Caldeirão da Bolsa

O mundo permanece em silêncio

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por Agoudal » 1/10/2006 0:28

mcarvalho Escreveu:e, se permite não seja anti - qualquer coisa..
seja pró- qualquer coisa


Vou ser directo porque está na hora de ir dormir:


Sabe que há os "anti-americanos" e os "pró-americanos"...


Acha que os anti-americanos não são pró-qqr coisa?

Acha que os pró-americanos não são anti-qqr coisa?

Releia outra vez o meu post para ver o "anti" que é um pró-americano e o "pró" que é um anti-americano...

Repito: venha lá esse muro...
Ainda estou com dúvidas. Mesmo assim corro o risco.
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Caro Agoudal

por mcarvalho » 1/10/2006 0:11

Espero que o senhor seu pai esteja bem

e, se permite não seja anti - qualquer coisa..
seja pró- qualquer coisa
bfs
um abraço
mcarvalho
 
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Re: Procurei, procurei e... encontrei!!!

por Agoudal » 30/9/2006 23:59

mcarvalho Escreveu:Dedicado a todos os amorfos:

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei .

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar..."

Martin Niemöller, 1933





O meu avô era descendente de cristãos novos... fugidos para a Beira Alta, diz-se por lá, no caso dele, do sul de Espanha...



Mas o meu avô esteve na lista da PIDE por ser "amigo dos comunistas"... e ao meu pai, nos anos 40 e 50 muitas vezes lhe disseram que o pai dele era o próximo...

Talvez por isso o meu pai foi muito atinadinho... foi à guerra do ultramar lutar pela nação, veio de lá ferido, incapaz de fazer coisas de que muito gostava, casou com uma católica... e lembro-me dele sempre todos os Domingos na missa: católico...


Eu também sou isto tudo (que os meus antepassados foram)... mas estou na moda: sou anti-americano ...


Se calhar os meus antepassados eram judeus porque estava na moda... e tiveram que vir fugidos de Espanha...

O meu avô era comunista porque estava na moda... e esteve à porta da cadeia...

O meu pai, fruto das suas vivências, resolveu atinar... se calhar estava na moda e veio ferido do ultramar...



Pelo facto de não ver nada de engrandecedor da História nas guerras do Sr Bush, ver a socidade americana como controlada pela corrupção (considerada pelos americanizadores como "a natureza humana")..., desigual, absolutamente desumana e injusta, é verdade que como tantas outras, mas a colocar-se num pedestral como O exemplo a seguir... e isso tudo me provocar sensações de puro desagrado: estou na moda???...


Este argumento de ser moda ser anti-americano... é não ter mais argumentos perante factos inquestionáveis...

Lembro-me do Nuno Rogeiro e do Pacheco Pereira, em vésperas da invasão ao Iraque (Parte II), afirmarem que ía ser uma guerra de 1 mês... e do comuna anti-americano (na moda) do Rosas a dizer-lhes que não tinham noção do conflito étnico que a invasão iria gerar, e assim perpetrar a guerra por anos...
...

Para estes senhores, um dia o Bush ía salvar o mundo do terrorismo, no dia seguinte era "moda" ser anti-americano...




Já agora... relativamente à questão da Guerra Israelo Árabe... tenho a ideia que há criminosos de um lado e do outro...

Ao ler o artigo que o colega Keyser aqui apresentou lembrei-me de pensamentos que tinha na minha adolescência... em plena aula de História... que "só conta estórias de assassinos e masácres"...

Geralmente aqueles que mataram mais, foram "os maiores"... aqui as contas são ao contrário...

Ai ETA ETA... se isto pega, e alguém se lembra de fazer as contas dos que vocês mataram ainda têm o País Basco livre até ao fim do ano...




Conclusão: nós homens e mulheres temos que justificar a nossa razão com o argumento do menor mal cometido...


Mais ainda, se calhar alguns países europeus fizeram mal o servicinho... já imaginaram um grupo terrorista de ínidos americanos... não? morreram todos... e os que sobram emborcam wiski o dia todo...


O que está na moda mesmo é assobiar p'ro ar...

Venha lá esse muro...
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Jotabil

por mcarvalho » 30/9/2006 23:42

Pelo conhecimento profundo que demonstra possuir dessas seitas e dos filosofos que se vendem , a amargura e ódio com que faz as suas intervenções, levam-me a concluir que se trata de um mero sentimento de inveja por não ter sido aceite por eles

bfs
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comentário

por jotabil » 30/9/2006 23:25

Tb não é isso Caro clinico....já não são povos ou credos que estão em causa....são interesses em réditos ...em lucros dos mercados primários que motivam esta propaganda sem bandeiras, feita por seitas do poder escondidas nos seus santuários e aproveitando a indigência das massas ignaras que se compram e vendem facilmente.
No Luxemburgo os portugueses são apenas os escravos bem pagos em santuários inabordáveis.
Na França existem lugares onde entrariamos como meros criados de dentro....e na alemanha existem coios de uma riqueza imensa....na holanda na bèlgica. Nos Usa tb existem lugares inacessíveis..no reino unido....e são essas seitas que mandam no mundo comprando tudo até a propaganda que gera este caos onde o vulgo se encontra mergulhado....Basta ter uns conhecimentos liminares de geopolitica de geoestratégia e de estratégia ( sem ser da bombeiral)
para se ter uma dimensão real do que aí vai de confusão por esse mundo.
O que é preciso é estudar e ter conhecimento estruturado do que está em causa....para admirarmos a desfaçatez dos agentes da propaganda..que utilizam tudo o que sabem da socioogia e da psicologia humanas para insidiosamente nos orientarem para os fins pretendidos.
Existem escritores e filósofos que se vendem a esses agentes para fazerem valer uma ideia..orientadora...porque os que realmente pensam são pouco conhecidos dado que estão fora da ortodoxia vigente....e o que dizem apenas os podem remeter para comportamentos desviantes.
Ná caro clinico....nem israelitas nem árabes.... o que está em luta são outros domínios e outras gentes que , em princípio se mantêm na obscuridade das suas ambições.
O que está escrito em revistas segue a mesma lógica do lucro....não pertence ao esforço sincero da ética exigida pelo absoluto do homem na sua busca da incontornável transcendência e da insuperável cisão sujeito/objecto a que se encontra condicionado na sua natureza de homem.
O que se passa actualmente no mundo são quase os estertores finais de um ultraliberalismo acossado pela emergência de novas racionalidades fundadas numa fé também nova no homem mais proximo da sua trancendência e talvez por isso mais rigido na procura de uma ética sincera e mais de acordo com o absoluto que persegue.
Bem...mas isto afasta-se muito dos escritos panfletários apresentados neste post.


cumps
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por scpnuno » 30/9/2006 23:08

JOGO2006MARKITOS Escreveu:....invasão nunca é bem tolerada....

As pessoas são pessoas em todo o lado, para mim são iguais, judeus e àrabes, todos violentos à sua maneira. Assim como Espanhóis e Portugueses são todos porcos à sua maneira.

Chega de teorias da perseguição.


Bem, a verdade é que eu me orgulho de viver numa sociedade em que é permitido que se digam coisas destas ... é uma democracia. Verdade que quando leio certas coisas, fico a pensar que até a democracia tem limites...

Curioso ver um português a falar de invasões ..coisa em que durante muitos anos fomos especialistas...

Etiquetas do genero "Espanhóis e Portugueses são todos porcos" ou "judeus e àrabes, todos violentos " são profundamente contraditórias com "As pessoas são pessoas em todo o lado". Nesta ultima, eu acredito.

Só que algumas são educadas a amar e respeitar, outras a odiar e humilhar.

Eu pertenço á categoria dos "porcos" - onde as mulheres não são mutiladas, onde votam, onde (para desespero de alguns) investem em bolsa, pasme-se!! Onde nascemos e vivemos com direitos iguais - engraçado, em Israel também. Querem falar nos Estados Arabes???

A nossa sociedade não é justa? Não é a ideal? Não, mas há muitooooo pior do que nós, os porcos ocidentais.

Acordem, olhem e pensem. Eles (os arabes) só têm uma coisa que nós invejamos, o petroleo. E mesmo esse, tenho esperança que mais tarde ou mais cedo possa ser deixado de usar como armade arremesso. Nessa altura, talvez, só talvez, se vislumbre a solução. Afinal, deixa de haver com que se faça chantagem, não é? O dinheiro compra tudo, até opiniões.

Teorias de persegição? naaa, nem de conspiração; è mesmo desinformação

Bom fim de semana

P.S. Jotabil, deixe os agarenos irem com o benelux de fim de semana, homi :shock:
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mundo em silencio

por Clinico » 30/9/2006 22:20

Meu caro Jogo, leia outra vez os dados e os números do post do Kaiser Sozé e veja lá se isso tem alguma coisa a haver com o que disse. Não se está a discutir colonatos nem invasões de terras, que isso era tema para uma enorme troca de impressões!

Está-se a discutir o facto de a propaganda árabe, muito bem montada, levar a que pessoas menos informadas culpem os judeus pelos males do mundo. E não tome uma atitude confortável de europeu de que somos todos porcos! É precisamente isso que os radicais islamicos estão a dizer agora, ou ainda não percebeu o meu amigo que ao lado do termo prejurativo de "judeu", esses senhores começam a encaixar o de "cruzados"??? O Papa fez um comentário e AMEAÇAM O PAPA??? e matam uma freirinha??? e queimam igrejas?? e somos NÓS todos porcos???
Juizo ilustre! Muito juizo!
Abraço
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comentário

por jotabil » 30/9/2006 22:14

Caros

Não se esqueçam que existem artigos panfetários cujo fim é aumentar a dessidências existentes.
O que se passa no médio oriente entre os agarenos e os israelitas é manipulado pelas duas facções em que se encontra dividido o Ocidente.
E claro que se fazem artigos destes para ensandecer os manipulados pela propaganda dado que os rivais não podem ser descobertos nas suas cobiças gordurentas.
Para os mandadores importa que o vulgo se volte contra a crueza dos israelitas e as virgens dos agarenos.....tudo isso é construido numa imensa e insidiosa propaganda tando de um lado como do outro.

De um lado estão os USA-UK.Canada
do outro estão O BENELUX-FRANÇA-ALEMANHA

É isto o que diz o pensamento geopolitico que segue uma linha sem soluções de continuidade desde há alguns séculos.
Por isso não se deixem levar por meias verdades seguidas de muitas mentiras orientadoras.

O liberalismo em hiper é terrível e compra tudo.
É pena como se fazem artigos deste teor a alimentar a desorientação geral

cumps
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por JOGO2006MARKITOS » 30/9/2006 21:27

A partir do momento em que se defendem "colonatos" na terra dos outros, perde-se toda a razão em queixar-se de anti-semitismo. E matar pessoas por crimes sem julgamentos nem juízes é um convite a mais sangue, é a sociedade retorcida sem valores e desesperada de vingança.

Se quiserem centrar a conversa em radicais islâmicos ou religião é um erro crasso, é uma questão de território. Nada mais. Além disso a grande razão pela qual o ódio é tanto naquelas paragens é porque como devem adivinhar uma invasão nunca é bem tolerada.

As pessoas são pessoas em todo o lado, para mim são iguais, judeus e àrabes, todos violentos à sua maneira. Assim como Espanhóis e Portugueses são todos porcos à sua maneira.

Chega de teorias da perseguição.
 
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por Keyser Soze » 30/9/2006 20:13

este artigo de opinião foi publicado no jornal francês Le Figaro
o autor, Robert Redeker, um professor de Filosofia do ensino secundário, encontra-se desde então escondido e protegido por agentes da policia francesa, depois de ter recebido ameaças de morte de radicais islâmicos

What should the free world do while facing Islamist intimidation?

The reactions caused by Benedict XVI’s analysis of Islam and violence highlight the underhanded maneuver carried out by Islam to stifle what the West values more than anything, and which does not exist in any Moslem country: freedom of thought and expression.

Islam tries to impose its rules on Europe : opening of public swimming pools at certain hours reserved exclusively for women, ban on caricaturing this religion, demands for special diets for Muslim children in school cafeterias, struggle to impose the veil at school, accusations of Islamophobia against free spirits.

How can one explain the ban on the wearing of thongs on Paris-Beaches* this summer? The reasoning put forth was bizarre: women wering thongs would risk “disturbing the peace”. Did this mean that bands of frustrated youths would become violent while being offended by displays of beauty? Or were the authorities scared of Islamist demonstrations by virtue squads near Paris-Beaches?

However, the authorization of the veil on the street is more disturbing to public peace than wearing a thong, because it invites complaints against the upholding the oppression of women .This ban represents an Islamization of sensibilities in France, a more or less conscious submission to the diktats of Islam. At the very least it is the result of the insidious Muslim pressure on the minds: even those who protested the introduction of a “Jean Paul II Square” in Paris would not be opposed to the construction of mosques. Islam is trying to force Europe to yield to its vision of humanity.

As in the past with Communism, the West finds itself under ideological watch. Islam presents itself, like defunct Communism, as an alternative to the Western world. In the way of Communism before it, Islam, to conquer spirits, plays on a sensitive string. It prides itself on a legitimacy which troubles Western conscience, which is attentive to others: it claims to be the voice of the oppressed of the planet. Yesterday, the voice of the poor supposedly came from Moscow, today it originates in Mecca! Again, today, western intellectuals incarnate the eye of the Koran, as they have incarnated the eye of Moscow. They now excommunicate people because of Islamophobia, as they did before because of anti-communism.

This opening to others, specific to the West, is a secularization of Christianity that can be summarized thus:the other person must come before myself. The Westerner, heir to Christianity, is the that exposes his soul bare. He runs the risk of being seen as weak. With the same ardor as Communism, Islam treats generosity, broadmindedness, tolerance, gentleness, freedom of women and of manners, democratic values, as marks of decadence. They are weaknesses that it seeks to exploit, by means of useful idiots, self-rigtheous consciences drowning in nice feelings, in order to impose the Koranic order on the Western world itself.

The Koran is a book of unparalleled violence. Maxime Rodinson states, in Encyclopedia Universalis, some truths that in France are as significant as they are taboo. On one hand: “Mohammed revealed in Medina unsuspected qualities as political leader and military chief (…) He resorted to private war, by then a prevalent custom in Arabia (….) Mohammed soon sent small groups of partisans to attack the Meccan caravans, thus punishing his unbelieving compatriots and simultaneously acquiring the booty of a wealthy man.”

There is more: “Mohammed profited from this success by eradicating the Jewish tribe which resided in Medina, the Quarayza, whom he accused of suspect behaviour.” And: “After the death of Khadija, he married a widow, a good housewife, called Sawda, and in addition to the little Aisha, barely ten years old. His erotic predilections, held in check for a long time, led him to ten simultaneous marriages .”

A merciless war chief, plunderer, slaughterer of Jews and a polygamist, such is the man revealed through the Koran.

In fact, the Catholic church is not above reproach. Its history is strewn with dark pages, for which it has officially repentaed. The Inquisition, the hounding of witches, the execution of the philosophers Giordano Bruno and Vanini, those wrong-thinking Epicureans, in the 18th century the execution of the knight of La Barre for impiety, do not plead in the church’s favor. But what differentiates Christianity from Islam is obvious: it is always possible to go back to true evangelical values, the peaceful character of Jesus as opposed to the deviations of the Church.

None of the faults of the Church have their roots in the Gospel. Jesus is non-violent. Going back to Jesus is akin to forswear the excesses of the Church. Going back to Mahomet, to the conbtrary, reinforces hate and violence. Jesus is a master of love, Mahomet is a master of hatred.

The stoning of Satan, each year in Mecca, is not only an obsolete superstition. It not only sets the stage for a hysterical crowd flirting with barbarity. Its importis anthropological. Here is a rite, which each Muslim is invited to submit to, that emphasizes violence as a sacred duty in the very heart of the believer.

This stoning, accompanied each year by the acciedental trampling to death of some of the believers, sometimes up to several hundreds, is a rite that feeds archaic violence.

Instead of getting rid of this archaic violence, and thus imitating Judaism and Christianity (Judaism starts when it abandons human sacrifice, and enters civilization; Christianity transforms sacrifice through the Eucharist), Islam builds a nest for this violence, where it will incubate. Whereas Judaism and Christianity are religions whose rites spurn violence, by delegitimizing it, Islam is a religion that exalts violence and hatred in its everyday rites and sacred book.

Hatred and violence dwell in the book with which every Muslim is brought up, the Koran. As in the Cold War, where violence and intimidation were the methods used by an ideology hell bent on hegemony, so today Islam tries to put its leaden mantel all over the world. Benedict XVI’s cruel experience is testimony to this. Nowadays, the West has to be called the “free world” in comparison to the Muslim world; likewise, the enemies of the “free world”, the zealous bureaucrats of the Koran’s vision, swarm in the very center of the free World.
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Obrigada amiga Scpnuno

por mcarvalho » 28/9/2006 22:59

Vale a pena tentar....

Num Mundo de Zombis em que, se colocam um preservativo no nariz do Chefe da Igreja de
muitos milhões...
todos se riem inclusivé esse milhões...porque isso significa VIDA

mas, se colocam uma bombazita na cabeça do outro que significa MORTE ... todos se revoltam porque isso é ferir susceptibilidades....
... COVARDES...

Realmente o Mundo Ocidental não tem valores, não tem objectivos ( a não ser o dinheiro) e não passam de mortos vivos.... sem virgens e sem paraíso...
os outros são vivos para morrerem pelas virgens e pelo paraiso

Tu és corajosa e defendes os principios e valores que te ensinaram a acreditar
bjs
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o mundo

por Clinico » 28/9/2006 22:42

Obrigado Kaiser Sozè (do belíssimo filme "Os suspeitos do costume") pela iniciativa inteligente .

Perceberam agora porque me bati na discussão há tempos, contra o antisemitismo primário da actualidade? Alguem com um mínimo de inteligencia está convencido de que quando se resolver a questão israelo-palestiniana, o problema árabe acaba???
Não é do conhecimento geral que se os árabes deposerem as armas existe paz, mas se Israel o fizer, Israel deixa de existir??

Espantosa iniciativa Kaiser!
Um abraço
Clinico
 
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Re: Neocom

por scpnuno » 28/9/2006 22:23

mcarvalho Escreveu:óptimo artigo

obrigado
mcarvalho


Subscrevo em absoluto. Obrigada, Keyser


mcarvalho Escreveu:Ps. Muitos dos que defendem o extermínio dos judeus
seriam considerados judeus se houvesse extermínio!!!


:clap: :clap: :clap: boa, mcarvalho

Mas, como sempre, o pior cego é o que não quer ver

E há coisas que não se veem, porque não se quer.
Não se dizem, porque não politica ou socialmente correcto
E, por ridiculo que pareça, ser anti Israel e anti USA, está na moda :shock: assim como as calças de cintura descida, os carros alemães e outras "porcarias" no genero - é moda, é lei. :roll:
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Procurei, procurei e... encontrei!!!

por mcarvalho » 28/9/2006 22:13

Dedicado a todos os amorfos:

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei .

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar..."

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Realmente é verdade!!!;.::.....

por mcarvalho » 28/9/2006 21:32

Quem sou eu??????!!!!!!!



Sou Judeu, Palestiniano,Americano, Frances, Alemão, Cubano, Chines, Coreano, Iraniano,Portugues, Muçulmano, Hindu, Arabe, Cristão, Católico, Ateu, Agnóstico, Estou na moda, não estou na moda,...???!!!

" EU SOU A ***** DE UM HOMEM "



Tenho Vergonha de o ser porque , até as burras das
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Realmente é verdade!!!;.::...O Mundo Permanece em ...!!!!!

por mcarvalho » 28/9/2006 21:15

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Re: Keyser Soze

por Keyser Soze » 28/9/2006 19:39

mcarvalho Escreveu:Como se sabe quem é judeu?
um abraço
mcarvalho


Who is a Jew?
http://en.wikipedia.org/wiki/Who_is_a_Jew%3F
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Neocom

por mcarvalho » 28/9/2006 18:40

óptimo artigo

obrigado
mcarvalho

Ps. Muitos dos que defendem o extermínio dos judeus
seriam considerados judeus se houvesse extermínio!!!
 
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por neocon » 28/9/2006 18:10

Os árabes e Israel
por Maxime Rodinson

Maxime Rodinson (1915-2004) foi um grande sábio. Historiador, linguista e orientalista, era um homem de uma cultura prodigiosa. Falava árabe, hebraico, turco, aramaico, gueza (etíope antigo) e muitas outras línguas. São dele obras fundamentais para a compreensão do mundo muçulmano e do Médio Oriente, como por exemplo Islam et capitalisme (1966), L'Islam: politique et croyance , La fascination de l'Islam , Israel, a Colonial-Settler State? . A sua biografia de Maomé (1961) é até hoje considerada a melhor de todas as que já se fizeram. Além de sábio, foi um homem que interveio activamente nas causas progressistas — nomeadamente na defesa do povo palestino.

O ensaio aqui publicado já tem 40 anos, mas parece tão actual como na data da sua publicação. A finura da sua análise, que permite compreender as nuances dos aspectos políticos, culturais e psicológicos das várias classes sociais e das relações de poder, são típicos de Rodinson. Poucos autores marxistas conseguem captar e transmitir tais nuances sem perda de rigor.

Maxime Rodinson. Descrever a atitude dos árabes face ao problema que o Estado de Israel lhes coloca é um empreendimento demasiado fácil ou demasiado difícil. Demasiado fácil se nos limitarmos às proclamações oficiais que se podem resumir em algumas palavras sem cambiantes: hostilidade total, não reconhecimento absoluto da existência factual desse Estado. Podemos, justamente, citar as recentes declarações mais matizadas do presidente Habib Bourguiba. Ainda assim, ele próprio se apressou a atenuar o impacto das declarações e, oficialmente, em Israel, considerou-se que elas não constituíam senão uma variante sem importância das habituais teses árabes. Mas, por outro lado, se nos propusermos analisar a atitude real dos árabes, nas suas múltiplas variedades, chocamos com uma tarefa que me parece inelutável (porque a posição oficial tem, pelo menos, essa atitude em grande conta e de outro modo não poderia ser) mas também de uma enorme complexidade. Quem são os árabes, afinal? É necessário distinguir países, regiões, tipos de vida, classes sociais. E acima de tudo, dever-se-á tentar discernir os níveis do pensamento e da expressão. Os políticos responsáveis, toda a gente sabe, não falam frequentemente como pensam. Mas os cidadãos irresponsáveis, também eles, se podem deixar levar por estados de exaltação extrema que não correspondem ao seu modo de pensar em tempos de paz e de segurança (particularmente nos países mediterrânicos), eles podem mascarar as suas ideias por razões de medo do poder ou da opinião, de respeito humano, de interesse ou de ambição, eles podem passar de um entusiasmo belicoso a uma depressão resignada e derrotista, e vice-versa. Dever-se-á, igualmente, distinguir o discurso do pensamento íntimo e até subconsciente. E tudo isto evolui de acordo com os tempos e as circunstâncias.

É por essa razão que o esboço que eu arrisco aqui recorre obrigatoriamente, a partir daquilo que eu penso conhecer dos humanos e das suas atitudes, a interpretações fundadas na intuição e nessa imaginação sociológica, cujo carácter insubstituível foi demonstrado por C. Wright Mills na abordagem dos problemas humanos.

Tomemos como ponto de partida, aquele que é sem dúvida o mais profundo e o mais geral sentimento subjacente, ao qual poucos árabes podem escapar, mesmo quando o sublimam ou o ultrapassam, ou o contradizem: o sentimento de uma imensa humilhação. A razão disso é clara. Em 1948, as armadas árabes do Oriente sofreram uma derrota amarga. Os árabes, não comprometidos imediatamente, estavam solidários com a humilhação dos orientais, e com razão, pois o mundo entendeu o sucedido como um sinal manifesto da incapacidade político-militar dos árabes no seu conjunto. Já não se tratava de uma derrota militar ocasional. A guerra da Palestina não pode ser compreendida senão como o culminar de um processo comprometido há mais de meio século; e para os observadores exteriores, praticamente unânimes, durante toda a extensão do conflito, os árabes não fizeram mais do que coleccionar derrotas políticas até tornarem fatais, digamos assim, a decisão de partilha da ONU em 1947, a guerra subsequente (o recurso a esta guerra é em si uma derrota) e os seus resultados.

Sobretudo, esta humilhação é concebida no contexto de uma humilhação mais geral, reforçada por desenvolvimentos que a alimentam. Os árabes vêm sendo humilhados, desde há muito tempo, em todos os planos. Eles pertencem a esse Terceiro Mundo que os europeus consideraram, a partir do século XIX, como retrógrado, e em estado de "colonisabilidade" (" colonisabilité" ), como referiu o argelino Malek Bennabi, e que esses mesmos europeus chegaram a colonizar, efectivamente. Disse-se e redisse-se o quanto essa situação tinha sido particularmente insuportável para um povo herdeiro de uma rica tradição cultural, que havia ele próprio dominado os outros durante tanto tempo, que havia transmitido a ideologia forjada no seu seio, a religião muçulmana, a tantos outros povos, e que, cem vezes mais, possuía um sentimento de superioridade. Os árabes sabem muito bem (pelo menos, os mais lúcidos e os mais corajosos que o proclamam) que a situação presente, juntamente com as disposições agressivas do Ocidente, resulta de fragilidades internas reais [1] . A era colonial não terminou assim há tanto tempo, e a independência reconquistada, em muitos lugares do mundo, não apagou as lembranças de uma época tão próxima, nem tão pouco impediu o ressentimento amargo provocado pela superioridade técnica e económica do Ocidente – facto que suscita obviamente situações de subordinação no Oriente. O Ocidente tem-se mostrado sempre preparado para reconquistar o terreno perdido, seja pela via económica (e eis o tema mais debatido do neocolonialismo), seja pela via militar, quando as circunstâncias o permitem, como parece ter sido o caso do Suez. E por fim, restam os territórios irredentos: a Arábia do Sul e precisamente Israel ao qual chamam oficialmente "a Palestina ocupada". As fragilidades denunciadas subsistem em grande parte e a consciência delas também.

Tudo, na maneira de compreender o problema por parte dos não-árabes, contribui para exacerbar esse sentimento de humilhação. Na Europa e na América, geralmente, e muitas vezes também no Terceiro Mundo, os árabes apercebem-se que o ponto de vista israelense é profundamente compreendido e aceite. Entre os temas mais recorrentes da propaganda israelense, se encontramos frequentemente algum cepticismo relacionado com os direitos históricos dos judeus ao território palestino, outros temas já se tornaram, por assim dizer, ideias feitas. Tomemos como exemplo, a ideia de que o sofrimento extremo dos judeus lhes confere o direito irrecusável a um Estado próprio situado onde eles muito bem entenderem. Por todo o lado, os árabes chocam com a admiração pelos feitos do Estado sionista, com a apologia das virtudes civis e militares, políticas e económicas, culturais e sociais dos israelenses. Face a esta conjuntura, os árabes têm a perfeita consciência de que a sua propaganda é inadequada, que as suas explicações e justificações parecem pouco convincentes, que os seus esforços encontram no máximo uma cortesia indulgente. Um palestino constata amargamente o sucesso obtido automaticamente, no seio dos árabes, por uma posição ou por um livro ocidental favorável às teses árabes, ainda que estas sejam insuficientes ou censuráveis. É que "todos os que se preocupam com a questão no Ocidente são partidários do sionismo… Israel está habituado a encontrar partidários entre historiadores e pensadores ocidentais e os árabes estão habituados a encontrarem aí amigos fiéis do sionismo" [2] .

Em França, a direita apoia Israel e, entre os campeões da sua causa, contam-se até mesmo anti-semitas dissimulados. A esquerda está atormentada, dividida entre o seu anti-colonialismo, que frequentemente tendeu a ser filo-árabe, e o seu anti-semitismo que lhe parece tornar difícil uma adesão às teses árabes. Os Estados Unidos asseguram formalmente a sua amizade para com os árabes e o seu maná é distribuído pelos diversos Estados árabes. Mas uma parte considerável dos recursos públicos e privados de Israel vem de lá [3] , e nas situações de grande instabilidade, os árabes sabem bem que Israel encontrará na maior potência do mundo um protector eficaz. O anti-sionismo visceral intrínseco aos árabes coincidiu com o anti-sionismo dogmático dos dirigentes soviéticos, decorrente da sua ideologia e das bases da sua política interna. Mas, nunca a URSS se alinhou às posições árabes, nem declarou formalmente o Estado de Israel ilegítimo na sua essência. A URSS tem mantido as suas relações oficiais com Israel e, por vezes, ensaia alguns passos na direcção de uma aproximação mais cordial. E ninguém esquece, apesar de tudo o que se passou depois, que a URSS teve um papel crucial no reconhecimento do Estado judeu, e que aviões checoslovacos contribuíram bastante para a sua vitória. É verdade que a China, passado pouco tempo, expressou o seu apoio total às reivindicações árabes. Todavia, a China é um protector longínquo, pouco eficaz no terreno, e para mais, comprometedor e até perigoso. Deixo de lado países menores em que árabes e Israelenses se entregam a uma luta de influência. Grosso modo, digamos que é raro que esses países apoiem absolutamente as teses árabes. Ninguém sabe o que aconteceria se os árabes adaptassem a doutrina de Hallstein e cortassem as relações com todos os Estados que reconhecem Israel! Os Estados árabes preferem não fazer a experiência e tudo parece dar-lhes razão.

Os governos deveriam ter em conta essa humilhação generalizada entre as populações árabes, pois esse é o grande sentimento, proveniente da situação concreta e subjacente a todas as suas atitudes. No entanto, deverão ter também em atenção, sentimentos igualmente provenientes de situações que vêm contrabalançar essa tendência profunda, e aqueles que a vêm acentuar.

O que a contrabalança de forma mais vigorosa é evidentemente o apoliticismo, o "indiferentismo" político. Tal como noutros lugares, muitas pessoas, nos países árabes não se interessam pela política. No entanto, são menos numerosos do que nas sociedades industriais, pois a evolução política além parece mais directamente ligada ao futuro objectivo de cada um (o que me parece coerente). Por outro lado, um apoliticismo habitual pode, em tempo de crise, ser facilmente substituído por uma participação apoiada nos valores preconizados pelo elemento politizado da nação. E depois, os políticos têm frequentemente má consciência. O ambiente geral inspira-lhes o sentimento de que a atitude deles é falsa, inautêntica (exactamente no sentido em que Sartre fala de judeus inautênticos), sentem que deveriam ter uma opinião, e que essa opinião deveria ser a mesma que é professada pela maioria da elite da sua nação. Eles evitam (por essa razão e concerteza também em virtude dos perigos objectivos aos quais eles se exporiam) declarar de modo demasiado público a sua apatia relativamente aos valores exaltados de forma tão recorrente.

Deve-se ainda falar, mais ou menos no mesmo sentido, do cepticismo disseminado nestas sociedades no que concerne a política dos governantes e os seus slogans. Durante milénios, estes povos foram habituados a serem governados por pessoas de estatuto altamente superior ao seu, e muitas vezes até por estrangeiros. O Egipto nunca viu, por assim dizer, um verdadeiro egípcio no poder entre a queda do faraó Nectanebo II (341 a.C.) e a revolução de 1952. O governo ( hokoûma ) é para eles uma espécie de mal necessário, do qual se deve duvidar ao máximo e do qual convém estar afastado, tanto quanto possível. Naturalmente, este estado de espírito está em vias de perder a sua influência com o surgimento da vida política moderna, e os seus partidos muitas vezes transbordantes de jovens entusiasmados. Contudo, ele é ainda fortemente divulgado e acentuado. Enquanto discípulo indirecto desses velhos sábios orientais, La Fontaine escrevia: "O nosso inimigo é o nosso mestre – isto digo-vos eu em bom francês". Isto disse-se durante séculos em bom egípcio antigo, em bom aramaico, e em bom árabe.

Deste cepticismo resultava uma certa bonomia humana nas relações políticas. Temos pouca consciência disso no Ocidente, em que a atenção está principalmente virada para os excessos das multidões em fúria. Essas são reacções de tempos de crise, para as quais podemos facilmente encontrar equivalentes no Ocidente, e para as quais, já meio século passado, o doutor Gustave Le Bon achava necessário constituir uma teoria geral, a partir dos exemplos ocidentais, que se revelou insustentável. Mas em tempo normal, e em virtude do que tem vindo a ser dito, o homem comum, nos países orientais, estabelece a distinção entre os desígnios dos governantes, as opções políticas das organizações, e a humanidade dos executantes, enviados muitas vezes para fazer um trabalho que os repugna, ou mesmo que o façam com o coração, porque se comprometeram num momento de entusiasmo, de transporte ideológico durável, o seu carácter superficial é conhecido, o seu eu profundo pode, a qualquer momento, aflorar na sequência de uma derrota, que até pode ser pessoal. No Oriente, tanto como no Ocidente impregnado da teoria da responsabilidade colectiva, não se tem um homem por responsável pleno daquilo que os seus dirigentes o mandam fazer, ou até mesmo daquilo que a exaltação o pode levar a fazer. Daí resultam fenómenos que surpreendem o observador ocidental, e que ele pode interpretar mal, como as amizades inesperadas, as simpatias curiosas, os laivos de compreensão fugitiva do outro.

Uma outra atitude, mais ou menos dissimulada, mas frequente, é a admiração pelo adversário. Ela coincide com a admiração (amarga, na maioria das vezes) dessa civilização europeia da qual o Estado de Israel é a emanação, a evidência emancipada em terras do Oriente, como Herzl outrora tinha já desejado. Naturalmente, existe, de forma geral, entre os árabes, o reconhecimento de poderes e de capacidades que lhes faltam, e que eles juram que vão adquirir pela via da retaliação. Essa imagem, entre os árabes, do "judeu engenhoso e hábil ao ponto quase do sobre-humano", de Israel dotado "de uma determinação obstinada, de uma energia e de uma habilidade imensas, de uma dedicação unilateral na busca dos seus objectivos" [4] não tornou senão os contactos mais difíceis, devido ao medo constante de serem "enrolados". É fácil de encontrar na literatura francesa do período entre 1872 e 1914, a expressão de sentimentos análogos relativamente ao talento das organizações alemãs, estranhamente permeada por comentários de desprezo (tal como no Oriente árabe) por esse rival e pela própria natureza da sua superioridade. Mas também encontramos muitas vezes, antes de 1948, em todo o caso, uma admiração de outro tipo, uma emulação suscitada pelas conquistas dos colonos judeus na Palestina mandatária, um desejo de seguir as suas doutrinas, que resultava por vezes numa identificação com as suas causas. Encontrei alguns desses admiradores, cujos sentimentos os levaram a uma atitude de "colaboração" com as potências ocidentais, e mais tarde com Israel. Ainda um outro tipo de atitude pode ser ilustrado pela figura espantosa de Abdel Razak Abdel-Kader, descendente do grande emir argelino, casado, salvo erro, com uma judia e trabalhador, durante algum tempo, num kibutz. Abdel-Kader, inspirado pelas suas ideias comunistas, chegou a teorizar sobre uma possível união revolucionária árabe-israelense, e a constituir na Argélia uma curiosa organização de resistência esquerdista, todavia microscópica e sem futuro [5] .

A admiração é ainda suscitada pelas obras materiais dos judeus estabelecidos em solo palestino. Muitos invejam, também, as instituições democráticas que a sua estrutura social e a sua origem cultural, de carácter europeu, lhes proporcionaram. Muitos viram aí, como A. Abdel-Kader, um fermento revolucionário para as populações árabes ou, pelo menos, uma fonte de influência benéfica num sentido liberal. A partir destes elementos, muitas vezes se gera alguma confusão. Ninguém nega que a influência e a emulação se verificam, mas que daí decorra uma incitação à fraternidade ou à aliança, isso já é uma visão fantasiada das coisas. Israel continua a ser o inimigo. Nós podemo-nos inspirar no inimigo… mas apenas para o combater melhor.

É necessário, também, observar que, naturalmente, as atitudes variam de um país árabe para outro. O Levante árabe sente-se intimamente implicado na crise palestiniana, o que é perfeitamente natural: a Síria, o Líbano, a Jordânia e, em menor grau, o Iraque formam juntamente com a Palestina árabe uma espécie de unidade que só foi quebrada pelos regulamentos resultantes da guerra de 1914-1918. A história destas antigas províncias do Império otomano é, em boa medida, uma história comum, mesmo após a sua separação política. Foi aí que se forjou a ideologia do nacionalismo árabe. O Egipto, praticamente separado do Império Otomano há mais de um século e meio, está mais distante, possui um sentimento de originalidade bastante claro, e foi atingido tardiamente pela vaga do arabismo. Os povos dos outros países árabes, ainda mais distantes, sentem-se menos envolvidos, excepto quando são tocados, em virtude do sentimento de solidariedade árabe, de modo desigual, mais ou menos profundamente, dependendo dos lugares e das camadas sociais, pelos sentimentos que eu descrevi. Conseguimos ter alguma noção dessas variações, pelo menos, no que toca ao Oriente. Os inquéritos conduzidos pelos sociólogos da Columbia University, em 1950-1951, mostraram que 4% dos egípcios citava como principal dificuldade, a ser enfrentada pela nação, o problema palestino, contra 2,7% dos libaneses, 21% dos sírios, e 51% dos jordanos (entre estes 65% dos refugiados originários do território do Estado de Israel e 43% dos outros) [6] . O orientalista germano-americano, Ilse Lichtenstadter, passou cinco meses numa aldeia egípcia no Sudoeste do Cairo em 1951, e ao interrogar os habitantes (todos eles muito atentos à política internacional, como acontece, aliás, a maior parte do tempo neste país) sobre a sua atitude perante a guerra da Palestina, constatou que: "nenhum dos numerosos homens com quem falou mostrou qualquer tipo de entusiasmo por essa guerra; alguns puseram mesmo em dúvida o bom senso da participação egípcia. Eles eram partidários da paz e da cooperação entre Israel e o seu país. Apesar de também serem árabes, não se sentiam solidários com os outros árabes nessa questão, contudo tinham alguma simpatia para com os refugiados. Esta atitude mostra claramente que eles são egípcios pela sua lealdade nacional, e árabes apenas pela sua tradição cultural" [7] .

Raramente encontraríamos a expressão de tais atitudes na Síria, no Iraque e na Jordânia. Para mais, os acontecimentos políticos subsequentes trouxeram modificações mais ou menos importantes que se ficaram a dever a uma educação política mais estimulada das populações, na opinião de alguns, ou aos efeitos nefastos da propaganda oficial, segundo outros. Em todo o caso, o que é certo é que elas variam, em contexto idêntico, conforme a conjuntura política.

Se certos sentimentos difundidos vêm atenuar ou contrabalançar o intenso sentimento subjacente de humilhação, outros, pelo contrário, vêm reforçá-lo, exacerbá-lo.

Existem as sequelas da judeofobia medieval das comunidades muçulmana e cristã – um tema que não é novo, e que tem sido desenvolvido diversas vezes. É, com efeito, um factor que deve ser cuidadosamente avaliado: não se deve sobrestimá-lo, nem subestimá-lo. Naturalmente, as teses podem ser alimentadas nas fontes dogmáticas, tais como: a crucificação de Jesus, no caso dos cristãos, e até de alguns muçulmanos; a oposição dos judeus de Medina ao Profeta, com todas as acusações corânicas que daí decorrem, no caso dos muçulmanos. Mas, a sua força vem da situação medieval em que se encontrava, ainda há pouco tempo, a sociedade oriental. As comunidades religiosas, fechadas sobre si mesmas, assemelhavam-se quase a pequenas nações: a devoção, a lealdade, a subordinação eram dirigidas a elas e nunca ao Estado. Estas comunidades gozavam de uma grande autonomia, regulavam elas mesmas a sua vida interna e as suas instituições. O Estado apenas exigia delas o imposto e o tributo. Poderíamos ainda compará-las com o sistema otomano dos millet, que tem antecedentes distantes e que ainda se conserva em larga medida no Líbano, e de certo modo, também um pouco em Israel. Entre estes grupos confessionais estabeleciam-se, naturalmente, relações de competição com as habituais consequências: desconfiança, hostilidade mais ou menos acentuada conforme as circunstâncias, por vezes, ódio e desprezo. A comunidade privilegiada era certamente aquela que dispunha do Estado; a comunidade muçulmana aceitava os outros e não procurava afastá-los de modo nenhum, contudo acordava-lhes um estatuto inferior. Desta situação resultava, logicamente, uma atitude de superioridade desprezível à qual as comunidades inferiorizadas respondiam com um ódio calculado.

Esta situação foi-se transformando, em certa medida, ao longo de todo o século XIX e princípios do século XX, principalmente no Próximo Oriente otomano, no Egipto e na Tunísia (enquanto que em Marrocos, por exemplo, se conservava um carácter marcadamente medieval, na Argélia estabeleciam-se relações muito particulares, em consequência da profundidade da colonização e da aplicação do decreto de Crémieux). Era agora a vez destes países percorrerem o caminho que a Europa tinha seguido um século ou dois antes, na direcção de um Estado unificado, em que a religião se tornou tendencialmente um assunto privado, em que a igualdade perante a lei era proclamada. As comunidades cristãs e judaicas começavam a perder as suas especificidades e as proclamações teóricas do laicismo e da igualdade iam entrando lentamente nas suas práticas. Um judeu egípcio, Jacques Sanua, teve um papel importante no movimento nacionalista dos anos 1880-1910 [8] . No jovem Parlamento turco de 1908, dois deputados judeus foram eleitos. Naturalmente, as sequelas da situação anterior subsistiram, mas apenas a título de vestígios em vias de extinção. Todavia, durante esta fase, as particularidades remanescentes do sistema oriental medieval transformaram-se em vantagens. As comunidades conservavam esse estatuto de entidade colectiva (negada na Europa devido ao espírito rousseauniano da Revolução francesa) que se ia tornando agora igualitário. Os chefes de todas as comunidades tinham autoridade reconhecida. Apenas para mencionar um detalhe, as regras de vida de cada comunidade eram admitidas como sendo igualmente legítimas, e as grandes festas de cada uma delas eram igualmente festejadas em vários Estados.

Esta situação veio a ser transformada, em parte, pela declaração de Balfour e a sua promessa de um "home" nacional judeu na Palestina, que os árabes entenderam como uma orientação que levaria inevitavelmente à alienação e à usurpação desse território, apesar das negações oficiais a esse respeito. Tudo se agravou, naturalmente, quando se aperceberam que os seus receios se confirmavam na elaboração do programa de Biltmore (1942) pelos próprios sionistas, na proclamação do Estado de Israel (1948), e nos conflitos militares que se seguiram. A partir daqui, o estado de guerra passou a dominar e os armistícios de 1949 não lhe puseram um fim, como se sabe. Houve em toda a parte um extravasar deste fenómeno a que eu chamei de racismo de guerra, e do qual praticamente nenhum conflito internacional está isento. O inimigo israelense era identificado com os judeus do mundo inteiro, o que não é de estranhar, porque efectivamente os sionistas apresentavam-se como a avant-garde da totalidade do "povo judeu", tentavam mobilizar judeus em toda a parte para defenderem a sua causa, e em parte conseguiam-no, não cessavam de se gabar do apoio do "judaísmo" ou da "judaícidade" (" judaïcité ") mundial. Por outro lado, era fácil fundar estes sentimentos novos sobre as sequelas da situação medieval de que falámos há pouco. Por fim, é preciso ter em conta que, durante o período compreendido sensivelmente entre 1933-1943, a propaganda alemã tinha difundido os seus temas anti-britânicos e denunciado a "plutodemocracia" ocidental servindo-se da hostilidade árabe relativamente ao sionismo e disseminando a tese da conspiração judia universal [9] – explicação tentadora dos acontecimentos. No entanto, os judeus dos países árabes só começaram a sofrer seriamente as repercussões do conflito depois da guerra de 1948 [10] .

A tudo isto juntavam-se ainda ressentimentos de ordem social e nacional, sendo as comunidades judaicas vistas muitas vezes no Oriente (à semelhança das comunidades cristãs em larga medida) como representantes da elite da fortuna, apreciadora, em certa medida, do modo de vida ocidental, ligada frequentemente e estreitamente pelos interesses e pela cultura às potências colonizadoras.

Deste modo, o conflito palestino teve consequências no sentido do desenvolvimento de uma judeofobia generalizada, à qual se chama tão inexactamente, na Europa, de anti-semitismo. É necessário, todavia, insistir no facto de que esses desenvolvimentos são o subproduto de um conflito limitado no espaço e, previsivelmente, no tempo. Esses desenvolvimentos não foram teorizados, senão raramente, por grupos bastante restritos que elaboraram uma tese geral explicando toda a evolução histórica através da maldade de uma raça maldita, como foi o caso, em larga escala, no Ocidente, a partir de 1880. Os políticos responsáveis, de modo geral, fizeram questão de afirmar que o seu anti-sionismo não significava um antijudaísmo generalizado e tentaram demonstrá-lo através de gestos simbólicos [11] . Apesar de tudo, a judeofobia muçulmana nunca atingiu as formulações excessivas que o R. P. Demann listava ainda há pouco tempo e que ele denunciava nos catecismos cristãos mais utilizados ainda actualmente. Em todo o caso, consequentemente, a atitude árabe não se pode explicar através de um "anti-semitismo" de princípio, teorizado, racial ou religioso, que seria a base dos comportamentos actuais. Do mesmo modo que o anti-semitismo europeu também não tem como fundamento real um mito, mas antes uma situação que engendrou esse mito. Simplesmente essa situação não foi criada pelos judeus, mas contra os judeus. O mito organizava-se unicamente em torno da significação de ofensas imaginárias, ou quando estas tinham algum fundo de verdade, não provinham da vontade livre de grupos judeus, mas da situação social em que eles tinham sido forçosamente colocados (a prática da usura, por exemplo). Em contrapartida, o anti-sionismo árabe desenvolve-se essencialmente a partir de uma ofensa bastante real (mesmo que esta seja desculpada ou justificada), de uma situação criada pela vontade livre de grupos judeus poderosos que se proclamavam representantes do conjunto de todos judeus. Apenas essa ofensa real confere alguma significação aos mitos anti-semitas por vezes avançados para a explicar. Sem ela, esses mitos perdem toda a sua força.

É agora possível compreender melhor a atitude não das massas, mas dos políticos.

Devemos distinguir de imediato duas categorias. Para começar, a dos políticos não responsáveis: aqueles que dirigem os partidos excluídos do poder, ou a eles aderem. Seguindo as leis bem conhecidas da dinâmica dessas organizações, sabemos que elas têm todo o interesse em insistir ao máximo nos sentimentos incutidos nas massas, em afirmar a sua intransigência relativamente a eles, em tentar mobilizar as massas com o intuito de as capitalizar. Estes são factores permanentes de intransigência extremista.

Seria necessário um estudo detalhado, que não pode ser agora aqui desenvolvido por mim, para mostrar como o tema da guerra contra Israel se inseriu, e sob que formas, no programa e na acção desses diversos grupos [12] . De forma breve, digamos simplesmente que os grupos ideológicos de direita, insistindo, como é a sua tendência normal, numa unidade nacional ou religiosa, acabaram por reduzir o conflito a uma pura luta nacional (casualmente com manifestações de teor racista); enquanto que os grupos de esquerda viram nesse conflito a manifestação local de uma luta socionacional internacional, um aspecto do esforço geral do imperialismo-colonialismo ( istî mâr ) [13] para explorar e dominar o Terceiro Mundo. Toda esta conjuntura tem, evidentemente, os seus cambiantes. Por exemplo, numerosos elementos de direita foram tentados, em virtude do seu realismo intrínseco, a negociar com os factos consumados; e o ódio às tendências árabes socializantes foi por vezes mais forte do que o ódio nacionalista, e estranhas colusões se esboçaram na sombra. Mas, a violência dos sentimentos populares subjacentes travaram a marcha nesse sentido. À esquerda, os marxistas sentiam-se frequentemente bastante angustiados pelas diversas reviravoltas da política soviética no que tocava aos comunistas de estrita obediência [14] , pelo seu internacionalismo de princípio e pela prioridade que eles acordavam às lutas sociais. A questão foi um verdadeiro tormento, em particular, para os comunistas israelenses, judeus ou árabes. E não cessou de o ser. No Líbano, por fim, onde a luta inter-confessional está activa, os partidos cristãos ficaram divididos entre o seu arabismo e as suas preocupações com a política interna, situação que os levou a considerar tentadora a constituição de um bastião judeo-cristão do Levante, contra o qual as vagas ameaçadoras do Islão se viriam quebrar.

Uma segunda categoria é, então, a dos políticos responsáveis: os que estão no poder. Convém lembrar que muitos deles foram recrutados entre os antigos irresponsáveis. Vimos aqui ser reproduzida a velha dinâmica dos compromissos exigidos entre o programa ideológico e as realidades que o poder revela. Nenhum governo pode menosprezar impunemente as aspirações populares que tentámos descrever acima. A promessa redobrada dos grupos políticos que permaneceram irresponsáveis deve ser tomada em séria consideração. Senão vejamos: as circunstâncias políticas internacionais e a repartição do poder militar travaram essa guerra de retaliação que seria a conclusão lógica dos sentimentos subjacentes das massas, que muitos dos grupos irresponsáveis apaixonadamente reclamam para si.

O resultado normal dessas tendências opostas é o imobilismo. Se não se pode fazer a guerra, também é muito difícil fazer-se a paz. A partir de 1948, imediatamente depois da cessação das hostilidades, o secretário-geral da Liga Árabe, Abd ar-Rahman Azzâm, explicava a um jornalista:

"Nós possuímos uma arma secreta, da qual nós sabemos servir-nos melhor do que de canhões e de metralhadoras, e essa arma é o tempo. Enquanto não estabelecermos a paz com os sionistas, a guerra não está acabada e enquanto a guerra não estiver acabada não há vencedores nem vencidos" [15] .

Assim explica também, abertamente, um professor americano que, por essa altura, desempenhou um papel diplomático: "sem directivas claras provenientes de uma fonte única, porém com o consentimento e a participação de muitos árabes, formou-se a política do não reconhecimento e do boicote. Era uma maneira de manter a guerra com Israel nas frentes em que os árabes ainda tinham recursos. Tal como a recusa americana em reconhecer a China comunista, essa situação exprimia a recusa moral da ideia de levar ajuda e reconforto ao inimigo. Com a recusa do reconhecimento e com a interdição das relações, esperava-se que os árabes pudessem impedir os israelenses de consolidarem o seu Estado e de tomarem o seu lugar no seio da comunidade internacional. Raciocinando a partir de um sentido profundo da história, os árabes encontravam nas colónias dos Cruzados em território árabe muitos paralelismos com Israel. Mesmo que Israel não pudesse ser imediatamente esmagado, poderia chegar o dia em que o apoio que o Ocidente lhe prestava enfraqueceria. E ao falharem na afirmação de uma existência independente, os israelenses, tal como os Cruzados, renunciariam e voltariam para o lugar de onde tinham vindo" [16] .

Assim se compreendem as razões profundas dessa "dança de guerra" [17] dançada em torno de Israel. Assim se compreende a ingenuidade da indignação dos israelenses ou dos seus partidários, imaginando os "bons árabes" cada um à sua maneira, e descobrindo depois, subitamente, que aqueles que lhes haviam sido apresentados como "moderados" são, no que toca ao não reconhecimento de Israel e consequentemente, pelo menos teoricamente, no que toca à guerra, a projecção ideal desse não reconhecimento, como consequência aparentemente obrigatória do devir. Pois que o projecto de guerra é com efeito a face "ideológica" do não reconhecimento. Em contrapartida, também os árabes se sentem chocados e indignados ao descobrirem que os israelenses "moderados" ou "compreensivos" não querem pôr em causa a existência independente de Israel nem tão pouco a autonomia de decisão (nomeadamente em matéria militar) da colectividade nacional formada pelos judeus estabelecidos em solo palestino.

Mais uma vez, é necessário ter em conta as diferenças ou talvez os cambiantes da situação. Ninguém no Oriente é capaz de identificar os sentimentos populares acima descritos. A promessa redobrada dos governos dos diversos países árabes, representado o programa dos partidos em luta no conjunto da região, reduzem rapidamente à posição mínima comum todos aqueles que parecem manifestar o mais pequeno desejo de se afastarem. O statu quo tem certamente as suas vantagens do ponto de vista da política interna ao favorecer o apelo à União sagrada, ainda que seja falso ver aí, como fazem tendencialmente os israelenses, a única ou mesmo a principal causa da atitude árabe. Mas também têm os seus inconvenientes. Os dirigentes conservadores realistas foram tentados por esquemas de aproximação. Em determinados momentos, o mesmo se passou com os socializantes. O receio de uma revolta do sentimento popular mobilizado pelos rivais políticos impediu-os de irem mais longe nesse sentido. Apenas Bourguiba, que conjugava um poder interior forte e uma opinião menos sensibilizada para um problema que se lhe afigurava já distante, pôde ir um pouco mais longe.

Será que o imobilismo vai continuar indefinidamente? Não há certezas. O que é certo é a inflexibilidade das atitudes públicas. Mas a pressão dos factos também é forte. A abertura a negociações requer no mínimo, do lado de Israel, se este não pretender apenas assistir à capitulação do adversário, algumas concessões territoriais ou algumas concessões sobre a organização política do território palestino-jordano. Do lado árabe, ela reclama o reconhecimento do Estado de Israel, ou seja, a aceitação da derrota. Trata-se de dois pré-requisitos inaceitáveis actualmente pela opinião pública do adversário e, consequentemente, pelos dirigentes. E se alguns cambiantes fossem adicionados? Se, de um lado, fosse reconhecido o direito à existência da colectividade nacional israelense, com a satisfação de concessões por parte desta; e se, do outro lado, se admitisse que há um preço a pagar (que não poria em causa a autonomia de decisão, mesmo militar, da nova nação) para ganhar a aceitação dessa no território onde ela se instalou, tal como no passado um preço teve de ser pago aos antigos mestres, os britânicos? Alguns passos tímidos recentes vão nesse sentido. O exemplo da República da Irlanda, que acabou por reconhecer recentemente a existência da Irlanda do Norte – criada em condições análogas às de Israel – é encorajador. Todavia, a evolução nesse sentido exige, pelo menos, um abandono das ilusões. De lado algum, se de deve esperar uma conversão súbita e gratuita do outro perante o olhar daquele que permanece, no momento, o inimigo.
Notas

[1] Este assunto foi particularmente desenvolvido pelo historiador libanês cristão Constantin ZURAYQ, num livro intitulado significativamente Ma'nà na-nakba [A significação do desastre].
[2] NAJÎ' ALLOUSH, Al-marîra ilà Falatîn [Partida para a Palestina], Beyrouth, Dar at-talî'a, 1964, p. 62.
[3] Cf. por exemplo SITTON (S.), Israel, immigration et croissance, Paris, Cujas, 1963, pp. 282 sqq. 356-358.
[4] CREMEANS (C.D.), Arabs and the world, Nasser's Arab nationalist policy, New York, London, Praeger, 1963, p. 182. Aconselha-se a leitura da notável descrição da "imagem árabe dos Israelenses" (pp. 182-187), seguida da descrição da "imagem israelense dos Árabes" (pp. 187-190) na obra deste professor e diplomata americano.
[5] Cf. ABDEL-KADER (A.R.), Le conflit judéo-arabe, Paris, Maspéro, 1961 (Cahiers livres, 20-21). Eu fiz uma crítica longa deste livro em Vérité-Liberté 16-17, févr.-mars 1962, pp. 5-7. O homem é entrevistado, de forma bastante divertida, em La Terre retrouvée du 1er avril 1966, pp. 1-2, e exaltado como "um verdadeiro comunista árabe" (p. 8) por esse órgão, habitualmente, muito pouco inclinado à esquerda.
[6] LERNER, (D.), The passing of the traditional society, Modernizing the Middle East, Glencoe (III.), the Free Press, 1958, p. 313.
[7] LICHTENSTADTER (I.), "An Arab Egyptian family". Middle East Journal 6 (4), Autumn 1952, pp. 379-399; note-se que essa cidade é povoada por Árabes de raiz, conscientes da sua origem (p. 398).
[8] Ver o artigo que lhe é consagrado por J.M. LANDU na Encyclopédie de l'Islam, 2eme éd., Leyde, Brill; Paris, Besson, 1962, cf. t. I: Abû Naddâra [o homem dos óculos verdes], p. 146; a sua alcunha é o título do diário satírico que ele publicou.
[9] Sem, contudo, se comprometer a fundo nas promessas aos árabes e guardando durante muito tempo a ideia da complementaridade do objectivo sionista com o seu: limpar a Alemanha de elementos "estrangeiros". Cf. HIRSZOWICZ (L.), "Nazi Germany and the Palestine partition plan", Middle Eastern Studies 1 (1), oct. 1964, pp. 40-65.
[10] Cf. por exemplo CHOURAQUI (A.), L' Alliance israélite universelle e la renaissance juive contemporaine (1860-1960), Paris, Presses universitaires de France, 1965, pp. 331 sqq., 380 sqq.
[11] Não sem confusões. Cf. as oposições árabes à adopção do esquema sobre os judeus, pelo Concílio, acompanhadas de protestos em que se declaram isentos de anti-semitismo. Todavia, a persistência israelense em identificar a causa de Israel com a da "judaícidade" mundial só encoraja essas confusões.
[12] Cf. por exemplo NAJÎ' ALLOUSH, op. cit., pp. 89 sqq.
[13] A palavra árabe significa simultaneamente "colonialismo" e "imperialismo", facto que não está isento de consequências. O conceito marxista de imperialismo foi adoptado por todas as tendências. Sobre essa diferença de interpretação entre a direita e a esquerda, cf. os números dos inquéritos sociológicos em LERNER (D.), op. cit., p. 294.
[14] O discurso de Gromyko nas Nações Unidas, em 1947, apoiando a solução da partilha da Palestina tendo como corolário a criação de um Estado judeu, solução à qual se opuseram fortemente os partidos comunistas do mundo árabe até ao dia anterior, teve um efeito bastante semelhante ao provocado pelo pacto germano-soviético em 1939 na Europa.
[15] BRETHOLZ (Wolfgang), Aufstand der Araber, München, Wien, Basel, Verlag K. Desch, 1960, p. 215.
[16] CREMEANS (C.D.), op. cit., p. 193.
[17] LERNER (D.), op. cit., p. 9.

O original encontra-se na Revue française de science politique, 1966, vol. 16, nº 4, pgs. 785-798. Tradução de Rita Maia.
 
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Keyser Soze

por mcarvalho » 28/9/2006 17:18

Como se sabe quem é judeu?
um abraço
mcarvalho
 
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O mundo permanece em silêncio

por Keyser Soze » 28/9/2006 17:03

O mundo permanece em silêncio
September 26th, 2006

Este extenso artigo foi publicado na edição de sexta-feira passada (22/09/2006) do diário israelita Ma’ariv. O seu autor, Ben Dror Yemini, um comentador de centro-esquerda, é editor das páginas de opinião do jornal. O artigo original em hebraico pode ser lido aqui: והעולם שותק. Optei por traduzir o texto e publicá-lo aqui porque Dror Yemini levanta várias questões pertinentes e apresenta factos que merecem uma reflexão aprofundada. Para ler atentamente.

http://ruadajudiaria.com/


um artigo de Ben Dror Yemini

Facto número 1: Desde o estabelecimento do Estado de Israel, um genocídio cruel é perpetrado contra muçulmanos e árabes. Facto número 2: O conflito no Médio Oriente entre israelitas e árabes no seu todo, e contra os palestinianos em particular, é considerado o conflito central do mundo actual. Facto número 3: Segundo sondagens levadas a cabo na União Europeia, Israel é considerada “a maior ameaça à paz mundial”. Na Holanda, por exemplo, 74% da população defende este ponto de vista. Não o Irão. Não a Coreia do Norte. Israel.
A ligação entre estes factos criou a maior fraude dos nossos tempos: Israel é encarado como o país responsável por todas as calamidades, desgraças e sofrimentos. Representa um perigo à paz mundial, e não apenas para o mundo árabe ou islâmico.

Como funciona a fraude

O dedo é habilmente apontado. É difícil culpabilizar Israel pelo genocídio no Sudão ou pela guerra civil na Argélia. Como é que isto é feito?
Dezenas de publicações, artigos, livros, jornais e websites dedicam-se a um propósito único: transformar Israel num Estado que incessantemente comete crimes de guerra. Em Jacarta e Khartoum queimam-se bandeiras israelitas e em Londres, Oslo e Zurique publicam-se artigos carregados de ódio apoiando a destruição de Israel. Qualquer pesquisa nos motores de busca da Internet com as palavras “genocídio” contra “muçulmanos”, “árabes” ou “palestinianos” – com “sionista” ou “Israel” como contexto – dará resultados incontáveis. Mesmo depois de filtrado o lixo, restam milhões de publicações escritas com a maior das seriedades.
Esta abundância dá resultado. Funciona como uma lavagem ao cérebro. Há cinco anos testemunhámos um espectáculo anti-israelita na Convenção de Durban [ver “Terrorism and Racism: The Aftermath of Durban,” by Anne F. Bayefsky]. Há dois anos sentimo-nos chocados quando um membro da nossa comunidade académica acusou Israel de “genocídio simbólico” contra o povo palestiniano. Mas isso não foi nada. Há milhares de publicações que acusam Israel de praticar um genocídio nada simbólico.
Sob a capa académica ou jornalística, Israel é hoje comparada à infame Alemanha de outros tempos. Em conclusão, há aqueles que apelam ao fim do “projecto sionista”. Posto de forma mais simples: porque Israel é um país que comete tantos crimes de guerra e pratica limpeza étnica e genocídio, não tem direito a existir. Esta, por exemplo, é a essência de um artigo do escritor norueguês Jostein Gaarder que, entre outras coisas, escreveu: “chamemos os assassinos de crianças pelo seu próprio nome” [ver Heretics’ almanac: A literary critique of Jostein Gaarder’s infamous piece, por Leif Knutsen]. A conclusão é que Israel não tem direito a existir.
Por entre tudo isto, a tragédia é que massacres acontecem em países árabes e islâmicos. Um genocídio protegido pelo silêncio do mundo. Um genocídio perpetrado por uma fraude que provavelmente não terá paralelo na história da humanidade. Um genocídio que não tem qualquer ligação a Israel, a sionistas ou judeus. Um genocídio maioritariamente contra árabes e muçulmanos, perpetrado maioritariamente por árabes e muçulmanos.
Esta não é uma questão de opinião ou ponto de vista. Isto é o resultado de uma avaliação factual, tão precisa quanto possível, do número de vítimas de várias guerras e conflitos que tiveram lugar desde o estabelecimento do Estado de Israel até hoje. É um morticínio de larga escala. Um massacre. É o extermínio integral de aldeias, cidades e de populações inteiras. E o mundo permanece em silêncio. Os muçulmanos estão, de facto, ao abandono. São chacinados e o mundo cala-se. E se abre a boca, não se queixa dos morticínios. Não se queixa destes crimes contra a humanidade. Queixa-se de Israel.
A grande fraude, aquela que cobre os factos reais, continua a crescer por uma razão simples: Os media e os meios académicos no Ocidente participam nela. Em inúmeras publicações Israel é retractado como um Estado que pratica “crimes de guerra”, “limpeza étnica” e “matanças sistemáticas”. Por vezes é por ser moda, outras por engano, outras vezes ainda é o resultado de hipocrisia e dualidade de critérios. Por vezes é o novo e o velho antisemitismo, da esquerda e da direita, encoberto ou descarado.

O conflito Israelo-Árabe

O estabelecimento sionista deste país [Israel], que começou nos finais do século XIX, criou, de facto, um conflito entre judeus e árabes. O número de mortos resultantes de confrontos vários até ao estabelecimento do Estado de Israel não foi mais de uns poucos milhares, tanto judeus como árabes. A maior parte dos árabes mortos durante esses anos foram-no em lutas armadas entre os próprios árabes; como, por exemplo, durante a Grande Insurreição Árabe de 1936-1939. Era um sinal do que estava para vir. Muitos outros foram mortos em resultado da mão pesada do Mandato Britânico. Israel nunca fez nada comparável.
A guerra de Independência de Israel [ver 1948 Arab-Israeli War - Wikipedia], também conhecida com a Guerra de 48, fez entre 5.000 a 15.000 mortos entre palestinianos e cidadãos de países árabes. Nesta guerra, tal como em qualquer outra guerra, houve atrocidades. Os agressores declararam o seu objectivo de forma clara, e caso tivessem vencido o mundo teria assistido ao extermínio em massa de judeus. Do lado de Israel houve também actos de barbárie, mas estes situaram-se sempre na margem das margens. Menos, muito menos do que em qualquer outra guerra dos tempos modernos. Muito menos do que continua a ser perpetrado diariamente, por muçulmanos maioritariamente contra outros muçulmanos, no Iraque e no Sudão.
O evento seguinte foi a Guerra do Sinal de 1956 [ver Suez Crisis - Wikipedia]. Cerca de 1.650 egípcios foram mortos por tropas de Israel, França e Reino Unido.
Depois veio a Guerra dos Seis Dias (1967) [ver Six-Day War]. As mais elevadas estimativas apontam para 21 mil árabes mortos em três frentes – Egipto, Síria e Jordânia.
A Guerra do Yom Kippur (1973) [ver Yom Kippur War - Wikipedia] resultou em 8.500 árabes mortos, desta vez em duas frentes – Egipto e Síria.
Houve também guerras mais “pequenas”: a primeira Guerra do Líbano, que inicialmente fora apenas contra a OLP e não contra o Líbano. Esta foi uma guerra dentro de outra guerra. Estes foram os anos da sangrenta guerra civil libanesa, uma guerra que discutiremos mais à frente. Tal como a segunda guerra do Líbano, na qual perderam a vida cerca de um milhar de libaneses.
Milhares de palestinianos foram mortos durante a ocupação israelita dos territórios, que foi iniciada no final da Guerra dos Seis Dias. A maioria das baixas registaram-se durante as duas Intifadas, aquela que começou em 1987 que resultou em 1.800 palestinianos mortos, e a iniciada em 2000, com 3.700 mortos palestinianos. Entre estes conflitos houve mais acções militares que causaram fatalidades entre a população árabe. Se exagerarmos podemos dizer que mais umas poucas centenas de pessoas foram mortas. Não centenas de milhar. Não milhões.
A contagem total dá cerca de 60 mil árabes mortos no quadro do conflito Israelo-Árabe. Entre eles, alguns milhares de palestinianos, apesar de ser por causa deles, e só por eles, que Israel é o alvo da ira mundial. Todas as mortes são absolutamente lamentáveis. É perfeitamente aceitável e perfeitamente normal criticar Israel. Mas a censura obsessiva enfatiza um facto ainda mais espantoso: o silêncio do mundo, ou pelo menos o seu silêncio relativo, face ao extermínio sistemático de milhões de outros perpetrado por regimes árabes e muçulmanos.

O preço do sangue dos muçulmanos

Daqui para a frente temos de colocar outra questão: Quantos árabes e muçulmanos foram mortos durante os mesmos anos por outros países, pela França e pela Rússia, por exemplo, e quantos árabes, muçulmanos e outros foram mortos durante esses mesmos anos por árabes e muçulmanos? A informação aqui coligida é baseada em várias fontes, de institutos e instituições académicas a organizações internacionais (como a Amnistia Internacional e outras dedicadas à salvaguarda dos direitos humanos), das Nações Unidas e de organizações governamentais.
Em alguns casos várias organizações apresentam números diferentes e contraditórios. As diferenças por vezes chegam às centenas de milhar e mesmo milhões. Provavelmente nunca saberemos os números exactos. Mas mesmos os mais baixos números aceites e estabelecidos, que são a base dos parágrafos que se seguem, apresentam um quadro simultaneamente chocante e assustador.

Argélia: Poucos anos depois do estabelecimento do Estado de Israel, deflagrou outra guerra de independência. Desta vez foi a Argélia contra a França, entre os anos de 1954 e 1962. O número de vítimas do lado muçulmano é ainda tema de uma acesa controvérsia. Segundo as fontes oficiais argelinas é superior a um milhão. Há investigadores no Ocidente que aceitam este número. Fontes francesas afirmaram no passado que morreram apenas 250 mil muçulmanos, com baixas adicionais de mais 100 mil entre os muçulmanos que colaboravam com os franceses. Mas estas estimativas são consideradas tendenciosas e baixas. Hoje em dia poucos questionam que os franceses mataram perto de 600 mil muçulmanos. E estes são os mesmos franceses que não cessam de pregar contra Israel; Israel que durante toda a história do conflito com os árabes nem chegou a um décimo desse número e, mesmo assim, apenas contando com as estimativas mais severas.
O massacre na Argélia continua. A Frente Islâmica de Salvação (FIS) venceu as eleições de 1991. Os resultados eleitorais foram cancelados pelo exército. Desde então o país tem vivido uma sangrenta guerra civil, entre o governo central, apoiado pelas forças armadas, e movimentos islâmicos. Segundo várias estimativas, a guerra civil argelina fez mais de 100 mil vítimas mortais. A maioria das quais têm sido civis inocentes. Grande parte das mortes têm ocorrido em massacres horrendos de aldeia inteiras, incluindo mulheres, crianças e velhos.
Sumário: 500.000 a um milhão de mortos durante a guerra de independência; 100.000 na guerra civil desde 1992.

Sudão: Um país destroçado por campanhas de destruição, quase todas entre os árabes muçulmanos do norte, que controlam o país, e o sul, onde a população é negra. Este país teve duas guerras civis, e nos últimos anos tem-se assistido a um massacre continuado, com o patrocínio do governo, na província de Darfur. A primeira guerra civil estendeu-se de 1955 a 1972. Estimativas moderadas apontam para 500.000 vítimas mortais. Em 1983 começou a chamada segunda guerra civil. Não foi bem uma guerra civil, mas sim o massacre sistemático definido como genocídio. Os objectivos eram a islamização, a arabização e a deportação em massa que ocasionalmente se tornou massacre, também pela necessidade de controlar enormes campos de petróleo. Estamos a falar de quase dois milhões de mortos.
A divisão entre vítimas muçulmanas e não-muçulmanas não é clara. A região de Noba, povoada maioritariamente por muçulmanos negros, foi um dos principais palcos dos horrores. Os negros, mesmo que sejam muçulmanos, não têm a vida nada facilitada. Desde a ascensão ao poder dos radicais islâmicos, sob a liderança do Dr. Hassan Thorabi, a situação tem piorado. Esta é provavelmente a pior serie de crimes contra a humanidade desde a Segunda Guerra Mundial – limpeza étnica, deportações, massacres em massa, escravatura, violação sistemática de mulheres, aplicação forçada das leis islâmicas, crianças retiradas aos seus pais. Milhões de sudaneses tornaram-se refugiados. Tanto quanto saiba, não há milhões de publicações a exigir o “direito de retorno” dos sudaneses e não há nenhuma petição de intelectuais a negar o direito do Sudão existir.
Nos últimos anos começou-se a falar de Darfur. Muçulmanos árabes têm massacrado muçulmanos e animistas. Os números são pouco claros. Estimativas moderadas falam em 200 mil vítimas mortais do conflito, outras apontam para 600 mil. Ninguém sabe ao certo. E os massacres prosseguem.
Sumário: entre 2.600.00 a 3.000.000 de mortos.

Afeganistão: Este país é uma teia de massacres – domésticos e externos. A invasão soviética, que começou a 24 de Dezembro de 1979 e terminou a 2 de Fevereiro de 1989, deixou pelo caminho cerca de um milhão de mortos. Outras estimativas falam em milhão e meio de civis mortos, mais 90 mil soldados.
Depois da retirada das forças soviéticas, o Afeganistão enfrentou uma série de guerras civis entre apoiantes soviéticos, os mojahidin e os taliban. Cada um dos grupos defendia e praticava uma doutrina de extermínio do adversário. A soma das fatalidades da guerra civil, até à invasão das forças da coligação internacional lideradas pelos Estados Unidos em 2001, é de cerca de um milhão.
Há quem lamente, e com razão, a carnificina que teve lugar em resultado da ofensiva para derrubar o regime taliban e como parte da luta armada contra a al-Qaeda. Bem, a invasão do Afeganistão provocou um número relativamente limitado de vítimas, menos de 10 mil. Se esta não tivesse ocorrido assistiríamos à continuação do auto-imposto genocídio, à razão de 100 mil mortos por ano.
Sumário: De 1.000.000 a 1.500.000 mortos durante a invasão soviética; cerca 1.000.000 mortos na guerra civil.

Somália: Desde 1977 que este Estado muçulmano da África Oriental tem permanecido submerso numa interminável guerra civil. O número de vítimas é estimado em 550 mil. São muçulmanos a matar outros muçulmanos. As Nações Unidas tentaram intervir com missões de manutenção de paz que redundaram em fracasso, tal como fracassaram tentativas posteriores das forças americanas.
A maioria das vítimas não morre em campos de batalha, mas em resultado de privação deliberada de alimentos, massacres de civis, bombardeamentos intencionais de populações civis (como os bombardeamentos de Somaliland, que provocaram mais de 50 mil mortos).
Sumário: 400.000 a 550.000 mortos.

Bangladesh: Este país aspirou a tornar-se independente do Paquistão. O Paquistão reagiu com uma invasão militar que provocou uma destruição em massa. Não foi uma guerra, foi um massacre. Entre um a dois milhões de pessoas foram sistematicamente liquidadas em 1971. Alguns investigadores definem os eventos desse ano no Bangladesh como um dos três grandes genocídios da história (depois do Holocausto e do Ruanda).
Uma comissão de inquérito nomeada pelo governo do Bangladesh contou 1.247.000 fatalidades como resultado do massacre sistemático de civis pelo exército paquistanês. Há igualmente inúmeros relatos de “esquadrões da morte”, onde soldados muçulmanos eram enviados para executar assassínios em massa de agricultores muçulmanos.
O exército paquistanês cessou as hostilidades apenas depois da intervenção da Índia, que sofrera um influxo de milhões de refugiados do Bangladesh. Mais de 150.000 mil pessoas foram mortas em actos de retaliação após a retirada do Paquistão.
Sumário: 1.400.000 a 2.000.000 mortos

Indonésia: O maior Estado muçulmano do mundo compete com o Bangladesh e o Ruanda para o questionável título de “maior genocídio desde o Holocausto”. O massacre teve início com a revolta comunista de 1965. Há diferentes estimativas em relação ao número de fatalidades também neste caso. As mais aceites apontam para 400.000 indonésios mortos entre 1965 e 1966, apesar de estimativas mais rígidas falarem em números muito mais elevados.
Os massacres foram perpetrados pelo exército, liderado por Hag’i Mohammed Soharto, que subiu ao poder e controlaria o país durante os 32 anos seguintes. Um investigador escreveu que a pessoa encarregue de reprimir a rebelião, o general Srv Adei, admitiu: “Matámos 2 milhões, não um milhão, e fizemos um bom trabalho.” Mas para esta discussão vamos cingir-nos às estimativas mais baixas.
Em 1975, depois do fim do domínio português, Timor Leste declarou a independência. Pouco tempo depois, Timor foi invadido pela Indonésia, que dominou o território com mão de ferro até 1999. Durante este período, entre 100.000 a 200.000 pessoas foram mortas.
Sumário: 400.000 mortos, mais de 100.000 a 200.000 em Timor Leste.

Iraque: A esmagadora maioria da destruição ocorrida nas últimas duas décadas foi obra de Saddam Hussein. Este é outro exemplo de um regime que matou milhões de pessoas. Um dos seus pontos altos foi durante a guerra Irão-Iraque, no conflito sobre o Shat El Arab, o rio criado pela convergência do Tigre e do Eufrates.
Este foi um conflito que não levou a mais nada que não destruição em larga escala e mortes em massa. As estimativas apontam entre 450.000 e 650.000 mortos do lado iraquiano, e entre 450.000 a 950.000 mortos iranianos. Judeus, israelitas e sionistas não estavam por perto, tanto quanto sei.
Vagas de purgas, algumas motivadas politicamente (contra a oposição), outras étnicas (contra a minoria curda) e algumas motivadas pela religião (a minoria sunita no poder contra a maioria xiita), provocaram um número impressionante de vítimas. Estimativas variam entre um milhão, segundo fontes locais, e 250.000, segundo a Human Rights Watch. Outras organizações internacionais apontam para 500.000 mortos.
Em 1991 e 1992 houve uma rebelião xiita no Iraque. Há, também aqui, estimativas contraditórias quanto ao número de vítimas, variando entre 40.000 e 200.000. Aos iraquianos mortos devem juntar-se também os curdos. Durante o consulado de Saddam Hussein, entre 200.000 a 300.000 curdos foram mortos num genocídio que prosseguiu nos anos 80 e 90.
Com as sanções impostas ao Iraque no seguimento da Guerra do Golfo, mais de meio milhão de iraquianos morreram de doenças resultantes da falta de medicamentos. Hoje é claro que esta foi uma continuação do genocídio perpetrado por Saddam contra o seu próprio povo. Ele podia ter suprido as necessidades de medicamentos, mas Saddam Hussein preferiu construir palácios e comprar influências no Ocidente e no mundo árabe. Tudo isto tem vindo a público na sequência das investigações à corrupção no programa “Oil for Food” da ONU.
Os iraquianos continuam a sofrer. A guerra civil devasta hoje o país – ainda que alguns recusem dar este nome ao massacre mútuo de sunitas e xiitas –, custando dezenas de milhares de vidas. Estima-se que cerca de 100.000 pessoas tenham morrido desde a invasão do Iraque.
Sumário Iraque: entre 1.540.000 a 2.000.000 de mortos
Sumário Irão: entre 450.000 a 970.000

Líbano: A guerra civil libanesa aconteceu entre 1975 e 1990. Israel esteve envolvida em algumas das suas fases, naquela que é agora conhecida como a primeira Guerra do Líbano, em 1982. Os especialistas concordam que a grande maioria das vítimas foram mortas durante os primeiros dois anos da guerra civil (1975/1976).
As estimativas geralmente aceites apontam para cerca de 130.000 mortos. Libaneses matando outros libaneses por razões étnicas e religiosas, e em ligação com o envolvimento da Síria. Damasco transferiu apoios entre as várias facções beligerantes. As mais elevadas projecções defendem que Israel foi responsável pela morte de 18.000 pessoas, a vasta maioria das quais combatentes.
Sumário: 130.000 mortos

Yémen: Na guerra civil yemanita, entre 1962 e 1970, com envolvimento do Egipto e da Arábia Saudita, entre 100.000 a 150.000 foram mortos. O Egipto cometeu crimes de guerra ao utilizar armas químicas no conflito. Motins no país entre 1984 e 1986 provocaram a morte a outros milhares de pessoas.
Sumário: entre 100.000 a 150.000 mortos.

Chechnya: A rejeição russa das pretensões independentistas da República Chechena, conduziram à primeira Guerra da Chechnya, entre 1994 e 1996. Nesta guerra perderam a vida entre 50 mil a 200 mil chechenos.
A Rússia investiu bastante neste conflito, mas falhou miseravelmente. Isto não ajudou os chechenos – alcançaram a autonomia, mas a república estava completamente em ruínas.
A segunda Guerra da Chechnya começa em 1999 e acaba oficialmente em 2001, apesar de na realidade não ter ainda terminado, gerando entre 30 mil a 100 mil vítimas mortais.
Sumário: entre 80.000 a 300.000 mortos.

Da Jordânia ao Zanzibar: A juntar a todas estas guerras e massacres houve ainda confrontos de menor dimensão que custaram a vida a dezenas de milhares de pessoas – árabes e muçulmanos mortos por árabes e muçulmanos. Estes conflitos não entram nas tabelas destas páginas porque o número de vítimas é pequeno, em termos relativos, ainda que seja significativamente mais elevado que o número de vítimas do conflito Israelo-Árabe. Aqui ficam alguns deles:

Jordânia: Em 1970 e 1971 ocorrem no reino Hashemita da Jordânia os confrontos que ficariam conhecidos como Setembro Negro. O confronto foi desencadeado pelo rei Hussein, farto da forma como os palestinianos usavam o país e ameaçavam tomar o poder pela força das armas. Nos confrontos, essencialmente massacres em campos de refugiados, milhares de pessoas perderam a vida. Segundo os próprios palestinianos morreram entre 10.000 a 25.000.

Chade: Metade da população do Chade é muçulmana; mais de 30.000 civis perderam a vida em várias guerras.

Kosovo: Nesta região maioritariamente muçulmana da Jugoslávia cerca de 10.000 pessoas foram mortas entre 1998 e 2000.

Tadjiquistão: A guerra civil, ocorrida entre 1992 e 1996, deixou sem vida cerca de 50.000 pessoas.

Síria: A perseguição sistemática da Irmandade Muçulmana pelo regime de Hafez Assad terminou com o massacre da cidade de Hama, em 1982, custando a vida a 20.000 pessoas.

Irão: Milhares de pessoas foram mortas no início da Revolução do Ayatollah Ruhollah Khomeini. O número exacto é desconhecido, mas situa-se entre os milhares e as dezenas de milhar. Os curdos sofreram também a sua quota parte de morticínio às mãos do regime saído da revolução de 1979, com mais de 10.000 pessoas chacinadas.

Turquia: Cerca de 20.000 curdos foram mortos na Turquia na sequência de um conflito que ainda hoje se mantém.

Zanzibar: No início da década de 1960 a ilha ganhou independência da Tanzânia, mas apenas por um curto período. Inicialmente, os árabes tomaram o poder, mas um grupo de muçulmanos negros massacrou os árabes em 1964. As estimativas apontam entre 5.000 a 17.000 mortos em resultado deste conflito.

Mesmo assim, esta lista não termina aqui. Houve mais conflitos com um número desconhecido de vítimas nas antigas repúblicas soviéticas onde a população muçulmana era a maioria (como a guerra entre o Azerbaijão e a Arménia por causa de Nagurno Karabach), e um número discutível de muçulmanos mortos em países com populações mistas em África, tal como a Nigéria, a Mauritânia ou o Uganda – nos anos em que Idi Amin dominou o Uganda, na década de 70, cerca de 300.000 pessoas foram chacinadas. Idi Amin era muçulmano mas, em contraste com o Sudão, é difícil afirmar que o enquadramento dos massacres tinha algo a ver com a religião.

O conflito Israelo-Palestiniano

A tudo o que está acima podem juntar-se mais estes dados: a esmagadora maioria dos árabes mortos no quadro do conflito Israelo-Palestiniano foram-no em resultado de guerras instigadas pelos árabes em virtude da sua recusa em reconhecer a decisão da ONU quanto ao estabelecimento do Estado de Israel, e da sua recusa em reconhecer o direito dos judeus à autodeterminação.
O número de israelitas mortos pelos árabes tem sido relativamente menor do que o número de árabes mortos pelos israelitas. Na Guerra da Independência, por exemplo, 6.000 israelitas foram mortos entre uma população total de 600.000. Isto representa um porcento da população. Em comparação, as baixas árabes da guerra contra Israel vieram de sete países, com uma população global de largas dezenas de milhões de pessoas. Israel nunca sonhou, não pensou nem nunca quis destruir nenhum estado árabe. Mas o objectivo declarado dos exércitos atacantes era “aniquilar a entidade judaica.”
Obviamente, nos últimos tempos, as vítimas palestinianas têm recebido uma grande atenção dos media e dos meios académicos. Na verdade, estas compõem uma pequena percentagem da soma total das vítimas. A soma total dos palestinianos mortos por Israel nos territórios ocupados é na ordem dos milhares: 1378 mortos durante a primeira intifada e 3.700 durante a segunda intifada.
Menos, por exemplo, do que o número de vítimas muçulmanas massacradas pelo antigo presidente sírio Hafez Assad em Hama em 1982 (20.000). Menos do que o número de palestinianos massacrados pelo rei Hussein na Jordânia em 1971 (entre 10.000 a 25.000). Menos do que o número de pessoas mortas pelos sérvios num único massacre de muçulmanos bósnios em Srebrenica em 1991 (8.000).
A morte de uma única pessoa é absolutamente lamentável, mas não há libelo fraudulento maior do que chamar “genocídio” aos actos de Israel. Mesmo assim, fazendo uma busca das palavras “Israel” e “genocídio” no Google encontram-se 13.600.000 referências. Experimentem escrever “Sudão” e “genocídio” e terão menos de 9 milhões de resultados. Estes números, se quiserem, são a essência da grande fraude.

A ocupação não é iluminada, mas não é brutal

Outro facto: Desde a Segunda Guerra Mundial, o conflito Israelo-Palestiniano é o conflito nacional com o menor número de vítimas, mas com o maior número de publicações hostis a Israel nos media e nos meios académicos.
Pelo menos meio milhão de argelinos morreram durante a ocupação francesa. Um milhão de afegãos perderam a vida no decurso da ocupação soviética. Milhões de muçulmanos e árabes foram chacinados às mãos de outros muçulmanos e árabes. Mas a única história que o mundo reconhece é a de Mohammed al-Dura (cuja morte é perfeitamente lamentável, mas que ao mesmo tempo é duvidoso que ele tenha sido morto por soldados israelitas).
É possível e perfeitamente aceitável criticar Israel. Mas a excessiva, obsessiva, e por vezes antisemita crítica serve também para cobrir, e em alguns casos mesmo aprovar, o genocídio de milhões de outros.
A ocupação não é iluminada e nunca poderá ser iluminada. Mas se tentarmos criar uma escala de “ocupações brutais”, Israel ficará em último. Isto é um facto. Não é uma opinião.
O que aconteceria aos palestinianos se, em vez de estarem sob ocupação israelita, fossem ocupados pelos iraquianos? Ou pelos sudaneses? Ou mesmo pelos franceses ou pelos russos? É muito provável que tivessem sido vítimas de genocídio, na pior das hipóteses, ou de massacres em massa, purgas e deportações, na melhor das hipóteses.
Mesmo que, e repito, não existam ocupações iluminadas, e se é aceitável e possível, e por vezes absolutamente necessário, criticar Israel, não há nem nunca houve uma ocupação com tão poucas baixas (na verdade há outras questões que não se manifestam no número de baixas, como o problema dos refugiados, que discutirei num capítulo separado).

A moralidade do ecrã de televisão

Então por que razão é a percepção do mundo exactamente o oposto? Porque razão não existe uma ligação entre os factos e os números e a muito demoníaca imagem de Israel no mundo?
Há muitas respostas possíveis. Uma delas é que a moral do Ocidente tornou-se a moralidade das câmaras de televisão. Se um terrorista palestiniano ou do Hezbollah lançar um míssil por entre habitações civis, e Israel retaliar – causando, imagine-se, a morte de duas crianças –, haverá inúmeras manchetes e artigos por todo o mundo clamando que “Israel assassina crianças”. Mas se aldeias inteiras são destruídas no Sudão, ou se cidades inteiras forem arrasadas na Síria, não haverá câmaras de televisão na zona.
E assim, de acordo com a moralidade televisiva, José Saramago e Harold Pinter assinarão uma petição protestando contra o “genocídio” e os “crimes de guerra” perpetrados por Israel. Provavelmente eles não sabem que, com algumas excepções, os actos de Israel contra alvos militares que atingem civis são permitidos de acordo com as Convenções de Genebra (protocolo 1, parágrafo 52.2). E porque estão tão submersos na moralidade das câmaras de televisão, nunca assinarão uma petição em protesto contra o genocídio de muçulmanos perpetrado por muçulmanos. O assassínio pelo assassínio.
A moralidade televisiva é uma tragédia para os próprios árabes e muçulmanos. Israel paga caro por causa dela, mas os árabes e muçulmanos são as suas vítimas reais. E enquanto prosseguir a moralidade do ecrã, os árabes e muçulmanos continuarão a pagar o preço.

Epílogo
Há aqueles que defendem que os estados árabes e muçulmanos são imunes a críticas porque não são democráticos, mas Israel é merecedora de críticas porque tem pretensões democráticas. Argumentos destes revelam um Orientalismo paternalista no seu pior. A suposição encoberta é que os árabes e muçulmanos são as crianças atrasadas mentais do mundo. Eles podem fazê-lo. Isto não é só Orientalismo paternalista. É racismo.
Os árabes e muçulmanos não são crianças e não são atrasados mentais. Muitos árabes e muçulmanos reconhecem este fenómeno e escrevem sobre ele. Eles sabem que só o fim da auto-ilusão e o assumir de responsabilidades pode trazer a mudança. Eles sabem que enquanto o Ocidente os tratar como desiguais e irresponsáveis estará a perpetuar não só uma atitude racista, mas também a continuação das chacinas em massa.
O genocídio que Israel não está a cometer, aquele que é um libelo fraudulento, esconde o verdadeiro genocídio, o genocídio silenciado que árabes e muçulmanos estão a cometer contra si próprios. A fraude tem de acabar para que se possa olhar a realidade. Para o bem dos árabes e muçulmanos. Israel paga em imagem. Eles pagam em sangue. Se restar no mundo alguma moralidade, isto deveria ser do interesse de quem ainda tem dela alguma gota. A acontecer, seria uma pequena notícia para Israel, mas um imensa boa nova para os árabes e muçulmanos.

Posted by Nuno Guerreiro Josué
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