EDP - Contabilidade criativa
Brisa
A palavra imbecil é aqui uma "hipérbole"; Tomemo-la como figura de estilo. O reparo fica bem ao Ming. Tb não ficava mal repor a verdade em relação à forma como a Brisa contabilizou o valor da Edp. O visitante exagerou e deturpou gravemente a verdade. Acontece que a Brisa respondeu favoravelmente ao puxão de orelhas da CMVM e deixou-se de criatividades. Portanto a Brisa aqui veio a despropósito e isso irritou o Ming que à partida já devia estar irritado com o comportamento da SAG desde que a tem em carteira. Acontece a qualquer forense mortal e falível: um homem não é de ferro!
Pirata:
Eu não digo que seja ilegal. Aceito que seja.
Mas acho que é incorrecto, e é seguramente enganador em termos de prestação de informação.
No limite, uma participação "estratégica" numa PAD adquirida a 10 euros começa por nunca ter se ser provisionada e acaba por ser escondida com o tipo de mecanismo usado pelo CBI.
Uma participação "estratégica" numa Enrom ou Parmalat mantem-se com um valor contabilístico muito elevado até passar subitamente para ZERO e de repente os accionistas da empresa que detinha essa participação apercebem-se que a sua empresa tem um enormíssimo resultado negativo súbito - que de outra forma deveria ter sido distribuido por vários anos (ou pelo menos trimestres) de prejuizos mais suaves, e permitiria a esses accionistas uma avaliação muito mais correcta dos progressos REAIS da empresa.
Não sei o que pensas de levar directamente a reservas e resultados acumulados os custos de reestruturação e pagamento de indemnizações para redução de trabalhadores, ou as injecções de cash para manter os compromissos assumidos com complementos de reforma. Isso é muito semelhante ao problema de não realizar provisões para as "perdas estratégicas".
Devido a isto ser possível para os bancos portugueses, o BCP teve durante vários anos a fio prejuizos reais enquanto apresentava, em Portugal, lucros líquidos de mais de 100 milhões de contos.
(Que diabo, no final de 2003 tem "reservas e resultados acumulados" negativos de 1 608 835 000 euros! Como, se SEMPRE apresentou lucros chorudos?)
É claro que o IRC pago dava para perceber que os lucros apresentados era uma fantasia.
É claro que havia os relatórios apresentados à SEC, sempre com prejuizos enormes.
Até havia as recomendações e price targets extremamente negativos de algumas "casas de investimento" estrageiras.
Mas os investidores portugueses acreditavam nos resultados apresentados cá.
E eram esses que eram discutidos da forma superficial que se conhece pela imprensa portuguesa (até pela "especializada"...).
E por isso MUITOS investidores portugueses foram levados a comprar BCP a 6.40 euros (velhinhos prudentes e com experiência de vida, pensando que estavam a comprar uma empresa com um PER de 10, totalmente segura) e depois, tiveram de fazer sucessivas injecções de dinheiro no malfadado banquito, e viram as suas acções (na maior parte dos casos adquiridas a crédito) perder valor até aos 1.15 euros.
(E nota que esse tipo de investimento não tem nada a ver com um erro grosseiro de avaliação, como comprar PAD a 10, ou PTM a 140 durante uma bolha estúpida.)
Tudo isso resulta de normas contabilisticas que visam enganar os incautos, ao invés de visarem transmitir a realidade...
Eu não digo que seja ilegal. Aceito que seja.
Mas acho que é incorrecto, e é seguramente enganador em termos de prestação de informação.
No limite, uma participação "estratégica" numa PAD adquirida a 10 euros começa por nunca ter se ser provisionada e acaba por ser escondida com o tipo de mecanismo usado pelo CBI.
Uma participação "estratégica" numa Enrom ou Parmalat mantem-se com um valor contabilístico muito elevado até passar subitamente para ZERO e de repente os accionistas da empresa que detinha essa participação apercebem-se que a sua empresa tem um enormíssimo resultado negativo súbito - que de outra forma deveria ter sido distribuido por vários anos (ou pelo menos trimestres) de prejuizos mais suaves, e permitiria a esses accionistas uma avaliação muito mais correcta dos progressos REAIS da empresa.
Não sei o que pensas de levar directamente a reservas e resultados acumulados os custos de reestruturação e pagamento de indemnizações para redução de trabalhadores, ou as injecções de cash para manter os compromissos assumidos com complementos de reforma. Isso é muito semelhante ao problema de não realizar provisões para as "perdas estratégicas".
Devido a isto ser possível para os bancos portugueses, o BCP teve durante vários anos a fio prejuizos reais enquanto apresentava, em Portugal, lucros líquidos de mais de 100 milhões de contos.
(Que diabo, no final de 2003 tem "reservas e resultados acumulados" negativos de 1 608 835 000 euros! Como, se SEMPRE apresentou lucros chorudos?)
É claro que o IRC pago dava para perceber que os lucros apresentados era uma fantasia.
É claro que havia os relatórios apresentados à SEC, sempre com prejuizos enormes.
Até havia as recomendações e price targets extremamente negativos de algumas "casas de investimento" estrageiras.
Mas os investidores portugueses acreditavam nos resultados apresentados cá.
E eram esses que eram discutidos da forma superficial que se conhece pela imprensa portuguesa (até pela "especializada"...).
E por isso MUITOS investidores portugueses foram levados a comprar BCP a 6.40 euros (velhinhos prudentes e com experiência de vida, pensando que estavam a comprar uma empresa com um PER de 10, totalmente segura) e depois, tiveram de fazer sucessivas injecções de dinheiro no malfadado banquito, e viram as suas acções (na maior parte dos casos adquiridas a crédito) perder valor até aos 1.15 euros.
(E nota que esse tipo de investimento não tem nada a ver com um erro grosseiro de avaliação, como comprar PAD a 10, ou PTM a 140 durante uma bolha estúpida.)
Tudo isso resulta de normas contabilisticas que visam enganar os incautos, ao invés de visarem transmitir a realidade...
Earthlings? Bah!
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Ninguém sabe como vai ser. Os espanhois é que têm a siesta mas são os nossos deputados que passam o tempo a dormir e, ainda nem devem ter pensado no assunto. Deve estar na agenda, lá para Dezembro. É uma vergonha!
Se a assembleia fosse cotada, eu fazia uma OPA só para os pôr a todos na rua... e era com justa causa, hehehe.
Se a assembleia fosse cotada, eu fazia uma OPA só para os pôr a todos na rua... e era com justa causa, hehehe.
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não existe nenhuma comissão de estudo, para a implementação das normas em Portugal
Pelo o que tenho conhecimento existe uma comissão a tratar disso em portugal...
Eu estou preocupado!
Não tens nada que preocupar.. estamos em portugal!
Segundo me disseram n existe consenço entre a politica fiscal em portugal e as politicas que vao ser implementadas com as nics.
conclusao, os contabilistas vao ter que apresentar no final do ano 2 contabilidades...
...
Ao ler o comentário escrito pelo Sérgio Figueiredo fiquei...
Espero que não tenha a excelente ideia de publicar o artigo na próxima edição do Jornal de Negócios
Em relação ao artigo: NO COMMENTS!!!
Acho que quem escreveu o artigo, primeiro deve informar-se, MUITO BEM, sobre o que está a falar... e depois tecer comentários acerca do assunto.
E já agora se quiserem criticar alguém, CRITIQUEM o Governo e os partidos politicos. Isto porque, a Espanha tem desde há 2-3 anos uma comissão que estuda a IAS, com o objectivo de fazer a adaptação legal e contabilistica da IAS à prestação de contas das empresas em espanha.
Alguém sabe como "nós" vamos resolver o problema?
Eu não!
Alguém sabe como vamos implementar as IAS em Portugal?(não existe nenhuma comissão de estudo, para a implementação das normas em Portugal. Será que faremos copy paste das normas implementadas em Espanha, É QUE ISSO NÃO É POSSIVEL assim sem mais nem menos devido a diferenças legais e fiscais)
Eu estou preocupado!
Vou repetir algo que já disse em cima: em 2005 TODAS as empresas cotadas em bolsa, terão de prestar contas de acordo com a Normas Internacionais de Contabilidade.
Por isso é apenas uma questão de tempo...
Isto não é nenhuma critica a ninguém... é apenas um desabafo...(talvez ao artigo que li
)

Espero que não tenha a excelente ideia de publicar o artigo na próxima edição do Jornal de Negócios




Em relação ao artigo: NO COMMENTS!!!
Acho que quem escreveu o artigo, primeiro deve informar-se, MUITO BEM, sobre o que está a falar... e depois tecer comentários acerca do assunto.

E já agora se quiserem criticar alguém, CRITIQUEM o Governo e os partidos politicos. Isto porque, a Espanha tem desde há 2-3 anos uma comissão que estuda a IAS, com o objectivo de fazer a adaptação legal e contabilistica da IAS à prestação de contas das empresas em espanha.
Alguém sabe como "nós" vamos resolver o problema?
Eu não!
Alguém sabe como vamos implementar as IAS em Portugal?(não existe nenhuma comissão de estudo, para a implementação das normas em Portugal. Será que faremos copy paste das normas implementadas em Espanha, É QUE ISSO NÃO É POSSIVEL assim sem mais nem menos devido a diferenças legais e fiscais)
Eu estou preocupado!
Vou repetir algo que já disse em cima: em 2005 TODAS as empresas cotadas em bolsa, terão de prestar contas de acordo com a Normas Internacionais de Contabilidade.
Por isso é apenas uma questão de tempo...
Isto não é nenhuma critica a ninguém... é apenas um desabafo...(talvez ao artigo que li

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Ming
[quote="Ming"]Essa ideia de ser mais correcto afectar directamente os capitais próprios do que passar pela conta de resultados é gira.
Essa afirmação da boca da Dra. Manuela era compreensivel, agora de um fundamentalista, não consigo entender.
Como o Moz referiu a IAS 39 permite que o faça, e de facto contabilisticamente é o mais correcto. Porque é que uma participação estratégica deve ter o mesmo tratamento que uma operação de especulação?
De qualquer forma, e para ficares descansado, existe a obrigatoriedade de serem descriminadas nos anexos.
[quote="Ming"]Nessas condições torna-se fácil a uma empresa respeitar sempre as normas contabilisticas, apresentar sempre excelentes resultados anuais e ir alegremente à falência, tudo ao mesmo tempo...
Está-me a escapar qualquer coisa.. isso até aqui não era fácil nas SGPS´s??

Essa afirmação da boca da Dra. Manuela era compreensivel, agora de um fundamentalista, não consigo entender.
Como o Moz referiu a IAS 39 permite que o faça, e de facto contabilisticamente é o mais correcto. Porque é que uma participação estratégica deve ter o mesmo tratamento que uma operação de especulação?
De qualquer forma, e para ficares descansado, existe a obrigatoriedade de serem descriminadas nos anexos.
[quote="Ming"]Nessas condições torna-se fácil a uma empresa respeitar sempre as normas contabilisticas, apresentar sempre excelentes resultados anuais e ir alegremente à falência, tudo ao mesmo tempo...
Está-me a escapar qualquer coisa.. isso até aqui não era fácil nas SGPS´s??


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Repetí um unico link, por engano.
O segundo é:
http://www.negocios.pt/default.asp?CpContentId=232018
O segundo é:
http://www.negocios.pt/default.asp?CpContentId=232018
Earthlings? Bah!
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Não sou o Viana, e tenho a certeza que ele não precisa que o defendam, mas não podia deixar passar isto:
Mesmo vindo de um anónimo...
Suponho mesmo que uma participação tão imbecil (como é que se pode desdizer alguem que fez uma afirmação correcta, afirmando de forma frontal algo de tão estúpido e mentiroso?) deveria ter sido apagada pelos administradores do forum.
Para referência de quem quiser, deixo links para dois artigos sobre o assunto:
http://www.negocios.pt/default.asp?CpContentId=232018
http://www.negocios.pt/default.asp?CpContentId=232020
Podia procurar procurar o comunicado da Brisa sobre o assunto, e o texto da notificação original da CMVM, mas acho que o queixadas não merece o trabalho...
[/quote]
Informa-te melhor sobre o "erro" que a Brisa cometeu. O que a Brisa fez foi de bradar aos céus!....contabilizou a posição na EDP baseada no preço médio dos PRICE TARGETS e não na cotação média em bolsa como afirmas, a qual era à volta de 1,6x e a Brisa cotou-a a 2,06!!! Por isso no final de 2002 quando o pessoal estava à espera das puxadas de fim de ano....nikcles....a Brisa estava protegida a enganar os investidores.
Mesmo vindo de um anónimo...
Suponho mesmo que uma participação tão imbecil (como é que se pode desdizer alguem que fez uma afirmação correcta, afirmando de forma frontal algo de tão estúpido e mentiroso?) deveria ter sido apagada pelos administradores do forum.
Para referência de quem quiser, deixo links para dois artigos sobre o assunto:
http://www.negocios.pt/default.asp?CpContentId=232018
http://www.negocios.pt/default.asp?CpContentId=232020
Podia procurar procurar o comunicado da Brisa sobre o assunto, e o texto da notificação original da CMVM, mas acho que o queixadas não merece o trabalho...
[/quote]
Earthlings? Bah!
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- Registado: 20/11/2003 11:37
Ming Escreveu:Essa ideia de ser mais correcto afectar directamente os capitais próprios do que passar pela conta de resultados é gira.
Nessas condições torna-se fácil a uma empresa respeitar sempre as normas contabilisticas, apresentar sempre excelentes resultados anuais e ir alegremente à falência, tudo ao mesmo tempo...
Mas enfim, cada um que olhe para as coisas como quer!
Pois é Ming,
Mas é mesmo assim. De acordo com a IAS 39, a sociedade poderá optar entre fazer reflectir as variações a preços de mercado em resultados ou nos capitais próprios. Aliás, ainda não li o R&C do BCP, mas penso que no caso do Banco a evolução favorável da Situação Líquida ao longo do ano de 2003 dever-se-á sobretudo à subida dos mercados de capitais valorizando as posições estratégicas que o Banco tem em diversas sociedades.
Transcrevo o que diz a IAS 39 "Regarding other investments which are neither held-to-maturity nor trading (i.e., which are available for sale), IAS 39 offers reporting entities a choice of reporting methods, election of which is limited to initial application of the standard. An entity may elect to report these gains and losses either in income, or directly in shareholders' equity - being reported in the statement of changes in equity as set forth in IAS 1."
O que é interessante é que nos EUA isto já não é assim. "This position is in contrast, for example, with the requirement under the corresponding US standard (SFAS 133), which does not provide the option of reporting gains or losses from fair value changes on available-for-sale securities in current earnings."
Ou seja, faz muito mais sentido reportar estas variações nos capitais próprios do que nos resultados já que, sendo estratégica, perdurando ao longo de muitos (?) exercícios os resultados acabariam por ser afectados pelas flutuações dos mercados.
Quanto ao facto da empresa poder ir alegremente à falência é algo relativo, mas não tenho dúvidas que a contabilização das participações estratégicas em capitais próprios afectando a SL poderá ter igualmente dado o seu contributo para o tombo da SL do BCP nos últimos 2 exercícios...
Um abraço,
MozHawk
Ó meu amigo Viana!
Informa-te melhor sobre o "erro" que a Brisa cometeu. O que a Brisa fez foi de bradar aos céus!....contabilizou a posição na EDP baseada no preço médio dos PRICE TARGETS e não na cotação média em bolsa como afirmas, a qual era à volta de 1,6x e a Brisa cotou-a a 2,06!!! Por isso no final de 2002 quando o pessoal estava à espera das puxadas de fim de ano....nikcles....a Brisa estava protegida a enganar os investidores. Essa familia Mello são os maiores vigaristas que se encostaram ao estado para esmifrar tudo quanto podem
-
Queixadas
EDP
Se a CMVM não foi permeável a pressões, o mínimo que se pode dizer é que decidiu pegar na sua credibilidade, lança-la na fogueira e morrer queimada nas suas próprias e inacreditáveis contradições.
Ainda esta segunda-feira, um dos economistas mais respeitáveis deste país e um homem com uma seriedade à prova de bala, lamentava-se: "no nosso país é difícil uma entidade supervisora ser forte; os supervisionados têm muitas vezes mais força do que ela".
Silva Lopes, ao falar daquilo que designa de "captura do regulador pelo regulado", está a cometer uma enorme injustiça. Por exemplo, com a CMVM.
Porque não é verdade. O regulador do nosso mercado de capitais não se deixa "capturar" com essa facilidade. É uma infâmia afirmar isso. E até é intolerável admitir que isso possa acontecer com qualquer empresa cotada. É só com algumas. E não é sempre.
Lembra-se, certamente, do destaque que este jornal deu à atitude exemplar da CMVM, em pleno Agosto, por causa de um problema de provisões nas contas da Brisa?
E, se não se lembra, é preciso recordar agora a isenção e firmeza dos bravos administradores da CMVM, que correram o risco de desafiar a família Mello, obrigando-os a divulgar uma comunicação inédita ao mercado.
Porque a Brisa registara nas suas contas de 2002 a sua participação na EDP, através de uma método de avaliação que calculava a cotação média da eléctrica ao longo do ano. Quando a CMVM entendia, e bem!, que a provisão da menos-valia potencial devia ser realizada em função da cotação à data de 31 de Dezembro.
Pois a CMVM pôs a Brisa na ordem, a Brisa adoptou o método correcto daí para a frente e, por acaso, a Brisa até beneficiou com isso, por entretanto a EDP começou a recuperar algum terreno perdido em bolsa.
Embalada pelo sucesso dessa investida, e provavelmente por editoriais favoráveis, incluindo deste jornal, a CMVM virou-se para a Parpública, a "holding" instrumental do Estado, que tem uma posição accionista relevante na EDP, está cotada no mercado obrigacionista e, em circunstâncias iguais à da Brisa, também teve de divulgar um esclarecimento público.
Pelo meio, a CMVM lançava um conjunto de regras mais apertadas para os auditores, para os analistas e para o governo das sociedades cotadas, que ficou conhecido pelo Pacote de Transparência, e ao qual o Jornal de Negócios também decidiu dar ampla cobertura noticiosa.
Mas quem tanto elogiou a integridade, a imparcialidade e a coragem do CMVM, tem uma legitimidade reforçada para agora acusar a mesma CMVM de desmoralizar as suas práticas e aqueles que, como é o caso da imprensa especializada, têm o dever de as defender sem transigências.
Porque, se a CMVM não foi permeável a pressões, o mínimo que se pode dizer é que decidiu pegar na sua credibilidade, lança-la na fogueira e morrer queimada nas suas próprias e inacreditáveis contradições.
A EDP tem menos-valias potenciais no BCP e só não cometeu o mesmo erro da Brisa, porque o seu pecado é pior. As provisões não são insuficientes. Pura e simplesmente não existem.
A CMVM dá-se por satisfeita e atrapalha-se em explicações nada convincentes. Porque não é possível explicar o facto de as regras serem iguais para todos. Ser forte para os fracos e fraco para os fortes parece ser a nossa sorte de vida. Não é sorte. Mas é a nossa vida.
in CANAL DE NEGOCIOS
Ainda esta segunda-feira, um dos economistas mais respeitáveis deste país e um homem com uma seriedade à prova de bala, lamentava-se: "no nosso país é difícil uma entidade supervisora ser forte; os supervisionados têm muitas vezes mais força do que ela".
Silva Lopes, ao falar daquilo que designa de "captura do regulador pelo regulado", está a cometer uma enorme injustiça. Por exemplo, com a CMVM.
Porque não é verdade. O regulador do nosso mercado de capitais não se deixa "capturar" com essa facilidade. É uma infâmia afirmar isso. E até é intolerável admitir que isso possa acontecer com qualquer empresa cotada. É só com algumas. E não é sempre.
Lembra-se, certamente, do destaque que este jornal deu à atitude exemplar da CMVM, em pleno Agosto, por causa de um problema de provisões nas contas da Brisa?
E, se não se lembra, é preciso recordar agora a isenção e firmeza dos bravos administradores da CMVM, que correram o risco de desafiar a família Mello, obrigando-os a divulgar uma comunicação inédita ao mercado.
Porque a Brisa registara nas suas contas de 2002 a sua participação na EDP, através de uma método de avaliação que calculava a cotação média da eléctrica ao longo do ano. Quando a CMVM entendia, e bem!, que a provisão da menos-valia potencial devia ser realizada em função da cotação à data de 31 de Dezembro.
Pois a CMVM pôs a Brisa na ordem, a Brisa adoptou o método correcto daí para a frente e, por acaso, a Brisa até beneficiou com isso, por entretanto a EDP começou a recuperar algum terreno perdido em bolsa.
Embalada pelo sucesso dessa investida, e provavelmente por editoriais favoráveis, incluindo deste jornal, a CMVM virou-se para a Parpública, a "holding" instrumental do Estado, que tem uma posição accionista relevante na EDP, está cotada no mercado obrigacionista e, em circunstâncias iguais à da Brisa, também teve de divulgar um esclarecimento público.
Pelo meio, a CMVM lançava um conjunto de regras mais apertadas para os auditores, para os analistas e para o governo das sociedades cotadas, que ficou conhecido pelo Pacote de Transparência, e ao qual o Jornal de Negócios também decidiu dar ampla cobertura noticiosa.
Mas quem tanto elogiou a integridade, a imparcialidade e a coragem do CMVM, tem uma legitimidade reforçada para agora acusar a mesma CMVM de desmoralizar as suas práticas e aqueles que, como é o caso da imprensa especializada, têm o dever de as defender sem transigências.
Porque, se a CMVM não foi permeável a pressões, o mínimo que se pode dizer é que decidiu pegar na sua credibilidade, lança-la na fogueira e morrer queimada nas suas próprias e inacreditáveis contradições.
A EDP tem menos-valias potenciais no BCP e só não cometeu o mesmo erro da Brisa, porque o seu pecado é pior. As provisões não são insuficientes. Pura e simplesmente não existem.
A CMVM dá-se por satisfeita e atrapalha-se em explicações nada convincentes. Porque não é possível explicar o facto de as regras serem iguais para todos. Ser forte para os fracos e fraco para os fortes parece ser a nossa sorte de vida. Não é sorte. Mas é a nossa vida.
in CANAL DE NEGOCIOS
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Viana
Essa ideia de ser mais correcto afectar directamente os capitais próprios do que passar pela conta de resultados é gira.
Nessas condições torna-se fácil a uma empresa respeitar sempre as normas contabilisticas, apresentar sempre excelentes resultados anuais e ir alegremente à falência, tudo ao mesmo tempo...
Mas enfim, cada um que olhe para as coisas como quer!
Nessas condições torna-se fácil a uma empresa respeitar sempre as normas contabilisticas, apresentar sempre excelentes resultados anuais e ir alegremente à falência, tudo ao mesmo tempo...
Mas enfim, cada um que olhe para as coisas como quer!
Earthlings? Bah!
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- Registado: 20/11/2003 11:37
Ming
Retrocesso, porquê?
É muito mais correcto, nestes casos, afectar os capitais próprios do que os resultados.
Estas normas internacionais ainda não são perfeitas, mas em muitos casos vêm dar uma maior transparência às contas. Fazem lembrar muito a contabilidade americana, porque será?
É muito mais correcto, nestes casos, afectar os capitais próprios do que os resultados.
Estas normas internacionais ainda não são perfeitas, mas em muitos casos vêm dar uma maior transparência às contas. Fazem lembrar muito a contabilidade americana, porque será?
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- Registado: 3/12/2003 1:45
A respeito da comparabilidade
Apesar das NIC´s significarem um fortissimo avanço no que diz respeito à comparabilidade entre empresas, é de notar que para determinadas situações o IASB indica tratamentos de referência e ainda tratamentos alternativos, pelo que pode haver diferenças em procedimentos contabilísticos entre as diversas empresas.
Cumprimentos[/quote]
Cumprimentos[/quote]
O verdadeiro caracter de um Homem vê-se pelo modo como trata alguém que não lhe vai dar absolutamente nada!
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- Registado: 18/12/2002 16:30
- Localização: Seixal
Apenas acrescento o seguinte...
Segundo a IAS todas as participações consideradas estratégicas, são contabilizadas em investimentos financeiros(tal como no POC), a diferença está que segundo a IAS, todas as variações do justo valor da participação financeira(mais ou menos valias), são reflectidas em CP'. Sendo que, no momento da alienação da participação o saldo da conta de CP' é anulado por Proveitos (no caso de uma mais valia), ou por Custos (no caso de uma menos valia).
Segundo o POC, todas as variações do justo valor das participações estratégicas eram reflectidas em resultados.
A diferença está que, tratando-se de uma participação estratégica, e portanto algo que vai constar no balanço por um longo período de tempo, não é de bom senso que os resultados sejam afectados (positivamente/negativamente) ao longo dos exercícos. Segundo a IAS o resultado só é afectado no momento da alienação da participação estratégica.
Quanto às participações não estratégicas, temos que as variações do justo valor devem ser reflectidas directamente em resultados(tal como acontece de acordo com o POC).
(espero ter esclarecido alguma coisa
)
PS- As variações do justo valor, significam variações da participação face ao custo de aquisição.
Um abraço e
Bons negócios.
Segundo o POC, todas as variações do justo valor das participações estratégicas eram reflectidas em resultados.
A diferença está que, tratando-se de uma participação estratégica, e portanto algo que vai constar no balanço por um longo período de tempo, não é de bom senso que os resultados sejam afectados (positivamente/negativamente) ao longo dos exercícos. Segundo a IAS o resultado só é afectado no momento da alienação da participação estratégica.
Quanto às participações não estratégicas, temos que as variações do justo valor devem ser reflectidas directamente em resultados(tal como acontece de acordo com o POC).
(espero ter esclarecido alguma coisa

PS- As variações do justo valor, significam variações da participação face ao custo de aquisição.
Um abraço e
Bons negócios.
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Queixadas,
Comentarios ridiculos nem merecem resposta no entanto para que nao fiques preocupado posso dizer-te que já nao invisto na EDP a bastante tempo, alias, os meus ultimos trades em EDP foram curtos e bastante ganhadores por isso imagina la quando foi.
Quanto ao BCP, como o disse, entrei a 1.69Euros e ainda náo vendi... Se dizes que enfiar o barrete é estar a ganhar mais de 5%... Quero enfiar muitos barretes desses.
Comentarios ridiculos nem merecem resposta no entanto para que nao fiques preocupado posso dizer-te que já nao invisto na EDP a bastante tempo, alias, os meus ultimos trades em EDP foram curtos e bastante ganhadores por isso imagina la quando foi.
Quanto ao BCP, como o disse, entrei a 1.69Euros e ainda náo vendi... Se dizes que enfiar o barrete é estar a ganhar mais de 5%... Quero enfiar muitos barretes desses.

-
Viana
Na realidade não se trata de contabilidade criativa....
Acontece que a partir do exercício de 2005, todas as empresas cotadas em bolsa terão de apresentar os seus resultados de acordo com as normais internacionais de contabilidade (IAS- International Acounting Standards).
Uma vez que tem de existir comparabilidade na apresentação das contas de 2004 e 2005, a EDP resolveu apresentar as suas contas, a partir do exercíco de 2004, de acordo com a IAS, já a partir deste exercíco, cuja autorização foi aceite pela CMVM.
Em relação à Brisa a situação é diferente, visto que em 2002 as contas deviam ser apresentadas segundo o POC, por esta razão: "A CMVM obrigou a Brisa a corrigir as contas de 2002 por não concordar com o critério de contabilização da provisão para a EDP...".
Um abraço e
Bons negócios.[/quote]
Uma vez que tem de existir comparabilidade na apresentação das contas de 2004 e 2005, a EDP resolveu apresentar as suas contas, a partir do exercíco de 2004, de acordo com a IAS, já a partir deste exercíco, cuja autorização foi aceite pela CMVM.
Em relação à Brisa a situação é diferente, visto que em 2002 as contas deviam ser apresentadas segundo o POC, por esta razão: "A CMVM obrigou a Brisa a corrigir as contas de 2002 por não concordar com o critério de contabilização da provisão para a EDP...".
Um abraço e
Bons negócios.[/quote]
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