Off Tópic.. Bocê é do Puerto u nãu carago????
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Paul deAlex Escreveu:Olá a todos! Num tópico como este, eu não poderia deixar de falar!
Nasci em Évora em 73, fui morar para o Algarve com 1 aninho de vida, depois aos 14 fui para Lisboa e ali fiquei, estudei e trabalhei. Os meus pais têm origens para os lados de Rio Maior, onde moram actualmente.
Posso dizer que sou alentejano de nascença, com uma costela algarvia já muito esquecida e que, principalmente, mesmo morando em Esposende, ainda me considero muito Lisboeta, com as vantagens e desvangens que isso pode acarretar.
Casei, a minha mulher é de Barcelos, e um moderado desafogo financeiro (e zero responsabilidades de crédito), levaram-me a optar por viver em Esposende, sem preocupação imediata se iria ou não arranjar emprego aqui.
Devo dizer que até aos meus 17 anos, só tinha ido até Coimbra, e que isso para mim, à altura, já era norte que chegasse. Aos 21 visitei Braga.
Arranjar uma namorada oriunda do norte aos 23 anos(minha actual mulher), foi o passaporte para conhecer com maior profundidade o Porto e as terras prálém Douro.
Os vários sítios onde vivi ao longo da minha vida não me fazem especialmente apegado a uma região. Assim como gosto do Algarve quando lá vou, também aprecio muito Lisboa, Esposende ou o Porto.
Não há um sítio igual ao outro, e isso faz parte da magia de cada lugar.
Considero no entanto o Norte como um lugar mais empreendedor por natureza (mais o Douro litoral e Minho). O tecido empresarial aqui é pertença da região. Poucas são as empresas que vêm de fora. Não há muitas multinacionais que centralizam os escritórios aqui. O que há aqui é Sonae, Riopele, a Salvador Caetano, Impetus, Petit Patapon, Coelima, etc, etc, etc. Só prata da casa.
Lisboa é a zona central do país por natureza. As multinacionais que cá montam os seus escritórios, fazem-no na zona de Lisboa. Daí haver em Lisboa um maior número de empregos qualificados.
Um dos exemplos interessantes (relativamente à maior oferta de empregos em Liboa) é o de uma empresa de construção civil (na área do pladur) sedeada em Lisboa que conheço e que por vezes tem alguma dificuldade em conseguir segurar os montadores de pladur que contrata. É que o número de empresas de montagem de pladur que há em Lisboa é enorme, o que acaba por criar uma oferta de empregos grande, facilitando aos operários a hipótese de encontrar melhores condições de trabalho.
No norte a oferta é menor, e esta mesma empresa ao ganhar um grande contrato no norte, não teve dificuldade em arranjar gente para montar pladur nativa do norte. A dificuldade era mesmo a triagem dos realmente aptos a efectuar o trabalho. Parecia na altura (fins da década de 90) que os melhores profissionais nortenhos emigram (ou para Lisboa, ou para o Norte da Europa). Os poucos bons profissionais que foram contratados faziam um trabalho com grande afinco e davam a sensação de aquela oportunidade de trabalho que lhes era dada era uma coisa um pouco fora do comum, pela dimensão.
Numa região como o norte, onde há casos de empreendedorismo verdareiramente bem sucedidos, a riqueza extrema convive lado a lado com milhares de assalariados de baixa qualificação que pouco mais levam para casa do que 400€/mês. Mesmo assim não é das piores rigiões. Pior mesmo era se não houvesse ricos.
É bom sinal, que esteja a comparar a região Norte (com o Porto como capital) com Lisboa e não esteja a comprar outra região qualquer com Lisboa.
Costumo dizer que o Norte pode-se orgulhar de ser o que (já) é, graças a si próprio. Lisboa tem mais oportunidades graças às multinacionais. Se as tirassem de lá, Lisboa teria de vir pedir pão ao Porto e ao Norte.
Outro dos aspectos interessantes e a que me fui acostumando com o tempo é a linguagem grosseira a que estava pouco habituado em Lisboa e que aqui faz parte integrante e perfeitamente natural da linguagem.
No sul, a população masculina, num grupo reservado de amigos ou colegas, pode praguejar com extremo à-vontade. Mas a população feminina "sulenha", por regra não diz asneiras. Qualquer que seja o estrato social.
No norte é tão natural ouvir ca?a??adas num homem como numa mulher. Ou mais ainda!! E ninguém se importa.
Embora já tivesse ouvido falar desta nuance nortenha, a minha primeira experiência ao vivo foi dramaticamente hilariante. Estava num casamento (no almoço) com a minha namorada, ao lado de umas simpáticas e doces velhotas. Quando resolveram abrir a boca, pasmei e não contive a vontade de rir!! - Ó Comadre como bai? Ai não diga nada, ando c'uma dor de pernas do ca?a??o. E bocê? -Ai eu também ando toda fu?i?a, são as costas... É o ca?a??o.
Ca?a??o (ou carago, numa forma mais aligeirada) é uma interjeição de ambito tão generalista e tão comum que se aplica a tudo. Remata uma frase seja dita no fim ou no princípio, transmite espanto, alegria, trizteza, tudo, em qualquer estrato social. E ?o?a-se igualmente. Lembram-se dos estrumpfes uma banda desenhada que havia a vender há uns 20 anos? A linguagem dos strumpfes era baseada num só verbo o strumpfar, que só os strumpfes conseguiam interpretar correctamente consoante as circunstâncias. Ora no norte a utilização do ?o?a-se ou do verbo ?o?er, tem uma utilização tão genérica, quase como nos estrumpfes, o que me leva às vezes de uma forma graciosa, a chamar estrumpfolândia ao norte em geral! Ou deveria ser antes a ?ca?a??o-?o?o-lândia?!! Enfim é só uma brincadeira minha, que a minha mulher me responde às vezes com um valente "vai-te 'estrumpfar'"!! E rimos os dois.
Outra asneira interessante é o filho da pu?a. No sul, chama-se filho da pu?a a alguém de quem não gostamos. E se dissermos isso directamente a alguém, estamos mesmo desavindos com essa pessoa, e é uma injúria de que teremos de medir bastante bem as consequências. Raramente é utilizado de forma corrente.
No norte é tão comum como outra coisa qualquer. Um prato que cai ao chão é um filha da pu?a dum prato que caiu ao ca?a??o do chão. Um caga??ão que pisámos há um minuto atrás? Ai o filha da pu?a do caga??ão! Um vinho que provámos e apreciámos? O filha da pu?ta é mesmo bom, ca?a??o... ?o?a-se!
Enfim, tenho notado que a linguagem grosseira é tão comum e indiferente para o povo nortenho, homens e mulheres, ricos e pobres, havendo muito poucas excepções das pessoas aqui que conheço. Claro está que uns estrumpfam mais que outros!
Adoro esta terra com o mesmo amor que nutro por Lisboa, Algarve ou o Alentejo. Não há por que ter bairrismos. Tudo faz parte da riqueza cultural e social que nos valoriza todos os dias.
Um abraço a todos, que isto já está muito longo!!...
Eu nasci em França, mas já vivo no Porto há bastantes anos. Aprendi a gostar seriamente desta cidade. Ela tem algo de especial.
Paulo Moreira
Não quero aqui comparar Norte e Sul, Porto e Lisboa.
Num país tão pequenino não faz sentido haver tanta barulheira só para alimentar o desejo de confusão de alguns. Mas em relação às gentes do Norte admiro principalmente uma coisa. O direito ao protesto dos seus interesses seja contra quem for. A sua capacidade de indignação e o seu inconformismo é de salutar. Veja-se o caso recente daquela carreira de transportes que deixou de passar em determinado bairro tripeiro. A população saiu à rua e mostrou o seu descontentamento. Houvesse mais gente assim espalhada pelo país e veriam como Portugal seria tão diferente.
Num país tão pequenino não faz sentido haver tanta barulheira só para alimentar o desejo de confusão de alguns. Mas em relação às gentes do Norte admiro principalmente uma coisa. O direito ao protesto dos seus interesses seja contra quem for. A sua capacidade de indignação e o seu inconformismo é de salutar. Veja-se o caso recente daquela carreira de transportes que deixou de passar em determinado bairro tripeiro. A população saiu à rua e mostrou o seu descontentamento. Houvesse mais gente assim espalhada pelo país e veriam como Portugal seria tão diferente.
Abraços e bons negócios
Olá a todos! Num tópico como este, eu não poderia deixar de falar!
Nasci em Évora em 73, fui morar para o Algarve com 1 aninho de vida, depois aos 14 fui para Lisboa e ali fiquei, estudei e trabalhei. Os meus pais têm origens para os lados de Rio Maior, onde moram actualmente.
Posso dizer que sou alentejano de nascença, com uma costela algarvia já muito esquecida e que, principalmente, mesmo morando em Esposende, ainda me considero muito Lisboeta, com as vantagens e desvangens que isso pode acarretar.
Casei, a minha mulher é de Barcelos, e um moderado desafogo financeiro (e zero responsabilidades de crédito), levaram-me a optar por viver em Esposende, sem preocupação imediata se iria ou não arranjar emprego aqui.
Devo dizer que até aos meus 17 anos, só tinha ido até Coimbra, e que isso para mim, à altura, já era norte que chegasse. Aos 21 visitei Braga.
Arranjar uma namorada oriunda do norte aos 23 anos(minha actual mulher), foi o passaporte para conhecer com maior profundidade o Porto e as terras prálém Douro.
Os vários sítios onde vivi ao longo da minha vida não me fazem especialmente apegado a uma região. Assim como gosto do Algarve quando lá vou, também aprecio muito Lisboa, Esposende ou o Porto.
Não há um sítio igual ao outro, e isso faz parte da magia de cada lugar.
Considero no entanto o Norte como um lugar mais empreendedor por natureza (mais o Douro litoral e Minho). O tecido empresarial aqui é pertença da região. Poucas são as empresas que vêm de fora. Não há muitas multinacionais que centralizam os escritórios aqui. O que há aqui é Sonae, Riopele, a Salvador Caetano, Impetus, Petit Patapon, Coelima, etc, etc, etc. Só prata da casa.
Lisboa é a zona central do país por natureza. As multinacionais que cá montam os seus escritórios, fazem-no na zona de Lisboa. Daí haver em Lisboa um maior número de empregos qualificados.
Um dos exemplos interessantes (relativamente à maior oferta de empregos em Liboa) é o de uma empresa de construção civil (na área do pladur) sedeada em Lisboa que conheço e que por vezes tem alguma dificuldade em conseguir segurar os montadores de pladur que contrata. É que o número de empresas de montagem de pladur que há em Lisboa é enorme, o que acaba por criar uma oferta de empregos grande, facilitando aos operários a hipótese de encontrar melhores condições de trabalho.
No norte a oferta é menor, e esta mesma empresa ao ganhar um grande contrato no norte, não teve dificuldade em arranjar gente para montar pladur nativa do norte. A dificuldade era mesmo a triagem dos realmente aptos a efectuar o trabalho. Parecia na altura (fins da década de 90) que os melhores profissionais nortenhos emigram (ou para Lisboa, ou para o Norte da Europa). Os poucos bons profissionais que foram contratados faziam um trabalho com grande afinco e davam a sensação de aquela oportunidade de trabalho que lhes era dada era uma coisa um pouco fora do comum, pela dimensão.
Numa região como o norte, onde há casos de empreendedorismo verdareiramente bem sucedidos, a riqueza extrema convive lado a lado com milhares de assalariados de baixa qualificação que pouco mais levam para casa do que 400€/mês. Mesmo assim não é das piores rigiões. Pior mesmo era se não houvesse ricos.
É bom sinal, que esteja a comparar a região Norte (com o Porto como capital) com Lisboa e não esteja a comprar outra região qualquer com Lisboa.
Costumo dizer que o Norte pode-se orgulhar de ser o que (já) é, graças a si próprio. Lisboa tem mais oportunidades graças às multinacionais. Se as tirassem de lá, Lisboa teria de vir pedir pão ao Porto e ao Norte.
Outro dos aspectos interessantes e a que me fui acostumando com o tempo é a linguagem grosseira a que estava pouco habituado em Lisboa e que aqui faz parte integrante e perfeitamente natural da linguagem.
No sul, a população masculina, num grupo reservado de amigos ou colegas, pode praguejar com extremo à-vontade. Mas a população feminina "sulenha", por regra não diz asneiras. Qualquer que seja o estrato social.
No norte é tão natural ouvir ca?a??adas num homem como numa mulher. Ou mais ainda!! E ninguém se importa.
Embora já tivesse ouvido falar desta nuance nortenha, a minha primeira experiência ao vivo foi dramaticamente hilariante. Estava num casamento (no almoço) com a minha namorada, ao lado de umas simpáticas e doces velhotas. Quando resolveram abrir a boca, pasmei e não contive a vontade de rir!! - Ó Comadre como bai? Ai não diga nada, ando c'uma dor de pernas do ca?a??o. E bocê? -Ai eu também ando toda fu?i?a, são as costas... É o ca?a??o.
Ca?a??o (ou carago, numa forma mais aligeirada) é uma interjeição de ambito tão generalista e tão comum que se aplica a tudo. Remata uma frase seja dita no fim ou no princípio, transmite espanto, alegria, trizteza, tudo, em qualquer estrato social. E ?o?a-se igualmente. Lembram-se dos estrumpfes uma banda desenhada que havia a vender há uns 20 anos? A linguagem dos strumpfes era baseada num só verbo o strumpfar, que só os strumpfes conseguiam interpretar correctamente consoante as circunstâncias. Ora no norte a utilização do ?o?a-se ou do verbo ?o?er, tem uma utilização tão genérica, quase como nos estrumpfes, o que me leva às vezes de uma forma graciosa, a chamar estrumpfolândia ao norte em geral! Ou deveria ser antes a ?ca?a??o-?o?o-lândia?!! Enfim é só uma brincadeira minha, que a minha mulher me responde às vezes com um valente "vai-te 'estrumpfar'"!! E rimos os dois.
Outra asneira interessante é o filho da pu?a. No sul, chama-se filho da pu?a a alguém de quem não gostamos. E se dissermos isso directamente a alguém, estamos mesmo desavindos com essa pessoa, e é uma injúria de que teremos de medir bastante bem as consequências. Raramente é utilizado de forma corrente.
No norte é tão comum como outra coisa qualquer. Um prato que cai ao chão é um filha da pu?a dum prato que caiu ao ca?a??o do chão. Um caga??ão que pisámos há um minuto atrás? Ai o filha da pu?a do caga??ão! Um vinho que provámos e apreciámos? O filha da pu?ta é mesmo bom, ca?a??o... ?o?a-se!
Enfim, tenho notado que a linguagem grosseira é tão comum e indiferente para o povo nortenho, homens e mulheres, ricos e pobres, havendo muito poucas excepções das pessoas aqui que conheço. Claro está que uns estrumpfam mais que outros!
Adoro esta terra com o mesmo amor que nutro por Lisboa, Algarve ou o Alentejo. Não há por que ter bairrismos. Tudo faz parte da riqueza cultural e social que nos valoriza todos os dias.
Um abraço a todos, que isto já está muito longo!!...
Nasci em Évora em 73, fui morar para o Algarve com 1 aninho de vida, depois aos 14 fui para Lisboa e ali fiquei, estudei e trabalhei. Os meus pais têm origens para os lados de Rio Maior, onde moram actualmente.
Posso dizer que sou alentejano de nascença, com uma costela algarvia já muito esquecida e que, principalmente, mesmo morando em Esposende, ainda me considero muito Lisboeta, com as vantagens e desvangens que isso pode acarretar.
Casei, a minha mulher é de Barcelos, e um moderado desafogo financeiro (e zero responsabilidades de crédito), levaram-me a optar por viver em Esposende, sem preocupação imediata se iria ou não arranjar emprego aqui.
Devo dizer que até aos meus 17 anos, só tinha ido até Coimbra, e que isso para mim, à altura, já era norte que chegasse. Aos 21 visitei Braga.
Arranjar uma namorada oriunda do norte aos 23 anos(minha actual mulher), foi o passaporte para conhecer com maior profundidade o Porto e as terras prálém Douro.
Os vários sítios onde vivi ao longo da minha vida não me fazem especialmente apegado a uma região. Assim como gosto do Algarve quando lá vou, também aprecio muito Lisboa, Esposende ou o Porto.
Não há um sítio igual ao outro, e isso faz parte da magia de cada lugar.
Considero no entanto o Norte como um lugar mais empreendedor por natureza (mais o Douro litoral e Minho). O tecido empresarial aqui é pertença da região. Poucas são as empresas que vêm de fora. Não há muitas multinacionais que centralizam os escritórios aqui. O que há aqui é Sonae, Riopele, a Salvador Caetano, Impetus, Petit Patapon, Coelima, etc, etc, etc. Só prata da casa.
Lisboa é a zona central do país por natureza. As multinacionais que cá montam os seus escritórios, fazem-no na zona de Lisboa. Daí haver em Lisboa um maior número de empregos qualificados.
Um dos exemplos interessantes (relativamente à maior oferta de empregos em Liboa) é o de uma empresa de construção civil (na área do pladur) sedeada em Lisboa que conheço e que por vezes tem alguma dificuldade em conseguir segurar os montadores de pladur que contrata. É que o número de empresas de montagem de pladur que há em Lisboa é enorme, o que acaba por criar uma oferta de empregos grande, facilitando aos operários a hipótese de encontrar melhores condições de trabalho.
No norte a oferta é menor, e esta mesma empresa ao ganhar um grande contrato no norte, não teve dificuldade em arranjar gente para montar pladur nativa do norte. A dificuldade era mesmo a triagem dos realmente aptos a efectuar o trabalho. Parecia na altura (fins da década de 90) que os melhores profissionais nortenhos emigram (ou para Lisboa, ou para o Norte da Europa). Os poucos bons profissionais que foram contratados faziam um trabalho com grande afinco e davam a sensação de aquela oportunidade de trabalho que lhes era dada era uma coisa um pouco fora do comum, pela dimensão.
Numa região como o norte, onde há casos de empreendedorismo verdareiramente bem sucedidos, a riqueza extrema convive lado a lado com milhares de assalariados de baixa qualificação que pouco mais levam para casa do que 400€/mês. Mesmo assim não é das piores rigiões. Pior mesmo era se não houvesse ricos.
É bom sinal, que esteja a comparar a região Norte (com o Porto como capital) com Lisboa e não esteja a comprar outra região qualquer com Lisboa.
Costumo dizer que o Norte pode-se orgulhar de ser o que (já) é, graças a si próprio. Lisboa tem mais oportunidades graças às multinacionais. Se as tirassem de lá, Lisboa teria de vir pedir pão ao Porto e ao Norte.
Outro dos aspectos interessantes e a que me fui acostumando com o tempo é a linguagem grosseira a que estava pouco habituado em Lisboa e que aqui faz parte integrante e perfeitamente natural da linguagem.
No sul, a população masculina, num grupo reservado de amigos ou colegas, pode praguejar com extremo à-vontade. Mas a população feminina "sulenha", por regra não diz asneiras. Qualquer que seja o estrato social.
No norte é tão natural ouvir ca?a??adas num homem como numa mulher. Ou mais ainda!! E ninguém se importa.
Embora já tivesse ouvido falar desta nuance nortenha, a minha primeira experiência ao vivo foi dramaticamente hilariante. Estava num casamento (no almoço) com a minha namorada, ao lado de umas simpáticas e doces velhotas. Quando resolveram abrir a boca, pasmei e não contive a vontade de rir!! - Ó Comadre como bai? Ai não diga nada, ando c'uma dor de pernas do ca?a??o. E bocê? -Ai eu também ando toda fu?i?a, são as costas... É o ca?a??o.
Ca?a??o (ou carago, numa forma mais aligeirada) é uma interjeição de ambito tão generalista e tão comum que se aplica a tudo. Remata uma frase seja dita no fim ou no princípio, transmite espanto, alegria, trizteza, tudo, em qualquer estrato social. E ?o?a-se igualmente. Lembram-se dos estrumpfes uma banda desenhada que havia a vender há uns 20 anos? A linguagem dos strumpfes era baseada num só verbo o strumpfar, que só os strumpfes conseguiam interpretar correctamente consoante as circunstâncias. Ora no norte a utilização do ?o?a-se ou do verbo ?o?er, tem uma utilização tão genérica, quase como nos estrumpfes, o que me leva às vezes de uma forma graciosa, a chamar estrumpfolândia ao norte em geral! Ou deveria ser antes a ?ca?a??o-?o?o-lândia?!! Enfim é só uma brincadeira minha, que a minha mulher me responde às vezes com um valente "vai-te 'estrumpfar'"!! E rimos os dois.
Outra asneira interessante é o filho da pu?a. No sul, chama-se filho da pu?a a alguém de quem não gostamos. E se dissermos isso directamente a alguém, estamos mesmo desavindos com essa pessoa, e é uma injúria de que teremos de medir bastante bem as consequências. Raramente é utilizado de forma corrente.
No norte é tão comum como outra coisa qualquer. Um prato que cai ao chão é um filha da pu?a dum prato que caiu ao ca?a??o do chão. Um caga??ão que pisámos há um minuto atrás? Ai o filha da pu?a do caga??ão! Um vinho que provámos e apreciámos? O filha da pu?ta é mesmo bom, ca?a??o... ?o?a-se!
Enfim, tenho notado que a linguagem grosseira é tão comum e indiferente para o povo nortenho, homens e mulheres, ricos e pobres, havendo muito poucas excepções das pessoas aqui que conheço. Claro está que uns estrumpfam mais que outros!
Adoro esta terra com o mesmo amor que nutro por Lisboa, Algarve ou o Alentejo. Não há por que ter bairrismos. Tudo faz parte da riqueza cultural e social que nos valoriza todos os dias.
Um abraço a todos, que isto já está muito longo!!...
Pelos vistos poderia ser de lá!
Pelos vistos... poderia ser de lá!
Tripeiro nato
Você é um homem/mulher do Norte! Não há nada que lhe escape: que ninguém pense em abordá-lo com falinhas mansas sem um cimbalino e uma francesinha na mão! Para si, tudo o que não esteja num raio de cinco quilómetros a volta da Torre dos Clérigos é paisagem. Aprovado com distinção neste teste de Portualidade já pode ir contando com um convite para ser o rei/rainha da noite de S. João.
TraderT - www.forumdebolsa.com
Aquilo que possa escrever neste fórum será uma mera opinião própria da questão em causa, sem nenhuma garantia de qualquer tipo e sem ser um conselho ou recomendação.
Aquilo que possa escrever neste fórum será uma mera opinião própria da questão em causa, sem nenhuma garantia de qualquer tipo e sem ser um conselho ou recomendação.
Vale a pena ...
Já me desfiz a rir com as anedotas...
Podem crer que vão para a cama muito mais aliviados
Então aquela do F-D -se na parte final é o máximo
Podem crer que vão para a cama muito mais aliviados
Então aquela do F-D -se na parte final é o máximo
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boa trichas
bem metida sim senhor!!!
eu sou mesmo do puorto carago!(mais propriamente de matosinhos,a terra do "pexe")
claro que custa muito aos "senhores" de lisboa a supremacia da melhor equipa de portugal pós 25 de abril (pelo menos serviu para isso!)
uma achega ao zguibz:
penca=nariz grande,narigudo.tambem pode ser a dita "couve"
azeiteiro=homem mal vestido,sem gosto,com ar de tomar banho de ano a ano!
marido enganado na minha terra e mesmo "corn..." (o resto ta censurado)
um a braço
M.J.A.
claro que custa muito aos "senhores" de lisboa a supremacia da melhor equipa de portugal pós 25 de abril (pelo menos serviu para isso!)
uma achega ao zguibz:
penca=nariz grande,narigudo.tambem pode ser a dita "couve"
azeiteiro=homem mal vestido,sem gosto,com ar de tomar banho de ano a ano!
marido enganado na minha terra e mesmo "corn..." (o resto ta censurado)
um a braço
M.J.A.
..bom a onda e a mesma mas agora ja não deve dar confusão!
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- Localização: PORTO
Tripeiro nato
Você é um homem/mulher do Norte! Não há nada que lhe escape: que ninguém pense em abordá-lo com falinhas mansas sem um cimbalino e uma francesinha na mão! Para si, tudo o que não esteja num raio de cinco quilómetros a volta da Torre dos Clérigos é paisagem. Aprovado com distinção neste teste de Portualidade já pode ir contando com um convite para ser o rei/rainha da noite de S. João.
Você é um homem/mulher do Norte! Não há nada que lhe escape: que ninguém pense em abordá-lo com falinhas mansas sem um cimbalino e uma francesinha na mão! Para si, tudo o que não esteja num raio de cinco quilómetros a volta da Torre dos Clérigos é paisagem. Aprovado com distinção neste teste de Portualidade já pode ir contando com um convite para ser o rei/rainha da noite de S. João.
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- Localização: PORTO
Boas
Então é assim:
Claro que obtive 100%, sou de cá carago;
mas gostava de deixar umas ressalvas para algumas expressões.
Por exemplo; não conheço um "loquete", mas sim um "aloquete"; da mesma forma que "penca" não será uma couve mas sim uma "tronchuda"
; e por fim, não sei o que conhecem por bimbo, mas na minha terra um "azeiteiro" é um "marido enganado" mas que não se importa!!!
Abraços
Zguibz[/b]
Então é assim:
Claro que obtive 100%, sou de cá carago;
mas gostava de deixar umas ressalvas para algumas expressões.
Por exemplo; não conheço um "loquete", mas sim um "aloquete"; da mesma forma que "penca" não será uma couve mas sim uma "tronchuda"
Abraços
Zguibz[/b]
Re: oppss, porque será?
mjaguiar Escreveu:
tripeiro de gema e com vontade de estabelecer a fronteira ai pelos lados de coimbra!!!
Coimbra ainda é Portugal!
Aliás os de Coimbra deviam fazer um teste igual aos habitantes do sul pois a permanencia do povo mouro por centenas de anos trouxe muitas dislexias vocabulares. Digo de Coimbra pois é considerada a região do país onde se fala correctamente o português.
Não são só os andrades que falam assim...os mouros também!
em cada lampião há... 
Re: Caro Chevall
mcarvalho Escreveu:Gosto bastante dos alfacinhas de gema mas, essas costelas e esses amigos "pesam" muito no seu carácter
Um grande abraço a si e a todos os que não esquecem e se orgulham das suas raizes...porque, sem raizes não passamos de "nabiças sem nabo"
mario carvalho
Peço desculpa mas, esta dos "nabos" vem na resposta a amigo Bullsista em e só terá interesse inserida nesse contexto... em
http://www.caldeiraodebolsa.com/forum/v ... hp?t=53542
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Caro Chevall
Gosto bastante dos alfacinhas de gema mas, essas costelas e esses amigos "pesam" muito no seu carácter
Um grande abraço a si e a todos os que não esquecem e se orgulham das suas raizes...porque, sem raizes não passamos de "nabiças sem nabo"
mario carvalho
Um grande abraço a si e a todos os que não esquecem e se orgulham das suas raizes...porque, sem raizes não passamos de "nabiças sem nabo"
mario carvalho
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oppss, porque será?
por acaso acho que ja tinha feito este teste mas na duvida!
tripeiro de gema e com vontade de estabelecer a fronteira ai pelos lados de coimbra!!!
tripeiro de gema e com vontade de estabelecer a fronteira ai pelos lados de coimbra!!!
..bom a onda e a mesma mas agora ja não deve dar confusão!
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