Caldeirão da Bolsa

O Merceeiro e as "Subprime "

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por vitor79 » 17/9/2007 12:43

Se não fosse com o dinheiro dos nossos impostos a poitica era a melhor comedia que existiria.
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por The Mechanic » 17/9/2007 1:20

Portugal é dos mais vulneráveis à crise do ‘subprime’
Alto endividamento e taxas de crédito são os maiores factores de risco. Dados do Comité Económico da UE contrastam com optimismo de Teixeira dos Santos.


As implicações da crise dos mercados financeiros na economia portuguesa podem ser bem maiores do que o Governo vem sugerindo. Segundo o comité económico e financeiro da União Europeia, os graus de endividamento e a explosão do crédito – sobretudo a taxas variáveis – registados na economia portuguesa, bem como a exposição do sistema bancário nacional a capital estrangeiro, são características que potenciam a contaminação e o efeito desta crise na economia real.

Os “balanços, altamente endividados, das famílias e empresas europeias podem, no contexto de um aperto das condições de crédito, ter implicações no lado real da economia europeia”. Segundo este relatório do comité, que esteve sobre a mesa dos ministros das Finanças europeus reunidos no Porto, no sábado, os “riscos” de contágio da crise à economia real são ainda “mais acentuados em estados-membro onde o endividamento dos agregados permanece a nível historicamente elevados (…), onde o crescimento do crédito bancário subiu rapidamente nos últimos anos e onde os empréstimos são substancialmente baseados em taxas de juro variáveis”.

O relatório é dirigido à zona euro em geral, mas estes são elementos onde Portugal se destaca pela negativa. Segundo dados da CE, o grau de endividamento das famílias será em 2008 de 102% do PIB, contra uma média de 66% na zona euro, e 98% dos empréstimos hipotecários actuais foram contraídos a taxa variável - o valor mais alto da zona euro, cuja média é de 51%. Serve de consolo, o facto do mercado de habitação não estar sobreaquecido, como em Espanha, mas a explosão do crédito em Portugal desde meados dos anos 90 é uma das maiores da zona euro e os crescentes níveis de desemprego (7,9%), bem como o fraco crescimento de salários, só podem agravar o impacto na economia real.

No sector financeiro, a falta de transparência nos instrumentos e a crescente integração, aumenta os riscos de contágio da crise de liquidez e da falência de activos de alto risco a toda a UE, sobretudo a economias mais abertas, como Portugal. Numa descrição da banca europeia, o comité nota que 21 dos 46 grandes grupos bancários têm operações “significativas” (mais de 25% do total dos seus activos) fora do estado onde estão sedeados. Nos países de leste, os estrangeiros detêm mais de metade do mercado. Mas “muitos dos Quinze também são alvo de operações “significativas” de grupos estrangeiros: como exemplo, a Áustria, o Benelux, Portugal e os países nórdicos”, nota o relatório.

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou que “as entidades financeiras portuguesas estão muito pouco expostas à crise” e que, por isso, quaisquer efeitos indirectos “serão pequenos”.

Luís Rego
in Diário Economico



Mas se o Teixeira dos Santos diz que não , então já fico mais descansado para hoje...


Espero que não haja confusão na nossa Mercearia , senão "agarra-se tudo ao Totta"...


Um abraço ,

The Mechanic
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por rnbc » 10/8/2007 0:09

tiopatinhas Escreveu:Uma boa análise :wink:
Bem à maneira de Mechanic :!:
Um grande abraço
(Ps. continuo a acreditar que se trata apenas de correcções fortes, como as subidas o foram. Note-se que os PER não são estratosféricos)


Se o consumo descer por estrangulamento do crédito os PER podem ficar estratoesféricos depressa...
However elegant the method we should occasionally look at the results.
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por Touro » 9/8/2007 23:22

Trata-se de uma crise localizada num mercado particular que é o crédito de alto risco, sublinho crédito de alto risco, pois o nome diz tudo. Esta crise já tinha sido anunciada a meados de Julho pelo presidente da FED, estimando na altura que as perdas no crédito 'subprime' poderiam atingir os 100 mil milhões de dólares.

O que está a acontecer no mercado é a percepção, quanto a mim errada, que isto se possa alastrar ao crédito ´prime', criando uma crise de liquidez generalizada. No entanto, esta hipótese é pouco provável pois temos as economias americana e europeia de boa saúde e a crescer. Não é uma crise no crédito de alto risco que vai travar as economias.

Se repararmos bem, as quedas dos índices das bolsas europeias deveram-se essencialmente à queda dos títulos de grandes bancos. São bancos com grande peso nos índíces. O BNP Paribas caiu 3,37%, Natixis -5,57% , Société Générale -4,22%, Crédit Agricole -4,11% e Dexia -5,60%. O CitiBank caiu 5,3%, JP Morgan -5,03% e o Deutsche Bank -3.94%.
Cumprimentos,
Touro
 
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por tiopatinhas » 9/8/2007 23:11

Uma boa análise :wink:
Bem à maneira de Mechanic :!:
Um grande abraço
(Ps. continuo a acreditar que se trata apenas de correcções fortes, como as subidas o foram. Note-se que os PER não são estratosféricos)
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por vitor79 » 9/8/2007 23:00

E agora uns fizeram a divida e pagam todos via inflação.
Começo a pensar que burro sou eu que nunca aproveito estas coisas.
Com a mania de menino bem comportadinho e depois acabo sempre por levar com custos em cima sem proveitos.


Tenho que aprender mais tacticas de mercearia a ver se me safo.

Levo agora e pago sabe deus quando.
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por MC » 9/8/2007 22:41

Ainda sobre este assunto ...

Global Liquidity Defined
by Michael Nystrom

Financial analysts and news reporters often refer to the concept of "liquidity," as though it were a magic wand. One touch and all ills are cured. Until recently, it was often heard that "the world is awash in liquidity," which was considered a good thing. More recently, the en vogue observation is that "global liquidity is drying up," which is spoken in ominous tones.

Liquidity and You
What is liquidity? Liquidity is simply a measure of how quickly an asset can be converted into cash. Ultimately, liquidity is cash, because cash can immediately be exchanged for just about anything else.

Financial assets such as stocks are liquid, but how liquid depends on the market and the stock. With a phone call to your broker, or even the click of a mouse, you can convert most of your stocks into cash - immediately. The market for most stocks is "liquid" because there are so many participants, and there is always a buyer - at some price.

Real estate - for example your house - is less liquid. Unlike with stocks, you cannot click a button and convert your house into a pile of cash. Would that it were so simple. Selling a house is a long, arduous process. You may have to do some prep work first - painting, repairs, maybe some upgrades, then you have to find an agent and show it around. Strangers come traipsing through your living room on Sunday afternoons, peeking in your closets. In a highly liquid (hot) market, you may only have to suffer such indignity for a few days, and receive a price much higher than you expected. In an illiquid (slow) market, you may have to suffer months (or even years) of this treatment, and still not get an acceptable price.

In Detroit, some houses are selling for less than the price of a new car. This is an example of a very illiquid market - lots of people want out of the city. There are few jobs and less hope. They want to sell, but few people want to buy.

Then we come to the once haughty (soon to be lowly) hedge fund. Having money in such a fund can be even less liquid than a house in Detroit. Some hedge funds have suspended redemptions which is akin to saying, "Yes, your money is here and it is (ahem) safe -but you can't have it just now..." When can you have it? Well, that depends. Maybe never, as investors in two Bear Stearns hedge funds found out a few weeks ago. Earlier in the year their investments were doing just fine. A few months later, nothing was left.

What Causes Liquidity to "Dry Up?"
Liquidity - the ability to turn an asset into cash - requires other people who are willing to pay cash for your asset. Modern bank accounts rarely suffer from liquidity crises. In the past, such liquidity crises were known as "bank runs." Mobs of people would rush to the bank to withdraw their funds, but the bank didn't have the money. This is a classic liquidity crisis - the bank most likely had the assets (mortgages, loans outstanding, hedge fund investments, etc.), but the assets couldn't be converted to cash quickly enough (i.e. immediately) to satisfy the rioting mob. Bank runs have been rare since the Great Depression because accounts are now insured by the government.

A mini stock market panic - like the one we saw last week - is a form of liquidity crisis. As long as stock prices are rising, people want to buy more and more shares. They will even borrow money to buy shares, and banks will readily lend them the money. There is no fear that the money will not be repaid, because the collateral against the loans (stocks) are going up.

But like last week, when stocks suddenly fall, buyers disappear. Stockholders, like homeowners in Detroit, and their hedge-fund-holding brethren, want to sell, sell sell! They want to be "liquid," but buyers are only willing to buy at lower prices - much lower. "Ridiculous!" the would-be sellers might say. It is much better to wait, and sell in the inevitable rally that will follow. (Maybe the rally will even be so good that they won't have to sell at all!)

But not so fast. The banks that loaned them the money to buy the stock in the first place have other ideas - namely getting their money back, with interest thank you very much. They demand repayment in the form of the dreaded margin call. This forces shareholders to cough up more money, or "liquidate," i.e. convert assets to cash even if they don't want to - even if they're going to lose money. The bank will not lose money.

The factors discussed above are, cumulatively, the factors that determine global liquidity. The font of global liquidity springs from the world's central banks, which create liquidity by "printing it" as Fed Chairman Bernanke famously revealed. In truth, Central Banks do not print money, they loan it, and loans need to be repaid.

The Fed sets interest rates (the discount rate and the Fed Funds rate) at which banks can borrow money. The interest rate on money is just another way of setting the price of money. When the interest rate is low, money is cheaper. Like cheap anything, there is more demand for cheap money, and there is also correspondingly more supply. Since it is so cheap, more of it has to be lent in order for banks to make a profit.

The recent housing boom in the United States was the result of cheap money. Since interest rates were at historical lows, people borrowed more. Banks, corporations, individuals and the government borrowed lots of money because it was so cheap. They all thought they could use the cheap money to their advantage. The government borrowed a lot of money and had a war. Corporations borrowed a lot of money and bought their own shares. Individuals borrowed money and bought houses. Banks had access to so much money that they let their lending standards go - nearly anyone could borrow money to buy a house, start a hedge fund, whatever! This is what is meant by global liquidity. There was so much money sloshing around the globe, just looking for a home.

As noted however, borrowed money eventually has to be repaid. Because so much money was lent, and lending standards were so lax, it turned out that a lot of people couldn't repay their loans. A bank's response when a person can't make their monthly payments is often to demand full repayment. Borrowers who couldn't come up with monthly payments certainly couldn't come up with the full balance, so they defaulted. Hedge funds that invested in mortgages and derivatives also lost money - lots of it. The banks that loaned the hedge fund money issued margin calls - the same way they issue margin calls to individual investors.

Suddenly, with the thought of money actually being lost (or more accurately, as I noted before - destroyed), banks have become less willing to lend, because investors are less willing to buy the banks debts. Investors - having already been burned - are rather looking to sell what they own. Since everyone is thinking the same thing, there are few buyers. No one wants to spend his cash, borrowed or not. Ergo, liquidity - the ability to convert assets to cash - "dries up."

The result of a lack of liquidity is nearly always the same: falling prices. Just as rising prices can create a virtuous cycle of ever-higher prices, falling prices can create a destructive cycle of lower prices as credit is destroyed and asset prices collapse. The housing market in Detroit is one example.

Only when this destructive cycle is complete - after prices have fallen as far as they are going to - are assets once again viewed as bargains. At that point, demand again rises and liquidity lubricates the flow of rising prices.

A word to the young, mobile and wise would-be homeowners - check out Detroit.

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It's painful to watch the market drop, but the reality is, you don't have to be in the market.
Ter sempre um plano e acreditar nele. Nada acontece por acidente.
(Chwick Knox)
 
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por Economista555 » 9/8/2007 22:05

Grande análise!

Abr
 
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por acintra » 9/8/2007 22:00

Caro Mech,
Só vejo um homem capaz de dar a volta ás contas da Mercearia...Belmiro de Azevedo.
Já as faz desde pequenino... :mrgreen:
 
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por SMALL2007 » 9/8/2007 21:51

Há quanto tempo alerto aqui para a "tramóia" da securitização de activos? Para além da lavagem de capital em off-shore e não pagamento de impostos sobre os juros em Portugal, colocam em perigo algumas instituições que têm menos meios para angariar capital.

As casas que agora lançam os alertas são as mesmas que ganham rios de dinheiro a fomentar os projectos de securitização.

Em Portugal, fora alguns pequenos bancos que não são mais do que Sociedades Financeira de aquisição a crédito "armadas em Bancos", não deve existir problema...pelo menos directamente. Os grandes bancos com programas de securitização têm capital para recomprar os créditos default se estes (e só SE!) atingiram os chamados trigers de incumprimento que levam à obrigação de recompra das posições totais.
Cumprimentos,
SMALL
 
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Re: O Merceeiro e as "Subprime "

por Sky » 9/8/2007 21:50

The Mechanic Escreveu:É que não estamos a falar de do individuo do 2º esq. e do outro do 4º dto. ... é o prédio todo, a rua toda , a vila toda ...!

Todo o texto está perfeito e acho que é no pequeno trecho que cito que está o espelho da reação do mercado.
O problema existe, já ninguém o nega, mas não tem a amplitude que se sugere ("a vila toda").
O mercado está a reagir em demasia (basta alguém falar "subprime" e aí vão 2% à vida...).
Mas mais tarde ou mais cedo, o mercado vai avaliar correctamente a questão ("do individuo do 2º esq. e do outro do 4º dto") e os Bulls regressam por mais 6 meses.
 
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O Merceeiro e as "Subprime "

por The Mechanic » 9/8/2007 21:33

Hoje vamos aprender um pouco mais sobre a " Bolha da Habitação " , nomeadamente o :

SUBPRIME

Faz agora 238 anos , em 14 de Agosto de 2007 , que um grupo musical dos Estados Unidos , " THE SUPREMES " liderado por Diana Ross cantava e encantava o mundo . O que tem isto a ver com "SUBPRIMES " ?! Nada . Mas é a unica coisa agradável que se vái ler neste artigo .


O Americano , como já tinha poucas coisas pra inventar no campo do crédito , lembrou-se dos mais desfavorecidos monetáriamente e criou um ramo do Crédito à Habitação chamado : "subprimes" .

Só o nome já lembra o riso daquele gajo que anuncia na tv " Peça até 6,000 euros e pague como quiser : Depressa ou Mais Devagar !!!! " . É um riso de gajo que ainda tem penas de galinha na boca e já nos tá a atirar milho .

O mau disto é que os pobres tambem tem sonhos capitalistas . E isto teve sucesso !!

Grandes instituições financeiras especializaram-se neste ramo do crédito e as pessoas aderiram .Só que essas pessoas são pessoas pouco abonadas por definição e como tal, o risco de incumprimento muito maior .

Mas as condições eram favoráveis e embora os preços das casas fosse muito elevado , as taxas de juro estavam num nivel tão baixo ,como nunca se tinha visto .

Ora, pobre com dinheiro é como manteiga em focinho de cão . Aquilo foi um ver se te avias e foram feitos contractos a torto e a direito .

Entretanto , vieram os problemas sob a forma do aumento das Taxas de Juro . As familias começaram a ter mais encargos e como continuaram a ganhar o mesmo dinheiro , deixaram de poder continuar a fazer face às suas obrigações . Ainda por cima , deixou de haver procura , deixou de haver tanta venda, e as casas deles começaram a valer menos .

Começou então a falar-se numa " Bolha Imobiliária" que poderia estourar em breve . Isto eu já ouço falar desde o ano passado . O amigo Incognitus por ex. já fala disto no Site dele , há uma carrada de tempo . Mas ele tambem não é lá muito optimista , diga-se de passagem .

Ora, se os clientes não pagam as dividas a estas empresas financeiras especializadas neste tipo de crédito , estas começam a ter problemas . É que não estamos a falar de do individuo do 2º esq. e do outro do 4º dto. ... é o prédio todo, a rua toda , a vila toda ...!

Ora , quando o Merceeiro , pra sobreviver face às grandes superficies , tem de vender fiado aos seus clientes de 3ª idade ( que não tem dinheiro pra ir de carro às grandes superficies ), e estes de repente se vêem impedidos de lhe pagar no fim do mês , o Merceeiro começa a ver a vida a andar pra trás , sem produtos nem dinheiro pra repor o seu stock . Então pede dinheiro ao Banco e aguenta-se mais uns meses . Até que já não pode mais conter a situação de dever dinheiro aos Bancos e os clientes não lhe pagarem e fecha as portas ...


Em Julho, as agências de classificação de dívida Standard & Poor’s e Moody’s começaram a lançar o alarme quando noticiaram a possibilidade de virem a baixar o "rating" de 12 mil milhões de dólares em obrigações relativas ao segmento "subprime", devido à queda superior ao estimado do mercado imobiliário nos EUA .

ISto não foi a estocada final no Bull , mas cortou-lhe duas orelhas .

Os Bancos ao tomarem consciencia do que se estava a passar com o acumular das dividas dos créditos "subprime " desataram ,através da titularização , a vender essas dividas aos investidores institucionais , alem de "inventarem " outros instrumentos derivados sobre estas hipotecas, numa fuga em frente .

Por isso , assim que as agências de classificação de dívida desataram a tocar os sinos, o valor desses titulos ganhou a leveza de uma ferradura em alto mar. Sendo este um mercado pouco líquido, só poucos dias depois se percebeu a dimensão desta queda quando a Bear Stearns veio a dar a "boa nova" que dois dos seus fundos especializados neste segmento, tinham ido c`os porcos .

Entretanto começam a vir a lume outras noticias :

Os consórcios de bancos que estavam a financiar a aquisição da Boots e da Chrysler por dois "private equitys" não estava a conseguir colocar a dívida no mercado, que fica assim nos balanços dos bancos.

Isto faz com que a crise alastre ao mercado de dívida privada, fazendo disparar o preço dos instrumentos que servem de seguro em caso de incumprimento pelas empresas, os "credit default swaps".

Na prática, os investidores passaram a exigir um prémio, o juro, mais elevado para adquirirem obrigações de dívida das empresas. Nos últimos anos, o "boom" de fusões e aquisições tem sido sustentado pelas baixas taxas de juro, sobretudo dos "private equity", que recorrem à dívida para as operações. Com a subida dos juros, estas tornam-se menos atractivas.

Por isto tudo , a crise no mercado hipotecário nos EUA ,que tem levado ao desespero das familias por não conseguirem pagar os seus créditos, leva a que os instrumentos financeiros estejam a rebentar uns atrás de outros saltando os muros dos Estados Unidos , arrasando Fundos vendidos em todo o mundo (
O BNP Paribas congelou hoje três fundos que investem no mercado hipotecário :Parvest Dynamic ABS (comercializado em Portugal), BNP Paribas ABS Euribor e BNP Paribas ABS Eonia (que tem uma variante no mercado nacional) ) ,levando à falência grandes empresas financeiras como a American Home Mortgage e forçando já a intervencão do BCE que injectou hoje 94,8 mil milhões de euros no sistema financeiro, devido à escassez de liquidez no mercado, provocada por essa mesma crise no mercado de crédito hipotecário nos Estados Unidos.

O mundo continua a ser uma grande Mercearia , nós é que deixámos de o entender...


Um abraço ,

The Mechanic
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