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off tópic.,.DOURO... património IMATERIAL ou MATERIAL

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por mcarvalho » 30/1/2012 15:23

Vale a pena ler, é "só" a Presidente da ICOMOS Portugal autores do relatorio da UNESCO
"Duvido que um super arquitecto resolva os problemas da barragem Foz Tua”


http://www.ionline.pt/portugal/duvido-c ... em-foz-tua

Lembro também que termina amanhã a consulta publica para as linhas de alta tensão que vão do Tua a Armamar


.Caros amigos,

Está em consulta publica a ligação da linha de Alta Tensão Tua- Armamar 400KV. Este é um dos temas guardados em segredo ao longo de todo o processo da Barragem do Tua...

Além da barragem ter impactos irreversíveis do Douro Vinhateiro, tal como o ICOMOS/UNESCO alertaram, imagine-se agora o Douro atravessado por postos de Alta Tensão, do Tua a Armamar.

Poderá consultar a documentação disponível nos Municipios e Freguesias afectadas, ou o resumo não técnico no site da Agência do Ambiente:
http://www2.apambiente.pt/IPAMB_DPP/publico/eia_cp.asp
http://www2.apambiente.pt/IPAMB_DPP/pub ... sp?id=1563
http://www2.apambiente.pt/IPAMB_DPP/docs/RNT2452.pdf


Deve enviar o seu parecer ou opinião ao Director da Agência Portuguesa do Ambiente, através dos emails geral@apambiente.pt, aia@apambiente.pt, ou por correio postal registado. Alertamos para o facto de em momentos anteriores, no decorrer de outras participações públicas, ter havido estranhos "problemas informáticos" que não permitiram a recepção de centenas de participações.

Assim, além do email, se tiverem oportunidade, sugiro que enviem a vossa participação também por carta registada. Até 31 de Janeiro de 2012, às 24h00. Participem!
Editado pela última vez por mcarvalho em 30/1/2012 18:21, num total de 1 vez.
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por mcarvalho » 30/1/2012 18:14

citações do texto:

Que impacto teria a desclassificação dessa zona?
Os impactos seriam desde logo a má imagem do incumprimento a que o Estado Português está obrigado a partir da altura em que ratificou a Convenção do Património Mundial, no início dos anos 80. Esse seria, claro, um dos impactos imediatos e bastante penalizadores, sobretudo na vigência de um governo que preza tanto o cumprimento dos compromissos internacionais. Não é, repito uma questão de gosto ou de acordo, é uma questão de dever, de cumprimento de regras que se aceitaram livremente. Outro impacto seria obviamente para a paisagem do Douro vinhateiro e esse seria ainda o mais grave porque se trata de facto de uma “jóia da coroa” e já não temos muitas.

As autoridades locais estão a fazer muita pressão para construir a barragem. Acha que normalmente o poder local está preparado para ver a importância da preservação do património?
Eu penso que estão preparados. Quando se trata de apresentar as candidaturas para obter os títulos e as classificações, vemos claramente que todas as pessoas atribuem um grande valor à preservação e salvaguarda do património, às vezes até com uma atitude de culto, como se o património pudesse resolver todos os problemas do momento. O caso do Douro não foi excepção.

Como se convence um presidente de câmara que não construir uma barragem será melhor do que construí-la?
Eu gostaria de perceber é como é que se convence um presidente de câmara ou de freguesia de que construir uma barragem é melhor do que não construir. Sobretudo, quando a sua utilidade é questionada abertamente por muitos especialistas.

O secretário de Estado já afirmou que o projecto terá de ser equacionado. Acha que a cultura neste governo e com a conjuntura actual de crise tem peso suficiente para impedir o projecto?
Não sei, mas a cultura nunca tem muito peso, não é só agora – houve muito poucas excepções na nossa História recente. Temos que aguardar para ver o que vai ser decidido e respondido à UNESCO e ao relatório do ICOMOS. Mas tenho dúvidas de que a contratação de um super-arquitecto de prestígio mundial (Souto Moura), consiga, como que por magia, resolver os graves problemas apontados no relatório do ICOMOS. Mais uma vez elege-se como solução, o projectista, em vez da adequação do programa!

O que pensa do desempenho deste governo e de Francisco José Viegas no que diz respeito ao património?
Não conheço o suficiente para me pronunciar. Acho que o caso do Douro foi muito mal gerido pelo governo anterior apostando na política do facto consumado e este governo não inflectiu a atitude e o comportamento errados do anterior.
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por Conquistador » 30/1/2012 23:52

Mcarvalho,podes ter toda a razão, mas este tópico é um monólogo... :oops:
Não leves a mal, mas a malta quase não tem que comer,achas que se vão preocupar com a barragem do Tua??? :roll:

Abraço
 
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por mcarvalho » 31/1/2012 0:04

Caro Conquistador

não levo a mal .. até te agradeço..

se fores ler os meus comentários .. ao longo de10 anos .. compreenderás. porque é que hoje .. muitos passam fome.. e quanto menos se preocuparem com aqulo que se passa e a barragem doTua é um exemplo

qulquer dia nem espaço nem ar têm..

sentes-te bem assim .. desistindo de tudo???

eu não.. sinto que tenho compromissos,, por isso cada vez mais gosto das galinhas que se preocupam com os pintaínhos.

obrigado pela oportunidade e
recordo mais uma vez

Primeiro, os nazistas vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, eu me calei. Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, eu não protestei. Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, eu me calei. Então, eles vieram buscar os católicos e, como eu era protestante, eu me calei. Então, quando vieram me buscar... Já não restava ninguém para protestar.
Martin Niemoller
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por Conquistador » 31/1/2012 0:12

Caro Mcarvalho,

Não desisto de nada, apenas de assuntos que não me dizem nada.
Citares Martin Niemoller em português do Brasil?Neste particular estás a preocupar-te com as galinhas ou com os pintainhos?

Abraço
 
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por mcarvalho » 31/1/2012 0:32

pintelhos.. caro conquistador.. que não te dizem nada

diz-me então o que é que diz alguma coisa para que eu te possa tentar ajudar.. se quiseres





ps mas diz-me .. porque lês este tópico? e sobretudo porque o comenmtas pela negativa.. porque não consegues contribuir pela positiva é?

não leve s a mal..
não podemos ir tao ao fundo.. preocupando-nos só conosco

o teu nick deveria ser era -- Perdedor
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por mcarvalho » 1/2/2012 18:37

http://www.greensavers.pt/tags/patrimon ... umanidade/


Tag Archive | "património da humanidade"
New York Times diz que o Douro “tem tanto a seu favor que chega a ser ridículo”
Posted on 31 Janeiro 2012. Tags: douro, NYT, património da humanidade, turismo, Vale do Douro, vinho


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“A região do Vale do Douro, em Portugal, tem tanto a seu favor que chega a ser ridículo”. Foi com este enorme elogio que o norte-americano The New York Times, um dos jornais mais influentes do mundo, começou este artigo



http://www.nytimes.com/2012/02/01/dinin ... imesdining
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por mcarvalho » 1/2/2012 22:18

http://pensar-ansiaes.blogspot.com/2012 ... entes.html


comentario

é um atestado de incompetencia e de 3º mundismo aos responsáveis locais...

como digo há muito..é comparável à Nigéria..

UMA VERGONHA.. para os Responsáveis e para os que neles votam............

e continuam as trapaças .. tudo às escondidas..


“Os Verdes” querem saber se tutela do Alto Douro Vinhateiro foi retirada à Cultura - Pergunta foi hoje entregue na Assembleia da República A resposta dada pela Secretaria de Estado da Cultura à pergunta de “Os Verdes” sobre o relatório do ICOMOS/UNESCO relativa à Barragem de Foz Tua (documento que anexamos) leva o PEV a questionar se o Alto Douro Vinhateiro (ADV) não estará a ser motivo de guerra interna dentro do Governo, na sequência da intervenção da UNESCO, motivada por uma queixa do PEV.
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por alexandre7ias » 8/2/2012 16:46

Acidente na Barragem do Tua causa quatro feridos
Publicado às 15.33

(Em actualização) - Quatro pessoas ficaram feridas num acidente de trabalho que ocorreu, esta quarta-feira, na Barragem do Tua.

Segundo o Comando Distrital de Operações de Vila Real, as quatro pessoas envolvidas no acidente não têm ferimentos graves.

Segundo a agência Lusa, quatro ambulâncias dos Bombeiros de Alijó estão a caminho do local.

Recorde-se que três operários das obras na Barragem do Tua morreram soterrados, no passado dia 26 de Janeiro, num acidente de trabalho.
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por mcarvalho » 8/2/2012 17:23

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/con ... id=2292161


(Em actualização) - Quatro pessoas ficaram feridas, uma delas com gravidade, num acidente de trabalho que ocorreu, esta quarta-feira, na barragem do Tua, no concelho de Alijó.


foto Eduardo Pinto/JN



Segundo apurou o JN, um dos feridos é grave, tendo os outros três trabalhadores envolvidos sofrido ferimentos ligeiros.

Fonte dos Bombeiros Voluntários de Alijó disse que o acidente ocorreu em São Mamede de Ribatua, concelho de Alijó, pelas 15.20 horas desta quarta-feira e que duas ambulâncias foram para o local.

Os quatro trabalhadores terão sido atingidos por pedras que caíram após um rebentamento com explosivos.As obras da barragem do Tua estão a decorrer entre os concelhos de Carrazeda de Ansiães e Vila Flor.

Recorde-se que três operários das obras na barragem do Tua morreram soterrados, no passado dia 26 de Janeiro, num acidente de trabalho.


o bond é meu...

comentário mais um acidente natural..

pena é sejam os desgraçados dos trabalhadores que vão ganhar só para comer e acabam por deixar a familia a morrer à fome... :( :(

os outros bem se enchem :roll:
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por mcarvalho » 18/3/2012 1:52

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php ... &id=541709
.
Bruxelas avalia impacto ambiental da barragem do Tua
01 Março 2012 | 11:52
Jornal de Negócios Online - negocios@negocios.pt
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Comissão Europeia irá questionar as autoridades portuguesas sobre as consequências do projecto nos "bens materiais e património cultural" da zona do Douro, património mundial da UNESCO desde 2001.
Num comunicado enviado à imprensa, o gabinete do eurodeputado Nuno Melo indica que Bruxelas mostra ainda dúvidas sobre a construção da nova barragem do Tua, nomeadamente sobre se foi ou não respeitada a legislação comunitária.

Em resposta ao deputado eleito pelo CDS-PP nas eleições europeias de Junho de 2009, a Comissão informou que irá esclarecer junto das autoridades de Lisboa “em que termos a avaliação de impacto ambiental abordou os impactos directos e indirectos do projecto, sobre os bens materiais e o património cultural da zona em que se encontra implantado, nos termos impostos pela directiva (...) relativa à avaliação dos efeitos de determinados projectos públicos e privados no ambiente".

O mesmo comunicado cita um relatório recente da ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios), “no sentido da existência de impactos negativos e graves do empreendimento” na região do Alto Douro Vinhateiro, classificado pela UNESCO em Dezembro de 2001.

As obras em curso para a construção da barragem, pela EDP, voltaram às notícias há menos de um mês, após dois acidentes com trabalhadores (envolvendo vítimas mortais) em menos de duas semanas. Na altura, a Autoridade para as Condições do Trabalho divulgou que iria abrir um inquérito.Partilhar
...............

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?ar ... &visual=49


Eurodeputado Nuno Melo diz que CE vai pedir esclarecimentos a Portugal

Lusa 01 Mar, 2012, 13:02



O eurodeputado do CDS-PP Nuno Melo divulgou hoje que a Comissão Europeia vai pedir esclarecimentos a Portugal sobre a barragem de Foz Tua, em construção no Nordeste Transmontano.



Numa nota à imprensa, o eurodeputado esclarece que as diligências de Bruxelas surgem na sequência de questões colocadas pelo próprio e visam "esclarecer junto das autoridades portuguesas se a legislação comunitária foi tida em conta" no processo de aprovação da barragem.

De acordo com Nuno Melo, "a Comissão Europeia irá esclarecer se foi respeitada a legislação aplicável da União Europeia e, em especial, em que termos a avaliação de impacto ambiental abordou os impactos diretos e indiretos do projeto".

Concretamente, segundo ainda o eurodeputado, Bruxelas quer saber se foram ponderados os impactos "sobre os bens materiais e o património cultural da zona em que se encontra implantado (o projeto), nos termos impostos pela diretiva relativa à avaliação dos efeitos no ambiente de determinados projetos públicos e privados".

Para Nuno Melo, "a Comissão Europeia reafirma desta forma a sua competência e a necessidade do respeito pela legislação comunitária, na execução de projetos desta natureza".

O eurodeputado lembra ainda a polémica em torno do impacto da barragem na paisagem do Alto Douro Vinhateiro Património da Humanidade e o relatório divulgado recentemente por um organismo da UNESCO, que dava conta da "existência de impactos negativos e graves do empreendimento".

O paredão da barragem de Foz Tua está a ser construído a cerca de um quilómetro do rio Douro e encontra-se no limite da zona classificada, segundo já explicou anteriormente a EDP, a concessionária da barragem.

Já a central elétrica localiza-se em plena área classificada e a EDP contratou o premiado arquiteto Souto Moura para "esconder" o equipamento nas entranhas das escarpas da margem direita do Tua.

A barragem de Foz Tua faz parte do plano nacional de barragens, começou a ser construída há um ano e tem conclusão prevista para 2015.

O empreendimento tem tido a oposição de ambientalistas e ativistas da linha do Tua, que se encontra desativada desde 2008 e vai ficar parcialmente submersa pela albufeira.

Na obra já se registaram três acidentes, o mais grave a 26 de janeiro, com a morte de três trabalhadores soterrados na derrocada de uma formação rochosa das encostas do Tua.

O rio Tua une, nesta zona, os distritos de Bragança e Vila Real, sendo que a margem esquerda pertence ao concelho de Carrazeda de Ansiães (Bragança) e a direita ao concelho de Alijó (Vila Real).
.............

obrigado Dr NUNO MELO.. pela SUA PREOCUPAÇÃO , CORAGEM NA DEFESA DE VALORES E PRINCÍPIOS E .. POR SER UM VERDADEIRO DEMOCRATA CRISTÃO

O SENHOR SEU PAI .. SENTIR-SE-Á SEMPRE ORGULHOSO DO EXEMPLO E EDUCAÇÃO QUE LHE TRANSMITIU

mario carvalho
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Chumbada linha de muito alta tensão entre Foz Tua e Armamar

por mcarvalho » 22/4/2012 12:09

Chumbada linha de muito alta tensão entre Foz Tua e Armamar
Inviabilização vai obrigar EDP a reformular o projeto
Por: tvi24 / CP | 22- 4- 2012 9: 31


Relacionados

Governo garante defesa de Douro património mundialDouro: Cultura dá parecer desfavorável

O ministério do Ambiente chumbou a linha de muito alta tensão entre a Barragem de Foz Tua e Armamar, de acordo com a Declaração de Impacto Ambiental (DIA) desfavorável ao projeto a que a Agência Lusa teve acesso.

A Declaração de Impacto Ambiental desfavorável refere que a linha «irá produzir impactos negativos muito significativos e não passíveis de minimização nas vertentes socioeconómicas, uso do solo, paisagem, bem como no património cultural, no que se refere ao Douro Património Mundial. Fatores esses que conduziram à inviabilização do projeto e vão obrigar a EDP a reformular o projeto.

Esta linha de transporte de energia, a construir no âmbito da Barragem de Foz Tua, ia atravessar o Alto Douro Vinhateiro (ADV), Património Mundial da UNESCO desde 2001.

O projeto da EDP, cuja fase de consulta pública terminou a 31 de janeiro, previa que as linhas de transporte de eletricidade a implantar fossem suportadas em postes (torres) de 44 metros e 64 metros de altura, atravessando vários quilómetros do ADV.

Os cabos de transporte de eletricidade passariam pelos concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães, na margem direita do rio Douro, e de São João da Pesqueira, Tabuaço e Armamar, na margem esquerda.

A DIA refere que, a nível do património cultural, a presença da linha produzirá, sobretudo na fase de exploração, um «impacto direto, negativo, de magnitude elevada, muito significativo e não minimizável» no ADV.

Em termos socioeconómicos, os impactos identificados prendem-se com questões referentes à ocupação de quintas, áreas de vinhas e destruição da paisagem.

O documento aponta ainda a inexistência de outras opções de corredores alternativos para a linha de muito alta tensão, o que limitou a análise de impactes e não permitiu uma apreciação comparativa com outros corredores.

Este projeto obteve um parecer negativo vinculativo por parte da Direção Regional da Cultura do Norte (DRCN).

A diretora regional Paula Silva propôs soluções alternativas que poderão passar pela «utilização de uma linha já existente», ou seja, que «o transporte de eletricidade seja feito através de uma linha já instalada». Ou então, acrescentou, «contornar a zona classificada», desviando a linha para norte. O objetivo é, salientou, preservar o Património Mundial.

Também a Estrutura de Missão do Douro se apôs à concretização do projeto.

A associação ambiental Quercus alertou para esta «nova atrocidade» para o Douro, decorrente das linhas de muito alta tensão, e anunciou mesmo que estava a preparar um documento como forma de alertar a UNESCO, em Paris.

É que, de acordo com a Quercus, a construção destas linhas vinha juntar-se à Barragem de Foz Tua, contribuindo para por em perigo a classificação do ADV.

Um relatório elaborado pela associação Icomos e divulgado em dezembro alertou que a construção dessa barragem terá «um impacto irreversível» e constituirá uma «ameaça ao valor excecional universal».

comentário

quero ver onde vão os postes e os cabos.. para "sentirem" aquela energia :roll:
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por BearManBull » 22/4/2012 15:46

Conquistador Escreveu:Mcarvalho,podes ter toda a razão, mas este tópico é um monólogo... :oops:
Não leves a mal, mas a malta quase não tem que comer,achas que se vão preocupar com a barragem do Tua??? :roll:

Abraço



Pois é uma pena que não se preocupem...


É por deixar-mos estas cenas acontecerem que o país está onde está... :evil:

O que se poderia tornar num ganha pão vai ser mais uma despesa e ainda por cima destrói-se património da humanidade.

O pior é que ninguém faz nada o comum dos tugas nem faz mínima ideia que está uma barragem a ser construída no Tua. E também diga-se de passagem que se estão pouco marimbando...
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MANIFESTO PELO TUA

por mcarvalho » 28/4/2012 1:06

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MARCELO REBELO DE SOUSA

por mcarvalho » 30/4/2012 14:59

MAIS UM APOIO


sobre a construção da barragem do Tua Marcelo Rebelo de Sousa salientou que preferia que nao se construísse,




http://www.youtube.com/watch?v=MjKMhIuNdWo
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por mcarvalho » 6/5/2012 13:10

http://visao.sapo.pt/paul-symington-est ... ro=f662704

Paul Symington: 'Está a fazer-se cada asneira no Douro!'
O maior produtor de vinho do Porto não esconde o desencanto pela forma pouco planeada como tem sido gerida a região duriense. E avisa que ganhar prémios não garante a sustentabilidade do Douro, nem a das empresas.
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por mcarvalho » 18/5/2012 21:42

Actualização em

http://pensar-ansiaes.blogspot.pt/

http://viametrica.blogspot.pt/

Sexta-feira, 18 de Maio de 2012«EDP parece que continua a mandar neste Governo»

um social democrata

............



Quem pagará o alargamento e aprofundamento do canal navegável junto à Foz do Tua? Os chineses da EDP, ou mais uma vez o Zé Contribuinte?



"Desde já alerta-se para a eventual necessidade do alargamento e aprofundamento do canal navegável nesta zona [junto à foz do Tua], de forma a criar condições de segurança à passagem das embarcações na mesma", avisava então Miguel Sequeira. Que acrescentava que só com aquela obra se pode assegurar a manutenção da navegabilidade do Douro. Contudo, essas obras não têm ainda um prazo de concretização.

Link: http://cidadanialx.blogspot.pt/2012/05/ ... ectar.html (via shareaholic.com)


E que diz a mais esta trapalhada provocada pelo ruinoso projeto da barragem do Tua o nosso inSeguro Hollande? Que já pediu ao Pritzker para resolver o assunto? Submarinos no Douro em vez dos obsoletos Barcos Rabelo? Um Hotel de Coelhinhas Hyatt em frente ao paredão da barragem? Ah bom...

OAM


Sobre o prestígio pacóvio do Pritzker Prize (que por acaso, só por acaso, foi este ano para um... arquitecto chinês) aqui vai uma história sobre a nascente hoteleira do dito prémio:



"On August 6, 2009, it was reported that Hyatt Hotels Corporation filed plans to raise up to $1.15 billion in an initial share sale. On November 4, 2009, Hyatt completed an initial public offering and began trading publicly on the New York Stock Exchange under the symbol H. [8] According to the filing, Mark S. Hoplamazian will serve as CEO and Thomas Pritzker will serve as Executive Chairman.[9] The public offering is a result of the breakup of the Pritzker family empire. Accused of looting family trusts, Thomas and cousins Penny and Nicholas were forced to wrest control of the family businesses when she and other family members were sued by cousin Liesel Pritzker claiming fraud and seeking damages in excess of $6 billion.[10]

On August 31, 2009 three Hyatt hotels in Boston laid off their entire housekeeping staffs, outsourcing the work to a Georgia company creating strong public backlash.[11] Massachusetts Governor Deval Patrick threatened a boycott of the hotels by state employees traveling on official business.[12][13] The housekeepers, who were fired without previous notice although some of them had worked for the Hyatt for over 20 years, became collectively known as the Hyatt 100. In December 2009, Hyatt was named the "Massachusetts Scrooge of the Year" by Jobs with Justice."

http://en.wikipedia.org/wiki/Hyatt


http://o-antonio-maria.blogspot.pt/


.............

O deputado do PSD Leitão Amaro afirmou que os sociais-democratas questionaram o Governo anterior sobre esta matéria, mas que foi o executivo socialista que "insistiu em avançar" e, "mais grave, decidiu antecipar a receita e deixar do lado do Estado mais de 600 milhões de euros, que foram pagamentos antecipados".
Isso implica que "se cancelamento de qualquer das barragens for feito" que "os contribuintes portugueses" têm que devolver esse montante, "com penalizações e indeminizações, às empresas que o pagaram".
Link: http://www.dn.pt/politica/interior.aspx ... 86&page=-1 (via shareaholic.com)


.............


O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) pediu à REN e à Direção-geral de Energia documentação relativa a contratos entre o Estado e a EDP. O Ministério Público está a fazer uma averiguação preventiva a esses contratos, conforme confirmou à TVI a procuradora Cândida Almeida.

Por portaria de 15 de junho de 2007, o Estado alargou por 26 anos os direitos da EDP de exmplorar duas dezenas de barragens, encaixando 759 milhões de euros. Os ministros Manuel Pinho e Nunes Correia fundamentaram esse valor com base nas avaliações de duas instituições bancárias, a Caixa Investimento e o Crédit Suisse.

Mas a Endesa, maior barragista espanhola, acha que deveria ter havido concurso público.

O DCIAP pediu agora à REN e à Direção-geral de Energia documentação relativa aos contratos do estado com a EDP, quer no que toca à concessão de barragens, quer no que toca aos contratos de manutenção de equilíbrio contratual, que determinam fluxos financeiros entra e EDP e os consumidores de electricidade.

A coordenadora do departamento, Cândida Almeida, referiu à TVI que, depois de analisar esses documentos, decidirá se instaura um inquérito criminal.

A TVI sabe que já foram ouvidas várias personalidades com informação sobre a matéria em análise.

A EDP não faz comentários. o ex-ministro Manuel Pinho, contactado pela TVI, também não. Já o então ministro do ambiente, Nunes Correia, referiu que o processo, de cuja lisura não tem dúvidas, foi liderado pelo Ministério da Economia e que a intervenção do Ministério do Ambiente se deveu ao quadro regulamentar de que se orgulha, introduzido pela Lei da Água.

Link: http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---e ... -5797.html (via shareaholic.com)

............
mcarvalho
 
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por mcarvalho » 18/5/2012 21:44

Garganta a mais, Governo a menos?
15 Maio 2012 | 23:30
Rui Neves - ruineves@negocios.pt
Os Senhores dos Anéis não brincam em serviço. "Tirem as patas de cima", proclamam, nos bastidores, angolanos e chineses. E nós obedecemos. Entregues as jóias, os dedos ficam a abanar. Sem estratégia, sem dinheiro e sem orgulho, vamos perdendo a nossa identidade.
Os Senhores dos Anéis não brincam em serviço. "Tirem as patas de cima", proclamam, nos bastidores, angolanos e chineses. E nós obedecemos. Entregues as jóias, os dedos ficam a abanar. Sem estratégia, sem dinheiro e sem orgulho, vamos perdendo a nossa identidade. Mas há limites a partir dos quais Portugal deixa de ser Portugal. Responsáveis pelo estado económico-financeiro a que este País chegou, não podemos – não devemos – deixar para os nossos filhos a mais pesada das heranças: um território ferido de morte.

Tanta conversa para quê? Vamos ao ponto: segundo a edição de ontem do "Público", o Comité do Património da UNESCO vai exigir, no final do próximo mês, a paragem imediata das obras de construção da Barragem de Foz Tua, solicitar uma missão conjunta de análise à situação da área de paisagem classificada do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial e remeter um relatório até ao final de Janeiro próximo. Alerta vermelho: em regra, todas as propostas são aprovadas.

A construção da obra tem um "impacto irreversível e ameaça os valores" que determinaram a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial, considera a UNESCO, que acusa as autoridades portuguesas de deslealdade, pois "o projecto da barragem – embora previsto no Plano Energético Nacional de 1989 e no Plano de Bacia Hidrográfica do Douro de 1999 – nunca foi mencionado no dossiê de candidatura". Ou seja, também nesta matéria, os sucessivos governos foram garotos: omitiram ou esconderam os problemas, deixando para os vindouros a resolução dos mesmos.

Curiosamente, a chefe da Estrutura de Missão do Douro, que devia ter como missão primeira "manter o valor" que levou à classificação de Património Mundial tão extraordinária paisagem vitícola, mostra-se agora "muito preocupada" com a posição da UNESCO. Mas logo acrescentou que o Douro Vinhateiro "não é nenhum fóssil", acreditando "que é possível compatibilizar as coisas". Mais valia estar calada. O tempo das compatibilizações já passou. Não foi a UNESCO que reconheceu, por decreto universal, o reconhecimento desta paisagem como Património da Humanidade – fomos nós que solicitámos tão distinta classificação, pelo que só temos que cumprir as regras.

É claro que o Estado está numa péssima situação para decidir pela paragem das obras. Por todas as razões financeiras e mais uma: o poder na EDP agora fala mandarim. E, não tenhamos dúvidas, a China Three Gorges está-se nas tintas para o Douro Vinhateiro. Lembre-se que esta empresa foi fundada pelo governo chinês para construir e gerir o maior complexo hidroeléctrico do mundo – a barragem das Três Gargantas, no rio Yangtze, tendo retirado do local 1,3 milhões de pessoas e deixado debaixo de água uma gigantesca paleta de sítios de interesse arqueológico. Isto só foi possível, só deverá ser possível fazer, num regime ditatorial. Mas aqui ainda se vive em democracia. Portuguesa, pois então. Será que o Governo é Governo só de garganta?
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por mcarvalho » 18/5/2012 21:47

Hoje no Parlamento“Os Verdes” afirmam - parar a Barragem de Foz Tua já é imperativo nacional Hoje, na Assembleia da República, a Deputada ecologista Heloísa Apolónia, proferiu uma intervenção sobre a proposta de deliberação que a UNESCO leva para discussão e votação na próxima reunião do Comité Mundial, que reúne de 24 de Junho a 6 de Julho, em S. Petersburgo, relativamente à Barragem de Foz Tua e o Alto Douro Vinhateiro. Esta proposta, sustentada no relatório do ICOMOS, nos diversos alertas e documentação encaminhada por “Os Verdes” e também na débil resposta do Governo português às solicitações desta organização internacional, pede a paragem imediata das obras da Barragem do Tua e de todas as infraestruturas associadas, devido aos seus impactos irreversíveis no Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial da Humanidade, que não foram avaliados, acusa a UNESCO. Heloísa Apolónia referiu ainda que, no documento, a UNESCO aponta o dedo ao Estado português por este, tanto no tempo do PS como no do PSD, nunca ter informado previamente a UNESCO da intenção de construção desta Barragem e suas infraestruturas, e de ter começado as obras, em Abril de 2001, sem informação prévia. Para a Deputada ecologista, esta é uma atitude que denota má-fé e que mancha o Estado português face às obrigações que assumiu aquando da ratificação da Convenção do Património Mundial. Heloísa Apolónia acusou ainda o atual Governo de não só não impedir a construção da Barragem como de continuar a omitir informação obrigatória, tal como é o caso das Linhas de Alta Tensão, ou das alterações ao Projeto, das quais, apenas através do PEV, a UNESCO teve conhecimento. A Deputada ecologista alertou também para a possibilidade do Alto Douro Vinhateiro vir a integrar a lista negra das Classificações Mundiais caso a construção desta Barragem não pare. Por isso, considerou imperativo parar as obras para salvar o Alto Douro Vinhateiro. “Os Verdes” registam, da reação da bancada do Governo à sua intervenção, a reafirmação de que “tudo farão para salvar o Alto Douro Vinhateiro”, tal como o Secretário de Estado da Cultura já tinha anunciado aquando da sua vinda a plenário em Dezembro de 2011, por iniciativa do PEV, para debater esta matéria. No entanto, “Os Verdes” não podem deixar de comentar que estas declarações são contraditórias com outras proferidas pela Ministra do Ambiente e pelo Ministro da Economia, também em sede parlamentar. Com vista a esclarecer tudo isto, “Os Verdes” anunciaram o pedido de vinda da Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território à Assembleia da República e a apresentação de um Projeto de Resolução que recomendará ao Governo a paragem imediata da construção da Barragem de Foz Tua. As intervenções da Deputada Heloísa Apolónia podem ser vistas nos links http://youtu.be/wRwJOffd-Tw e http://youtu.be/hH_dugPvbos. O Grupo Parlamentar “Os Verdes” O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)www.osverdes.pt



http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---e ... -5797.html

O DCIAP está a investigar os contratos do Estado com a EDP relativos à exploração de duas de barragens e aos CMEC, avança a TVI.
O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) pediu à REN e à Direcção-geral de Energia documentação relativa a contratos entre o Estado e a EDP sobre a concessão de barragens e os contratos de manutenção de equilíbrio contratual (CMEC). O Ministério Público está a fazer uma averiguação preventiva a esses contratos, confirmou à TVI a procuradora Cândida Almeida.
A procuradora adiantou ainda que, depois de analisar esses documentos, decidirá se instaura um inquérito criminal.
Por portaria de 15 de Junho de 2007, o Estado alargou por 26 anos os direitos da EDP de explorar duas dezenas de barragens, encaixando 759 milhões de euros, Na altura, os ministros Manuel Pinho e Nunes Correia fundamentaram esse valor com base nas avaliações de duas instituições bancárias, a Caixa Investimento e o Crédit Suisse. A espanhola Endesa acha, porém, que deveria ter havido concurso público.
Várias personalidades com informação sobre a matéria em análise foram já ouvidas, avança o canal.
Contactados, a EDP e ex-ministro Manuel Pinho não quiseram prestar comenários. Nunes Correia, então ministro do Ambiente, referiu que o processo foi liderado pelo Ministério da Economia e que a intervenção do Ministério do Ambiente se deveu ao quadro regulamentar de que se orgulha, introduzido pela Lei da Água.


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Regresso ao mundo real: o irrealismo de uma barragem
Por José Manuel Fernandes - Público 18 de Maio A barragem de Foz Tua não é apenas um atentado cultural e ambiental: é também uma irracionalidade económica






Tenho sorte: viajei em tempos na Linha do Tua. Posso por isso testemunhar o que era esta linha ferroviária única - única em Portugal, única no Mundo. E recordar um vale que está quase a deixar de o ser. Troço esquecido da rede ferroviária nacional, ramal em via estreita apenas percorrido por toscas automotoras que transportavam raros passageiros de uma região em rápido despovoamento, a Linha do Tua e o vale do mesmo rio estão hoje a ser vítimas da ignorância arrogante de quem por ali nunca perdeu as botas. Vítimas sob a forma de uma barragem decidida pelo pior género de tecnocratas: os que estão sempre no poder.

Percorri pela primeira vez a Linha do Tua há uns 25 anos, numa época em que o comboio já só ligava Foz Tua a Mirandela e ainda ninguém falava de desenvolvimento turístico. Nunca mais me esqueci do assombro que era mergulhar naquele desfiladeiro. "A garganta, estreita e alta, parecia inacessível" - escrevi na altura, numa reportagem para o Expresso. "De ambos os lados, as margens são abruptas, quase verticais, rochosas e escalavradas. No fundo corre, torturado, o rio, e quase sentimos vertigens quando nos debruçamos da janela do comboio. A linha, estreita e curvosa, parece correr numa prateleira em precário equilíbrio sobre o precipício, afundando-se, aqui e além, em túneis britados nos rochedos".

Sabemos como anos de abandono foram condenando esta ligação ferroviária. Vimos, nas televisões, reportagens que nos mostravam como, por falta de manutenção, os carris foram perdendo os parafusos que os prendiam às velhas travessas de madeira. E não nos esquecemos das imagens de uma carruagem tombada sobre o leito do rio revolto depois de um fatal acidente. Condenaram, primeiro, aquela ferrovia à morte. Agora querem condenar ao afogamento todo o vale. Volto à minha descrição:

"Aqui a garganta aperta-se, além distende-se, até que, no momento em que os desfiladeiros se agigantam, sabemos que estamos nas Fragas Más. Logo adiante, de surpresa, ao sair de um cotovelo, surge-nos, pousada numa dobra de um monte, uma pequena povoação: é Amieiro e estamos a chegar à estação de Santa Luzia. Pela primeira vez desde há longos minutos vemos sinais de gente e de vida, descortinamos uma barcaça lá em baixo, cruzando o rio, e, meia dúzia de metros acima, na ponta de um caminho pedregoso, apercebemo-nos de um pequeno telheiro de madeira sem função aparente. Olhamos com mais atenção e, mesmo a nossos pés, suspenso sobre o abismo, uma espécie de caixote cruza o desfiladeiro: é o teleférico, isto é, o primitivo e engenhoso vaivém que, sustentado por cordas, liga as duas margens, aproximando a estação da povoação. Afinal, o telheiro é a cabina de embarque, o caixote a barca de transporte - e nós somos habitantes do país de Liliput".

Esta descrição só pecará por defeito e falta de engenho. O valor cénico do vale e da Linha do Tua dificilmente cabe em meia dúzia de linhas. Mas preparam-se para o destruir para sempre.

O Programa Nacional de Barragens, aprovado em 2007 pelo anterior Governo, foi uma daquelas megalomanias que ajudaram a mascarar o défice e atiraram para o futuro muitos custos e rendas. Devia estar de novo em discussão, mas poucos se ocupam disso e também não o farei agora. Só me interessa um dos seus filhotes: a barragem de Foz Tua. Aquela cuja construção, soubemos esta semana, a UNESCO quer mandar parar em nome da preservação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial. Valha-nos a UNESCO - e espere-nos que nos valha alguém de bom senso que, no Governo, lhe dê ouvidos.

A construção daquela barragem violenta a paisagem classificada (e a paisagem não classificada). Ou, como diz mais polidamente a UNESCO, tem um "impacto irreversível e ameaça os valores" que estiveram na base da sua classificação como património da humanidade. E o pior é que só num país de parolos e provincianos se pode pensar que os males feitos à paisagem poderiam algum dia ser mitigados entregando uma parte da obra ao lápis de um arquitecto premiado (Eduardo Souto Moura), a quem a EDP pagará o que for necessário para dar verniz ao empreendimento. Nunca será mais do que verniz, só que com chancela de um bonzo da cultura indígena.

O crime da barragem de Foz Tua é tanto maior quanto pensamos na sua escassa utilidade. Representa um investimento de pelo menos 300 milhões de euros, mas que apenas contribuirá com 0,1 por cento da energia primária nacional. De lá só sairá 0,6 por cento da electricidade necessária ao consumo do país e com a sua construção só se poupará 0,1 por cento das importações de petróleo. É nada, o que significa que se Foz Tua terá uma contribuição insignificante para a resolução dos nossos problemas energéticos, terá custos elevadíssimos em termos patrimoniais, culturais e ambientais. O balanço é tão negativo que só não vê quem insiste na cegueira.

Como se escrevia num recente Manifesto pelo Vale do Tua que subscrevi, esta barragem é também inútil, pois as metas de capacidade instalada estabelecidas no Programa Nacional de Barragens já foram atingidas, não sendo necessárias barragens novas, para além de ser cara e ir pesar na factura a pagar pelos consumidores de electricidade. Mais: é um "atentado social", pois tornará ainda mais pobre uma região já sacrificada, inviabilizando as perspectivas de desenvolvimento turístico do Vale do Tua, que muito poderia beneficiar, e potenciar, o turismo no vale do Douro, que tem evoluído positivamente. Tanto mais que "criar um emprego permanente no turismo é 11 (onze) vezes mais barato que um emprego na barragem", como se escreve nesse documento.

Pessoalmente até gosto de barragens e conheço por dentro algumas que são maravilhosas obras de engenharia, como a do Alto Lindoso, no rio Lima, ou da Aguieira, no Mondego. Mais: sei que aproveitar o potencial hidroeléctrico é fundamental para equilibrarmos o nosso sistema energético. Mas não me deixo deslumbrar. Os melhores locais para instalar barragens há muito que estão ocupados, muito já foi feito e muito ainda se poderá fazer para melhorar a rentabilidade das barragens existentes e há numerosas medidas de política energética que têm mais rentabilidade e implicam menos investimento do que barrar mais rios com muros de cimento. Por isso, da mesma forma que se suspendeu a construção de novas auto-estradas onde raramente passavam automóveis, interrogo-me por que não se suspende igualmente a construção de barragens de tão baixa voltagem e tão grandes impactos como a da Foz Tua.

É talvez altura de Francisco José Viegas, que é um homem do Douro, provar que não tem falta de peso político por não ser ministro. Ou de Álvaro Santos Pereira se recordar de algumas das coisas que escreveu no livro que publicou algumas semanas antes de ir para ministro, onde defendia um modelo de desenvolvimento para Portugal que não passava por mais cimento, antes pelo tipo de desenvolvimento local que uma obra como a da Foz Tua compromete de forma irreversível. O que se pede ao Governo não é que "preste esclarecimentos" à UNESCO, é que se antecipe à decisão do UNESCO e decida ele mesmo a paragem das obras.

Para crimes ambientais e culturais já nos basta a vizinha barragem do Sabor.
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por mcarvalho » 18/5/2012 21:48

Pare-se!
É uma vergonha que seja preciso vir a UNESCO mandar parar as obras da Barragem do Tua sob a ameaça de o Alto Douro Vinhateiro perder a classificação de Património Mundial.


htwww.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/manuela-moura-guedes/pare-se


e


uma homenagem ao Ricardo e a tantos outros.. Dario

http://aventar.eu/2012/05/15/o-projecto ... -integral/



Assunção Cristas

dia 21 .. 21H 30 ..

http://clubedospensadores.blogspot.pt/


Nuno Melo considera a barragem do Tua .. um crime .. e ela??
Editado pela última vez por mcarvalho em 18/5/2012 22:13, num total de 2 vezes.
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è com grande orgulho

por mcarvalho » 18/5/2012 21:53

que grande parte da História triste deste belo país de 1000 anos, destruida por meia duzia de crápulas ..

ficará registada no Caldeirao de Bolsa

obrigado a todos

mcarvalho
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por mcarvalho » 18/5/2012 23:15

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/notic ... es/pare-se


Quarto Poder

Pare-se!
É uma vergonha que seja preciso vir a UNESCO mandar parar as obras da Barragem do Tua sob a ameaça de o Alto Douro Vinhateiro perder a classificação de Património Mundial.

1h00
Nº de votos (9) Comentários (0) Por:Manuela Moura Guedes, Jornalista






Já havia a humilhação de o País precisar de tutela estrangeira por não saber governar o que é seu, agora, somos considerados uns selvagens por não cuidar, pior, por estragar uma riqueza única, irrepetível, das poucas que o País tem. Portugal só tinha que não lhe mexer, mas, se o quisesse fazer, tinha de informar a UNESCO. Em troca, a 1ª Região de Vinho Demarcada do Mundo abria um campo enorme para o Turismo. Em 10 anos, as dormidas na zona aumentaram de 40 mil para 400 mil e sem grandes esforços de marketing, simplesmente porque passou a ser classificada pela UNESCO.

É isso que vamos perder se não pararem já as obras da barragem. Não se trata de optar entre uma visão ambientalista e outra económica. A barragem é um disparate como é todo o Plano Nacional de Barragens, que vai custar aos consumidores da luz cerca de 16 mil milhões a troco de mais 3 por cento de energia. A do Tua nem chega a mais 0,5. Um projecto avançado na era Sócrates, que não serve para consumo de água nem para rega, só a pensar nas receitas esperadas pelos concessionários. O Estado, ou seja, todos nós, não ganha nada com isto, pelo contrário. Até a navegabilidade do Douro foi posta em causa no Estudo de Impacte Ambiental, que não foi levado em conta. Saltou-se por cima de tudo, num processo em que este Governo passou a ser cúmplice, em que a ministra do Ambiente, com a palavra decisiva sobre a barragem, não existe.

Cristas é mais sensível aos vários interesses em jogo. Mandou cortar sobreiros e azinheiras, inventou "um paredão imenso" para avançar com a obra, e, mesmo com a exigência da UNESCO, ficou em silêncio. Tal como Passos Coelho, que ainda não percebeu que uma das estratégias de crescimento para o País passa pelo Turismo, o que não joga com IVA suicidas nos restaurantes e barragens assassinas de paisagens únicas. Muito mais do que os Ronaldos e Mourinhos, que estão lá fora, a imagem de Portugal vende-se com carimbos como os da UNESCO, que fazem entrar muitos milhões no País... Também por isso, obviamente, pare-se a barragem
mcarvalho
 
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