Ota: «Estão a mentir-nos»
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in Portugal Diario Ota: de quem são os terrenos?
Ota: de quem são os terrenos?
2005/10/26 | 00:15 || Patrícia Pires
Após o anúncio do novo aeroporto de Lisboa, valor dos terrenos subiu. Agora pergunta-se quem os comprou. Da especulação imobiliária passou-se para a «pura especulação» dos nomes dos proprietários. O PDiário foi à procura dos donos
José Sócrates decidiu apostar em grandes investimentos como a Ota e o TGV para animar a economia nacional. O projecto ainda não avançou, mas como assunto de debate o novo aeroporto tem lugar de destaque nas conversas dos portugueses. Os estudos, que justificam a escolha de localização, continuam no gabinete do ministro das Obras Públicas e o adensa-se o mistério quanto aos proprietários dos terrenos que circundam a área envolvente ao anunciado novo aeroporto.
Quanto aos maiores proprietários do concelho não parece haver dúvidas em Alenquer. «O maior é a empresa "Renit/Tiner"», garantiram ao PortugalDiário. Um nome facilmente constatável num passeio pela zona, devido aos outdoors da empresa. Este é um grupo ligado ao imobiliário, à construção civil e à aeronáutica, com 12 firmas em Portugal. António Varela é o rosto do grupo em território nacional.
Mas esta não é a única referida ao PortugalDiário. A "Turiprojecto" também surge como grande proprietária. Em 2000, o grupo trabalhava com a norte-americana "Trizechann" e a espanhola "Riofisa". À época o seu maior objectivo era a promoção de dez retails parks no país. José António Carmo é o representante do grupo em Portugal.
A banca também tem interesses na zona e o BES surge na lista de alegados proprietários através da ESAF. A "Espírito Santo Activos Financeiros SGPS, SA" é uma holding de investimentos mobiliários e imobiliários.
Outro nome, referido ao PortugalDiário pela população de Alenquer como sendo detentor de diversas propriedades, foi o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. «Às vezes aparece aí. Tenta passar despercebido, mas nós sabemos quem é».
Mas as dúvidas sobre os verdadeiros proprietários das terras no concelho de Alenquer têm tido a sua grande divulgação na Internet e nos blogues. Vários nomes de dirigentes socialistas têm sido divulgados no espaço cibernético, mas se existem provas concretas da sua veracidade elas ainda não foram reveladas.
O PortugalDiário tentou aceder aos nomes dos verdadeiros donos dos terrenos junto das repartições de finanças e conservatórias de Alenquer e Azambuja, mas tal revelou-se uma tarefa impossível sem as «matrizes» das propriedades. Apesar dos registos serem públicos sem o número identificativo do terreno não se pode procurar esta informação.
No fim dos anos 90, após o anúncio da escolha da localização da Ota para o novo aeroporto de Lisboa, a procura de terrenos disparou. Este ano, e apesar de Sócrates ter reiterado a construção do aeroporto como prioritária, poucos negócios foram feitos. Os detentores dos terrenos não estão interessados, neste momento, em vender as propriedades, preferindo aguardar a decisão governamental.
Os terrenos mais valiosos não são os mais próximos da localização do novo aeroporto, porque esses estão condicionados pela infra-estrutura. Mas os que se situam nas freguesias circundantes podem ser essenciais para logística do aeroporto: uma nova centralidade pode nascer ali baseada num afluxo de milhares de pessoas.
Apesar do atraso na concretização do novo aeroporto, não é difícil encontrar anúncios nos jornais, onde se vende habitações e terrenos «perto do novo aeroporto da Ota» ou a «9 km da Ota, em Aveiras de Cima».
Os terrenos na Ota não são os únicos à mercê da especulação imobiliária nem do empreendedorismo dos homens de negócios. Afinal, com a Ota e o desmantelamento da Portela, quanto podem valer os terrenos na Alta de Lisboa? E de quem são? Os blogues garantem que Stanley Ho, presidente da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, tem 300 hectares para este mega-projecto imobiliário já em construção.
Com a saída da Portela, ficam livres os terrenos onde está instalado o Aeroporto. Em 1998, esta zona foi avaliada em 245 milhões por peritos de um tribunal.
2005/10/26 | 00:15 || Patrícia Pires
Após o anúncio do novo aeroporto de Lisboa, valor dos terrenos subiu. Agora pergunta-se quem os comprou. Da especulação imobiliária passou-se para a «pura especulação» dos nomes dos proprietários. O PDiário foi à procura dos donos
José Sócrates decidiu apostar em grandes investimentos como a Ota e o TGV para animar a economia nacional. O projecto ainda não avançou, mas como assunto de debate o novo aeroporto tem lugar de destaque nas conversas dos portugueses. Os estudos, que justificam a escolha de localização, continuam no gabinete do ministro das Obras Públicas e o adensa-se o mistério quanto aos proprietários dos terrenos que circundam a área envolvente ao anunciado novo aeroporto.
Quanto aos maiores proprietários do concelho não parece haver dúvidas em Alenquer. «O maior é a empresa "Renit/Tiner"», garantiram ao PortugalDiário. Um nome facilmente constatável num passeio pela zona, devido aos outdoors da empresa. Este é um grupo ligado ao imobiliário, à construção civil e à aeronáutica, com 12 firmas em Portugal. António Varela é o rosto do grupo em território nacional.
Mas esta não é a única referida ao PortugalDiário. A "Turiprojecto" também surge como grande proprietária. Em 2000, o grupo trabalhava com a norte-americana "Trizechann" e a espanhola "Riofisa". À época o seu maior objectivo era a promoção de dez retails parks no país. José António Carmo é o representante do grupo em Portugal.
A banca também tem interesses na zona e o BES surge na lista de alegados proprietários através da ESAF. A "Espírito Santo Activos Financeiros SGPS, SA" é uma holding de investimentos mobiliários e imobiliários.
Outro nome, referido ao PortugalDiário pela população de Alenquer como sendo detentor de diversas propriedades, foi o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. «Às vezes aparece aí. Tenta passar despercebido, mas nós sabemos quem é».
Mas as dúvidas sobre os verdadeiros proprietários das terras no concelho de Alenquer têm tido a sua grande divulgação na Internet e nos blogues. Vários nomes de dirigentes socialistas têm sido divulgados no espaço cibernético, mas se existem provas concretas da sua veracidade elas ainda não foram reveladas.
O PortugalDiário tentou aceder aos nomes dos verdadeiros donos dos terrenos junto das repartições de finanças e conservatórias de Alenquer e Azambuja, mas tal revelou-se uma tarefa impossível sem as «matrizes» das propriedades. Apesar dos registos serem públicos sem o número identificativo do terreno não se pode procurar esta informação.
No fim dos anos 90, após o anúncio da escolha da localização da Ota para o novo aeroporto de Lisboa, a procura de terrenos disparou. Este ano, e apesar de Sócrates ter reiterado a construção do aeroporto como prioritária, poucos negócios foram feitos. Os detentores dos terrenos não estão interessados, neste momento, em vender as propriedades, preferindo aguardar a decisão governamental.
Os terrenos mais valiosos não são os mais próximos da localização do novo aeroporto, porque esses estão condicionados pela infra-estrutura. Mas os que se situam nas freguesias circundantes podem ser essenciais para logística do aeroporto: uma nova centralidade pode nascer ali baseada num afluxo de milhares de pessoas.
Apesar do atraso na concretização do novo aeroporto, não é difícil encontrar anúncios nos jornais, onde se vende habitações e terrenos «perto do novo aeroporto da Ota» ou a «9 km da Ota, em Aveiras de Cima».
Os terrenos na Ota não são os únicos à mercê da especulação imobiliária nem do empreendedorismo dos homens de negócios. Afinal, com a Ota e o desmantelamento da Portela, quanto podem valer os terrenos na Alta de Lisboa? E de quem são? Os blogues garantem que Stanley Ho, presidente da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, tem 300 hectares para este mega-projecto imobiliário já em construção.
Com a saída da Portela, ficam livres os terrenos onde está instalado o Aeroporto. Em 1998, esta zona foi avaliada em 245 milhões por peritos de um tribunal.
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Todos os argumentos sobre a OTA e TGV poderão ser válidos, e só com conhecimento dos estudos e fundamentos do mesmo poderia tecer uma opinião sobre eles.
A manipulação de números, para a Vila de Baixo é passível de ser igualmente feita pela Vila de Cima. A ser verdade a necessidade de drenagem dos terrenos, com custos superiores, e demais argumentos técnicos acima referidos, parece realmente idiota a construção na OTA. No entanto, uma análise custo-benefício teria sempre de ser efectuada.
O que parece realmente estapafúrdio é comparar as torres de 12 andares dos 30000 habitantes do Carregado, com as casas baixas de Lisboa, vila de cerca de 532 habitantes. Mas a Amadora está em expansão, e poderá construir torres de 13 andares, a rivalizar com as do Carregado!
A demora para chegar a Lisboa também é algo de impressionante: num aeroporto central, sem metro a desembocar na segunda circular, levei eu 1h para chegar a Benfica - sem haver jogo. Percebe-se que 15% dos turistas não queiram vir pela distância. Mas e que tal reformular a questão? Sei lá, usar o TEMPO, essa variável desprezível. E ainda gostaria de ver qual é o padrão do turista que corresponde a esses 15%...
Quem já participou na elaboração de um estudo sabe como eles funcionam: digam-me o número que querem e lá chegaremos. Depois é uma questão de justificar que os desvios aconteceram porque "algo" aconteceu. Algo pelo qual não há responsáveis.
O TGV parece-me absurdo. A OTA não é tão fácil. A não ser com o recurso a um aeroporto secundário, a Portela é sempre limitada. E mesmo assim, o investimento necessário para expansão ao limite da Portela + aeroporto 2 é, se formos da Vila Portela, enorme, se formos da Vila OTA, desprezível.
Um investimento tão estruturante e com tantos interesses em jogo tem de ter menos partidários e mais explicações.
A manipulação de números, para a Vila de Baixo é passível de ser igualmente feita pela Vila de Cima. A ser verdade a necessidade de drenagem dos terrenos, com custos superiores, e demais argumentos técnicos acima referidos, parece realmente idiota a construção na OTA. No entanto, uma análise custo-benefício teria sempre de ser efectuada.
O que parece realmente estapafúrdio é comparar as torres de 12 andares dos 30000 habitantes do Carregado, com as casas baixas de Lisboa, vila de cerca de 532 habitantes. Mas a Amadora está em expansão, e poderá construir torres de 13 andares, a rivalizar com as do Carregado!
A demora para chegar a Lisboa também é algo de impressionante: num aeroporto central, sem metro a desembocar na segunda circular, levei eu 1h para chegar a Benfica - sem haver jogo. Percebe-se que 15% dos turistas não queiram vir pela distância. Mas e que tal reformular a questão? Sei lá, usar o TEMPO, essa variável desprezível. E ainda gostaria de ver qual é o padrão do turista que corresponde a esses 15%...
Quem já participou na elaboração de um estudo sabe como eles funcionam: digam-me o número que querem e lá chegaremos. Depois é uma questão de justificar que os desvios aconteceram porque "algo" aconteceu. Algo pelo qual não há responsáveis.
O TGV parece-me absurdo. A OTA não é tão fácil. A não ser com o recurso a um aeroporto secundário, a Portela é sempre limitada. E mesmo assim, o investimento necessário para expansão ao limite da Portela + aeroporto 2 é, se formos da Vila Portela, enorme, se formos da Vila OTA, desprezível.
Um investimento tão estruturante e com tantos interesses em jogo tem de ter menos partidários e mais explicações.
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é dar-lhes
Pode ser q continuem, já q há muito $ a andar para bolsos mas pelo menos não vão sem guerra. Um amigo meu, q conhece bem dirigentes do PS disse-me q puseram a M José Morgado no Apito Dourado para desviar a atenção da Ota. o q é um facto é q os media prestam muito mais atenção a ela do q à Ota. Mais mediático, e bem manobrado...
"MASTER RULE: STOP LOSS."
"Plan the trade, trade the plan. Don't let fear or greed get in the way."
"Plan the trade, trade the plan. Don't let fear or greed get in the way."
OS TERRENOS ALAGADOS NA OTA
O "Público" publicou na primeira página do número de ontem, 22 de Novembro, uma fotografia de terrenos, neste momento alagados, da área prevista pelos "Aeroports de Paris" (ADP) para implantação do aeroporto da Ota. Se este aeroporto vier a ser construído será, certamente, a maior construção da Europa em leito de cheias.
Mas convém dizer mais o seguinte: a cota dos terrenos que aparecem na fotografia é de cerca de 5 metros acima do nível do mar e a cota prevista pelos ADP para a plataforma do aeroporto é de cerca de 30 metros. Será, assim, necessário fazer um aterro com cerca de 25 metros de altura sobre os terrenos representados.
Estes terrenos, na zona das ribeiras, são terrenos argilosos e o *firme* (bed rock) encontra-se a cerca de - 20 metros. Os estudos até agora divulgados parece revelarem a intenção de usar para fazer o aterro o "tout venant" retirado das zonas com cotas mais altas.
Mas, a construção de aeroportos tem exigências muito especiais. No caso da Ota, a consolidação das pistas exige: ou o uso de estacas com cerca de 50 metros; ou a
substituição por areias de todo o material argiloso do leito das ribeiras acima do bed rock à semelhança do que foi feito no aeroporto de Macau; ou a consolidação dos terrenos argilosos por meios mecânicos, processo muito moroso e delicado, sobretudo num local sujeito a inundações.
Convém perguntar aos "Aeroports de Paris" , que ganharam o concurso para assessorar a NAER, qual é a solução que preconizam ou, então, se assumem a responsabilidade de dizer que o "tout venant" pode ser depositado no leito das ribeiras sem nenhuma preparação prévia. Só depois será possível fazer um orçamento credível, o planeamento do estaleiro e a calendarização da obra.
23 de Novembro de 2006
António Brotas
(Professor Catedrático Jubilado do IST)
tags: ota
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:17 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Comentários:
De apalhinhamachado@sapo.pt a 19 de Fevereiro de 2007 às 12:53
Aéroports de Paris (AdP) tem, há muito, a honra e o proveito de projectar aeroportos sem olhar a custos. Como a tradição fixa o custo dos projectos numa percentagem do custo total dos correspondentes investimentos - percebe-se porquê. Com este caso do Aeroporto Internacional de Lisboa/Ota (AIL/O), quem decide por nós dá mais um exemplo do que seja uma "apólice de desresponsabilização": se tudo correr bem, "que bem decidi!"; se algo correr mal, "quem diria daquele consultor?" A AdP tem sido muito activa, apenas, nos aeroportos que sejam investimentos governamentais. E, mesmo aí, tem perdido projectos, como recentemente na Tunísia e em Chipre. Quando se trata de investimentos privados, ainda está para se conhecer o primeiro que AdP ganhe. Porque será? Nesta história do AILO, está tudo às avessas: (a) a justificação (vesga) do investimento; (b) a nossa (falta de) estratégia para o sector do transporte aéreo nos próximos 20 anos; (c) os estudos prévios (indigentes, salvo o último, sobre as características geotécnicas do local); (d) a localização (errada); (e) os critérios (politicamente balofos) que levaram à escolha do consultor, como se entre nós não houvesse quem soubesse fazer; (f) o custo previsto (um horror, que aponta para taxas aeroportuárias excessivas); (g) o modelo de financiamento (sinistro, que desbarata um dos tão propagandeados centros de decisão nacionais, este, a ANA, com competências reconhecidas globalmente); (h) as contas prestadas (como se todos nós que não temos a dita de estar no Governo, fossemos tolinhos).
A questão é esta: porque não pedir aos decisores (o Governo e os seus consultores) que caucionem em metal sonante a bondade dos seus pareceres e das suas decisões? Caso contrário, cá estará o contribuinte para tapar mais um enorme buraco. NOTA FINAL: Tenho defendido publicamente que se abriu, neste momento, uma janela de oportunidade para que um dos pilares do transporte aéreo global se implante em Portugal. E para que todos nós venhamos a beneficiar significativamente das alterações em curso neste sector de actividade. A alternativa, é ficarmos a ver passar os aviões lá no céu, e termos às costas uma transportadora aérea que só dá prejuízos.
O "Público" publicou na primeira página do número de ontem, 22 de Novembro, uma fotografia de terrenos, neste momento alagados, da área prevista pelos "Aeroports de Paris" (ADP) para implantação do aeroporto da Ota. Se este aeroporto vier a ser construído será, certamente, a maior construção da Europa em leito de cheias.
Mas convém dizer mais o seguinte: a cota dos terrenos que aparecem na fotografia é de cerca de 5 metros acima do nível do mar e a cota prevista pelos ADP para a plataforma do aeroporto é de cerca de 30 metros. Será, assim, necessário fazer um aterro com cerca de 25 metros de altura sobre os terrenos representados.
Estes terrenos, na zona das ribeiras, são terrenos argilosos e o *firme* (bed rock) encontra-se a cerca de - 20 metros. Os estudos até agora divulgados parece revelarem a intenção de usar para fazer o aterro o "tout venant" retirado das zonas com cotas mais altas.
Mas, a construção de aeroportos tem exigências muito especiais. No caso da Ota, a consolidação das pistas exige: ou o uso de estacas com cerca de 50 metros; ou a
substituição por areias de todo o material argiloso do leito das ribeiras acima do bed rock à semelhança do que foi feito no aeroporto de Macau; ou a consolidação dos terrenos argilosos por meios mecânicos, processo muito moroso e delicado, sobretudo num local sujeito a inundações.
Convém perguntar aos "Aeroports de Paris" , que ganharam o concurso para assessorar a NAER, qual é a solução que preconizam ou, então, se assumem a responsabilidade de dizer que o "tout venant" pode ser depositado no leito das ribeiras sem nenhuma preparação prévia. Só depois será possível fazer um orçamento credível, o planeamento do estaleiro e a calendarização da obra.
23 de Novembro de 2006
António Brotas
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De apalhinhamachado@sapo.pt a 19 de Fevereiro de 2007 às 12:53
Aéroports de Paris (AdP) tem, há muito, a honra e o proveito de projectar aeroportos sem olhar a custos. Como a tradição fixa o custo dos projectos numa percentagem do custo total dos correspondentes investimentos - percebe-se porquê. Com este caso do Aeroporto Internacional de Lisboa/Ota (AIL/O), quem decide por nós dá mais um exemplo do que seja uma "apólice de desresponsabilização": se tudo correr bem, "que bem decidi!"; se algo correr mal, "quem diria daquele consultor?" A AdP tem sido muito activa, apenas, nos aeroportos que sejam investimentos governamentais. E, mesmo aí, tem perdido projectos, como recentemente na Tunísia e em Chipre. Quando se trata de investimentos privados, ainda está para se conhecer o primeiro que AdP ganhe. Porque será? Nesta história do AILO, está tudo às avessas: (a) a justificação (vesga) do investimento; (b) a nossa (falta de) estratégia para o sector do transporte aéreo nos próximos 20 anos; (c) os estudos prévios (indigentes, salvo o último, sobre as características geotécnicas do local); (d) a localização (errada); (e) os critérios (politicamente balofos) que levaram à escolha do consultor, como se entre nós não houvesse quem soubesse fazer; (f) o custo previsto (um horror, que aponta para taxas aeroportuárias excessivas); (g) o modelo de financiamento (sinistro, que desbarata um dos tão propagandeados centros de decisão nacionais, este, a ANA, com competências reconhecidas globalmente); (h) as contas prestadas (como se todos nós que não temos a dita de estar no Governo, fossemos tolinhos).
A questão é esta: porque não pedir aos decisores (o Governo e os seus consultores) que caucionem em metal sonante a bondade dos seus pareceres e das suas decisões? Caso contrário, cá estará o contribuinte para tapar mais um enorme buraco. NOTA FINAL: Tenho defendido publicamente que se abriu, neste momento, uma janela de oportunidade para que um dos pilares do transporte aéreo global se implante em Portugal. E para que todos nós venhamos a beneficiar significativamente das alterações em curso neste sector de actividade. A alternativa, é ficarmos a ver passar os aviões lá no céu, e termos às costas uma transportadora aérea que só dá prejuízos.
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OTA afasta turistas de Lisboa
2006/02/10 | 22:29 || Patrícia Pires
Quebra nas visitas pode ser superior a 45 milhões de euros
Uma nova análise sobre o impacto da deslocalização do aeroporto para a Ota revela que Lisboa perde cerca de 15,6 por cento de turistas.
O estudo foi executado em Dezembro de 2005, a pedido da Associação de Turismo de Lisboa (ATL) e realizado pela empresa DOMP. São valores actuais, que divergem dos apresentados pela NAER, com base no relatório da Roland Berger, de 2000.
As receitas ganhas por Lisboa com o turismo são, segundo explicou ao PortugalDiário fonte do Observatório de Turismo de Lisboa, «muito difíceis de contabilizar. O ideal seria conhecer o valor gasto por cada turista na capital, mas isso é muito complicado». Todavia é possível determinar as receitas da hotelaria na cidade e, por ano, os alojamentos rendem perto de 300 milhões de euros.
Se a este valor retirarmos menos 15,6 por cento, (a percentagem de turistas que deixaria de vir a Lisboa com a mudança do aeroporto para a Ota), encontramos um prejuízo superior a 45 milhões de euros. Considerando que, apenas se contabilizam as receitas das dormidas, faltando áreas importantes como a da restauração, «o prejuízo será sem dúvida maior», explica a mesma fonte.
Aos turistas foi pedido que ponderassem sobre a viagem que estavam a efectuar a Lisboa e foram questionados: «caso o aeroporto se situasse a 53 km da cidade teria realizado esta viagem?». 5,6 por cento dos inquiridos respondeu «certamente não» e 12,2 por cento respondeu «provavelmente não».
Outra pergunta colocada foi: «tendo em conta que o novo aeroporto internacional de Lisboa vai situar-se a 53 km da cidade, qual a possibilidade de a excluir dos seus futuros destinos de viagem?». 3,5 por cento dos turistas garantiram que «certamente excluirei» e 12,1 disse «provavelmente excluirei». Ou seja, na hipótese do aeroporto ficar na Ota temos, no total, 15,5 por cento de «desistências».
Além destas duas questões os turistas ainda foram confrontados com os custos de uma viagem entre o novo aeroporto internacional de Lisboa, na Ota, e o centro da cidade. Perante a distância de 53 km e uma despesa de 20,58 euros na viagem, 29,6 por cento dos turistas excluiriam Lisboa dos seus destinos.
O novo estudo que foi divulgado, na edição de Janeiro de 2006, da revista Turismo de Lisboa, apresenta valores bastante mais significativos dos existentes até agora. O último documento divulgado pelo site da NAER, da autoria da Roland Berger, data de 2000. E segundo a NAER e os responsáveis pelo estudo a percentagem de «desistências» ficava nos 2,5 por cento. Um valor assumido após a publicação do referido estudo num jornal semanário nacional, O Independente.
Portela tem «bons ventos»
2007/03/08 | 16:42 || Patrícia Pires
Docente da Católica não defende localizações, apenas discorda da escolha da Ota
«A Portela é um aeroporto de extraordinária navegabilidade, um dos melhores da Europa, "classe 3b"», afirma o professor Castro Henriques. «Tem um regime de ventos óptimos, com uma pista de 3260 metros. Até podiam fazer uma segunda pista na Portela em direcção a Figo Maduro, se prolongassem os chamados táxis ways», explica.
A hipótese de expansão entra numa «zona de barracões. Não se perderia muito do ponto de vista paisagístico ou urbano».
«O lobby político social não encontra barreiras e vai fazendo o que quer», mas o facto é que, por exemplo, «a Portela tem duas pistas e o aeroporto é tão bom que, em 95 por cento dos casos, só se usa a pista maior. Só quando há ventos cruzados se recorre à outra».
O professor reconhece que é preciso um novo aeroporto para Lisboa, no entanto defende que os avanços «quer de gestão, quer de tecnologia mudaram o transporte aéreo» e podem levar a outras escolhas. «Há cinco anos não se pensava que os motores dos aviões iam ser silenciosos. E há 5 anos ninguém fazia ideia da expansão das companhias Low-cost».
«Há estudos alternativos para o Montijo, Tires, Sintra, Rio Frio, Beja. Podem ser aproveitados». No fundo o que "incomoda" o professor é o facto de «terem sido tomadas decisões ao longo anos, ao arrepio de todos os pareceres técnicos ou mesmo sem pareceres técnicos».
Portugal sem sistema de transportes integrados
Apesar de não ser técnico, o director do Departamento de Investigação de Defesa reconhece que ao falar «com eles (técnicos)», foi percebendo que Portugal não tem um sistema de transportes integrados: aeroportuários, ferroviários e portuários.
Na Ota, por exemplo, nunca poderá haver uma estação de comboios no aeroporto «como acontece nos melhores e mais modernos da Europa». Como a infraestrutura fica num leito de cheias é impossível uma linha ferroviária entre as pistas, que permita fácil acesso e serviço para os utentes. «A paragem terá de ser a três ou quatro quilómetros e os passageiros vão perder tempo no percurso».
A comparação com os transportes espanhóis é inevitável no livro. Por exemplo, «eles decidiram a alta velocidade (TGV) em 1986, quando entraram para a União Europeia. Nós ainda estamos nos traçados», defende.
«Vamos ter um gráfico de comparação com Espanha e é muito engraçado. Porque eles "decidiram" e "adjudicaram". Nós fizemos "reuniões" e "comissões"», termina.
Consciente da sua posição no Instituto de Defesa Nacional, o professor faz questão de ressalvar que o seu interesse pela Ota é «a título particular e não como fazendo parte de uma instituição».
Ota: «Estão a mentir-nos»
Ota: «Estão a mentir-nos»
2007/03/08 | 16:42 || Patrícia Pires
Eram tantas as vozes a criticar a Ota, que resolveu juntar, em livro, a opinião de especialistas. Conclusão é clara: novo aeroporto de Lisboa apresenta deficiências, sob uma «campanha de desinformação total»
O interesse pela Ota nasceu há pouco tempo e Mendo Castro Henriques deixou-se seduzir pela grande oposição em torno do novo aeroporto de Lisboa. «A comunidade científica tomou uma posição de cidadania - contra - e isso é uma novidade», confessa ao PortugalDiário.
Quanto mais falava com engenheiros, geólogos ou ambientalistas mais este director do Instituto de Defesa percebia que «a Ota é um caroço muito desagradável, quase um tumor. Por todas as deficiências e desvantagens que apresenta em relação à Portela e às outras possibilidades de localização» a Ota parece-lhe que devia ter sido a última escolha. «Porquê esta fixação na Ota?», pergunta.
Mendo Castro Henriques é doutorado na área da Filosofia, docente da Universidade Católica e, desde 2003, dirige o Departamento de Investigação de Defesa, do Instituto de Defesa Nacional. Para Abril, está prevista a publicação, pela editora Tribuna, do seu livro provisoriamente intitulado «Ota não! Portugal sim!». Um trabalho que vai reunir pareceres de toda a comunidade científica sobre o projecto.
Navegabilidade
«Por que é que a Força Aérea nunca aproveitou a Ota e mandou as esquadras de caças para Monte Real? Por que é que a Ota tem a pista mais comprida do país, 3600 metros?». «Pelas dificuldades de navegabilidade», em muito originadas pelo Monte Redondo explicou ao docente da Católica o Major General Kruz Abecassis, licenciado em engenharia e ligado à Força Aérea, onde desenvolveu vários estudos sobre navegabilidade dos aeroportos militares.
O professor Castro Henriques explicou também ao PortugalDiário que «nunca foi instalada uma estação meteorológica para conhecer os dados exactos da região». O que se sabe é por fontes indirectas e estas são claras: «A Ota tem um regime de ventos complicados, tem nevoeiros e uma exposição de luz solar incomparavelmente inferior à Portela».
E a insegurança dos aviões sobrevoarem zonas de Lisboa a baixa altitude? «Falso argumento». De acordo com o actual projecto do novo aeroporto da Ota «os aviões vão passar no Carregado como passam agora em Lisboa. A cidade tem já 30 mil habitantes, que podem duplicar, e prédios de 12 andares. Aí já não há perigo de queda?», questiona.
«Preparem os hidroaviões»
«Mas a Ota tem mais problemas», continua o professor, «um estudo de António Brotas, engenheiro do Instituto Superior Técnico, mostra que as pistas vão precisar de drenagem». A área é pluviosa, com uma concavidade. «Os poços de brita costumam ser usados nestas situações, mas aqui as três ribeiras em redor não desaparecem e pode acontecer como no túnel do Terreiro do Paço. O lodo sobe pelos poços e a água não desce. Ou seja, preparem os hidroaviões», afirma ironicamente.
Em seguida, o autor do livro recorda que o aeroporto vai ser construído «em leito de cheias o que vai exigir a remoção de um volume de terras equivalente a um campo de futebol com 13 km de altura».
«Estão a vender-nos uma mentira e é preciso que as pessoas saibam isso», acusa o professor. Há especialistas que defendem que «a saturação da Portela é uma campanha de desinformação total e que esta tem possibilidades de expansão» continua.
«Na Ota conseguiu-se fazer tudo errado, o que só mostra os interesses brutais que estão lá e aqui para a urbanização da portela».
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