Caldeirão da Bolsa

O declínio do dólar e dos Estados Unidos

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por Keyser Soze » 29/1/2007 13:03

The U.S. Is Losing Market Share. So What?

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LAST week, Mayor Michael R. Bloomberg and Senator Charles E. Schumer released a report that warned of New York’s decline as a global financial capital. To remedy this dire state of affairs, the report, by the consulting firm McKinsey & Company, suggested solutions as diverse as easing regulation on publicly held companies and changing visa requirements so investment banks can more easily recruit foreign math whizzes.

But the report, which focused on domestic issues like securities regulation, overlooked a major economic trend. The United States is losing market share in the global economy, and that is not necessarily a bad thing.

“It seems to me that the New York intelligentsia are going through one of their occasional bouts of hysteria,” said Jim O’Neill, head of global economic research in the London office of Goldman Sachs. New York’s comparative decline, he said, “is probably in large part a simple reflection of the growth of the rest of the world.”

According to Goldman Sachs, the United States’ share of global gross domestic product fell to 27.7 percent in 2006 from 31 percent in 2000. In the same period, the share of Brazil, Russia, India and China — the rapidly growing emerging markets referred to as the BRICs — rose to 11 percent from 7.8 percent. China alone accounts for 5.4 percent.

To be sure, the weakening dollar has aggravated the apparent shift. Even adjusting for the differential power of currencies in their home markets, growth in the United States has lagged global growth over the last 10 years, said Brad Setser, senior economist at Roubini Global Economics in New York.

This development is not surprising. For much of the 20th century, China, India and Russia did not participate in the global economic system. As they modernize and build consumer-driven markets, they will grow more rapidly than established economies. The same dynamic led to a convergence of economic performance between Japan and Europe, on the one hand, and the United States on the other, in the decades after World War II.

Economists note that the United States continues to play an anchoring, even dominant, role in global financial services, thanks to its deep markets and strong banking systems. In this sphere, the United States is losing out more to European capitals than to Shanghai — and for reasons that have less to do with regulation and more to do with geography and geopolitics.

The euro zone has expanded in recent years to include more countries, thus increasing the appeal of the currency. “The share of global financial assets denominated in dollars is declining, and that’s in large part because of the rise and growth of the euro,” said Catherine L. Mann, senior fellow at the Peterson Institute for International Economics in Washington.

Meanwhile, the capital that the United States exports to China, Russia, India and the Persian Gulf is increasingly being used to develop local financial markets. “It’s not entirely surprising that a certain share of financial activity is migrating to foreign geographical locations where savings growth is taking place,” Mr. Setser said.

Add it up, and the United States, while still the world’s largest single economic power, is clearly no longer the sole superpower. From 2002 to 2005, the United States accounted for 35 to 40 percent of the world’s economic growth, according to Goldman Sachs. But in the second half of last year, Mr. O’Neill estimated, the BRICs’ contribution to global growth was slightly greater than that of the United States for the first time. In 2007, he projects, the United States will account for just 20 percent of global growth, compared with about 30 percent for the BRICs.

Despite such trends, Diana Farrell, director of the McKinsey Global Institute, believes that the United States “will maintain its share of growth over the next two decades.” She points to a McKinsey survey of global executives in which 27 percent said the United States would account for the most growth in company revenue over the next five years, compared with 25 percent who chose China. Ms. Farrell says she believes that the continued growth of China, India and the rest of Asia will come at the expense of slowly growing, aging Japan and Europe.

Ultimately, the decline of economic pre-eminence may be more damaging psychologically than economically. Ms. Mann notes that many people gauge their well-being not simply as a function of how much their income grows, but how much it grows relative to that of their neighbors. “By virtue of the world becoming richer, in part because of our engagement in international trade, we are getting richer, but many of the poor are getting richer, too,” she said. “Psychologically, a lot of people are going to view that narrowing gap as a negative.”

More broadly, the fact that economies that were closed to outside investment a generation ago are now creating systems of market capitalism should be seen as a victory for the United States, not a defeat. “Many of the countries that are doing well are mimicking the best of what America has stood for — globalization and the export of the American capital markets culture,” said Mr. O’Neill at Goldman Sachs. “There’s nothing that New York and U.S. policies can do about it unless they want to roll back globalization.”

Daniel Gross writes the “Moneybox” column for Slate.com.

http://www.nytimes.com/2007/01/28/busin ... ref=slogin
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por michael » 28/1/2007 22:27

Aldeão global Escreveu:[quote="michael]Depois, não percebi a comparação entre o que aconteceu no passado e o facto da China exportar coisas baratas.


Então como agora o "valor" e o "preço" dos produtos não são a mesma coisa. Variam diferentemente de lugar para lugar devido a razões políticas e devido a mecanismos de comercialização. Quem dominar estes mecanismos fica com o diferencial.[/quote]Sim, mas os EUA aplicam assim tanto em I&D? Esperam encontrar ouro ou alguma coisa em concreto no fundo do oceano? Enfim, chama-me sonhador ou céptico, mas acho que o fundo do mar e o espaço tem mais cariz humanista que económico e o ROI é baixíssimo.
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por Aldeão global » 28/1/2007 22:22

[quote="michael]Depois, não percebi a comparação entre o que aconteceu no passado e o facto da China exportar coisas baratas.[/quote]

Então como agora o "valor" e o "preço" dos produtos não são a mesma coisa. Variam diferentemente de lugar para lugar devido a razões políticas e devido a mecanismos de comercialização. Quem dominar estes mecanismos fica com o diferencial.
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por michael » 28/1/2007 22:06

Aldeão global Escreveu:
michael Escreveu:Quais são os frutos do Espaço e os frutos do mar?

Há matérias primas que agora são consideradas escassas e que no Espaço e/ou no fundo do mar podem existir em abundância, o que é preciso é descobrir onde estão e como podem ser trazidas rentavelmente.
Para dar um exemplo histórico temos o desvio do comércio das especiarias das cidades estado italianas para Lisboa, depois de descoberta a rota marítima para a India. Até aí as quantidades transportadas pelas caravanas eram diminutas comparadas com as que podiam ser transportadas pelas naus, e o acesso a essas especiarias e outros produtos orientais tornaram-se acessíveis a muito mais europeus. Hoje estamos a ser invadidos por produtos chineses mais baratos que a chuva.
Sim até pode ser que hajam essas matérias raras ou matérias novas úteis perguntei porque estava mesmo interessado em saber se se suspeitava dalguma coisa. Mas não sei se os americanos investem assim tanto mais nisso que os russos, europeus, chineses ou japoneses. E nisso tambem há acordos de cooperação internacional. Esse tipo de I&D na minha opinião tem um ROI baixíssimo, quase que é como filantropia em prole da humanidade...

Depois, não percebi a comparação entre o que aconteceu no passado e o facto da China exportar coisas baratas.
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por Aldeão global » 28/1/2007 20:54

michael Escreveu:Quais são os frutos do Espaço e os frutos do mar?

Há matérias primas que agora são consideradas escassas e que no Espaço e/ou no fundo do mar podem existir em abundância, o que é preciso é descobrir onde estão e como podem ser trazidas rentavelmente.
Para dar um exemplo histórico temos o desvio do comércio das especiarias das cidades estado italianas para Lisboa, depois de descoberta a rota marítima para a India. Até aí as quantidades transportadas pelas caravanas eram diminutas comparadas com as que podiam ser transportadas pelas naus, e o acesso a essas especiarias e outros produtos orientais tornaram-se acessíveis a muito mais europeus. Hoje estamos a ser invadidos por produtos chineses mais baratos que a chuva.
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por michael » 28/1/2007 13:15

A exploração do Espaço e do fundo do mar, mais cedo ou mais tarde dará os seus frutos e quando isso acontecer vencerá quem melhor estiver em posição de os colher.

Quais são os frutos do Espaço e os frutos do mar?
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por Aldeão global » 28/1/2007 10:01

Onde está a "solução"? Em parte alguma

A resposta é questionavel e não imperativa.
Os EU são quem mais investe em Investigação, são quem mais importa massa cerebral dos outros países e os resultados destes investimentos nem sempre são imediatos, mas quando acontecem podem ser espectaculares.
Não há dúvida que o progresso tem que se basear na produção de bens de consumo e não na sua destruição com políticas bélicas, mas o tempo dos lucros "financeiros" (onde se "negoceia" tudo desde que no fim fique com mais dinheiro do que tinha antes) está a acabar (estamos na fase especulativa da economia).
A exploração do Espaço e do fundo do mar, mais cedo ou mais tarde dará os seus frutos e quando isso acontecer vencerá quem melhor estiver em posição de os colher.
A Investigação laboratorial tem sempre custos elevados e nem sempre reprodutivos, mas quando tem resultados positivos estes compensam os desaires e desilusões.
Eu como cidadão global tenho confiança na mensagem do objectivo principal do ADN Humano que o leva para a expansão da Espécie quer em quantidade quer em qualidade.
Se compararmos o nosso "modus vivendi" com o da Idade Média podemos dizer que o Homem recuperou e ultrapassou a "crise capitalista" imposta pelo feudalismo.
É certo que ainda não se acabaram os previlégios de uns (poucos) e o estado de escravatura de outros (muitos), mas os meios tecnológicos actualmente disponíveis (principalmente a NET) fará com que as coisas se modifiquem e esperemos que para uma situação mais justa e equitativa.
Uma forma simples de acompanhar o mercado é comprar no suporte e vender na resistência.
 
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por » 27/1/2007 3:03

A "canção" agora está mais refinada! Quando a coisa cair já não caem só os US, mas também a Europa o Japão e até os camaradas chineses!Analisando bem, ficam só os Ex camaradas russos(já sem o seu império)e os extremosos e fervorosos adeptos de Alá! Se à lá, vai deixar também de haver, pois com tão grande crise capitalista quem lhes quer comprar petróleo se aquilo não serve para comer?

Bons negócios
 
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por afonsinho » 27/1/2007 2:15

"Em síntese, o parasita é na realidade um enorme depósito de lixo para bens, serviços e fundos e a decadência norte-americana não é outra coisa senão a face visível da decadência global do capitalismo. "

Está no meio daquela barafunda toda e resume as intenções daquilo tudo...
 
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por atomez » 27/1/2007 1:24

para os américas 1 dollar vale 1 dollar, isso de flutuações cambiais é problema do resto do mundo
As pessoas são tão ingénuas e tão agarradas aos seus interesses imediatos que um vigarista hábil consegue sempre que um grande número delas se deixe enganar.
Niccolò Machiavelli
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O declínio do dólar e dos Estados Unidos

por bmiguelmf » 26/1/2007 23:19

Quem fala assim não tem medo! Mas será mesmo???


Desde princípio de 2002 o dólar iniciou uma descida que actualmente continua e que, segundo a maior parte dos peritos, agravar-se-á nos próximos meses. O declínio descolou pouco tempo dos atentados (ou auto-atentados) do 11 de Setembro de 2001, ou seja, do lançamento da ofensiva bélica global dos Estados Unidos.

Existe um encadeamento causal claro entre a decadência económica do Império e a tentativa desesperada dos seus dirigentes de travá-la através de uma sucessão de vitórias militares na Ásia Central e no Médio Oriente. Se essa estratégia tivesse tido êxito a super potência controlaria hoje a maior parte da faixa eurasiática que se estende desde os Balcãs até o Paquistão, atravessando a Turquia, a bacia do Mar Cáspio, o Iraque e o Irão, dominando assim cerca de 70% dos recursos petrolíferos mundiais. Isso lhe teria permitido assegurar sua hegemonia financeira internacional, simbolizada pelo reinado universal do dólar.

Mas a aventura fracassou e hoje os norte-americano estão atolados no Iraque e no Afeganistão, enquanto se reduz a sua influência sobre a Euroásia.

André Gunder Frank sustentava que o poder dos Estados Unidos repousa sobre dois pilares decisivos: o dólar e o Pentágono, o primeiro (a hegemonia financeira) a sustentar o segundo e este último a impor os privilégios económicos do Império. Esta dupla fortaleza predominou desde o fim da Segunda Guerra Mundial e teve seu período de auge entre 1945 e 1971, ano em que a Casa Branca decidiu liquidar a conversão de dólares em ouro, ameaçada pelas reservas dolarizadas em poder das outras potência industriais.

Euros por dólar. A partir desse momento desenvolveu-se uma etapa monetária turbulenta onde o dólar continuou a reinar no planeta graça a um jogo perverso em que acordaram os países ricos e que culmina agora com um empapelamento global que pode conduzir a uma incontrolável sucessão de crises financeiras.



O declínio do dólar

Depois de 1971 o dólar já não era a moeda de uma super potência económica ascendente e sim dinheiro-papel emitido por uma economia que ia perdendo competitividade e cuja produção petrolífera havia entrado em declínio. Entretanto, o seu consumo continuou a crescer e, em consequência, suas importações — o que a converteu no principal mercado internacional. Europeus, japoneses, sul coreanos e mais recentemente chineses encontram nos compradores norte-americanos clientes cujo volume geral de procura não pode ser substituído.

Alguns indicadores ilustram bem a decadência da economia norte-americana.

EUA: défices do comércio exterior Em primeiro lugar o défice comercial que foi crescendo: de números relativamente modestos em meados dos anos 70 até ultrapassar os 700 mil milhões de dólares em 2006. Neste último ano, por cada dólar de exportação de bens importavam-se dois.

Numa primeira aproximação ao tema poderiam ser distinguidos dois factores. Por um lado, a espiral ascendente dos gastos públicos e privados onde foram combinados o consumismo próprio de uma sociedade privilegiada com a expansão do aparelho militar e outras dádivas parasitárias. E, por outro lado, a perda de competitividade industrial, o atraso relativo na corrida às inovações produtivas. Mas ambos os processos fazem parte de um fenómeno mais amplo de decadência cultural que inclui também a degradação institucional, a crescente apatia da população perante o sistema de representação política, a ascensão da criminalidade, etc.

Um segundo indicador de deterioração é a redução do saldo dos lucros de negócios de norte-americanos no exterior contra os benefícios de estrangeiros nos Estados Unidos. No passado o mesmo compensava em parte os défices comerciais mas em 2006, e pela primeira em 90 anos, esse número foi negativo.

Em terceiro lugar, e em resultado da evolução dos indicadores anteriores, o défice de transacções correntes cresceu vertiginosamente: 140 mil milhões de dólares em 1997, 389 mil milhões em 2001, 834 mil milhões em 2006.

Um quarto indicador é o crescimento do défice fiscal, que passou de 2800 milhões de dólares em 1970 a 74 mil milhões em 1980, 240 mil milhões em 2000 até atingir em 2005 os 430 mil milhões. A decadência produtiva foi compensada por uma avalanche de défices e dívidas que suportaram a expansão do mercado norte-americano. O resto do mundo abriu-lhe o carretel do crédito indefinido entregando mercadorias e serviços em troca de papéis (dólares, títulos públicos, acções, dívidas empresariais, etc) e no interior de sucessivas ondas de créditos ao consumo e ao investimento alentados, sobretudo desde meados dos anos 90, por bolhas especulativas que ampliaram o poder de compra dos Americanos. Ao mesmo tempo, a poupança pessoal descia, a parte dos rendimentos destinada à poupança, que historicamente estava entre 7% e 8%, havia descido para 4,3% em 1998, para cair a 2,4% em 2003, 2% em 2004 e a números negativos em 2005 e 2006 (respectivamente -0,4% e -1%).

Ao começar a década actual, quando foi desinflada a bolha versátil, era evidente que a hegemonia financeira dos Estados Unidos havia chegado a um ponto crítico. A enorme desproporção existente entre o seu potencial produtivo declinante e a massa de papeis-dólar a circular pelo mundo (dólares reais e toda classe de papéis dolarizados) começou a provocar os primeiros estalidos da moeda norte-americana, que rapidamente converteu-se em descida irresistível do seu valor em relação ao ouro e a outras divisas fortes, o euro e o yen.

O governo Bush respondeu impulsionando uma nova bolha especulativa baseada nos negócios imobiliários, a maior da história: inundou a economia com créditos baratos e reduziu os impostos dos ricos; o consumo e o Produto Interno Bruto cresceram a taxas elevadas. Voltava a prosperidade… mas por quanto tempo?

Ao mesmo tempo a Casa Branca exacerbou a tendência à militarização, os gastos militares que ascendiam desde o fim da era Clinton tomaram um forte impulso, em consequência aumentaram o défice fiscal e o endividamento público.

Os Estados Unidos haviam tentado deter o seu declínio por meio de uma louca fuga para a frente, expandindo o consumismo sem retaguarda produtiva interna e desencadeando uma desmedida agressão imperialista na Ásia. Mas essa dupla aposta viu-se rapidamente encurralada pela sua própria debilidade estrutural, a aventura apoiava-se numa montanha de papel, na acumulação de dívidas de todo tipo e de reservas em dólares de chineses, japoneses e europeus, ou seja, em créditos concedidos ao Império pelos referidos países. Enquanto na superfície a festa militar e consumista aturdia o planeta, na profundidade do sistema global o reinando financeiro norte-americano declinava.

E meados da presente década os dois pilares do Império começaram a cambalear ao mesmo tempo: desastre no Iraque e degradação do dólar.


Parasita ou lixeira?

O argumento habitual é que os Estados Unidos parasitam sobre a economia mundial entregando dólares com valor futuro incerto em troca de bens e serviços. Mas a pergunta chave é porque japoneses, europeus, chineses, sul coreanos e outros aceitam esse roubo?

A minha resposta é que tal "roubo" não existe e que na realidade o gigante enfermo vem sendo engordado por esses países porque é o seu cliente decisivo. Sem ele, sem o seu consumo, sem o seu espaço de negócios, a crise de super-produção crónica que o capitalismo mundial sofre há mais de três décadas converter-se-ia numa derrocada imparável. Um terço das exportações chinesas vão para os Estados Unidos e outro tanto para países asiáticos cuja capacidade de pagamento depende estreitamente das suas exportações para a superpotência. Os outros países industriais ou emergentes da Ásia, como por exemplo o Japão ou a Coreia do Sul, têm uma dependência semelhante. A União Europeia, especialmente seus países líderes, apresenta uma inter-penetração industrial, comercial e financeira com o Império de tal magnitude que o seu destino está absolutamente ligado ao mesmo.

Em síntese, o parasita é na realidade um enorme depósito de lixo para bens, serviços e fundos e a decadência norte-americana não é outra coisa senão a face visível da decadência global do capitalismo.

O dólar, ou seja o instrumento de "pagamento" da economia (deficitária) norte-americana, é a peça essencial de toda a trama. Sua queda demasiado rápida provocaria uma contracção geral das importações dos Estados Unidos e do seu nível de rentabilidade interna (medido segundo as outras divisas) comprimindo directamente tanto as vendas como os investimentos desses países no Império. Mas além disso a referida derrocada provocaria a hiper revalorização do yen e do euro, o que reduziria de maneira significativa as exportações da União Europeia e do Japão com fortes impactos recessivos em ambas as potências. A China também seria negativamente afectada.

Todos estes países tentar então escorar o dólar. Entretanto, à media que a economia Americanos se vai enfraquecendo (processo irreversível no médio e longo prazo) devem tomar algumas precauções ainda que não seja muito o que possam fazer. Os europeus tratam apenas de prolongar a agonia porque sabem que o desenlace os golpeará duramente, algo semelhante fazem os japoneses, e os chineses tentam timidamente diversificar (desdolarizar) suas mega-reservas dolarizadas sabendo que se desdolarizarem demasiado rápido podem chegar a provocar uma catástrofe financeira global que também os atingirá. Todos chegaram à conclusão de que não podem manter-se indefinidamente no reino do dólar mas também sabem que não podem ir embora de um dia para o outro. Onde está a "solução"? Em parte alguma (alguns esperam, sem o dizer, que a passagem do tempo abra algum caminho de saída).

Por isso avaliam com extrema prudência cada movimento, intensificam as consultas entre si, extorsionam-se mutuamente, dão-se golpes baixos, ajudam-se…


Negócios com 'derivados'Sombras ameaçadoras

Contudo, para além dos truques das grandes potências existem fenómenos que determinam a conjuntura e sobre os quais os estados dos países ricos têm uma influência limitada. Trata-se sobretudo do processo de financiamento, que foi avançando nas última três décadas e que a qualquer momento pode produzir efeitos catastróficos.

Pense-se por exemplo na especulação com "derivados", complexas articulações de negócios que se expandem vertiginosamente e que segundo o Banco da Basileia, que contabiliza o seu volume global, estaria a aproximar-se dos 400 milhões de milhões de dólares (o equivalente a cerca de dez vezes o Produto Bruto Mundial). Atente-se à sobreacumulação de reservas (quase totalmente dolarizadas) nos países periféricos que já ultrapassa os 3200 milhões de dólares, mas observemos também o tamanho da bolha imobiliária global equivalente ao Produto Bruto dos países ricos.

Negócios com 'derivados' Algumas destas massas financeiras são relativamente controláveis, como por exemplo as reservas. Mas outros são-no muito menos, como é o caso dos negócios com "derivados" ou a especulação imobiliária.

Decai (gradualmente por enquanto) o dólar e surgem os primeiros sinais de desconfiança em direcção a outras moedas "fortes" como o yen e o euro cujas economias de suporte, Japão e União Europeia, estão estreitamente ligadas à dos Estados Unidos. Isto incita os especuladores a diversificarem seus negócios e a um curtoprazismo maior…
 
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