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Políticas para Portugal

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros de uma forma genérica e a todo o tipo de informação útil que possa condicionar o desempenho dos mesmos

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Re: Políticas para Portugal

por PXYC » 26/11/2019 1:05

Eu concordo com a Catarina Martins quando diz que os impostos sobre o rendimento do trabalho não devem ser superiores aos impostos de capital, de facto os governos "sociais" não têm outra a não ser começar a ir buscar impostos aos rendimentos de capital. Onde não concordo é no pensar que 28% de impostos sobre rendimento capital é pouco.. e usado para quê se nem sequer pagam a dívida?

De todas formas, penso que esta medida visa atacar mais os rendimentos prediais e não tanto os ganhos de bolsa, pois o problema de acesso à habitação nas grandes cidades é bem real.

Dúvida: sabem qual o imposto de rendimentos prediais noutros países europeus?
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Re: Políticas para Portugal

por Marco Martins » 26/11/2019 16:56

PXYC Escreveu:Eu concordo com a Catarina Martins quando diz que os impostos sobre o rendimento do trabalho não devem ser superiores aos impostos de capital, de facto os governos "sociais" não têm outra a não ser começar a ir buscar impostos aos rendimentos de capital. Onde não concordo é no pensar que 28% de impostos sobre rendimento capital é pouco.. e usado para quê se nem sequer pagam a dívida?

De todas formas, penso que esta medida visa atacar mais os rendimentos prediais e não tanto os ganhos de bolsa, pois o problema de acesso à habitação nas grandes cidades é bem real.

Dúvida: sabem qual o imposto de rendimentos prediais noutros países europeus?


É inaceitável pagarmos tantos impostos... o maximo deveria ser 15% e o estado teria de gerir a sua vida com isso...
Todas as empresas deveriam ser obrigadas a ter pagamentos/recebimentos pelo banco (sem taxas ou uma coisa mínima)...
Após isso, certamente teremos uma distribuição maior da riqueza e menor fuga de impostos...
 
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Re: Políticas para Portugal

por Ativo » 5/12/2019 14:54

In Negócios Online, hoje:

«Só quatro países da UE crescem menos que Portugal.

Apesar de estar a crescer acima da média da Zona Euro, a economia nacional está entre as que regista um ritmo mais lento da atividade económica. Só quatro outros países crescem ainda mais devagar.

A economia portuguesa tem estado a crescer acima da média da Zona Euro. Porém, só quatro outros Estados-membros estão a avançar a um ritmo mais lento do que a economia nacional.
Os dados foram publicados esta quinta-feira, 5 de dezembro, pelo Eurostat.

No terceiro trimestre deste ano, o PIB português cresceu 0,3% em termos trimestrais. Como os dados estão corrigidos de sazonalidade, a comparação trimestral é a ótica de análise que melhor permite avaliar o rumo do crescimento de um país, num determinado momento. O que diz o ritmo de Portugal é que a economia nacional vai em abrandamento: face ao primeiro semestre o crescimento passou para metade.

Comparado com os restantes Estados-membros, verifica-se que quase todos estão a crescer mais depressa. Só a Alemanha, Itália, Áustria e Lituânia crescem mais lentamente. Sendo a maior economia na União Europeia, a Alemanha puxa a média para baixo, ajudada pelo comportamento de Itália, outra das maiores economias. Assim, apesar de ser dos mais lentos, Portugal cresce acima da média da Zona Euro e iguala a média da União Europeia.

Ao mesmo ritmo que a economia portuguesa avançam a Dinamarca, França, Suécia e Reino Unido. Todos os outros 16 países para os quais há dados crescem mais depressa. Irlanda, Luxemburgo e Malta ainda não apresentaram dados para o terceiro trimestre.

País cria emprego a bom ritmo.

Apesar de o crescimento da atividade económica estar agora mais lento, Portugal continua a criar emprego a um ritmo comparativamente acelerado. Os dados do Eurostat mostram que o número de pessoas empregadas em território nacional aumentou 0,3% entre julho e setembro, em termos ajustados de sazonalidade. De entre os restantes 22 países da União Europeia para os quais há dados, este foi o quinto maior ritmo de criação de emprego.

Só a Bélgica, a Eslovénia, a Estónia e a Letónia criaram mais emprego no mesmo período de tempo. A Estónia e a Letónia destacaram-se, com um aumento de 1% no número de pessoas empregadas.

Tanto a média da União Europeia como da Zona Euro, ficaram-se por aumento de 0,1% do emprego, em termos trimestrais.


Antes ainda havia uma "geringonça" a governar. Agora nem "geringonça" há … :lol:
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Re: Políticas para Portugal

por BearManBull » 18/12/2019 13:44

Se o Centeno é o Ronaldo das finanças certamente que é na arte de depenar em modo ninja. Depena os grupos com menos poder voto e com recurso ao sentimentalismo da causa ambiental. No final os impostos e a burocracia voltam a aumentar mais uma vez, não fosse esta mesquinhez teríamos o pais a crescer 4-5% ao ano :wall:

Tributação: a “arte de tirar a um ganso o máximo de penas com o mínimo de barulho”

Do ponto de vista da política fiscal, o Orçamento do Estado para 2020 pretende promover políticas fiscais que, de acordo com o relatório apresentado pelo Governo, visam dar resposta a vários desafios, os demográficos, as alterações climáticas, o combate às desigualdades e a transformação digital.

Para dar resposta aos desafios referidos o Governo lançou políticas de apoio às famílias, às empresas e ao investimento, ao desenvolvimento de uma fiscalidade ambiental e às políticas públicas.

Estas medidas políticas e desagravamentos foram distribuídas por medidas constantes dos diversos códigos fiscais. No IRS uma isenção parcial com progressividade para sujeitos passivos que não sejam considerados dependentes com idades entre os 18 e os 26 anos. Na prática representa uma poupança fiscal que não excederá os 1.800 euros em três anos. Do mesmo modo, as deduções à coleta do IRS atribuídas aos agregados familiares com mais de dois dependentes que não ultrapassem os 3 anos de idade até 31 de dezembro do ano a que respeita o imposto, passam de 126 euros para 300 euros.

Estas medidas são compensadas com um aumento da base tributável no caso dos rendimentos auferidos ao abrigo do regime do alojamento local quando sujeitos ao regime simplificado, onde a base tributável aumenta dos 35% do rendimento bruto para os 50% nas zonas de contenção (alteração acompanhada pelo regime simplificado no IRC). Pode parecer até justo, contudo devemos considerar que o alojamento local não é uma atividade passiva como o arrendamento e que é uma atividade que contribuiu para a reabilitação dos centros das cidades.

O que é "dado" com uma mão depressa é retirado com duas. Desagravam-se uns e agravam-se outros num país em que os rendimentos acima de 80.000 euros são tributados a taxas bastante elevadas.

Mas nem tudo é mau para os sujeitos passivos que exploram bens imobiliários, ainda que peque por defeito. Como medida de fomento ao arrendamento, apesar de, cada vez mais, desvirtuar a estrutura dogmática do Código do IRS, assinala-se a exclusão de tributação das mais-valias imobiliárias resultantes da desafetação de um imóvel da atividade empresarial quando o imóvel seja afeto imediatamente à obtenção de rendimentos prediais. Contudo, poder-se-ia ter ido mais longe e, eventualmente, terminar com a presunção de venda dos imóveis quando estes regressam à esfera particular do empresário.

No IRC, o estímulo de 400 euros às PME (pelo alargamento da matéria coletável sujeita à taxa reduzida de 17%, de 15.000 euros para 25.000 euros), e de 450 euros para as PME em territórios do interior são medidas sonantes quando ouvimos falar em percentagens e bases tributáveis, mas que são pouco expressivas no dia a dia.

Do lado ambiental, como seria de esperar, aumentam-se os Impostos Especiais sobre o Consumo, em especial o ISV e o IUC, deixando os automóveis ligeiros de passageiros que utilizam exclusivamente o GPL de beneficiar de uma taxa intermédia. Se, de acordo com a frase atribuída a Colbert, a tributação é a "arte de tirar a um ganso o máximo de penas com o mínimo de barulho", as preocupações ambientais na tributação automóvel, são sempre uma boa forma de calar um ganso que já de si não faz muito barulho e se encontra quase sem penas.

No fundo o desenho do OE traduz-se em benefícios pouco expressivos, alguns com latitude de interpretação considerável, e que acabam por, na prática, ser esbatidos com aumentos de impostos em outras áreas.

O OE 2020 acaba, assim, por ter um impacto mais simbólico do que estrutural, devido à necessidade de manutenção do esforço de consolidação orçamental.

Não obstante todo este cenário, há alterações de pormenor importantes, como a autonomização da isenção de Imposto do Selo aos contratos de gestão centralizada de tesouraria, bem como a clarificação de que a isenção de Imposto do Selo aplicável a operações de reorganização societária se aplica mesmo quando há trespasses, contrariando aquilo que, mal, vinha sendo defendido pela Autoridade Tributária.

Estas medidas e alterações de pormenor são extremamente bem-vindas por evitarem contencioso.


Socialismo sonhado,: Hospitais gràtis e acessiveis a todos por tempo inderteminado sempre que necessàrio.
Socialismo real:Governo quer que os hospitais cobrem por doentes abandonados
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Re: Políticas para Portugal

por BearManBull » 30/12/2019 10:20

Sem qualquer surpresa a carga fiscal elevada é inimiga do crescimento económico.


Ficando para trás, o quarto de século socialista
Anexos
carga_fiscal.JPG
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Re: Políticas para Portugal

por BearManBull » 7/1/2020 17:14

Resolver problemas à la socialist criando um novo tacho ora pois. :twisted:


Governo cria gabinete de segurança na saúde para problemas de violência contra profissionais
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Re: Políticas para Portugal

por JohnyRobaz » 18/1/2020 16:41

A diferença entre Liberalismo (na minha óptica) e o Libertarianismo (ou liberalismo, segundo a óptica de muitos), e o mito da pura meritocracia, explicados num excelente texto publicado aqui:

https://www.scimed.pt/geral/o-mito-da-meritocracia-a-piada-que-se-transformou-num-dogma/?fbclid=IwAR3uLd2lfVP6955Hi_XAUymUB_xajuRrw468FbAVU8BTtGGB0bb0wOXcBao

O MITO DA MERITOCRACIA, de João Júlio Cerqueira:

O termo “meritocracia” foi criado por Michael Young, quando escreveu o romance satírico em 1958, “The Rise of Meritocracy”. No livro, Young descrevia um tipo de auto-ilusão em que as pessoas ricas se convenciam que a sua riqueza era evidência da sua superioridade moral. A piada é que a sátira virou dogma. Hoje vivemos da meritocracia. Onde nos convenceram que aquilo que alcançamos depende apenas da nosso trabalho árduo e perseverança. Se não consegues, a culpa é tua. Não te esforçaste o suficiente.

Não só isso, como se criou outra piada interessante. A ideia da meritocracia começou por ser uma ideia anti-aristrocrática já que, cada um de nós, independentemente das nossas origens, poderia ser rico, famoso e bem sucedido dependendo apenas do nosso mérito. No entanto, esta atitude/ideologia transformou-se num modelo de perpetuação de uma nova aristrocacia, já que um dos maiores fatores para ser bem sucedido na vida é ser filho de pessoas bem sucedidas. Mesmo que tenham más notas na escola.

E ser filho de pessoas bem sucedidas influencia o nosso futuro sucesso de duas formas. Os genes que herdamos e o ambiente familiar e sócio-económico em que somos criados. Dado que ninguém escolhe o seu próprio genoma, não estou a ver onde está o mérito disso. E como ninguém escolhe a família onde nasce – se rica se pobre, com bom ou mau aporte nutricional, se bem conectada em termos sociais ou nem por isso, se numa família estruturada ou não – também não me parece que seja possível atribuir o nosso mérito a essas ocorrências.

Aliás, uma das passagens do Behave, do Salpolsky, que mais me impressionou, foi esta:

“A conexão entre a adversidade infantil e a maturação frontocortical é visível quando se estuda a pobreza infantil. O trabalho de Martha Farah, da Universidade da Pensilvânia, Tom Boyce, da UCSF, e outros demonstra algo ultrajante: aos cinco anos, quanto menor o estatuto socioeconómico de uma criança, em média, (a) maiores os níveis basais de glicocorticóides e/ou mais reativa a resposta ao stresse glicocorticóide, (b) mais fino é o córtex frontal e menor o seu metabolismo, e (c) mais fraca é a função frontal em relação à memória operacional, regulação das emoções, controlo de impulsos e tomada de decisões executivas; além disso, para obter uma regulação frontal equivalente, as crianças com estatuto socioeconómico mais baixo devem ativar mais o córtex frontal do que as crianças com estatuto socioeconómico mais alto. Além disso, a pobreza infantil prejudica a maturação do corpo caloso, um feixe de fibras axonais que conectam os dois hemisférios e integram a sua função. Isso é tão errado – escolha estupidamente uma família pobre para nascer e, no jardim de infância, a probabilidade de ter sucesso nos testes de marshmallow da vida já estão contra si.

Pesquisas consideráveis ​​concentram-se em como a pobreza “penetra na pele”. Alguns mecanismos são específicos para o ser humano – se é pobre, é mais provável que cresça próximo de toxinas ambientais, num bairro perigoso, com mais lojas de bebidas alcoólicas do que os mercados que vendem vegetais; é menos provável que frequente uma boa escola ou tenha pais com tempo para ler para si. É provável que na sua comunidade tenha pouco capital social e você, baixa auto-estima.”

Mas estas pessoas, para além de terem nascido numa família com condições sócio-económicas favoráveis e terem a bênção genética, também conseguiram ter o “mérito” de nascer num país, numa sociedade, capaz de aproveitar todo o seu esforço e mérito. Como exemplo, se fossem mulheres e nascessem na Arábia Saudita, dificilmente iriam conseguir alcançar alguma coisa de relevante, dadas as limitações impostas às mulheres nessa sociedade. Ou se tivessem nascido numa aldeia na Nigéria e a vossa aldeia fosse dizimida pelo Boko Haram e vocês transformados em Crianças-Soldado, dificilmente iriam ter capacidade para criar uma Startup fantástica na área da Inteligência Artificial. Portanto, parabéns pela vossa sorte.

Os “Meritocráticos” Versus Instituições Governamentais
A coisa mais perversa associada a esta ideia da meritocracia, é que levou a uma corrente liberal anti-Estado. No fundo, a lógica é a seguinte: “se eu fui bem sucedido na vida à conta do meu esforço e tu não foste bem sucedido porque és um preguiçoso e não te esforçaste o suficiente, porque é que eu tenho que pagar mais impostos para te sustentar a ti?”

Surge assim a ideia do “Self Made Man” criado no vazio, como se não tivesse sido o Estado (ou seja, todos nós), os responsáveis pela criação das infraestruturas, das instituições e serviços que permitiram ao “Self Made Man” prosperar. Mas o mais importante, é que o Estado é dos poucos mecanismos que poderá impor um verdadeiro sistema meritocrático, ajudando a reduzir as desvantagens existentes entres os diferentes estratos sociais, para que as crianças que tiveram o azar de ser menos afortunadas nos ambientes em que nasceram, tenha menos desvantagens em comparação às crianças que nasceram em “berços de ouro”. Um estudo da OCDE mostra quantas gerações são necessárias para subir no estrato sócio-económico. E não há surpresas…países nórdicos, conhecidos pela sua menor desigualdade sócio-económica, permite uma mais rápida mobilidade social. (Ver imagem)

Não só isso, como o desrespeito pelo Estado demonstrado por esta ala meritocrática é um pontapé na boca a todos nós, já que o investimento público em investigação, inovação, tecnologia é um dos grandes pilares que permite que estes “Self Made Man” vão surgindo. O telemóvel que temos na mão, é graças ao investimento do Estado. Mesma coisa para GPS, baterias de lítio, airbags e a Internet. E a mesma coisa para muitos dos fármacos que consumimos hoje em dia (1, 2, 3).

Mas não é apenas isso. É a sociedade e todas as instituições criadas pela sociedade que permitiram a evolução cultural e a acumulação de conhecimento. Portanto, quando um “Self Made Man” cria alguma tecnologia revolucionária, o mérito dele é uma ínfima parte de todo o processo de criação, já que assenta em conhecimento produzido por milhares de pessoas que o antecederam. Aliás, hoje em dia grandes descobertas são feitas por equipas de pessoas e não por uma pessoa só, dada a complexidade cada vez maior em fazer avançar o conhecimento e produzir tecnologia.

Mas mais…estes Meritocratas não seriam nada, na ausência das pessoas “sem grande mérito” ou status social, que lhes produzem a comida, constroem a casa, mantém os sistemas de canalização, de eletricidade e aquecimento, fazem recolha do lixo, etc. Aqueles funcionários sem mérito que recebem pouco, mas que mantêm todas as nossas infrastruturas a funcionar.

Citando o Ricardo Lopes, do Canal Dissenter, esta atitude dos meritocratas “é uma falta de respeito abjecta pela sociedade em que vivem, pela longa história da humanidade e o nível mais alto de arrogância e egocentrismo que alguém pode atingir.“

O Meritocrata não é nada sem a sociedade em que está inserido e as condições que essa sociedade lhe proporcionou para se transformar neste “Self Made Man”, super empreendedor, que enriqueceu imenso graças a uma ideia genial criada às costas de milhares de pessoas que contribuíram para que essa ideia genial pudesse ter surgido.

Conclusão
Portanto, o nosso mérito será qualquer coisa como 90% sorte, 10% esforço. Certamente que ver as coisas desta forma tira muito glamour a todas as nossas conquistas sociais. Mas é a realidade.

Que fique claro, não se está a falar contra os empreendedores. Eles têm mérito e alguns deles revolucionaram a sociedade em que vivemos. Agora, que se acabe com esta ideia que surgem no vazio, que o seu mérito é exclusivamente seu e que os com pouco mérito o são por “preguiça” e “não se terem esforçado o suficiente”. Obviamente que também existem os preguiçosos, mas a generalização como forma de atacar o Estado Social para reduzir a contribuição do “Self Made Man” via impostos para a sociedade, é só ridícula.

E, para quem acha que o “Self Made Man” conseguiu erguer-se à custa de um trabalho imenso, investindo 100 horas por semana na sua carreira, desengane-se. Os CEOs trabalham em média 60 horas por semana. Não é mau…mas agora vamos imaginar a mãe solteira com dois empregos, a receber o ordenado mínimo, sem ajuda em casa para tomar conta dos filhos, o que significa que ainda tem que fazer a lida doméstica e acompanhar as crianças na escola…faltará esforço a esta pessoa? Onde está a sua recompensa por este esforço? Ou terá tido azar relativamente às suas condicionantes de vida?

E terminamos com um vídeo do Rationality Rules, que devia ser visto por todos estes Self Made Man liberais, que pensam no Estado como um sorvedouro de impostos inútil, que apenas serve para matar a iniciativa privada:

Anexos
subir-na-escada-social.png
“E assim como sonho, raciocino se quero, porque isso é apenas uma outra espécie de sonho.”, Fernando Pessoa
“Nothing good ever comes of love. What comes of love is always something better” , Roberto Bolaño
"A ciência e o poder do homem coincidem, uma vez que, sendo a causa ignorada, frustra-se o efeito. Pois a natureza não se vence, senão quando se lhe obedece." Francis Bacon
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Re: Políticas para Portugal

por MarcoAntonio » 18/1/2020 17:12

O mérito é percepcionado. É subjetivo e depende dos paradigmas socio-culturais. Depende de quem o mede e como o mede.

O que um individuo faz pode ter imenso valor e não lhe ser reconhecido mérito nenhum...
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1. Mais vale perder um ganho que ganhar uma perda, a menos que se cumpra a Segunda Lei.
2. A expectativa de ganho deve superar a expectativa de perda, onde a expectativa mede a
....amplitude média do ganho/perda contra a respectiva probabilidade.
3. A Primeira Lei não é mesmo necessária mas com Três Leis isto fica definitivamente mais giro.
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Re: Políticas para Portugal

por JohnyRobaz » 18/1/2020 17:49

MarcoAntonio Escreveu:O mérito é percepcionado. É subjetivo e depende dos paradigmas socio-culturais. Depende de quem o mede e como o mede.

O que um individuo faz pode ter imenso valor e não lhe ser reconhecido mérito nenhum...


Sim, entendo esse ponto de vista, mas neste âmbito tem mais a ver com a forma como se obteve a qualidade de vida desejada, ou como se subiu na escada social, se foi em função do esforço (meritocracia pura) ou da sorte (anti-meritocracia), ou dos dois (realidade), e como isso desmonta o argumento libertário fundamental para desprezar e tentar reduzir ou eliminar o Estado Social, quando a existência deste é fundamental para uma verdadeira meritocracia.
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Re: Políticas para Portugal

por Opcard33 » 18/1/2020 18:03

Só um crimnoso ou parasita pode tirar tal conclusão , ou estará publicitar os jogos de azar ...

« Conclusão
Portanto, o nosso mérito será qualquer coisa como 90% sorte, 10% esforço. « 

A sorte dá muito trabalho ..

« O HOMEM QUE REVOLUCIONOU A DISNEY

Bob percebeu que tinha de ser ele a tomar conta da família. Aceitava todo o tipo de biscates – por exemplo, aos 15 anos fez limpezas na escola. Nada melhor para aprender a lidar com o tédio do que tirar pastilhas elásticas do tampo da mesa. “Ajuda a criar caráter.” Durante um ano fez pizzas na Pizza Hut

O empresário acorda às 4h15 e é o rei de Hollywood. E há até quem o queira como Presidente dos Estados Unidos.« 
 
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Re: Políticas para Portugal

por JohnyRobaz » 18/1/2020 18:33

Opcard33 Escreveu:Só um crimnoso ou parasita pode tirar tal conclusão , ou estará publicitar os jogos de azar ...

« Conclusão
Portanto, o nosso mérito será qualquer coisa como 90% sorte, 10% esforço. « 

A sorte dá muito trabalho ..

« O HOMEM QUE REVOLUCIONOU A DISNEY

Bob percebeu que tinha de ser ele a tomar conta da família. Aceitava todo o tipo de biscates – por exemplo, aos 15 anos fez limpezas na escola. Nada melhor para aprender a lidar com o tédio do que tirar pastilhas elásticas do tampo da mesa. “Ajuda a criar caráter.” Durante um ano fez pizzas na Pizza Hut

O empresário acorda às 4h15 e é o rei de Hollywood. E há até quem o queira como Presidente dos Estados Unidos.« 


A excepção não faz a regra, meu caro.
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Re: Políticas para Portugal

por Opcard33 » 18/1/2020 19:22

Estou com um problema falta tempo , amanhã vou viajar e tenho de acabar uma notas ....mas as transcrições são demasiados graves e chocantes é necessário alguém para defender os valores que nos deram está sociedade maravilhosa de bem estar e liberdade , a ocidental .

E nisto eu pago uma vaca para não entrar num assunto mas depois uma manada para não sair .

Declaração de interesse os meus pais não andaram na escola ... mas não defendo a “eutanásia” dos filhos das elites .
Antes da ciência o provar eu já sabia que havia memória genética , quem tem como país professores universitários está em vantagem sobre o filhos de alcoólicos e drogados é aqui que entra o Pol Pot e as esquerdas actuais .

Gosto do Pol-Pot era objectivo matava quem tinha vantagem competitivas , já a esquerda actual “mata “de todas as formas impostos , perseguições , insultos , destruição do saber ... ,

Os marxistas começaram por tentar a igualdade elevando
os de baixo não funcionou ,tem uma nova estratégia nivelar por baixo.

Ninguém melhor de que quem ganhou o seu dinheiro para o saber aplicar para beneficio da sociedade , porque o sabe fazer de forma rentável , nunca burocratas que só sabem gastar dinheiros dos outros .

Todas as tentativas igualitárias acabaram em grandes tragédias , já as sociedades menos igualitárias são uma benção para todos , vão de Cuba para os USA sempre dos paraísos socialistas para os infernos capitalistas .
 
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Re: Políticas para Portugal

por JohnyRobaz » 18/1/2020 21:17

Opcard33 Escreveu:Estou com um problema falta tempo , amanhã vou viajar e tenho de acabar uma notas ....mas as transcrições são demasiados graves e chocantes é necessário alguém para defender os valores que nos deram está sociedade maravilhosa de bem estar e liberdade , a ocidental .

E nisto eu pago uma vaca para não entrar num assunto mas depois uma manada para não sair .

Declaração de interesse os meus pais não andaram na escola ... mas não defendo a “eutanásia” dos filhos das elites .
Antes da ciência o provar eu já sabia que havia memória genética , quem tem como país professores universitários está em vantagem sobre o filhos de alcoólicos e drogados é aqui que entra o Pol Pot e as esquerdas actuais .

Gosto do Pol-Pot era objectivo matava quem tinha vantagem competitivas , já a esquerda actual “mata “de todas as formas impostos , perseguições , insultos , destruição do saber ... ,

Os marxistas começaram por tentar a igualdade elevando
os de baixo não funcionou ,tem uma nova estratégia nivelar por baixo.

Ninguém melhor de que quem ganhou o seu dinheiro para o saber aplicar para beneficio da sociedade , porque o sabe fazer de forma rentável , nunca burocratas que só sabem gastar dinheiros dos outros .

Todas as tentativas igualitárias acabaram em grandes tragédias , já as sociedades menos igualitárias são uma benção para todos , vão de Cuba para os USA sempre dos paraísos socialistas para os infernos capitalistas .



1ª, só alguém que nunca viu o que o Pol Pot fez ao próprio povo consegue dizer que gosta dele. Ou então, peço desculpa, és sádico.

2º, eu não sou comunista, defendo o capitalismo. Há é várias formas de este existir, com mais ou menos Estado Social.
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Re: Políticas para Portugal

por Opcard33 » 18/1/2020 23:00

JohnyRobaz Escreveu:
Opcard33 Escreveu:Estou com um problema falta tempo , amanhã vou viajar e tenho de acabar uma notas ....mas as transcrições são demasiados graves e chocantes é necessário alguém para defender os valores que nos deram está sociedade maravilhosa de bem estar e liberdade , a ocidental .

E nisto eu pago uma vaca para não entrar num assunto mas depois uma manada para não sair .

Declaração de interesse os meus pais não andaram na escola ... mas não defendo a “eutanásia” dos filhos das elites .
Antes da ciência o provar eu já sabia que havia memória genética , quem tem como país professores universitários está em vantagem sobre o filhos de alcoólicos e drogados é aqui que entra o Pol Pot e as esquerdas actuais .

Gosto do Pol-Pot era objectivo matava quem tinha vantagem competitivas , já a esquerda actual “mata “de todas as formas impostos , perseguições , insultos , destruição do saber ... ,

Os marxistas começaram por tentar a igualdade elevando
os de baixo não funcionou ,tem uma nova estratégia nivelar por baixo.

Ninguém melhor de que quem ganhou o seu dinheiro para o saber aplicar para beneficio da sociedade , porque o sabe fazer de forma rentável , nunca burocratas que só sabem gastar dinheiros dos outros .

Todas as tentativas igualitárias acabaram em grandes tragédias , já as sociedades menos igualitárias são uma benção para todos , vão de Cuba para os USA sempre dos paraísos socialistas para os infernos capitalistas .



1ª, só alguém que nunca viu o que o Pol Pot fez ao próprio povo consegue dizer que gosta dele. Ou então, peço desculpa, és sádico.

2º, eu não sou comunista, defendo o capitalismo. Há é várias formas de este existir, com mais ou menos Estado Social.



Sempre te vi gostares dos muitos figuras que infernizam a vida de quem produz riqueza sacando impostos para as suas clientelas , percebestes o sentido do que escrevi , é grosseiro e ofensivo e tua parte escrever que gosto dessa grotesca personalidade ( mas muitos dessas figuras mereçam admiração das esquerdas como sabes ) ainda hoje admiram os Chaves ou Castros .
 
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Re: Políticas para Portugal

por BearManBull » 19/1/2020 2:55

JohnyRobaz Escreveu:2º, eu não sou comunista, defendo o capitalismo. Há é várias formas de este existir, com mais ou menos Estado Social.


Qual estado social? Onde é que isso existe? O SNS a morrer e pensões de 500 euros para quem descontou mais de 40 anos? Idade de reforma a prestes subir para os 67?
Infelizmente o estado social não é mais do que uma farsa para alimentar um exército de burocratas, estadistas e sócios do sistema.

Na França as consequências estão à vista. O estado social acaba quando acaba o dinheiro. Não conheço bem o partido da Le Pen para saber se realmente é extrema-direita ou anti sistema, mas se é realmente o primeiro cuidado com o resultado da fantochada do estado social que consome mais 50% da riqueza produzida num país. Na união soviética comunista o estado devia controlar uns 70%-80% da economia, qual é diferença de uma união soviética ou de uma França que o estado continue a crescer para controlar 70% da economia?

O que é o liberalismo? É liberdade individual consagrada acima de todas as coisas numa constituição. Seria a liberdade de impostos e de todas as obrigações que não prejudiquem os demais.
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Re: Políticas para Portugal

por Opcard33 » 19/1/2020 9:30

França o estado gasta 57% da riqueza produzida , diz-se que é a URSS que funciona .

“JohnyRobaz Escreveu: 2º, eu não sou comunista...” Seria um votante de Le Pen que não é comunista e defende ainda mais despesa e mais estado é o partido dos operários 50% votam nela .

Mas o grande drama destes esquerdistas é só fazerem disparates que se pagam caro mais tarde , chegaram ao poder passam a idade de reforma dos 65 para os 60 anos para combater o desemprego , depois passam das 40 para as 35 horas para combaterem o desemprego, cá o Costa ainda é mais injusto dá aos filhos e trama os enteados , são burros não sabem que quanto mais se trabalha mais trabalho há , a França tem mais do dobro do desemprego dos seus concorrentes que tem a idade de reforma aos 67 e 40 horas.( antes destas medidas a França estava à frente da Alemnha_)

Isto não é social , a justiça existe para servir os magistrados que apenas pensam em dinheiro ganhar mais que o 1.º ministro , a educação está ao serviço dos professores , na saúde não pensa nos utentes , Nos transporte pensam nos direitos dos seus trabalhadores ... é o dinheiro de todos para o bolso de alguns .

Isto nao resulta e é mau , França é o campeão das transferências sociais mais de 30% do PIB quase 1 000 milhões de euros E é o povo mais zangado do mundo Todos pensam que não recebem a sua conta, Por isso querem sempre mais não veem no trabalho mas no estado a solução para as suas vidas .
 
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Re: Políticas para Portugal

por JohnyRobaz » 19/1/2020 13:56

lfhm83 Escreveu:
JohnyRobaz Escreveu:2º, eu não sou comunista, defendo o capitalismo. Há é várias formas de este existir, com mais ou menos Estado Social.


Qual estado social? Onde é que isso existe? O SNS a morrer e pensões de 500 euros para quem descontou mais de 40 anos? Idade de reforma a prestes subir para os 67?
Infelizmente o estado social não é mais do que uma farsa para alimentar um exército de burocratas, estadistas e sócios do sistema.

Na França as consequências estão à vista. O estado social acaba quando acaba o dinheiro. Não conheço bem o partido da Le Pen para saber se realmente é extrema-direita ou anti sistema, mas se é realmente o primeiro cuidado com o resultado da fantochada do estado social que consome mais 50% da riqueza produzida num país. Na união soviética comunista o estado devia controlar uns 70%-80% da economia, qual é diferença de uma união soviética ou de uma França que o estado continue a crescer para controlar 70% da economia?

O que é o liberalismo? É liberdade individual consagrada acima de todas as coisas numa constituição. Seria a liberdade de impostos e de todas as obrigações que não prejudiquem os demais.


lfhm83, primeiro que tudo, o artigo é abstracto, não fala em nenhum Estado Social em específico, mas sim no conceito de libertarianismo. Se és libertário, argumenta sff porque é que achas que essa ideologia é melhor e não pior para a população em geral.

O Estado Social é o que tens nos países nórdicos! Sim, aqueles países com economias fortes, liberais, e com qualidade de vida excecional excepto o facto de não terem tanto sol como nós e ser um bocado frio de mais para o meu gosto. E mesmo o nosso SNS, falam muito e há muitos problemas, sem dúvida, mas comparem o nosso SNS com outros serviços nacionais de saúde por esse mundo fora, em países supostamente mais desenvolvidos que o nosso, e vão ficar surpreendidos. E se é um problema ter o SNS a morrer é porque valorizam o Estado Social. Em França o pessoal pode reformar-se aos 62 anos ou antes, muito mais cedo que cá, não é propriamente um Estado Social a falhar. E por cá, obviamente o Sistema de Reformas tem que ser revisto de forma a evitar casos chocantes de burocratas a ganhar reformas absurdas sem merecerem, e que tenha em conta a evolução demográfica e os descontos reais das pessoas.

Para deixar claro, não considero o sistema de pensões propriamente algo estruturante no Estado Social, apesar de achar que deve sempre haver uma contribuição mínima para uma segurança social de forma a apoiar aqueles que por desgraças da vida não possam trabalhar como os demais.

O Estado Social é basicamente, para além desse fundo de apoio social, um sistema público forte de educação e de saúde pública. Isto é aquilo que eu acho essencial que o Estado provenha para que o mérito possa ser uma realidade. E atenção, não é estritamente necessário que sejam fornecidos com gestão pública, podem ser concessões a privados, pelo menos na saúde, onde já vimos que pode resultar bem. Nas escolas tenho mais dúvidas, principalmente se for a gestão a decidir quem pode ou não aprender nessa escola. O essencial é que independentemente das condições sócio-económicas das pessoas, estas tenham direito a um mínimo de condições de vida e de ferramentas para poder construir a sua vida com dignidade.

Portanto, para além do que chamo Estado Social, penso que é unanime da esquerda à direita que o Estado seja responsável por outras coisas essenciais como a segurança pública, o exército. Eu incluiria também as infraestruturas, mesmo que possam ter gestão pública ou privada por concessão (estradas, caminhos de ferro, aeroportos, portos, postes de electricidade, redes de águas e saneamento, etc.).

Uma pessoa que se vá inclinando mais para a esquerda pode achar necessárias outras coisas como parte do Estado, tal como transportes públicos, banco público, rede de rádio e televisão públicas, correios públicos, companhia aérea pública, produtora de energia pública, etc. até chegarmos à ideologia comunista em que toda a economia deve ser do Estado ou estar sob a sua alçada. Mas isto não é o Estado Social.

Estado Social são aquelas coisas essenciais que referi no início e que quanto a mim marcam a diferença entre um liberal e um libertário.
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Re: Políticas para Portugal

por Opcard33 » 19/1/2020 22:31

Tudo na Suécia foi ao contrário do que é dito por muitos, ou ignoram ou estão de má-fé .

Foi o país mais liberal da história da humanidade ( vejam a data da fundação de dezenas de empresas de grande dimensão espantoso como um país de pouco população teve das maiores empresas do mundo foi por dar total liberdade ao capital )

Com essas política ultraliberal ( Em 1950, a Suécia era o mais ricos do mundo. O total de impostos representavam 19% do PIB – mais baixo que o dos Estados Unidos e outros países europeus. )ficaram escandalosamente ricos .

Foi o único país que votou no seu Parlamento para receber imigrantes pobres para gastar dinheiro, o estado social chega depois de serem ultraricos
( ao contrário de Portugal ).

Os socialistas pensavam que o dinheiro nunca acabava (durou 30 e poucos anos) e foram à falência nos anos 90 .

Hoje tem a pensão por “ pontos “ ( em França é a guerra e é uma pequena amostra da pensão por pontos ) os pais escolhem a escola para os filhos algum valores liberais voltaram. .



Aqui deixo os princípios que tornam a Suécia podre de rica ,depois da fome :

“Todo indivíduo espontaneamente tenta achar o lugar e o comércio no qual ele melhor incrementa o Ganho Nacional, se as leis não o impedirem de fazer isso.

Todo homem busca seu próprio ganho. Essa inclinação é tão natural e necessária que todas as comunidades do mundo são fundadas nesse princípio. De outra forma, leis, punição e recompensa não existiriam e a humanidade logo pereceria junta. O trabalho que tem o maior valor é sempre a mais bem pago, e o que é mais pago é o mais desejado.

Esse conceito do Ganho Nacional, embora pareça rígido para as nossas novas empresas, é, mesmo assim, simples e fácil por si só.

Isso dá liberdade para todas as trocas legais, mas sem prejudicar os outros. Isso protege os empreendimentos dos mais pobres, encoraja a dedicação e o livre comércio.

Considera todos nas mesmas escalas, e ganho é a medida certa que mostra quem deveria ter a preferência.

Isso livra o governo de milhares de preocupações nada fáceis, estatutos e supervisões, quando os ganhos privados e nacionais tornam-se um só interesse, e o egoísta prejudicial, que sempre tenta se cobrir em baixo dos estatutos, pode ser, certamente, controlado pela competição mútua.

Isso permite a um sueco exercer o maior e mais prezado direito que a Natureza do Todo-Poderoso deu-lhe, como apoiar a si mesmo no suor de sua testa da forma que ele achar ser a melhor.

Isso tira toda a preguiça dos ombros daqueles que, graças a seus privilégios, podem agora dormir dois terços de seu tempo de forma segura.

Todos os expedientes para viver sem trabalhar serão removidos e nada, senão os diligentes, poderão viver bem.

Isso gera uma desejável redução nas ações judiciais. Os inúmeros estatutos, suas explicações, exceções e aplicações, as quais limitam o comércio de uma forma ou outra, serão então desnecessárias e silenciadas, e quando a lei for anulada, sua quebra não significará nada. “
 
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Re: Políticas para Portugal

por BearManBull » 20/1/2020 1:22

Bom texto, muito moderado e equilibrado,

Um estado social como o que defendes parece-me perfeitamente aceitável, embora acredite que seria mais proveitoso um estado social muito mais reduzido. Há muitas competências que podiam ser transferidas para o sistema privado com um estado a delegar muitas destas funções para seguradoras. A questão aqui seria regular de uma forma que se pode-se conciliar o lucro com o serviço social, no fundo seria restringir o lucro e obrigar a cumprir com os direitos dos cidadãos. Volto a referir o modelo Suíço como exemplo a seguir por exemplo na educação.

Na minha opinião não haveria grande problema se o estado social se restringe-se ao que referes no teu texto, saúde, educação, justiça e segurança mas na realidade em Portugal isso perfaz tão só uns 40% do orçamento de estado. O resto do dinheiro ninguém sabe ao certo o que lhe acontece. Não contentes agora querem inventar o estado planetário em que devemos taxar para cuidar do planeta, claro em quem mais por o dinheiro senão no estado para termos um planeta melhor! Não tivessem todas as guerras da humanidade sido iniciadas pelos estados, grande parte por estadistas com ideias gloriosas e progressistas pelo "greater good".

O sucesso nórdico resulta da grande aposta num sistema educacional dos melhores do mundo que claro acabou por dar frutos com algumas das empresas mais inovadoras do planeta. Ao mesmo tempo os nórdicos também têm facilidade de acessos a recursos energéticos e são muito capitalistas com um mercado ultra liberal paras as pessoas colectivas e com poucas taxas. Além disso têm uma boa constituição e desfrutam de níveis de corrupção de sonho.
Mas mesmo o paraíso está actualmente em apuros, com a economia estagnada o estado social no longo prazo acaba por se relevar.
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Re: Políticas para Portugal

por BearManBull » 20/1/2020 12:04

Já quanto a distinções entre liberal e libertário entendo o contexto mas para mim em termos de conceptuais autodenominar-se liberal e ser a favor de maior carga fiscal é um paradoxo. Aliás como quase tudo que vem da esquerda, acabamos sempre com inconsistências, vulgo hipocrisia.

No fundo não se pode denominar de liberal alguém só porque é a favor da lei do aborto e depois é a favor de maiores controlos de capital, seja por exemplo por taxas sobre riqueza.

Enfim a esquerda sempre foi manter no marketing e mesmo os comunistas sempre assumiram com libertadores e liberais.
Nos USA sabem que associar-se com palavra socialismo seria suicido político e então inventaram de auto intitular-se de liberais, mas no fundo não passam de socialistas vestidos de azul.


Portanto para mim só existe um tipo de liberal, aquele que zela pela liberdade completa dos indivíduos tomarem as suas próprias decisões, desde que as suas acções não tenham um impacto negativo nos demais. Portanto o primeiro grande princípio liberal é que a lei é igual para todos, como tal qualquer discriminação por credos, etnias e situação económica cai imediatamente fora do foro liberal e já é socialismo/conservadorismo.
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Re: Políticas para Portugal

por Opcard33 » 20/1/2020 12:43

Gostei do último parágrafo do Ifhm83 , fez me lembrar um livro que É um monumento , escrito em 1944 por Friedrich Hayek que foi Nobel da economia em 1974

“O Caminho para a Servidão“
 
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Re: Políticas para Portugal

por MarcoAntonio » 20/1/2020 13:06

lfhm83 Escreveu:Portanto para mim só existe um tipo de liberal, aquele que zela pela liberdade completa dos indivíduos tomarem as suas próprias decisões, desde que as suas acções não tenham um impacto negativo nos demais.


Isso virtualmente não existe, a não ser, claro, para quem se isole num qualquer canto do mundo, longe de tudo, longe da civilização. A humanidade é uma espécie social...

A questão é meramente o quanto afecta os outros e o quanto consideramos aceitável afectar. Em suma, como decidimos organizarmo-nos socialmente.

Por muito que custe, o mais sensato será decidi-lo entre todos. Porque um indíviduo não é uma ilha. Isto, enfim, é um facto incontornável...
Bons Negócios,
Marco Antonio
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1. Mais vale perder um ganho que ganhar uma perda, a menos que se cumpra a Segunda Lei.
2. A expectativa de ganho deve superar a expectativa de perda, onde a expectativa mede a
....amplitude média do ganho/perda contra a respectiva probabilidade.
3. A Primeira Lei não é mesmo necessária mas com Três Leis isto fica definitivamente mais giro.
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Re: Políticas para Portugal

por Opcard33 » 20/1/2020 13:22

MarcoAntonio Escreveu:
lfhm83 Escreveu:Portanto para mim só existe um tipo de liberal, aquele que zela pela liberdade completa dos indivíduos tomarem as suas próprias decisões, desde que as suas acções não tenham um impacto negativo nos demais.


Isso virtualmente não existe, a não ser, claro, para quem se isole num qualquer canto do mundo, longe de tudo, longe da civilização. A humanidade é uma espécie social...

A questão é meramente o quanto afecta os outros e o quanto consideramos aceitável afectar. Em suma, como decidimos organizarmo-nos socialmente.

Por muito que custe, o mais sensato será decidi-lo entre todos. Porque um indíviduo não é uma ilha. Isto, enfim, é um facto incontornável...


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Re: Políticas para Portugal

por MarcoAntonio » 20/1/2020 13:34

Mas qual visão chinesa, mas qual visão ocidental mas quais carapuças?

Opcard, com franqueza, mas para ti qualquer coisa que colida com a tua perspectiva leva logo com Pol Pots e mais não sei quê?

Ninguém ´e o centro do mundo coisa nenhuma a não ser na sua cabeça.



O mundo ocidental é grosso modo, tanto quanto me é dado a ver e na minha opinião, o que melhor o tem posto em prática. Por meio de processos democráticos ou mais ou menos democráticos, que não serão perfeitos, mas que até ver têm obtido os melhores resultados, é o que melhor tem posto em prática o que descrevo. Da ciência à política, para o mundo ocidental é claro que somos uma espécie social e que o justo e sensato é organizarmo-nos socialmente.
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2. A expectativa de ganho deve superar a expectativa de perda, onde a expectativa mede a
....amplitude média do ganho/perda contra a respectiva probabilidade.
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Re: Políticas para Portugal

por Opcard33 » 20/1/2020 14:17

MarcoAntonio Escreveu:Mas qual visão chinesa, mas qual visão ocidental mas quais carapuças?

Opcard, com franqueza, mas para ti qualquer coisa que colida com a tua perspectiva leva logo com Pol Pots e mais não sei quê?

Ninguém ´e o centro do mundo coisa nenhuma a não ser na sua cabeça.



O mundo ocidental é grosso modo, tanto quanto me é dado a ver e na minha opinião, o que melhor o tem posto em prática. Por meio de processos democráticos ou mais ou menos democráticos, que não serão perfeitos, mas que até ver têm obtido os melhores resultados, não tem feito outra coisa que não seja por em prática o que descrevo.


Não entender o2.º grau ... era esse o sentido quando falei de Pol Pot , depois contra-atacar no 1.º grau não é justo .

Na nossa civilização cada um de nós é o centro do mundo , para crentes ou não crentes estas Palavras “Criou Deus o homem à sua imagem,“ foi a base do que somos , valor determinante para chegar onde estamos .

Porque que pensas que tal não é possível no Islão ? La o homem é servo que não foi feito a imagem do seu Deus , por isso a grande dificuldade em impor a democracia e as liberdades .

Isto nada tem a ver com acreditar ou não é a nossa história e a nossa cultura .

Obs: 2.º grau nunca mais .
 
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