Caldeirão da Bolsa

Jeronimo Martins desconfiança de rendeiro ?

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por petar » 15/3/2007 12:04

ah, e esqueci-me do do Lepper - o Samoobrona, partido da auto-defesa!
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por petar » 15/3/2007 12:02

Não necessariamente JAS. E para comprovares isso basta fazeres uma busca e verás que houve, há e continuará a haver uma boa cobertura à expansao Polaca da JMT.

Deixa-me contudo que te diga, com conhecimento de causa, que agora isto anda calminho porque o governo e a presidência polaca estão sob controlo dos conservadores (Liga das familias polacas LPR e Lei e Justiça PiS) que não deixam de ser fascistas encapotados e como tal repressores dos direitos das massas. Mas isto pode mudar. E quando mudar mais casos contra a Biedronka (e outras que tal) podem aparecer.
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Re

por JAS » 15/3/2007 11:45

petar Escreveu:Sabes que na Polónia a Biedronka apesar de estar em todo o lado e de facturar largo tem mau nome devido aos constantes abusos dos direitos dos trabalhadores (um pouco à continente aqui na terra)?
Acho que já foram condenados algumas vezes mesmo...

Os nossos jonalistas, pseudo intelectuais de esquerda, costumam dar muito mais realce as essas notícias sem importância do que ao facto da JMT ser lider no ranking da distribuição na Polónia e da Biedronka ser um sucesso...

Um abraço,
JAS
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por petar » 15/3/2007 11:43

One of the clear examples of abusing the difficult situation of employees is the case of
Biedronka, a supermarket chain owned by the Portuguese company Jeronimo Martins. The
Labour Protection Council’s control confirmed that Biedronka’s employees were forced to
work for over 20 hours a day, which was not treated as overtime, and consequently not paid
for as such; moreover, the employees were utilised to the extent of their ability and had to fill
in several positions at the same time. Women and underage employees were forced to work
with pallets of several tons’ weight, because the company cut the costs of purchase of
forklifts usually used for transporting pallets. At the same time, Biedronka creates the image
of a customer-friendly company and advertises its commodities as the cheapest in all of
Poland. Also, other large shopping chains were found by the Council to be guilty of various
inadequacies and employee abuse. Frequently, these institutions are described as modern
labour camps, and the term sweatshop, used to illustrate the practices of the Nike company
in Indonesia, can be used to describe our local experiences as well.

in "Opportunities and limitations of CSR in the
postcommunist countries: Polish case"
http://www.eabis.org/LewickaStrzaleckaC ... ublic.aspx

"Símbolo do abuso dos direitos laborais", diz ONG


"A Biedronka é hoje, pouco mais ou menos, o símbolo do abuso dos direitos dos trabalhadores na Polónia". Quem o diz é Adam Bodnar, coordenador do programa de litigação estratégica da Fundação de Helsínquia para os Direitos Humanos, organização não governamental presente em Varsóvia desde 1993, e que tem acompanhado de perto os processos contra a Jerónimo Martins (JM).

Esta imagem assenta em Bozena Lopacka (ver entrevista na página ao lado), a primeira ex-trabalhadora a exigir em tribunal uma indemnização de oito mil euros por 2600 horas extraordinárias. Vista como "o símbolo da luta contra a exploração dos trabalhadores pelo capitalismo selvagem", deu o pontapé de saída no que se tornaria um processo crescente de queixas por alegados abusos de direitos laborais.

A JM reconhece a existência de 45 queixas, e a Fundação de Helsínquia admite que o número seja esse, dado que "a empresa tem chegado a acordos extrajudiciais mediante, por exemplo, o pagamento de metade das indemnizações ". Refira-se que Bozena Lopacka ganhou o processo em primeira instância, mas o Tribunal de Apelação mandou - por "questões factuais", diz Bodnar - repetir o julgamento, que não tem ainda data.

Para a Fundação, este é um caso importante pelo "efeito motivador que está a ter sobre outros trabalhadores da Biedronka" e porque "poderá servir de exemplo às restantes cadeias estrangeiras". Segundo Adam, a dimensão do "caso Biedronka" obrigou, inclusive, o Estado a reagir, "estando em discussão no Parlamento legislação para reforçar as competências da Inspecção-Geral de Trabalho, que praticamente está limitada à aplicação de multas que rondam os mil euros por loja". Isto apesar de os relatórios das inspecções "terem detectado abusos em cerca de um terço das lojas, a nível da segurança dos trabalhadores, forçados a carregar pesos imensos, e a nível do não pagamento de horas extra".

A Procuradoria, por seu turno, "deu início a um processo de investigação às práticas de trabalho na Biedronka para apurar se os abusos eram acções isoladas ou constituíam um sistema como forma de potenciar os lucros", refere Adam Bodnar. "Se isto se provar dará origem a um processo-crime contra a administração da empresa", diz.

Mas este não é um problema exclusivo da JM. Os responsáveis da cadeia alemã Kaufland estão a ser sujeitos a igual investigação. O próprio inspector-geral do Trabalho afirmou no Parlamento que os seus serviços haviam encontrado irregularidades em mais de metade das visitas feitas a supermercados em 2004. "Foi impossível avaliar a dimensão total dos abusos devido à falta de cooperação dos empregados que temem pelos seus postos de trabalho", disse, apontando "as pressões das sedes das cadeias para manter o emprego e os custos no mínimo" como uma das causas das irregularidades.

in http://dn.sapo.pt/2005/05/16/suplemento ... s_ong.html
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por petar » 15/3/2007 11:33

JAS,
Sabes que na Polónia a Biedronka apesar de estar em todo o lado e de facturar largo tem mau nome devido aos constantes abusos dos direitos dos trabalhadores (um pouco à continente aqui na terra)?
Acho que já foram condenados algumas vezes mesmo...
a reter
Abraços,
Pedro Petar
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JMT

por JAS » 15/3/2007 11:31

Ulisses Pereira Escreveu:Estou muito curioso para ler o que o JAS tem a dizer sobre isto, ele que tem sido um dos maiores defensores da JM e um dos que mais tem lucrado com isso


Sempre me pareceu que, mais tarde ou mais cedo, o BPP teria que sair da JMT e que seria deste modo pois, neste caso, não era possível arranjar um comprador para uma posição minoritária sem quaisquer hipóteses de OPA.

Sendo assim temos que encarar a saída do BPP como uma venda de uma participação financeira, onde realizou fortes mais valias, e a sua substituição por outros institucionais que terão reforçado ou tomado posições.

Nada de grave, sob esse ponto de vista, pois a venda de uma participação financeira não implica qualquer perda de valor para a JMT.

Continuo a pensar que ainda faltam as duas notícias na JMT:
- Entrada da Biedronka na bolsa polaca;
- Venda dos 49% da Ahold na JM-Retalho.

Muito provavelmente a JMT irá deixar de andar sob controle apertado e agora talvez se torne mais aplicável a AT.


De qualquer forma a saída do BPP, embora mantendo ainda uma posição relativamrente forte, poderá querer indicar que eles não esperam uma tão forte valorização nos próximos tempos e que vão apostar noutro título.
Muito provavelmente será a GALP, onde a presença de 2 grupos com posições similares, que me parece apetecível para um BPP que gosta de funcionar como "árbrito".
"Árbrito" quando eles começarem a andar à pancada coisa que, mais tarde ou mais cedo, deverá vir a acontecer...

Um abraço,
JAS
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Petroleo na JM

por Crash » 26/2/2007 12:57

Afinal a JM também pode ter petróleo nas caves dos seus "hipers" :mrgreen:

Abraços
Crash


In jornaldenegocios.pt

"Holding" do sector petrolífero adquire 10% da Jerónimo Martins
A Jerónimo Martins comunicou hoje ao mercado que a Heerema, uma "holding" ligada ao sector petrolífero, adquiriu, através da Asteck, uma posição de 10% no seu capital social. Esta posição representa dois terços da participação alienada na sexta-feira pelo Banco Privado Português, liderado por João Rendeiro.

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Paulo Moutinho
paulomoutinho@mediafin.pt


A Jerónimo Martins comunicou hoje ao mercado que a Heerema, uma "holding" ligada ao sector petrolífero, adquiriu, através da Asteck, uma posição de 10% no seu capital social. Esta posição representa dois terços da participação alienada na sexta-feira pelo Banco Privado Português, liderado por João Rendeiro.

A "Jerónimo Martins comunica que foi hoje recebida, na sua sede social, informação da Asteck, com sede no Luxemburgo, de que, em 23 de Fevereiro de 2007, adquiriu, fora de bolsa, 12.585.900 acções da Jerónimo Martins, representativas de 10% do capital social".

A Asteck é uma companhia controlada a 100% pela Heerema Holding Company, a quem é assim imputada a participação e os respectivos direitos de voto na Jerónimo Martins.

A Heerema é uma "holding" que opera na indústria de petróleo e gás, e que opera nos mercados de construção e infra-estruturas.

No final da semana passada o Banco Privado Português, liderado por João Rendeiro, alienou 15% do capital da Jerónimo Martins, mantendo ainda uma participação de mais de 6% na retalhista.

A posição adquirida pela Heerema foi adquirida no mesmo dia em que Rendeiro vendeu parte dos seus títulos.

Na negociação de hoje as acções da Jerónimo Martins [Cot] seguem a valorizar 0,72% para os 19,47 euros, aliviando assim da queda de 1,58% da última sessão da semana passada
 
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por Keyser Soze » 26/2/2007 10:39

COMUNICAÇÃO RELATIVA A PARTICIPAÇÃO QUALIFICADA
Nos termos e para os efeitos do nº 1 do art. 17º do Código dos Valores Mobiliários,
Jerónimo Martins SGPS, S.A. (Jerónimo Martins), comunica que foi hoje recebida,
na sua sede social, informação da Asteck S.A., com sede no Luxemburgo, de que,
em 23 de Fevereiro de 2007, adquiriu, fora de bolsa, 12,585,900 acções de
Jerónimo Martins, representativas de 10,00% do capital social.
Como resultado da transacção acima descrita, Asteck, S.A., declara deter um total
de 10.01% dos direitos de voto na Jerónimo Martins. Esta percentagem foi obtida
no pressuposto que a sociedade detém 171 800 acções próprias, o que se
confirma.
Asteck, SA, declara ainda que, de acordo com os artigos 16º e 20º do Código de
Valores Mobiliários, a entidade a que a referida participação deve ser imputada é a
Heerema Holding Company Inc., que detém 100% daquela sociedade.
Lisboa, 26 de Fevereiro 2007
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por JOSE DUARTE » 26/2/2007 9:03

Jerónimo Martins propõe 'stock split' de 5-por-uma acção
O Conselho de Administração (CA) da Jerónimo Martins (JM) fez uma proposta de 'stock-split' de 5-por-uma acção a ser votada na próxima Assembleia Geral (AG) de accionistas, anunciou a empresa.

Rita Paz com Reuters

Esta AG realiza-se a 30 Março de 2007 e, com esta renominalização das acções representativas do capital social da JM, o valor unitário destas passará para um euro dos actuais cinco euros.

O número dois do retalho em Portugal e líder do retalho alimentar na Polónia tem um capital social de 629,293 milhões de euros (M€).

A JM justifica este 'stock-split' com "o potencial aumento de líquidez do título e a permanente atênção que tem merecido o desempenho da empresa no mercado e consequente interesse demonstrado pelos pequenos investidores".

As acções da JM já subiram cerca de 15% desde o início deste ano, para os 19,33 euros de fecho a 23 de Fevereiro, após terem ganho à volta de 33% em 2006. Em 2007, a performance da JM superou os ganhos de oito por cento do índice PSI-20.

Aquela AG, entre outros pontos, vai também deliberar sobre as contas de 2006 e a proposta de aplicação de resultados.
Saudações Alentejanas
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Deixa cá puxar a brasa à minha sardinha

por Smallover » 24/2/2007 12:56

Mas desde inicios de Dezembro passado me passaram a informaçao de que o BPP (e isto vale o que vale)estava para entrar na inapa(garantiram-me que já tinha entrado). Se entrou ou está para entrar nao consegui confirmar, e se entrou ainda nao conseguiu os 2% que o obrigaria a comunicar.Mas desde já tb alerto que a fonte que me informou que o BPP queria entrar na Inapa foi a mesma que me confirmou que a Fundaçao Ernesto Lourenço Estrada tb queria entrar e esta sei de fonte segura que nao quis entrar.O tempo dirá onde vai o BPP aplicar o muito dinheiro que ganhou com a J Martins.

Nota:Tenho posiçao elevada na Inapa.
 
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Re

por Jin-Achim-Sim » 24/2/2007 3:40

Ulisses Pereira Escreveu:Estou muito curioso para ler o que o JAS tem a dizer sobre isto, ele que tem sido um dos maiores defensores da JM e um dos que mais tem lucrado com isso

Jin tentou telefone do plimo mas ele estava ocupado no massagem Tai e disse que nao tem tempo pla consulta.

Ablaco do Jin
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SMALL2004 Escreveu:Eu diria que esta é a 2ª boa notícia que ele esperava na JM.

Eu dilia que nao...
Esta nao eh nem plimeila nem segunda noticia e lista dele nao tem mais.

Ablaco do Jin
Se plecisa de complas, Jin vende tudo balatinho.
Desde Motastock com duas lodas ate letlato da Pata-Hali
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por Ulisses Pereira » 23/2/2007 13:17

PTMasters, eu entendo a tua questão mas alguns (nos quais eu me incluo) ao longo dos últimos anos têm apresentado como um dos principais argumentos para estarem optimistas na JM a presença do BPP. Com a sua saída, naturalmente, alguém irá entrar. mas duvido que com a capacidade para "guiar" a cotação da JM de uma forma tão segura como o BPP consegue fazer.

Um abraço,
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por ptmasters » 23/2/2007 13:13

Quem comprou certamente o fez a pensar igualmente num bom negócio.

Pode-se depois questionar se do ponto vista estratégico se é uma boa solução, mas se existia "complicações" a saída também não me parece negativa, resta perceber quem entra.

1 ab
O que é um cínico? É aquele que sabe o preço de tudo, mas que não sabe o valor de nada.
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por SMALL2004 » 23/2/2007 12:56

Eu diria que esta é a 2ª boa notícia que ele esperava na JM. Claro, se a posição tivesse sido vendida a outro grupo da distribuição, melhor. Mas isto tb não é totalmente negativo, acho. Vendo bem, nem a CIN nem a Somague alguma vez desceram dos valores a que o BPP vendeu.

Mas o que interessa agora é saber onde é que estão a pensar aplicar o cash-flow. Há por aí alguma empresa na bolsa que esteja em maus lençois? É que eles nunca compram caro. Uma coisa estamos certos...avisam sempre das compras, até para todos ajudarmos na subida, eheh. portanto, nem é preciso estarmos aqui a adivinhar.
cumprimentos,
SMALL,
 
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por Ulisses Pereira » 23/2/2007 12:42

O início do Caldeirão foi marcado por um longo tópico sobre esta matéria: O toque de Midas do BPP. A entrada do BPP numa acção sempre foi sinónimo de valorização. Não vou aqui repetir exemplos e argumentos usados até à exaustão nessa altura.

O que importa sublinhar é que a saída do BPP é, sem dúvida, um claro sinal de aviso aos touros da JM. Isto não quer dizer que a acção não possa subir mais uns tempos, mas o tempo do dinheiro fácil chegou ao fim.

Estou muito curioso para ler o que o JAS tem a dizer sobre isto, ele que tem sido um dos maiores defensores da JM e um dos que mais tem lucrado com isso ;)

Um abraço,
Ulisses
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por Touro » 23/2/2007 10:51

A outra foi a SOMAGUE.
Cumprimentos,
Touro
 
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por SMALL2004 » 23/2/2007 10:34

Puxou pela cotação da CIN até onde sabemos (basta ver os gráficos), depois foi outra da qual já nem me lembro. Depois a JM que despachou, e a 19.20 pelo que se percebe pq é que a cotação lá chegou. Nunca há mistérios para sempre na bolsa.

Só falta acertar na próxima, entrar no mesmo barco e aguardar. Agora tem dinheiro para investir e a confiança estará em máximos históricos, ahah
cumprimentos,
SMALL,
 
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Jeronimo Martins desconfiança de rendeiro ?

por CCL » 23/2/2007 9:18

Rendeiro sai da Jerónimo Martins por 450 milhões
A venda de 18,4% da ‘holding’ de Soares dos Santos ficará concluída esta manhã na bolsa. O banco vende por 440 milhões e regista uma mais-valia de 250 milhões. As acções serão dispersas por institucionais.

Sílvia de Oliveira

Depois de ter passado cinco anos a reforçar no capital da Jerónimo Martins, tendo-se aproximado da fasquia dos 20%, o Banco Privado Português (BPP) decidiu desinvestir no grupo português de distribuição. A instituição presidida por João Rendeiro iniciou ontem, após o fecho do mercado, a venda dos 23 milhões de acções detidos pelas suas sociedades veículo, equivalentes a 18,4% da Jerónimo Martins SGPS, numa operação que deverá ficar concluída hoje de manhã. O preço por acção foi fixado em 19,2 euros, o que se traduz num prémio de 2,3% em relação à cotação de fecho de ontem.

Tendo em conta um custo médio de aquisição de sete euros por acção, o BPP encaixa 440 milhões de euros, o que se traduz numa mais-valia líquida de cerca de 250 milhões de euros. Isto se, se tiver também em consideração um custo global de financiamento de construção desta participação na Jerónimo Martins SGPS de aproximadamente 20 milhões de euros.

O Diário Económico tentou contactar João Rendeiro, presidente do BPP, que recusou efectuar comentários até ao desfecho da venda. Esta operação foi coordenada pelo BPI e, segundo fontes contactadas pelo Diário Económico, os 18,4% do BPP na ‘holding’ da família Soares dos Santos serão colocados junto de investidores institucionais. O desinvestimento, que terá sido concretizado com o conhecimento de Alexandre Soares dos Santos, presidente e principal accionista da Jerónimo Martins com mais de 55% do capital, não foi feito junto de grupos do sector da distribuição. Não está, por isso, prevista a entrada de um novo parceiro estratégico no capital da empresa portuguesa.

As relações entre os accionistas maioritários da Jerónimo Martins e o BPP nem sempre foram pacíficas. Em 2001, o banco controlado por João Rendeiro opôs-se ao projecto de reestruturação da ‘holding’ dona dos hipermercados Feira Nova e do supermercados Pingo Doce, que previa a cisão das actividades do grupo em duas empresas – a JM Distribuição e a JM Investimentos, com posterior lançamento de OPA sobre esta última. Nessa altura, o BPP detinha pouco mais de 5% do capital do grupo de Soares dos Santos. A paz só foi totalmente garantida em 2004, quando o BPP, que já tinha reforçado a sua posição para 16% do capital da Jerónimo SGPS, e a família Soares dos Santos apresentaram uma lista conjunta para os órgãos sociais do grupo. O BPP passou, aliás, a ter um representante no conselho de administração, ainda que com funções não executivas.

Atendendo ao perfil de investimento do BPP, o horizonte da aplicação na Jerónimo Martins ter-se-á esgotado. O encaixe realizado será agora direccionado para novos investimentos. O banco é accionista da Brisa e da OHL Brasil, sendo as concessões de auto-estradas uma área identificada como prioritária. No entanto, não é de descartar a aposta da instituição de João Rendeiro noutros sectores de actividade.
 
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