Caldeirão da Bolsa

Portugal menos competitivo que Tunisia, Barbados, Emirados

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por Keyser Soze » 29/9/2006 9:21

Ah ele é isso?

(2) Quando perguntaram a Warren Buffet o que o fazia mexer enquanto empresário, respondeu que era o prazer de ver o dinheiro a acumular-se, John Kay em The Truth About Markets .

Série de posts dedicados com carinho a Helena Garrido, Daniel Oliveira, Vital Moreira, António José Teixeira, JMF e tutti quanti. Aconselha-se ainda a leitura atenta, com a dose certa de humildade e despreendimento ideológico, dos posts do Miguel Noronha, do João Miranda e do João Caetano Dias. Pode ser que aprendam alguma coisa.

Pelo que tenho lido nas últimas semanas, alguém convenceu a generalidade das pessoas (algumas inteligentes) que a empresarialidade é uma questão de conhecimento científico ou técnico (1). Ou seja, que a razão por que temos maus empresários em Portugal é a falta de formação destes. Não faço ideia onde foram buscar tão peregrina concepção de “empresário”, bom ou mau. Deviam saber, que o conhecimento científico (ou técnico) é importante apenas para ajudar a reorganizar, enquadrar e sistematizar outro tipo de conhecimento e características que não dependem da formação académica. Seria aliás interessante indagar quantas pessoas com formação trabalham em empresas criadas por tais ignorantes.

Para criar uma empresa, existem tantas motivações como empresas. O primeiro passo para ser-se empresário (bom ou mau) é a motivação, que diz respeito exclusivamente a cada um, porque a empresa não passa de um meio para atingir um fim (2)individual. Há ambientes e condições que são propícias a iniciativas empresariais, como as crises económicas com a falta de emprego, o ambiente jurídico e fiscal, as revoluções tecnológicas e industriais, a liberdade económica, etc. Tenho para mim que, para o indivíduo, o desespero é um fortíssimo factor de motivação e é provavelmente por isso que pessoas que não encontram emprego se lançam nos negócios. Imagine-se o leitor sem hipótese de arranjar emprego. Resta-lhe uma e só uma solução: avaliar o que sabe fazer e fazê-lo. Seja canalizador, engenheiro, advogado ou trolha. Cria o seu próprio emprego e depois, e só depois, descobre o seu próprio limite. Pode criar uma multinacional de serviços de canalização, ficar-se por projectos de engenharia de vivendas ou vice-versa. Não é o “conhecimento científico” que o irá determinar, são outras características e/ou situações. Um empresário, “bom” ou “mau”, precisa de cinco características e uma situação:
1 - Instinto (awareness);
2 - Humildade;
3 - Imaginação (no sentido da criatividade empresarial, que é diferente da criatividade artística, por exemplo);
4 - Saber as quatro operações aritméticas;
5 - Ser bom nas relações humanas;
6 - Oportunidade.

O instinto, a percepção do que acontece, é o que determina o aproveitamento da oportunidade, a aplicação da imaginação, o cálculo dos resultados e as relações com os outros (amor/ódio, empatia/repúdio, compensação e reconhecimento). O instinto (awareness) é a mais básica das qualidades, que ou se tem ou não se tem e a humildade pode aprender-se (é difícil) à própria custa, com dor e frustração. A imaginação não se compra nem se aprende, é inata e precisa de ser desenvolvida e afinada com muito trabalho, “lata” e risco, no sentido em que não se pode ter medo de fazer, dizer ou cometer asneiras. A aritmética básica não exige uma licenciatura e é o suficiente para perceber o necessário que são as contas de merceeiro. Entra X, sai Y, o saldo é Z. As relações humanas decorrem do instinto (awareness), da humildade e da disponibilidade para ouvir e aprender.
Há também este mito romântico do “bom empresário” que não gosta de perder nem a feijões, do olho por olho, dente por dente, do dog eat dog, que se desfaz na conquista guerreira dos mercados, etc. Não é assim e por muita retórica indignada que haja, por muitas reedições de Sun-Tzu, Maquiavel e Clausewitz que se vendam, o empresário sabe quando perde num negócio porque o adversário foi melhor e nesse caso aprende, evolui e na próxima oportunidade pode perder por todas as razões mas não pelas mesmas. A derrota é a melhor das motivações e o mais perfeito manual de gestão. O “bom empresário” sabe melhor que ninguém o que lhe convém e actua em conformidade, sabe que não pode parar e avalia riscos, mercados, competências e capacidades e dedica-se a fundo àquilo em que é melhor, o que nem sempre passa por conquistar novos mercados para os mesmos produtos. Pode ser consolidar, fazer crescer, criar produtos, necessidades e ideias.
Nada disto exige formação específica nem escolas de gestão. Esse é o passo seguinte que não é determinante e mesmo somado às condições aqui expostas não é suficiente para fazer uma boa empresa. Longe disso.
(continua)

(1)

…existe o risco de se ignorar completamente o conteúdo específico do conhecimento prático, como tão correctamente criticou Oakeshott, para quem oracionalismo, na sua versão mais perigosa, exagerada e errónea, consistia precisamente em acreditar “que o que se denominou conhecimento prático não é sequer conhecimento, ou seja, que no seu sentido mais próprio não existe mais nenhum conhecimento para além do conhecimento técnico".

Jesús Huerta de Soto em A Escola Austríaca, Mercado e Criatividade Empresarial (tradução de André Azevedo Alves), pág 77

http://oinsurgente.blogspot.com/
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por Jacsilva » 28/9/2006 11:43

[/quote]

claro, a culpa é sempre do estado.[/quote]

o estado não existe é uma tabuleta como outra qualquer , o que existe é um governo e os governados , estes últimos existem para satisfazer os primeiros nas suas ganâncias ,aspirações pessoais , dentro de outra classe temos os funcionários públicos que se tornaram na sua grande maioria donos do seu emprego ( desculpem os que não se sentem assim ), e que na ultima estancia servem de grande suporte para eleger os governos, mediante um doce qualquer ( tolerância de ponte ), por muito que digam mal do patrão ( estado ) contam-se pelos dedos os que se demitam num ano por vontade própria só o fazem se sentirem capazes , ou seja uma grande maioria só diz mal ,mas é um incapacitado. Com respeito ao nossos ilustres empresários enquanto existir bonos “ subsídios” não precisamos de nos preocupar eles vão existindo, quando isso terminar e limpar , as fortunas feitas pelos subsídios de formação profissional tanto do lado deles como do lado dos ditos empregados , que muitos assinaram que recebiam uma ajuda de X e recebiam Y não aparecendo a dita formação ou seja dando cada vez mais ideias a quem já não precisava dela para tirar maior partido da situação, temos os empresários que merecemos. Mas atenção não culpem o trolha o carpinteiro nem o electricista e mais alguns , pois esses não receberam formação na sua grande maioria e esses cada vez são mais difíceis de encontrar para uma tarefa imediata eles estão a ir para outras paragens.
Bons investimentos
JacSilva
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por kostta » 27/9/2006 23:31

Keyser Soze Escreveu:
Mas a nossa classe empresarial ainda é pior


os que são maus, são pq são empresários em mercados ineficientes..ineficências muitas vezes criadas pelos Estado que gosta de meter o bedelho em tudo


claro, a culpa é sempre do estado.
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por Keyser Soze » 27/9/2006 22:49

Mas a nossa classe empresarial ainda é pior


os que são maus, são pq são empresários em mercados ineficientes..ineficências muitas vezes criadas pelos Estado que gosta de meter o bedelho em tudo
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por Keyser Soze » 27/9/2006 22:44

o Estado é um problema por causa da burocracia que atrapalha os privados, por causa da justiça lenta e cara que não pune quem não cumpre as regras, por cuasa dos impostos que cobra para financiar a sua despesa...que parece não haver maneira de reduzir




Portugal, por vezes, parece uma estado comunista, hoje tou a ver as noticas:

jerónimos de sousa..."os lucros fabulososa da banca"

mudo de canal

o tipo da cgtp..." o grande capital"...

mudo de canal

presidente da câmara de Nelas "o governo tem que intervir, a fabrica não pode fechar"


o sistema capitalista e mercado pode ter muitos defeitos mas é indubitavelemente o menos mau deles todos

a maioria dos paises abraçou o capitalismo....nós ainda discutimos qual a melhor alternativa....
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por Serrano » 27/9/2006 22:43

É preciso andar nas nuvens para afirmar que o estado é um falso problema. Temos um estado que funciona mal: não há justiça, não tem políticas e estratégias de desenvolvimento económico e humano, a democracia ainda é uma treta... e,por cima disso tudo, absorbe grande parte da ruiqueza nacional. Não há dúvida, o nosso estado é mau. Mas a nossa classe empresarial ainda é pior (e, se calhar, é por isso que o estado é mau...ou seja, é um problema cultural transversal à nação).
 
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por kostta » 27/9/2006 22:31

segundo Helena

Os gestores e empresários de Portugal têm urgentemente de olhar menos para o Estado e de tratar melhor dos seus negócios. Não será fácil. As fragilidades das instituições privadas reflectem a falta de formação em áreas hoje tão importantes como a economia e as finanças e uma atitude geral que se focaliza demasiado nos problemas e pouco nas soluções.


A seguir, a mais baixa qualificação está na sofisticação dos negócios. Ou seja, fracos processos produtivos, problemas nas estratégias de marketing e dificuldade em delegar competências. Aquilo de que tanto se queixam os gestores, ou seja, os custos de contexto, que correspondem ao enquadramento em que se movem os negócios, e a qualidade das instituições têm afinal uma classificação melhor que o funcionamento das empresas e das entidades privadas em geral. Em termos globais, as instituições públicas têm, no ranking do Fórum com sede em Davos, melhor classificação que as privadas.


O grande contributo que o relatório de Davos pode dar é acabar com a conversa sobre o funcionamento das instituições públicas para começarmos a falar do verdadeiro problema do País, a falta de preparação de gestores e empresários. Só começando por enfrentar a realidade podemos iniciar as correcções. O Estado, afinal, é um falso problema.


segundo sérgio

Também na componente da qualidade das instituições, o FEM distingue entre as existentes no sector público e no sector privado, ficando estas últimas mais uma vez a perder. Ao nível das instituições públicas, Portugal consegue o 23.º lugar no ranking mundial, conseguindo ultrapassar vários países da Zona Euro. Mas nas instituições privadas cai para o 31.º lugar.


Isto parece querer indicar que , a forma como as empresas portuguesas funcionam não tira totalmente partido das condições de negócio que o país oferece.


tal como no futebol, na dicotomia pub/priv todos somos treinadores de bancada, cada um com a solução milagrosa
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por Keyser Soze » 27/9/2006 21:20

Serrano Escreveu:temos um estado mau e os empresários são ainda piores! É evidente que temos alguns bons empresários, mas são muito pouco representativos. A média é muito má, predominam analfabetos, gente com falta de culta de gestão, corruptos e, ainda pior, aqueles passam a vida à procura da teta do estado.


acaba-se com a mama do estado e talvez eles melhorem...enquanto houver justiças inoperante, subsidios, grandes obras públicas para satisfazer clientelas privadas eles não têm incentivo para melhorar e qq vigarista pode virar empresário

o cenário que descrevu fez-me lembrar o vale do ave ...há uns anos atrás....agora, depois de aberto à concorrência global só os bons sobrevivem....o mercado a funcionar limpou a porcaria


o problema de Portugal passa pela despesa pública exagerada sem o correspondente retonrno em bens e serviços públicos, em qualidade e quantidade (educação, justiça..)....parece que apenas serve para pagar salários ...até às intervenções do estado no mercado com subsidios, isenções etc pq acha que sabe o que é melhor em vez de deixar os privados funcinar em condiçoes e enquadramentos legais simples e trasnparentes, e impostos baixos.....alémn disso o govero adora estourar dinheiros públicos em empreitadas e afins para satisfazer os construtores civis, banca etc...que depois lhes financia as campanhas nas próximas eleições

se tivessemos pouco estado, pouca despesa, impostos baixos, leis simples, justiça célere, primazia do mercado....os maus empresários não aguentavam muito...o mercado arrumava com eles....com as condições ineficientes que temos os chicos espertos têm mais condições de sobreviver que os realement bons....é como o futebol, qd mais vigarista um presidente for melhor...um tipo honesto não aguenta mt tempo
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por Pata-Hari » 27/9/2006 21:11

:wink:
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por PJBM2 » 27/9/2006 21:03

Serrano Escreveu:D. Pata,

Não, não tem que ser assim.
A minha experiência de vida profissional, que já um bocadito alargada, permite uma observação de vários ângulos, como engenheiro, gestor, empresário e académico, para além dum conhecimento de muito sectores empresariais, a nível nacional e conhecimento da realidade de alguns dos nossos parceiros da EU. E, tenho uma convicção forte: temos um estado mau e os empresários são ainda piores! É evidente que temos alguns bons empresários, mas são muito pouco representativos. A média é muito má, predominam analfabetos, gente com falta de culta de gestão, corruptos e, ainda pior, aqueles passam a vida à procura da teta do estado. Recentemente uma das estrelas do nosso liberalismo, CEO de uma subsidiária de uma grande multinacional, quando viu ameaçada a posição do oligopólio que integra, pela acção de um grande empresário português e do mundo, imediatamente desatou aos gritos de aqui d´el rei para que o estado lhe valesse! Tratou-se de um exemplo emblemático. E muito se poderia dizer de alguns notáveis do nosso panorama empresarial e político…
O relatório se é válido na avaliação dos outros âmbitos, também o será na avaliação do sector empresarial, aliás apesar de não conhecer o referido estudo, parece-me que apresenta valores equilibrados.
Cumprimentos.


A minha opinião é coincidente com o que disse.
Paulo Moreira
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por Serrano » 27/9/2006 20:34

D. Pata,

Não, não tem que ser assim.
A minha experiência de vida profissional, que já um bocadito alargada, permite uma observação de vários ângulos, como engenheiro, gestor, empresário e académico, para além dum conhecimento de muito sectores empresariais, a nível nacional e conhecimento da realidade de alguns dos nossos parceiros da EU. E, tenho uma convicção forte: temos um estado mau e os empresários são ainda piores! É evidente que temos alguns bons empresários, mas são muito pouco representativos. A média é muito má, predominam analfabetos, gente com falta de culta de gestão, corruptos e, ainda pior, aqueles passam a vida à procura da teta do estado. Recentemente uma das estrelas do nosso liberalismo, CEO de uma subsidiária de uma grande multinacional, quando viu ameaçada a posição do oligopólio que integra, pela acção de um grande empresário português e do mundo, imediatamente desatou aos gritos de aqui d´el rei para que o estado lhe valesse! Tratou-se de um exemplo emblemático. E muito se poderia dizer de alguns notáveis do nosso panorama empresarial e político…
O relatório se é válido na avaliação dos outros âmbitos, também o será na avaliação do sector empresarial, aliás apesar de não conhecer o referido estudo, parece-me que apresenta valores equilibrados.
Cumprimentos.
 
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por Pata-Hari » 27/9/2006 19:39

o tópico está aqui, para quem quiser.

http://www.******.com/forum/viewtopic.php?p=57736
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por Pata-Hari » 27/9/2006 19:13

mas tem que ser assim, é uma consequência do estado miserável do funcionamento da economia. Como queres que os empresários sejam bons se, ao cumprirem o que devem, são soterrados em impostos e exigências laborais que implicam necessáriamente a fraca competitividade e a falência? como dizia o outro "não há condições". Nem para se ser empresário. É um facto conhecido que a rigidez do nosso sistema laboral, por exemplo, é uma das causas dos problemas das empresas que não têm nenhuma flexibilidade na escolha dos funcionários. Se têm o azar de apanharem um mau funcionário, ficam com ele até à morte mesmo que hajam 50 bons, com melhor formação e com vontade de trabalhar por menos.

O incognitus fez um excelente argumento no site dele há uns dias acerca deste tema. Tenho que ver se encontro isso.
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por kostta » 27/9/2006 17:02

Gestores em xeque


Helena Garrido

O relatório sobre competitividade do Fórum Económico Mundial é uma vergonha para os gestores e empresários portugueses e um elogio às instituições públicas. Portugal desceu do 31.º lugar para o 34.º entre 125 países fundamentalmente por causa do mau funcionamento das instituições privadas. Afinal, a fraca imagem do País deve-se em grande parte ao sector privado.

O pior indicador de Portugal é o que está relacionado com o baixo crescimento e os défices público e externo. A seguir, a mais baixa qualificação está na sofisticação dos negócios. Ou seja, fracos processos produtivos, problemas nas estratégias de marketing e dificuldade em delegar competências. Aquilo de que tanto se queixam os gestores, ou seja, os custos de contexto, que correspondem ao enquadramento em que se movem os negócios, e a qualidade das instituições têm afinal uma classificação melhor que o funcionamento das empresas e das entidades privadas em geral. Em termos globais, as instituições públicas têm, no ranking do Fórum com sede em Davos, melhor classificação que as privadas.

O défice público, um dos problemas do País que podem ser directamente atribuídos aos governos, está em vias de resolução. Se a reestruturação do Estado for conseguida, o sector privado passa a ser o grande problema do País, aquele que contribui também para o fraco crescimento e o défice externo.

A imagem que o relatório transmite de Portugal para todo o mundo em nada coincide com o discurso de gestores e alguns empresários que ouvimos no espaço público. Um dos exemplos mais recentes foi o do Compromisso Portugal. Mas muitos de nós colocamos frequentemente a questão: porque são as empresas estrangeiras em Portugal competitivas e as nacionais não o conseguem ser? A resposta, que é fundamental levar a sério, está neste relatório do Fórum.

Os gestores e empresários de Portugal têm urgentemente de olhar menos para o Estado e de tratar melhor dos seus negócios. Não será fácil. As fragilidades das instituições privadas reflectem a falta de formação em áreas hoje tão importantes como a economia e as finanças e uma atitude geral que se focaliza demasiado nos problemas e pouco nas soluções.

O grande contributo que o relatório de Davos pode dar é acabar com a conversa sobre o funcionamento das instituições públicas para começarmos a falar do verdadeiro problema do País, a falta de preparação de gestores e empresários. Só começando por enfrentar a realidade podemos iniciar as correcções. O Estado, afinal, é um falso problema.
in http://dn.sapo.pt/2006/09/27/editorial/ ... xeque.html






Privados prejudicam imagem da economia portuguesa




Sérgio Aníbal

A forma como funcionam as empresas portuguesas é o factor, a seguir ao difícil quadro macro-económico que atravessa o país, que mais está a prejudicar a competitividade nacional, em contraponto com classificações mais positivas nas áreas da saúde e ensino básico, qualidade das infra-estruturas e instituições públicas, mostra o relatório anual ontem publicado pelo Fórum Económico Mundial (FEM).

Portugal perdeu este ano três lugares no índice global da competitividade calculado por esta entidade (um dos mais seguidos a nível mundial), passando a ocupar a 34.ª posição entre 125 países. O factor negativo mais marcante na classificação portuguesa é o das condições macro-económicas, onde o baixo ritmo de crescimento, o elevado défice público e o avultado desequilíbrio das contas externas, colocam o país como o 80.º pior nesta componente. E em todos estes capítulos, a situação deteriorou-se em 2005, ano de referência para a recolha dos indicadores económicos quantitativos.

Logo a seguir, pela negativa, surgem não os custos de contexto ou a qualidade das instituições públicas muitas vezes referidas nos meios empresariais, mas sim a forma como as empresas funcionam e definem as suas estratégias. Na componente de sofisticação dos negócios, que mede factores como o processo produtivo, a estratégia de marketing, a capacidade de delegação de competências e presença de cadeias de valor acrescentado, Portugal não consegue melhor que a 43.ª posição.

Também na componente da qualidade das instituições, o FEM distingue entre as existentes no sector público e no sector privado, ficando estas últimas mais uma vez a perder. Ao nível das instituições públicas, Portugal consegue o 23.º lugar no ranking mundial, conseguindo ultrapassar vários países da Zona Euro. Mas nas instituições privadas cai para o 31.º lugar.

Outro indicador que revela as debilidades relativas do sector empresarial português é o indicador de competitividade nos negócios, também apresentado, e onde Portugal fica na 28.ª posição entre 121 países. Este indicador tem duas componentes. Enquanto no sub-índice relativo à qualidade do ambiente de negócios, Portugal consegue o 26.º lugar (o 11.º entre os países da União Europeia), no subíndice da sofisticação das operações e estratégia das empresas não ultrapassa o 40.º lugar (15.º na UE). Isto parece querer indicar que , a forma como as empresas portuguesas funcionam não tira totalmente partido das condições de negócio que o país oferece.

Apesar de ao nível das grandes componentes sobressair uma visão mais negativa do funcionamento do sector privado, em alguns indicadores específicos cuja responsabilidade tem pertencido ao sector público, a posição portuguesa é extremamente negativa. Os casos mais evidentes são o ensino da matemática e da ciência, a legislação laboral e os custos da política agrícola.

in http://dn.sapo.pt/2006/09/27/economia/p ... omia_.html
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por Pata-Hari » 26/9/2006 20:21

A fonte indicada no artigo do canal de negócios também aponta para outros documentos interessantes, nomeadamente um outro em que descrevem o estudo em detalhe e os "pilares da competitividade":

http://www.weforum.org/pdf/Global_Compe ... er_1_1.pdf
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Portugal menos competitivo que Tunisia, Barbados, Emirados

por Pata-Hari » 26/9/2006 20:09

Portugal cai três lugares no “ranking” dos países mais competitivos do mundo
O Fórum Económico Mundial divulgou hoje o “ranking” dos países mais competitivos do mundo, com Portugal a perder três posições, para a 34ª, ao ser ultrapassado pela Tunísia, Barbados e Emirados Árabes Unidos. Angola passou a integrar o “ranking”, surgindo em último lugar entre 125 países.

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Nuno Carregueiro
nc@mediafin.pt


O Fórum Económico Mundial divulgou hoje o "ranking" dos países mais competitivos do mundo, com Portugal a perder três posições, para a 34ª, ao ser ultrapassado pela Tunísia, Barbados e Emirados Árabes Unidos. Angola passou a integrar o "ranking", surgindo em último lugar entre 125 países.

Portugal surge em 34º lugar no "ranking" dos 125 países mais competitivos do mundo em 2006-2007, três lugares abaixo da posição 31º que ocupava em 2005.

Esta queda deve-se à inclusão pela primeira vez de Barbados, que surge em 31º lugar, bem como pelo facto de Tunísia ter subido sete lugares, de 37 para 30, e os Emirados terem mantido o 32º lugar.

Portugal recebe uma classificação de 4,60 pontos, um "score" que inferior a uma série de países, como a Eslovénia (33º), Espanha (28º) e República Checa (29º).

Abaixo de Portugal surgem a Tailândia, a Letónia e a Eslováquia. Entre os países da Zona Euro com classificação inferior a Portugal surgem apenas a Itália (42º) e a Grécia (47º).

Angola, tal como outros países, passou a figurar no "ranking" do Fórum Económico Mundial, mas está no último lugar, entre 125 países. Moçambique ocupa a 121º. Brasil desceu de 57º para 66º.

O "ranking" deste ano é liderado pela Suíça, que destronou os Estados Unidos. A maior economia do mundo recuou para a sexta posição entre as mais competitivas do mundo.

Bom na saúde e educação, mal na economia

A pontuação geral atribuída a cada país pelo Fórum Económico Mundial resulta da conjugação da classificação dada a vários aspectos de cada país.

No "ranking" de recursos básicos, (que agrupa os quatro primeiros lugares) Portugal ocupa também a 34ª posição, a mesma do índice geral.

Nos dois primeiros dos nove pilares definidos pelo Fórum a classificação de Portugal está acima da pontuação global. Na qualidade das instituições Portugal surge em 28º lugar e nas infra-estruturas em 26º.

O pior resultado é obtido no terceiro pilar, o da macroeconomia, onde o nosso país surge no 80º lugar. Já o melhor resultado de todos os sub-índices é obtido na saúde e educação primária, onde Portugal surge no 16º lugar.

Na formação (5º pilar) Portugal está no 37º lugar e na eficiência de mercado (6º pilar) surge em 38º.

Para ver o relatório completo clique aqui, ou em www.weforum.org/gcr

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