Caldeirão da Bolsa

CoronaVirus, panico justificado...?

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por ricardmag » 21/4/2020 20:58

O que está provado é que os raios ultravioleta matam este tipo de vírus.
Não sei se já testaram especificamente neste.

Portugal tem uma boa exposição solar isso é um facto.
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por LeitorAtento234 » 21/4/2020 20:53

artista_ Escreveu:Deixo só aqui alguns números para se perceberem as diferenças de que falo
infetados/óbitos
Alemanha 148.433/5.087
França 158.050/20.796
Espanha 204.178/21.282
UK 129.044/17.337


Espanha é facil de perceber. Colapso como a Italia. A partir dai tudo é possivel.

UK foi um pais q andou a dormir. Mesmo agora tenho amigos q vivem em Londres, tiveram alguns sintomas há varias semanas at´ras, o filho deles esteve na creche onde uma crianca esteve infectada, e nenhum deles pode fazer testes. Se quisessem fazer os testes tinham q pagar eles proprios.
Em contraponto tenho um colega de trabalho aqui q nao tinha qualquer sintoma, a namorada foi testada positiva e ele nao tinha tido qq contacto com a namorada há 7 dias mas mesmo assim foi testado. E sinceramente para mim é essa a grande diferenca. Descoberta de casos em fase inicial, muitos deles assintomaticos ou com sintomas leves, e acompanhamento desde a fase inicial. Sinceramente acredito q a actualmente a % de casos nao detectados na Alemanha é bastante baixa. Nas ultimas semanas andaram a fazer perto de 400 mil testes por semana, e actualmente andam a aparecer 2 000 casos por dia... E isso faz obviamente que a % de óbitos seja melhor.

Sobre o acompanhamento tb li que ligar a um ventilador nem sempre é bom para o paciente. Há em casos q é prejudicial. A questao é se a pessoa é acompanhada desde o inicio, é mais facil de analisar a situacao com calma e tentar evitar q chegue a uma situacao critica. Se a pessoa quando é testada já está com falta de ar e é internada de urgencia, entao é tudo mais complicado.

Mas como os medicos aqui dizem desde o inicio, nao há segredo, nao há medicamento milagroso. No final os numeros reais (infectados vs obitos) serao similares em todos os paises (tirando os colapos dos sistemas...). A questao é q se calhar a Espanha e o UK ja tem/tiveram 2x ou 3x mais casos do q pensam...

Franca sinceramente nao tenho acompanhado bem, por isso nao posso avaliar.
 
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por MarcoAntonio » 21/4/2020 20:52

lfhm83 Escreveu:A densidade populacional da Holanda deve ser 3x-4x superior à nossa e o UK tem Londres que sozinha tem mais população que Portugal. Para não falar do clima.


Eu já estava a falar em termos per capita e tendo em conta que para as várias latitudes em questão e/ou países vizinhos com características semelhantes encontramos enormes variações e os mais variados cenários, não vejo particular relevância. Até alguém mostrar um factor com fortíssimo impacto, de forma suficientemente segura, para justificar as diferenças que estamos a ver, soa-me tudo a uma enorme especulação sem grande fundamento. Até lá, assumo que podem ser vários factores e não vou escolher um ou outro a gosto para desculpar os resultados maus de A ou para dizer que os resultados de B podiam/deviam ser ainda melhores. Parece-me altamente discricionário.

Eu baseio-me nos dados e os dados mostram que em Portugal está a ter um impacto bastante modesto. Como portugueses, podemos estar felizes.

Acrescento que para além das contagens oficiais, tenho controlado os números disponíveis, onde disponíveis, para óbitos totais e este dado reforça mais uma vez isto mesmo. Estamos relativamente bem. O impacto que estamos a ter aqui é similar ao de uma gripe sazonal. O mesmo não podem dizer países como Espanha, Itália, Bélgica, França, Reino Unido, Holanda, Suíça ou diversos estados dos Estados Unidos, para me cingir ao ocidente democrático. E numa pandemia destas, com este tipo de medidas e impacto, estas é que me parecem as referências relevantes. Não estamos a passar por nada que se lhe assemelhe, felizmente.

Alguns estão um pouco melhor ainda? Aparentemente, sim.
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2. A expectativa de ganho deve superar a expectativa de perda, onde a expectativa mede a
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3. A Primeira Lei não é mesmo necessária mas com Três Leis isto fica definitivamente mais giro.
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por artista_ » 21/4/2020 20:47

lfhm83 Escreveu:A densidade populacional da Holanda deve ser 3x-4x superior à nossa e o UK tem Londres que sozinha tem mais população que Portugal. Para não falar do clima.

De acordo não existe nenhum estudo que o demonstre o efeito de desaceleração das temperaturas mais moderadas/altas, mas parece-me evidente que sim.


Os países de Leste estão todos melhor que Portugal, os de norte também por isso não sei qual é o motivo de estar animado. Maior mortalidade e casos que nós só Suíça (que tem um inicio muito pior e estava no meio da epidemia de Espanha e Ítala, para além do clima muito frio propicio) a Suécia que nem sequer entrou em estado de emergência e a Holanda já referida, para mim isto foi um desastre como sempre (e o económico nem quero imaginar o que vem aí...).


Já editei o que tinha escrito porque não estou a perceber o teu raciocínio?! Já escreveste aqui uma vez que o frio potenciava a agressividade do virus, até falaste de haver mais casos no norte de Portugal e Itália, onde as temperaturas eram mais baixas que no sul... agora não estou a perceber? Afinal achas que as temperaturas funcionam em que sentido?
Em relação aos países de leste, é sabido que fecharam muito cedo todos, quando ainda tinham poucos casos. E não estou a ver muita gente de leste a fazer turismo em Itália, ou mesmo noutros paíeses.
A questão da densidade populacional acredito que faça diferença sim, aliás essa também foi uma das razões apontadas pelo governador Cuomo para que NY tivesse mais casos que a maioria dos estados americanos. Mas, quando o disse, frizou que era a opinião dele, não tinha evidências disso!
Editado pela última vez por artista_ em 21/4/2020 21:30, num total de 2 vezes.
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por artista_ » 21/4/2020 20:36

RPedroG Escreveu:Sobre a Alemanha a questao dos numeros baixos ja expliquei aqui.
Nao tem a ver com a contagem de mortos.
No inicio a % era muito baixa pq a media de idades era relativamente baixa 47 anos.
Foi dito q a % de obitos iria subir com o evoluir do numero de casos.
Actualmente a % já subiu, assim como a media de idades q é actualmente 50 anos.
A idade média dos óbitos é de 82 anos.
Alem disso há um factor muito importante q explica também a situacao. A Alemanha apostou desde o inicio em muitos testes e em testes em todas as pessoas q estiveram contacto com infectados. Dessa maneira conseguiu identificar mt gente ainda em fase inicial da doenca, e em fase inicial é mais facil ter algum controlo, do que qd as pessoas telefonam para as urgencias pq têm falta de ar e depois é descoberto q têm corona...

Sobre o mito que o numero de óbitos é só contado em pessoas q nao tinham outras doencas, basta referir o que o renomeado medico legista Klaus Püschel afirmou: "Em Hamburgo todos os mortos por Corona tinham doencas previas. Nao há nenhum morto que era 100% saudavel. Havia era alguns que nao sabiam que tinham doencas previas e achavam q eram 100% saudaveis."
https://www.welt.de/regionales/hamburg/article207086675/Rechtsmediziner-Pueschel-In-Hamburg-ist-niemand-ohne-Vorerkrankung-an-Corona-gestorben.html

Por isso é facilmente provado q os mortos com doencas previas também contam para as estatisticas por Corona, caso contrario em Hamburgo haveriam oficialmente 0 óbitos.


Sim lembro-me de falares nisso tudo, eu próprio o referi no post, a questão é que quando se olha para os números da Alemanha, parece ser difícil ser apenas o número elevado de testes e uma mais rápida e melhor proteção das pessoas de risco, que justificam diferenças tão grandes para os outros países... mas obviamente, não havendo evidências de outros dados, teremos de olhar apenas para esses, inventar não é comigo! :) Deixo só aqui alguns números para se perceberem as diferenças de que falo
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por LeitorAtento234 » 21/4/2020 20:36

Numeros de hoje da Alemanha:

Infectados: +1 354 (total 148 007)
óbitos: +233 (total 4 939)
casos activos: -2 346 (total 52 807)

o numero de casos activos continua a baixar estando ja 20 000 abaixo do pico atingido no dia 5 de Abril (73 555).
Hoje como esperado foi anunciado o cancelamento do Oktoberfest.
Entretanto o uso obrigatorio de mascaras continua a ganhar adeptos e a ser imposto em varias regioes.

Sobre estudos medicos deixo aqui 2 noticias interessantes.

O estudo "do Trump" sobre hidrocloroquina mostrou que nao tem efeitos positivos. O que nao é surpresa. Já ha varias semanas atrás coloquei aqui a opiniao do Christian Drosten sobre a cloroquina. Ele disse que se a cloroquina fosse um medicamento que desse grande esperanca no tratamento do corona já se sabia pois ja teriam verificado isso nos pacientes, o q nao foi o caso.

https://www.ndr.de/nachrichten/info/coronaskript134.pdf 19 de Marco
https://www.ndr.de/nachrichten/info/22-Coronavirus-Update-Noch-kein-Durchbruch-bei-Medikamenten,podcastcoronavirus160.html 26 de Marco

Entrentanto foi pre divulgado um estudo do Christian Drosten e seus colegas (atencao q o estudo ainda nao esta validado, por isso ler os dados com cautela)
https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2020.04.15.997254v1
Do estudo passo a citar o seguinte:
Targeting of these pathways by exogenous administration of spermidine, AKT inhibitor MK-2206, and the Beclin-1 stabilizing, antihelminthic drug niclosamide inhibited SARS-CoV-2 propagation by 85, 88, and >99%, respectively. In sum, SARS-CoV-2 infection causally diminishes autophagy. A clinically approved and well-tolerated autophagy-inducing compound shows potential for evaluation as a treatment against SARS-CoV-2.

Mas atencao q ainda falta muito para se saber se pode ajudar mesmo na realidade ou nao. É apenas mais um de muitos estudos e caminhos q andam a ser feitos para tentar descobrir um game changer no combate ao virus.
 
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por BearManBull » 21/4/2020 20:30

MarcoAntonio Escreveu:
lfhm83 Escreveu:Não se pode comparar Portugal com países mais ao norte porque a temperatura tem influência muito importante na velocidade de propagação.

Se chegamos aos 20 mil casos como é que possível dizer que estivemos bem? Para mim estar bem seria nem aos 10 mil casos chegar e já termos acabado com o estado de emergência.

Quanto a mortes nem vou falar porque para mim os dados da DGS valem 0 porque sei perfeitamente que mentem à cara podre no que concerne a casos UCI.


Não existem evidências claras de que as variações de latitude justifiquem estas diferenças de que estamos a falar e por via indirecta, independentemente dos números da DGS, é possível constatar que países como o Reino Unido e Holanda estão em situação muito, muito pior que Portugal (e outros países nas mesmas latitudes que estes, não).


A densidade populacional da Holanda deve ser 3x-4x superior à nossa e o UK tem Londres que sozinha tem mais população que Portugal. Para não falar do clima.

De acordo não existe nenhum estudo que o demonstre o efeito de desaceleração das temperaturas mais moderadas/altas, mas parece-me evidente que sim.


Os países de Leste estão todos melhor que Portugal, os de norte também por isso não sei qual é o motivo de estar animado. Maior mortalidade e casos que nós só Suíça (que tem um inicio muito pior e estava no meio da epidemia de Espanha e Ítala, para além do clima muito frio propicio) a Suécia que nem sequer entrou em estado de emergência e a Holanda já referida, para mim isto foi um desastre como sempre (e o económico nem quero imaginar o que vem aí...).
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por artista_ » 21/4/2020 20:17

MarcoAntonio Escreveu:O video parece-me francamente desonesto. Ainda que mencione a data, não a coloca em contexto. A menos que ele fosse bruxo e tivesse informação privilegiada (que aparentemente no ocidente poucos ou ninguém tinha), como é que ele ia dizer outra coisa?


O problema dos EUA é que as estações de TV são claramente tendensiosas em termos partidários e depois dá nisto... já a CNN é bater no Trump até onde conseguirem e, mesmo não sendo difícil, nos tempos que correm, arranjar situações para o criticar e, muitas vezes até, ridicularizar, mesmo assim, por vezes, forçam muita coisa para o conseguirem fazer... é uma realidade a que não estamos habituados, os Pivot dos programas cá são independentes, e não estamos habituados a este tipo de jornalismo!
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por LeitorAtento234 » 21/4/2020 20:12

artista_ Escreveu:
mais_um Escreveu:A diferença nos métodos de contabilização dos óbitos de país para país coloca algumas dificuldades na avaliação entre países.


Eu já falei bastantes vezes sobre isso aqui, não se percebe bem se os critérios são realmente os mesmos, nem sei se não deveria haver uma recomendação da OMS ou da UE para usarem estes ou aqueles critérios. Ainda ontem fiz aqui uma tentativa de comparação entre França e Espanha e esbarrei nesse tipo de dúvidas...

Falando noutro caso, tenho a ideia de que a Alemanha terá sido o país que mais bem preparada estava para isto, em grande parte a baixa taxa de óbitos terá a ver com isso, até porque fazem muitos testes. Ainda assim, já me perguntei muitas vezes se a diferença significativa da taxa de óbitos não possa também ser explicada por diferentes critérios de contagem dos óbitos? Já se levantaram aqui algumas hipóteses mas confirmado aparentemente não haverá nada de concreto... se o RPedroG conseguir dar aqui uma ajuda!


Sobre a Alemanha a questao dos numeros baixos ja expliquei aqui.
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Sobre o mito que o numero de óbitos é só contado em pessoas q nao tinham outras doencas, basta referir o que o renomeado medico legista Klaus Püschel afirmou: "Em Hamburgo todos os mortos por Corona tinham doencas previas. Nao há nenhum morto que era 100% saudavel. Havia era alguns que nao sabiam que tinham doencas previas e achavam q eram 100% saudaveis."
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Por isso é facilmente provado q os mortos com doencas previas também contam para as estatisticas por Corona, caso contrario em Hamburgo haveriam oficialmente 0 óbitos.
 
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por MarcoAntonio » 21/4/2020 19:19

Outro pre-print que me parece particularmente importante, especialmente no contexto actual em que se vai discutindo a reabertura. O estudo é financiado pelo Suiss National Science Foundation e trata-se de uma análise cross-country (20 países) para tentar avaliar o impacto de várias medidas.

Embora só tenha lido na diagonal, um dos aspectos que mais me chamou a atenção é que segundo os autores o fecho das escolas está entre as medidas com menos impacto (e que segundo os autores, está de acordo com a tendência da literatura neste caso).

Link para o pre-print:
https://www.medrxiv.org/content/10.1101 ... l.pdf+html


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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por MarcoAntonio » 21/4/2020 19:13

Gaio Azul Escreveu:Talvez alguém esclareça aqui. Agradecia comentários.


Como diz o video, ele diz isso a 21 de Janeiro.

Isto é, 9 dias antes da OMS declarar emergência internacional, 2 dias antes da China (que até aí escondia que se fartava) ter realizado um lockdown a Wuhan e bem antes de sabermos que a China tinha ido a correr construir dois hospitais e, regra geral, de qualquer informação relevante sobre o virus.

O video parece-me francamente desonesto. Ainda que mencione a data, não a coloca em contexto. A menos que ele fosse bruxo e tivesse informação privilegiada (que aparentemente no ocidente poucos ou ninguém tinha), como é que ele ia dizer outra coisa?


Edit: incrivelmente, o video acaba com o individuo a promover a hydroxychloroquine.

:roll:
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por Gaio Azul » 21/4/2020 19:12

MarcoAntonio Escreveu:Pre-print (artigo não revisto pelos pares) sugere que o Hydroxychloroquine, a droga intensamente promovida por Donald Trump, não resulta e poderá inclusivamente ter efeitos nefastos.

Recordo que, para além de algumas indicações avulsas, um estudo em França (também não revisto pelos pares) sugeria efeitos positivos, mas veio a verificar-se que os investigadores tinham excluído dos resultados 6 pacientes em 22 (incluindo nestes 6 excluídos, um óbito e três transferências para UCI).

Outro estudo, no Brasil, envolvendo outra droga associada ao Hydroxychloroquine (Chloroquine) foi parcialmente interrompido pelo facto de se ter verificado um número significativo de óbitos nos pacientes com alta dosagem.


Abstract

BACKGROUND: Despite limited and conflicting data on the use of hydroxychloroquine in patients with Covid-19, the U.S. Food and Drug Administration has authorized the emergency use of this drug when clinical trials are unavailable or infeasible. Hydroxychloroquine, alone or in combination with azithromycin, is being widely used in Covid-19 therapy based on anecdotal and limited observational evidence. METHODS: We performed a retrospective analysis of data from patients hospitalized with confirmed SARS-CoV-2 infection in all United States Veterans Health Administration medical centers until April 11, 2020. Patients were categorized based on their exposure to hydroxychloroquine alone (HC) or with azithromycin (HC+AZ) as treatments in addition to standard supportive management for Covid-19. The two primary outcomes were death and the need for mechanical ventilation. We determined the association between treatment and the primary outcomes using competing risk hazard regression adjusting for clinical characteristics via propensity scores. Discharge and death were taken into account as competing risks and subdistribution hazard ratios are presented.

RESULTS: A total of 368 patients were evaluated (HC, n=97; HC+AZ, n=113; no HC, n=158). Rates of death in the HC, HC+AZ, and no HC groups were 27.8%, 22.1%, 11.4%, respectively. Rates of ventilation in the HC, HC+AZ, and no HC groups were 13.3%, 6.9%, 14.1%, respectively. Compared to the no HC group, the risk of death from any cause was higher in the HC group (adjusted hazard ratio, 2.61; 95% CI, 1.10 to 6.17; P=0.03) but not in the HC+AZ group (adjusted hazard ratio, 1.14; 95% CI, 0.56 to 2.32; P=0.72). The risk of ventilation was similar in the HC group (adjusted hazard ratio, 1.43; 95% CI, 0.53 to 3.79; P=0.48) and in the HC+AZ group (adjusted hazard ratio, 0.43; 95% CI, 0.16 to 1.12; P=0.09), compared to the no HC group.

CONCLUSIONS: In this study, we found no evidence that use of hydroxychloroquine, either with or without azithromycin, reduced the risk of mechanical ventilation in patients hospitalized with Covid-19. An association of increased overall mortality was identified in patients treated with hydroxychloroquine alone. These findings highlight the importance of awaiting the results of ongoing prospective, randomized, controlled studies before widespread adoption of these
https://www.medrxiv.org/content/10.1101 ... 20065920v1


O Trump e não só. Também o Dr. Didier Raoult em França.
Aliás este médico, salvo erro, foi quem mais promoveu o uso do hydroxychloroquine.
"Open-minded people don't care to be right, they care to understand. There's never a right or wrong answer. Everything is about understanding."

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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por Gaio Azul » 21/4/2020 19:06

Bom, eu não tinha nenhuma opinião sobre o Dr.Fauci.
Acabei de receber isto..

https://www.realclearpolitics.com/video ... virus.html

Talvez alguém esclareça aqui. Agradecia comentários.
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por MarcoAntonio » 21/4/2020 18:54

Pre-print (artigo não revisto pelos pares) sugere que o Hydroxychloroquine, a droga intensamente promovida por Donald Trump, não resulta e poderá inclusivamente ter efeitos nefastos.

Recordo que, para além de algumas indicações avulsas, um estudo em França (também não revisto pelos pares) sugeria efeitos positivos, mas veio a verificar-se que os investigadores tinham excluído dos resultados 6 pacientes em 22 (incluindo nestes 6 excluídos, um óbito e três transferências para UCI).

Outro estudo, no Brasil, envolvendo outra droga associada ao Hydroxychloroquine (Chloroquine) foi parcialmente interrompido pelo facto de se ter verificado um número significativo de óbitos nos pacientes com alta dosagem.


Abstract

BACKGROUND: Despite limited and conflicting data on the use of hydroxychloroquine in patients with Covid-19, the U.S. Food and Drug Administration has authorized the emergency use of this drug when clinical trials are unavailable or infeasible. Hydroxychloroquine, alone or in combination with azithromycin, is being widely used in Covid-19 therapy based on anecdotal and limited observational evidence. METHODS: We performed a retrospective analysis of data from patients hospitalized with confirmed SARS-CoV-2 infection in all United States Veterans Health Administration medical centers until April 11, 2020. Patients were categorized based on their exposure to hydroxychloroquine alone (HC) or with azithromycin (HC+AZ) as treatments in addition to standard supportive management for Covid-19. The two primary outcomes were death and the need for mechanical ventilation. We determined the association between treatment and the primary outcomes using competing risk hazard regression adjusting for clinical characteristics via propensity scores. Discharge and death were taken into account as competing risks and subdistribution hazard ratios are presented.

RESULTS: A total of 368 patients were evaluated (HC, n=97; HC+AZ, n=113; no HC, n=158). Rates of death in the HC, HC+AZ, and no HC groups were 27.8%, 22.1%, 11.4%, respectively. Rates of ventilation in the HC, HC+AZ, and no HC groups were 13.3%, 6.9%, 14.1%, respectively. Compared to the no HC group, the risk of death from any cause was higher in the HC group (adjusted hazard ratio, 2.61; 95% CI, 1.10 to 6.17; P=0.03) but not in the HC+AZ group (adjusted hazard ratio, 1.14; 95% CI, 0.56 to 2.32; P=0.72). The risk of ventilation was similar in the HC group (adjusted hazard ratio, 1.43; 95% CI, 0.53 to 3.79; P=0.48) and in the HC+AZ group (adjusted hazard ratio, 0.43; 95% CI, 0.16 to 1.12; P=0.09), compared to the no HC group.

CONCLUSIONS: In this study, we found no evidence that use of hydroxychloroquine, either with or without azithromycin, reduced the risk of mechanical ventilation in patients hospitalized with Covid-19. An association of increased overall mortality was identified in patients treated with hydroxychloroquine alone. These findings highlight the importance of awaiting the results of ongoing prospective, randomized, controlled studies before widespread adoption of these drugs.



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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por MarcoAntonio » 21/4/2020 18:12

Já agora, há dias mencionei que os Estados Unidos não estavam a publicar dados equiparáveis aos do euromomo (que eu tivesse conhecimento) mas entretanto ouvi numa conferência de imprensa o director do CDC, Robert Redfield, a mencionar o sistema de vigilância para a gripe e a mencionar que o estavam a utilizar no CDC para vigiar o COVID também (na conferência de imprensa ele indica que o "terceiro" pico na temporada actual é o COVID). Entretanto encontrei o local da web onde estão a publicar os dados:

https://gis.cdc.gov/grasp/fluview/mortality.html

Atenção que a semana 15 não está completa, conforme indica o quadro em baixo, no link.


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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por MarcoAntonio » 21/4/2020 18:05

A peça inclui alguns pontos relevantes mas ignora imensa informação.

Em países como Holanda, Espanha, Reino Unido, o Estado de New York, etc os óbitos diários duplicaram à escala nacional/estadual, já se consegue detectar. E em determinadas regiões chegam a triplicar, quadriplicar, quintoplicar (dados que já vão estando disponíveis para Itália, por exemplo, por região). Em vários países, mesmo com medidas de mitigação, já foram batidos recordes de óbitos com bastantes anos.

Mais, o impacto da pandemina não se fica pelos óbitos mas também pelas hospitalizações e internamentos em cuidados intensivos, muito acima do normal para a gripe sazonal. Os óbitos são, argumentavelmente, a parte mais visível ao público da pandemia, mas não é de longe nem de perto onde termina o impacto.

Sim, existem incertezas, sem dúvida. E interessa estudar essas incertezas, inquestionavelmente. Mas a minimização da pandemia e comparação à gripe sazonal é um exercício de voluntária ignorância. Porque não há gripe sazonal típica que cause os impactos a que estamos a assistir nos países mais afectados.
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1. Mais vale perder um ganho que ganhar uma perda, a menos que se cumpra a Segunda Lei.
2. A expectativa de ganho deve superar a expectativa de perda, onde a expectativa mede a
__.amplitude média do ganho/perda contra a respectiva probabilidade.
3. A Primeira Lei não é mesmo necessária mas com Três Leis isto fica definitivamente mais giro.
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por artista_ » 21/4/2020 18:04

Qualnhick Escreveu:
artista_ Escreveu:Na realidade, e sobretudo hoje, ninguém pode dizer que seriam maiores ou menores, até porque à posteriori certamente poderemos tirar conclusões diferentes para vários países, em funcão de varios aspetos. Mas eu faço parte do grupo dos que estão convencidos de que, não controlando a pandemia, os impactos económicos seriam muito mais graves... certamente que haverá situações diversas, países onde se poderia não ter fechado tanto, mas isso poderá ser verificado à posteriori, quando se tomaram as decisões o confinamento foi a forma de se evitarem riscos elevados...


Principalmente riscos ... politicos. Vamos todos pagar bem caro, infelizmente.


Isso é a tua avaliação, eu diria que não fossem os riscos políticos muitos países teriam dado uma resposta mais eficaz á pandemia, os EUA são um bom exemplo disso, não fosse a teimosia do Trump e, muito provavelmente teria morrido muito menos gente... e não sou eu que o digo, estou apenas a cita o Dr. Fauci, que o afirmou numa das conferências onde também estava o presidente.
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por Qualnhick » 21/4/2020 17:51

Epidemia
Olhar para as provas e dados objectivos é urgente

A propagação local e mundial do SarsCovid-2, vírus identificado na China, provocou uma reação inédita a este tipo de pandemias. Muitas consequências são mesmo potencialmente imprevisíveis, perigosas ou até irreversíveis. O motivo teria de ser fortíssimo e assim foi apresentado. Um vírus, com algumas semelhanças aos que que coabitamos, mas bastante mais perigoso. A 3 de Março a OMS revelava uma taxa de letalidade de 3,4% que resultava de 99% de infetados sintomáticos (na China). Era aparentemente menos eficiente na transmissão que o influenza. Defendia por isso que estratégias de contenção eram possíveis e que “devíamos tudo fazer para o conter”. As imagens e relatos que nos chegaram de Itália (e depois de Espanha) pareciam confirmar que algo de diferente se tratava. Perante o medo crescente dos seus cidadãos e respaldados pela OMS foram tomadas por muitos países, Portugal incluído, medidas nunca antes experimentadas. Suspenderam-se liberdades individuais e, de certa forma, suspendeu-se a vida tal a conhecemos. Tudo por uma causa maior. Pensamos, que a esmagadora maioria compreendeu e concordou.

No entanto, alguns investigadores e especialistas de topo, mostraram publicamente estranheza ou até estupefação. O que sabíamos na altura

Os dados iniciais de surtos infecciosos são essencialmente ruído, com muito pouco para tirar de sinal. Primeiro, porque durante algumas semanas não há agente identificado, depois, não há teste específico para o agente, depois, só há testes virológicos (onde estamos agora) e, só bastante mais tarde, aparecem testes serológicos/ anticorpos. Os testes virológicos só podem ser feitos numa janela temporal muito curta ou dão negativo, daí induzirem um ruído gigantesco. Os serológicos indicam se alguma vez houve contacto com o vírus, logo podem ser feitos em amostragem populacional e permitem dados estatisticamente significativos. Neste momento (escrito a 23 de Março), “ NÃO HAVIA nenhuns dados fiáveis para estimar a letalidade da covid19, podiam ser 0,001% ou 5%. Tudo isso é ruído. O número de infectados podia ser o que se conhecia ou dez mil vezes maior (sim, dez mil vezes).” Só com a chegada de testes serológicos se começa a ter real imagem da doença na sociedade.

Por exemplo, a gripe Suína começou com estimativas de 30% — literalmente extinção humana em poucos meses — e acabou abaixo de 1%, abaixo da gripe sazonal (0,02%) e não fez dano nenhum relevante.Este é o tipo de ruído com que estamos a lidar.

Relativamente ao SarsCov-2 os únicos dados minimamente fiáveis que se tinham à data eram de testes virológicos do cruzeiro Diamond Princess, porque toda a gente foi testada num intervalo relativamente curto. Indicavam 1% de letalidade numa população muito envelhecida, em ambiente confinado e a partilhar cantina. Podemos ter certeza estatística de que o mundo fora do cruzeiro terá taxas bem mais baixas. Adicionalmente, menos de 20% das pessoas foram infectadas e não havia ainda explicação para tal. Como não se podia sequer estimar no início a letalidade, todo o medo e pânico são irracionais. É preciso um cuidado extremo, extremo, paranoico, com a divulgação de dados iniciais de surtos em particular com a letalidade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) devia responder criminalmente por não controlar esses dados e não assegurar que indica a ordem de grandeza do ruído. Foi só e apenas isso que fez este “surto”.

A equipa do Imperial College que fez previsões catastrofistas tem um historial macabro de indicação para abate de centenas de milhares de animais por causa da ‘foot and mouth disease’. Verificou-se na altura que o modelo estava errado, sendo, no essencial, o mesmo usado agora. Numa audição parlamentar, Neil Ferguson reviu as estimativas do Imperial College, sem qualquer justificação plausível além de “medidas” que não especificou, passando de 500 000 para 20 000 mortos!

Mesmo que fosse muito mau, os vírus pulmonares são sempre lentos, nunca infectam mais de 30% das pessoas por ano, não importa o “como” e “onde”. Os vírus rápidos são os vírus que estão disponíveis na pele ou secreções, que têm proteção do ambiente até ao momento de infectar um novo hospedeiro. Os vírus pulmonares têm de estar expostos ao ambiente hostil algum ou muito tempo, que lhes reduz dramaticamente a capacidade de infecção — por exemplo são destruídos pelos raios ultravioleta – o que os torna muito mais lentos e muito influenciados pelos pequenos aumentos de imunidade de grupo.

A gripe tem sempre estirpes com imunização zero. A OMS faz previsão das estirpes e falha muitas vezes, ficando uma ou duas estirpes de fora da vacina para as quais a imunidade é zero. Decisões como encerrar escolas são erros grosseiros, que ninguém em momento nenhum, incluindo a OMS, recomenda ou reconhece qualquer prova de eficácia. Teria sido tempo de usar o conhecimento de cem anos de epidemiologia na gestão desta epidemia, em vez de adoptar medidas extremas, que nunca foram testadas em lado nenhum, e que seguramente terão um grande impacto negativo na nossa vida.

As declarações do dr. Jorge Torgal vêm claramente nesse sentido. Ele é bem incisivo nas declarações na véspera do anúncio do fecho das escolas. Além de só recomendar algumas medidas de afastamento social declara “para outros passará por fechar escolas, mas fechar escolas não tem qualquer justificação técnico-científica e não colhe nada, mas há quem não pense assim.” Público, 12 de Março de 2020 O que sabemos agora

A Estimativa da OMS de 1% de assintomáticos tem sido completamente rejeitada pelos factos. Neste momento já temos evidência suficiente para perceber que uma percentagem de assintomáticos é significativamente maior (de 50% a 80%). Este facto, só por si distorce irremediavelmente a perspetiva que a OMS tinha do vírus em causa e da melhor forma de o combater. A base para a tomada destas políticas foi a ideia de que este vírus era especialmente perigoso, 3,4% de letalidade. Neste momento, isso já não é minimamente credível.

Os dados de que já dispomos entre estimativas do centro de medicina baseada em prova de Oxford abaixo de 0,36% e de vários estudos serológicos (embora ainda insuficientes para o valor final) vão no sentido da letalidade ser numa ordem muitíssimo inferior, possivelmente inferior à da gripe normal (0,04-0,6). As idades médias das vítimas serem muito elevadas (85/ 80 em Portugal) e as morbilidades associadas (muitas) também parecem indiciar que a esmagadora maioria das mortes poderão acontecer sem sequer intervenção do vírus ou que o vírus será apenas a “gota final”. Em Itália por exemplo, foi relatado que apenas 12% das mortes reportadas por Covid-19 tiveram causa direta no vírus. Isto cria camadas de vieses de seleção com distorções enormes nos dados apresentados.

Quando há teorias divergentes, elas só podem ser rejeitadas ou validadas por predições. Neste momento está claro a falência total das previsões que suportavam o tipo de medidas adotadas. Japão, Coreia do Sul e Suécia com medidas menos restritivas não tiveram a catástrofe anunciada. As curvas de praticamente todos os Países vão de encontro a um normal surto de gripe (em alguns casos potenciado por dois Invernos de atividade gripal baixa). As curvas da epidemia (novos casos) chegaram todas ao pico sensivelmente ao mesmo tempo, sinal que foi a natureza, a primavera, a ditar a regra não a quarentena.

Conclusão

As contagens criadas e os procedimentos da atribuição causal da morte, em consequencia de ser esta uma doença de notificação obrigatória, ao SarsCovid-2 causam grande distorção. Confundem-se pessoas que morrem COM o vírus com pessoas que morrem DO vírus. Tudo indica que a grande maioria morre COM o vírus ou que o vírus apenas contribui para um desfecho em doentes muito debilitados (muitas vezes com outros vírus e bactérias).

Se fizessem o mesmo com a gripe "normal" numa das epidemias anteriores (em que morreram muitos milhares de pessoas em pouco tempo) e contassem quem estivesse COM Influenza ou a ILI (mais frequente na altura) no organismo, os números seriam igualmente alarmantes. Mas nunca houve nada semelhante. Por isso (e não só) a perceção pública está tão distorcida.

A do governo não pode estar. Para além dos óbvios impactos sociais e económicos desta situação poderemos ainda juntar um outro. Arriscamo-nos a ter uma epidemia, em que uma população não imunizada ao SarsCovid-2 o terá de enfrentar juntamente com outros vírus da proxima epoca gripal.
Aí sim, poderemos ter um gigantesco problema de capacidade hospitalar. Fecharemos de novo as portas? Os duríssimos compromissos implementados pretenderam (e bem) valorizar o humanismo. Mas o humanismo e a racionalidade não podem ser concorrentes, têm de ser aliados.
É preciso levantar todas as restrições. A começar pela abertura imediata de todas as escolas para retoma da actividade económica e da vida social de seguida
 
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por Opcard » 21/4/2020 17:26

Por enquanto algum povos tem mais medo do vírus do que da crise, havia políticos que pensavam que o certo era a imunidade de grupo, podem não ter mudado de ideias mas fizeram o que seria mais popular .

Conhecidas não há sondagem no Brasil, os políticos tem sondagens sendo possível que a maioria seria contra a quarentena ,não há políticos suicidas havendo escolha , o risco existe com muitos mortos o povo muda e o
Presidente fica entalado , mas também ficaria com uma grande crise económica .
 
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por Gaio Azul » 21/4/2020 17:22

Qualnhick Escreveu:
artista_ Escreveu:Na realidade, e sobretudo hoje, ninguém pode dizer que seriam maiores ou menores, até porque à posteriori certamente poderemos tirar conclusões diferentes para vários países, em funcão de varios aspetos. Mas eu faço parte do grupo dos que estão convencidos de que, não controlando a pandemia, os impactos económicos seriam muito mais graves... certamente que haverá situações diversas, países onde se poderia não ter fechado tanto, mas isso poderá ser verificado à posteriori, quando se tomaram as decisões o confinamento foi a forma de se evitarem riscos elevados...


Principalmente riscos ... politicos. Vamos todos pagar bem caro, infelizmente.


Pagar caro, alguns já pagaram, alguns até com funerais! Mas é óbvio que continuaremos a pagar de uma forma ou outra durante bastante tempo.
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por Qualnhick » 21/4/2020 16:53

artista_ Escreveu:Na realidade, e sobretudo hoje, ninguém pode dizer que seriam maiores ou menores, até porque à posteriori certamente poderemos tirar conclusões diferentes para vários países, em funcão de varios aspetos. Mas eu faço parte do grupo dos que estão convencidos de que, não controlando a pandemia, os impactos económicos seriam muito mais graves... certamente que haverá situações diversas, países onde se poderia não ter fechado tanto, mas isso poderá ser verificado à posteriori, quando se tomaram as decisões o confinamento foi a forma de se evitarem riscos elevados...


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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por artista_ » 21/4/2020 16:31

Qualnhick Escreveu:
Quando perguntavas pelos estudos em que eu me baseava para afirmar que milhoes iriam morrer da devastação economica, e na altura ainda não havia esses estudos, agora já começam a aparecer:

https://nationalpost.com/pmn/health-pmn ... 19-blow-un

São só 130 milhoes à fome estimados pela UN, agora compara com o numero de mortos da pandemia (171 mil à data).
Já sei que:
- Desses 130 milhoes morrerão x% de fome e de doenças associadas à fome, não sei qual é a % mas será alta com toda a certeza


Independentemente do número de pessoas que vier a morrer de fome, e dos número de pessoas que não morreria de fome se não existessem os problemas económicos provocados pela pandemia. O importante é saber se deixando tudo mais aberto, menos confinado, os impactos económicos seriam maiores ou menores?

Na realidade, e sobretudo hoje, ninguém pode dizer que seriam maiores ou menores, até porque à posteriori certamente poderemos tirar conclusões diferentes para vários países, em funcão de varios aspetos. Mas eu faço parte do grupo dos que estão convencidos de que, não controlando a pandemia, os impactos económicos seriam muito mais graves... certamente que haverá situações diversas, países onde se poderia não ter fechado tanto, mas isso poderá ser verificado à posteriori, quando se tomaram as decisões o confinamento foi a forma de se evitarem riscos elevados...
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por artista_ » 21/4/2020 16:22

zeNando Escreveu:Tenho ideia de terem falado no passado que só contavam os óbitos que não tivessem outras patologias associadas. Não sei se ainda o estarão a fazer assim, mas penso que sim. Se encontrar a noticia depois partilho aqui.


Sim essa hipótese foi levantada logo no inicio, mas nunca foi confirmada... não parece fazer muito sentido, mas se houver quem possa confirmar!
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por Opcard » 21/4/2020 15:35

Querer ver em tudo um problema, inventado e fazendo crer muitas vezes na dificuldade de coisas que não têm nada de difícil e de segundo grau .

Acredito que seja interessante nada tenho a opor, adoro tudo , tudo me interessa com classe .
Estou agora virado para outro lado são os 1 000 milhões da UE destinados aos luxos ecológicos que serão gastos sem grande critério , quando hoje já há fome prioridades !
 
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Re: CoronaVirus, panico justificado...?

por mais_um » 21/4/2020 15:00

Um exemplo do problema de não colocar fontes e fazer traduções livres incompletas ....


Dutch Supreme Court expands euthanasia laws for dementia patients

THE HAGUE (Reuters) - The Dutch Supreme Court on Tuesday ruled that doctors could legally carry out euthanasia on people with advanced dementia who had earlier put their wishes in writing even if they could no longer confirm them because of their illness.

The ruling is a landmark in Dutch euthanasia legislation which up to now had required patients to confirm euthanasia requests. This had not been considered possible for mentally incapacitated patients like advanced dementia sufferers.

“A doctor can carry out an (earlier) written request for euthanasia from people with advanced dementia,” the Supreme Court said in a summary of its decision.

Doctors would need to take care that the other criteria of unbearable suffering with no hope of recovery were also fulfilled.

The ruling came after prosecutors brought a criminal case against a nursing home doctor carried out a mercy killing of a 74-year old Alzheimer sufferer, who had a living will confirming she wanted euthanasia. The euthanasia was carried out with the support of the patients’ family.

The doctor was cleared of all charges last year but prosecutors asked for a Supreme Court ruling in order to have a legal precedent because the law was still unclear on the issue, they said.

The case was seen as a test for the legal boundaries of euthanasia cases in the Netherlands, where assisted suicide and mercy killing is allowed by law under restricted conditions when overseen by medical professionals.

The conditions include that a patient is experiencing unbearable suffering with no hope of recovery, and wishes to die.

https://www.reuters.com/article/us-heal ... SKCN2231QA
"Só duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana. Mas no que respeita ao universo ainda não tenho a certeza" Einstein
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