«Verdadeiro Crash»
Crash, o problema é que um crash resulta de comportamentos dos mercados (investidores/especuladores) que nada, ou muito pouco, têm de racional. O pânico impera e a tal realidade dos fundamentais é mandada às malvas, torna-se quase virtual.
Claro que nestes momentos, ninguém sabe o rumo que isto vai ter. Por isso, todas as opiniões são válidas e benvindas. Pode ser que da diversidade nasça a luz. Vejamos mais algumas, provenientes do outro lado do Atlântico:
in Folha de S. Paulo
27/07/2007 - 09h50
Para analistas, crise no mercado está apenas no começo
TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo
Os mercados financeiros viveram ontem mais um soluço de uma crise que pode ter conseqüências sobre toda a economia americana e mundial. A chamada crise do subprime (os empréstimos de alto risco do setor imobiliário) começa com uma dúvida sobre o valor correto dos papéis ligados a esses empréstimos e que fazem parte do portfólio de grandes fundos de investimento --ou seja, esses fundos compraram títulos por um preço muito acima do que conseguiriam vender hoje.
Como os fundos sofrem fortes pedidos de resgates dos cotistas, vendem outros ativos para poder honrar as demandas e derrubam os preços de ações e de papéis de dívida, incluindo os de países emergentes, como o Brasil. Prevendo que os preços caiam mais, outros investidores também vendem, gerando uma bola de neve com baixas generalizadas.
Essa dúvida quanto aos preços dos papéis chega com a popularização de um instrumento derivativo chamado CDO (Obrigação Colateralizada de Dívida, na sigla em inglês), que fatia o crédito imobiliário já securitizado (transformado em recebíveis) em vários níveis de risco e oferece como opção de aplicação financeira de alto retorno para o investidor, que agora amarga perdas.
Além da preocupação com o crédito prime, começa a aparecer um questionamento sobre o que os bancos e as agências de rating atribuíram a chancela de prime (bom pagador). O temor é que muitos créditos de primeira linha sejam, após uma avaliação criteriosa, classificados agora como subprime.
"O crédito prime não representa problemas, segue outras taxas de inadimplência e de comportamento de pagamento que diferem do subprime", disse Flavio Serrano, economista-chefe da corretora López León.
Até aí, trata-se de um problema de correção de preços saudável, que o mercado financeiro passa de tempos em tempos. Para a economia real, os desdobramentos surgem com uma maior restrição dos bancos na hora de conceder empréstimo. O crédito restrito trava os negócios no mercado imobiliário e pode respingar no preço dos imóveis. A preocupação é com um estouro da "bolha imobiliária" a partir de uma eventual queda nos preços das casas.
"Digo que a bolha está desinflando, e não estourando. O medo de essa bolha estourar existe e é isso que vai deixar o mercado volátil nos próximos meses", disse Ricardo Amorim, diretor de Pesquisa Econômica e Estratégia para a América Latina do banco WestLB.
Para o economista, as pessoas que tiveram aumento de renda a partir da troca de uma hipoteca mais cara por uma barata agora estão tendo efeito contrário e perdendo capacidade de compra. Isso se agrava pelo aumento dos preços do petróleo e da gasolina, o que reduz a renda disponível.
"A questão é se a crise será suficientemente forte para trazer abaixo o resto da economia mundial. Acho possível, mas improvável. Isso porque o resto da economia mundial --China, Europa e até a América Latina-- vem se acelerando, e não desacelerando. A gente só vai ter certeza disso daqui a alguns meses", disse.
Para Marcelo Salomon, economista-chefe do Unibanco, a crise do subprime afetou todo o mercado de dívida de maior risco dos EUA. "Cada dia envolve novos produtos e fundos. Fundos de private equities [participação privada] estão tendo problemas para captar dinheiro. Ninguém sabe o tamanho real."
Claro que nestes momentos, ninguém sabe o rumo que isto vai ter. Por isso, todas as opiniões são válidas e benvindas. Pode ser que da diversidade nasça a luz. Vejamos mais algumas, provenientes do outro lado do Atlântico:
in Folha de S. Paulo
27/07/2007 - 09h50
Para analistas, crise no mercado está apenas no começo
TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo
Os mercados financeiros viveram ontem mais um soluço de uma crise que pode ter conseqüências sobre toda a economia americana e mundial. A chamada crise do subprime (os empréstimos de alto risco do setor imobiliário) começa com uma dúvida sobre o valor correto dos papéis ligados a esses empréstimos e que fazem parte do portfólio de grandes fundos de investimento --ou seja, esses fundos compraram títulos por um preço muito acima do que conseguiriam vender hoje.
Como os fundos sofrem fortes pedidos de resgates dos cotistas, vendem outros ativos para poder honrar as demandas e derrubam os preços de ações e de papéis de dívida, incluindo os de países emergentes, como o Brasil. Prevendo que os preços caiam mais, outros investidores também vendem, gerando uma bola de neve com baixas generalizadas.
Essa dúvida quanto aos preços dos papéis chega com a popularização de um instrumento derivativo chamado CDO (Obrigação Colateralizada de Dívida, na sigla em inglês), que fatia o crédito imobiliário já securitizado (transformado em recebíveis) em vários níveis de risco e oferece como opção de aplicação financeira de alto retorno para o investidor, que agora amarga perdas.
Além da preocupação com o crédito prime, começa a aparecer um questionamento sobre o que os bancos e as agências de rating atribuíram a chancela de prime (bom pagador). O temor é que muitos créditos de primeira linha sejam, após uma avaliação criteriosa, classificados agora como subprime.
"O crédito prime não representa problemas, segue outras taxas de inadimplência e de comportamento de pagamento que diferem do subprime", disse Flavio Serrano, economista-chefe da corretora López León.
Até aí, trata-se de um problema de correção de preços saudável, que o mercado financeiro passa de tempos em tempos. Para a economia real, os desdobramentos surgem com uma maior restrição dos bancos na hora de conceder empréstimo. O crédito restrito trava os negócios no mercado imobiliário e pode respingar no preço dos imóveis. A preocupação é com um estouro da "bolha imobiliária" a partir de uma eventual queda nos preços das casas.
"Digo que a bolha está desinflando, e não estourando. O medo de essa bolha estourar existe e é isso que vai deixar o mercado volátil nos próximos meses", disse Ricardo Amorim, diretor de Pesquisa Econômica e Estratégia para a América Latina do banco WestLB.
Para o economista, as pessoas que tiveram aumento de renda a partir da troca de uma hipoteca mais cara por uma barata agora estão tendo efeito contrário e perdendo capacidade de compra. Isso se agrava pelo aumento dos preços do petróleo e da gasolina, o que reduz a renda disponível.
"A questão é se a crise será suficientemente forte para trazer abaixo o resto da economia mundial. Acho possível, mas improvável. Isso porque o resto da economia mundial --China, Europa e até a América Latina-- vem se acelerando, e não desacelerando. A gente só vai ter certeza disso daqui a alguns meses", disse.
Para Marcelo Salomon, economista-chefe do Unibanco, a crise do subprime afetou todo o mercado de dívida de maior risco dos EUA. "Cada dia envolve novos produtos e fundos. Fundos de private equities [participação privada] estão tendo problemas para captar dinheiro. Ninguém sabe o tamanho real."
Já repararam na amplitude da subida do Dow entre 82 e 2000? E que essa amplitude é igual à da década de 20?
A realidade dos fundamentais dos mercados de então são totalmente diferentes dos actuais!
Em termos mais simples, actualmente o valor dos activos não é muito diferente/distante da economia real! E isso é que é verdadeiramente importante!
Se existe uma eventual inflacção?... naturalmente que existe em algumas empresas/sectores e principalmente nos mercados dos países emergentes dado as expectativas estarem a ser sobreavaliadas... também aconteceu no Japão e penaram com mais de 11 anos de "bear", mas nem por isso a economia e os mercados globais, durante este período, tiveram o mesmo comportamento (e estamos a falar da 2ª maior economia mundial, cerca de 1/3 da dos EUA)!
Podemos, naturalmente, falar da China e da inflação no seu mercado bolsista... claro que sim, e, caindo, vai arrastartambém os mercados durante um certo tempo... mas neste caso estamos a falar de uma economia com um peso cerca de 1/6 do dos EUA!
Correcção? Claro e até pode ser relativamente forte!Várias vezes aqui o referi quanto à sua "necessidade"!
Crash? Para mim "totalmente fora de questão" em função do que disse anteriormente!
Crash
- Mensagens: 382
- Registado: 5/1/2006 13:34
Dialmedia Escreveu:Espero não ter assustado ninguém
A mim não assustaste nada, primeiro porque caso se repetisse algo do género eu protegeria os meus ganhos, como estou a fazer agora...
Por outro lado parece-me impossível acontecer algo do género, as empresas ficariam com per's de 2 ou 3 e os dividendos deveriam atingir os 20 ou 30%...
Bom fim de semana
Sugestões de trading, análises técnicas, estratégias e ideias http://sobe-e-desce.blogspot.com/
http://www.gamesandfun.pt/afiliado&id=28
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Já repararam na amplitude da subida do Dow entre 82 e 2000? E que essa amplitude é igual à da década de 20?
Ou seja em 1929 houve crash devido a subidas mais que exponenciais que duraram nem uma década.
O Dow teve um comportamento muito parecido... mas durou quase 20 anos! E nunca chegou a corrigir significativamente... para bom entendedor meia palavra basta.
Espero não ter assustado ninguém
Ou seja em 1929 houve crash devido a subidas mais que exponenciais que duraram nem uma década.
O Dow teve um comportamento muito parecido... mas durou quase 20 anos! E nunca chegou a corrigir significativamente... para bom entendedor meia palavra basta.
Espero não ter assustado ninguém
- Mensagens: 515
- Registado: 26/1/2007 17:07
Só vou deixar uma idéia, independentemente do que aí vem a tendência de curto prazo é de baixa, mais do que nunca os stops são fundamentais, imprescindiveis...
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Em primeiro lugar eu não sou a pessoa certa para comentar. No entanto, como isto é um forum em que poucos serão profissionais do ramo, sempre deixo a minha opinião, pois será mais uma para permitir a quem sabe, avaliar o sentimento predominante no mercado (pelo menos no caldeireiro), e quem sabe posteriormente ajudar-nos a seguir o caminho certo.
Olhando para o Dow desde 1900, facilmente se conclui que a partir de 1982 o mercado se tornou mais consistente. As empresas estão organizadas de forma mais eficiente, a informação circula com muitissimo maior facilidade, e o crescimento dos resultados é sem duvida um factor chave da valorização dos mercados. O crash de 2000 teve a sua plena recuperação há pouco tempo e segundo os economistas de renome os ciclos de crescimento tenderão a ser cada vez maiores, e os de recessão mais curtos.
É certo que os mercados são muito de emoção, mas cada vez mais os fundos das mais diversas ordens os controlam. Não me parece, sinceramente, que estejamos perto de um crash na verdadeira essencia da palavra. Correcções fortes talvez. Mas mesmo estas, e olhando com parca experiencia para os gráficos históricos, não estarão para acontecer este ano.
Posso estar a dizer isto e o mercado crashar na segunda. Lá dizia aquele grande filosofo do futebol, prognosticos, só depois do jogo. Mas como isto é um jogo, e eu não sou um grande filosofo, arrisco esta teoria.
Quanto ao ficar nas posições de longo prazo: para mim neste momento só há uma de longo prazo, que é a REN. Isto porque o dividendo é o que se sabe, e o preço médio que tenho nelas ainda é baixo. Tudo o resto voa no meu limite de saida com perdas, já definido, e com stop loss activas.
Só para terminar, como sou um optimista por natureza, e atendendo aos fortes investimentos que vão sendo anunciados, reforço a ideia que crash não obrigado.
Olhando para o Dow desde 1900, facilmente se conclui que a partir de 1982 o mercado se tornou mais consistente. As empresas estão organizadas de forma mais eficiente, a informação circula com muitissimo maior facilidade, e o crescimento dos resultados é sem duvida um factor chave da valorização dos mercados. O crash de 2000 teve a sua plena recuperação há pouco tempo e segundo os economistas de renome os ciclos de crescimento tenderão a ser cada vez maiores, e os de recessão mais curtos.
É certo que os mercados são muito de emoção, mas cada vez mais os fundos das mais diversas ordens os controlam. Não me parece, sinceramente, que estejamos perto de um crash na verdadeira essencia da palavra. Correcções fortes talvez. Mas mesmo estas, e olhando com parca experiencia para os gráficos históricos, não estarão para acontecer este ano.
Posso estar a dizer isto e o mercado crashar na segunda. Lá dizia aquele grande filosofo do futebol, prognosticos, só depois do jogo. Mas como isto é um jogo, e eu não sou um grande filosofo, arrisco esta teoria.
Quanto ao ficar nas posições de longo prazo: para mim neste momento só há uma de longo prazo, que é a REN. Isto porque o dividendo é o que se sabe, e o preço médio que tenho nelas ainda é baixo. Tudo o resto voa no meu limite de saida com perdas, já definido, e com stop loss activas.
Só para terminar, como sou um optimista por natureza, e atendendo aos fortes investimentos que vão sendo anunciados, reforço a ideia que crash não obrigado.
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- Registado: 12/5/2007 9:52
«Verdadeiro Crash»
Lanço este tópico uma vez que paira no ar o medo de um possível crash. Por um lado, acredito que as empresas estão sustentadas e que a inversão do mercado em que ocorreu em 2000 nada se pode comparar com o que estamos assistir neste momento.
Como já referi este ritmo de crescimento é que poderá não ser sustentado por muito tempo uma vez que estamos a verificar algumas mudanças fundamentalmente no que respeita ao mercado da divida. Os bancos não estão a conseguir colocar dívida no mercado que foi emitida para financiar aquisições, o que está a provocar uma descida acentuada nos mercados financeiros esta semana.
Isto porque estavamos assistir a uma enorme especulação em torno de fusões e aquisições que sendo assim fica dissipada e na minha opinião as cotadas poderão se aproximar dos suportes mais antigos com menos declive e em valores mais moderados.
Se me perguntarem acreditas que o mercado irá continuar bull eu respondo que sim, mas poderá sofrer antes uma correcção pelos motivos já enumerados.
Ainda surge uma outra questão nós estamos na era das energias renováveis e à semelhança do que aconteceu em 2000 aí sim poderá haver uma especulação muito forte e originar um verdadeiro crash!
Continuo a afirmar que não concordo com estratégias do tipo: "Não me importo que empresa A B Ou C corriga, estou longo no titulo! Os fundamentais estão lá."
Protegam-se da chuva e depois voltem ao mar alto.
Abraço & Comentem.
Como já referi este ritmo de crescimento é que poderá não ser sustentado por muito tempo uma vez que estamos a verificar algumas mudanças fundamentalmente no que respeita ao mercado da divida. Os bancos não estão a conseguir colocar dívida no mercado que foi emitida para financiar aquisições, o que está a provocar uma descida acentuada nos mercados financeiros esta semana.
Isto porque estavamos assistir a uma enorme especulação em torno de fusões e aquisições que sendo assim fica dissipada e na minha opinião as cotadas poderão se aproximar dos suportes mais antigos com menos declive e em valores mais moderados.
Se me perguntarem acreditas que o mercado irá continuar bull eu respondo que sim, mas poderá sofrer antes uma correcção pelos motivos já enumerados.
Ainda surge uma outra questão nós estamos na era das energias renováveis e à semelhança do que aconteceu em 2000 aí sim poderá haver uma especulação muito forte e originar um verdadeiro crash!
Continuo a afirmar que não concordo com estratégias do tipo: "Não me importo que empresa A B Ou C corriga, estou longo no titulo! Os fundamentais estão lá."
Protegam-se da chuva e depois voltem ao mar alto.
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