Caldeirão da Bolsa

Crise de confiança nos mercados

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por Ulisses Pereira » 13/9/2007 13:02

acintra, acabei de responder a essa questão. Não há CFD`s sobre o PSI, podes é usar os seus "peso pesados".

Um abraço,
Ulisses
"Acreditar é possuir antes de ter..."

Ulisses Pereira

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por acintra » 13/9/2007 13:00

Caro Ulisses, quem é que deixa shortar o PSI-20 via CFD's?

Patrícia Silva Dias
patriciadias@mediafin.pt


A Pictet acredita que a crise de liquidez nos mercados financeiros poderá ser mais perigosa do que a actual crise do mercado hipotecário nos Estados Unidos. Apesar da recente turbulência das bolsas, a gestora suíça continua a preferir as acções em relação às obrigações.

"A crise de liquidez é potencialmente mais perigosa do que a crise do ‘subprime’", refere a Pictet na actualização das suas perspectivas para 2007.

A gestora helvética não acredita que os problemas no mercado de crédito de alto risco "levem a economia norte-americana a pôr-se de joelhos". Ao invés, considera que o "verdadeiro problema passa pela dificuldade em avaliar os títulos que derivam dos empréstimos do ‘subprime’ e o seu efeito nos instrumentos de curto prazo".

A Pictet desvaloriza a recente subida da volatilidade nas bolsas e recorda que "ainda não nos encontramos num ambiente de maior volatilidade do que no passado". As acções continuam, assim, a ser a principal aposta da gestora, que salienta que "as obrigações tornaram-se demasiado caras, sobretudo num cenário normal".
 
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por Ulisses Pereira » 13/9/2007 12:44

Jim, desconheço que haja CFD`s como o PSI como bem referiste. Contudo, uma vez que mais de 80% do índice está concentrado em apenas 5 acções, é possível "shortar" o índice através dessa diversificação.

Um abraço,
Ulisses
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Ulisses Pereira

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por Jim Beam » 13/9/2007 0:42

Ulisses Pereira Escreveu:Em Portugal, sem ser no "intraday" não é possível fazer aos pequenos investidores fazer este género de operações, mas podem usar os CFD`s em que a filosofia é a mesma e as diferenças são escassas.



Ulisses, já procurei CFD's sobre o PSI20 (ou PSI geral) e não encontrei nada. Os que encontrei foram estes:

http://pro.gobulling.com/PT/cfds/index_cfds.asp

Quando dizes "Em Portugal..." referes-te ao PSI ou ao mercado Português no geral ??
Ou existem mesmo CFD's sobre o PSI ??

Desde já agradeço a tua resposta!
"Live and learn!! Life's a lesson!!", DMX
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por figas7 » 12/9/2007 22:13

Uma maneira simples é utilizarem ETFs Bear. É pena serem quase todos cotados em Doláres (pelo menos aos que eu tenho acesso), o que para um investidor de curto ou médio prazo, pode não ser muito rentavel.
Illusion is the first of all pleasures.
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por AMR » 12/9/2007 19:11

redhot Escreveu:Só um pequeno complemento ao que o mestre Ulisses disse:

Como é possível o short-selling?

(...)

De uma forma simplificada é mais ou menos isto se bem que há mais factores a considerar.


Como diria Lucky Luke: Wep (i.e.: YES).

Foi assim em (29 Out) 1929 em que o excesso de alavancagem (bem, na altura *ahem*) e "guito virtual" - a lembrar os créditos de alto risco que confiam no retorno que pode não existir - resultaram numa grande depressão de 12 anos... Após um bull "inflacionário" de 9 anos, exponencial, assim tipo "Lamborghini" (símbolo é um "touro", e gandas carrões)...

Mas não havia internet nem tanta info. Hoje em dia o mesmo pode acontecer, mas em minutos, ou segundos. Sabe-se onde está o guito estagnado e calcula-se logo como o ir buscar, esquecendo o pânico e os pequenos que se lixam, e os mega-habilidosos insolventes que se safam (geo-política) e essa tralha toda.

Embora não seja grande adepto do conceito do short-selling ou de alavancar a compra de acções (comprar até x vezes mais com crédito da correctora), ambos intraday, e embora o faça quotidianamente, por motivos óbvios, o que é certo é que estas mecânicas de alto risco podem resultar em ganhos em altura de perdas, mas resultam também em riscos sistémicos de mau cálculo, tipo a "pirataria online" onde todos os números batem certamente... mal! - Tal como no "subprime":

http://www.alvaromrocha.com/blogger/2006/03/big-lie-about-online-piracy.html

No entanto, estatisticamente, alavancar puxa pelo mercado. O excesso da exploração perversa do mecanismo (warrants incluídos), com inside traders e afins pelo meio a rapinar o zé povinho e honrados investidores sem problemas de tensão arterial (até lá, pelo menos) é que resulta em altura de pânico (de preferência vago e impreciso, mas histérico e contagioso) numa fuga de capitais que até assusta e nos predadores comprarem a saldos até os patos voltarem a achar que são águias.

Do mesmo modo, os "Stop's" são igualmente pervertidos, pois conta-se com o disparo dos ditos, com a esperteza dos cautelosos, para fazer ainda mais estragos... e receber por isso.

Como se explica que desapareceram 10 mil milhões de euros do PSI20 em menos de dois meses? Como se dá ao luxo o BCP de desvalorizar 1300 milhões em duas semanas?... Acho que a "aparente" falta de guito anda neste jogo de forças que envolve, tristemente, e por motivos da "pequenez" do nosso mercado, que é tão vantajosa como prejudicial, e que enquanto houver pancadaria nas elites, a malta só pode arriscar prognósticos no fim, tesos...

... My money is on Jardim Gonçalves, draw the picture until and from there on.

Abraços,
AMR
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por rpmt » 12/9/2007 14:48

Neste momento os mercados fazem-me lembrar cada vez mais a historia do burro do rapaz :shock: :shock:
 
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por redhot » 12/9/2007 14:47

Só um pequeno complemento ao que o mestre Ulisses disse:

Como é possível o short-selling?

Imaginem 4 entidades:

- Corretora
- Investidor A com 500 acções do título T.
- Investidor B com 1000 acções do título T.
- Investidor C sem título nenhum.

Os investidores A e B acreditam na subida do título. Estão "longos" e não vão vender as suas acções nesse dia.

O investidor C acredita na descida do título nesse dia. Quer fazer short-selling de 1200 acções do título T.

Dá a ordem à correctora para "vender curto" 1200 acções.

A correctora pede emprestadas 1000 acções de B e 200 de A e vende-as no mercado.

Passadas umas horas de facto o título desceu e B decide cobrir a "venda curta".

Dá ordem à corretora para comprar e esta vai ao mercado e compra 1200 acções. Devolve 1000 ao investidor B e 200 ao A.

Os investidores A e B nem se apercebem da operação.

O investidor C ganha a diferença da perda. Ou perde a diferença do ganho se entretanto a acção subir.

Se entretando A ou B também quisessem vender os seus títulos a correctora pedia emprestados os títulos a um investidor D (ou tirava da sua própria carteira de títulos). E assim sucessivamente

De uma forma simplificada é mais ou menos isto se bem que há mais factores a considerar.
Editado pela última vez por redhot em 12/9/2007 14:48, num total de 1 vez.
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por Ulisses Pereira » 12/9/2007 14:12

Short-selling em Portugal, sem ser numa lógica "intraday" é complicado fazer. Para aqueles que estão menos familiarizados com estas coisas, o que é short-selling?

É vender uma acção (sem a ter) e depois comprá-la. Ou seja, é apenas inverter cronologicamente a operação. Imaginem que uma acção está a 10 euros. Vendem 500 acções a 10 euros (sem as terem). A acção vai para os 9 euros e compram essas 500 acções a 9 euros. A vossa posição fica fechada com um lucro de 500 euros (1 euro por acçao).

Em Portugal, sem ser no "intraday" não é possível fazer aos pequenos investidores fazer este género de operações, mas podem usar os CFD`s em que a filosofia é a mesma e as diferenças são escassas.

Um abraço,
Ulisses
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por brunovsky » 12/9/2007 14:05

AMR Escreveu:Short-selling?...


Ok. Eu não sei é como se faz, o que é diferente de perguntar quando se faz! Logo que tenha tempo procuro material de estudo sobre o assunto.

Cumps.
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por AMR » 12/9/2007 13:57

brunovsky Escreveu:Já agora, venha daí um artigo didáctico sobre produtos com os quais é possível ganhar na descida.


Short-selling?...

Abraços,
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por brunovsky » 12/9/2007 13:41

Nesta onda do "optimismo cego" recomendo o livro "The Disciplined Trader" que é um dos recomendados pelo Ulisses, pois considero que a maioria das pessoas teria muito a aprender principalmente os menos experientes (como eu), sobre a psicologia dos mercados que mais não é o reflexo da psicologia de cada investidor.

Já agora, venha daí um artigo didáctico sobre produtos com os quais é possível ganhar na descida.
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por SoEu » 12/9/2007 13:25

vitor79 Escreveu:Ulisses, realmente podias fazer um topico sobre isso, ganhar com as descidas.

...

Também deixo a mesma sugestão.
Porque não fazer uma carteira com esses produtos ou fazer algumas análises somente a este tipo de produtos? Seria um tópico de execelência para o Caldeirão.
 
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por Ulisses Pereira » 12/9/2007 13:16

Eu continuo a defender que os CFD`s são a forma mais fácil dos investidores menos experientes poderem ganhar dinheiro com as quedas.

Ainda a respeito deste tema, escrevi há uns tempos um artigo intitulado "O optimismo cega" que passo a transcrever:

“There are two sides to everything. But there is only one side to the stock market, and it is not the bull side or the bear side, but the right side.”Jesse Livermore


Um dos grandes problemas de muitos investidores é o seu excesso de optimismo. Eu atrevo-me a dizer que muitos dos investidores têm um touro cego dentro deles. Para os menos familiarizados com estas metáforas dos mercados, recordo que os touros simbolizam os investidores que acreditam nas subidas dos mercados e os ursos defendem as quedas.

Será você um touro completamente irredutível e cego? Quantas vezes, ao longo da sua vida de investidor, ignorou claros sinais de fraqueza dos mercados e manteve um optimismo completamente despropositado? Quantas vezes ouviu ou leu opiniões pessimistas sobre o mercado e o primeiro pensamento que lhe ocorreu foi “Este tipo está a ser tendencioso”? Quantas vezes, depois de comprar uma acção, fez as contas a quanto poderia vir a ganhar e nem sequer pensou em quanto poderia perder? Quantas vezes, ao ver as suas acções caírem, pensou que continuava certo mas o mercado é que estava errado? Se respondeu “Muitas vezes” a várias destas questões, então é muito provável que seja um touro cego.

Há muito mais investidores deste género do que aqueles que você imagina. É uma tendência dos investidores que lhes costumam causar grandes dissabores. Costumam ficar quase hipnotizados pelas acções e quando elas começam a cair não querem acreditar que a queda esteja para durar continuando agarrados às acções, convictos de que o mercado está errado e que rapidamente voltará ao caminho que eles consideram natural e lógico: O caminho das subidas.

Será que os touros cegos não têm cura? Eu acredito que sim. Normalmente, são curados através de uma sucessão de perdas que os fazem abrir os olhos mas, infelizmente, a maior parte das vezes as feridas (leia-se “perdas” ) já são tantas que a cura já não o salva de um triste fim (leia-se “perder tudo”). Contudo, acho que há algumas coisas que um touro cego pode fazer de forma a tentar modificar-se e tornar-se um investidor racional:

- Ler opiniões negativas: Ler opiniões negativas em relação ao mercado é essencial para que se consiga aperceber dos argumentos contrários aos seus. Mas não basta ler. É imperioso que se consiga evitar a tentação de olhar de soslaio para as opiniões que são opostas às suas. Obviamente que podem discordar e até é natural que isso aconteça, mas quando começar a disparar frases como “O que ele quer é que as acções caiam para ele comprar” em vez de apresentar contra-argumentos, é sinal que ainda não está a ler as opiniões contrárias às suas da forma que lhe permitirá evoluir.

- Inverter os gráficos: Colocar os gráficos de “ cabeça para baixo” antes de os analisar pode parecer ridículo, mas acreditem que é um método capaz de o fazer tirar conclusões surpreendentes. Os touros cegos olham para um gráfico e chegam sempre à conclusão que o caminho é de subida. No fundo, quase que se torna um pensamento viciado que termina sempre com os seus olhos direccionados para o topo do gráfico como que imaginando as cotações a dirigirem-se para lá. Ao inverter-se o gráfico, um touro cego está tão rotinado a apontar o caminho das subidas que será tentado a fazer o mesmo no gráfico. E, nessa altura, perceberá que afinal o sentido do mercado é mais incerto do que lhe parecia.

- Estabelecer um cenário que o deixaria pessimista: Ao criar este género de cenários o touro cego está não só a comprometer a sua opinião futura mas também a fazer uma avaliação no presente quanto às coisas que podem correr mal no mercado. Muitas das vezes, os touros cegos repetem, incessantemente, os seus argumentos sem se darem ao trabalho de os colocar em causa ou de verificar se eles têm condições para se manterem válidos, pelo que é muito importante que eles definam o que os fará mudar de opinião. Mesmo que haja uma probabilidade muito grande de que, caso esse hipotético cenário se verifique, os touros cegos arranjem uma qualquer desculpa para manterem a sua opinião optimista...

- Ter a possibilidade de ganhar dinheiro com as quedas: Uma das razões mais fortes para que a maioria dos investidores sejam touros cegos prende-se com o facto deles só saberem negociar acções, o que apenas lhes permite ganhar dinheiro com as subidas. Contudo, hoje em dia é tão fácil ter acesso a outros instrumentos financeiros que permitem ganhar dinheiro com as quedas que ficar limitado às acções torna-se demasiado redutor. Futuros, “warrant`s” e “CFD`s” são apenas alguns exemplos de instrumentos financeiros que permitem aos investidores ganharem dinheiro com as quedas, tal como já aqui expliquei em anteriores artigos. Quando um investidor deixa de poder apenas lucrar com as subidas, podendo também ganhar dinheiro com as quedas, torna-se menos tendencioso na forma como olha para o mercado, pois perspectivar quedas deixa de ser um entrave a ganhar dinheiro.

Não se pense, porém, que só os touros são cegos. Há ursos cegos e acreditem que conseguem ser ainda mais arrogantes e teimosos que os touros cegos. Tal deve-se ao facto de estarem em minoria e terem que suportar a pressão esmagadora da massa de touros cegos que fazem ouvir os seus argumentos vociferando bem alto. Mas, na prática, as probabilidades de um urso cego perder dinheiro são tão grandes como as de um touro cego perder dinheiro, ou seja, são elevadíssimas!

Touros e ursos têm hipóteses de ganhar dinheiro no mercado, desde que não fechem os olhos à realidade e assumam que podem estar enganados. Porque nos mercados não há verdades absolutas. E se se sentir um camaleão ao despir o fato de urso e vestir o de touro diversas vezes, não se preocupe. Provavelmente, já está despido de preconceitos e capaz de ter sucesso nesta selva dos mercados financeiros.

Um abraço,
Ulisses
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por silva_39 » 12/9/2007 13:01

Já agora qual é o banco?
A paciência é a chave do negocio
 
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por vitor79 » 12/9/2007 12:49

Deixo aqui um artigo do Jornal de negocios que se aproxima bastante da minha visão das coisas neste momento.

O bater de Asas da Borboleta

Paulo Ramalho

Um bater de asas de borboleta nos EUA provocou um ciclone na Europa. Esta pode ser uma boa imagem daquilo que se está a passar nos mercados financeiros. Um número significativo de Bolsas regista já variações acumuladas negativas desde o inicio do ano – Itália, França Suíça, Inglaterra – e a crise estende-se um pouco a todos os mercados e latitudes.
A borboleta – o “subprime” imobiliário americano

Um bater de asas de borboleta nos EUA provocou um ciclone na Europa. Esta pode ser uma boa imagem daquilo que se está a passar nos mercados financeiros. Um número significativo de Bolsas regista já variações acumuladas negativas desde o inicio do ano – Itália, França Suíça, Inglaterra – e a crise estende-se um pouco a todos os mercados e latitudes. Alguns Hedge Funds conseguiram “rebentar” com a totalidade do património dos clientes (dois fundos do Bear Stearns); três fundos do BNP Paribas suspenderam os resgates sem no entanto se confirmarem os receios iniciais; um banco alemão entra em dificuldades e recebe um pacote de auxilio de 3,5 mil milhões de euros; e finalmente o BCE injecta mais de 200 mil milhões de euros para evitar uma chamada “crise de liquidez”, naquele que terá sido o mais mediático episódio desta crise.

Qual o elemento em comum a todos estes acontecimentos? A chamada crise do “subprime” americano. Passemos em revista alguns números sobre esta crise, indispensável para tentarmos entender a sua dimensão e as suas consequências. Foi em 13 de Março que as primeiras notícias sobre o eclodir de uma crise no mercado imobiliário americano surgiram. De acordo com a Mortgage Bankers Association, a taxa de delinquência no mercado do “subprime” atingiu os 13,33% (contra apenas 2.57% no chamado mercado prime); a subida face ao trimestre homólogo de 2006 foi de 1,7%, ou seja, passou de 11,6% para 13,3%, significativo mas nada de extraordinário. Diz a mesma Associação que dos 43,5 milhões de empréstimos apenas 6 milhões são “subprime”, ou seja, cerca de 13,7% do número e seguramente menos em termos de valor.

O impacto directo do “bater de Asas”

Os efeitos desta crise fazem-se sentir sobretudo em dois tipos de agentes financeiros:

i) Em alguns Hedge Funds como os da Bear Stearns que sofreram perdas irreparáveis – na casa dos 100% – para os investidores. Como na economia real as perdas (não definitivas) se situaram nos 13%, as perdas financeiras daquela ordem só são possíveis com níveis de alavancagem muito elevados ou outros efeitos de perigosas engenharias financeiras.

ii) Em alguns bancos americanos especializados no mercado imobiliário que possuem formas muito peculiares e não estáveis de financiamento. No caso mais mediático, o American Home Mortgage em apenas algumas semanas evaporaram-se 20 usd de valor contabilístico por acção com a empresa a solicitar o pedido de falência. A forma de financiamento assentava em exclusivo na emissão de Asset Backed Securities com uma série de pérfidos “covenants”.

Na Europa e com a excepção do já citado IKB alemão, até ao momento não há notícias significativas de exposição directa ao mercado “subprime”. Já depois do “caso IKB”, o regulador alemão Bafin afirmou que era dispensável qualquer auditoria ao sector financeiro, já que a sua exposição era desprezível. Os bancos e seguradoras europeias que publicamente se pronunciaram sobre a sua exposição ao “subprime” anunciaram quase sempre valores inferiores a 1% do seu volume de negócios e dos seus activos. Objectivamente, o problema do “subprime” não tem de “per si” dimensão que justifique a crise dos mercados e a queda, entre 15% e 40%, registada pelo sector bancário europeu nas últimas três semanas.

O impacto indirecto do “bater de Asas”

Mas precisamos de ver mais longe e mais profundamente. A primeira linha de análise é a ligação entre a Banca e os Hedge Funds que estão no centro desta crise. A maior parte dos Hedge Funds financiam-se com papel comercial de curto prazo. Com as perdas avultadas que têm sofrido e com o aumento (racional e bem vindo) dos “spreads” de crédito, é normal que tenham dificuldade em se refinanciar. De acordo com algumas fontes, alguns bancos têm compromissos de suportarem a liquidez desses Hedge Funds. O compromisso do ABN seria de 46 mil milhões de dólares e no total os bancos europeus e americanos teriam compromissos que poderiam ir até 200 mil milhões (fonte Moody’s Investors Service). Já estamos a falar de montantes significativos mesmo em termos de percentagem sobre os fundos próprios dos bancos envolvidos.

Aqui entra uma segunda linha de raciocínio. O bater de asas da borboleta do “subprime” levou os investidores a medir melhor o risco e a exigir o correspondente prémio e provocou um aumento enorme da volatilidade do mercado (provavelmente amplificado por estarmos em Agosto um mês de fraca liquidez). Durante anos, muitos Hedge Funds especializaram-se nas estratégias “Quant”, diminutivo de Quantitative Models e muitos bancos disponibilizaram as suas equipas de marketing para as vender a investidores. Eram estratégias de investimento baseadas exclusivamente em algoritmos matemáticos. Com a mudança do ambiente e dos pressuposto os modelos deixaram de funcionar; e a alavancagem fez o resto. Os dois principais “Quant” da Goldman Sachs (Global Alpha e Global Equity) perderam respectivamente 27% e 30% este ano com o grosso das perdas a ocorrerem na primeira quinzena de Agosto. A G.S. injectou três mil milhões nesses fundos e está no seu direito fazê-lo e, se o fez, é porque provavelmente os espera reaver.

Aproveitar os efeitos benéficos do “bater de Asas” - não aos “bail-outs”

Mas muitos analistas e comentadores têm chamada a atenção para um aspecto decisivo desta crise. A crise foi provocada pela falta de equilíbrio na avaliação de activos e de riscos, e pela “gula” de muitos investidores e de Hedge Funds. Muitas comissões e chorudos prémios foram pagos aos beneficiários deste sistema. Quem cometeu esses erros deve ser penalizado . É salutar para o sistema e para a sua racionalidade e eficiência de médio prazo; em caso contrário estaremos a beneficiar o infractor, a incorrer no chamado “Moral Hazard”. Nesse pressuposto, é essencial que as intervenções dos Bancos Centrais de injecção de liquidez sejam isso mesmo e apenas isso. Injectar liquidez de curto a 4% (no caso do Banco Central Europeu) contra o recebimento de títulos. Não deverá servir para fazer um “bail-out” de um qualquer Hedge Fund nem sequer de um qualquer banco que se tenha envolvido em demasia com o mercado do subprime e/ou com Hedge Funds. O risco seria todos virmos a pagar com uma inflação mais elevada no futuro os erros e a gula de alguns.

E resta ainda mais uma vantagem para o investidor prudente. É procurar um banco europeu que tenha caído mais de 20% e que não tenha qualquer envolvimento com os “pecados” analisados neste artigo. O bater de asas da borboleta pode ainda vir a proporcionar uma “subida aos céus” para alguns investidores.


PS: eu conheço um banco nesta situação em pt.
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por acintra » 12/9/2007 12:28

vitor79 Escreveu:Ulisses, realmente podias fazer um topico sobre isso, ganhar com as descidas.

Já agora a minha opinião também é que esta correção já me parece excessiva, as o mercado é quem tem sempre razão,se os stop loss dispararem paciência.

Já agora dentro da Europa nos somos os que mais descemos e os que menos subimos.



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A praça portuguesa é, na Europa, das que mais caiu desde que teve início a crise no mercado do crédito, com a capitalização bolsista do PSI-20 a recuar quase 10 mil milhões de euros.

Lisboa é mesmo a terceira bolsa europeia com as maiores perdas desde que teve início a instabilidade internacional, a 19 de Julho. Durante este período conturbado, o índice de referência para o mercado português, o PSI-20, acumulou uma queda de 9,90%. O que se traduz numa perda de 9,783 mil milhões de euros em capitalização bolsista, um valor que equivale a quase 7% do Produto interno bruto (PIB) português.

Pior que a bolsa portuguesa no universo dos 18 mercados europeus considerados desenvolvidos, e que são comparáveis com a realidade nacional, só mesmo as congéneres da Islândia e da Irlanda.
 
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por vitor79 » 12/9/2007 12:23

Ulisses, realmente podias fazer um topico sobre isso, ganhar com as descidas.

Já agora a minha opinião também é que esta correção já me parece excessiva, as o mercado é quem tem sempre razão,se os stop loss dispararem paciência.

Já agora dentro da Europa nos somos os que mais descemos e os que menos subimos.
A Tendência é Nossa Amiga.
 
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por nicknolte » 12/9/2007 12:02

Acho que não é por causa do acesso, mas por não saber mexer com eles. Falo por mim.
Aceito dicas do "barbudo" mais culto que "conheço".


Já agora mais um interessado!
 
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por acintra » 12/9/2007 11:55

Ulisses Pereira Escreveu:
Ah... e felizmente que hoje em dia é possível lucrar nos mercados não só com as subidas mas tamb+em com as quedas. Os investidores que não têm acesso a esses produtos financeiros estão claramente em desvantagem. Por culpa própria.

Um abraço,
Ulisses


Acho que não é por causa do acesso, mas por não saber mexer com eles. Falo por mim.
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por Ulisses Pereira » 12/9/2007 11:38

Broker, sempre que sai um comentário negativo (seja sobre uma acção portuguesa, seja sobre a crise do "subprime" americano, seja sobre a Bolsa chinesa) tu vens logo argumentar que esses senhores (sejam eles quem forem!) querem é que isto caia para comprar mais barato. Isto é o típico discurso que, nos últimos anos, venho tentando dissuadir as pessoas de terem. Se falassem na boa saúde da Economia, nas boas perspectivas do mercado, não estarias aqui a dizer que o que eles querem é puxar as suas acções.

Deixemos cada um ter as suas opiniões. Respeitemo-las. Mesmo que elas contrariem as nossas.

Ah... e felizmente que hoje em dia é possível lucrar nos mercados não só com as subidas mas tamb+em com as quedas. Os investidores que não têm acesso a esses produtos financeiros estão claramente em desvantagem. Por culpa própria.

Um abraço,
Ulisses
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por Sulla » 12/9/2007 11:27

Saudações
iurp Escreveu:
Pois, mas também há notícias boas. E a crise tem sido nos EEUU mas quem tem corrigido a sério tem sido a Europa!!! os índices deles ainda estão bem positivos eos nossos...a zero!!! Vá-se lá entender.


É mesmo isso que me anda a moer o juizo nestes últimos tempos...Parece que anda alguém a puxar isto...indo e vendo, meus caros.

Cumprimentos
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por iurp » 12/9/2007 11:17

Em Agosto
Taxa de desemprego britânica cai para mínimos de dois anos
A taxa de desemprego no Reino Unido caiu para mínimos de mais de um ano em Agosto, uma vez que a aceleração do crescimento económico encorajou as empresas a contratarem mais trabalhadores.

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A taxa de desemprego no Reino Unido caiu para mínimos de mais de um ano em Agosto, uma vez que a aceleração do crescimento económico encorajou as empresas a contratarem mais trabalhadores.

Os pedidos de subsídio de desemprego deslizaram em 4,2 mil face a Julho, para mínimos de Abril de 2005, anunciou hoje o instituto de estatística em Londres.

Os economistas consultados pela Bloomberg esperavam um declínio em oito mil.

A taxa de desemprego diminui para mínimos de dois anos, ou seja, para 2,6%.

Pois, mas também há notícias boas. E a crise tem sido nos EEUU mas quem tem corrigido a sério tem sido a Europa!!! os índices deles ainda estão bem positivos eos nossos...a zero!!! Vá-se lá entender.

Abraço
 
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por rpmt » 12/9/2007 11:14

Isto já parece uma novela estica, estica... 8-) 8-)
 
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por Broker_Invest » 12/9/2007 10:21

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"Esperamos que este período de turbulência continue por algum tempo", disse.


Anda muita gente a encher-se delas, até parece que estão a gostar deste cénario, já não precebo nada disto. :-k
Esperar na bolsa é uma grande Virtude.
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