead, a responsabilidade solidária cliente/fornecedor poderia ser uma solução eficaz, até porque também estou convencido que as partes a envolvidas a montante e jusante muitas vezes sabem o que se passa e beneficiam de alguma forma com estas mega fraudes!!

A minha grande preocupação é como se eliminam estes criminosos do mercado no curto prazo...

Cumprimentos



Lamento, mas o estado não é prodigioso em reacções atempadas.
Toda a legislação emanada pelo legislador prima (sempre) por tardia em que surge como reacção ao alarme social.

Saindo um pouco do âmbito da economia, o crime de pedofilia só é previsto a partir da anterior revisão do código penal (salvo erro em 1997), antes era classificado como actos indecorosos, tendo uma pena até 1 anos de prisão. Só quando se começaram a aperceber que era pior visto a violação de uma criança de que de uma adulto é que foi fortemente penalizado.
Existem outros quantos exemplos na história recente deste pais e, ao contrário dos crimes contra a autodeterminação sexual, os crimes de índole económico-fiscal não são (ainda) socialmente reprováveis, logo o legislador está-se a “marimbar” para a sua repressão, ainda não percebeu que os sentimentos de injustiça sentidos pelos cidadão faz com que a indiferença se instale.

Dando como exemplo os EUA, as eleições são decididas apenas por 25% do universo votante, o que enviesa a verdadeira vontade de um povo.

Quanto à resposta à tua pergunta (como se eliminam estes criminosos do mercado no curto prazo...) não a tenho. Só te posso dizer que depende de cada um de nós ser sérios e fazer com que os que estão à nossa volta também o sejam (pedir factura, pagar o IVA que nos exigem, denunciar condutas que vão ao encontro do que temos falado [Aqui, juízo! Se denuncias pelo menos tem o cuidado de reunir elementos e testemunhas, que senão entalas-te!]).
Moralizar é um trabalho de cada um de nós, não se espere do estado milagres ou soluções do pé para a mão!

LAMENTO!!!
 
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por Sei lá » 21/9/2007 12:37

Pata-Hari Escreveu:O problema deste país não são os empresários, é sim a falta deles. Temos um excesso brutal de pessoas que querem ser funcionários e um déficit horrível de pessoas que querem ser empresários.


Discordo. Temos é um excesso de pessoas que querem ser empresárias sem terem aptidões para tal. Ser empresário é ter um espirito empreendedor. O que eu vejo é muita gente que simplesmente diz que quer trabalhar por conta própria e ganhar dinheiro para si e deixar de dar ganhar ao seu patrão... esta filosofia está logo errada, ser empresário é abrir um negócio espamdi-lo e ganhar dinheiro, mas a maioria parte atrás de que ser empresário é para se ganhar muito dinheiro, e depois o carcanhol não aparece como se esperava e a solução é deixar de pagar impostos, o passo seguinte é atrasar salários e depois atrasar pagamentos a fornecedores. Quando isto rebentar... paciência, ele já ganhou dinheiro e agora vai partir para outra... quem ficou a arder que se desenrasque.

E não, não são só as grandes empresas que devem dinheiro ao fisco, são milhares de pequenas empresas que o fazem de forma sistemática.

Também é preciso ter em conta que com a globalização há industrias que simplesmente deixarão de existir, mas as pessoas ainda vão acreditando que não... e vão-se afundando.
O mercado cega... nem uma ida a Cuba resolve. Cuba?!? :shock: Phone-ix!! Eles são socialistas pá!!!!
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por Branc0 » 21/9/2007 12:28

Pata-Hari Escreveu:O problema deste país não são os empresários, é sim a falta deles. Temos um excesso brutal de pessoas que querem ser funcionários e um déficit horrível de pessoas que querem ser empresários.


Será possível isso ser porque o país não dá condições às pessoas para serem empresárias?
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The market does not beat them. They beat themselves, because though they have brains they cannot sit tight. - Jesse Livermore
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por Pata-Hari » 21/9/2007 12:12

O problema deste país não são os empresários, é sim a falta deles. Temos um excesso brutal de pessoas que querem ser funcionários e um déficit horrível de pessoas que querem ser empresários.
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Re: Horaclito

por Horaclito » 20/9/2007 21:44

GodsDead Escreveu:
Horaclito Escreveu:Godsdead, as fugas ao pagamento de IVA também passam por essas malabarices das empresas não passarem factura quando se faz uma compra principalmente em qualquer tipo de comércio a retalho (seja combustiveis, vestuário, cafés, etc). Mas o motivo é só pelo facto destas empresas auto controlarem em termos contabilisticos as compras e as vendas, esta situação (ilegal) lesa o Estado e não a Concorrência.


- Quanto a existir uma solução para que todos peçam as facturas.
Já tenho reflectido sobre isso e descontar o IVA em sede de IRS não é uma solução. Já no passado isto foi implementado e mostrou-se pouco apelativo (máximo de 50 € e ainda por cima só sendo elegíveis algumas despesas…).
A solução que idealizei passava pela existência de vário escalões de IRS em que a única forma de aceder a estes escalões era apresentando comprovativos das despesas realizadas.
Assim, para ter acesso ao escalão mais baixo teria que apresentar despesas ou aplicações do rendimento que justifica-se 95 % a 100% do rendimento, no escalão seguinte 85% a 95%, no seguinte 75% a 85% e o último abaixo de 75%. Mais, os escalões deveriam ser exponenciais (mais ou menos) de forma a efectivamente justificar o esforço de andar um ano inteiro a pedir facturas e papelinhos.


Horaclito Escreveu:A mim enquanto empresário o que mais me choca são as tais empresas como já referi, que estas sim fazem questão de facturar o material pois é disto que estas empresas ficticias vivem, ou seja dos 21% de IVA, estarem no mercado desta forma ilicita, ficando as empresas que estão no mercado há muitos anos e de forma idónea sem hipotese de concorrer em termos de preços e as Finanças ou a PJ nada fazerem para alterar o estado critico a que este tipo de crime chegou!!


- Quanto a existência dessas firmas fictícias, elas funcionam no mercado como as outras e não trabalham sozinhas, não são a origem da fraude mas sim o trampolim, a montante existe um fornecedor que lhe fornece os produtos e que liquida IVA a jusante existe um cliente que compra o produto (com um grande desconto – entre 15% e 20%) e que, por sua vez deduz o IVA. Neste duas empresas laterais, aparentemente, está tudo bem. Passados uns meses esta empresa trampolim deixa de existir e vai-se a ver e o empresário de sucesso afinal é um “agarrado” que vendeu o BI.
Million Dollares Question! De quem é a culpa?
Na minha opinião é da Chico espertice! Todas as partes sabem ou apercebem-se do que é que se passa no entanto, dizem, o mercado assim o obriga.
Mas pelo que tenho ouvido, a Administração fiscal vai passar a obrigar à responsabilidade solidária entre empresas, isto é, se o cliente/fornecedor não entrega o IVA, vão ser eles a faze-lo como penalização pela falta de cuidado. É uma solução!!!


Com os melhores cumprimentos



Godsdead, a responsabilidade solidária cliente/fornecedor poderia ser uma solução eficaz, até porque também estou convencido que as partes a envolvidas a montante e jusante muitas vezes sabem o que se passa e beneficiam de alguma forma com estas mega fraudes!!

A minha grande preocupação é como se eliminam estes criminosos do mercado no curto prazo...

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por vito » 20/9/2007 15:43

As soluções, que vejo possiveis para existir menos fuga ao fisco era menos impostos para quem ganha menos e mais imposto para quem ganha mais, o que na realidade é completamente ao contrario, e mais fiscalidade para quem tem mais meios para contornar a maquina fiscal
 
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por vito » 20/9/2007 15:26

pedrom, estou a dizer isso desde o inicio, que sou contra a fuga aos impostos, mas se todos pagassem e quando digo todos era os grandes e os pequenos, sem os grandes andarem a tentar arranjar maneira de fujir aos impostos, as coisas corriam bem. Mas continuo a dizer que estamos, neste topico, a falar de empresas e não de pessoas singulares que pagam os seus impostos, porque os genrentes dessas empresas pagam os seus impostos se não o fisco penhora-lhe os bens.

Cumprimentos e bons Negocios
 
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por vito » 20/9/2007 15:15

Flying Turtle, tu estás a confudir as coisas, estamos a falar de empresas e não de contribuintes particulares. Diz-me um tipo de beneficio que uma empresa tenha que seja pago pelo estado e podes retirar já estradas ( imposto de circulação ) hospitais ( seguro de saude do trabalhador ). O problema é que o estado precisa desse dinheiro paga ajudar a culmatar as suas despesas, esse é o grande problema.
 
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mas

por macumba » 20/9/2007 15:03

não é preciso mudar de pais! :shock:

è isso mesmo que tenho estado a tentar dizer! :wink:

o que existe cá é exactamente ISSO! a lei do mais forte!cá é que é a selva! :!:

afinal estamos de acordo:estamos num local em que os grande fazem o que querem ,e comem os pequenos! :(

e esse ditado é tão antigo e nunca posto em causa:ou há moralidade ou comem todos!

só que aqui(na selva),a moral é feita à medida de alguns:dos mais fortes! :twisted:

s e bn
 
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por pedrom » 20/9/2007 14:59

Flying Turtle Escreveu:vito e macumba, eu não vou dar mais para este peditório porque este tipo de discussões é claramente uma história sem fim. Fico-me assim por um último e muito básico argumento: Quem não cumpre estrita e rigorosamente as suas obrigações (não confundir incumprimento com boa gestão, desde que dentro do preceituado legalmente), por muito que não concorde com algumas delas e veja outros (pequenos ou grandes) a não cumprir, não tem o mais pequeno direito nem de usufruir dos bens e serviços públicos que outros - muitos com enorme esforço - suportam nem de acusar quem quer que seja de não cumprir. Mais vale que se mude para república das bananas e aí se deleite com a lei da selva, isto é, do mais forte.
Haja decoro e decência!

Por aqui me fico. Em definitivo.

Um abraço,
FT


Concordo em absoluto porque tenho pago todos os meus impostos, multas, selos, contribuições, etc.

Ainda nunca o fiz, mas já faltou pouco para acusar alguém, pois além de ser roubado não gosto de ser gosado!!!

O governo tem "tocado" em algumas medidas certas mas não tem tido "coragem" para as implementar!!!

Estou farto do coitadinho que recebe subsidios, bolsas, ajudas e esmolas e que trabalha sem descontar nada ou na totalidade, sendo assim possível recorrer ao descrito anteriormente.

Bem sei que a culpa é na maior parte das vezes dos patrões, mas cabe ao funcionário pressionar!!!
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por Flying Turtle » 20/9/2007 14:43

vito e macumba, eu não vou dar mais para este peditório porque este tipo de discussões é claramente uma história sem fim. Fico-me assim por um último e muito básico argumento: Quem não cumpre estrita e rigorosamente as suas obrigações (não confundir incumprimento com boa gestão, desde que dentro do preceituado legalmente), por muito que não concorde com algumas delas e veja outros (pequenos ou grandes) a não cumprir, não tem o mais pequeno direito nem de usufruir dos bens e serviços públicos que outros - muitos com enorme esforço - suportam nem de acusar quem quer que seja de não cumprir. Mais vale que se mude para república das bananas e aí se deleite com a lei da selva, isto é, do mais forte.
Haja decoro e decência!

Por aqui me fico. Em definitivo.

Um abraço,
FT
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concordo

por macumba » 20/9/2007 14:25

com o Vito!

basta ver o nº de empresas beneficiadas pelo governo(do norte ao sul do pais)com isenção de impostoas taxas,etc,e AINDA POR CIMA receberam incentivos monetários e outros(já não bastava não pagarem,como ainda receberam verbas dos nossos impostos)!

E AO FIM DE ALGUNS ANOS(os acordados,outras vezes nem esses)vão embora,sem deixar quaisquer beneficios,e deixando uma miriade de desempregados e miséria! :evil:

e os bancos?e as seguradoras?e as empresas publicas,que dão milhôes de prejuizo,para apenas beneficiarem alguns?

e membros do governo e quejandos que se "esquecem" tantas vezes?

e as multas e coimas que só paga quem não têm influência?

então, afinal parece que nem todos pagam impostos? :wink:

repito o que já disse!ou há moralidade ou comem todos! :!:

quando houver essa moralidade para TODOS,concordo com as penas mais gravosas para quem foge aos impostos!

até isso acontecer a fuga aos impostos não existe!é treta!a lei não é igual para todos! :shock: saudações e bn
 
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por vito » 20/9/2007 13:51

As empresas que mais fogem com pagamentos ao fisco são as grandes, nisso não há a menor duvida. O problema é que a maior pate das fugas são legais. Este topico só faz sentido se for debatido todo o tipo de empresas e todas as suas regalias. Os bancos pagam menos impostos que os restantes contribuintes têm filiais em off-shores onde não pagam impostos, outras há que recebem muitos milhões em incentivos para criação de muitos postos de trabalho e depois náo cumprem os contratos. Estando dentro da lei não significa que se esteja a fazer as coisas mais correctas. Isto é como a historia do ladrão rico e do ladrão pobre, o gajo que rouba uma laranja é ladrão o senhor que comete um crime financeiro de milhões de euros e sai em liberdade é FINO.



Cumprimentos e Bons Negocios
 
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por pedrom » 20/9/2007 9:24

JAM Escreveu:Vão-me desculpa, mas acho inacreditável e de uma falta de respeito inqualificável virem aqui pessoas defender que se as empresas não fugirem aos impostos não sobrevivem!!?!? Estamos em África? Mas isto é a republica das bananas?

Se uma empresa não é viável a pagar impostos, então só tem uma solução: fechar as portas! E não há mais discussão possível.

Eu gostaria de saber se essas empresas que não pagam impostos tem patrões que vivam em dificuldades. Provavelmente não terão, porque em metade dos casos o incumprimento fiscal não será para assegurar a sobrevivência das empresas, será antes para assegurar a manutenção do nível de vida do proprietário e respectiva família. E é claro que não estou a falar de um nível de vida como a maioria do comum dos cidadão.

Ao abrir uma empresa existe uma pergunta que é básica: O negócio é viável?


Estou completamente de acordo!!!

A maior parte das mepresas que foge são empresas com gestão familiar e 85% destas empresas não passam da terceira geração!!!
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por Sei lá » 20/9/2007 9:19

Vão-me desculpa, mas acho inacreditável e de uma falta de respeito inqualificável virem aqui pessoas defender que se as empresas não fugirem aos impostos não sobrevivem!!?!? Estamos em África? Mas isto é a republica das bananas?

Se uma empresa não é viável a pagar impostos, então só tem uma solução: fechar as portas! E não há mais discussão possível.

Eu gostaria de saber se essas empresas que não pagam impostos tem patrões que vivam em dificuldades. Provavelmente não terão, porque em metade dos casos o incumprimento fiscal não será para assegurar a sobrevivência das empresas, será antes para assegurar a manutenção do nível de vida do proprietário e respectiva família. E é claro que não estou a falar de um nível de vida como a maioria do comum dos cidadão.

Ao abrir uma empresa existe uma pergunta que é básica: O negócio é viável?
O mercado cega... nem uma ida a Cuba resolve. Cuba?!? :shock: Phone-ix!! Eles são socialistas pá!!!!
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