Caldeirão da Bolsa

Empresário português!!!

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

Horaclito

por GodsDead » 20/9/2007 8:24

Horaclito Escreveu:Godsdead, as fugas ao pagamento de IVA também passam por essas malabarices das empresas não passarem factura quando se faz uma compra principalmente em qualquer tipo de comércio a retalho (seja combustiveis, vestuário, cafés, etc). Mas o motivo é só pelo facto destas empresas auto controlarem em termos contabilisticos as compras e as vendas, esta situação (ilegal) lesa o Estado e não a Concorrência.


- Quanto a existir uma solução para que todos peçam as facturas.
Já tenho reflectido sobre isso e descontar o IVA em sede de IRS não é uma solução. Já no passado isto foi implementado e mostrou-se pouco apelativo (máximo de 50 € e ainda por cima só sendo elegíveis algumas despesas…).
A solução que idealizei passava pela existência de vário escalões de IRS em que a única forma de aceder a estes escalões era apresentando comprovativos das despesas realizadas.
Assim, para ter acesso ao escalão mais baixo teria que apresentar despesas ou aplicações do rendimento que justifica-se 95 % a 100% do rendimento, no escalão seguinte 85% a 95%, no seguinte 75% a 85% e o último abaixo de 75%. Mais, os escalões deveriam ser exponenciais (mais ou menos) de forma a efectivamente justificar o esforço de andar um ano inteiro a pedir facturas e papelinhos.


Horaclito Escreveu:A mim enquanto empresário o que mais me choca são as tais empresas como já referi, que estas sim fazem questão de facturar o material pois é disto que estas empresas ficticias vivem, ou seja dos 21% de IVA, estarem no mercado desta forma ilicita, ficando as empresas que estão no mercado há muitos anos e de forma idónea sem hipotese de concorrer em termos de preços e as Finanças ou a PJ nada fazerem para alterar o estado critico a que este tipo de crime chegou!!


- Quanto a existência dessas firmas fictícias, elas funcionam no mercado como as outras e não trabalham sozinhas, não são a origem da fraude mas sim o trampolim, a montante existe um fornecedor que lhe fornece os produtos e que liquida IVA a jusante existe um cliente que compra o produto (com um grande desconto – entre 15% e 20%) e que, por sua vez deduz o IVA. Neste duas empresas laterais, aparentemente, está tudo bem. Passados uns meses esta empresa trampolim deixa de existir e vai-se a ver e o empresário de sucesso afinal é um “agarrado” que vendeu o BI.
Million Dollares Question! De quem é a culpa?
Na minha opinião é da Chico espertice! Todas as partes sabem ou apercebem-se do que é que se passa no entanto, dizem, o mercado assim o obriga.
Mas pelo que tenho ouvido, a Administração fiscal vai passar a obrigar à responsabilidade solidária entre empresas, isto é, se o cliente/fornecedor não entrega o IVA, vão ser eles a faze-lo como penalização pela falta de cuidado. É uma solução!!!


Com os melhores cumprimentos
 
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por Horaclito » 19/9/2007 20:54

Godsdead, as fugas ao pagamento de IVA também passam por essas malabarices das empresas não passarem factura quando se faz uma compra principalmente em qualquer tipo de comércio a retalho (seja combustiveis, vestuário, cafés, etc). Mas o motivo é só pelo facto destas empresas auto controlarem em termos contabilisticos as compras e as vendas, esta situação (ilegal) lesa o Estado e não a Concorrência.

A mim enquanto empresário o que mais me choca são as tais empresas como já referi, que estas sim fazem questão de facturar o material pois é disto que estas empresas ficticias vivem, ou seja dos 21% de IVA, estarem no mercado desta forma ilicita, ficando as empresas que estão no mercado há muitos anos e de forma idónea sem hipotese de concorrer em termos de preços e as Finanças ou a PJ nada fazerem para alterar o estado critico a que este tipo de crime chegou!!

Por mim já decidi que se estes crimes não forem eliminados do nosso meio empresarial (apesar de ter votado no EngºSocrates), para as próximas eleições legislativas o Engº não tem o meu voto e muitos mais que pensam como eu.

Cumprimentos
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por GodsDead » 19/9/2007 17:12

Antonio Garrido Escreveu:No fundo todos temos culpa da fuga aos impostos, quer no carregamento de telemoveis sem pedir o recibo com o NIF, quer dos diversos artigos que compramos, normalmente perguntam se deseja factura e a nossa resposta normalmente é; isso não me serve para nada, não preciso, quando contratamos serviços seja para efectuar pequenas obras em casa seja para reparar electrodomésticos etc.etc.também não exigimos factura e muitos mais exemplos se poderiam dar.
Cumps


Ai está um optimo exemplo de como ajudamos a fugir aos impostos.
É certo que para o comum do cidadão, efectivamente, a factura não serve para nada. Mas o que me deixa furioso é quando nos dão dois preço, uma com factura e outro sem. É claro que no orçamento lá de casa o que conta é poupar o que se pode e se a factura não serve para nada... que se lixe, opta-se pelo preço sem factura.

No sitio onde abasteço combustivel costumam-me perguntar se quero factura, nas primeiras vezes (e como não me serve para nada) dizia que não queria (para pena minha não tinha direito a desconto), só que tem outros requintes, como é normal pago com o multibanco e o Sr. do posto pega no papelinho e toca a rasgar o cabeçalho
Achei estranho da 1.ª vez, não gostei da 2.ª e a partir dai (já que não tinha direito a desconto) passei a pedir a factura.
O Sr. dá-me sempre a factura e o papelinho do multibanco intacto.

Chico espertice???? Talvez!!!!
 
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por GodsDead » 19/9/2007 17:11

Este não conta!
Editado pela última vez por GodsDead em 19/9/2007 17:13, num total de 1 vez.
 
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por macau5m » 19/9/2007 16:57

No fundo todos temos culpa da fuga aos impostos, quer no carregamento de telemoveis sem pedir o recibo com o NIF, quer dos diversos artigos que compramos, normalmente perguntam se deseja factura e a nossa resposta normalmente é; isso não me serve para nada, não preciso, quando contratamos serviços seja para efectuar pequenas obras em casa seja para reparar electrodomésticos etc.etc.também não exigimos factura e muitos mais exemplos se poderiam dar.
Cumps
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por vito » 19/9/2007 16:32

Eu não concordo com o incomprimento ou fugas ao fisco, mas é uma das realidades do nosso país. Metade dos contribuintes do nosso pais é dependente do estado ( reformados, funcionarios publicos, desempregados, etc. ) e o restante paga toda esta despesa. O que eu queria dizer é que é dificil criar um posto de trabalho neste país e se não existir empresas como esta a taxa de desemprego iria para numeros muito acima dos que temos neste momento. O estado pode não ganhar com eles mas ao menos não tem despesa. Isto é a realidade do pais que vivemos onde o fosso social é cada vez maior.
 
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Boa ideia!

por GodsDead » 19/9/2007 16:15

Paulo Moreira Escreveu:E se os IRC fosse aplicado sobre a facturação em vez dos lucros? Não resolveria o problema da fuga fiscal?


E é!
(fazendo contas)
Facturação = Vendas + Prestação de Serviço

(depois vem o resto)
(Vendas + Prestação de Serviços) - Custos Operacionais) + (Proveito - Custos Financeiros) + (Proveiros - Custos Extraodinários)

(depois vem o papão)

RAI (resultado antes de impostos) * %IRC = RL

Pois é, a ideia é boa mas depois vem os abatimentos!
Lamentos! :-(
 
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por Flying Turtle » 19/9/2007 16:11

Paulo Moreira Escreveu:E se os IRC fosse aplicado sobre a facturação em vez dos lucros? Não resolveria o problema da fuga fiscal?


Paulo, esse é o modelo do regime simplificado, que está em vigor para certas situações tanto no IRS como no IRC.

Mas cuidado com regras cegas e demasiado simplistas! Refiro por exemplo, e apenas, o facto de existirem margens muito diferenciadas nos diversos tipos de negócios, mas há muito mais argumentos contra a aplicação generalizada desse tipo de tributação.

Um abraço,
FT
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por PJBM2 » 19/9/2007 16:06

E se os IRC fosse aplicado sobre a facturação em vez dos lucros? Não resolveria o problema da fuga fiscal?
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por carrancho » 19/9/2007 16:02

macumba,

Eu estou ainda em pior situação, sou também ENI com todas as perdas de direitos em relação a um trabalhador por conta d`outrem.
Mas eu não posso "fugir" a impostos (nem pouco nem muito) até porque sou comissionista e tenho retenção na fonte. Não há fuga possível!
Ainda pago um imposto que serve para coisa nenhuma que é o Imposto de Selo de 2% sobre todas as comissões.

A culpa é do estado?

Talvez, mas culpo principalmente os Empresários que, pouco ou muito, se esquivam das suas obrigações fiscais. Depois paga o justo pelo pecador, somos todos metidos no mesmo saco e quem sofre ainda mais as consequências são os que, como eu, não têm fuga possível mas têm a fama de a ter por serem ENI. Esse ataque aos ENI retirando beneficios e aplicando mais impostos vai precisamente prejudicar os que pagam tudo certinho, porque os que já fugiam, vão continuar a fazê-lo.

Solução:

Fiscalização!!!

Abraço,

Carrancho
Abraço,
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por Horaclito » 19/9/2007 15:56

A fiscalização não fiscaliza o que realmente tem caracter OBRIGATÓRIO e URGENTE de fiscalizar!!

Senão não assistiamos tanto duma forma já banal até e em jeito como de um negócio normal se tratasse das empresas que são constituidas com o objectivo especifico de não pagar IVA para poderem assim ter um preço melhor do que o mercado concorrêncial, arruinando qualquer area de negócio.

Ao que tenho constatado com colegas da minha area de negócio e outras, esta situação vai estar para durar, pois segundo as finanças (devido a situações em concreto já denunciadas ás autoridades) estas empresas ficticias e os seus gerentes ficticios, bem como os responsáveis são mais "espertos" do que as próprias autoridades e conseguem sempre sair felizes da vida!!

Isto é gravissimo para todas as empresas que estão duma forma séria a operar no mercado, não podendo competir em termos de preços com estas "empresas criminosas".
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vito

por GodsDead » 19/9/2007 15:54

vito Escreveu:Há determinadas actividades que a contabilidade tem que ser manipulada para as pessoas conseguirem viver, a lei é igual para todos seja grande ou pequeno, e o grande na devida proporção tem mais regalias que o pequeno em quase tudo, esse, deve ser o problema da maior parte dessas 4.002 empresas. A análise de números nem sempre é correcta quando não se sabe o porquê de cada um fazer determinada coisa.

- Concordo consigo que a lei é igual para todos mas que os grandes tem mais regalias que os pequenos. Mas tenha em atenção que isso não explica um facto fundamental desta vida: As regras são antecipadamente definidas e são com elas que temos de contar. Dizer que a contabilidade manipulada (eu prefiro a expressão “marteladas”) permite às pessoas viver… será que os nossos empresários têm bases para o serem? será que não lhes falta bases para anteciparem fragilidades no negócio e agirem de forma a não caírem nessas armadinhas?


vito Escreveu:Para terminar, tenha em atenção que o pais onde vive tem os impostos ao nível da Europa, representa 1/3 da população de Espanha (o que reduz o seu mercado) e a maioria das PMEs, principalmente na industria, paga impostos antes de os receber, como é o caso do pagamento especial por conta e o I.V.A., este é pago ao estado a 45 dias e os prazos que a maior parte das empresas dá aos seus clientes anda entre os 60 e os 90 dias (se não der estes prazos arrisca-se a não vender) e no caso de não pagamento por parte do cliente a empresa tem que pagar o I.V.A. dessa factura e só o pode reclamar as finanças em tribunal (que demora muito tempo) ou na falência da empresa.

- Quanto ao facto de só termos 1/3 da população de Espanha (penso que ainda somos menos do que isso), de pagarmos impostos antes de os receber e de as empresas venderem a 60 ou a 90 dias.
Bem, é aí que esta o busílis da questão: não conhecendo bem o sistema fiscal espanhol eles também terão, naturalmente, queixas sobre a sua máquina fiscal, sei sim que as vendas a 60 e a 90 dias não são feitas pelos espanhóis, que só vendem a pronto ou existindo um seguro de crédito (pago pelo cliente), desta forma evitam o incumprimento e podem ser competitivos esmagando as margens, visto que não precisam de ganhar tudo nos que pagam para desta forma compensar os que não pagam.


A minha critica ao empresário português é mais uma critica ao povo a que pertenço e, sinceramente, respeito.
Para mal da nossa País o empresário português começa por ser um BOM empregado e devido a ao seu espírito de iniciativa lança-se como empresário, esquece que a iniciativa não basta, tem que ter bases para antecipar dificuldade.

Respeitosos cumprimentos e bons negócios
 
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Re: bom

por Flying Turtle » 19/9/2007 15:52

macumba Escreveu:eu sou empresárioe m nome individual,sempre apresentei lucro em 20 anos de actividade,sempre paguei (e bem) impostos.

não sou nenhum santo,mas de certeza que se todos "fugissem" tão pouco como eu o montante cobrado pelo estado seria muito maior!

agora chego à conclusão que fui muito burro!

estou quase há um ano e meio de baixa,pois tiver uma cirurgia complicada e de dificil recuperação,e nem um cêntimo recebo:como é que se pode viver sem subsidio?
qualquer empregado recebe(mais se for do sector publico).

então não somos pessoas como os outros?

e as dezenas de milhares de euros que entreguei ao fisco?(e não estou a contar com iva,e s.social de empregados)são para pagar os subsidios e rendimentos minimos de quem nada faz?(e eu conheço muitos de uma determinada etnia e não só,com brutais carros à porta)

pois é,eu devia era ter ficado com o dinheiro para
mim,que agora já me podia sustentar facilmente!

é que se as leis forem iguais para todos(politicos e afins,e toda a horda a viver do estado(leia-se,de mim e de tantos como eu),pode-se pedir moralização,de contrário tudo é válido e JUSTO,neste salve-se quem puder!

saudações


macumba, antes de mais os meus votos de rápoidas melhoras e recuperação total. Ainda há bocado referi aqui o seguinte:

Flying Turtle Escreveu:Curiosamente, tu deixas de lado aquilo que para mim é o mais perverso do regime dos Independentes: Quando na modalidade normal (a de taxa mais reduzida), e em caso de doença, não só não há lugar ao respectivo subsídio como continua a ter de se pagar mensalmente a contribuição. Ou seja, o que parece barato pode sair desastrosamente caro em caso de doença prolongada...


Um abraço,
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Re: bom

por PJBM2 » 19/9/2007 15:48

macumba Escreveu:eu sou empresárioe m nome individual,sempre apresentei lucro em 20 anos de actividade,sempre paguei (e bem) impostos.

não sou nenhum santo,mas de certeza que se todos "fugissem" tão pouco como eu o montante cobrado pelo estado seria muito maior!

agora chego à conclusão que fui muito burro!

estou quase há um ano e meio de baixa,pois tiver uma cirurgia complicada e de dificil recuperação,e nem um cêntimo recebo:como é que se pode viver sem subsidio?
qualquer empregado recebe(mais se for do sector publico).

então não somos pessoas como os outros?

e as dezenas de milhares de euros que entreguei ao fisco?(e não estou a contar com iva,e s.social de empregados)são para pagar os subsidios e rendimentos minimos de quem nada faz?(e eu conheço muitos de uma determinada etnia e não só,com brutais carros à porta)

pois é,eu devia era ter ficado com o dinheiro para
mim,que agora já me podia sustentar facilmente!

é que se as leis forem iguais para todos(politicos e afins,e toda a horda a viver do estado(leia-se,de mim e de tantos como eu),pode-se pedir moralização,de contrário tudo é válido e JUSTO,neste salve-se quem puder!

saudações


Não tem segurança social? :shock:
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bom

por macumba » 19/9/2007 15:44

eu sou empresárioe m nome individual,sempre apresentei lucro em 20 anos de actividade,sempre paguei (e bem) impostos.

não sou nenhum santo,mas de certeza que se todos "fugissem" tão pouco como eu o montante cobrado pelo estado seria muito maior!

agora chego à conclusão que fui muito burro!

estou quase há um ano e meio de baixa,pois tiver uma cirurgia complicada e de dificil recuperação,e nem um cêntimo recebo:como é que se pode viver sem subsidio?
qualquer empregado recebe(mais se for do sector publico).

então não somos pessoas como os outros?

e as dezenas de milhares de euros que entreguei ao fisco?(e não estou a contar com iva,e s.social de empregados)são para pagar os subsidios e rendimentos minimos de quem nada faz?(e eu conheço muitos de uma determinada etnia e não só,com brutais carros à porta)

pois é,eu devia era ter ficado com o dinheiro para
mim,que agora já me podia sustentar facilmente!

é que se as leis forem iguais para todos(politicos e afins,e toda a horda a viver do estado(leia-se,de mim e de tantos como eu),pode-se pedir moralização,de contrário tudo é válido e JUSTO,neste salve-se quem puder!

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por Flying Turtle » 19/9/2007 15:27

vito Escreveu:GodsDead, a noticia fala de 4.002 empresas que não sabes qual é a sua actividade. A maior parte destas empresas devem ser micro-empresas que tiram lucros muito pequenos das suas actividades. Se forem a pagar todos os seus impostos não dava para pagar um ordenado mínimo para o seu gerente. Um exemplo: tenho um casal amigo que trabalha em Espanha que conseguem tirar cerca de 3.000€ por mês. Na época de ferias montou um pequeno bar em Portugal, no ano passado, onde trabalhou 3 meses. Fizeram todos os descontos sobre os lucros, facturaram tudo como manda a lei. Resumo da história, a empresa deu lucro mas depois de tudo pago IRC, segurança social, tudo mesmo tiraram 1.500€ durante os 3 meses, que não chegou para lhes pagar o ordenado.
Há determinadas actividades que a contabilidade tem que ser manipulada para as pessoas conseguirem viver, a lei é igual para todos seja grande ou pequeno, e o grande na devida proporção tem mais regalias que o pequeno em quase tudo, esse,deve ser o problema da maior parte dessas 4.002 empresas. A análise de números nem sempre é correcta quando não se sabe o porquê de cada um fazer determinada coisa.
Para terminar, tenha em atenção que o pais onde vive tem os impostos ao nível da Europa, representa 1/3 da população de Espanha (o que reduz o seu mercado) e a maioria das PMEs, principalmente na industria, paga impostos antes de os receber, como é o caso do pagamento especial por conta e o I.V.A., este é pago ao estado a 45 dias e os prazos que a maior parte das empresas dá aos seus clientes anda entre os 60 e os 90 dias (se não der estes prazos arrisca-se a não vender) e no caso de não pagamento por parte do cliente a empresa tem que pagar o I.V.A. dessa factura e só o pode reclamar as finanças em tribunal (que demora muito tempo) ou na falência da empresa.


PS: Eu não tenho nenhuma empresa nem quero tais problemas na minha vida.

Cumprimentos e bons negócios


vito, não concordo em nada com este tipo de argumentação: Todos podemos arranjar uma "boa" argumentação para fugirmos às nossas obrigações perante a sociedade, designadamente as fiscais. A consêquência disso seria (é...) no entanto dramática: É a lei da selva e os indefesos acabam por ter de pagar por si e por todos os outros (pequenos e grandes) que não pagam.

Isto faz-me sempre lembrar aquelas pessoas que não pagam as despesas do condomínio mas não deixam de utilizar as escadas e os elevadores do prédio - quando não piscinas e courts de ténis - que os outros andam a sustentar...

Para mim, não há qualquer justificação razoável para não cumprir as obrigações fiscais: Se, cumprindo-as, o negócio não dá, então que se feche (ou nem sequer se abra) o negócio e se deixe trabalhar quem as cumpre. É simples! Agora eu ter de estar a pagar mais do que o meu quinhão é que não é nada bonito.

Daqui decorre, naturalmente, que aplaudo todas as medidas de fiscalização, moralização do sistema e mesmo repressão, desde que aplicadas de forma totalmente isenta e transparente, dentro do primado da lei.

Um abraço,
FT
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por vito » 19/9/2007 15:15

GodsDead, a noticia fala de 4.002 empresas que não sabes qual é a sua actividade. A maior parte destas empresas devem ser micro-empresas que tiram lucros muito pequenos das suas actividades. Se forem a pagar todos os seus impostos não dava para pagar um ordenado mínimo para o seu gerente. Um exemplo: tenho um casal amigo que trabalha em Espanha que conseguem tirar cerca de 3.000€ por mês. Na época de ferias montou um pequeno bar em Portugal, no ano passado, onde trabalhou 3 meses. Fizeram todos os descontos sobre os lucros, facturaram tudo como manda a lei. Resumo da história, a empresa deu lucro mas depois de tudo pago IRC, segurança social, tudo mesmo tiraram 1.500€ durante os 3 meses, que não chegou para lhes pagar o ordenado.
Há determinadas actividades que a contabilidade tem que ser manipulada para as pessoas conseguirem viver, a lei é igual para todos seja grande ou pequeno, e o grande na devida proporção tem mais regalias que o pequeno em quase tudo, esse,deve ser o problema da maior parte dessas 4.002 empresas. A análise de números nem sempre é correcta quando não se sabe o porquê de cada um fazer determinada coisa.
Para terminar, tenha em atenção que o pais onde vive tem os impostos ao nível da Europa, representa 1/3 da população de Espanha (o que reduz o seu mercado) e a maioria das PMEs, principalmente na industria, paga impostos antes de os receber, como é o caso do pagamento especial por conta e o I.V.A., este é pago ao estado a 45 dias e os prazos que a maior parte das empresas dá aos seus clientes anda entre os 60 e os 90 dias (se não der estes prazos arrisca-se a não vender) e no caso de não pagamento por parte do cliente a empresa tem que pagar o I.V.A. dessa factura e só o pode reclamar as finanças em tribunal (que demora muito tempo) ou na falência da empresa.


PS: Eu não tenho nenhuma empresa nem quero tais problemas na minha vida.

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por GodsDead » 19/9/2007 13:28

Publicado em Jornal de Negócios 19 Setembro 2007
50% das empresas ameaçadas com inspecção apresentou lucro
Nos últimos anos, a Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) pôs em prática uma técnica muito própria no relacionamento com os contribuintes: ameaçar fazer cumprir a Lei, antes de a executar. Este expediente tem tido tradução visível nos custos com o correio mas também na receita de IRC, ambas a crescerem a bom ritmo.

--------------------------------------------------------------------------------

Elisabete Miranda
elisabetemiranda@mediafin.pt


Nos últimos anos, a Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) pôs em prática uma técnica muito própria no relacionamento com os contribuintes: ameaçar fazer cumprir a Lei, antes de a executar. Este expediente tem tido tradução visível nos custos com o correio mas também na receita de IRC, ambas a crescerem a bom ritmo.

Numa das últimas investidas do Fisco, o método voltou a revelar-se eficaz: das 4.002 empresas que apresentaram prejuízos durante dois anos consecutivos (em 2004 e 2005), e que foram ameaçadas com uma inspecção caso reincidissem nos resultados negativos, metade acabou por apresentar lucro ou resultado fiscal nulo em 2006.


Esta notícia começou-me por cheirar a "barro atirado à parede".
No entanto constata-se o que toda a gente já desconfiava há muitos anos. Que há para aí muita empresa (PME´s)com as contabilidades "marteladas" em que a informação nela constante é só para inglês ver (entenda-se finanças).

É este o fado de ser português: os trabalhadores por conta de outrém não tem a minima hipotese de fuga, os empresários só não fogem se forem parvos (ou sérios)visto que todos sabemos que nada de grave acontece.

As técnicas de gestão do empresário português resumem-se a: Sabemos de onde vimos, não fazemos a menor ideia para onde vamos!

Fica o desabafo!!!
 
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