Caldeirão da Bolsa

Sistema de ensino português agrava desigualdades sociais

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por rteixe01 » 6/12/2006 16:14

Oeiras,

Cheguei a ir jogar à bola à Afonso Domingues e à Luis António Verney que é lá também ao lado.
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por Oeiras » 6/12/2006 15:58

rteixe01 Escreveu:Tudo tretas e desculpas esfarrapadas!
Eu por decisão do destino ou não, quando passei para o secundário, fui parar sem ter pedido ao D.Dinis, em Chelas, mesmo ao lado da Zona J e não foi por isso que não me licenciei e arranjei um bom emprego! Escola pior que essa há poucas, era tudo pessoal da Zona J, tudo "bons meninos".......
Simplesmente eu esforcei-me e quis estudar, os outros andavam lá a brincar com aquilo e só queriam passar o tempo.
Por isso não me venham com essa dos "coitadinhos" que estão em escolas marginalizadas, tudo tretas!


Somos 2, eu estudei o secundário, na Afonso Domingos em Marvila a 2 horas de casa, uma turma terrível, só rapazes, mais preocupados em sabotar as aulas, do que aprender, mas lá levei as coisas a sério e tirei uma licenciatura.

O meio depende muito dos alunos, e tem que aprender a adquirir autonomia, acho que faz parte da evolução maturitária de cada um, muitas desculpas que vejo por aí, são escapes para justificar os maus resultados.
 
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por rteixe01 » 6/12/2006 15:28

Ulisses,

Do meu ponto de vista, a resposta é fácil, separar o trigo do joio.

Abraço
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por Valete » 6/12/2006 15:28

Penso que esses 20 que não dão rendimento deve ser analisado caso a caso se realmente tem capacidades de dar a volta por cima, ou se andam lá apenas a "encher chouriços". E depois existe ainda um problema que para mim é o maior de todos: existem muitos putos com excelentes capacidades que não se adaptam ao nosso sistema de ensino, e muitos fracos que se adaptam perfeitamente...
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por Keyser Soze » 6/12/2006 15:27

Quando existem turmas onde mais de metade são repetentes alguns duas ou três vezes...É caso para perguntar o que lá andam a fazer...


isso já não se verifica

o "nosso" sistema resolveu isso: até ao 9º toda a gente passa (reprova-se só em condições extremas)

assim toda a gente tem a escolaridade obrigatória e é fixe para as estatisticas

depois do 9º ano tens uma tx de abandono escolar na ordem dos 50%

dos restantes, uns 25% fazem o 12ª e continuam para a universidade

(as % são valores próximos, tirados de cabeça)

este é um problema gravissimo do sistema ( e q não é culpa dos profs. eheheh)

juntas um sistema sem exigência, sem disciplina e com professores em guerra com o ministério e tens uma mistura explosiva


é por isso que muita gente desempregado na vale do ave com 20 e pouco anos anda a emigrar para a Europa para trabalhar nas obras e nas limpezas ( tal como os pais, o ciclo continua )

e é tb por isso que os paises de Leste da Europa nos vão (estão) a ultrapassar


(excepção a Albanias, Roménias e Bulgárias ...)
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por Ulisses Pereira » 6/12/2006 15:19

Bem, no meio disto tudo há uma questão importante à qual nºao sei responder.

40 alunos. 20 muito bons, atentos, disciplinados e 20 péssimos, desatentos e insubordinados. Temos que fazer 2 turmas. Qual a melhor solução?

Um abraço,
Ulisses
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por Valete » 6/12/2006 15:13

Quando existem turmas onde mais de metade são repetentes alguns duas ou três vezes...É caso para perguntar o que lá andam a fazer... simplesmente não conseguem aprender nada de útil para o seu futuro, por isso já podiam estar era estar a trabalhar.
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por rteixe01 » 6/12/2006 13:19

Pois, esse argumento apenas reforça ainda mais as minhas palavras.
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por rmachado » 6/12/2006 13:10

Nestas questões da "marginalidade" sugiro a leitura do Freakonomics (acho que é assim)...

A parte de como é difícil ser um crack dealer.. é muito elucidativa...

E umas das carolas mais em voga nos States em economia veio de uma "Zona J"...
 
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por rteixe01 » 6/12/2006 12:50

Tudo tretas e desculpas esfarrapadas!
Eu por decisão do destino ou não, quando passei para o secundário, fui parar sem ter pedido ao D.Dinis, em Chelas, mesmo ao lado da Zona J e não foi por isso que não me licenciei e arranjei um bom emprego! Escola pior que essa há poucas, era tudo pessoal da Zona J, tudo "bons meninos".......
Simplesmente eu esforcei-me e quis estudar, os outros andavam lá a brincar com aquilo e só queriam passar o tempo.
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por Rui12ld » 6/12/2006 12:44

Não percebo pq no sistema público há-de ser diferente, não escolhemos os hospitais em função das condições, etc.

Faz-me lembrar aquela deputada do BE que queria acabar com as explicações pois criava desigualdades nos exames nacionais.
:roll:
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por Keyser Soze » 6/12/2006 12:42

tretas

qq um de nós andou na escola e apercebeu-se disto
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por rteixe01 » 6/12/2006 12:42

Efectivamente entendo que o facto de se estudar em escolas com melhores equipamentos e condições estruturais, motiva os alunos, repercutindo-se isso nas suas notas.

Por outro lado, tal como quando diz que "Uma outra pesquisa, realizada em 2001, analisou a constituição de turmas na mesma escola, desta vez situada num bairro desfavorecido do concelho da Amadora, tendo sido identificados os mesmos factores de desigualdade.

Alunos de classe média com trajectórias escolares de excelência eram todos agrupados nas mesmas turmas, sendo as outras constituídas por estudantes provenientes de um bairro social e com um fraco desempenho escolar.
" também entendo perfeitamente, não faz sentido algum, pegar num aluno que gosta de estudar e que está motivado e colocá-lo numa turma de "arruaceiros" que passam as aulas a arranjar problemas e a desestabilizar os colegas.
Sei qu é frio da minha parte dizer isto, mas infelizmente a vida é assim, não se pode prejudicar uns em função de outros. E não me tentem "vender" argumentos de que se devem fazer turmas mistas de bons e maus alunos, etc e tal. É quase como aquela dequeles que compraram casa por exemplo na Alta de Lisboa, a preços bem altos e depois vem a CML e mete lá os outros vindos das barracas e que só fazem porcaria a pagar rendas miseráveis, depois o argumento é que que se deve misturar para tentar socializar os supostos "desfavorecidos". Mentiras, quer dizer, uns matam-se a trabalhar para pagar prestações de 800€ e outros que andam a roubar recebem tudo de mão beijada. Obviamente não se pode por tudo no mesmo saco, mas na maioria dos casos as coisas são assim.
E o mesmo acontece com os bons e maus alunos, fazem bem em não os misturar. Se não querem estudar, pelo menos não desencaminham os outros. Já quando andava no preparatório e secundário, os "desfavorecidos" recebiam SASE, não pagando alimentação nem livros, ou seja, eram-lhes dadas condições para poderem estudar, e eles só queriam era bola, cigarros e ténis de marca e depois vêm dizer que não lhes eram dadas condições.....

Por fim, peço desculpa por este meu discurso um pouco inflamado, mas estou farto de ler artigos onde parece que é os "desfavorecidos" são assim por culpa da sociedade e que temos todos de ter pena deles e dar-lhes tudo e mais alguma coisa.
Conheço muitos que não querem trabalhar, queixam-se que estão desempregados, mas que vão recusando os empregos, pois preferem receber o SMN enquanto vão estoirando dinheiro em idas ao café, tabaco e saidas à noite não se importando por pagar 10€ ou mais por uma bebida.
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por rmachado » 6/12/2006 12:40

Eu penso que isto já se sabia..

Pelo menos na questão da divisão das turmas...

Mas tb temos que medir o impacto do meio familiar no aproveitamento escolar, o que não é reflectido no estudo, levando até a um aproveitamento populista da questão.

Será que no estudo estão consideradas as horas dedicadas ao estudo? As razões da degradação das escolas?
 
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por Keyser Soze » 6/12/2006 12:39

Rui12ld Escreveu:Mas o facto de um Pai querer o melhor para o filho é mau? Ele há coisas...


se tivesses num sistema privado e pagasse par ter melhor...não

agora num "sistem público" ... sim

toda a gente deve ter as mesmas oportunidades, da mesma maneira q toda agente é igual perante a lei

isto só vai demonstrar que "sistema público, o "estado social" em Portugal é apenas uma desculpa para sobrecarregar o pais com impostos para beneficio de alguns
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por Rui12ld » 6/12/2006 12:34

Mas o facto de um Pai querer o melhor para o filho é mau? Ele há coisas...
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por jp3 » 6/12/2006 12:20

This country SUCKS..! :evil: :evil:
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Sistema de ensino português agrava desigualdades sociais

por Keyser Soze » 6/12/2006 12:07

....e a pensar que isto só se verificava nos "privados" .... ehehehe

Estudos do ISCTE
Sistema de ensino português agrava desigualdades sociais
06.12.2006 - 09h20 Lusa

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp ... idCanal=74

O sistema de ensino em Portugal discrimina os alunos por escolas, por turmas e por vias de ensino, agravando os processos de desigualdade social, revelam as conclusões de vários estudos do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

No âmbito do Fórum de Pesquisas CIES (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia) 2006, este ano dedicado às temáticas da Sociedade do Conhecimento, Jovens e Educação, investigadores do ISCTE vão apresentar os resultados mais relevantes da investigação feita nesta área nos últimos anos.

A divisão de turmas segundo o desempenho escolar e a origem social dos alunos e a selecção de estudantes definida com base nestes critérios por parte de escolas situadas na mesma zona são realidades identificadas nas pesquisas que os investigadores consideram contribuir para o aumento da "'guetização' social".

Há escolas de elite e escolas que marginalizam

No estudo "Políticas de Educação Básica, Desigualdades Sociais e Trajectórias Escolares", realizado no ano passado, foram analisadas quatro escolas públicas que evidenciam diferenças acentuadas a nível da origem social e desempenho escolar dos alunos, assim como da qualidade dos equipamentos, apesar de se situarem a pouca distância umas das outras — na zona Norte de Lisboa, entre o Lumiar, Carnide e Telheiras.

Numa das escolas do 2º e 3º ciclos que foram analisadas, os estudantes pertencem maioritariamente a classes sociais elevadas, apresentam um bom desempenho escolar e beneficiam de equipamentos novos, enquanto noutra os alunos são sobretudo de classes desfavorecidas, registam altas taxas de reprovação e usufruem de equipamentos escolares degradados.

No primeiro caso, a percentagem de alunos que chumbaram mais do que uma vez é de apenas sete por cento, um valor que dispara para os 49 por cento na escola frequentada sobretudo por alunos de classes desfavorecidas.

A taxa dos que nunca chumbaram é igualmente esclarecedora, situando-se nos 82 por cento na primeira escola e em apenas 33 por cento na segunda.

"Sendo todas públicas e situadas na mesma zona, há escolas de elite e outras de crianças quase marginalizadas. Toda a gente quer pôr os filhos nas escolas com melhores alunos e essas acabam por ter mais candidatos do que vagas, o que lhes permite seleccionar os estudantes e excluir os repetentes ou os provenientes de um bairro social, por exemplo", explicou Pedro Abrantes, um dos investigadores responsáveis do painel Diversidade e Desigualdade nas Escolas.

Estudo de 2001 detectou mesmos factores de desigualdade

Uma outra pesquisa, realizada em 2001, analisou a constituição de turmas na mesma escola, desta vez situada num bairro desfavorecido do concelho da Amadora, tendo sido identificados os mesmos factores de desigualdade.

Alunos de classe média com trajectórias escolares de excelência eram todos agrupados nas mesmas turmas, sendo as outras constituídas por estudantes provenientes de um bairro social e com um fraco desempenho escolar.

"Até aos anos 70, 80 a maioria dos jovens não frequentava a escola a pa rtir do primeiro ciclo, à excepção dos pertencentes a classes sociais elevadas. Hoje a escola pública acolhe todos, mas de forma muito diferenciada", sublinhou o investigador, considerando que "os estudos apontam claramente para uma evolução da 'exclusão da escola' para a 'exclusão na escola'".

Já no que diz respeito à violência nos estabelecimentos de ensino, as diferenças na origem social dos alunos deixam de ser significativas, segundo as pesquisas, que concluem que o fenómeno "não ocorre em mais quantidade nas escolas onde existe mais insucesso escolar ou com maior diversidade cultural e étnica".

"Os estudos relativos a essa matéria ainda não estão terminados, mas permitem já concluir que há factores como a qualidade dos equipamentos e a estabilidade do corpo docente e do conselho executivo que são mais determinantes a nível da violência", adiantou o responsável do CIES.
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