Caldeirão da Bolsa

"Salários em Portugal não são baixos"

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por atomez » 16/11/2006 2:14

Julgas que é só cá?

Hillary Clinton mal acabou o curso "aranjou" emprego na McKinsey a ganhar $100.000/ano logo de entrada.

Agora arranjou emprego melhor:

Chelsea Clinton Lands a New Job

FRIDAY NOVEMBER 03, 2006 05:15PM EST

By Julia Wang

Former first daughter Chelsea Clinton has taken a job with Avenue Capital Group, a $12 billion hedge fund based in New York City, according to the New York Daily News.

Clinton, 26, the only child of former President Bill Clinton and U.S. Sen. Hillary Rodham Clinton (D-N.Y.), was previously a consultant at McKinsey & Co., which she joined in 2003.

Avenue Capital Group was co-founded by Marc Lasry, who has contributed to campaigns for Democratic politicians including Hillary Clinton, Al Gore, Bill Bradley and John Kerry, Reuters reports.

Lasry has also contributed lesser amounts to campaigns for President George W. Bush, federal election records show.

Clinton, who graduated from Stanford University in 2001 and studied philosophy at Oxford University, could not be reached by Reuters for comment. A spokeswoman for Avenue said the company "does not comment on issues of company personnel."


"Não importa o que tu sabes, o que importa é quem tu conheces"

Versão de Hollywood:

"Nem sequer importa quem tu conheces, o que importa é com quem vais para a cama"

A Política é a segunda mais velha profissão do mundo... e mantém grandes relações com a primeira.
As pessoas são tão ingénuas e tão agarradas aos seus interesses imediatos que um vigarista hábil consegue sempre que um grande número delas se deixe enganar.
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por TraderAT » 16/11/2006 0:26

valves Escreveu:a questão esta toda na criação de riqueza;ou seja se o PIB real tem um aumento de umas decimas anuais para uns verem o seu rendimento aumentar consideravelmente é preciso que das duas uma
: - ou haja um decrescimo populacional e nesse caso o rendimento reparte-se por menos e dá mais a cada um;
- ou a população mantendo-se estavel para uns verem o seu rendimento aumentar consideravelmente outros terão que o ver a diminuir na mesma proporção.
- Existe uma terceira alternativa que é mandar a maquina da casa da moeda começar a imprimir mais euros sermos todos aumentados á grande e constatarmos muito rapidamente que o que fomos aumentado é totalmente canalizado para suportar os aumentos de preços de bens e serviços ...

Cumpts


Podemos considerar, em termos absulutos, um salário bruto mensal de 500 euros pouco, muito poucos mesmo.

Acontece que relativamente ao que efectivamente alguns trabalhadores produzem posso afirmar que os 500 euros de salário mensal são elevados! Eu pessoalmante conheço alguns casos em que isto se aplica, e falo duma empresa privada... :?

Daí que o valor dos salários(em média) reproduzir aquilo que todos nós(em média) produzimos que é pouco, como já aqui se disse a riqueza criada é reduzida. Se juntarmos a isso outros factores como os compadrios, cunhas e afins, chegamos realmente a salários baixos, em termos absulutos obviamente...

Cps
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por valves » 15/11/2006 23:40

a questão esta toda na criação de riqueza;ou seja se o PIB real tem um aumento de umas decimas anuais para uns verem o seu rendimento aumentar consideravelmente é preciso que das duas uma
: - ou haja um decrescimo populacional e nesse caso o rendimento reparte-se por menos e dá mais a cada um;
- ou a população mantendo-se estavel para uns verem o seu rendimento aumentar consideravelmente outros terão que o ver a diminuir na mesma proporção.
- Existe uma terceira alternativa que é mandar a maquina da casa da moeda começar a imprimir mais euros sermos todos aumentados á grande e constatarmos muito rapidamente que o que fomos aumentado é totalmente canalizado para suportar os aumentos de preços de bens e serviços ...

Cumpts
Aqui no Caldeirão no Longo Prazo estamos todos ricos ... no longuissimo prazo os nossos filhos estarão ainda mais ricos ...
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por Keyser Soze » 15/11/2006 20:08

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Jorge Sampaio - de seu nome completo, Jorge Fernando Branco de Sampaio - nasceu em Lisboa, em 18 de Setembro de 1939, filho de Arnaldo Sampaio, médico, especialista em Saúde Pública, e de Fernanda Bensaude Branco de Sampaio, professora particular de inglês. É casado com Maria José Ritta e tem dois filhos, Vera e André.


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por drivingsouth » 15/11/2006 19:48

Estou neste momento a viver na Dinamarca e uma amiga contou-me a história dela: Há 20 ANOS, repito 20 ANOS, ela começou a trabalhar como estagiária a receber 17.000 DKK. actualmente uma coroa é 7,5€. Quem quiser fazer mais contas, ainda por ai um bicho chamado inflacção...

PS: O salario minimo aqui é cerca de 12€/h. O custo de vida é caro, paga-se impostos,... claro. Mas com o ordenado minimo consegue-se viver, segundo consta.
 
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por Keyser Soze » 15/11/2006 19:37

do artigo:

"o salário é baixo se inferior ao valor da produtividade marginal e alto se superior ao valor da produtividade marginal".


em Portugal há muita gente que ganha sem produzir...

se tiverem no privado o erro é do patrão mas mais cedo ou mais tarde a situação corrige-se per si....se tiverem no público não se pode mexer por causa dos direitos adquiridos
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por Barra » 15/11/2006 19:21

Os nossos salários não são baixos ?

Depende com quem nos comparamos.

Mas acima de tudo a riqueza criada é que é muitissímo baixa.
Falo do PIB per capita.

As causas, estão há muito identificadas, acho é que quase nada se faz para alterar este estado de coisas.
 
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por JOGO2006MARKITOS » 15/11/2006 19:14

Se tirarem da média todos os salários que dependem directamente do Estado chega-se à conclusão que são muito baixos.

Temos milhares de pessoas a depender de salários chorudos das cunhas e dos primos, depois não percebemos porque raio somos o 26º na lista da corrupção mundial.
 
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por josema » 15/11/2006 15:19

Inteiramente de acordo: os salários em Portugal (e tendo como referência a UE), não são baixos, são BAIXISSIMOS. É claro que nesta classe nãp entram os salários dos amigos e as benesses concedidas às amigas e afins.
Nota: ser europeu é ter uma atitude de exigência: consigo próprio, com o patronato e, particularmente com o governo. Colocar nos salários o onus da culpa de estarmos como estamos é querer voltar ao séc. XVIII. Já foi chão quer deu uvas. Hoje, qualquer pessoa minimanente informada sabe que o problema não está nos salários, mas na GESTÃO.
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por Keyser Soze » 15/11/2006 9:40

Por um liberalismo latino

Pedro Braz Teixeira
Economista

Segundo o antropólogo Geert Hofstede (Cultures and organizations: software of the mind, 1991), os países latinos caracterizam-se por ter uma elevada distância ao poder (autoridade) e uma grande aversão à incerteza. Portugal destaca-se por ter a maior aversão à incerteza dos países latinos e a segunda maior dos mais de 50 países estudados por aquele autor. Já os países anglo-saxónicos têm uma menor distância ao poder (mais autonomia) e uma muito menor aversão à incerteza. Esta diferença explicará em grande medida a origem e sucesso do sistema liberal nos países anglo-saxónicos em comparação com os países latinos. Receitar a solução liberal, versão original, num país com características muito diferentes dos de origem parece não ser a melhor via.

O que seria então um liberalismo de sabor latino? Seria um que reconheceria as características locais ou regionais, mas simultaneamente tentaria conduzir explicitamente a uma menor distância da autoridade e uma menor aversão à incerteza. Quando se adoptam argumentos de não se poder dar liberdade de escolha da escola aos pais, segundo o argumento salazarento, de que "os portugueses não estão preparados", está-se a reconhecer a característica de défice de autonomia, mas não se está a fazer nada para a combater. Trata-se de uma política pública que perpetua a menoridade cívica. Este caso ainda é mais ridículo porque o Estado não está a substituir a escolha dos pais por uma sua escolha, mas sim por uma regra exclusivamente burocrática, sem a menor sombra de preocupação com o que será melhor para o aluno.

O medo da incerteza, por seu lado, leva a uma regulamentação excessiva e ao medo de decidir. Um dos casos recentes mais caricatos foi o impasse perante o pedido de abertura do túmulo de D. Afonso Henriques, porque não havia legislação específica! Perante um simples pedido como este, os sucessivos dirigentes não conseguiram decidir com base em raciocínios simples e bom senso, tiveram que ir até à ministra. Que aliás, parece ter querido exercer a sua autoridade (uma característica latina como vimos acima) num caso tão simples como este.

Outra questão mais relevante é a dos preços da energia. Para diminuir a incerteza sobre estes preços os governos fixaram aumentos em linha com a inflação. Mas isto é uma ficção. Portugal importa quase 90% da energia que consome e por isso é completamente lírico qualquer governo decretar que o preço da energia não sobe mais do que a inflação (recordem o que tem acontecido ao preço do petróleo). Esta tentativa de diminuir a incerteza não só está assim votada ao fracasso como reforça o medo de lidar com a incerteza. A incerteza é inerente à vida e fingir que a conseguimos afastar não ajuda, atrasa o desenvolvimento cívico necessário.

http://dn.sapo.pt/2006/11/15/economia/p ... atino.html
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"Salários em Portugal não são baixos"

por Keyser Soze » 15/11/2006 9:37

"Salários em Portugal não são baixos"

Os salários em Portugal não são baixos e não existe nenhum indício de que a economia esteja a caminhar no sentido de remunerar melhor o factor trabalho. Esta dupla negação de duas constatações que se tornaram lugares-comuns no País constitui a principal mensagem do estudo de Pedro Portugal, divulgado ontem no boletim económico do Banco de Portugal.

O autor rejeita a ideia de que o modelo de desenvolvimento económico baseado em salários baixos se teria esgotado. Desde logo, porque recusa classificar um modelo económico em função dos salários praticados - "os modelos económicos não têm existência 'real' e é muito duvidoso que se possa, com propriedade, classificar de modelo económico a esta confusão em torno do esgotamento dos salários baixos"; e porque a análise microeconómica contraria a ideia de que os ordenados sejam baixos em Portugal - "o salário é baixo se inferior ao valor da produtividade marginal e alto se superior ao valor da produtividade marginal".

"Em nenhuma circunstância foi sugerido qualquer sinal de que os salários seriam fixados abaixo do seu valor de equilíbrio" e "se alguma indicação existe é no sentido contrário", conclui o estudo. Pedro Portugal baseia esta afirmação em resultados apurados em estudos anteriores relativamente ao sector público e privado.

O estudo sustenta ainda que Portugal é "um caso extremo de rigidez nominal dos salários", em grande parte devido à impossibilidade legal de redução destes. Perante isto, e num contexto de baixa inflação, as empresas sentem dificuldades crescentes em "acomodar através dos salários choques negativos sobre a procura do produto", o que acaba por se reflectir na predominância de variações nulas. Assim, resta às empresas a almofada financeira dos suplementos remuneratórios, que podem, estes sim, ser retirados em períodos de crise.

Assim, os salários em Portugal vêem-se forçados a evoluir dentro da estreita margem imposta pela rigidez legislativa, respondendo sobretudo ao factor interno do risco de desemprego, designadamente por via da ameaça de encerramento da empresa (que quanto maior for mais condiciona a evolução salarial) e o factor externo do comportamento macroeconómico.

http://dn.sapo.pt/2006/11/15/economia/s ... aixos.html
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