UBS lucra com investimento nas acções que recomenda
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UBS lucra com investimento nas acções que recomenda
UBS lucra com investimento nas acções que recomenda
O banco suíço segue 14 empresas na Bolsa de Lisboa e tem participações em nove. Em alguns casos, as duas situações confundem-se: a UBS recomenda o investimento em acções de uma sociedade em que detém uma posição. Existe a separação entre a área de investimento e a de análise, mas os factos mostram que os conselhos resultam em ganhos para o banco
Pedro Ferreira Esteves
O "efeito UBS". Este é um termo que entrou recentemente no léxico de quem acompanha a actualidade da Bolsa de Lisboa. E traduz a influência positiva que as recomendações do banco suíço tem nas acções das empresas que analisa. Nalguns casos, a UBS também detém participações no capital dessas empresas. E o "efeito UBS" acaba por resultar em lucros obtidos com a valorização dessas participações.
Dois casos saltam à vista na actuação do banco suíço nos últimos meses. A compra e venda de acções da PT durante este mês, intervalada por uma recomendação positiva da UBS, resultou em ganhos na ordem dos 700 mil euros. E a colocação de 25 milhões de títulos do Banif, após as subidas provocadas pelas recomendações do banco suíço, rendeu mais 8,75 milhões de euros (ver caixas) para o banco de Horácio Roque. Noutros casos, a valorização das posições também se verifica, mas não é traduzida em ganhos reais, uma vez que a UBS mantém as participações inalteradas.
Actualmente, a UBS acompanha - através das suas análises - 14 cotadas portuguesas e tem participações em nove sociedades: Altri (mais de 10%), Cofina (mais de 5%), PT (4%), Media Capital (3,8%), EDP (2,3%), BCP ( 2%), Reditus (2%), Mota-Engil (1,9%), Teixeira Duarte (1,9%) e Sonae SGPS (0,08%). Em seis destas cotadas, a UBS acumula a análise (através de recomendações e preços-alvo) e o investimento (com participações no capital). E, na maior parte destes casos, as opiniões dos analistas do banco suíço têm tido um impacto positivo de relevo. Por exemplo, a Mota-Engil atingiu o máximo histórico depois de uma recomendação de "compra" pela UBS. O mesmo aconteceu com a Altri e com a Teixeira Duarte. "A estratégia da UBS está bem feita: pegaram num segmento de pequenas empresas, com pouca liquidez, onde o efeito das suas recomendações - muitas vezes, as únicas - se faz sentir. E, assim, ganha notoriedade", explicou um analista português que pediu para não ser identificado. Refira-se que, num balanço feito no início deste ano pelo DN, os preços-alvo definidos pela UBS nos primeiros meses de 2006 não foram atingidos em nenhum dos seis casos recolhidos na amostra.
Conflito de interesses à margem da lei?
Não necessariamente. Por princípio, as áreas de investimento e análise devem estar separadas dentro da mesma instituição. É aquilo a que se chama no mercado de chinese walls (muralhas chinesas). Existe um controlo rigoroso dentro de todos os bancos e a UBS não é excepção. Qualquer eventual transgressão a esta regra é imediatamente detectada pelos controlos internos da instituição ou pelas autoridades supervisoras. Fonte oficial da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários não quis fazer comentários sobre se está a investigar a actuação na UBS. Por outro lado, após várias tentativas, os responsáveis da UBS Portugal - que tem um escritório de representação em Lisboa - continuavam, até ao fecho desta edição, sem responder às solicitações do DN.
Banco vende 72 milhões de acções EDP
Os clientes do banco suíço receberam ontem uma nota que dava conta da venda, nos próximos dias, de um lote de 72 milhões de acções da eléctrica portuguesa pela UBS. Uma quantidade de títulos que equivale a quase 2% do capital da EDP. Esta iniciativa - concretizada entre 4,08 euros e o preço de mercado - teve impacto imediato no valor das acções que, no fecho da sessão de ontem, registou uma queda de 2.4% para os 4,06 euros, com 26.3 milhões de papéis transaccionados. Os analistas admitem que a colocação será feita de forma gradual e continuará a condicionar o título. Refira-se que a UBS havia comunicado ao mercado, no passado dia 19 de Fevereiro, que passou a deter uma participação de 2,3% na EDP, depois da aquisição, seis dias antes, de 30 milhões de acções da eléctrica.
Análise ajuda PT a inverter queda das acções após fim da OPA
No dia 9 de Março, a UBS reviu em alta o preço-alvo da PT de 10,10 para 10,20 euros. Esta nota - a primeira positiva para a operadora depois da morte da oferta pública de aquisição (OPA) da Sonae - foi um dos principais motores na Inversão da trajectória de correcção iniciada pelas acções quando o mercado começou a perceber o desfecho da OPA. Três dias antes dessa nota, a UBS havia adquirido 8,4 milhões de títulos da PT, atingindo uma participação de 5,4%, numa sessão em que a média das cotações da PT foi de 9,64 euros. A 16 de Março, a UBS anuncia a venda de 3,4 milhões de acções da operadora, num dia em que a cotação média foi de 9,84 auras. No espaço entre a compra, a recomendação e a venda, as acções subiram 2%, traduzindo um encaixe de 700 mil euros para o grupo UBS.
Venda de 10% do Banif concretizada com ganhos
O presidente do Banif, Horácio Roque, decidiu vender 10% da participação maioritária que detinha no banco. Para tal, nomeou a UBS para colocar os 25 milhões de títulos junto de investidores interessados. A UBS é a única casa de Investimento que faz a cobertura exaustiva do banco. A 6 de Dezembro de 2006 fixou o preço-alvo do Banif nos 5,72 euros e subiu a recomendação para comprar . As acções valiam 5,01 euros. Um mês e meio depois, subiu o preço-alvo para 6,29 euros. As acções dispararam 4%. Cerca de um mês depois, a UBS concretiza a venda de 25 milhões de títulos numa sessão em que a média das cotações foi de 5,36 euros. Este preço está 7% acima do valor do início de Dezembro. O que fez com que o encaixe dos 10% do capital do banco rendesse mais 8.75 milhões de euros.
in DN
cumps
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O banco suíço segue 14 empresas na Bolsa de Lisboa e tem participações em nove. Em alguns casos, as duas situações confundem-se: a UBS recomenda o investimento em acções de uma sociedade em que detém uma posição. Existe a separação entre a área de investimento e a de análise, mas os factos mostram que os conselhos resultam em ganhos para o banco
Pedro Ferreira Esteves
O "efeito UBS". Este é um termo que entrou recentemente no léxico de quem acompanha a actualidade da Bolsa de Lisboa. E traduz a influência positiva que as recomendações do banco suíço tem nas acções das empresas que analisa. Nalguns casos, a UBS também detém participações no capital dessas empresas. E o "efeito UBS" acaba por resultar em lucros obtidos com a valorização dessas participações.
Dois casos saltam à vista na actuação do banco suíço nos últimos meses. A compra e venda de acções da PT durante este mês, intervalada por uma recomendação positiva da UBS, resultou em ganhos na ordem dos 700 mil euros. E a colocação de 25 milhões de títulos do Banif, após as subidas provocadas pelas recomendações do banco suíço, rendeu mais 8,75 milhões de euros (ver caixas) para o banco de Horácio Roque. Noutros casos, a valorização das posições também se verifica, mas não é traduzida em ganhos reais, uma vez que a UBS mantém as participações inalteradas.
Actualmente, a UBS acompanha - através das suas análises - 14 cotadas portuguesas e tem participações em nove sociedades: Altri (mais de 10%), Cofina (mais de 5%), PT (4%), Media Capital (3,8%), EDP (2,3%), BCP ( 2%), Reditus (2%), Mota-Engil (1,9%), Teixeira Duarte (1,9%) e Sonae SGPS (0,08%). Em seis destas cotadas, a UBS acumula a análise (através de recomendações e preços-alvo) e o investimento (com participações no capital). E, na maior parte destes casos, as opiniões dos analistas do banco suíço têm tido um impacto positivo de relevo. Por exemplo, a Mota-Engil atingiu o máximo histórico depois de uma recomendação de "compra" pela UBS. O mesmo aconteceu com a Altri e com a Teixeira Duarte. "A estratégia da UBS está bem feita: pegaram num segmento de pequenas empresas, com pouca liquidez, onde o efeito das suas recomendações - muitas vezes, as únicas - se faz sentir. E, assim, ganha notoriedade", explicou um analista português que pediu para não ser identificado. Refira-se que, num balanço feito no início deste ano pelo DN, os preços-alvo definidos pela UBS nos primeiros meses de 2006 não foram atingidos em nenhum dos seis casos recolhidos na amostra.
Conflito de interesses à margem da lei?
Não necessariamente. Por princípio, as áreas de investimento e análise devem estar separadas dentro da mesma instituição. É aquilo a que se chama no mercado de chinese walls (muralhas chinesas). Existe um controlo rigoroso dentro de todos os bancos e a UBS não é excepção. Qualquer eventual transgressão a esta regra é imediatamente detectada pelos controlos internos da instituição ou pelas autoridades supervisoras. Fonte oficial da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários não quis fazer comentários sobre se está a investigar a actuação na UBS. Por outro lado, após várias tentativas, os responsáveis da UBS Portugal - que tem um escritório de representação em Lisboa - continuavam, até ao fecho desta edição, sem responder às solicitações do DN.
Banco vende 72 milhões de acções EDP
Os clientes do banco suíço receberam ontem uma nota que dava conta da venda, nos próximos dias, de um lote de 72 milhões de acções da eléctrica portuguesa pela UBS. Uma quantidade de títulos que equivale a quase 2% do capital da EDP. Esta iniciativa - concretizada entre 4,08 euros e o preço de mercado - teve impacto imediato no valor das acções que, no fecho da sessão de ontem, registou uma queda de 2.4% para os 4,06 euros, com 26.3 milhões de papéis transaccionados. Os analistas admitem que a colocação será feita de forma gradual e continuará a condicionar o título. Refira-se que a UBS havia comunicado ao mercado, no passado dia 19 de Fevereiro, que passou a deter uma participação de 2,3% na EDP, depois da aquisição, seis dias antes, de 30 milhões de acções da eléctrica.
Análise ajuda PT a inverter queda das acções após fim da OPA
No dia 9 de Março, a UBS reviu em alta o preço-alvo da PT de 10,10 para 10,20 euros. Esta nota - a primeira positiva para a operadora depois da morte da oferta pública de aquisição (OPA) da Sonae - foi um dos principais motores na Inversão da trajectória de correcção iniciada pelas acções quando o mercado começou a perceber o desfecho da OPA. Três dias antes dessa nota, a UBS havia adquirido 8,4 milhões de títulos da PT, atingindo uma participação de 5,4%, numa sessão em que a média das cotações da PT foi de 9,64 euros. A 16 de Março, a UBS anuncia a venda de 3,4 milhões de acções da operadora, num dia em que a cotação média foi de 9,84 auras. No espaço entre a compra, a recomendação e a venda, as acções subiram 2%, traduzindo um encaixe de 700 mil euros para o grupo UBS.
Venda de 10% do Banif concretizada com ganhos
O presidente do Banif, Horácio Roque, decidiu vender 10% da participação maioritária que detinha no banco. Para tal, nomeou a UBS para colocar os 25 milhões de títulos junto de investidores interessados. A UBS é a única casa de Investimento que faz a cobertura exaustiva do banco. A 6 de Dezembro de 2006 fixou o preço-alvo do Banif nos 5,72 euros e subiu a recomendação para comprar . As acções valiam 5,01 euros. Um mês e meio depois, subiu o preço-alvo para 6,29 euros. As acções dispararam 4%. Cerca de um mês depois, a UBS concretiza a venda de 25 milhões de títulos numa sessão em que a média das cotações foi de 5,36 euros. Este preço está 7% acima do valor do início de Dezembro. O que fez com que o encaixe dos 10% do capital do banco rendesse mais 8.75 milhões de euros.
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