Carlos Tavares diz Portugal precisa de taxas de juro + altas
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Ulisses:
Se estas declarações fossem proferidas numa sexta-feira, estava aqui um óptimo tópico para aquelas trocas de pontos de vista em que o caldeirão é fértil. Seria fim de semana, há tempo, há assunto, vamos discutir tal e qual como se fosse à mesa do tasco da esquina.
Já que assim não é, estamos com interesse nos mercados e porque isto a todos nos toca faz-se o comentário que, apesar de resumido, é indicador da opinião de quem o profere.´
Sabe-se que há bom e mau investimento. Quer das famílias, quer das empresas e, também, muito em particular do Estado.
O Estado têm sido ao longo dos últimos 10/15 ou até talvez mais anos o exemplo do investimento sem rei-nem-roque. À parte de alguns bons investimentos ( em abono da verdade, diga-se poucos ) o restante tem sido ao sabor do ciclo eleitoral, dos lobies que se impuseram, das corporações, de um regionalismo cacique e mesmo até da pressão da opinião pública. Se, por exemplo, lhe disser que moro num concelho onde o Estado investiu milhões num autódromo que está às moscas, milhões ( via Câmara ) num Aerodromo que pouco nos serve, Milhões ( em contrapartidas ) numa Marina que apenas estragou as praias da vila e, esse Estado, têm em Cascais um hospital agora vergonhoso que foi inaugurado pelo Dr. António de Oliveira Salazar, em 1937, no 10º aniversário da revolução social ( é verdade e a placa está lá, posso digitalizar a fotografia ). Onde estamos? qual a legitimidade da nossa classe política quando fala em investimentos?
As empresas, na sua generalidade, têm investido, tal como se espera, com racionalidade. Há investimentos que correm bem e outros há que, por muitas razões, são insucesso. Em todo o caso, os insucessos são pagos a peso de ouro pelos colaboradores e pelos acionistas.
Quanto às familias, é verdade que muitas se endividaram para além do razoável. Também temos que considerar que muitas adquiriram aquilo que uma sociedade normal pode proporcionar: casa, carrito de gama média ou até mesmo baixa e pouco mais.
Quando o Dr. Carlos Tavares era ministro ainda os bancos faziam campanhas que apenas este Estado e estes governantes permitiram. Na altura, não me recordo de nada como uma famosa frase de " gato por lebre " por parte deste ou de outro governante. E agora?
Ulisses: o único crédito bancário que tenho é de uma segunda habitação numa zona turística, que contratei conscientemente e até como investimento e que, face ao meu rendimento mensal, não me pesa.
Isto quer dizer que, quando milhares de portugueses estão a deixar de jantar para respeitar o crédito há habitação que contrataram, não deixe de achar que estes senhores que tiveram responsabilidades no tempo em que os bancos a todos davam o céu e eles nada diziam tivessem agora apenas duas opções: ou pediam desculpa, ou se calavam. O Dr. Carlos Tavares fez o inverso.
Se na altura ele tivesse avisado para o bom crédito e mau crédito, agora, dava crédito às suas palavras.
Assim, a oportunidade passou. Logo, está a gozar com aqueles que não jantam.
Para além deste questão ético-moral e que para mim é mais que principal porque mexe com um dos mínimos que os homens podem pedir, ou seja a dignidade que uma refeição lhes dá, é natural que muito desse crédito foi mau crédito: quer por parte dos particulares e das empresas. Mas o Estado aí não pode falar porque por si foi um fartar de vilanagem.
Um abraço, Ulisses.
Se estas declarações fossem proferidas numa sexta-feira, estava aqui um óptimo tópico para aquelas trocas de pontos de vista em que o caldeirão é fértil. Seria fim de semana, há tempo, há assunto, vamos discutir tal e qual como se fosse à mesa do tasco da esquina.
Já que assim não é, estamos com interesse nos mercados e porque isto a todos nos toca faz-se o comentário que, apesar de resumido, é indicador da opinião de quem o profere.´
Sabe-se que há bom e mau investimento. Quer das famílias, quer das empresas e, também, muito em particular do Estado.
O Estado têm sido ao longo dos últimos 10/15 ou até talvez mais anos o exemplo do investimento sem rei-nem-roque. À parte de alguns bons investimentos ( em abono da verdade, diga-se poucos ) o restante tem sido ao sabor do ciclo eleitoral, dos lobies que se impuseram, das corporações, de um regionalismo cacique e mesmo até da pressão da opinião pública. Se, por exemplo, lhe disser que moro num concelho onde o Estado investiu milhões num autódromo que está às moscas, milhões ( via Câmara ) num Aerodromo que pouco nos serve, Milhões ( em contrapartidas ) numa Marina que apenas estragou as praias da vila e, esse Estado, têm em Cascais um hospital agora vergonhoso que foi inaugurado pelo Dr. António de Oliveira Salazar, em 1937, no 10º aniversário da revolução social ( é verdade e a placa está lá, posso digitalizar a fotografia ). Onde estamos? qual a legitimidade da nossa classe política quando fala em investimentos?
As empresas, na sua generalidade, têm investido, tal como se espera, com racionalidade. Há investimentos que correm bem e outros há que, por muitas razões, são insucesso. Em todo o caso, os insucessos são pagos a peso de ouro pelos colaboradores e pelos acionistas.
Quanto às familias, é verdade que muitas se endividaram para além do razoável. Também temos que considerar que muitas adquiriram aquilo que uma sociedade normal pode proporcionar: casa, carrito de gama média ou até mesmo baixa e pouco mais.
Quando o Dr. Carlos Tavares era ministro ainda os bancos faziam campanhas que apenas este Estado e estes governantes permitiram. Na altura, não me recordo de nada como uma famosa frase de " gato por lebre " por parte deste ou de outro governante. E agora?
Ulisses: o único crédito bancário que tenho é de uma segunda habitação numa zona turística, que contratei conscientemente e até como investimento e que, face ao meu rendimento mensal, não me pesa.
Isto quer dizer que, quando milhares de portugueses estão a deixar de jantar para respeitar o crédito há habitação que contrataram, não deixe de achar que estes senhores que tiveram responsabilidades no tempo em que os bancos a todos davam o céu e eles nada diziam tivessem agora apenas duas opções: ou pediam desculpa, ou se calavam. O Dr. Carlos Tavares fez o inverso.
Se na altura ele tivesse avisado para o bom crédito e mau crédito, agora, dava crédito às suas palavras.
Assim, a oportunidade passou. Logo, está a gozar com aqueles que não jantam.
Para além deste questão ético-moral e que para mim é mais que principal porque mexe com um dos mínimos que os homens podem pedir, ou seja a dignidade que uma refeição lhes dá, é natural que muito desse crédito foi mau crédito: quer por parte dos particulares e das empresas. Mas o Estado aí não pode falar porque por si foi um fartar de vilanagem.
Um abraço, Ulisses.
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- Localização: Alcabideche
Meus caros,
Ainda me lembro que na década de 80, um tio meu vivia dos rendimentos, com taxas de juro das suas obrigações a 16% e mais. Enfim, nada disso se aplica aos tempos actuais em que a inflação está controladíssima pelos principais Bancos Centrais.
Agora em relação ao Dr. Carlos Tavares, eu acho que ele falou como um técnico (o que está certo), mas a pensar só com metade da cabeça (o que já não é tão acertado). Ele tem razão em relação aos investimentos e à suúde da economia. Mas de tanto falar nas famílias portuguesas, ele parece não perceber que o desenvolvimento económico de um país é uma coisa - e Portugal com estes grandes teóricos nunca chegou a lado nenhum... - e outra coisa bem diferente são as necessidades e as dificuldades específicas das famílias portuguesas - que não podem nem devem investir com a óptica dos empresários.
Cumprimentos
Comentador
Ainda me lembro que na década de 80, um tio meu vivia dos rendimentos, com taxas de juro das suas obrigações a 16% e mais. Enfim, nada disso se aplica aos tempos actuais em que a inflação está controladíssima pelos principais Bancos Centrais.
Agora em relação ao Dr. Carlos Tavares, eu acho que ele falou como um técnico (o que está certo), mas a pensar só com metade da cabeça (o que já não é tão acertado). Ele tem razão em relação aos investimentos e à suúde da economia. Mas de tanto falar nas famílias portuguesas, ele parece não perceber que o desenvolvimento económico de um país é uma coisa - e Portugal com estes grandes teóricos nunca chegou a lado nenhum... - e outra coisa bem diferente são as necessidades e as dificuldades específicas das famílias portuguesas - que não podem nem devem investir com a óptica dos empresários.
Cumprimentos
Comentador
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Pois é:
E foi este senhor Ministro e é um dos " lords " da nossa praça...
Não há dúvida que chegamos ao ponto a que chegamos por estas razões.
Volta António... Na RTP bem estão engonhados porque na votação dos 10 mais ilustres portugueses ( feita democráticamente pelos espectadores ) da classe política apenas estás tu e o outro coerente chamado Cunhal, goste-se ou não dele.
Há os da História e os tristes da história. Tal como na música há os Pianistas ( 3 ou 4 ) e os carregadores de pianos. Desgraçadamente este País é governado por carregadores de pianos.
Cumprimentos
E foi este senhor Ministro e é um dos " lords " da nossa praça...
Não há dúvida que chegamos ao ponto a que chegamos por estas razões.
Volta António... Na RTP bem estão engonhados porque na votação dos 10 mais ilustres portugueses ( feita democráticamente pelos espectadores ) da classe política apenas estás tu e o outro coerente chamado Cunhal, goste-se ou não dele.
Há os da História e os tristes da história. Tal como na música há os Pianistas ( 3 ou 4 ) e os carregadores de pianos. Desgraçadamente este País é governado por carregadores de pianos.
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Olá,
eu até concordaria com o artigo, se a família tradicional portuguesa (e isto torna-se difícil de definir) tivesse uma tradição de poupança em instrumentos financeiros muito vincada. Na actualidade, parece-me que a poupança ainda reside muito nas contas a prazo que são das que menos juros dão ao nível europeu. Poucos estão para arriscar um pouco da sua poupança em algo mais "aliciante" daí que se acomodam a ter o dinheiro parado.
Mas não deixa de ser um ponto de vista interessante e com bons fundamentos!
Abraço
MB
eu até concordaria com o artigo, se a família tradicional portuguesa (e isto torna-se difícil de definir) tivesse uma tradição de poupança em instrumentos financeiros muito vincada. Na actualidade, parece-me que a poupança ainda reside muito nas contas a prazo que são das que menos juros dão ao nível europeu. Poucos estão para arriscar um pouco da sua poupança em algo mais "aliciante" daí que se acomodam a ter o dinheiro parado.
Mas não deixa de ser um ponto de vista interessante e com bons fundamentos!
Abraço
MB
"No mundo dos negócios, toda a gente é paga em duas moedas: dinheiro e experiência. Aceite a experiência primeiro, o dinheiro virá depois."
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O
problema é o mau crédito que foi concedido no passado,que dá a ilusão que qualquer aumento actual das taxas é prejudicial,ou seja na minha opinião as taxas nunca deveriam ter baixado tanto,e a concessão de crédito deveria ter observado regras mais rigidas!
saudações
saudações
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Independentemente de isto ser assim ou de ter sido dito de certa maneira...
É verdade que os juros abaixo de um ponto de equilibrio, estimulam os maus investimentos quer das empresas quer das famílias contribuindo para a formação de bolhas.
O aumento excessivo de crédito pressiona a massa monetária e a futura inflação.
A este propósito aconselho a leitura da "Teoria Geral do dinheiro e crédito" de Ludwig Von Mises.
Finalmente... dinheiro barato na mão dos Governos Europeus, só faz adiar as necessárias reformas estruturais.
Dinheiro barato nas mãos dos compradores de imóveis, fazem um apartamento de 100.000 euros valer 200.000 euros !!
Abraço
djovarius
É verdade que os juros abaixo de um ponto de equilibrio, estimulam os maus investimentos quer das empresas quer das famílias contribuindo para a formação de bolhas.
O aumento excessivo de crédito pressiona a massa monetária e a futura inflação.
A este propósito aconselho a leitura da "Teoria Geral do dinheiro e crédito" de Ludwig Von Mises.
Finalmente... dinheiro barato na mão dos Governos Europeus, só faz adiar as necessárias reformas estruturais.
Dinheiro barato nas mãos dos compradores de imóveis, fazem um apartamento de 100.000 euros valer 200.000 euros !!
Abraço
djovarius
Cuidado com o que desejas pois todo o Universo pode se conjugar para a sua realização.
Carlos Tavares diz Portugal precisa de taxas de juro + altas
O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Carlos Tavares, salientou hoje a necessidade de Portugal ter taxas de juro mais altas, como incentivo ao bom investimento das empresas e das famílias portuguesas.
À margem de uma conferência sobre fundos de investimento, organizada pela agência Reuters, Tavares disse que "as taxas de juro mais elevadas são boas para a qualidade do investimento em Portugal, que precisa de viver não com mais investimento, mas com melhor investimento".
O presidente da CMVM explica que os juros mais elevados têm efeitos positivos na produtividade da economia, funcionando como incentivo à poupança e investimento privado.
Afirma ainda que os activos financeiros sensíveis às taxas de juro das famílias portuguesas, são superiores aos passivos, o que quer dizer que uma subida das taxas de juro, pode ter efeitos positivos.
No entanto, Carlos Tavares reconhece o impacto negativo das taxas de juro no encarecimento do crédito, mas prefere realçar os efeitos positivos que poderão advir do actual nível dos juros, que se encontram em níveis historicamente baixos desde a entrada de Portugal no Euro.
Em Dezembro passado o BCE subiu as taxas de juro para 3,5%, no sexto aumento de 25 pontos base desde Dezembro de 2005, quando o preço do dinheiro se situava nos 2%.
"Sou daqueles que acham que, cada vez que Trichet anuncia uma subida nos juros, isso trás boas notícias para as famílias portuguesas", concluiu.
Não resisti a por isto aqui... acho que foi uma das maiores parvoices que li nos ultimos tempos, o Sr. Carlos Tavares devia estar meio a dormir quando disse isto ou a sonhar que vivemos no País das Maravilhas...
Como é possivel afirmar que é bom para as familias Portuguesas o aumento das taxas de juro, quando a esmagadora maioria vê, aquilo que lhes sobra ao fim do mês para sobreviver, ser absorvido pelos aumentos das prestações dos creditos á habitação? investem com o quê? feijões? sinceramente...

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