Caldeirão da Bolsa

Dívida externa atinge 70% da riqueza criada no país

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Dívida externa atinge 70% da riqueza criada no país

por luiz22 » 24/10/2006 7:48

Dívida externa atinge 70% da riqueza criada no país
Recuperação das exportações é insuficiente para inverter subida do endividamento nacional.

Bruno Faria Lopes

O endividamento externo da economia portuguesa voltou a agravar-se no primeiro semestre deste ano e representa já cerca de 70% da riqueza produzida no país. Os dados, calculados a partir do boletim estatístico de Outubro divulgado ontem pelo Banco de Portugal (BdP), mostram que o crescimento das exportações portuguesas registado no último ano não é suficiente para inverter a tendência de agravamento da dívida externa.
“A melhoria nas exportações está numa fase inicial, pelo que é difícil notar-se o seu efeito no valor da dívida”, refere Rui Constantino, economista-chefe do Banco Santander. “A evolução positiva da balança comercial poderá ser um factor de moderação da dívida, mas, por si só, não será suficiente para inverter a tendência de agravamento”, acrescenta.
O boletim do BdP aponta um valor de 103,4 mil milhões de euros para o endividamento externo português no fim do primeiro semestre deste ano, o que representa uma variação homóloga de 15,5% e um crescimento de quase 14 mil milhões de euros face ao registado no final de 2005.
Pela análise dos números do BdP relativos à Posição de Investimento Internacional, verifica-se que este agravamento no primeiro semestre é motivado sobretudo pela subida do endividamento externo no sector da banca, em cerca de 18,5 mil milhões de euros. No final de 2005, a banca era responsável por 60% do endividamento de Portugal junto do estrangeiro, um peso que subia para 80% ao acrescentar as instituições financeiras não monetárias.
“Esta subida reflecte a continuação da expansão da procura interna e do correspondente endividamento dos privados”, explica Rui Constantino. “O crédito tem uma dinâmica que não é acompanhada pela capacidade de captação de recursos da banca, pelo que esta recorre ao endividamento externo”.
A concessão de crédito a privados foi subindo ao longo do primeiro semestre deste ano, com destaque para o crédito a empresas, que registou a maior aceleração marginal, estando agora a crescer 7,5%. O crédito a particulares – no qual a habitação é a maior fatia – manteve um crescimento estável à volta dos 10% no primeiro semestre do ano. Estes ritmos continuam bem acima do crescimento nominal da economia no mesmo período, em torno dos 3,5%.
Além dos encargos decorrentes da dívida externa – que custa 3,5% do PIB todos os anos em juros e amortizações – esta situação de cada vez maior desequilíbrio comporta um grande risco. “Os não residentes podem retirar activos de Portugal ou pedir uma taxa de remuneração mais levada”, aponta Rui Constantino. A consequência
As decisões fáceis podem fazer-nos parecer bons,mas tomar decisões difíceis e assumi-las faz-nos melhores.
 
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