Caldeirão da Bolsa

Agora percebo porque sobraram tantos professores ...

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por kostta » 5/9/2007 8:35

o problema á exactamente esse, os nº demosntram que existem Professores mais que suficientes


espera mais um ano ou dois e veras uma media superior à ocde. No entanto, actualmente, ha professores em ministerios, assembleia, difecções regionais, comissões executivas, apoios educativos, .... Profs esses que contam para a media e nao dao aulas.

tive a ver...e a média NEE está na ordem dos 4%
esses aluno nem sequer deveriam ter chegado ao 5º ano em primeiro lugar

isso pode ter a ver com o facilitismo e falta de exigência do sistema e não necessariamente NEE



nao se trata do facilistmos dos professores, no entanto poderia ser considerado facilitsmos das regras emanadas do ministerio da edcuação. Mas tb nao deve ser esse o problema. O problema é os alunos estarem sinalizados como NEE ligeiros ou medios e os apoios que existem ser minimos, para além de estarem misturados com turmas de 25/30 alunos o que nao é benefico para o aluno. E será que o aluno vai aprender/bneficiar algums coisa so por reprovar 5 vezes na primaria?


tb ...sempre o mesmo argumento..."os pais são burros" e depois dizem " a escola não pode substitur os pais"

pois eu concordo que o nivel do educação dos pais é reduzido (é uma evidência) e por isso mesmo a escola tem que substituir os pais!

se queremos dar um impulso na educação, um corte geracional com a mediocridade esse impulso tem q vir da escola


sempre o mesmo argumento? e tu? nao tens sempre os mesmos argumentos?
uma escola nunca poderá subsituit o papel dos pais. Cada um tem o seu papel na sociedade.
nas gerações futuras, com a evolução da população a nivel educacional e cultural isso irá mudar normalmente.


é a "passagem automática" que vem desde o Cavaco..é uma anormalidade e tem que acabar


nao conheço passagens automaticas, mas sim reprovações dificultadas. MAs lá esta, sao as leis que temos. leis essas que passam pelo governo, asembleia da republica e presidente da republica e que sao aprovadas sem qualquer dificuldade. Quando se acabar com a mania de um ministro da educação, uma reforma, tudo mudará
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por Camisa Roxa » 5/9/2007 8:24

rmachado Escreveu:pq razão se continua a deixar entrar tanta gente para cursos universitários destinados a docência para irem para o desemprego?


eu acho bem conceder liberdade a todos de estudarem o que querem, agora depois não se venham queixar que não arranjam emprego!
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por Keyser Soze » 5/9/2007 8:21

kostta Escreveu:1ºexactamente tens toda a razão.

Mas o que importa é nº de alunos por turma, pois so aí sabmoes quantos profs estão realmente a dar aulas.

o que me importa essa media baixa se esses profs nao dao aulas?

o problema á exactamente esse, os nº demosntram que existem Professores mais que suficientes

o que se passa é que as tumas sao enormes e cada mais, principalmente em zonas de aglomerado populacional.

2º a % de alunos com necessidas especiais vai diminuir muoito pois só quem possui problemas graves é que conta. os medios ou ligeiros deixam de contar. Volta-se ao antigamente onde em cada turma tinhamos o burrinho sem qualquer ajuda extra.

tive a ver...e a média NEE está na ordem dos 4%

vou-te dar um exemplo: tenho 2 ou 3 alunos do 5º ano que praticamente nao sabem ler nem escrever. Esse alunos vão perder todos os apoios pois nao são considerados como tendo defeciencia grave. Será normal considerar esses alunos como alunos normais e deixa-los À sua sorte? so num mundo em que 1º esta o dinheiro e depois o bem estar e a aprendizagem

esses aluno nem sequer deveriam ter chegado ao 5º ano em primeiro lugar

isso pode ter a ver com o facilitismo e falta de exigência do sistema e não necessariamente NEE


3º temos que ter em conta que o nivel de instrução dos pais dos alunos actuais é baixo, o que tem importancia em comparações com outros paises

tb ...sempre o mesmo argumento..."os pais são burros" e depois dizem " a escola não pode substitur os pais"

pois eu concordo que o nivel do educação dos pais é reduzido (é uma evidência) e por isso mesmo a escola tem que substituir os pais!

se queremos dar um impulso na educação, um corte geracional com a mediocridade esse impulso tem q vir da escola



mais um exemplo: será que na finlandia o pai se vira para o aluno e diz: "deixa lá, nao faz mal tirar negativa a matematica. essa disciplina é para esquecer". Eu acho que nao, mas te garanto que quase todos os encarregados de educação dos meus alunos dixem isso aos filhos (e a mim)lá está pais que trablham no campo, na fabrica ou vivem do antigo rendimento minino

é a "passagem automática" que vem desde o Cavaco..é uma anormalidade e tem que acabar

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por kostta » 4/9/2007 23:11

Be Cool Escreveu:.
Sim...se uma escola fechou porque tinha menos de 20 alunos é porque tinha, em média, menos de 5 por turma/ano.

.


nao . pq existem/existiam escolas em que os 4 anos do 1º ciclo são/eram todos juntos numa turma. Só a partir de 20 alunos é que vem/vinha um segundo professor
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por yosemite » 4/9/2007 23:11

Quanto às NEE não sei os números.

O que pretendia dizer, não o fiz porque estava a ser muito cansativo, é que uma parte deste alunos ou estavam numa escola do ensino regular com professores próprios a tempo inteiro, e não parcialmente com os do ensino especial ou então em centros próprios para deficientes porque a sua pseudo-integração prejudica-os e prejudica os outros. Muitos deviam ter terapeutas e profissionais especializados a trabalharem com eles e não professores, como eu, que não receberam formação nenhuma para lidar com esses alunos.
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por Be Cool » 4/9/2007 23:07

.
Sim...se uma escola fechou porque tinha menos de 20 alunos é porque tinha, em média, menos de 5 por turma/ano.

.
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Re: ...

por MAV8 » 4/9/2007 23:02

Keyser Soze Escreveu:
MAV8 Escreveu:Não sei precisar até poque tmbám não tenho muito interesse em números como já fiz referencia em cima.

pois...infelizmente parece ser um problema nacional

Na escola do meus sobrinhos um deles tem 1 e o outro 2 em turmas de 25 reduzidas exatamente por estes alunos lá se encontrarem. E não foi só azar, reparei que a grande maioria das turmas tinha alunos NEE.

Mas a questão essencial é que todos são prejudicados em função da inexistencia de espaços proprios para estes alunos obviamente diferentes.


assumindo então 10% de NEE na pop. estudantil




identificado os NEE e colocando-os em turmas "especiais"


0% NEE

turmas de 22 alunos

necessários 23.512 professores

Imagem



10% NEE em turmas de 5 alunos

Imagem


10% NEE em turmas de 11 alunos

Imagem


Isso é o que te estou a tentar dizer, essa separação para turmas especiais iria fazer reduzir o nº de professores e melhorar os resultados, pois as turmas poderiam ser maiores uma vez que deixariam de haver alunos perturbadores e desinteressados que ingressariam noutro tipo de cursos para eles vocacionados. E deixariam de haver alunos com NEE que teriam apenas 1 ou 2 professores especializados. permitindo que os restantes inseridos em turmas maiores aproveitassem melhor as aulas. Isto é o que se passa na Filandia.

Mas cá são todos metidos no mesmo saco o que prejudica o trabalho do professor e exige turmas mais pequenas para que se possam controlar e para poder apoiar os alunos NEE.
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por yosemite » 4/9/2007 23:00

Citação:
mas qual é o rácio ideal ?
1 aluno / 1 professor ?


Não sei, penso que isso de ideal não existe retirado do contexto da escola/turma/alunos.
Numa turma de 30 alunos em que os pais são maioritariamente licenciados, tens melhor aproveitamento do que numa turma de 15 ou 20 em que pais têm a instrução primária. Tal como disse antes, não se pode reduzir tudo a números, apesar de estes serem importantes. Não percebo a insistência em números, porque comparar a realidade de um país com outro não pode ser feita sem ver toda a realidade
social desse mesmo país.

Cá estamos a caminhar para a Inglaterra dos anos 80, em que a classe docente foi culpada por tudo que havia de mau na escola inglesa que agora ninguém quer ser professor. Agora andam a recrutar professores em paíse da commonwealth e até já em Portugal e mesmo pagando ordenados brutos diários de 100 libras conseguem professores.

Mas é a lei da oferta e da procura, este ministério e faz isto porque sabe que pode substituir facilmente
que não estiver para o aturar. Quando isso não acontecer, quando não houver mão-de-obra interessada, somos como a Inglaterra do séc. XXI em que as escolas para além do ordenado oferecem casa com rendas comparticipadas e outras regalias.

Abraços
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por kostta » 4/9/2007 23:00

1ºexactamente tens toda a razão.

Mas o que importa é nº de alunos por turma, pois so aí sabmoes quantos profs estão realmente a dar aulas.

o que me importa essa media baixa se esses profs nao dao aulas?

o que se passa é que as tumas sao enormes e cada mais, principalmente em zonas de aglomerado populacional.

2º a % de alunos com necessidas especiais vai diminuir muoito pois só quem possui problemas graves é que conta. os medios ou ligeiros deixam de contar. Volta-se ao antigamente onde em cada turma tinhamos o burrinho sem qualquer ajuda extra.

vou-te dar um exemplo: tenho 2 ou 3 alunos do 5º ano que praticamente nao sabem ler nem escrever. Esse alunos vão perder todos os apoios pois nao são considerados como tendo defeciencia grave. Será normal considerar esses alunos como alunos normais e deixa-los À sua sorte? so num mundo em que 1º esta o dinheiro e depois o bem estar e a aprendizagem

3º temos que ter em conta que o nivel de instrução dos pais dos alunos actuais é baixo, o que tem importancia em comparações com outros paises

mais um exemplo: será que na finlandia o pai se vira para o aluno e diz: "deixa lá, nao faz mal tirar negativa a matematica. essa disciplina é para esquecer". Eu acho que nao, mas te garanto que quase todos os encarregados de educação dos meus alunos dixem isso aos filhos (e a mim)lá está pais que trablham no campo, na fabrica ou vivem do antigo rendimento minino
Editado pela última vez por kostta em 4/9/2007 23:12, num total de 2 vezes.
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por Keyser Soze » 4/9/2007 22:51

kostta Escreveu:todos os graficos e tabelas mostrados estão desactuallizados e nao se enquadram com a realidade actual. Esta ministra, em 2 anos, mudou tudo, em especial no 1º ciclo.
Numa tabela fala que a media é de 11 alunos no 1º ciclo. actualmente essa media deve estar perto dos 20. se nao estiver é pq os dados são falsos. Quase todas as escolas com menos de 20 alunos fecharam, logo o nº de alunos tem que ser maior.


estás a falar de que tabelas ?

Pupil/teacher ratios should not be confused with the size of classes
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por Keyser Soze » 4/9/2007 22:48

yosemite Escreveu:
Algumas das Necessidades Educativas Especiais

Para o colega Keyser Soze,

Algumas das Necessidades Educativas Especiais (NEE):
Autismo
Trissomia 21
Atraso cognitivo
Problemas auditivos
Problemas de visão
Paralisia cerebral
Paralisia motora
Dislexia
Dislalia
Discalculia
Disortografia
Deficit de Atenção e Hiperactividade
Problemas psiquiátricos
Mobilidade reduzida

e mais uma infinidade delas.


era uma pergunta retórica ...como referi tenho uma colega que é professora de alunos com necessidades especiais



Não reduzam a simples aritmética, porque tudo o que envolva relações entre pessoas nunca pode ser explicada apenas por números. E no sistema de ensino português há tantas variáveis e aberrações, que eu ainda hoje o não consigo perceber totalmente, quanto mais quem nunca nele esteve envolvido.


é óbvio que a realidade é mais complexa, mas há começar a analisar os problemas com modelos simples ...ignorar os números não se vai a lado nenhum



Que aula se dá quando numa turma de 15, dá um belo rácio, 1 tem paralisia cerebral, 1 paralisia cerebral e motora e uma com problemas psiquiátricos. Duvido que num ano tenha conseguido falar mais do que 2 minutos seguidos nessa aula. E passava mais de 10m, numa aula de 45m, a tentar explicar a um desses alunos que tinha que pintar as figuras com as cores que quisesse.



mas qual é o rácio ideal ?
1 aluno / 1 professor ?

e qual é a % de alunos NEE na pop. estudantil global ?
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por kostta » 4/9/2007 22:44

todos os graficos e tabelas mostrados estão desactuallizados e nao se enquadram com a realidade actual. Esta ministra, em 2 anos, mudou tudo, em especial no 1º ciclo.
Numa tabela fala que a media é de 11 alunos no 1º ciclo. actualmente essa media deve estar perto dos 20. se nao estiver é pq os dados são falsos. Quase todas as escolas com menos de 20 alunos fecharam, logo o nº de alunos tem que ser maior.

essa guerra de publico/ privada, tem muito que se diga. no topo dos famosos rankings há escola privads e publicas, mas no fim do ranking tb há privadas e publicas.
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por SoEu » 4/9/2007 22:39

AA Escreveu:Isso das escolas privadas serem mais exigentes tem muito que se diga, basta fazer-se uma retrospectiva a noticias que ainda estão bem frescas para se ter uma exacta noção disso. Eu diria que há um pouco de tudo, umas são melhores mas muitas outras são bem piores.
AA


Ainda ontem falava com uma colega minha e discutíamos o assunto onde ela devia de colocar o seu filho de 3 anos.
Conversa...argumentos e caímos no seguinte: se na escola pública a turma for bem controlada em termos de disciplina, temos 90 % de sucesso. Ora na privadas isto acontece, especialmente nas melhores, João de Deus(lisboa) Luso-Francês(porto).
Agora pensemos: os professores vão par as privadas (a maioria) porque não conseguiram trabalho na pública (pois ganha-se mais e tem-se mais regalias), pelo menos a maioria. Ora, se na pública houvesse mais controlo em termos de disciplina e não tantas pressões do ME, para trabalhar para as estatísticas, teríamos um ensino
melhor.
Atenção, eu tenho os meus filhos na Pública. Mas se tivesse uma pública (perto) com muitos problemas de disciplina iria para outro lugar.
 
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por yosemite » 4/9/2007 22:29

Antes de tudo cumprimentos a todos, apesar de já seguir o fórum há algum tempo é a minha primeira intervenção, pois ao contrário da bolsa (onde ando a aprender os rudimentos) a minha profissão é a de professor (12 anos). Por isso, penso que, ao contrário da bolsa, já não me considero um leigo.

Algumas das Necessidades Educativas Especiais

Para o colega Keyser Soze,

Algumas das Necessidades Educativas Especiais (NEE):
Autismo
Trissomia 21
Atraso cognitivo
Problemas auditivos
Problemas de visão
Paralisia cerebral
Paralisia motora
Dislexia
Dislalia
Discalculia
Disortografia
Deficit de Atenção e Hiperactividade
Problemas psiquiátricos
Mobilidade reduzida

e mais uma infinidade delas.

Vou tentar, sucintamente, explicar alguns dos problemas da educação em Portugal, na minha opinião.

Culpados:
- Ministros da Educação e governantes em geral: todos querem deixar a sua “marca” no sistema de ensino, normalmente, apagando tudo o que foi feito antes, sem se quer avaliar os resultado das medidas implementadas pelos os que antecederam. Houve um ministro, não me lembro qual, que afirmou que leccionar uma turma de 2º ciclo é igual a leccionar numa universidade.
Com o 25 de Abril acabou-se com o ensino técnico (as escola industriais e de comércio) e todos tinham que seguir o ensino regular que ainda hoje vigora, em que todos tinham que ter as mesmas oportunidades, esquecendo que nem todos têm as mesmas capacidades e habilidades. E criou-se a ideia de que não precisamos de mecânicos, pedreiros, carpinteeiros,… e todos”tinham” de ser advogados, médicos, engenheiros,....
Em vez de igualdade criou-se um grupo em que saem da escola sem saber fazer nada. Actualmente, felizmente, está a começar a alterar isso com os cursos profissionais.


- Os burocratas e pedagogos do ministério: ligados aos currículos e práticas pedagógicas, que copiam as “boas” ideias implementadas nos sistemas estrangeiros, muitas vezes já abandonadas, e que sem conhecerem a realidade de uma sala de aula estabelecem todas e mais algumas teorias . Um exemplo é a famosa TELEBES.

- Professores: também tempos culpa sem dúvida, eu conheço alguns que não têm perfil nem vocação para serem professores, não os questionando como pessoas, outros tenho vergonha que sejam professores porque dão mau nome àqueles que se esforçam e tentam dar o seu melhor. No meu caso não sei se sou bom ou mau professor, não vou ser juiz em causa própria, apenas digo que faço o melhor que sei para que no final do dia esteja de consciência tranquila.

- Alunos e os pais: para quem não compreenda as diferenças entre os alunos nos anos 70 e 80 (onde me incluo) e os actuais, sem ofensa, não sei em que país vivem. Quantas vezes ouviram falar de agressões físicas e verbais a professores e funcionários, quantas vezes mandaram o vossos professores à m**** ou para o c*******? Eu pessoalmente nunca tive situações destas, tirando o caso de uma aluna com problemas psiquiátricos, mas já lá voltarei a esta história. A culpa é, principalmente, dos pais/sociedade que não sabe ou não pode dar educação aos filhos, o porquê dava para uma imensa reflexão. Se eu no meu tempo fizesse algo parecido não sei o que me acontecia em casa. Os pais só querem é o que o filho passe, pode nem sequer saber escrever o próprio nome, como casos de alunos meus de oitavo ano, mas o filho tem de passar. A sociedade portuguesa e as famílias não valorizam a escola, os pais gastam fortunas em livros e materiais escolares (por ex. telemóveis de 300€), mas esquecem-se de pedir depois resultados aos filhos. Se o filho não tem aproveitamento, porque passa a aulas a mexer no telemóvel ou não estuda, vai à escola culpar os professores e aproveita para apresentar queixa do professor que confiscou o telemóvel durante a aula.

- O sistema educativo: está centrado na mediocridade. Os alunos “não podem” reprovar. Não interessa os conhecimentos/competências que eles têm, não devem é reprovar. Não há exigência, o aluno tem de passar porque já reprovou muitas vezes, porque o pai é alcoólico, porque a família tem poucos rendimentos ou rendimentos a mais, porque tem um trauma do irmão estar a trabalhar em França, porque tem problemas de concentração quando está a estudar e a ver os Morangos com Açúcar, o conselho de turma se “quer” reprovar o aluno porque não estuda, não se empenha, não cumpre as suas obrigações, tem de pedir pareces aos gabinetes de psicologia, pareces aos encarregados de educação, preencher planos de acompanhamento e mais uma infinidade de papeis. Mas se for para passar com 5, 6, 7 ou mais negativas ninguém exige nada. O Ministério todos os anos consegue inventar mais documentos para serem preenchidos pelos conselhos de turma para reprovar um aluno. Só por curiosidade, existe um programa do ministério onde é registada a evolução de um aluno com planos de recuperação (para alunos que podem reprovar), no local onde se selecciona as causas para o insucesso do aluno não existe a opção – falta de estudo.

Se alguém conseguir explicar esta situação agradecia:

- há alunos vindos da Europa de leste que com professores portugueses, no ensino público, ao fim de dois ou três anos, falam e escrevem melhor que os alunos portugueses. Garanto-vos que não são assim tão poucos.

Os números e o aproveitamento: como é que o aproveitamento dos alunos “normais”, mesmo sendo uma turma de 20 alunos se tiverem um aluno com trissomia 21 (vulgo mongolóide) na sala de aula, que quando se lembra de começar aos gritos e a correr pela sala de aula. Quando não há um professor do ensino especial que possa estar com ele, e pela lei e ordem do ministério este tem de estar dentro da sala de aula. E o professor tem uma aula de 90m por semana e perde metade do tempo a tentar ter o aluno calmo e sossegado. Ou subir para as mesas e baixar as calças e as cuecas? (este aluno era meu, mas usei uma estratégia muito pouco pedagógica e acabei-o por ter como meu aluno dois anos sem problemas, mas outros dos colegas não fizeram o que eu fiz porque não é politicamente correcto) O que é que acontece aos outros 19? Assistem ao circo!
Que aula se dá quando numa turma de 15, dá um belo rácio, 1 tem paralisia cerebral, 1 paralisia cerebral e motora e uma com problemas psiquiátricos. Duvido que num ano tenha conseguido falar mais do que 2 minutos seguidos nessa aula. E passava mais de 10m, numa aula de 45m, a tentar explicar a um desses alunos que tinha que pintar as figuras com as cores que quisesse. Turma de 9º ano.

Não reduzam a simples aritmética, porque tudo o que envolva relações entre pessoas nunca pode ser explicada apenas por números. E no sistema de ensino português há tantas variáveis e aberrações, que eu ainda hoje o não consigo perceber totalmente, quanto mais quem nunca nele esteve envolvido.

Desculpem pelo extensão do texto.

Yosemite
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por aa » 4/9/2007 22:17

jagcs Escreveu:Em Portugal quem tem dinheiro põe os filhos a estudar em escolas privadas, exigentes, quem não tem sujeita-se a escola pública.

Se tiver sorte encontra um escola pública decente, com professores empenhados e competentes, quem não tem lixa-se.

O resto é conversa.

Jagcs


Isso das escolas privadas serem mais exigentes tem muito que se diga, basta fazer-se uma retrospectiva a noticias que ainda estão bem frescas para se ter uma exacta noção disso. Eu diria que há um pouco de tudo, umas são melhores mas muitas outras são bem piores.

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por Fogueiro » 4/9/2007 22:09

Apenas um testemunho pessoal, não estou ligado ao ensino:

Eu fiz a instrução primária em Itália e o liceu em Espanha; depois entrei na universidade em Portugal (IST) onde senti muita facilidade, (excepto a escrever e a falar) face aos colegas que tinham feito o liceu português.

Uma geração depois, os meus filhos começaram o liceu em Espanha e acabaram no Instituto Espanhol de Lisboa – e sentiram a mesma facilidade quando entraram nas universidades portuguesas.

Isto apenas para concluir que se trata de um problema que vem de longe, e que só com mudanças corajosas, que necessariamente ferirão interesses corporativos, nos poderemos aproximar dos melhores padrões europeus.

Toda a gente sabe que, sem uma boa preparação escolar dos portugueses, não poderemos aspirar a estar no pelotão da frente.
...
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por jagcs_CALD » 4/9/2007 22:02

Em Portugal quem tem dinheiro põe os filhos a estudar em escolas privadas, exigentes, quem não tem sujeita-se a escola pública.

Se tiver sorte encontra um escola pública decente, com professores empenhados e competentes, quem não tem lixa-se.

O resto é conversa.

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Re: Voila !

por Ebay » 4/9/2007 21:54

bboniek00 Escreveu: A ruptura trara beneficios para todos: professores (ficarao os mais capazes, talvez), para os alunos (mais desistirao mais cedo permitindo que os outros tenham melhores condicoes de aprendizagem), para os pais (constatam que a criancinha que geraram se pode tornar num inutil que a Sociedade nao quer subsidiar.
Tambem para os que pagarao menos impostos e contribuirao para um Sistema de Ensino serio e eficaz.


Embora compreenda o raciocínio, tenho algumas duvidas...
Ficarão no ensino os profs mais capazes pedagogicamente ou aqueles com mais vocação, mas os demais ( que até podem ser tecnicamente competentes) vão-se acabar por perder noutras profissões se calhar menos atractivas. Mais alunos desistirão, o que significa, em 5 a 6 nos, continuar a alimentar uma fonte de desempregados de baixas qualificações. os que ficarem na escola e respectivos pais vão continuar a pagar os subsidios de desemprego dos que não quiseram estudar...é a vida!
 
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por Ebay » 4/9/2007 21:45

Dwer Escreveu:
vmmf40 Escreveu:só que nos anos 70, os alunos não eram propriamente como agora.


Os portugueses sofreram uma mutação genética que os tornou mais estúpidos?


Não..mas dantes não havia a falta de respeito pela figura do professor que há hoje...e isso faz diferença em termos de comportamento e aproveitamento da turma em geral.
 
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por Be Cool » 4/9/2007 21:32

.
Vmmf40, concordo plenamente consigo, quando diz que é mais difícil ensinar agora uma turma de 20 alunos do que era uma de 30 há apenas duas décadas. Eu estou na profissão desde 1982 e sei avaliar isso muito bem. Os alunos não sofreram mutações, mas estão mais indisciplinados e malcriados e o professor não dispõe de armas legais que lhe permitam exercer a autoridade. Isto nota-se muito mais no 3.º ciclo que no Secundário. Já agora, convém referir que, em 2007/2008, todas as turmas do 3.º Ciclo e do Secundário vão passar a ter mais carga horária a Física/Química, Ciências Naturais, Biologia/Geologia, para implementar precisamente actividades práticas e de laboratório.

AA, você dá um exemplo (também podia dar o do meu colega de turma que furou os pneus ao prof, et... etc...). Mas uma andorinha não faz a primavera. Qualquer semelhança é pura coincidência. Em 25 anos de trabalho, consegue-se aferir bem as tendências.

Apesar de tudo isso, penso que o problema do número excessivo de alunos por turma é em grande parte um falso problema. Por duas razões:

1.ª - Muitos estudos têm demonstrado que um reduzido número de alunos por turma não é sinónimo de melhores aprendizagens e melhores performances dos alunos. Obviamente que, a partir de um determinado n.º (ex.: >30) é natural que comecem a sentir-se alguns efeitos negativos.

2.ª - Pese embora casos pontuais e excepcionais como o apontado pelo Rui Aires no iníco deste tópico (e que resultam de ajustamentos que cada escola por vezes tem de fazer por diversos motivos conjunturais relacionados com a sua própria organização) o número de alunos, a partir dos anos 90 tem-se mantido relativamente baixo. Constato-o pessoalmente na minha escola, onde lecciono há 14 anos, pois raramente aparece uma turma com 30 alunos e, quando aparece, é por razões plenamente justificadas. Eu próprio, nunca me lembro de ter tido mais de 26-27 alunos.

Já agora, "posto" dois gráficos elucidativos desta realidade (desculpem o tamanho das tabelas):
Anexos
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por aa » 4/9/2007 21:17

vmmf40 Escreveu:não sofreram nenhuma mutação, simplesmente eram educados e sabiam estar. Agora temos uma grande maioria de alunos malcriados e que não sabe ocupar o seu lugar. Nos anos 70, 40 alunos a grande maioria queria aprender agora. Uma grande maioria não quer saber, nem deixam que os outros aprendam


Nos anos 70, um colega meu levou com um ponteiro na cabeça + 15 dias de suspensão por ter dito erva e a professora ter percebido *****. Depois, por muito que se esforçasse, não conseguiu passar de ano e acabou por abandonar o liceu (foi no Liceu Camões).

A turma tinha 45 alunos mas apenas 5 passaram de ano (do 3º para o 4º - hoje seria do 7º para o 8º) e eu até fui dos que passou. Por isso não faz nenhum sentido fazer esse tipo de comparações.

AA
 
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Re: ...

por Keyser Soze » 4/9/2007 21:15

MAV8 Escreveu:Não sei precisar até poque tmbám não tenho muito interesse em números como já fiz referencia em cima.

pois...infelizmente parece ser um problema nacional

Na escola do meus sobrinhos um deles tem 1 e o outro 2 em turmas de 25 reduzidas exatamente por estes alunos lá se encontrarem. E não foi só azar, reparei que a grande maioria das turmas tinha alunos NEE.

Mas a questão essencial é que todos são prejudicados em função da inexistencia de espaços proprios para estes alunos obviamente diferentes.


assumindo então 10% de NEE na pop. estudantil




identificado os NEE e colocando-os em turmas "especiais"


0% NEE

turmas de 22 alunos

necessários 23.512 professores

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10% NEE em turmas de 5 alunos

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10% NEE em turmas de 11 alunos

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Voila !

por bboniek33 » 4/9/2007 21:06

Uma parte importante de professores (20, 30% ?) nao tem preparacao para ensinar e olha para o Sistema de Ensino como o seu empregador. Por outro lado uma parte igualmente importante de alunos (40, 50% ?) nao quer aprender nem permite que quem quer o possa fazer num ambiente disciplinado. So faltava que continuassemos a ter que pagar mais impostos para manter este estado de coisas. A ruptura trara beneficios para todos: professores (ficarao os mais capazes, talvez), para os alunos (mais desistirao mais cedo permitindo que os outros tenham melhores condicoes de aprendizagem), para os pais (constatam que a criancinha que geraram se pode tornar num inutil que a Sociedade nao quer subsidiar.
Tambem para os que pagarao menos impostos e contribuirao para um Sistema de Ensino serio e eficaz.
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por vmmf40 » 4/9/2007 20:28

não sofreram nenhuma mutação, simplesmente eram educados e sabiam estar. Agora temos uma grande maioria de alunos malcriados e que não sabe ocupar o seu lugar. Nos anos 70, 40 alunos a grande maioria queria aprender agora. Uma grande maioria não quer saber, nem deixam que os outros aprendam
 
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por Keyser Soze » 4/9/2007 20:24

vmmf40 Escreveu:Só não percebo, tenho nove turmas.
- 1 com 22 alunos
- 3 com 27 alunos
- 5 com 32 alunos
agora eu que sou professor de Física e quimica com é que vou dar aulas experimentais...........
os números são muito bonitos para quem está de fora


são muito bonitos e não enganam ...se tu tens turmas com aluno acima da média, significa que outros teus colegas têm abaixo da média...ou nem sequer dão aulas

é uma questão de gestão e alocação de recursos
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