Mota Engil - Tópico Geral
Re: Mota Engil - Tópico Geral
NirSup Escreveu:Na Bolsa não há certezas absolutas, nem tão pouco certezas.
Em Bolsa temos mais dúvidas do que certezas, mas eu tenho a certeza que os resultados da Broadcom, na próxima semana, serão positivos, altamente positivos, acompanhando os resultados positivos da Nvidia.
E não é que a minha certeza (em itálico) se confirmou?
Os resultados do 2.º trimestre do ano fiscal de 2026 da Broadcom (AVGO) podem considerar-se manifestamente positivos, tanto do ponto de vista operacional e financeiro como na superação das estimativas de Wall Street
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
No dia 8 de junho tivemos o oposto da "golden cross" e a ação subiu três sessões depois. Numa lateralização o cruzamento de médias móveis pode ser a indicação oposta. Será que é desta que a lateralização acaba?
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Kiko_463 Escreveu:Ponto da situação. Está acima das médias móveis. Alvo 6€
Esteve a fazer uma bandeirola estes dias.
Hoje temos uma "golden cross" que é geralmente interpretado como um sinal técnico de alta o que costuma sinalizar o início de uma tendência ascendente sustentada.
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Editado pela última vez por Kiko_463 em 7/9/2026 5:38, num total de 2 vezes.
Re: Mota Engil - Tópico Geral
caganixo7 Escreveu:One word: FARTfetch
O José Neves foi imprudente e quis dar um passo maior do que a perna. Esse foi o seu grande erro.
Sei agora que não devemos seguir charlatães.
Foi uma EXPERIÊNCIA para a vida.
A minha única consolação é que o Charlie MUNGER, o grande Charlie MUNGER, perdeu milhões com a Farfetch.
Em comparação com ele, eu perdi tostões.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
podes esperar sentado, a esses valores nunca mais! Só se houver uma 3 guerra
€4,45 são menos de 7%. (ao preço de fecho ontem nos
€4,77)
mas será que afirmam isto e acreditam
a ver se não vai a €3,80, e depois quero ver se há o fim do mundo
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Anélito Escreveu:Acho que a Mota está a lateralizar. Vou esperar que ela venha a 4,45 - 4,50 para voltar a comprar.
podes esperar sentado, a esses valores nunca mais! Só se houver uma 3 guerra mundial.....- Mensagens: 273
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Só nesses valores é que volto a olhar para ela.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Acho que a Mota está a lateralizar. Vou esperar que ela venha a 4,45 - 4,50 para voltar a comprar.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
caganixo7 Escreveu:NirSup Escreveu:Recordar é viver. Ou sobreviver?
A História não se repete, mas dela podemos retirar ensinamentos para o futuro. E não nos deixarmos embalar pelas muitas ESTÓRIAS da Carochinha ou ESTÓRIAS de embalar que circulam por aí.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
NirSup Escreveu:Recordar é viver. Ou sobreviver?
A História não se repete, mas dela podemos retirar ensinamentos para o futuro. E não nos deixarmos embalar pelas muitas ESTÓRIAS da Carochinha ou ESTÓRIAS de embalar que circulam por aí.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Não é a malta, é quem faz as análises… 

Re: Mota Engil - Tópico Geral
a malta no BOS ambiciona entrar na mota, mas a preços de saldo
na mota, e na Jerónimo Martins
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Recordar é viver. Ou sobreviver?
A História não se repete, mas dela podemos retirar ensinamentos para o futuro. E não nos deixarmos embalar pelas muitas ESTÓRIAS da Carochinha ou ESTÓRIAS de embalar que circulam por aí.
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A História não se repete, mas dela podemos retirar ensinamentos para o futuro. E não nos deixarmos embalar pelas muitas ESTÓRIAS da Carochinha ou ESTÓRIAS de embalar que circulam por aí.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Li a análise do Borja com atenção e achei-a bastante completa. Há, no entanto, alguns pontos que me parece importante atualizar ou esclarecer.
Desde logo, a CCCC já não tem 32,41% da Mota-Engil, mas 31%, depois da venda de 1,41% em abril.
Também a referência aos 79% da CCCC merece alguma precisão: essa percentagem refere-se às ações A detidas pela CCCG e não a 79% do capital total da CCCC. O controlo pelo Estado chinês existe através da CCCG, mas são coisas diferentes.
Outro pormenor que encontrei no Relatório e Contas: o artigo refere que não foi divulgado o custo da aquisição dos 50% restantes da Empresa Construtora Brasil. Na realidade, as contas de 2025 permitem apurar a contrapartida: 2,385 M€ em numerário + 7,949 M€ por encontro de contas + 6,283 M€ por liquidar, cerca de 16,6 M€ no total.
Também teria cuidado com a afirmação de que a Mota celebra “sempre” contratos em euros ou dólares e “nunca” em moedas locais. Num grupo presente em tantas geografias parece-me demasiado absoluto, até porque o próprio 1S26 voltou a mostrar que o risco cambial existe e afeta os resultados.
Há ainda uma distinção que considero importante: EBITDA não é cash flow. E aqui os últimos resultados até acrescentam um dado bastante interessante à análise: a Mota gerou 159 M€ de free cash flow no semestre, equivalente a cerca de 33% do EBITDA.
Quanto às projeções do Borja, aí não vejo propriamente erros. Vejo sobretudo uma opção bastante conservadora.
O Borja assume crescimento médio das receitas de 5,9% e margem líquida de 2,9%. O FOCUS 2030 aponta para cerca de 9 mil M€ de receitas e margem líquida do Grupo igual ou superior a 4%.
E convém esclarecer um ponto que já discutimos aqui: no glossário do próprio FOCUS, o resultado líquido do Grupo corresponde ao resultado atribuível ao Grupo. Portanto, os 4% são efetivamente uma margem líquida atribuível aos acionistas da Mota-Engil, depois dos interesses minoritários.
Também nos dividendos a projeção do Borja é prudente, porque mantém os atuais 0,1736 € por ação, enquanto o FOCUS estabelece um payout de 30% a 50%. Não é um erro, mas é uma escolha que torna naturalmente o retorno projetado mais conservador se os lucros crescerem como a administração espera.
Na carteira, os 17,714 mil M€ no final de junho estão corretos, mas há ainda cerca de 2,5 mil M€ de contratos assinados posteriormente que não estavam incluídos nesse valor. Portanto, para analisar a visibilidade futura também acho importante considerar essa informação mais recente.
E há finalmente a mudança na composição do negócio.
No 1S26, a Engenharia Industrial/mineração apresentou 118 M€ de EBITDA e margem de 29%, enquanto o Ambiente fez 65 M€ de EBITDA com margem de 21%.
Para mim isto é importante porque a avaliação futura não vai depender apenas de quanto cresce a faturação. Vai depender também de quais os negócios que passam a representar uma parcela maior dos resultados e do cash flow do Grupo.
Por isso, no geral, considero a análise do Borja boa e útil. A principal diferença entre a leitura dele e a minha está sobretudo nas premissas futuras.
Se a Mota ficar por crescimentos próximos dos 5,9% e margens líquidas de 2,9%, a prudência do modelo poderá revelar-se bastante acertada.
Mas pessoalmente a minha leitura continua a ser mais bullish.
Não porque considere o FOCUS 2030 garantido, mas porque vejo vários sinais de que a Mota-Engil está a mudar de qualidade: mineração com margens muito elevadas, Ambiente com boa rentabilidade, concessões de longo prazo, melhor conversão de EBITDA em caixa e uma carteira que dá enorme visibilidade para os próximos anos.
Se a empresa conseguir aproximar-se dos 4% de margem líquida, mantendo a dívida controlada e aumentando o peso destes negócios de maior rentabilidade, então acredito que uma avaliação baseada em 2,9% de margem e 5,9% de crescimento poderá acabar por ficar claramente curta.
E, como tenho vindo a explicar aqui no fórum, a minha visão mais bullish não assenta numa única notícia nem num único número.
Assenta no conjunto: crescimento da carteira, melhoria das margens, mineração, Ambiente, concessões, Corredor do Lobito, novos mercados, maior geração de caixa e todas as oportunidades que poderão surgir nos próximos anos.
A isto juntaria ainda o enorme ciclo de investimento em infraestruturas que se prepara em várias geografias, seja em ferrovia, energia, portos, aeroportos, mobilidade militar, reconstrução ou novas infraestruturas digitais.
Naturalmente, nem todas essas oportunidades irão para a Mota-Engil e haverá riscos pelo caminho. Mas considero que a empresa está hoje muito melhor posicionada para aproveitar esse ciclo do que estava há alguns anos.
É aqui que está a minha principal diferença em relação à análise do Borja.
Ele olha para a Mota com bastante prudência e projeta uma evolução mais próxima do histórico recente. Eu atribuo uma probabilidade maior à execução do FOCUS e à transformação que já começa a aparecer nos números.
Posso estar errado, naturalmente, mas é precisamente por tudo o que tenho vindo a explicar aqui no fórum que continuo bullish e bastante investido na Mota-Engil.
Para mim, o maior potencial não está apenas no que a empresa vale hoje com os resultados atuais.
Está naquilo em que a Mota-Engil se pode transformar nos próximos anos se continuar a executar bem.
J.f.vieira
Desde logo, a CCCC já não tem 32,41% da Mota-Engil, mas 31%, depois da venda de 1,41% em abril.
Também a referência aos 79% da CCCC merece alguma precisão: essa percentagem refere-se às ações A detidas pela CCCG e não a 79% do capital total da CCCC. O controlo pelo Estado chinês existe através da CCCG, mas são coisas diferentes.
Outro pormenor que encontrei no Relatório e Contas: o artigo refere que não foi divulgado o custo da aquisição dos 50% restantes da Empresa Construtora Brasil. Na realidade, as contas de 2025 permitem apurar a contrapartida: 2,385 M€ em numerário + 7,949 M€ por encontro de contas + 6,283 M€ por liquidar, cerca de 16,6 M€ no total.
Também teria cuidado com a afirmação de que a Mota celebra “sempre” contratos em euros ou dólares e “nunca” em moedas locais. Num grupo presente em tantas geografias parece-me demasiado absoluto, até porque o próprio 1S26 voltou a mostrar que o risco cambial existe e afeta os resultados.
Há ainda uma distinção que considero importante: EBITDA não é cash flow. E aqui os últimos resultados até acrescentam um dado bastante interessante à análise: a Mota gerou 159 M€ de free cash flow no semestre, equivalente a cerca de 33% do EBITDA.
Quanto às projeções do Borja, aí não vejo propriamente erros. Vejo sobretudo uma opção bastante conservadora.
O Borja assume crescimento médio das receitas de 5,9% e margem líquida de 2,9%. O FOCUS 2030 aponta para cerca de 9 mil M€ de receitas e margem líquida do Grupo igual ou superior a 4%.
E convém esclarecer um ponto que já discutimos aqui: no glossário do próprio FOCUS, o resultado líquido do Grupo corresponde ao resultado atribuível ao Grupo. Portanto, os 4% são efetivamente uma margem líquida atribuível aos acionistas da Mota-Engil, depois dos interesses minoritários.
Também nos dividendos a projeção do Borja é prudente, porque mantém os atuais 0,1736 € por ação, enquanto o FOCUS estabelece um payout de 30% a 50%. Não é um erro, mas é uma escolha que torna naturalmente o retorno projetado mais conservador se os lucros crescerem como a administração espera.
Na carteira, os 17,714 mil M€ no final de junho estão corretos, mas há ainda cerca de 2,5 mil M€ de contratos assinados posteriormente que não estavam incluídos nesse valor. Portanto, para analisar a visibilidade futura também acho importante considerar essa informação mais recente.
E há finalmente a mudança na composição do negócio.
No 1S26, a Engenharia Industrial/mineração apresentou 118 M€ de EBITDA e margem de 29%, enquanto o Ambiente fez 65 M€ de EBITDA com margem de 21%.
Para mim isto é importante porque a avaliação futura não vai depender apenas de quanto cresce a faturação. Vai depender também de quais os negócios que passam a representar uma parcela maior dos resultados e do cash flow do Grupo.
Por isso, no geral, considero a análise do Borja boa e útil. A principal diferença entre a leitura dele e a minha está sobretudo nas premissas futuras.
Se a Mota ficar por crescimentos próximos dos 5,9% e margens líquidas de 2,9%, a prudência do modelo poderá revelar-se bastante acertada.
Mas pessoalmente a minha leitura continua a ser mais bullish.
Não porque considere o FOCUS 2030 garantido, mas porque vejo vários sinais de que a Mota-Engil está a mudar de qualidade: mineração com margens muito elevadas, Ambiente com boa rentabilidade, concessões de longo prazo, melhor conversão de EBITDA em caixa e uma carteira que dá enorme visibilidade para os próximos anos.
Se a empresa conseguir aproximar-se dos 4% de margem líquida, mantendo a dívida controlada e aumentando o peso destes negócios de maior rentabilidade, então acredito que uma avaliação baseada em 2,9% de margem e 5,9% de crescimento poderá acabar por ficar claramente curta.
E, como tenho vindo a explicar aqui no fórum, a minha visão mais bullish não assenta numa única notícia nem num único número.
Assenta no conjunto: crescimento da carteira, melhoria das margens, mineração, Ambiente, concessões, Corredor do Lobito, novos mercados, maior geração de caixa e todas as oportunidades que poderão surgir nos próximos anos.
A isto juntaria ainda o enorme ciclo de investimento em infraestruturas que se prepara em várias geografias, seja em ferrovia, energia, portos, aeroportos, mobilidade militar, reconstrução ou novas infraestruturas digitais.
Naturalmente, nem todas essas oportunidades irão para a Mota-Engil e haverá riscos pelo caminho. Mas considero que a empresa está hoje muito melhor posicionada para aproveitar esse ciclo do que estava há alguns anos.
É aqui que está a minha principal diferença em relação à análise do Borja.
Ele olha para a Mota com bastante prudência e projeta uma evolução mais próxima do histórico recente. Eu atribuo uma probabilidade maior à execução do FOCUS e à transformação que já começa a aparecer nos números.
Posso estar errado, naturalmente, mas é precisamente por tudo o que tenho vindo a explicar aqui no fórum que continuo bullish e bastante investido na Mota-Engil.
Para mim, o maior potencial não está apenas no que a empresa vale hoje com os resultados atuais.
Está naquilo em que a Mota-Engil se pode transformar nos próximos anos se continuar a executar bem.
J.f.vieira
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
No setor da energia uma nova área com produção de Biometano.
Pensam em grande, e logo 10 fábricas.
https://www.jornaldenegocios.pt/empresa ... fim-do-ano
Pensam em grande, e logo 10 fábricas.
https://www.jornaldenegocios.pt/empresa ... fim-do-ano
Re: Mota Engil - Tópico Geral
Análise fundamental das ações da MOTA-ENGIl por Cesar Borja OnStocks. Muita gente as quer comprar a preços mais baixos tendo em conta as projeções de crescimento para 2030
https://borjaonstocks.com/acoes-mota-en ... e-profunda
Maior empresa do setor em Portugal, maior empresa de África (excluindo as chinesas) e 2a maior na América latina.
https://borjaonstocks.com/acoes-mota-en ... e-profunda
Maior empresa do setor em Portugal, maior empresa de África (excluindo as chinesas) e 2a maior na América latina.
Editado pela última vez por Kiko_463 em 1/9/2026 17:33, num total de 1 vez.
Re: Mota Engil - Tópico Geral
https://www.jornaldenegocios.pt/empresa ... ia-a-china
A notícia sobre a pressão de Trump para acelerar a construção de data centers fez-me olhar com mais atenção para esta área e, depois de ir consultar o próprio Focus 2030 da Mota-Engil, penso que este tema pode ser bastante mais importante para o Grupo do que parece à primeira vista.
Não estamos apenas a especular sobre uma possível nova área de negócio. No Focus 2030, a Mota-Engil diz claramente que pretende expandir seletivamente a Engenharia & Construção para setores estratégicos, onde inclui industrial, energia e infraestruturas digitais, reforçando capacidade técnica e parcerias para executar projetos EPC complexos.
Mas há um pormenor ainda mais interessante. Na área da Energia, a Mota identifica como objetivo a entrada em segmentos de elevado valor como “Power to DC”, sendo que o próprio documento esclarece que DC significa Data Centers. E nas iniciativas prioritárias fala também no desenvolvimento de projetos de energia em solar, armazenamento, hídrica e “power to data”. Portanto, a ligação entre energia e centros de dados está explicitamente prevista na estratégia até 2030.
E percebe-se porquê quando olhamos para a dimensão do mercado.
McKinsey estima que a procura mundial de capacidade de data centers possa chegar a cerca de 220 GW em 2030 e calcula que o investimento global apenas em infraestrutura de data centers, excluindo o hardware informático, possa ultrapassar US$1,7 biliões até 2030. Isto é importante: não estamos a falar dos milhares de milhões gastos em GPUs e servidores, mas da infraestrutura necessária para os colocar a funcionar — edifícios, sistemas elétricos e mecânicos, energia, refrigeração e restante infraestrutura física.
Na Europa, a mesma McKinsey estima que a procura possa aumentar de cerca de 10 GW para 35 GW até 2030, exigindo aproximadamente US$250 a US$300 mil milhões de investimento em infraestrutura de data centers. E esse número nem sequer inclui a nova produção elétrica nem investimentos a montante nas redes de transporte e distribuição de eletricidade.
A própria União Europeia acelerou esta aposta. Em julho lançou o processo para criar até sete AI Gigafactories, apoiadas por até €10 mil milhões de financiamento europeu e nacional, com o objetivo de mobilizar pelo menos mais €20 mil milhões de investimento privado. São instalações que combinam capacidade computacional, cloud e grandes data centers energeticamente eficientes.
E depois temos Portugal, onde a oportunidade é especialmente interessante para uma empresa como a Mota-Engil.
O Plano Nacional de Centros de Dados indica que Portugal tem atualmente mais de 2,6 GW de capacidade de TI planeada. O Governo estima ainda que, por cada gigawatt adicional de capacidade efetivamente instalada, sejam necessários cerca de €8 mil milhões de investimento inicial. Não significa que os 2,6 GW venham todos a ser construídos, mas dá uma boa ideia da intensidade de capital deste negócio.
Só o Sines Data Campus, da Start Campus, está projetado para atingir 1,2 GW, com um investimento global estimado em €8,5 mil milhões.
E a Mota-Engil já não parte do zero.
Foi-lhe adjudicada pela REN a primeira fase da remodelação do Data Center de Ermesinde, por €9,6 milhões. É um contrato pequeno comparado com os grandes hyperscalers, evidentemente, mas é uma referência real dentro do setor e já permite à empresa mostrar experiência executada num data center.
Depois há um ponto que considero ainda mais importante: energia e eletromecânica.
A Mota-Engil tem mais de 40 anos de experiência em eletromecânica, executa instalações de média, alta e muito alta tensão, instalações mecânicas, automação e sistemas de gestão técnica, e constrói subestações elétricas de 60 a 400 kV. Num grande data center, garantir dezenas ou centenas de MW de energia de forma contínua e redundante é uma das partes mais críticas do projeto.
Também considero relevante a obra da CALB em Sines, de €207,3 milhões. Não é um data center e convém deixar isso claro, mas demonstra capacidade para executar um grande projeto industrial complexo que inclui estruturas, instalações especializadas, uma estação de redução de tensão, edifício associado à central de energia, equipamentos industriais e cablagem. São competências bastante próximas das necessárias para participar na construção de grandes infraestruturas digitais.
Depois há o México, onde para mim talvez esteja uma das oportunidades mais interessantes.
CloudHQ anunciou US$4,8 mil milhões para construir seis data centers em Querétaro, num projeto que deverá criar cerca de 7.200 postos de trabalho durante a construção.
A AWS, por sua vez, abriu a região México Central e prevê investir mais de US$5 mil milhões no país durante 15 anos.
Ora, o México é precisamente um dos mercados que a Mota identifica como core no Focus 2030. Está no país desde 2008, participa na conceção, construção e operação de infraestruturas e possui também atividade própria de energia através da Fénix. Em 2025, a Generadora Fénix produziu mais de 800 GWh e a Suministradora Fénix comercializou mais de 2.000 GWh de eletricidade.
Portanto, no México, a Mota reúne uma combinação que poucos construtores tradicionais conseguem oferecer: construção + grandes projetos industriais + eletromecânica + energia + conhecimento local.
No Brasil o mercado também está a ganhar uma dimensão enorme. O Ministério das Minas e Energia brasileiro refere 38 GW de pedidos de acesso à rede para data centers, dos quais 7,1 GW correspondem a cerca de R$159 mil milhões de investimentos previstos para os próximos anos. Mais uma vez, pedidos de ligação não significam projetos garantidos, mas revelam a escala do interesse que está a chegar ao país.
E isto encaixa novamente no Focus 2030, onde a Mota pretende elevar a América do Sul e procurar novos projetos de elevado retorno, ao mesmo tempo que entra seletivamente em energia, indústria e infraestruturas digitais.
Para mim, o potencial está precisamente na integração destas competências.
Um data center de IA não começa nos servidores. Antes disso é necessário preparar o terreno, construir edifícios e estruturas, garantir acessos, instalar subestações e ligações elétricas,
sistemas de média e alta tensão, equipamentos mecânicos, automação, sistemas de armazenamento de energia, geração renovável, refrigeração e toda a infraestrutura necessária para funcionar praticamente sem interrupções.
É precisamente por isso que considero tão relevante a expressão “Power to DC” no Focus 2030. A Mota pode não ter de ser dona nem operadora dos data centers para ganhar dinheiro neste mercado. Pode participar na construção, EPC, energia, subestações, instalações eletromecânicas e infraestrutura exterior, individualmente ou através de parceiros especializados.
Naturalmente, há que manter os pés no chão. A Mota ainda não anunciou um grande contrato hyperscale e esta é uma indústria extremamente exigente em prazos, redundância elétrica, refrigeração e experiência técnica específica. A própria administração reconhece no Focus 2030 a necessidade de reforçar a profundidade técnica e o ecossistema de parceiros para executar projetos EPC complexos.
Mas uma coisa é dizer que os data centers poderiam ser uma oportunidade para a Mota-Engil e outra completamente diferente é perceber que a própria empresa já colocou infraestruturas digitais, Power to DC e power to data dentro do seu plano estratégico até 2030.
E isso acontece precisamente quando o mercado mundial se prepara para investir mais de US$1,7 biliões em infraestrutura de data centers até 2030, a Europa poderá necessitar de US$250–300 mil milhões, Portugal tem mais de 2,6 GW planeados, e México e Brasil estão a anunciar projetos e intenções de investimento de enorme dimensão.
Portanto, eu não colocaria ainda este negócio nas contas futuras da Mota-Engil como se estivesse garantido. Mas também já não o trataria como uma possibilidade remota.
A estratégia está definida, existe já uma primeira referência em data centers, existem as competências de construção e energia e, acima de tudo, existe um mercado gigantesco a formar-se precisamente nos países onde a Mota-Engil já tem presença.
Agora falta aquilo que realmente fará o mercado prestar atenção a esta área: a primeira grande adjudicação em infraestruturas digitais.
Se ela aparecer, o “Power to DC” do Focus 2030 poderá deixar rapidamente de ser apenas uma linha numa apresentação estratégica para se tornar mais um verdadeiro vetor de crescimento da Mota-Engil.
J.f.vieira
A notícia sobre a pressão de Trump para acelerar a construção de data centers fez-me olhar com mais atenção para esta área e, depois de ir consultar o próprio Focus 2030 da Mota-Engil, penso que este tema pode ser bastante mais importante para o Grupo do que parece à primeira vista.
Não estamos apenas a especular sobre uma possível nova área de negócio. No Focus 2030, a Mota-Engil diz claramente que pretende expandir seletivamente a Engenharia & Construção para setores estratégicos, onde inclui industrial, energia e infraestruturas digitais, reforçando capacidade técnica e parcerias para executar projetos EPC complexos.
Mas há um pormenor ainda mais interessante. Na área da Energia, a Mota identifica como objetivo a entrada em segmentos de elevado valor como “Power to DC”, sendo que o próprio documento esclarece que DC significa Data Centers. E nas iniciativas prioritárias fala também no desenvolvimento de projetos de energia em solar, armazenamento, hídrica e “power to data”. Portanto, a ligação entre energia e centros de dados está explicitamente prevista na estratégia até 2030.
E percebe-se porquê quando olhamos para a dimensão do mercado.
McKinsey estima que a procura mundial de capacidade de data centers possa chegar a cerca de 220 GW em 2030 e calcula que o investimento global apenas em infraestrutura de data centers, excluindo o hardware informático, possa ultrapassar US$1,7 biliões até 2030. Isto é importante: não estamos a falar dos milhares de milhões gastos em GPUs e servidores, mas da infraestrutura necessária para os colocar a funcionar — edifícios, sistemas elétricos e mecânicos, energia, refrigeração e restante infraestrutura física.
Na Europa, a mesma McKinsey estima que a procura possa aumentar de cerca de 10 GW para 35 GW até 2030, exigindo aproximadamente US$250 a US$300 mil milhões de investimento em infraestrutura de data centers. E esse número nem sequer inclui a nova produção elétrica nem investimentos a montante nas redes de transporte e distribuição de eletricidade.
A própria União Europeia acelerou esta aposta. Em julho lançou o processo para criar até sete AI Gigafactories, apoiadas por até €10 mil milhões de financiamento europeu e nacional, com o objetivo de mobilizar pelo menos mais €20 mil milhões de investimento privado. São instalações que combinam capacidade computacional, cloud e grandes data centers energeticamente eficientes.
E depois temos Portugal, onde a oportunidade é especialmente interessante para uma empresa como a Mota-Engil.
O Plano Nacional de Centros de Dados indica que Portugal tem atualmente mais de 2,6 GW de capacidade de TI planeada. O Governo estima ainda que, por cada gigawatt adicional de capacidade efetivamente instalada, sejam necessários cerca de €8 mil milhões de investimento inicial. Não significa que os 2,6 GW venham todos a ser construídos, mas dá uma boa ideia da intensidade de capital deste negócio.
Só o Sines Data Campus, da Start Campus, está projetado para atingir 1,2 GW, com um investimento global estimado em €8,5 mil milhões.
E a Mota-Engil já não parte do zero.
Foi-lhe adjudicada pela REN a primeira fase da remodelação do Data Center de Ermesinde, por €9,6 milhões. É um contrato pequeno comparado com os grandes hyperscalers, evidentemente, mas é uma referência real dentro do setor e já permite à empresa mostrar experiência executada num data center.
Depois há um ponto que considero ainda mais importante: energia e eletromecânica.
A Mota-Engil tem mais de 40 anos de experiência em eletromecânica, executa instalações de média, alta e muito alta tensão, instalações mecânicas, automação e sistemas de gestão técnica, e constrói subestações elétricas de 60 a 400 kV. Num grande data center, garantir dezenas ou centenas de MW de energia de forma contínua e redundante é uma das partes mais críticas do projeto.
Também considero relevante a obra da CALB em Sines, de €207,3 milhões. Não é um data center e convém deixar isso claro, mas demonstra capacidade para executar um grande projeto industrial complexo que inclui estruturas, instalações especializadas, uma estação de redução de tensão, edifício associado à central de energia, equipamentos industriais e cablagem. São competências bastante próximas das necessárias para participar na construção de grandes infraestruturas digitais.
Depois há o México, onde para mim talvez esteja uma das oportunidades mais interessantes.
CloudHQ anunciou US$4,8 mil milhões para construir seis data centers em Querétaro, num projeto que deverá criar cerca de 7.200 postos de trabalho durante a construção.
A AWS, por sua vez, abriu a região México Central e prevê investir mais de US$5 mil milhões no país durante 15 anos.
Ora, o México é precisamente um dos mercados que a Mota identifica como core no Focus 2030. Está no país desde 2008, participa na conceção, construção e operação de infraestruturas e possui também atividade própria de energia através da Fénix. Em 2025, a Generadora Fénix produziu mais de 800 GWh e a Suministradora Fénix comercializou mais de 2.000 GWh de eletricidade.
Portanto, no México, a Mota reúne uma combinação que poucos construtores tradicionais conseguem oferecer: construção + grandes projetos industriais + eletromecânica + energia + conhecimento local.
No Brasil o mercado também está a ganhar uma dimensão enorme. O Ministério das Minas e Energia brasileiro refere 38 GW de pedidos de acesso à rede para data centers, dos quais 7,1 GW correspondem a cerca de R$159 mil milhões de investimentos previstos para os próximos anos. Mais uma vez, pedidos de ligação não significam projetos garantidos, mas revelam a escala do interesse que está a chegar ao país.
E isto encaixa novamente no Focus 2030, onde a Mota pretende elevar a América do Sul e procurar novos projetos de elevado retorno, ao mesmo tempo que entra seletivamente em energia, indústria e infraestruturas digitais.
Para mim, o potencial está precisamente na integração destas competências.
Um data center de IA não começa nos servidores. Antes disso é necessário preparar o terreno, construir edifícios e estruturas, garantir acessos, instalar subestações e ligações elétricas,
sistemas de média e alta tensão, equipamentos mecânicos, automação, sistemas de armazenamento de energia, geração renovável, refrigeração e toda a infraestrutura necessária para funcionar praticamente sem interrupções.
É precisamente por isso que considero tão relevante a expressão “Power to DC” no Focus 2030. A Mota pode não ter de ser dona nem operadora dos data centers para ganhar dinheiro neste mercado. Pode participar na construção, EPC, energia, subestações, instalações eletromecânicas e infraestrutura exterior, individualmente ou através de parceiros especializados.
Naturalmente, há que manter os pés no chão. A Mota ainda não anunciou um grande contrato hyperscale e esta é uma indústria extremamente exigente em prazos, redundância elétrica, refrigeração e experiência técnica específica. A própria administração reconhece no Focus 2030 a necessidade de reforçar a profundidade técnica e o ecossistema de parceiros para executar projetos EPC complexos.
Mas uma coisa é dizer que os data centers poderiam ser uma oportunidade para a Mota-Engil e outra completamente diferente é perceber que a própria empresa já colocou infraestruturas digitais, Power to DC e power to data dentro do seu plano estratégico até 2030.
E isso acontece precisamente quando o mercado mundial se prepara para investir mais de US$1,7 biliões em infraestrutura de data centers até 2030, a Europa poderá necessitar de US$250–300 mil milhões, Portugal tem mais de 2,6 GW planeados, e México e Brasil estão a anunciar projetos e intenções de investimento de enorme dimensão.
Portanto, eu não colocaria ainda este negócio nas contas futuras da Mota-Engil como se estivesse garantido. Mas também já não o trataria como uma possibilidade remota.
A estratégia está definida, existe já uma primeira referência em data centers, existem as competências de construção e energia e, acima de tudo, existe um mercado gigantesco a formar-se precisamente nos países onde a Mota-Engil já tem presença.
Agora falta aquilo que realmente fará o mercado prestar atenção a esta área: a primeira grande adjudicação em infraestruturas digitais.
Se ela aparecer, o “Power to DC” do Focus 2030 poderá deixar rapidamente de ser apenas uma linha numa apresentação estratégica para se tornar mais um verdadeiro vetor de crescimento da Mota-Engil.
J.f.vieira
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Kiko_463 Escreveu:Há um facto positivo que ainda não foi referido nas análises, as sinergias. A empresa tem conseguido renovar concessões o que demonstra confiança dos clientes.....e assim não chegam a desmontar os estaleiros. Além disso tem cada vez mais fileiras integradas de valor(integração vertical) que passam pelos estudos/projetos, concessões, explorações a longo prazo , vias de comunicação em PPP, caminhos d ferro, construção de portos, operador logístico, ambiente, fornecedor de meios de transporte, produção de energia.
Podiam era investir mais em habitação em Portugal mas não iam ganhar muito mais, pois neste país está tudo caro e inflacionado.
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Kiko, concordo. Essa integração das várias áreas da Mota-Engil é uma vantagem competitiva importante. A empresa não se limita a construir: participa em projetos, concessões, operação, logística, ambiente, energia e infraestruturas de longo prazo. Isso cria sinergias, permite aproveitar melhor os ativos e reduz a dependência de obras isoladas.
Quanto à habitação, em Portugal provavelmente não conseguiria margens tão interessantes como noutras geografias.
E há um dado que não deixa de ser relevante: a Berkshire Hathaway avançou para a compra de uma grande construtora residencial norte-americana por 6,8 mil milhões de dólares, num negócio em dinheiro.
Quando um dos maiores investidores de todos os tempos coloca milhares de milhões de dólares em capital num negócio ligado à construção e habitação, é porque continua a ver valor económico e potencial de longo prazo no setor.
J.f.vieira
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Há um facto positivo que ainda não foi referido nas análises, as sinergias. A empresa tem conseguido renovar concessões o que demonstra confiança dos clientes.....e assim não chegam a desmontar os estaleiros. Além disso tem cada vez mais fileiras integradas de valor(integração vertical) que passam pelos estudos/projetos, concessões, explorações a longo prazo , vias de comunicação em PPP, caminhos d ferro, construção de portos, operador logístico, ambiente, fornecedor de meios de transporte, produção de energia.
Podiam era investir mais em habitação em Portugal mas não iam ganhar muito mais, pois neste país está tudo caro e inflacionado.
Podiam era investir mais em habitação em Portugal mas não iam ganhar muito mais, pois neste país está tudo caro e inflacionado.
Re: Mota Engil - Tópico Geral
NirSup, respondo pela mesma ordem.
1.º — Broadcom.
Aquilo a que chamas certeza, eu continuo a chamar convicção muito forte. Os resultados da Nvidia podem aumentar bastante a probabilidade de bons resultados da Broadcom, mas até serem publicados não são uma certeza. E até bons resultados podem fazer uma ação cair se o mercado esperava ainda melhor. Não é uma questão de semântica, é simplesmente Bolsa.
2.º — os 86% em África e América Latina.
O número está correto e o risco cambial existe. Mas 86% da carteira não significa 86% dependente de uma única moeda, país ou economia. E na mineração convém lembrar que a Mota é sobretudo prestadora de serviços mineiros; não é o preço diário do ouro ou do cobre que determina diretamente a sua faturação.
Aliás, eu vejo também o outro lado: esses 86% representam precisamente os mercados onde a Mota tem conseguido crescer, ganhar grandes contratos e construir uma carteira recorde. Risco existe, mas risco e oportunidade normalmente andam juntos.
3.º — dívida e concessões.
Os 3.514 M€ e os 3,43x EBITDA estão certos. Mas falta a outra metade da fotografia: o rácio baixou de 3,50x para 3,43x e a dívida líquida/EBITDA melhorou de 1,98x para 1,94x, abaixo dos 2x definidos no FOCUS 2030. Portanto, neste semestre a alavancagem relativa melhorou, não piorou.
Quanto ao Lobito e às novas concessões mexicanas, estão numa fase inicial de investimento. É normal que nesta fase pressionem resultados; a própria Mota diz que as concessões maduras já compensam parcialmente esse impacto. Estamos a falar de ativos que foram adquiridos para gerar resultados durante muitos anos, não durante um semestre.
Portanto, os avisos à navegação são bem-vindos. Só acho que, quando apontamos os riscos, devemos colocar também os números completos.
Eu vejo os rochedos. Só não parto do princípio de que o navio vai bater neles.
J.f.vieira
1.º — Broadcom.
Aquilo a que chamas certeza, eu continuo a chamar convicção muito forte. Os resultados da Nvidia podem aumentar bastante a probabilidade de bons resultados da Broadcom, mas até serem publicados não são uma certeza. E até bons resultados podem fazer uma ação cair se o mercado esperava ainda melhor. Não é uma questão de semântica, é simplesmente Bolsa.
2.º — os 86% em África e América Latina.
O número está correto e o risco cambial existe. Mas 86% da carteira não significa 86% dependente de uma única moeda, país ou economia. E na mineração convém lembrar que a Mota é sobretudo prestadora de serviços mineiros; não é o preço diário do ouro ou do cobre que determina diretamente a sua faturação.
Aliás, eu vejo também o outro lado: esses 86% representam precisamente os mercados onde a Mota tem conseguido crescer, ganhar grandes contratos e construir uma carteira recorde. Risco existe, mas risco e oportunidade normalmente andam juntos.
3.º — dívida e concessões.
Os 3.514 M€ e os 3,43x EBITDA estão certos. Mas falta a outra metade da fotografia: o rácio baixou de 3,50x para 3,43x e a dívida líquida/EBITDA melhorou de 1,98x para 1,94x, abaixo dos 2x definidos no FOCUS 2030. Portanto, neste semestre a alavancagem relativa melhorou, não piorou.
Quanto ao Lobito e às novas concessões mexicanas, estão numa fase inicial de investimento. É normal que nesta fase pressionem resultados; a própria Mota diz que as concessões maduras já compensam parcialmente esse impacto. Estamos a falar de ativos que foram adquiridos para gerar resultados durante muitos anos, não durante um semestre.
Portanto, os avisos à navegação são bem-vindos. Só acho que, quando apontamos os riscos, devemos colocar também os números completos.
Eu vejo os rochedos. Só não parto do princípio de que o navio vai bater neles.
J.f.vieira
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
pmlcastanho Escreveu:Margens de 4% até 2030 são realistas, mas quando incluimos a Bamina e a Odebrechet na equação, a coisa muda de figura.
O projecto Bamina têm minério estimado em 62 mil milhões de dolares, com um investimento da Mota de 5 mil milhões, tem tudo ser um bom negocio a longo prazo.
A compra de 40% da Odebrecht parece ser estratégico nesta perspectiva, mas dado o histórico da empresa parece-me arriscado.
O problema é que tudo isto vai pressionar as margens, independentemente da forma como o emprestimo for feito.
Entrada de stakeholders na unidade de mineração ajuda a aliviar a divida, mas vai reduzir os lucros.
Se tudo isto vier a ser concretizado, custa-me a acreditar em margens de 4% em 2030.
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pmlcastanho, concordo que há riscos, mas não acho que Bamin e uma eventual entrada de 40% na Odebrecht tenham necessariamente de impedir os 4% de margem.
Os 40% ainda não estão confirmados, mas considero a possibilidade séria: a Odebrecht procura um parceiro estratégico e a relação com a Mota já existe há muitos anos.
Na Bamin, tudo dependerá da estrutura. Não é a mesma coisa carregar milhares de milhões no balanço ou avançar com parceiros, equity e project finance.
E na Mining Services, vender uma participação reduz a parte dos lucros, mas também reduz capital, risco e dívida.
Por isso continuo a achar os 4% possíveis. O mais importante não é quanto a Mota investe, mas o retorno que consegue gerar sobre o capital que realmente coloca.
J.f.vieira
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
E Tem Mais uma Coisita (de somenos importância)
O mercado mantém um olhar atento ao nível de endividamento bruto (3 514 milhões de euros, 3,43 X EBITDA) e ao abrandamento temporário na margem em novas operações de concessão (como no México e no Corredor do Lobito).
By Nirvana
O mercado mantém um olhar atento ao nível de endividamento bruto (3 514 milhões de euros, 3,43 X EBITDA) e ao abrandamento temporário na margem em novas operações de concessão (como no México e no Corredor do Lobito).
By Nirvana
It’s easy to make money in the stock market. What’s hard is choosing the winning horse. And only he wins the prize
Re: Mota Engil - Tópico Geral
NirSup Escreveu:AVISO À NAVEGAÇÃO
Uma parte substancial do negócio da Mota-Engil provém da América Latina e de África (cerca de 86% da carteira).
Flutuações nas moedas locais dessas regiões ou volatilidade nos setores de matérias-primas/mineração podem impactar fortemente a cotação da Mota-Engil.
É verdade que em terra de cegos quem tem um olho é Rei.
O problema não é esse. O problema é que, em terra de cegos, andam todos às escuras.
By Nirvana
Alguns andam bem às claras... a ME parece que por estas bandas vai tendo boa visibilidade, mas claro, são mercados que mais voláteis.
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