Caldeirão da Bolsa

Taxa de desemprego cresce para 8,2% no quarto trimestre

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por luiz22 » 16/2/2007 7:54

Edição Impressa - Destaque
Números do Desemprego 2007-02-16 00:05
Desemprego vai continuar a subir
Os números pioraram em toda a linha, contrariando as previsões do governo. Agora, a bola está do lado das empresas.

Luís Reis Ribeiro e Sofia Lobato Dias

Choque e perplexidade. Foi desta forma que foram recebidos os números do desemprego de 2006, ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O fenómeno do desemprego piorou em toda a linha, isolando o Governo que nos últimos meses emitiu sinais que apontavam para uma melhoria da situação no mercado de trabalho. Mais inquietante ainda, é o facto dos economistas ouvidos pelo Diário Económico fazerem pouca fé numa recuperação da taxa de desemprego nos primeiros trimestres de 2007. O forte aumento dos desempregados de longa duração e o número crescente de pessoas sem trabalho com níveis mais baixos de qualificações torna cada vez difícil o regresso ao mercado .

Para além disso, reparam os especialistas, o investimento - a variável que determina directamente a criação de emprego - deverá continuar em estagnação este ano, arrastado pela contribuição negativa do Estado no esforço nacional na tentativa de cumprir com as regras do Pacto de Estabilidade, como sublinhava o Banco de Portugal no relatório de Inverno. Ou seja, a bola está do lado das empresas, mas os economistas prevêem que os projectos em carteira apenas se comecem se “sentir” na segunda metade deste ano. Nas eleições, o Executivo socialista fixou como meta a criação de 150 mil postos de trabalho até ao final da legislatura (2009). Em 2005 houve destruição de emprego, no ano passado o número de pessoas empregadas subiu 0,7%, ou mais 37 mil postos de trabalho, o que significa que a equipa de José Sócrates, que está a meio do mandato, encontra-se a mais de 100 mil empregos do seu objectivo.

No último trimestre de 2006, a taxa de desemprego atingiu o valor mais elevado desde 1987 – 8,2% da população activa –, reflectindo um aumento em volume de 2,5% face ao mesmo período do ano precedente.

Em termos anuais, o cenário é igualmente frustrante, tendo em conta os sinais de retoma moderada da economia: em 2006, o número de desempregados rondou uma média de 427,8 mil pessoas, mais 1,3% do que em 2005. Conclusão: a taxa de desemprego fixou-se em 7,7%, contra 7,6% em 2005, acumulando assim seis subidas anuais consecutivas.

Portugal, que está em divergência com o resto da Europa nos níveis de riqueza ‘per capita’ há seis anos consecutivos, enveredou por uma aproximação preocupante à média europeia no capítulo do desemprego. Em 2000, a taxa nacional valia quase metade (4%) do nível da zona euro. O número ontem libertado pelo INE coloca o rácio português três décimas percentuais abaixo dos 8% estimados pela Comissão Europeia para o espaço dos Doze.


Economistas surpresos
Nenhum dos economistas ouvidos pelo Diário Económico esperava estes resultados. Carlos Almeida Andrade, economista-chefe confessa que “não esperávamos que a taxa de desemprego fosse além dos 7,6%”. No seu entender, é um valor “surpreendente por causa da subida muito forte do quarto trimestre”. “Podia ser explicado pela sazonalidade, mas mesmo corrigindo os valores percebemos que o aumento é grande. Parece-nos que terá a ver com o desemprego dos serviços, e que este poderá ser já um reflexo da reforma da Função Pública”, adianta.

Eduardo Catroga, economista e empresário, repara que “o aumento do desemprego estará parcialmente ligado à reestruturação da economia”, mas defende que a principal razão para a derrapagem “está no “desajustamento crónico entre as qualificações e a oferta de trabalho. Por um lado, faltam pessoas com formação técnica, por outro há demasiados licenciados que não encontram trabalho pois as suas qualificações de base não servem às necessidades do mercado. O presidente da Sapec teme que “leve algum tempo” até reverter esta situação.

Cristina Casalinho, economista-chefe do Banco BPI, confessa-se estupefacta. “Mesmo na pior das nossas previsões nunca esperámos que ultrapassasse os 8%. Mais preocupante é a criação de emprego, que ficou pelos 0,7%. Estávamos à espera de mais, tendo em conta os sinais de recuperação económica. Poderia ter havido uma maior taxa de actividade, mas nem isso. Não encontro uma explicação convincente”. A economista frisa ainda que “se o Governo está empenhado em reduzir o número de funcionários públicos”, é natural que isso seja mais um atrito ao objectivo dos 150 mil empregos até 2009.

A responsável do ‘research’ e o economista-chefe do Santander, Rui Constantino, concordam que “o encerramento de grandes unidades industriais, como a fábrica de automóveis da Azambuja (Opel), e de outras instalações do sector, como fábricas de cablagem” estarão na origem da subida do desemprego. Para Constantino, “são números estranhos pois todos os indicadores apontavam no sentido contrário, nomeadamente os níveis de confiança, e a economia não entrou em desaceleração. No quatro trimestre de 2005 aconteceu algo semelhante”, mas nessa altura as retoma era bem mais incipiente, sublinhou o economista. Para além das deslocalizações fabris, lembrou “o encerramento de fábricas do sector têxtil”, facto que, no entender de Carlos Andrade, vem explicar o aumento no desemprego das mulheres. Rui Constantino considera ainda que as novas condições (mais apertadas) do sistema de pensões e de acesso ao subsídio de desemprego que entraram em vigor no final de 2006 também estarão a “incentivar” uma corrida aos apoios do desemprego desempregado, uma forma de evitar as novas regras.


Desemprego à lupa

Versões diferentes do desemprego
Os números do desemprego assumidos pelo governo português e pelo Eurostat - instituto estatístico da Comissão Europeia - são os do Instituto Nacional de Estatística (INE). Os dados são harmonizados com a Organização Internacional do Trabalho e, porque seguem normas universais, permitem estabelecer comparações com outros países. Os dados do INE são divulgados de três em três meses e calculados a partir do Inquérito ao Emprego, com base numa amostra de 50 mil pessoas.
Em alternativa, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) divulga todos os meses o número de desempregados inscritos nos centros de emprego de todo o país. São, portanto, dados administrativos e podem não seguir as mesmas regras de classificação de outros países. O desvio entre os números do INE e do IEFP começou a ser reduzido a partir de 1998, graças ao cruzamento de dados. Para isso, o IEFP investiu em novas tecnologias e melhores técnicas de organização interna que permitem cruzar os registos com a base de dados da Segurança Social. O IEFP quer desta forma detectar casos de fraude no acesso ao subsídio de desemprego e aproximar-se do INE nos números emitidos todos os meses.

Mulheres explicam na totalidade aumento anual do desemprego
O desemprego aumentou, exclusivamente, por causa do desemprego feminino. Em 2006, estavam sem trabalho 233 mil mulheres, mais nove mil do que em 2005. Os números correspondem a uma variação anual de 4%, que contrasta com o decréscimo de quase 2% entre os homens. O maior aumento do ocorreu no último trimestre do ano. As razões apontadas pelos economistas prendem-se sobretudo com o fecho de unidades industriais do sector têxtil. As mulheres com mais de 45 anos e as com idades entre 25 e 34 anos foram as mais penalizadas.

Mais de metade do desemprego é de longa duração
n O desemprego de longa duração é o que mais pesa no cálculo da taxa de desemprego de 2006. O número de desempregados há 12 ou mais meses ultrapassou os 221 mil, mais 10 mil que no ano anterior. O ministério do Trabalho e da Solidariedade Social vai alterar as regras de concessão do subsídio de desemprego para tentar reverter esta situação e terminar com as fraudes. Uma das medidas adoptadas recentemente é a obrigatoriedade de comparência no centro de emprego de 15 em 15 dias.

Alentejo, Norte e Lisboa são as regiões com mais desemprego
As regiões mais afectadas pelo desemprego em 2006 são o Alentejo (com uma taxa de 9,2%), o Norte do país (8,9%) e Lisboa (com 8,5%). As taxas de desemprego destas regiões praticamente não variaram desde 2005, mas aumentaram todas no final do ano em relação ao terceiro trimestre. A desertificação do interior e a migração dos serviços para as grandes cidades é uma das explicações para o desemprego no Alentejo e no Norte. A menor taxa de desemprego em 2006 registou-se na Região Autónoma dos Açores (3,8%).

Licenciados são 11% do total de desempregados
Cerca de 11% do número total de desempregados - 427.800 - são licenciados. Além disso, quase 72 mil desempregados têm o ensino secundário no seu currículo profissional. De acordo com os economistas, estes números podem ficar a dever-se a um excesso de pessoas licenciadas em ciências sociais e humanas (com pouca procura por parte das empresas) e a um défice de pessoas qualificadas em cursos técnicos e de ciências exactas.

Recessão e desemprego
O desemprego é a última variável a recuperar no contexto de retoma. Para surpresa dos economistas, não parece ser ainda o caso. A última recessão (2003) foi mais longa do que a de 1993. Portugal carrega ainda o fardo dos graves problemas do passado, designadamente os constrangimentos orçamentais, que impossibilitam o Governo de utilizar os chamados estabilizadores automáticos (ter margem para gastar mais quando a economia está pior). Assim sendo, resta esperar pela retoma do investimento (em 2008) para que o desemprego inverta, finalmente
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Taxa de desemprego cresce para 8,2% no quarto trimestre

por luiz22 » 15/2/2007 16:25

Taxa de desemprego cresce para 8,2% no quarto trimestre


15/02/2007


A taxa de desemprego aumentou para 8,2% no quarto trimestre, num período em que a população desempregada ascendeu aos 458,6 mil indivíduos, de acordo com os dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística(INE).

A taxa de desemprego hoje revelada representa um aumento de 0,2 pontos percentuais (p.p.) face ao mesmo período de 2005 e de 0,8 p.p. face ao trimestre terminado em Setembro de 2006.

Quanto à população desempregada, o INE revela que no final do quarto trimestre ascendeu a 458,6 mil indivíduos, um aumento de 2,5% face a 2005 e de 9,9% quando comparado com o terceiro trimestre de 2006.

Já o número de empregados aumentou em 0,2% face ao mesmo período de 2005, registando uma queda de 0,9% face ao trimestre anterior.

A taxa de actividade da população activa foi de 62,5% no trimestre em análise, num período em que a taxa de actividade das mulheres foi de 55,9% e dos homens foi de 69,6%.

"Em média, em 2006, a taxa de desemprego foi de 7,7%, o que se traduziu por um acréscimo de 0,1 p.p. face ao ano anterior. A população desempregada situou-se em 427,8 mil indivíduos, tendo aumentado 1,3% em relação ao ano anterior. A população empregada registou um acréscimo anual de 0,7%", revela a mesma fonte.

A contribuir para o aumento do desemprego esteve o acréscimo registado do desemprego de mulheres (11,4 mil), verificando-se também "um aumento do desemprego de indivíduos de todos os grupos etários", revela o INE. Para esta evolução também contribuiu o aumento da procura de novo emprego e a subida em 26,9 mil dos desempregados de longa duração que excedeu a diminuição verificada nos desempregados de curta duração.

Por regiões, destaque para o Norte e o Alentejo, que registaram taxas de desemprego de 9,7% e 9,3%, respectivamente, enquanto as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira verificaram as taxas mais baixas (4% e 5,8%, respectivamente).

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