Caldeirão da Bolsa

Liquidez no mercado, a falta de volatilidade e o bullmarket

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por rnbc » 4/6/2007 11:17

Ok, a questão dos fundos versus carteira própria já foi respondida.

Razões "fundamentais" para esperar uma queda:

Os PERs estão a começar a ficar um bocado para o alto. Claro que ainda há empresas genuinamente baratas (e bem geridas, lucrativas, etc), mas começam a ficar escassas. Eu pelo menos tenho tido alguma dificuldade em as achar.

Excesso de crédito, que pode alavancar seriamente uma crise que chegue por outros meios. Muitas familias estão no limite do orçamento, e podem entrar em default a qualquer momento. Isso pode levar a um efeito em cascata.

Se fossem só as familias não era mau de todo, mas também há excesso de endividamento empresarial... e escondido atrás de ratings fantásticos.

Orçamento desiquilibrado nos EUA também não ajuda. Claro que tomara nós estarmos tão bem como eles, mas eles são grandes, se tiverem problemas temos todos problemas.

Crise energética em preparação, a cozer lentamente em banho-maria. Acho que sobre isto nem preciso de dizer nada... mas imaginem preços 3x mais altos nos combustíveis. Era giro não era? E já agora: porquê 3x? Bem, porque acima disso há um número enorme de fontes inesgotáveis que se tornam realmente viáveis, entre as quais os muito falados paineis fotovoltaicos. Isso limita o preço das restantes fontes, pelo menos a médio prazo.

Claro que a subida pode continuar mais uns tempos, e acho que é mesmo isso que vai acontecer.

PS: já agora, também há razões para uma subida. Nunca se produziu tanto com tanta eficiencia, por exemplo!
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por OPA » 4/6/2007 9:45

Pata,

Passar de Fundos para accoes porque os fundos, na melhor das hipoteses, sao D+2 dias para resgate...ja as accoes estao a um clique+um comprador de distancia. Tudo uma questao de tempo de reaccao.

Quanto aos fundamentais, acho melhor ser o rnbc a responder.
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por Pata-Hari » 4/6/2007 5:49

rnbc, desculpa, não percebi... a que fundamentais te referes? e porquê passar de fundos paa acções?
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por rnbc » 4/6/2007 0:22

Acho que qualquer pessoa avisada concorda com o incognitus neste momento: Os fundamentais apontam para uma descida.

No entanto a questão mais pragmática é: e perante isso e tudo o resto o que é que eu faço? Fico de fora a ver o mercado subir? Ou entro na onda sem descurar uma saída rápida?

Eu sou da opinião que as portas de saída, especialmente para pequenos investidores, são grandes q.b.

Que diabo, a menos que estejamos a gerir milhões conseguimos despachar uma carteira inteira em 15 minutos... é uma grande vantagem dum investidor individual face a um banco, por exemplo, que não pode despejar um fundo no mercado impunemente.

Portanto: ao longo dos próximos meses devemos passar progressivamente de fundos (para quem os tem) para acções, e sem pressas preparar a saída.
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por Powerman » 3/6/2007 15:40

Boa Tarde

Antes de mais para dizer que sou um leitor dos textos do incognitus e ... concordo com a posição dele, pois eu neste momento tenho uma posição de cautelosa. Não só por esta euforia "desregrada" que existe nos mercados, mas mais que pelos pressupostos macroeconómicos da economia mundial que estão a dar sinais de fraqueza.

A economia americana, apesar da "maquilhagem" que os governantes tentam fazer é notório o seu arrefecimento. E eu concordo com os que dizem que a inflação vai ser uma "sombra" constante na economia mundial.

Portanto vou estando cauteloso, porque assim ... penso que deve ser.

Abraço

PMAN
 
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por Pata-Hari » 3/6/2007 13:11

Se bem percebi pata, enquanto houver liquidez, essa liquidez irá andar a comprar acções mesmo que os pers estejam ligueiramente aumentados, condicionando uma subida generalizada dos mercados, certo?

Tenho outra dúvida: O abrandamento do mercado imobiliário nos Estados Unidos não poderá representar uma diminuição da procura de activos? Ou o facto desse abrandamento ser acompanhado duma subida generalizada dos mercados pode querer indicar que a liquidez está a fugir desses activos em direcção aos mercados de acções, suportando pers mais altos?

Acho que alguma especulação imobiliária no sul de Espanhã estava ligada a compras por parte de estranjeiros, especialmente Russos ligados ao sector energético... Isso faz sentido e encaixa nestas teorias do países produtores de petróleo andarem a investir na Europa/EUA...


É exactamente isso, princepe (não queres mesmo que te mude o nick para "principe"?). A procura por activos financeiros mantém-se elevada, criando o potencial/realidade de valorização anormal dos mercados (que neste momento, segundo padrões tradicionais de avaliação de empresas, não é sequer o caso, embora esta valorização possa ser questionada...). Este tipo de procura pode justificar também em grande parte o facto da dívida de rating duvidoso estar neste momento a transaccionar com spreads tão historicamente apertados....
O abrandamento dos americanos, por via do imobiliário é sem dúvida um risco, embora haja tambem quem argumente que já está em grande parte descontado pelo mercado porque é um medo já conhecido e "preçado" em grande parte. Mas, mais uma vez, é uma opinião controversa e, sem dúvida, quando os dados na economia começarem a reflectir isso, temos potencial de quedas no mercado americano. Depois, a questão, vai ser a avaliação de até que ponto os mercados Europeus continuam estados-unidos-dependente.

O caso de espanha, acredito que seja um caso particular e não geral na Europa. É um mercado que neste momento considero perigoso porque está particularmente caro e esses preços são explicados em grande parte exactamente pelo imobiliário. Quando o imobiliário abrandar (como está a acontecer), podemos ter correcções muito violentas. Para mim, é um risco que eu não gostaria de correr (o estar investida no IBEX).

Ou seja, são todos factores a ter em conta para que pelo menos possamos estar cientes de riscos e cenários.
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Um só factor poderia de facto afectar todo o mercado.

por MITROLAS » 3/6/2007 11:57

Agora, imaginem o petróleo vir por aí abaixo até aos 20$.

Eu bem sei que é uma suposição pouco provável, tal como a queda repentina do preço do gás natural (de 12 a 5 usd) que provocou a falência do hedge fund Amaranth. :mrgreen:

Mas imaginem uma queda do barril de petróleo a 20$.
- os países produtores repentinamente viam as suas receitas diminuir consideravelmente. Ou seja teriam menos liquidez para investir nas empresas e fundos ocidentais.
- as empresas ligadas às energias renováveis tornar-se-iam perfeitamente inviáveis com o petróleo a 20$. Entre as quais as ligadas aos aerogeradores e wind power.
- Quanto vale uma Exxon, uma Total, uma BP, uma Galp ou uma Repsol? Sem dúvida mto menos!
- Os hedge funds investidos em energéticas, teriam obrigatoriamente de liquidar posições, dado estarem com posições alavancadas nestas empresas.
- As contructoras espanholas (Sacyr, ACS e Acciona) que estão a investir brutalmente no sector energético (Repsol, Fenosa e Iberdrola, Endesa respectivamente), deram como aval à banca as próprias acções das energéticas. O que quer dizer que uma queda abrupta do valor destas empresas, implicaria uma liquidação financeira destas posições. Um pouco à semelhança do que se passou com a Astroc em que o seu presidente Bañuelos teve de vender todas as posições que detinha, inclusivamente a posição no Banco Sabadell. :mrgreen:
- A banca no meio deste pesadelo, seria fortemente afectada.

Atenção isto é só um cenário catastrofista. Não me acredito que venha a acontecer. Diria que tem 0,000001% de probabilidade de acontecer.
Como disse o CEO da Adecco na CNBC, "pessimists don't make money!".
[/b]
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por Princepe da bolsa » 3/6/2007 11:15

Se bem percebi pata, enquanto houver liquidez, essa liquidez irá andar a comprar acções mesmo que os pers estejam ligueiramente aumentados, condicionando uma subida generalizada dos mercados, certo?

Tenho outra dúvida: O abrandamento do mercado imobiliário nos Estados Unidos não poderá representar uma diminuição da procura de activos? Ou o facto desse abrandamento ser acompanhado duma subida generalizada dos mercados pode querer indicar que a liquidez está a fugir desses activos em direcção aos mercados de acções, suportando pers mais altos?

Acho que alguma especulação imobiliária no sul de Espanhã estava ligada a compras por parte de estranjeiros, especialmente Russos ligados ao sector energético... Isso faz sentido e encaixa nestas teorias do países produtores de petróleo andarem a investir na Europa/EUA...
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por Pata-Hari » 3/6/2007 10:31

O argumento é que os motores são dois, sendo que a china é um deles e os paises produtores de petróleo outro. Provavelmente, mantendo-se os dois factores inalterados, a geração de riqueza que vai sendo injectada no mercado, manter-se-à. A procura de activos manter-se-à.

A nossa praça sofre do fenómeno de arrasto como sempre. Se os mercados subirem, o nosso subirá, por arrasto. Quanto mais não seja, porque se os fenómenos de M&A se mantiverem, as nossas empresas continuam a ser targets potenciai e porque por peer comparison os preços tenderão a manter-se altos (ou seja, porque no resto do mundo empresas semelhantes transaccionam a multiplos elevados, as nossas tenderão a acompanhar).
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por Princepe da bolsa » 3/6/2007 10:17

China e produtores de petróleo a comprar acções a torto e a direito por esse mundo fora ... as poucas notícias que saem indicam que o fenómeno é muito mais forte do que o visível.


Serão estes exemplos desse fenómeno na nossa praça?


EMPRESAS Publicado 1 Junho 2007
Sonangol adquire posição de 2% no BCP
A empresa angolana Sonangol adquiriu 2% do Millennium bcp que será uma posição duradoura e estável, acreditando no Programa Millennium 2010 do seu Chief Executive Officer (CEO), disse fonte da indústria.

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Jornal de Negócios com Reuters


A empresa angolana Sonangol adquiriu 2% do Millennium bcp que será uma posição duradoura e estável, acreditando no Programa Millennium 2010 do seu Chief Executive Officer (CEO), disse fonte da indústria.

Adiantou que esta posição tem vindo a ser construída recentemente e que a operação foi estruturada e organizada pelo angolano Banco Privado Atlântico e pelo nacional BIG.

"A Sonangol tomou uma posição de 2% no Millennium bcp, que é estável e duradoura. A Sonangol acredita no projecto Millennium 2010 do CEO do banco", disse esta fonte.

Afirmou que faz todo o sentido estratégico a Sonangol -- maior grupo empresarial de Angola -- e o Millennium bcp -- primeiro grupo bancário privado de Portugal e que está a estimular o crescimento naquele país africano -- estreitarem relações.

A Sonangol já é parceira da Galp Energia. "A Sonangol acredita que a participação em mercados internacionais é também geradora de valor para a economia angolana", disse.



EMPRESAS Publicado 26 Fevereiro 2007
Parte da posição de Rendeiro
"Holding" do sector petrolífero adquire 10% da Jerónimo Martins
A Jerónimo Martins comunicou hoje ao mercado que a Heerema, uma "holding" ligada ao sector petrolífero, adquiriu, através da Asteck, uma posição de 10% no seu capital social. Esta posição representa dois terços da participação alienada na sexta-feira pelo Banco Privado Português, liderado por João Rendeiro.


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Paulo Moutinho
paulomoutinho@mediafin.pt


A Jerónimo Martins comunicou hoje ao mercado que a Heerema, uma "holding" ligada ao sector petrolífero, adquiriu, através da Asteck, uma posição de 10% no seu capital social. Esta posição representa dois terços da participação alienada na sexta-feira pelo Banco Privado Português, liderado por João Rendeiro.

A "Jerónimo Martins comunica que foi hoje recebida, na sua sede social, informação da Asteck, com sede no Luxemburgo, de que, em 23 de Fevereiro de 2007, adquiriu, fora de bolsa, 12.585.900 acções da Jerónimo Martins, representativas de 10% do capital social".

A Asteck é uma companhia controlada a 100% pela Heerema Holding Company, a quem é assim imputada a participação e os respectivos direitos de voto na Jerónimo Martins.

A Heerema é uma "holding" que opera na indústria de petróleo e gás, e que opera nos mercados de construção e infra-estruturas.

No final da semana passada o Banco Privado Português, liderado por João Rendeiro, alienou 15% do capital da Jerónimo Martins, mantendo ainda uma participação de mais de 6% na retalhista.

A posição adquirida pela Heerema foi adquirida no mesmo dia em que Rendeiro vendeu parte dos seus títulos.

Na negociação de hoje as acções da Jerónimo Martins [Cot] seguem a valorizar 0,72% para os 19,47 euros, aliviando assim da queda de 1,58% da última sessão da semana passada.



Podemos assumir que enquanto o petróleo estiver em níveis elevados, o motor desta liquidez se manterá intacto?
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Liquidez no mercado, a falta de volatilidade e o bullmarket

por Pata-Hari » 3/6/2007 9:11

O incognitus escreveu no site dele (no ******) um comentário relevante e que explicaria na sua opinião grande parte do movimento bull do mercado. Eu concordo com ele e acho importante aqui deixar também como um comentário de um outro participante que eu considero um fabuloso conhecedor do mercado.

O incognitus, no entanto, tem estado bearish no mercado porque considera que os fundamentais deixaram de lá estar, que o fenómeno do excesso de crédito na economia faz com que todos os preços dos activos sejam uma bolha que inevitavelmente estoirará nas mãos dos investidores. O Fogueiro continua extremamente bullish e aproveita o mercado argumentando que os indicadores que usa o mandam estar plenamente investido desde agosto do ano passado (tendo conseguido uma rentabilidade de 100% em pouco mais de um ano). Eu, como disse, partilho a postura do fogueiro (sem os lucros, infelizmente) acreditando que em caso de correcção/inversão de mercado as portas de saída serão sempre pequenas, mas existem, e que se conseguirá manter sempre parte dos ganhos acumulados do aproveitamento do trend do mercado.

Aqui ficam os dois quotes, retirados do ******:

Este é um dos fenómenos que mais alimenta o mercado ...

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China e produtores de petróleo a comprar acções a torto e a direito por esse mundo fora ... as poucas notícias que saem indicam que o fenómeno é muito mais forte do que o visível.

Se a Arábia Saudita mete dinheiro num hedge fund do tipo que rebentou o Amaranth, então tb está a meter em dezenas ou centenas de outros. Se a China mete $3 bilhões na Blackstone, então também está a meter mais dezenas ou centenas deles noutros lugares ...



Isto não significa que seja sempre a subir, correcções são necessárias para que o uptrend continue. Mas antevejo que estas serão limitadas e constituirão boas oportunidades de compra.

O fenómeno das Private Equity, de que tenho vindo a falar, há algum tempo, a propósito dos Trusts Canadianos de energia e do Per das acções cotadas em NY estar muito favorável quando comparado com o Yield das obrigações, tem vindo a atingir níveis de que não me lembro em dezenas de anos de Mercado.
Desde o princípio do ano já houve fusões e aquisições num total superior a $1 bilião (trilião americano).
Tantas compras estão a ser anunciadas que muitas acções do S&P500 podem desaparecer nos próximos anos.
É uma vaga de fundo que está apenas a formar-se mas que já levou a Goldman Sachs (e outros grandes) a lançar plataformas que permitem, a um restrito grupo de investidores institucionais, negociar activos privados não cotados nas Bolsas.
Se este movimento acelerar haverá cada vez menos empresas cotadas pois, ao contrário do que acontecia antes, os IPOs estarão muito longe de equilibrar o saldo.
Se as Private Equity não tiverem capacidade para comprar todas as acções americanas, a China tem.
Vi, com agrado, este assunto ser abordado pelo Inc, noutro tópico:
“Este é um dos fenómenos que mais alimenta o mercado ...”
De facto a China já anunciou que investirá $3.000 milhões do seu excesso de reservas em dólares na compra de 9,9% do Blackstone um dos maiores grupos mundiais de Private Equity, que recentemente anunciou um IPO.
A China teve, no passado, dificuldades em comprar acções americanas cotadas em NY, levantadas pelo Congresso. Se esta interferência continuar, não seria de admirar que os chineses investissem os mais de $1,2 biliões (triliões americanos) de excesso de divisas, de uma forma mais ou menos clandestina, em Private Equity e não faltarão os grandes operadores na corrida ao negócio. O governo americano terá de olhar para o lado, pois precisa dos chineses (e não só) para financiar o seu deficit.
As acções de qualidade, de empresas sólidas e com forte crescimento, estão a tornar-se bens escassos.
O Mercado e a Carteira NY agradecem…
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