Licença para pensar
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os numeros não são famosos o que farão os Professores Portugueses quando não estão na escola ??? corrigir pontos ? preparar aulas ? nas compras ?( uma vez que não ganham mal ...) pelo milesima nonagesima quinta vez aqui no caldeirão deixo a pergunta até quando é que em Portugal o grau de repartição de risco pela sociedade em geral vai continuar em niveis elevados em que uns arriscam quase tudo e outros quase nada ... sendo que dos que arriscam quase tudo a maior parte ganha menos dos que arriscam quase nada ...faz sentido ?
Cumpts
Cumpts
Aqui no Caldeirão no Longo Prazo estamos todos ricos ... no longuissimo prazo os nossos filhos estarão ainda mais ricos ...
Fonte, jornal de negócios
Rui Pedro Batista
Três compromissos para Portugal
Rui.Pedro.Batista@hotmail.com
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Portugal atravessa um período de estabilidade política impar para serem levadas a cabo reformas profundas. A somar a um Governo estável, do ponto de vista parlamentar (e também internamente), ...
A somar a um Governo estável, do ponto de vista parlamentar (e também internamente), junta-se um Presidente da República empenhado em criar as condições para que as estruturas do nosso país se adaptem ao futuro e coloquem Portugal no topo da competitividade internacional. É sobretudo nestas alturas que se produzem muitas ideias sobre o que alterar. Aqui ficam mais três: Educação, Segurança Social e relação financeira entre entidades, privadas e/ou públicas.
1. Pagar e morrer, quando mais tarde melhor!
Comecemos pela relação financeira entre as diversas instituições em Portugal. Sejam elas privadas ou públicas, Portugal entrou há várias décadas no que se pode chamar de "espiral da tesouraria negativa". Ou se preferir, "pagar e morrer quanto mais tarde melhor". A lógica é simples. Os pagamentos a fornecedores atrasam-se o mais possível sobretudo por duas razões. A primeira é que os nossos próprios clientes também seguem a mesma estratégia. E ao fazê-lo colocam em causa a gestão de tesouraria. A segunda razão prende-se com a ideia que tendo o dinheiro "do lado de cá", se consegue fazer rodá-lo em aplicações financeiras geradoras de ganhos acrescidos. O que na verdade acaba por ter um impacto positivo muito reduzido.
Esta espiral da tesouraria negativa acaba por levar muitas empresas, ditas sérias, a contrair empréstimos de vário tipo, para financiar a sua própria tesouraria, se desejarem ter os seus pagamentos em dia com o acordado. As margens estreitam-se. A concorrência faz-se de forma indirecta.
Ora quando observamos qual o principal culpado desta situação verificamos que é exactamente o próprio Estado. Pelo seu peso na economia, o Estado, é um dos maiores compradores. De quase tudo. E quase sempre com o mesmo tipo de política de pagamentos: atrasar o mais possível.
Sabe bem quem vive de vender seja que for ao Estado que o maior drama é cobrar, receber o dinheiro. Nalguns casos 180 dias, noutros 6 meses, um ano. Ouve-se falar de tudo e todas as datas até parecem ser boas desde que os fundos acabem por entrar nos cofres das empresas.
Seria aqui uma pequena revolução a imprimir à sociedade. Á economia. Obrigar a que clientes, sejam privados ou públicos, passem a pagar a tempo e horas. Esta pequena mudança na forma como se encara o momento de encerra contas teria impactos positivos e profundos.
Fica a sugestão. Alteração legislativa que penalize fortemente quem não paga dentro do prazo acordado. E desde logo uma mudança de atitude do Estado.
2. Obsessão educativa, revolução do sistema
As contas estão feitas e são surpreendentes. Metade do crescimento do produto interno bruto por pessoa empregada, entre 1990 e 2000, deveu-se ao aumento de habilitações. O estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), publicado pela revista Visão, revela também que se tivéssemos ido mais longe em matéria de formação, Portugal teria alcançado uma produção superior. Mais anos de escolaridade contribui para aumentar a taxa anual de crescimento do PIB entre 0,3 e 05%.
Portugal está portanto perante a espada e a parede. A espada dos países que apresentam ordenados escandalosamente mais baixos do que os nossos e a parede dos países que competem no mercado de trabalho com empregados mais habilitados academicamente e que recebem mais horas de formação por cada ano que passa.
O caminho é óbvio. Não resta outra solução senão alterar profundamente a forma como preparamos os profissionais para o mercado de trabalho mas também como os melhoramos todos os dias.
Numa altura em que os professores tentam lutar contra as alterações que o ministério da Educação tenta imprimir ao sistema é preciso reflectir que não faz qualquer sentido continuar a olhar-se para um dos mais importantes pilares da nossa sociedade desta forma tranquila e quase desleixada como tem sido feito até agora. Concretamente há que imprimir uma profunda concorrência no sistema. Os professores têm de assumir parte da responsabilidade (mérito, meios, autoridade, etc.) nos resultados finais. Produzir "rankings" não pode ser uma forma de motivar alguns docentes. Tem de se transformar numa das mais importantes ferramentas de trabalho. Ao perceber que uns produzem melhores resultados do que outros torna-se evidente que é preciso mudar algumas peças do imenso "puzzle" que é a educação em Portugal.
A educação tem de deixar de ser uma prioridade para se assumir como uma obsessão. Inovar nos programas e nas formas de ensino. Estimular o sucesso e apoiar o insucesso. E fundamental, criar nos pais, alunos e professores uma verdadeira mentalidade de esforço e competição. Não só internamente mas a nível global. É fácil olhar com inveja para os ordenados dos alemães, ingleses ou americanos e esquecer a exigência educativa.
3. Enfrentar resistências, privatizar segurança social
Imagine que um dia destes o seu filho abre o frigorifico com o objectivo de escolher alguma coisa para lanchar. Um iogurte por exemplo. E lá dentro não há nada. Nem uma garrafa de água. Nada! Por é isso mesmo que um destes dias acontece com o dinheiro da segurança social. Está a esgotar-se, todos os dias há mais gente a tirar "alimentos" do frigorifico, e cada vez menos gente a "ir às compras". Resultado o desequilíbrio é crescente. Ora assim sendo, e até porque ainda existe algum – cada vez menos –, espaço de manobra não seria desejável avançar desde já com uma revolução do sistema?
Há que o dizer claramente. Não só o actual modelo está esgotado, ultrapassado, como dificilmente no futuro se pode desejar um nível de protecção, suportado apenas nos cofres do que é hoje a segurança social, semelhante ao que existe hoje. Não é possível. Por isso há que estimular novas formas de financiamento destas prestações que têm obviamente de passar pela capitalização de fundos.
Esta mudança, profunda bem se sabe, deveria começar já a ser explicada, introduzida. Até porque quanto mais cedo se começar a mudar o sistema, menores serão os impactos negativos para o comum dos cidadãos.
São três pequenas pontas de um país, que precisam de ser apanhadas rapidamente. Que mexem no bem estar de muita gente, mas indispensáveis à nossa competitividade e futuro colectivo. Acção é o que se pede, mas não como a entendeu Jean-Paul Sartre quando afirmou que "ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de acção".
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Só mais uma observação. Se calhar um dos problemas com o ensino superior em Portugal é o número de Universidades/cursos que não valem os recursos que consomem.
Refiro-me, desculpem lá se ofendo alguém, à maioria das Universidades privadas (com a excepção da Católica e talvez do ISPA, IADE).
E quando se fala em empregabilidade, com explicar os milhares de psicólogos formados por ano em Portugal, mais de mil de vagas em direito/ano só em Lisboa, mais umas centenas de jornalistas e (na minha área) mais umas centenas de licenciados no ambiente?
E depois um gajo precisa de um electricista e tem de esperar uma semana para ter o problema resolvido! Já sem falar no facto de que para pagar a horita que o técnico do gás esteve lá em casa, tenho eu de trabalhar quase meio dia!
Enfim...saí um pouco do tema, mas são desabafos!
Refiro-me, desculpem lá se ofendo alguém, à maioria das Universidades privadas (com a excepção da Católica e talvez do ISPA, IADE).
E quando se fala em empregabilidade, com explicar os milhares de psicólogos formados por ano em Portugal, mais de mil de vagas em direito/ano só em Lisboa, mais umas centenas de jornalistas e (na minha área) mais umas centenas de licenciados no ambiente?
E depois um gajo precisa de um electricista e tem de esperar uma semana para ter o problema resolvido! Já sem falar no facto de que para pagar a horita que o técnico do gás esteve lá em casa, tenho eu de trabalhar quase meio dia!
Enfim...saí um pouco do tema, mas são desabafos!
Ora aí está...
OPA Escreveu:A minha experiência é oposta. Fiz Erasmus em Londres e as matérias dadas no meu curso de engenharia eram de um nivel claramente superior às que fui encontrar por lá. Eles são muito limitados...fiz aquilo com uma perna às costas.
O meu caso não é único, a minha irmã estudou Design em Milão e eles por lá ainda faziam tudo com papel e lápis. Ela fazia os seus trabalhos com software gráfico e deixou toda a gente de boca aberta.
E podia continuar com exemplos, mas talvez o melhor é o seguinte: contra as regras estabelecidas, a maioria dos professores universitários em Portugal opõe-se à aceitação directa das notas que se obtêm lá fora. Isto porque eles próprios consideram que as mesmas cadeiras leccionadas lá fora têm um grau de exigência menor.
Da minha experiência profissional, os licenciados portugueses com quem trabalhei não ficam atrás dos licenciados ingleses, italianos, espanhóis, franceses e húngaros que conheci...bem pelo contrário.
São demasiadas coincidências para pensar que a minha experiência é um caso isolado.
O problema é que em Portugal ninguem aposta neles. Depois de formadinhos fresquinhos e bons, temos empresários "que só pensam empregar a custo zero". Venha o lucro de tanto conhecimento que eu vou ver onde vou procurar o reconhecimento.
Nós não temos empresários à altura de bom conhecimento (evidente que existem excepções).
Temos é malta cheia de nota que são unica e exclusivamente "negociantes".
Cumps
Vai onde te leva o sonho, mas cuidado, não vá ele tornar-se um pesadelo....
A minha experiência é oposta. Fiz Erasmus em Londres e as matérias dadas no meu curso de engenharia eram de um nivel claramente superior às que fui encontrar por lá. Eles são muito limitados...fiz aquilo com uma perna às costas.
O meu caso não é único, a minha irmã estudou Design em Milão e eles por lá ainda faziam tudo com papel e lápis. Ela fazia os seus trabalhos com software gráfico e deixou toda a gente de boca aberta.
E podia continuar com exemplos, mas talvez o melhor é o seguinte: contra as regras estabelecidas, a maioria dos professores universitários em Portugal opõe-se à aceitação directa das notas que se obtêm lá fora. Isto porque eles próprios consideram que as mesmas cadeiras leccionadas lá fora têm um grau de exigência menor.
Da minha experiência profissional, os licenciados portugueses com quem trabalhei não ficam atrás dos licenciados ingleses, italianos, espanhóis, franceses e húngaros que conheci...bem pelo contrário.
São demasiadas coincidências para pensar que a minha experiência é um caso isolado.
O meu caso não é único, a minha irmã estudou Design em Milão e eles por lá ainda faziam tudo com papel e lápis. Ela fazia os seus trabalhos com software gráfico e deixou toda a gente de boca aberta.
E podia continuar com exemplos, mas talvez o melhor é o seguinte: contra as regras estabelecidas, a maioria dos professores universitários em Portugal opõe-se à aceitação directa das notas que se obtêm lá fora. Isto porque eles próprios consideram que as mesmas cadeiras leccionadas lá fora têm um grau de exigência menor.
Da minha experiência profissional, os licenciados portugueses com quem trabalhei não ficam atrás dos licenciados ingleses, italianos, espanhóis, franceses e húngaros que conheci...bem pelo contrário.
São demasiadas coincidências para pensar que a minha experiência é um caso isolado.
Ensino Superior 2006-09-26 00:05
Gago salva universidades com mau desempenho
Prémios de mérito prometidos há um ano às melhores universidades vão assegurar a sobrevivência das instituições com os piores indicadores de eficiência.
Há um ano, o ministro Mariano Gago definiu uma fórmula de cálculo de financiamento que prometia recompensar a eficiência com acréscimos de verbas. Afinal, para assegurar a sobrevivência das universidades com pior desempenho, a fórmula foi afastada. As melhores instituições vão acabar por receber menos.
DE
Há poucos alunos e nem os melhores são muito bons
Leonor Figueiredo
"Somos poucos e não muito bons." É este o diagnóstico sobre o ensino em Portugal feito pelos economistas do Banco Europeu de Investimentos, Luísa Ferreira e Pedro Lima, cujos resultados "sugerem a incapacidade dos jovens em transitarem do sistema educativo para o mundo do trabalho".
Os autores usam os indicadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e desmontam argumentos desculpabilizantes do estado a que chegou o ensino. A sua análise será incluída no livro Desastre no Ensino da Matemática: Recuperar o Tempo Perdido, organizado pelo professor Nuno Crato (ver caixa).
Apesar da "progressão notável" de alunos no ensino desde os anos 60, a verdade é que, 40 anos depois, Portugal está na cauda da OCDE. O número de estudantes de todos os níveis situa-se "claramente abaixo" dos países desenvolvidos.
Só 35% dos adultos que beneficiaram do investimento na educação nas últimas décadas (hoje têm entre 25 e 34 anos) acabaram o secundário, remetendo-nos para o 3.º pior lugar, quando em mais de metade da OCDE o secundário foi atingido por 80%.
"É fácil antecipar que a desejada convergência com os nossos parceiros europeus não se processará num futuro próximo", alertam os economistas, dado os níveis de abandono escolar e saídas precoces, sem paralelo na Europa.
O mais assustador é que o número não baixou nos últimos dez anos, já que cerca de metade dos jovens entre os 18 e os 24 anos continuam a virar costas à escola. Há cinco anos, um quarto dos nossos jovens não tinha sequer concluído o 9.º ano. Os níveis de participação no secundário e universitário estão, portanto, "claramente abaixo de valores óptimos".
A qualidade não é melhor, dado o "desempenho modesto dos alunos portugueses, sempre abaixo da média global". Baseados em testes internacionais (IALS, TIMSS e PISA), os autores sublinham que o nosso sistema educativo "parece incapaz de produzir um produto cuja qualidade média consiga competir".
Melhores não são excelentes
A prestação em literacia matemática "é má", não pelos maus alunos mas pelos melhores, cuja performance é "consideravelmente inferior à média" homóloga na OCDE.
Se o nível de despesa fosse "factor explicativo decisivo", defendem os economistas, seriam de esperar "resultados bastante elevados" nos alunos com 15 anos, o que não acontece.
Quanto aos gastos, "seriam perfeitamente compatíveis com um sistema competitivo a nível internacional". A despesa por aluno no primário e secundário "coloca-nos perto da média da OCDE". Países que gastam "significativamente menos" como a Irlanda, Hungria, República da Coreia e República Checa obtêm resultados "claramente superiores".
A democratização do ensino não pode ser causa de baixa qualidade, porque a despesa por estudante não foi tão reduzida que o justificasse. Para uma procura maior houve mais despesa, com o PIB "praticamente a par" da média.
A entrada de todos os estratos sociais não fez baixar a bitola, já que, observam os autores, se isso acontecesse, os melhores alunos, os do "grupo que seria imune ao alargamento do ensino", não teria, como se verifica, "piores desempenhos relativos". A média dos 5% de alunos bons "é significativamente mais baixa que no grupo homólogo".
Só 4% dos nossos alunos atingiram um nível mais alto na literacia de leitura, enquanto na OCDE a média é o dobro.
Muitos docentes sem ensinar
Embora a análise reconheça incapacidade para "atrair os professores mais aptos", denuncia o facto de haver muitos docentes que não estão a leccionar, registando-se uma elevada percentagem de professores sem qualificações "apropriadas".
Em salário, os docentes portugueses do básico com 15 anos de experiência ganham o mesmo que os congéneres espanhóis ou franceses, "todos eles com melhor desempenho". "A situação dos professores não se distingue significativamente da maioria dos países desenvolvidos", com Portugal a ocupar a quinta posição na OCDE, com o salário de topo dos professores do básico.
Os autores lembram "a pouca atenção prestada à formação dos professores", ao seu processo de formação, entrada na profissão e exercício. E concluem que continuamos com poucos alunos no ensino e com resultados que deixam "bastante a desejar". Aconselham mais autonomia para as escolas, mais qualidade no ensino dos professores e melhor uso dos recursos financeiros.
Além de não ganharem mal, os professores portugueses têm menos alunos por turma, apesar de as crianças passarem "mais horas" nas salas de aula do que em países onde obtêm melhores resultados.
http://dn.sapo.pt/2006/09/22/sociedade/ ... muito.html
Licença para pensar
Licença para pensar
A empregabilidade de alguém formado numa universidade inglesa é elevada, sem que isso seja o objectivo fundamental da instituição.
Como João Carlos Espada assiduamente nos relembra, Oxford não seria a mesma sem os seus ”quadrângulos”, as ‘drink parties’ de ‘black-tie’ e os jantares animados nas ‘High Table’. O lado pitoresco da vida social de Oxford tem muito que se lhe diga, é um facto. Mas cinjamo-nos aqui à vida académica. Mais concretamente, ao mundo dos ‘undergraduate students’, com destaque para duas coisas: o método de ensino baseado nos ‘essays’ e o modo como se chega à nota final de curso.
A discussão com o tutor de ‘essays’ elaborados pelo aluno é a base do sistema tutorial inglês. Não é fácil explicar o que é um ‘essay’. É uma pergunta, de âmbito geralmente alargado, cuja resposta deverá revelar um forte espírito crítico, mais do que mero conhecimento da matéria tratada. O debate regular das opiniões oferecidas pelo aluno desenvolve a sua capacidade de comunicação de forma notável. A reflexão individual, prévia à sessão e tantas vezes feita no meio de uma dezena de livros, é um dos desafios intelectuais maiores do estudante, para quem a redacção semanal de uma mão cheia de ‘essays’ será rotina certa durante três anos. Portanto: trabalho, responsabilidade, autonomia.
A nota final de cada aluno é atribuída exclusivamente com base nos exames finais. Os temidos ‘finals’ – pouco menos de dez – concentram-se em cinco ou seis dias seguidos. A avaliação ao longo do curso não conta para a nota final. Não há ”segunda chamada” e a ”época especial” é mesmo especial. Ou seja: só há uma oportunidade para vingar. O sistema é, de certo modo, injusto, mas prepara o aluno para a vida, onde momentos cruciais e irrepetíveis não faltarão. Nos ‘finals’, os alunos têm de responder a cerca de 30% das perguntas propostas, o que os incentiva a, com total liberdade e por sua conta e risco, optar pela especialização em alguns assuntos. No final do curso, o aluno terá um domínio muito bom de vários temas do seu interesse, ao invés de uma ténue lembrança das matérias leccionadas no último semestre.
A falta de empregabilidade de alguns cursos em Portugal é motivo de queixa de muitos. Com alguma razão. ”Alguma”. Curiosamente, a empregabilidade de alguém formado numa universidade inglesa é elevada, sem que isso seja o objectivo fundamental da instituição. Acontece que a postura e as qualidades transversais adquiridas pelo aluno lhe garantem uma flexibilidade apreciável. O corolário de tudo isto é que um bom aluno pode escolher o curso de que realmente gosta. A ideia de incompatibilidade entre vocação e empregabilidade é própria de mentes limitadas num sistema pervertido. Umas poucas excepções à parte, não há razão para que um curso superior não seja, mais do que um certificado de especialidade, um passaporte onde se possa vir a estampar os mais variados carimbos.
tiago.mendes@economics.oxford.ac.uk
Tiago Mendes, Doutorando e tutor em Economia na Universidade de Oxford
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/ ... 90291.html
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