Barragens
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Re: Barragens
Elias Escreveu:31 Agosto 2007
Natação
Foz Côa, meados dos anos 90: o projecto de construção de uma barragem em Foz Côa gera uma onda de protestos que se prendem com o facto de determinadas gravuras rupestres escavadas na rocha ficarem para sempre submergidas pelas águas. Havia solução técnica que consistia em retirar as pedras. Havia a necessidade de uma barragem. Havia necessidade de desenvolvimento local. Havia razão e motivo de sobra para a construção da barragem.
(...)
Recentemente o governo anunciou finalmente o concurso público para a construção da barragem do Sabor, mas aqui e ali, começam a ouvir-se novamente vozes de protesto, dos mesmos que há dez anos atrás, de tambor ao ombro cantavam "as gravuras não sabem nadar, yo!"
(...)
Só falta descobrir quem é que não sabe nadar para o filme se repetir.
É bom lembrar que o Douro superior tem provavelmente a maior densidade de barragens do nosso país (só desde Miranda até à Régua são oito: Miranda, Picote, Bemposta, Aldeadavila, Saucelle, Pocinho, Valeira, Régua), contudo não foi isso que lhe trouxe desenvolvimento ou prosperidade.
É igualmente bom recordar que o Alqueva (cujas comportas fecharam há quase 5 anos) também trouxe promessas de desenvolvimento ao Alentejo, mas até agora entre as populações reina a desilusão.
A memória é curta e a história repete-se...
E que a gd maioria das outras barragens nacionais n cria riqueza para as povoações onde são criadas...
Mas independentemente disso, acho que a construção de barragens é um mal necessário e que a não construção tem custos económicos e ambientais elevados...
Um abr
Nuno
Pluricanal... não obrigado. Serviço péssimo e enganador!!!
Re: Barragens
31 Agosto 2007
Natação
Foz Côa, meados dos anos 90: o projecto de construção de uma barragem em Foz Côa gera uma onda de protestos que se prendem com o facto de determinadas gravuras rupestres escavadas na rocha ficarem para sempre submergidas pelas águas. Havia solução técnica que consistia em retirar as pedras. Havia a necessidade de uma barragem. Havia necessidade de desenvolvimento local. Havia razão e motivo de sobra para a construção da barragem.
(...)
Recentemente o governo anunciou finalmente o concurso público para a construção da barragem do Sabor, mas aqui e ali, começam a ouvir-se novamente vozes de protesto, dos mesmos que há dez anos atrás, de tambor ao ombro cantavam "as gravuras não sabem nadar, yo!"
(...)
Só falta descobrir quem é que não sabe nadar para o filme se repetir.
É bom lembrar que o Douro superior tem provavelmente a maior densidade de barragens do nosso país (só desde Miranda até à Régua são oito: Miranda, Picote, Bemposta, Aldeadavila, Saucelle, Pocinho, Valeira, Régua), contudo não foi isso que lhe trouxe desenvolvimento ou prosperidade.
É igualmente bom recordar que o Alqueva (cujas comportas fecharam há quase 5 anos) também trouxe promessas de desenvolvimento ao Alentejo, mas até agora entre as populações reina a desilusão.
A memória é curta e a história repete-se...
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Branc0 Escreveu:Por acaso estive lá em Foz Côa faz agora dois anos (umas férias que fiz por Trás-os-Montes bem boas, este ano estou quase de partida para o Minho) e claro que aproveitei para ir ver as maravilhosas pinturas rupestres.
Aquilo basicamente consiste num escritorio com 2 pessoas a atender. Existem 4 "tours" cada um com a sua amostra de pinturas rupestres.
Escolhi uma ao calhas (disseram-me depois que não era das melhores) e confesso que foi uma desilusão. Veio uma perita nestas coisas connosco para nos mostrar o que era (deu-me a ideia que eu e a minha mulher eramos os unicos a visitar aquilo há dias) e eu que sou tão tosco ia-me sentando em cima de uma delas por nem perceber que o que estava a ver eram pinturas rupestres. Não achei grande piada, sinceramente podiam era ter pegado nas pedras e te-las metido num museu.
Branc0,
Pinturas rupestres?
Em Foz Coa não há (que se saiba) quaisquer pinturas rupestres. O que há são gravuras, isto é, desenhos gravados na rocha, o que não é bem a mesma coisa.
Saudações,
Elias
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Se eram tão importantes tiravam-nas das pedras e faziam a barragem. Esta brincadeira custou-nos milhões de euros (Fundos comunitários, construção, electricidade, sustento daquilo...). Este é um exemplo, entre muitos outros, onde a política meteu-se no meio do nosso desenvolvimento como nação.
Não conhecia essa situação do vinho... realmente é bem mais importante que aquilo.
Não conhecia essa situação do vinho... realmente é bem mais importante que aquilo.
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comentário
Visitem sff estas termas situadas na beira transmontana e vão, depois visitar as gravuras que já eram conhecidas muito antes de 1994 como refer o vídeo.
É desta terra o historiador, Adriano Vasco Rodrigues que já por volta da decada de 50 faz referência a gravuras na ribeira dos piscos afluente do rio Côa e que serve esta aldeia de Longroiva.
Visitem, fica a uns escassos quilómetros de Marialva ou Civitas Aravorum de que já ouviram falar concerteza. Pois esta aldeia foi mais importante, aqui esteve por uns tempos o templário Gualdim Pais.
O castelo que vêm é apenas a torre de menagem de uma área acastelada mais vasta.
Visitem...provem a amêndoa e os figos e bebam do vinho e tomem uns banhos retemperadores....coisa boa asseguro.
O site:-http://longroiva.no.sapo.pt/
É desta terra o historiador, Adriano Vasco Rodrigues que já por volta da decada de 50 faz referência a gravuras na ribeira dos piscos afluente do rio Côa e que serve esta aldeia de Longroiva.
Visitem, fica a uns escassos quilómetros de Marialva ou Civitas Aravorum de que já ouviram falar concerteza. Pois esta aldeia foi mais importante, aqui esteve por uns tempos o templário Gualdim Pais.
O castelo que vêm é apenas a torre de menagem de uma área acastelada mais vasta.
Visitem...provem a amêndoa e os figos e bebam do vinho e tomem uns banhos retemperadores....coisa boa asseguro.
O site:-http://longroiva.no.sapo.pt/
Se naufragares no meio do mar,toma desde logo, duas resoluções:- Uma primeira é manteres-te à tona; - Uma segunda é nadar para terra;
Sun Tzu
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Por acaso estive lá em Foz Côa faz agora dois anos (umas férias que fiz por Trás-os-Montes bem boas, este ano estou quase de partida para o Minho) e claro que aproveitei para ir ver as maravilhosas pinturas rupestres.
Aquilo basicamente consiste num escritorio com 2 pessoas a atender. Existem 4 "tours" cada um com a sua amostra de pinturas rupestres.
Escolhi uma ao calhas (disseram-me depois que não era das melhores) e confesso que foi uma desilusão. Veio uma perita nestas coisas connosco para nos mostrar o que era (deu-me a ideia que eu e a minha mulher eramos os unicos a visitar aquilo há dias) e eu que sou tão tosco ia-me sentando em cima de uma delas por nem perceber que o que estava a ver eram pinturas rupestres. Não achei grande piada, sinceramente podiam era ter pegado nas pedras e te-las metido num museu.
Por outro lado, vi com os meus olhos até onde chegaria o nível da água com a barragem. A água ficaria tão alta que destruiria completamente, naquela zona, o micro-clima necessário para o Vinho do Porto que se faz naquela área. Isso para mim é mais grave que as pinturas (pintem o que quiserem mas ninguém me rouba o vinho!
) e penso (ou espero) que tenha sido também isso um factor de decisão na construção de uma barragem que poderia afectar um dos nossos melhores produtos nacionais que exportamos para todo o mundo.
Espero que esta nova barragem não venha interferir com isto.
E já agora, quem não conhece Trás-os-Montes recomendo por lá umas férias. Além do calor fenomenal que convida aos dias na piscina existem paisagens fantasticas para quem gosta de estar na natureza. Para os que gostam de comida... come-se a bem comer por tuta e meia e quem gosta dos hermanos chega-se num instante a Salamanca que é uma cidade muito bonita.
Aquilo basicamente consiste num escritorio com 2 pessoas a atender. Existem 4 "tours" cada um com a sua amostra de pinturas rupestres.
Escolhi uma ao calhas (disseram-me depois que não era das melhores) e confesso que foi uma desilusão. Veio uma perita nestas coisas connosco para nos mostrar o que era (deu-me a ideia que eu e a minha mulher eramos os unicos a visitar aquilo há dias) e eu que sou tão tosco ia-me sentando em cima de uma delas por nem perceber que o que estava a ver eram pinturas rupestres. Não achei grande piada, sinceramente podiam era ter pegado nas pedras e te-las metido num museu.
Por outro lado, vi com os meus olhos até onde chegaria o nível da água com a barragem. A água ficaria tão alta que destruiria completamente, naquela zona, o micro-clima necessário para o Vinho do Porto que se faz naquela área. Isso para mim é mais grave que as pinturas (pintem o que quiserem mas ninguém me rouba o vinho!
Espero que esta nova barragem não venha interferir com isto.
E já agora, quem não conhece Trás-os-Montes recomendo por lá umas férias. Além do calor fenomenal que convida aos dias na piscina existem paisagens fantasticas para quem gosta de estar na natureza. Para os que gostam de comida... come-se a bem comer por tuta e meia e quem gosta dos hermanos chega-se num instante a Salamanca que é uma cidade muito bonita.
Be Galt. Wear the message!
The market does not beat them. They beat themselves, because though they have brains they cannot sit tight. - Jesse Livermore
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Barragens
31 Agosto 2007
Natação
Foz Côa, meados dos anos 90: o projecto de construção de uma barragem em Foz Côa gera uma onda de protestos que se prendem com o facto de determinadas gravuras rupestres escavadas na rocha ficarem para sempre submergidas pelas águas. Havia solução técnica que consistia em retirar as pedras. Havia a necessidade de uma barragem. Havia necessidade de desenvolvimento local. Havia razão e motivo de sobra para a construção da barragem.
A onda de protestos que se gerou (e se manipulou), sob o imortal lema "as gravuras não sabem nadar, yo!" rapidamente foi aproveitada por António Guterres, na altura líder da oposição ao governo PSD de Cavaco Silva.
Eleito, Guterres cancelou a construção da barragem, projectou um parque natural, um museu e demais infra-estruturas de apoio que nunca se chegaram a concretizar. Tudo junto, o que existe e o que não existe, custa hoje ao Estado uma pequena fortuna. Fortuna que não é paga pelos visitantes que quase não existem. Os últimos números que li falavam de cerca de dois milhões de contos por ano, em moeda antiga. Não sei se o número é exacto mas não me surpreende, dado que os custos da demagogia em Portugal são sempre caros.
Recentemente o governo anunciou finalmente o concurso público para a construção da barragem do Sabor, mas aqui e ali, começam a ouvir-se novamente vozes de protesto, dos mesmos que há dez anos atrás, de tambor ao ombro cantavam "as gravuras não sabem nadar, yo!"
Falta quem faça o papel de Guterres e lhes dê o devido apoio. Luís Filipe Meneses tem vindo a demonstrar as suas recém-descobertas preocupações ambientais, que são uma surpresa tanto para mim, como calculo, para o próprio.
Só falta descobrir quem é que não sabe nadar para o filme se repetir.
in http://tonibler.blogspot.com
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