Caldeirão da Bolsa

Off topic : As gerações de 70-80 terão o futuro hipotecado?

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por Pata-Hari » 8/3/2007 22:54

... a propósito da educação e das mulheres (hoje):

http://video.fr.msn.com/v/fr-fr/v.htm?g ... daires&fg=
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por figas7 » 8/3/2007 11:47

Claro que gosto do meu país, da sua história e das suas gentes.

Para abanar as consciências, por sermos eternamente um país adiado e para ver se sobram algumas oportunidades para os nossos filhos, é que trouxe o tópico à baila.

Quando me referi à espelunca, referia-me unicamente ao extremo de ingorvernabilidade que poderemos chegar, se entretanto não forem tomadas medidas adequadas.

Quanto mais viajamos, mais temos consciência do quão maravilhoso é este país e o quão limitado ele pode ser.

Para terminar um velho ditado do Mali” Sabe mais vale um jovem que tenha visitado 100 terras, que um ancião que viva 100 anos”.
Illusion is the first of all pleasures.
Oscar Wilde
 
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por MozHawk » 8/3/2007 0:20

Claro que exagerei MNValente lol! Mas é sempre melhor traçar um cenário péssimo e chegar à conclusão que afinal é menos mau do que se pensava inicialmente do que o contrário.

Quanto ao madeirense, deixe-me dizer-lhe que vivo na marginal e o supostamente seguro já foi. Faz parte da história. Os brasileiros não estão a exportar para cá apenas as novelas e a IURD. O crime violento veio para ficar. Até porque os criminosos começaram a sair dos musseques para o resto da cidade. À noite é só Ninjas na rua, porque será? Isso e amigos meus serem assaltados à mão armada - vários indivíduos - quer à luz do dia na rua do Trópico no meio do trânsito com pistola no vidro do carro ou na baixa da cidade, junto à Lusíada, pelo mesmo método...

Um abraço,
MozHawk
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por acintra » 8/3/2007 0:18

Este problema tem origem na mentalidade do Tuga, independentemente da geração.
O Tuga gosta é de um emprego e não de trabalhar, de feriados e pontes, as tolerâncias de ponto, de baixas mesmo que fraudulentas, do subsidio de desemprego, das greves, dos sindicatos, de fugir aos impostos...
- Porque não acabar por exemplo com as pontes/tolerançia de ponto e o dinheiro que não se perde reverte a favor da Seg. Social (vinha o sindicato e povo dizer que é injusto).
- Porque não só atribuir subsidio desemprego a partir dos 35 (vinham logo reclamar com direitos) Então mas com 35 não se arranja trabalho?
- São preciso 1.500 professores a trabalhar para os sindicatos e não dão aulas? (argumentam que se não não tem quem organize as manifs e distribua os folhetos)

São alguns cassos dos infinitos que poderiam mudar este Portugal que Eu amo. Agora todos temos de contribuir e pensar no futuro.

Podemos criar mais postos de trabalho se o comércio das nossas cidades fechar mais tarde e abrir aos sábados e domingos. Somos um pais de Turismo e a baixa está fechada á noite e ao domingo? Aqui talvez perceba porque falam na minha querida NY.

A Saúde pode diminuir despesas e melhorar equipamento, por exemplo com empresas a patrocinarem a compra de novas viaturas para o INEM. (viaturas que diziam apoio do bancoX, empresa Y...) Não choca de certeza e essas empresas para alem de terem vantagens nos impostos são bem vistas pela comunidade.

Infelizmente o que ouvimos normalmente são as pessoas a queixarem-se em vez de aproveitarem os problemas para criarem novas ideias.
Um abraço a todos os que continuam a acreditar que ainda é possivel, pois somos já poucos que falamos com orgulho de Portugal.
 
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por Madeirense » 8/3/2007 0:03

Não se preocupe MNVALENTE, foi exagero do MozHawk. A não ser que ele viva nalgum muceque....o centro de Luanda é relativamente seguro. Aliás para alguém como eu que viveu em S. Paulo, e depois viveu em Luanda, esta é um oásis!
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por mval2002 » 7/3/2007 23:19

MozHawk Escreveu:Pois bem-vindo a Luanda! A grande aventura está quase a começar. É bom trazer armadura, colete à prova de bala, pensar num carro blindado e com vidros à prova de bala, lenços perfumados, etc e tal...


:? Isto é a sério ? É que ainda vou a tempo de anular a viagem :)
 
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por mval2002 » 7/3/2007 23:06

Caro Fanhecas,

Não me estava a referir a todos os alunos do superior neste momento, nem sequer a todos os alunos do superior politécnico. Nos últimos anos dei aulas numa escola politécnica e passaram por mim dezenas de excelentes alunos que serão concerteza bons profissionais.

Estava-me a referir à pressa com que o min-edu quer oferecer graus aos 75% de portugueses activos que não completaram o 12º ano. Entre outras medidas encontra-se a medida dos "alunos maiores de 23 anos" que permite a pessoas que não completaram o 12º ano entrar directamente para o ensino superior.

A medida teoricamente pode ser boa, mas na prática faz com que as escolas admitam alunos claramente sem preparação para cursos técnicos. Posso ensinar Engenharia Civil a quem não sabe somar dois vectores? Posso ensinar física a quem não sabe resolver uma equação com uma incógnita?

Se ainda não ouviu falar do milagre dos centros de validação de competencias para adultos vai ouvir concerteza, uma vez que será a maior campanha publicitária alguma vez paga pelo Estado em Portugal (dizia hoje o JNoticias). Objectivo? Oferecer o 12º ano a 1 milhão de portugueses... 1 MILHÃO!!!

Isto não afecta as grandes escolas do litoral, mas afecta gravemente as escolas do interior e as pequenas privadas. Era desse panorama do superior que eu falava, e claramente não pretendia com isso menosprezar toda uma geração, até porque ainda faço parte dela (tenho 29 anos).

Bons estudos e bom trabalho
 
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por Pata-Hari » 7/3/2007 22:55

mas eu não confuso educação com diplomas.... eu falei em educação e não em diplomas.
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por devastador » 7/3/2007 22:44

É verdade Pata- Hari!! Mas quantos licenciados tínhamos em 1974? Quantos temos agora?
Também não vamos progredir por passarmos diplomas à população!!! Esses diplomas têm que representar verdadeiramente o que eles sabem!!! Antes do 25 de Abril uma primária era importante!! Agora tenho alunos razoáveis no 7º ano que nem metade de 52 sabem!! E nem a conta de dividir sabem fazer!!!
Tenho uma Ministra da Educação que se preocupa em poupar dinheiro e não altera o que está mal na educação!!! 3 horas de Matemática no 3º ciclo?!! Lá fora são 5 horas!! Tive reunião de Departamento e cheguei a casa eram sete horas!! Tive que ouvir a delegada a chatear-me por estar atrasado no programo (e nunca faltei)!!! Como é que posso avançar sem os alunos evoluírem como eu pretendo?! Depois há na escola trmas do 9º com uma percentagem muito elevada de negativas(não são minhas :mrgreen: ) e querem recuperar os alunos!!!Já é tarde!!!
Como não quero problemas vou fazer o que os meus colegas dizem. Avança!!! Vou avançar tendo o dobro do trabalho (fiz fichas de trabalho de revisões e ando a corrigir em casa e depois ainda dou a correcção em fotocópia).
EU tenho amigos que foram pelo projecto Erasmo para fora do país e eles foram os melhores entre os seus colegas estrangeiros!!
Lá foram diziam estuda a página 12, 27 e 54 para o exame. Cá dizem: "estuda o livro para fazer depois ires à oral".
Para que haja um vencedor tem que haver um perdedor.
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por MozHawk » 7/3/2007 22:38

MNValente,

Pois bem-vindo a Luanda! A grande aventura está quase a começar. É bom trazer armadura, colete à prova de bala, pensar num carro blindado e com vidros à prova de bala, lenços perfumados, etc e tal... Quanto ao processo de Bolonha, estou completamente de acordo. Os resultados das reformas do ensino levadas a cabo por Cavaco Silva deram os resultados que deram - melhorámos nas estatísticas à custa da degradação progressiva da qualidade - e agora, no que parece ser uma tentativa de competir com o blogo anglo-saxónico, tudo ao monte e salve-se quem puder. Cada vez mais faz-me confusão lidar com licenciados de reputadas universidades públicas - e privadas - nacionais cuja dificuldade para o cálculo mental é atroz. Licenciados de vários ramos de Engenharia e Economia/Gestão. Imagine-se o resto...

Quanto ao facto das gerações estarem já hipotecadas referia-me, em concreto, ao facto do nível de endividamento dessas gerações ser de tal forma elevado que trabalharão a vida toda para pagar as suas dívidas. Daí que seja natural que fiquem incomodados pelo facto de terem que comparticipar para o todo colectivo. Não chega para tudo, é bem verdade. A culpa é, de facto, do Estado. Esse grande malfeitor e esbanjador nato do erário público. Ainda quanto às hipotecas, o problema poderá não ser assim tão grave porquanto basta esperar que as gerações anteriores, as mais velhas, as da vidinha, estiquem o pernil resolvendo assim, provavelmente, dois problemas: a insolvência do Estado e a insolvência pessoal... Não é maravilhoso? Esses empatas, origem de todos os males e problemas, tornarem-se assim, de repente, na resolução de todos os problemas?

Quanto ao meu querido país - deve ser coisa de emigrante, não ligue - por muitas críticas que lhe possa fazer, jamais referir-me-ei à minha terra como espelunca. Não é por mais nada mas, quanto mais não seja, é aí que estão todos os meus enterrados e merecem-me um mínimo de respeito (já para não falar dos vivos...).

Só para terminar que isto já vai longo, é perfeitamente natural que nem toda a gente tenha ficado satisfeita com a derrota da OPA sobre a PT. Acontece. É a vida.

Um abraço,
MozHawk
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por Pata-Hari » 7/3/2007 22:08

sem querer ser mázinha eu atrever-me-ia a dizer que isso se consegue com a educação da nossa população. A estrutura que tudo permite é essa.
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Portugal...

por devastador » 7/3/2007 21:41

Nasci no belo ano de 1966. O meu pai trabalhou na CELBI (empresa de celulose comprada agora pela ALTRI). A Celbi pertenceu á multinacional Sueca STORA (empresa criada por judeus). Os engenheiros suecos vieram para Portugal e trouxeram rolos de papel higiénico nas suas malas, pois pensavam que por cá não havia!!!
Moral da estória: "pensavam que isto era uma ***** e ficaram agradavelmente surpreendidos :shock: !!!Eles até tinham papel higiénico!!!
No final de contas, o país era uma ***** em relação à Suécia mas tinham descoberto que Portugal pertencia à Europa e não a África!!!
Eu 1976, o meu pai estava a pagar uma casa e comprou um carro!!! Um opel 1204!!! Apareceu na sua terra natal, como sendo uma das poucas pessoas a ter carro :mrgreen: !!! Nessa época, nas vindimas, os puceiros (agora sacos de plástico) eram levados num carro de bois :shock: . O tractor só começou a aparecer nessa altura!!! Bolas, extinguiram o boi :( e agora qualquer um tem um tractor!!! Na vila, o normal é as pessoas terem agora dois carros, pelo menos!!!
Passámos rapidamente da idade da pedra LASCADA para o século XXI!!! Descobrimos que podemos ter casa de férias no Algarve, duas em Coimbra, uma moradia na santa terrinha e uma outra na Figueira da Foz, com vista para o mar!!! Foi a época das DESCOBERTAS para os meus pais e para mim!!!
Nem tudo foi bom!!! Descobri que podia viajar e conhecer outros países mais ricos que o meu :( !!!
Conclusão: "ter dinheiro para viajar é chato porque descobrimos novas realidades". Descobrimos que a Espanha nunca foi um país atrasado como o nosso!!! No início da década de 80 estaria entre as 10º potências industriais do Mundo!!!
Entrámos na UE e descobrimos que somos pobres!!! Esquecemo-nos facilmente do passado recente (20 a 30 anos)!!! Somos como uma criancinha que descobriu um brinquedo do amigo rico e agora quer ter o direito de ter os mesmos brinquedos do amigo!!!
Conclusão: a ***** de país é relativa...
O que é preciso é transformar este país num país mais justo, onde haja uma distribuição da riqueza de forma mais igualitária. Só assim poderemos pensar num futuro melhor...
Para que haja um vencedor tem que haver um perdedor.
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por Madeirense » 7/3/2007 18:03

Sem querer entrar em grandes conflitos de gerações, mas como sendo duma geração anterior (de 50) não posso deixar de responder à "provocação (?)" do Figas.
Eu precebo que o amigo tenha um imenso medo de inflações a 45%, grandes instablidades sociais etc etc, claro!!! não está habituado...pergunte ao papá como era nos idos de 70 e 80. E sabe porquê? Porque se comparar o que a geração do seu papá recebeu e o que vai transmitir a si, não há por onde comparar. Pegue em qualquer manual estatístico e compare PIB de Portugal 1970 com PIB de Portugal 2005, e verá a injustiça do que afirmou.
Mas no fundo eu percebo-o, se calhar o melhor era não termos feito nada e deixarmos que a "maravilhosa" geração dos 80 e 90 o fizesse.
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por fanhecas » 7/3/2007 16:12

MNVALENTE Escreveu:Três notas rápidas:

Quanto à educação, o problema dos 75% sem o 12º ano está quase resolvido com os centros de reconhecimento e validação de competencias (acho que é este o termo técnico). Tens a 4ª classe? queres completar o 12º? Inscreve-te para uma formação em cidadania, Informática, Matemática e Portugues e reconhecemos-te o 12º ano.

A falta de licenciados? O ensino politécnico dada a falta de alunos e excesso de funcionários (crescimento descontrolado nos finais dos 90) vê-se forçado a recrutar alunos com o estatuto de "alunos maiores de 23 anos". Passo a explicar, tens mais de 23 anos? sabes ler? tens dinheiro para uma propina? Então anda estudar no politécnico. Basta uma entrevista e um testezito e entra-se no superior hoje em dia.Para sair do superior não há de ser muito complicado quando as chefias no min-edu se aperceberem que afinal estes alunos não vão a lado nenhum e for necessário passá-los de ano para o bem de Bolonha.

Segunda nota, vou fazer companhia ao MozHawk em breve :)

Finalmente, caro paulodias, o desgosto não é por sermos inferiores a alguns países, o desgosto vem de podermos ser muito superiores ao que somos, termos tido imensas oportunidades para o sermos, podermos fazer essa diferença todos os dias... e no entanto continuar a nivelar por baixo.

Um abraço


Caro MNVALENTE ,

Não sei o que faz na vida, quais as suas competências, bem como desconheço o seu grau académico, e mais ainda outras intervenções neste fórum, apenas me vou referir a esta, que para apresentação de Vossa Exa. não me ajuda muito a tê-lo em conta e sabe porquê? :wink:

Porque sou aluno de bolonha e tenho muito orgulho em o ser, bem como de muito me orgulho, de todos os meus colegas, todos eles excelentes profissionais, e todos eles são bem mais do que "pagantes de propinas" porque tem umas "coroas a mais"! :!: :!:
Umas das coisas que já aprendi em bolonha, foi o facto de falarmos apenas de uma realidade que conhecemos, o que feita a leitura do seu texto, não acontece em relação à sua pessoa. :roll:
Saída profissional ?
Posso lhe indicar que muito provavelmente tem na sua empresa ou a interagir consigo, um professor meu ou mesmo algum colega meu, que se tenha formado.
Acho uma falta de elegância da sua parte, o menosprezo com que escreve sobre uma geração que pode dar mais e melhor, e eu sei que Vossa Exa. sabe disto, dai que entenda em alguma parte o que escreve.
Nunca fui indelicado com ninguém do fórum, não tenciono ser, não é com esta minha resposta com que tenciono fazê-lo, não tome a mal a agressividade, no fundo eu só quero com isto dizer, que a triagem de aprovação não é tão linear como escreve, e fique sabendo que com o processo de bolonha, o trabalho pratico, faz mais que muitas teorias por si concerteza ouvidas, mas que em final de curso foram esquecidas...ou pelo menos parte delas foram concerteza! :mrgreen:
Volto a referir o orgulho em pertencer a uma geração que pode dar em conjunto com outras já existentes, uma dinâmica de igualdade perante países concorrentes, fazendo quem sabe desta forma, uma marca na geração que deu o mote a este conjunto de post.

Cumps

FAnhecas

:arrow: :wink: :!:
Aproveitar as descidas e curtir as subidas
 
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por Keyser Soze » 7/3/2007 13:32

O ICAM deu 648.500 euros ao filma 'Vanitas' de Paulo Costa. Teve 493 espectadores. Dá 1315 euros por cada um. Défice? Desperdício? Naaaaa. País rico, só pode.

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por Keyser Soze » 7/3/2007 11:19

privatizar as autarquias ? ehehe

neste pais nem sequer se consegue privatizar a RTP, prefere-se enterrar lá 220 milhões de euros todos so anos (em subsidios) e ainda assim a empresa acabar sempre com prejuizo
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Algumas "ideias para mudar o curso da história"

por gonzaga » 7/3/2007 11:10

Colegas do caldeirao,

Sou da geração de 80 e para mim não existe o risco de ter o futuro hipotecado, é um dado adquirido que o tenho...

Não vou chover no molhado, mas sim apresentar algumas ideais que me parecem ser interessantes :

a) Privatização da segurança social : possibilidade de "opting-out" total; Quem esta dentro do sistema deve poder sair e da mesma maneira quem esta fora deve poder entrar (apesar de ninguem o fazer no seu perfeito juizo e por isso é obrigatório).

O "opting-out" liberta o utente de qualquer encargo com a segurança social e tambem lhe retira o direito de a utilizar.

b) Descida geral dos impostos relativos ao rendimento e privatizaçao da sua cobrança; Quanto mais créditos o Estado vender melhor eles serão cobrados...

c) Privatização das autarquias : o Estado deve vender contratos de concessão das autarquias a empresas privadas garantindo os objectivos sociais legitimos.

Eu sei que algumas destas ideias faziam corar o Compromisso portugal....
 
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por Dark » 7/3/2007 10:50

Caro Mech,

Não posso estar mais de acordo.

Já aqui o disse noutras ocasiões. Há um problema de educação e outro de formação, "que não é a mesma coisa" já o dizia um sábio avô que tive.

A única forma de começar a resolver o problema é "impôr" uma cultura de exigência a todos os níveis.

E tentar ser simples.

Se todas as novas gerações forem "apertadas" ao nível da exigência quer ao nível da educação - difícil, pois uma grande parte dos que hoje são pais, não a tiveram - quer ao nível da educação - menos difícil mas problemático pois muito do corpo docente de Portugal actualmente não é bem formado nem está muito motivado - talvez começemos a ver Portugal "cumprir o seu destino" como o canta Chico Buarque.

Estas terão que ser apostas geracionais e não de ciclos político-eleitorais de 4 ou menos anos.

Este é um problema que demorará no melhor dos casos uma geração a endereçar (30 anos) e provavelmente não será para o meu tempo.

Há uma frase na parede de um quartel de bombeiros do Porto, dita por um comandante no dia da inauguração, que mostra um pouco o que acabo de dizer, mas com alguma poesia :

"Que os vindouros nos perdoem pelo facto de não termos sido mais ousados"

Eu não saberia dizer tão bem.
Cmpts
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Quando lhe mostramos a Lua, o imbecil repara no dedo ...
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por The Mechanic » 7/3/2007 10:26

O problema e a virtude de Portugal , para o bem e para o mal , é que o país está cheio de Portugueses .

A geração de 70/80 , filhos de pais que pouco tiveram em termos de bens materiais ,cresceu à sombra do 25 de Abril ,na cultura do "nós temos direito ! " , fruto da falta deles no periodo Salazarista .

As pessoas que antes do 25 de Abril , se limitavam a viver a vidinha , de repente passaram a ter direitos e a exigir .
Tal como meninas enclausuradas em escola de freiras, quando sairam para a rua , ficaram malucas .As pessoas não sabiam lidar com "os direitos " . Não foram "educadas" pra isso .

Quando começou a chover dinheiro da CEE , as pessoas "adquiriram" que era direito delas , gastar o que não tinham . E quanto mais enganassem o Estado ( cicatrizes recentes ) , melhor !! Os que tinham dinheiro , receberam subsidios para modernização e compraram gijes . Os que não tinha , endividaram-se até ao tutano na banca . Afinal, tunham direito a carro, casa, férias e tudo o mais que viam agora nas televisões a cores .
E o dinheiro continuava a chegar .

A geração de 70/80 cresceu embuida desta "cultura" , sem objectivos, sem desejos ,nem projectos , nem ambição . A chamada Geração Rasca . Quem é dessa altura , sabe do que falo .

Hoje, a Geração Rasca , à parte os Velhos Dinossauros ,está no poder do nosso país , na gestão das nossas empresas . São esses que criam empregos(?) , conduzem empresas , autarquias e o país inteiro .

Eu odeio que digam mal de Portugal !
O nosso país é aquilo que fazemos dele !! Todos , a começar por quem dele mal fala e nada faz para o "melhorar" . E a acabar em quem o adora, aos seus monumentos , à sua história , à sua cultura ,às suas gentes .


O problema e a virtude de Portugal , para o bem e para o mal , é que o país está cheio de Portugueses ...



Um abraço ,

The Mechanic
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- Aristoteles

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por paulodias796 » 7/3/2007 4:04

mas eu nunca disse que não.. se calhar nao me entenderam foi bem.
mas eu explicito. só acho que deviamos parar de vez de fazer o papel dos coitadinhos(ou rejeitados da globalização) muitos nao concordarão comigo quando digo que Portugal nao é tão mau como se quer fazer pareçer(e eu adorei Nova Iorque para acabar com especulações de uma vez lol) mas tambem vos digo que nao ha nada como a volta a este pequeno pedaço de terra à beira-mar algures esqueçido no mundo mas que para mim é dos sitios mais bonitos onde se pode viver (muito discutivel outra vez, eu sei ) mas o que para uns é discutivel é tambem facto assumido para outros.. depende dos gostos e das vontades :d cumprimentos
 
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por afonsinho » 7/3/2007 3:52

Isso é certinho. Tenho 23 anos portanto também faço parte desta geração.

As cartas são muito simples e já estão na mesa. Ou durante os anos de vida em que estás activo fazes um ninho (o caldeirão de bolsa pode ajudar nisto :P) e uma "reforma privada" ou então trabalhas até perto dos 80 anos e vais receber uma reforma com valores muito descutíveis.

Ha muito que se sabe que a sustentabilidade do nosso sistema de segurança social não é viável. Vontade política para alterar alguma coisa? Pouca, não vá isso custar votos e a oposição fazer muito barulho. E como eu não acredito que se vai descobrir grandes quantidades de petróleo em Portugal, nem vai chover dinheiro num futuro relativamente próximo as coisas só tendem a piorar.


P.S. E também não percebi essa do NYC... já lá estive 3 vezes e sinceramente gosto do caos, mas isso depende dos gostos e esses não se discutem.
Agora se tem a haver com este tópico em particular, acho que 10 dias dá para absorver pouco em relação a um tema tão complexo como este. A segurança social nos USA é um sistema misto(privado/estado) e nem tem os mesmos moldes em todos os estados. E por muito que custe algum dia vamos ter de evoluir para um sistema parecido, mais tarde ou mais cedo, quanto mais tarde... mais vai custar!
 
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por mval2002 » 7/3/2007 0:41

Três notas rápidas:

Quanto à educação, o problema dos 75% sem o 12º ano está quase resolvido com os centros de reconhecimento e validação de competencias (acho que é este o termo técnico). Tens a 4ª classe? queres completar o 12º? Inscreve-te para uma formação em cidadania, Informática, Matemática e Portugues e reconhecemos-te o 12º ano.

A falta de licenciados? O ensino politécnico dada a falta de alunos e excesso de funcionários (crescimento descontrolado nos finais dos 90) vê-se forçado a recrutar alunos com o estatuto de "alunos maiores de 23 anos". Passo a explicar, tens mais de 23 anos? sabes ler? tens dinheiro para uma propina? Então anda estudar no politécnico. Basta uma entrevista e um testezito e entra-se no superior hoje em dia.

Para sair do superior não há de ser muito complicado quando as chefias no min-edu se aperceberem que afinal estes alunos não vão a lado nenhum e for necessário passá-los de ano para o bem de Bolonha.

Segunda nota, vou fazer companhia ao MozHawk em breve :)

Finalmente, caro paulodias, o desgosto não é por sermos inferiores a alguns países, o desgosto vem de podermos ser muito superiores ao que somos, termos tido imensas oportunidades para o sermos, podermos fazer essa diferença todos os dias... e no entanto continuar a nivelar por baixo.

Um abraço
 
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por MozHawk » 6/3/2007 20:52

Meu caro Figas,

As gerações de 70 e 80 não terão, já têm o futuro hipotecado. É só olharmos à nossa volta.

Quanto ao êxodo, é uma realidade que nos últimos 2 anos, com particular destaque para 2006, nunca se viu tanto português a arribar por estas bandas.

Um abraço,
MozHawk
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por Paulo_Alex » 6/3/2007 20:27

Somos pobres? Desgraçadinhos? Bem, não vou muito por aí, mas afinal historicamente quando é que fomos ricos?

Para mim, ricos fomos por 3 vezes:
- com o monopólio de especiarias da Índia;
- com o ouro do Brasil;
- Com a entrada na CEE (aqui ricos relativamente...).

Concordo que a solução para a riqueza da nação está somente na formação da sua população. Não no petróleo, ouro ou diamantes. O petróleo complementaria somente, como acontece na Noruega e UK.

O melhor exemplo, na minha opinião, do potencial que uma população esclarecida pode dar a um país é o Japão. Não tinha matérias primas, mas tinha um objectivo de invadir comercialmente o ocidente e consegui-o, à base de vontade férrea de um povo, de auto-disciplina tipicamente oriental e obviamente de formação das pessoas. A Coreia do Sul é outro exemplo. E outros haverá.

Diz-se que há 2M de portugueses a viver no limiar de pobreza em Portugal. Pergunto-me o que seria de Portugal se estes 2M tivessem formação e tivessem a clarividência de criar riqueza como bons portugueses? Fariam diferença concerteza...

Também já fui a NYC e continuei a gostar daquilo que gostava em Portugal.

O que reconheçi em NYC foi a sensação de se respirar dinheiro. Há-o e aos montes. Reconhece-se isso em tudo. Nos edifícios, nas pessoas, nos restaurantes, nas lojas exclusivas. Se calhar era isto que o Keyser queria salientar.

Reconheço a necessidade de se salvaguardar algumas questões sociais, mas rejeito por completo alguns ideais de esquerda. Quando oiço nas televisões falar no "grande capital" que explora os trabalhadores, etc e tal, faz-me lembrar um episódio contado por uma pessoa já com 77 anos, do qual conto por alto aquilo que de me lembro:

Nos anos loucos da revolução de Abril, quando surgiu a febre de nacionalizar tudo e mais alguma coisa, também numa fábrica não sei aonde, os trabalhadores organizaram-se e revoltaram-se contra o Dono de Empresa.

Abaixo a exploração, diziam. O poder aos trabalhadores. Morte ao patronato.

E no meio daquela febre o patrão com medo de perder a própria vida delegou tudo naquela cambada e fugiu para o Brasil.

Muito bem, e o que aconteceu a seguir? Apesar de os trabalhadores terem conhecimentos nas suas tarefas mecanizadas que cada um fazia, nenhum deles percebia um chavo de contactos comerciais, negociação com clientes e fornecedores, planos de pagamentos, etc, etc, etc.

Acabada a febre nacionalista acabaram por contactar o antigo e legítimo patrão incitando-o a voltar para gerir a fábrica em situação caótica e de quase falencia...

O grande capital, para mim, não é um mal a exterminar, mas sim um bem que devia ser muito maior, pois cria mais riqueza e cria emprego, criando estabilidade e prosperidade. Que hajam muitos mais Belmiros, Berardos, Mellos, Teixeiras dos Santos. É urgente!

Um abraço a todos e isto é apenas uma opinião.
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por fanhecas » 6/3/2007 12:53

Caro Figas,

para quem diz que só tem um toque pequeno de esquerda não foi nada mau...
Posso dizer que já li muito por aqui, comentários de excelência, gráficos brutais e bem explicados do JAOR, análises boas e quase ao segundo do DAX, explicações muito boas do mais básico ou mais estruturado, ganhei por aqui amigos, outros já que estavam, e quando peço ajuda, sejam eles admistradores ou meros curiosos, ajudam na hora, por isso sou fã deste forum 5 estrelas.
Mas tudo isto para dizer, que este texto não o vou esquecer tão cedo, quer pela sua crítica, pela sua emoção, pela sua indignação, pela sua magnitude, pela sua "arrogância" e pela sua liguagem "rude". directa, com uma escrita que simplesmente, faz por momentos esquecer qualquer activo financeiro, e nos faz agradecer o presente, mas acima de tudo, faz com que cada um de nós faça uma leitura e perspectiva do futuro...sim porque eu sou da geração de 80.
Compete cada um de nós passar das palavras ás acções.
Mais uma vez bravo caro Figas e muito bem vindo :clap: :clap:


FAnhecas.

Ps: eu não tenho um toque, eu sou mesmo canhoto camarada! :twisted: =;
Aproveitar as descidas e curtir as subidas
 
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