Caldeirão da Bolsa

Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por Cem pt » 7/8/2026 10:28

NirSup Escreveu:
NirSup Escreveu:
Mas, ultimamente, estou a divertir-me imenso a fazer day trading com a Broadcom.
Tem uma variação diária superior a 10 dólares. Se conseguires comprar bem (na baixa), a venda está garantida por mais 10 dólares.
Podes ter uma mais-valias de 1000 dólares por dia na compra de 100 ações. Sem stress.
Uso apenas o meu feeling. Dispenso gráficos, nomeadamente os extravagantes e mui delirantes.
By Nirvana


E não é que a Broadcom subiu, subiu, subiu, e estacionou na lua? E não há maneira de sair da órbita?
Paciência. Acabou-se a brincadeira. Mas foi divertido enquanto durou.
Já os maluquinhos dos gráficos, adeptos ferrenhos do daytrading, vão perdendo alegremente dinheiro, mas divertem-se imenso. E no fundo o objetivo é mesmo esse: brincar. Ponto. Final.
By Nirvana



NirSup,

:D

Os teus comentários dos maluquinhos dos gráficos a divertirem-se fizeram-me rir, nesse caso é verdade que tive de colocar o meu barrete até ao pescoço. Foi bom para alegrar o meu dia!

Acontece apenas que só perde dinheiro quem não põe as probabilidades do seu lado porque se tiveres um método de negociação devidamente testado, na teoria ao longo de vários anos e de acordo com mercados direcionais e laterais e confirmados com resultados no mercado real, acabas por ter na mão uma "money machine", simples.

Duvido que possas ganhar massa de forma consistente usando uma forma discricionária ou de simples "feeling", mas de vez em quando vêm umas boas revoadas de lucros ou de negócios positivos, é um facto.

Mais seguro no trading para ganhar no longo prazo tens duas formas seguras através de compras, mas ambas requerem disciplina e muita mecanização e alguma paciência:

- Aproveitar as tendências comprando na força ascendente de médio e longo prazo.

- Aproveitar os swings comprando na fraqueza extrema de curto prazo, mas tendo sempre em vista que a maior probabilidade de o conseguir é ter também a acompanhar a trade uma "big picture" ou tendência positiva no longo prazo.

Mas atenção, mais importante que regras de entrada ou saída está a regra número um do trading alavancado: controlar os riscos através dum bom método de "money management", o objetivo principal do trading não é o facto de ganhar dinheiro, o que na maioria das vezes acontecerá de forma natural como consequência desta atividade se tiveres regras capazes, mas sim não perder dinheiro!
O autor não assume responsabilidades por acções tomadas por quem quer que seja nem providencia conselhos de investimento. O autor não faz promessas nem oferece garantias nem sugestões, limita-se a transmitir a sua opinião pessoal. Cada um assume os seus riscos, incluindo os que possam resultar em perdas.


Citações que me assentam bem:


Sucesso é a habilidade de ir de falhanço em falhanço sem perda de entusiasmo – Winston Churchill

Há milhões de maneiras de ganhar dinheiro nos mercados. O problema é que é muito difícil encontrá-las - Jack Schwager

No soy monedita de oro pa caerle bien a todos - Hugo Chávez


O day trader trabalha para se ajustar ao mercado. O mercado trabalha para o trend trader! - Jay Brown / Commodity Research Bureau
 
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por NirSup » 7/8/2026 7:42

NirSup Escreveu:
Mas, ultimamente, estou a divertir-me imenso a fazer day trading com a Broadcom.
Tem uma variação diária superior a 10 dólares. Se conseguires comprar bem (na baixa), a venda está garantida por mais 10 dólares.
Podes ter uma mais-valias de 1000 dólares por dia na compra de 100 ações. Sem stress.
Uso apenas o meu feeling. Dispenso gráficos, nomeadamente os extravagantes e mui delirantes.
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E não é que a Broadcom subiu, subiu, subiu, e estacionou na lua? E não há maneira de sair da órbita?
Paciência. Acabou-se a brincadeira. Mas foi divertido enquanto durou.
Já os maluquinhos dos gráficos, adeptos ferrenhos do daytrading, vão perdendo alegremente dinheiro, mas divertem-se imenso. E no fundo o objetivo é mesmo esse: brincar. Ponto. Final.
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por LadoDoBem » 6/8/2026 16:07

Cem pt Escreveu:Tenho uma vaga ideia desse artigo que escrevi sinceramente não sei quando, agradeço que o tenhas recuperado.

Continuo a ser um maluquinho dos sistemas de trading, é uma verdade, é um vício que me acompanha desde finais dos anos 90 quando aprendi a programar em Metastock. Quando consigo desenvolver alguma coisa interessante procura aprimorá-la e testá-la até ficar "au point" nos parâmetros de trading que me interessam: drawdowns máximos, rácio "profit/loss", etc.

Quanto ao César Borja, se calhar não estavas lá nessa altura, mas nos tempos finais do BolsaInvest houve um evento memorável porque ao lado do forum, que era bastante frequentado, houve um debate ao vivo na "chat room" do site, com record de assistências ao vivo (mais de 50, que me lembre), que colocou ao vivo um frente a frente entre um fervoroso adepto da Análise Técnica, neste caso o César Borja, e um adepto também bastante conhecido da concorrência da Análise Fundamental, cujo "nickname" nesta altura não me recordo. O que prova que durante muitos anos o César era um arauto indefectível da AT. E sabes quem ganhou os argumentos no debate? Opiniões quase unânimes da altura dos assistentes do "chat": a Análise Técnica!


A data desse artigo é 20.09.2001 às 16:46:08. Tenho também outros textos teus, do César Borja e de outros participantes dessa época. O teu texto é o mais antigo que tenho.

Gosto dele não propriamente pelos sistemas de trading, mas pela ideia de procurar ter uma vantagem no mercado. Acho que o texto continua atual.

Não me lembro desse debate no chat. Eu visualizei o BolsaInvest quando já estava arquivado no ClubeInvest e já não estava ativo.
 
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por Cem pt » 6/8/2026 14:32

LadoDoBem Escreveu:Coloquei um texto antigo do Cem para ver se ele ainda se lembrava dele e se continuava a pensar da mesma forma, mas não fez qualquer comentário. Possivelmente, hoje pensa de maneira diferente em relação aos sistemas, porque nessa altura dizia que não se devia mudar constantemente de sistema e, ao longo destes anos, parece ter tido vários. Mas acho que é normal querer melhorar.

Seja como for, gostei do texto e por isso guardei-o, apesar de já ter vários anos. Acho que a ideia do texto é interessante. Embora eu não veja propriamente mal em encarar a bolsa como um grande jogo, desde que se consiga obter uma vantagem estatística sobre o mercado.

Em relação ao César Borja, não me lembro de ele alguma vez ter demonstrado ser um grande analista técnico. Eu não frequentei o fórum durante grande parte da existência do BolsaInvest, no entanto, foi quase como se o tivesse feito, porque os tópicos e os posts continuaram acessíveis através de ligações que estavam no ClubeInvest, e acabei por consultar uma grande parte do fórum.

Quem mais se destacava em análise técnica era o Pedro Miranda e o Francisco Monjardino. Foi através deles que percebi, por exemplo, a importância das linhas de suporte e das linhas de resistência. O César Borja era um bom escritor, com um estilo muito parecido com o do Cem. No entanto, não me surpreende que o Cem diga apenas coisas boas dele (e do Ulisses), pois conheceram-se nessa altura.



Tenho uma vaga ideia desse artigo que escrevi sinceramente não sei quando, agradeço que o tenhas recuperado.

Continuo a ser um maluquinho dos sistemas de trading, é uma verdade, é um vício que me acompanha desde finais dos anos 90 quando aprendi a programar em Metastock. Quando consigo desenvolver alguma coisa interessante procura aprimorá-la e testá-la até ficar "au point" nos parâmetros de trading que me interessam: drawdowns máximos, rácio "profit/loss", etc.

Quanto ao César Borja, se calhar não estavas lá nessa altura, mas nos tempos finais do BolsaInvest houve um evento memorável porque ao lado do forum, que era bastante frequentado, houve um debate ao vivo na "chat room" do site, com record de assistências ao vivo (mais de 50, que me lembre), que colocou ao vivo um frente a frente entre um fervoroso adepto da Análise Técnica, neste caso o César Borja, e um adepto também bastante conhecido da concorrência da Análise Fundamental, cujo "nickname" nesta altura não me recordo. O que prova que durante muitos anos o César era um arauto indefectível da AT. E sabes quem ganhou os argumentos no debate? Opiniões quase unânimes da altura dos assistentes do "chat": a Análise Técnica!
O autor não assume responsabilidades por acções tomadas por quem quer que seja nem providencia conselhos de investimento. O autor não faz promessas nem oferece garantias nem sugestões, limita-se a transmitir a sua opinião pessoal. Cada um assume os seus riscos, incluindo os que possam resultar em perdas.


Citações que me assentam bem:


Sucesso é a habilidade de ir de falhanço em falhanço sem perda de entusiasmo – Winston Churchill

Há milhões de maneiras de ganhar dinheiro nos mercados. O problema é que é muito difícil encontrá-las - Jack Schwager

No soy monedita de oro pa caerle bien a todos - Hugo Chávez


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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por LadoDoBem » 6/8/2026 9:45

Ulisses Pereira Escreveu:LadodoBem, sabes o que é que é difícil? É alguém andar há 20 ou 30anos sem mudar o nick, como eu, o César Borja, o Cem, o Marco, o Djovarius, entre outros. É tão fácil, quando as coisas correm mal, fazer-se um reset, mudar de nick e começar sem defeitos, sem erros, sem más análises.

Por isso, todos aqueles que estão há mais de 20 anos com o mesmo nick, eu tiro o meu chapéu. Eu escrevo como Ulisses há 28 anos. E dá para perceber que sabes do assunto, que acompanhas fótruns desde o século passado, mas que agora escolheste outro nick. Estás no teu direito. Mas é bem mais difícil manter-se sobre escrutínio há décadas. Porque facilmente são alvos de ataques, Quem criou um nick em 2026 não é. Não tem passado. Nem erros. Fácil.

Abraço,
Ulisses


Do que me lembro, o César Borja teve outros nicks.

Desde que comecei a escrever em fóruns, não planeei usar sempre o mesmo nick. Comecei a escrever em fóruns depois do mIRC (IRC) e, como lá também mudava de nick, acabei por fazer o mesmo nos fóruns.

Se tivesse planeado melhor, também teria escolhido sempre o mesmo nick. Acho que isso tem mais vantagens do que desvantagens.

As pessoas tendem a dar mais atenção a quem escreve com o mesmo nick há mais tempo.

Também houve problemas com a recuperação de nicks antigos neste fórum. Lembro-me de ver comentários de outras pessoas que também tiveram problemas em recuperar os nicks.
 
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por JDU » 6/8/2026 8:12

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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por JorgeLima73 » 5/8/2026 23:54

Ulisses Pereira Escreveu:LadodoBem, sabes o que é que é difícil? É alguém andar há 20 ou 30anos sem mudar o nick, como eu, o César Borja, o Cem, o Marco, o Djovarius, entre outros. É tão fácil, quando as coisas correm mal, fazer-se um reset, mudar de nick e começar sem defeitos, sem erros, sem más análises.

Por isso, todos aqueles que estão há mais de 20 anos com o mesmo nick, eu tiro o meu chapéu. Eu escrevo como Ulisses há 28 anos. E dá para perceber que sabes do assunto, que acompanhas fótruns desde o século passado, mas que agora escolheste outro nick. Estás no teu direito. Mas é bem mais difícil manter-se sobre escrutínio há décadas. Porque facilmente são alvos de ataques, Quem criou um nick em 2026 não é. Não tem passado. Nem erros. Fácil.

Abraço,
Ulisses


Só posso subscrever tudo o que o Ulisses aqui escreveu, tanto no conteúdo que me parece irrepreensível como na elegância da escrita.
Para um homem que só conhece o martelo, todos os problemas se parecem com a cabeça de um prego.
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por Ulisses Pereira » 5/8/2026 23:24

LadodoBem, sabes o que é que é difícil? É alguém andar há 20 ou 30anos sem mudar o nick, como eu, o César Borja, o Cem, o Marco, o Djovarius, entre outros. É tão fácil, quando as coisas correm mal, fazer-se um reset, mudar de nick e começar sem defeitos, sem erros, sem más análises.

Por isso, todos aqueles que estão há mais de 20 anos com o mesmo nick, eu tiro o meu chapéu. Eu escrevo como Ulisses há 28 anos. E dá para perceber que sabes do assunto, que acompanhas fótruns desde o século passado, mas que agora escolheste outro nick. Estás no teu direito. Mas é bem mais difícil manter-se sobre escrutínio há décadas. Porque facilmente são alvos de ataques, Quem criou um nick em 2026 não é. Não tem passado. Nem erros. Fácil.

Abraço,
Ulisses
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por LadoDoBem » 5/8/2026 17:31

Coloquei um texto antigo do Cem para ver se ele ainda se lembrava dele e se continuava a pensar da mesma forma, mas não fez qualquer comentário. Possivelmente, hoje pensa de maneira diferente em relação aos sistemas, porque nessa altura dizia que não se devia mudar constantemente de sistema e, ao longo destes anos, parece ter tido vários. Mas acho que é normal querer melhorar.

Seja como for, gostei do texto e por isso guardei-o, apesar de já ter vários anos. Acho que a ideia do texto é interessante. Embora eu não veja propriamente mal em encarar a bolsa como um grande jogo, desde que se consiga obter uma vantagem estatística sobre o mercado.

Em relação ao César Borja, não me lembro de ele alguma vez ter demonstrado ser um grande analista técnico. Eu não frequentei o fórum durante grande parte da existência do BolsaInvest, no entanto, foi quase como se o tivesse feito, porque os tópicos e os posts continuaram acessíveis através de ligações que estavam no ClubeInvest, e acabei por consultar uma grande parte do fórum.

Quem mais se destacava em análise técnica era o Pedro Miranda e o Francisco Monjardino. Foi através deles que percebi, por exemplo, a importância das linhas de suporte e das linhas de resistência. O César Borja era um bom escritor, com um estilo muito parecido com o do Cem. No entanto, não me surpreende que o Cem diga apenas coisas boas dele (e do Ulisses), pois conheceram-se nessa altura.
 
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por BearManBull » 3/8/2026 13:19

Cem pt Escreveu:Thanks pelo interessante vídeo sobre diversas formas de trading e investimento, aquilo está bem esgalhado mas há algumas partes em que as conclusões parecem puxar para um campo um pouco tendencioso, gostei de ver.

Tal como no vídeo, também possuo curiosamente três contas bem distintas no mercado:


Concordo, nota-se que os autores não gostam muito da volatilidade inerente aos prazos mais curtos mas toca nalguns pontos relevantes que muitas vezes não se têm em conta tais como tempo dedicado e os impostos.

As estratégias hibridas normalmente são melhores, mas realmente para quem não quer/pode gastar tempo com análises o melhor mesmo é simplesmente meter dinheiro num fundo ou num índice como o SP500. Não há panaceias, depende do perfil de cada um e o risco nunca é zero em nenhuma abordagem.

Também é preciso ter-se em conta que vivemos um período excepcional nos mercados, com um bull market desde 2008. Por exemplo na crise da grande depressão o SP500 demorou mais de 20 anos a atingir o valor anterior. Os 60s e os 70s também foram parados, por fim temos "recentemente" a década de 2000-2010 que também seria de agonia para quem segue esta estratégia de comprar religiosamente mensalmente uma entrada no índice.
Anexos
SP500_Inflaction_adjusted.JPG
“It is not the strongest of the species that survives, nor the most intelligent, but rather the one most adaptable to change.”

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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por LadoDoBem » 3/8/2026 9:29

«Claro que estamos a falar no campo dos jogos individuais de sorte e azar.
Nessa perspectiva o jogo é de resultado desconhecido à partida, aleatório.»

Encarando a Bolsa como um jogo!

Claro que estamos a falar no campo dos jogos individuais de sorte e azar.
Nessa perspectiva o jogo é de resultado desconhecido à partida, aleatório. O jogador enfrenta o jogo com um misto de desafio, aventura e adrenalina.
Enfrentar o desconhecido, o risco, mas sempre com a eterna esperança de ganhar!
Apesar de muitos se artilharem com sistemas de trading, quando os resultados destes começa a vacilar, deixam tudo de parte de novo e recomeçam com novas regras, sempre em mutação, ou então actuam pelo seu feeling.
Resultado: prejuízos ou lucros pouco significativos. Muitas mexidas na forma de transaccionar os mercados equivalem quase sempre a deixar de lado alguma metodologia que não batia certo.
Raciocinemos friamente, a maioria dos jogos de apostas é perdedora. Posso chocar muita gente mas afirmo convictamente que eu não sou jogador, ao contrário de muitos que andam na Bolsa. Recuso-me a jogar dentro dum casino ou arriscar em apostas idiotas como o totoloto ou lotarias. A esperança matemática probabilística está do outro lado, do lado da casa, seria deitar dinheiro pela janela fora, quanto mais se jogar mais se perde. Claro que há pequenas excepções, quem souber contar cartas no blackjack está garantido como jogador profissional!
Não é por acaso que, na maioria dos países onde funcionam, os casinos estão abertos 24 horas por dia. E já repararam que a maioria deles não dispõe de janelas para o exterior, para não dar a sensação das horas a passar na sequência manhã, tarde, noite?
O tempo é o aliado dos que estabelecem as regras contra os jogadores! Decidir aleatoriamente ou por feeling é jogar, arriscar no escuro, perder a longo prazo!
Sim, porque se estatisticamente, mesmo que as probabilidades teóricas de ganhar ou perder fossem 50%/50%, a erosão sucessiva do capital em comissões e slippage encarregar-se-ia do desfecho inevitável.
Se não sou jogador e ando na Bolsa porque razão gosto de enfrentar os mercados? Fácil, porque consigo impor regras de negociação que põem as probabilidades de ganho do meu lado. Com o passar do tempo o capital aumenta de forma sistemática e exponencial. O segredo, a alma do negócio, ando sempre a repisar este tema, é seguir disciplinadamente as regras do sistema de trading.
É tudo uma questão simples de probabilidades. O seguimento do sistema de
negociação é o nosso casino, o negócio a explorar, e o mercado, os outros, são os jogadores! É dramático e cruel, desculpem-me a frieza, mas é assim que encaro esta actividade.
Alterar as regras do jogo ou as regras de negociação do sistema é sadomasoquismo, é a prazo baixar ou virar os resultados contra nós.
Não basta dizer que seguimos um sistema de trading se ele não tiver sido convenientemente testado no passado para sabermos o grau de confiança que ele nos vai oferecer daqui para a frente. Quanto maior a sua relação no rácio entre lucros líquidos totais / perdas líquidas totais (profit / loss ratio), maior a capacidade de dispormos de uma autêntica máquina de fazer dinheiro!
Afastarmo-nos de uma postura mecanizada de execução das ordens do sistema é quebrar o gelo ou pôr em risco o objectivo de atingir o Polo Norte, a acumulação sistemática de capital.
Seguir as regras do sistema de trading é a única preocupação que na actividade especulativa me persegue constantemente. Por experiência sei que a probabilidade estatística optimizada de ter sucesso é não me afastar desse objectivo traçado há largos anos. Curiosamente, essa postura fez com que nunca me preocupasse com o saldo das contas de trading, se estava hoje ou ontem a ganhar ou a perder, porque a certeza do seu aumento a longo prazo não era mais do que uma consequência directa de actuar sempre de acordo com a mecanização das regras estabelecidas. Purista demais, desemocionado perante a luta permanente que se trava nos mercados? Talvez, mas cada um é como cada qual, não há nada a fazer! Compreendo contudo que a maioria pense de forma diferente, tenho de reconhecer que a nossa natureza humana se coaduna por vezes com a quebra de regras que julgamos terem mais lógica e com a liberdade de acção!
Parece fácil em teoria procurar auto disciplinarmo-nos, claro que na prática não é. Mas posso garantir que se trata da única forma segura a prazo de ter sucesso no mundo do trading especulativo. A aprendizagem da disciplina e frieza mecânica da não transgressão das regras nasce como lição ou consequência natural de insucessos que sofremos nos primeiros anos de actividade. Acalmar os nossos impulsos instintivos e dominar a componente emocional é a parte difícil que só os anos de traquejo ajudam a esbater e a quase eliminar, sim, porque a eliminação total só estaria ao nível de um ET sem sentimentos, tipo robô. Mas não se esqueçam, quanto mais robotizados os métodos, maiores as probabilidades de sucesso.
Qualquer um pode ter um sistema, não sei é se será sempre o mesmo ou se confia sequer no que está a seguir, mesmo que seja na cabeça, nem que seja do tipo: compro agora e só vendo se vier 2% abaixo do máximo que fizer entretanto. Ditando cada um as regras do jogo que quer seguir no mercado, os resultados irão depender estatisticamente de se usarem regras mais ou menos correctas relacionadas com a antecipação do estado emocional da maioria dos restantes jogadores!
Nunca se preocupem com aquilo que o mercado pode ou não fazer mas apenas com a orientação presente dos vossos indicadores de confiança que medem psicologicamente o mercado. Um bom sistema adapta-se sempre com regras probabilísticas de sucesso à nova realidade sempre em mutação.
Claro que não há sistemas infalíveis, se não já estávamos milionários há muito
tempo, qualquer sistema erra e erra muitas vezes e quem os usa tem de estar mentalizado para essa dura realidade. Dosear perdas pequenas com deixar correr os lucros é uma das chaves dos bons sistemas, mas essas pequenas perdas são sempre um bom argumento e desculpa para não negociarem sem o seu auxílio e para os deixar de usar. Os casinos também têm fases de perdas, por pouco tempo, é certo, mas quebram pontualmente. No longo prazo está no entanto a recompensa, os lucros chorudos.
Distinguir o trigo do joio dentro do campo dos sistemas de trading também é importante. Saber se em determinada fase devemos usar indicadores de tendência ou indicadores estocásticos pode ser a resposta que muitos procuram, é por isso que eu aconselho a ter sempre muito cuidado com sistemas que dizem apenas possuir 2 ou 3 indicadores diferentes, como se fossem uma bola de cristal para adivinhar o futuro! Só a experiência vos indicará o caminho mais correcto a seguir no manejo dos indicadores mais adequados.
Em resumo, o sangue-frio e experiência sintetizados em regras precisas de anos sucessivos de transacções hão-de sobrepor-se ao espírito de jogador. Aí verão que nada se irá comparar aos resultados que estavam habituados a obter.

Cem
 
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por Cem pt » 1/8/2026 20:48

Caro LadoDoBem,

Obrigado pela mensagem, aqui ficam uns comentários breves:

- Em relação à monitorização duma carteira de swing ou position trading em que no final de cada sessão temos de monitorizar umas dezenas largas, ou até centenas de gráficos, estou em sintonia com a técnica usada pelo Ulisses.

No meu caso, duma carteira em que vigio diariamente o que se passa com as ações portuguesas e do EuroStoxx 50, a tarefa está muito facilitada porque uso o “Explorer” do Metastock que, numa questão próxima de 2 minutos por cada verificação global, me ordena por critérios o que se passou com todas aquelas ações nos gráficos semanal e diário: quais as ações em o sinal de compra ou venda foi alterado ou disparado, quais as que subiram ou desceram mais de 5%, quais as que tiveram um volume superior ao dobro da média das últimas 50 sessões, etc, fico logo com uma informação substancial que me permite modificar qualquer posição para o dia seguinte.

- No que respeita ao texto que referiste do César Borja, não conhecia o artigo mas acho-o muito bom, o que aliás não é para admirar porque o César é um tipo altamente conhecedor dos mercados, seja no aspeto técnico ou fundamental.

Conheci-o dos tempos do BolsaInvest onde havia um grupo impecável de participantes antes daquele fórum ter sido vendido, criámos uma boa amizade desde sempre e cheguei a almoçar com ele no Guincho.

Acho que ele fez muito bem em ter criado um negócio de aconselhamento nos mercados bolsistas. Aproveita os conhecimentos que tem na Análise Fundamental para ganhar a vida dele, só lhe posso dar os parabéns e esperar que continue a ter sucessos na atividade que adotou, quer para ele quer para os clientes que o seguem.


---xxx---


- Considerado um dos quatro grandes princípios do trading, temos a chamada “risk management” ou gestão de risco.

Pessoalmente considero esta matéria a mais importante do trading, bem acima das regras de compra e venda ou da sempre eterna polémica da forma de negociar a favor ou contra a tendência ou da modalidade de “swing trading” no capítulo oscilatório.

A gestão de risco acaba por relacionar diversos fatores em jogo: minimizar os “drawdowns” para evitar riscos de falência da carteira, otimização dos lucros através da alavancagem, colocação e monitorização dos stops enquanto as posições estivertem abertas e capital ideal a arriscar em cada “trade”.

Costumo dizer que um “hedge fund” é um fórmula 1 do trading: permite usar posições curtas na situação de mercados em depressão, para além da situação normal de ativos comprados, e autoriza a utilização de alavancagem permitida pela corretora.

Acontece que uma carteira de “day trading” não é mais que um “hedge fund”, o que à partida significa que possuímos uma máquina que possui um potencial de ganhos superior a uma carteira de investimento tradicional. O problema é conseguir “ter unhas” para guiar esse bólide, em geral a esmagadora maioria acaba por se estampar a alta velocidade usando mal as alavancagens permitidas.

Na verdade a alavancagem acaba por ser uma arma de dois gumes, tanto aumenta os ganhos como as perdas em cada negócio, se o movimento do mercado for contrário ao calculado ou desejado.

Obviamente que uma carteira usando altas alavancagens pode ficar sujeita a obter “drawdowns” na casa dos 60% a 70%, apresentando nesse cenário um risco enorme de entrar a breve prazo em falência com mais um empurrão do mercado. Pelo que dificilmente poderemos considerar que estejamos perante uma estratégia saudável se permitirmos um “drawdown” que se situe num patamar superior a 25% ou 30%.

Atenção que quando falamos de "drawdowns" temos de ter em conta o período do trading em que iremos negociar: um "drawdown" de 20% obtido ao fim de um ano de negociação é bem pior que 30% de "drawdown" máximo ao longo de 20 anos de negociação no mercado.

Para ter uma ideia geral do que esperar dum "drawdown" a 20 anos, se tivermos apenas um ano de testes ou trading real com um valor de 20% neste período anual bem mais reduzido, podemos dizer de forma aproximada que o "drawdown" máximo esperado para 20 anos de trading será aproximadamente igual ao valor obtido em um ano multiplicado pela raiz quadrada do número de anos de trading futuro esperado, ou seja, a 20 anos o "drawdown" máximo esperado para este método hipotético de negociação com as mesmas regras de compra e venda será de 20% x Sqrt(20) = 89%, ou seja, será um valor muito próximo dos 100%. O que significa que a carteira poderá com grande probabilidade rebentar ou entrar em falência algures durante os 20 anos de negociação esperados, mais vale seguir outro método de trading.

Uma das formas tradicionais de calcular a alavancagem ideal em cada negócio é recorrer ao critério probabilístico de Kelly, retirado da teoria dos jogos, que em teoria permite calcular o capital em risco para cada negócio otimizando os lucros a longo prazo.

Sucede que o critério de Kelly possui um desvio-padrão muito elevado, consoante determinados comportamentos de mercado bastante diversificados, na casa de mais ou menos 30% ou mesmo 40% para cima ou para baixo do valor calculado, desde valores com períodos que vão por exemplo desde o negativo com -15% aos +50% (!!!), uma verdadeira loucura de montanha russa!

Daí que um número considerável de “traders” profissionais tenha passado a adotar por cautela o valor do critério de Kelly multiplicado por um coeficiente de segurança claramente inferior à unidade. Por exemplo, se tivermos um Kelly médio de 20% calculado em testes e no mercado real, quem usar um sub-Kelly de 5% estará a usar alavancagens de segurança na sua carteira um quarto de Kelly ou “¼ Kelly” para o cálculo das alavancagens na sua carteira, garantindo à partida “drawdowns” mais baixos mas em contrapartida sujeitando-se a ganhos a longo prazo mais modestos.

Sucede também que o valor de Kelly depende da performance dum determinado método ou sistema de trading, com regras bem precisas para comprar e vender, seja em que modalidade de trading estivermos a lidar, tendencial ou oscilatória.

Na prática, para facilitar uma tabela mais ou menos universal que não necessita de matar a cabeça com grandes matemáticas ou estatísticas nem falar de critérios estatísticos mais ou menos complexos, existe um consenso quase generalizado que, para um sistema de trading com um retorno positivo não alavancado que proporcione um lucro médio anual realista entre 5% a 15%, permita aos gestores de carteira em geral usar um risco por negócio de 1% a 5% em relação ao capital total disponível.

Entramos aqui na matéria da chamada gestão de risco, que exige apenas umas poucas contas ou cálculos simplificados de controle. Usando por exemplo um risco da carteira de 3% num negócio, vejamos como calcular esse valor através dum exemplo prático:

Vamos supor que no dia 29 de julho da semana passada um determinado sistema de trading disparou um sinal de compra oscilatório no índice S&P 500 no seu gráfico diário ao preço de 7299 Usd/contrato, numa carteira com valor total disponível de 50.000 Usd.

O risco total ou perda total a que a trade se irá sujeitar no caso do negócio correr para o torto será no máximo de 3%, ou seja, 3% x 50.000 Usd = 1.500 Usd. O "stop" inicial de venda a colocar nesta trade do exemplo em causa era do tipo “volatility stop”, calculado a partir do ATR de 34 barras e multiplicado pelo fator 5, dando origem a um valor calculado de 432, pelo que o "stop" de venda foi colocado à seguinte distância abaixo do valor de aquisição:

7299 Usd/contrato – 432 Usd/contrato = 6867 Usd/contrato

Ora, sabendo que a perda máxima potencial por contrato é de 432 Usd e que podemos permitir-nos perder um valor máximo de 1.500 Usd, significa que o negócio autorizou a compra de 3,5 contratos do S&P 500 (1500/432=3,47 contratos).

Reparem que estamos a usar um risco máximo neste negócio de 3% do capital total mas a percentagem de capital usada no negócio foi de 51% do capital total (7299x3,5/50000= 51%).


Tomando como referência o exemplo acabado de dar, a gestão de risco não se esgota nos cálculos acima porque a sequência seguinte é a monitorização do chamado “trailing stop”.

À medida que o negócio vai correndo de feição a favor das subidas (nota: se o negócio estiver a correr mal com o movimento do mercado contra o sentido da “trade” aberta, simplesmente deixamos manter o “stop” na sua localização inicial, aguardando que o mercado reverta ou esperando o acionamento futuro do “stop” onde ele se encontra desde o início) o passo seguinte é ir ajustando em subida o valor do “stop” para garantir no final que, mesmo em caso de perda, o prejuízo do negócio seja inferior aos 3% iniciais estabelecidos.

Se por exemplo nesta altura da trade o “trailing stop” subiu dos 6867 Usd/contrato para 7077 Usd/contrato, a perda máxima que o negócio em causa poderá enfrentar, se os mercados vierem agora por aí a abaixo, será de (7299-7077) Usd/contrato x 3,5 contratos = 777 Usd , ou seja, 1,6% (=777/50000=1,6%) de perda máxima do capital total, em vez dos 3% ou 1500 Usd estabelecidos à partida.

Quanto à expetativa dos lucros do negócio oscilatório do exemplo em questão, podemos dizer que, na generalidade dos casos, há quem calcule um “price target” na ordem de 2 a 3 vezes o risco tomado no rácio chamado “Reward/Risk”. Assim, sabendo que o risco da “trade” em causa era à partida de 3% do capital total, o lucro ou “reward” esperado por exemplo para um valor médio de 2,5 vezes o risco será de 3% x 2,5 = 7,5%, pelo que o “target price” de venda é calculado como: valor de compra + 2,5 x risco inicial = 7299 Usd/contrato + 2,5 x 432 Usd/contrato = 8379 Usd.

Na esmagadora maioria das vezes o “price target” raramente é atingido, quase sempre será o “trailing stop”, que vai sendo ajustado a favor do movimento de subida, que ditará o valor de saída ou venda do negócio em causa. Por outro lado a sua duração costuma ser bastante mais reduzida se a compararmos com os negócios do tipo tendencial para a mesma escala temporal comparativa.

Como já referi anteriormente os lucros esperados neste tipo de negócios oscilatórios, acompanhados por uma gestão de risco permanente, podem proporcionar alguns ganhos interessantes mas não se comparam aos resultados esperados a longo prazo quando comparados com a modalidade tendencial, que é auto-reversiva nos seus sinais de compra e venda, é do tipo "always in the market" e não necessita de “stops” de acompanhamento.


-----xxxxx-----


E assim termino esta breve súmula do que achei essencial deixar como conselhos, não digo a seguir mas pelo menos a tomar alguma consideração ou reflexão se quiserem optar pela vida de “day trader”.

Muito mais haveria com certeza a dizer sobre o tema: que tipo de ativos é ou são os mais adequados, que género de rotina se deve seguir: sempre à frente do computador ou seguir apenas escalas de tempo mais dilatadas para receber os sinais por e-mail através de notificações recebidas diretamente da plataforma de trading, usar ou não "bots" de aplicação direta no mercado para nos libertarmos da vida de “escravos” frente ao ecrã, etc.

Outro tema que vou apenas aqui referir de raspão é o dos retornos esperados, que evidentemente dependem dos critérios adotados e regras estabelecidos por cada um na forma de negociar e nas alavancagens utilizadas.

Obviamente que a dedicação ao “day trading” só será possível se pudermos ou conseguirmos alcançar bons lucros ou rentabilidades que valham a pena neste hobby / negócio, na certeza porém de que tudo o que esteja abaixo da fasquia dos 20% ou mesmo 25% anuais na minha opinião não compensa o esforço, tempo e dedicação a esta modalidade.

- Em conclusão, afinal o “day trading” dá dinheiro ou é uma treta?

Depende da maneira como o abordam, da minha parte procurei aqui dar a minha modesta contribuição sobre erros a evitar para não perderem dinheiro. Mas sim, se for abordado com os cuidados que referi, dá ou pode dar dinheiro porque também no meu caso, apesar de me considerar um afortunado com sorte na vida profissional e no trading, já tive na vida atual de reformado de levar com vários meses de prejuízos e com “drawdowns” superiores a 30% na conta de “day trader” ao longo de 7 a 8 anos deste tipo de atividade. Nisto dos mercados funcionam as probabilidades e nunca as certezas!

Espero que tenham gostado e mais uma vez o meu obrigado à generalidade dos vossos comentários e sugestões, que sempre aprecio quando podem dar origem a novas ideias úteis a aplicar nesta fascinante atividade do trading.
O autor não assume responsabilidades por acções tomadas por quem quer que seja nem providencia conselhos de investimento. O autor não faz promessas nem oferece garantias nem sugestões, limita-se a transmitir a sua opinião pessoal. Cada um assume os seus riscos, incluindo os que possam resultar em perdas.


Citações que me assentam bem:


Sucesso é a habilidade de ir de falhanço em falhanço sem perda de entusiasmo – Winston Churchill

Há milhões de maneiras de ganhar dinheiro nos mercados. O problema é que é muito difícil encontrá-las - Jack Schwager

No soy monedita de oro pa caerle bien a todos - Hugo Chávez


O day trader trabalha para se ajustar ao mercado. O mercado trabalha para o trend trader! - Jay Brown / Commodity Research Bureau
 
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por LadoDoBem » 1/8/2026 11:14

NirSup Escreveu:O César Borja não ganha dinheiro na Bolsa. Isso é um mito urbano.
O César Borja montou um negócio a ensinar os ignorantes (BURROS mesmo) e ambiciosos (e há cada vez mais !) a ganhar dinheiro na Bolsa. E ganha dinheiro com isso.
A maior parte dos seguidores do César Borja perde dinheiro na Bolsa. Ponto. Final.
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As carteiras modelo que ele apresenta têm resultados positivos. As entradas e saídas são feitas ao preço de fecho do mercado e são comunicadas antecipadamente.

Nunca fui subscritor, por isso não posso confirmar se os preços de entrada e saída estão corretos, mas acredito que os resultados apresentados estejam corretos. Se ele próprio seguiu ou não as suas recomendações, não sei, e não acho que isso seja importante para o serviço que presta.

——

A cotação de entrada (e saída) das ações dos Portfolios é sempre a de fecho a seguir à disseminação da análise justificativa.

Rentabilidade anualizada:

* TOP10 Lisboa: 16,4%/ano
* TOP10 Amesterdão: 13,2%/ano
* TOP20 Small Caps US: 16,6%/ano
* TOP10 Madrid: 18,0%/ano
* TOP Progressivo: 19,6%/ano
 
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por NirSup » 1/8/2026 9:12

LadoDoBem Escreveu:
Em relação a viver do trading, também foi falado disso no tópico. Uma pessoa pode viver do trading negociando sem fazer day trading, pode também seguir um caminho como o César Borja, que acabou por montar um negócio, ou encontrar outras formas de rentabilizar a experiência nos mercados.

O César Borja não ganha dinheiro na Bolsa. Isso é um mito urbano.
O César Borja montou um negócio a ensinar os ignorantes (BURROS mesmo) e ambiciosos (e há cada vez mais !) a ganhar dinheiro na Bolsa. E ganha dinheiro com isso.
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por Ulisses Pereira » 31/7/2026 20:34

Também não vejo como um ser humano consiga acompanhar 250 gráficos ao mesmo tempo.
Para alguém que opera em horizontes temporais muito cuertos, como o daytrade, concordo contigo que não é possível.


Para um "swing trader", como eu, na maior parte dos dias, n\ao há qualquer alteraç\ao significativa no gráfico, Era capaz de ir passando gráfico atrás de gráfico sem me deter em qualquer um deles. O trabalho inicial de delimitaç\ao das zonas importantes é mais demorado, mas depois - com a papinha toda feita - facilmente passava 20 gráficos à frente em 2 minutos e, depois, via algo que se tinha alterado num gráfico e ficava 10 minutos a analisá-lo, antes de seguir.

Agora, se me derem um gráfico que nunca analisei na vida, isso leva bastante tempo e seria impossível, como dizes.

Abraço,
Ulisses
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por LadoDoBem » 31/7/2026 18:48

Kooc Escreveu:Para mim, eu acho que o truque é ter muitos ativos debaixo de olho. Assim, há sempre um que está no ponto de entrada. Mantém-nos ocupados e com negócios frequentes. Se só seguimos dois ou três, acabamos por não resistir à espera e fazer entradas "de feeling". lembro-me sempre do Ulisses que dizia que tinha 250 ações debaixo de olho.


Tenho dúvidas de que acompanhar muitos ativos ajude a reduzir a tentação de entrar no mercado. Acho que pode acontecer o contrário, porque fica mais fácil encontrar oportunidades que depois acabam por não ser. Também não vejo como um ser humano consiga acompanhar 250 gráficos ao mesmo tempo.

A mim o assunto do tópico lembrou-me este texto:

Os velhos do Restelo

Os velhos do Restelo … … é que sempre tiveram razão: um trader à medida que vai ganhando mais e mais experiência começa a considerar cada vez mais a análise do risco, em detrimento da performance.

Não foram raras as vezes em que lucrei 50% num mês … mas quem me dera ter lucrado 50% ao ano desde que comecei a transaccionar.

Um trader pode analisar de forma esplêndida o mercado, pode ter 10 trades consecutivas vencedoras, pode estudar todos os indicadores técnicos e teorias que, sem dúvida, sem money management não chegará a lado nenhum no longo prazo.

E o money management não é tão simples como usar stops, as minhas questões são muito mais: «Qual o nº de contratos a transaccionar? Qual a alavancagem que maximiza o retorno e minimiza o risco? Qual o meu risco de falência? Em que medida o risco deste activo é maior do que deste outro? Devo diversificar? De que forma?»

Uma estratégia de análise vencedora acho que já tenho (mas preciso de a parametrizar, de a objectivar), mas nada acerta sempre (provavelmente nem sequer a maior parte das vezes), por isso a necessidade absoluta de conhecimento em termos de money management - para ter a probabilidade do meu lado.

… há uns tempos atrás eu pensava: «mas 30 ou 40% ao ano, o que é isso, acho que consigo muito mais». Mas não, não consigo. Só fugazmente, mas depois volta para trás … chegou o tempo de deixar de sonhar e jogar e começar a olhar para o trading como um negócio.

César Borja

Curiosamente, hoje tem mesmo um negócio.

Mas acho que a reflexão dele também é interessante, embora ache que conseguir 10 trades consecutivos seja muito complicado e que o money management pode ter ainda mais importância para quem faz day trading do que para quem não faz.

No entanto, quase ninguém faz day trading. Segundo um estudo divulgado no ano passado pela FINRA, apenas cerca de 2,9% das contas faziam day trading de forma frequente. É uma percentagem muito baixa.

Há pessoas que fecham posições no próprio dia por terem stops próximos, por causa da volatilidade, da alavancagem elevada ou por outros motivos, mas muitas vezes isso não faz parte da estratégia e nem sempre acontece assim.

Em relação a viver do trading, também foi falado disso no tópico. Uma pessoa pode viver do trading negociando sem fazer day trading, pode também seguir um caminho como o César Borja, que acabou por montar um negócio, ou encontrar outras formas de rentabilizar a experiência nos mercados.
 
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por Cem pt » 31/7/2026 14:51

Olha quem aqui apareceu, é uma honra voltar a ter um feedback dum lendário guru das Bolsas e fundador deste espaço espetacular.

Obrigado, grande Ulisses, estas notas são uma pequena súmula da experiência que de facto fui adquirindo ao longo dos anos, aprendendo essencialmente com os erros que cometi e que fui corrigindo ao longo do percurso.

Servem de preferência como conselhos ao pessoal com pouca experiência no trading, para não cometer o mesmo tipo de técnicas e estratégias falhadas, evitando ao máximo o desperdício de dinheiro deitado à rua que não mais voltará.

Abraço saudoso.

---

Amigo BearBull,

Thanks pelo interessante vídeo sobre diversas formas de trading e investimento, aquilo está bem esgalhado mas há algumas partes em que as conclusões parecem puxar para um campo um pouco tendencioso, gostei de ver.

Tal como no vídeo, também possuo curiosamente três contas bem distintas no mercado: uma só para investimentos a longo prazo, comprando todos os anos a mesma ação tecnológica que já leva uns bons anos acumulada e que acho ter um potencial muito bom para os próximos 100 anos, 8-) , alguém da família ir-se-á aproveitar um dia desta "prenda" hereditária, embora os meus reforços de capital na conta sejam algo irregulares; outra conta, a maior delas uma vez que lida com cerca de 60 ações distintas, só para “position trading”, em vez do swing trading", baseada em ações portuguesas e do EuroStoxx 50, onde só altero 2 ou 3 posições por semana no seu conjunto para ajustamentos técnicos, uma vez que se baseia em tendências estáveis baseadas nos gráficos diário e semanal e finalmente uma terceira conta virada apenas para o “day trading”.

É difícil dizer qual a melhor das três é ou pode vir a ser a mais rentável, há prós e contras em cada uma delas mas as duas últimas modalidades para mim têm a vantagem emocional de poder tomar posições curtas ou vendidas ,quando os mercados andam deprimidos, tentando aproveitar as quedas para ganhar mais uns trocos.

---

Agradecimentos também ao Jorge Lima, TTM e NirSup pelas simpáticas palavras de incentivo e sugestões alternativas, bem hajam.


---xxx---


- Voltamos a um tema recorrente que ainda não foi abordado: o melhor método de negociação nos mercados, incluindo no “day trading”, é usar algum ou alguns indicadores técnicos que possam aproveitar as tendências existentes?



Sim, claramente, a longo prazo um método ou sistema de trading do tipo tendencial é a chave para ter êxito e ganhar dinheiro nesta atividade.

Como diria o lendário Bruce Babcock no seu interessante livro “The Four Cardinal Principles of Trading” o sucesso baseia-se apenas nestes breves princípios: “ trade with the trend, cut losses short, let profits run, and manage risk”.

Como podem constatar 2 dos 4 princípios sobre trading de sucesso praticado no final do século XX são aqui referidos de forma clara: negociar com a tendência e deixar correr os lucros. Ainda hoje estes princípios não deixaram de perder validade apesar das tecnologias, bots, trading de alta frequência e Inteligência Artificial metidas à mistura numa verdadeira luta de titãs sem quartel.

Para calcular uma tendência existem contudo milhares de formas de construir um indicador que seja eficiente e capaz.

A parte chata é que os indicadores tendenciais retornam sinais falsos nos mercados com comportamento lateralizado, ou seja, durante a maior parte do tempo.

Daí a razão pela qual a taxa de sucesso dum indicador tendencial em geral ser claramente inferior a 50%.

Eu diria que a prazo, quanto mais negociarem dentro desta metodologia, poderão esperar uma taxa de êxito na casa dos 30% a 40% na relação entre “trades” vencedoras sobre o total de negócios praticados, “c’est la vie”.

Em contrapartida o ganho médio por negócio é em geral superior a mais do dobro em relação à média de cada “trade” perdedora, o que em princípio vai garantir um ganho consistente na carteira a longo prazo.

É aqui que está o segredo do negócio: ganhar poucas vezes mas em geral bastante mais dinheiro que a média em 1 ou 2 “trades” em cada 10 ou 15 tentativas.

Quem me acompanha sabe que não sou grande adepto das médias móveis porque o sinal aparece sempre com um atraso chato em relação à verdadeira viragem do mercado ocorrido algumas barras importantes lá para trás, mas o certo é que universalmente mais de 90% dos “traders” conhecidos e desconhecidos utiliza o tradicional método de comprar quando a MM de poucas barras ultrapassa ou passa acima da MM de muitas barras, e vice-versa nas vendas, trata-se duma regra simples de entender e de absorver por cada um, talvez por isso seja muito utilizada com pouco trabalho duma possível pesquisa doutros indicadores alternativos, o que poderia melhorar bastante a performance futura.

Para mim a chave de atuação mais rápida no mercado encontra-se no campo da volatilidade, seja para o setor tendencial e para o oscilatório, e para aproveitar este fator há que usar indicadores técnicos em conformidade.

Pessoalmente utilizo um indicador pesado ou exponencial baseado em regressões lineares de períodos na casa dos 3 dígitos, mas aqui a imaginação é fértil e ficará certamente ao critério de cada um usar outro tipo de regras ou indicadores, mesmo que simples ou visuais baseados por exemplo em canais ou padrões, que melhor se ajustem à sua forma de abordar o mercado.

Conforme disse anteriormente a tendência resulta melhor nos gráficos de escalas grandes pelo que o ideal é alocar posições de maior risco ou quantidade percentual de capital a esse tipo de conhecimento.

A experiência diz-me que a partir dos gráficos de 10 minutos para baixo um “trader” enfrenta viragens tendenciais muito rápidas mas os respetivos sinais apresentam uma falsidade enorme de eficiência com taxas de sucesso bem abaixo dos 20%, ainda por cima agravadas pelas comissões frequentes, pelo que não valerá a pena negociar as escalas abaixo desse período.

Outra caraterística das posições tendenciais, que acaba por simplificar a tarefa dum “trader”, é o simples facto de nesta matéria não valer a pena usar “stops”. O indicador ou regras duma tendência irão sempre indicar que: ou estamos dentro duma posição longa ou duma posição curta. Em geral um indicador tendencial é reversivo, vira de positivo para negativo e vice-versa, e portanto basta esperar pelo respetivo sinal para atuar em conformidade.

Contudo podemos refinar um indicador tendencial nas tais alturas indefinidas dum mercado pouco direcional, considerando por exemplo um terceiro tipo de posição: a neutral.

Esta neutralidade tendencial pode ser por exemplo calculada de forma simplista. Por exemplo, para a maioria do pessoal que usa médias móveis, considerar que uma distância pequena ou abaixo da respetiva média entre 2 médias móveis em valor absoluto, comparando com a média das respetivas distâncias, pode significar que o mercado anda “sideways” ou lateralizado e, como tal, o melhor será ficar de fora a observar antes de entrar a matar.
O autor não assume responsabilidades por acções tomadas por quem quer que seja nem providencia conselhos de investimento. O autor não faz promessas nem oferece garantias nem sugestões, limita-se a transmitir a sua opinião pessoal. Cada um assume os seus riscos, incluindo os que possam resultar em perdas.


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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por NirSup » 31/7/2026 11:17

Não sou fã do Day Trading, antes pelo contrário.
Mas, ultimamente, estou a divertir-me imenso a fazer day trading com a Broadcom.
Tem uma variação diária superior a 10 dólares. Se conseguires comprar bem (na baixa), a venda está garantida por mais 10 dólares.
Podes ter uma mais-valias de 1000 dólares por dia na compra de 100 ações. Sem stress.
Uso apenas o meu feeling. Dispenso gráficos, nomeadamente os extravagantes e mui delirantes.
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por TTM62 » 31/7/2026 0:30

Caro Cem, estás para o caldeirão como o S&P para o mundo do trading. És o verdadeiro farol que inspira e divulga conhecimento sobre mercados.
Bem haja pelos teus comentários e ensinamentos sintéticos e objetivos. É possível rever muitos dos nossos comportamentos nos teus escritos. Cada um que retire o máximo de informação que ela é excelente. O meu muito abrigado pela partilha.
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por JorgeLima73 » 30/7/2026 23:07

Também eu já tinha pensado em deixar um comentário sobre os ensinamentos que o Cem, mais uma vez, generosamente partilha connosco. Hesitei apenas para não interromper a sequência dos textos.

Mas não queria deixar passar a oportunidade de agradecer. É um verdadeiro privilégio podermos contar, neste fórum, com uma voz tão lúcida, conhecedora e generosa. Muito obrigado, Cem.
Para um homem que só conhece o martelo, todos os problemas se parecem com a cabeça de um prego.
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por BearManBull » 30/7/2026 22:48

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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por Ulisses Pereira » 30/7/2026 18:12

Excelentes reflexões, caro Cem! Quem leva alguns anos no mercado ainda valoriza mais o que escreves e que nos faz pensar.

Grande abraço,
Ulisses
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por Cem pt » 30/7/2026 11:56

Caros amigos,
Obrigado pelas vossas mensagens, para mim significa que o que aqui escrevo pode ser útil a quem de alguma forma se dedica ao trading e, em particular, ao “day trading”.


---xxx---


- Há quem diga que na maioria do tempo os mercados comportam-se de forma lateral, sem uma direção bem definida. Nesses cenários não seria melhor aguardar sentado uma definição de sentido mais clara para entrar? Sendo verdade esta afirmação, o método mais rentável seria ficar fora dos mercados mais tempo do que dentro, para aproveitar apenas os “spikes” direcionais?



Sim, o mercado só se comporta direccionalmente menos de 30% do tempo, e sim, a opção mais sensata na maioria do tempo seria aguardar de fora por uma altura favorável em que a maioria dos gráficos nas diferentes escalas comece a apontar para um movimento consensual a apontar para o mesmo sentido.

O objetivo de cada “trader” é procurar extrair o máximo possível de lucros quando o comportamento passa a direcional porque nas situações em que o mercado está parado ou sem direção bem definida a maioria que permanecer ativo a negociar vai escusada e inevitavelmente perder o seu tempo em “trades” especulativas em que com toda a probabilidade terá um rácio de adivinhação 50/50, mas com o handicap de se sujeitar a um custo de comissões que vão comendo paulatinamente o capital disponível e de se sujeitar a um regime de ganhos por negócio bastante reduzidos, se os compararmos com os que conseguimos extrair numa metodologia do tipo tendencial.

Repararão que nunca referi até agora a existência dum mercado lateral porque prefiro definir qualquer comportamento dum ativo como um somatório ou combinação direcional dum conjunto de barras em cada série de gráficos numa sequência de escalas temporais.

Não será assim de admirar que para uns o mercado estará lateralizado quando olha para um gráfico diário e vê aquilo a andar de lado e sem vislumbrar um sentido definido para cima ou para baixo, mas para outros, como no meu caso, o mercado estará nesse caso hipotético ascendente nas escalas de 10 e 20 minutos, descendente nos 30 minutos, 1 hora, 2 horas e 4 horas e ascendente no diário e bidiário e ainda negativo no semanal, para exemplificar.

Ou seja, um comportamento lateral global não é mais que um somatório de sentidos diferentes extraídos de escalas diversas que se vão anulando umas às outras, sem que a maioria dos participantes do mercado dê conta desse facto.

Obviamente que podemos também escalonar a força direcional ou do “momentum” em cada gráfico ou escala analisada indicando que a força tendencial pode ser estabelecida algures entre 0 a 100% duma determinada unidade de força, a imaginação no cálculo de ferramentas ou armas de indicadores de trading na Análise Técnica não tem limites. Deixarei o tema tendencial para mais tarde.

Quer isto dizer que não devemos negociar mercados laterais? De maneira nenhuma, só que nestas circunstâncias a única forma rentável de comprar e vender este comportamento é o chamado método de reversão para a média. Há que deixar o mercado atingir valores extremos de afastamento elevado em relação ao meio dum determinado canal de evolução das cotações e aí comprar nas bases e vender nos topos.

O sinal da trade oscilatória estatisticamente de maior sucesso deverá sempre ser disparado de acordo com a “big picture” extraída das escalas superiores que definem o sentido autorizado da trade.

Ou seja, se o valor das escalas maiores apontar para uma resultante ascendente só deveremos iniciar negócios do tipo ascendente em qualquer das escalas mais abaixo, sabendo contudo de antemão que a maior probabilidade de êxito dum negócio, seja tendencial ou oscilatório, estará concentrada nas escalas maiores.

Neste tipo de negócios laterais ou oscilatórios o ponto de entrada deve ser colocado numa barra bem afastada da linha média do canal e a saída poderá ter regras bastante diferenciadas, com dois exemplos de posições longas entre muitas outras ideias:
1) Poderemos aguardar por uma visita ao limite contrário do canal;
2) Estabelecer uma relação de “target price” variando de 1 a cerca de 3 vezes a relação “reward/risk” para calcular à partida o valor da venda, sendo o risco o valor da diferença de preço entre a compra e o stop de venda inicial.

Com certeza que este tipo de trading em regimes laterais do mercado resulta numa carteira de “day trading” em moldes similares aos que indiquei, contudo os valores obtidos não se comparam com os negócios do tipo tendencial, em princípio a sua rentabilidade deverá estar compreendida um pouco abaixo de metade do retorno equivalente aos negócios do tipo tendencial.

Daí que o meu conselho, para quem se dedica ao trading, seja o de alocar menos capital aos negócios oscilatórios. Eu diria que um valor ideal, de acordo com inúmeros negócios mais que testados, deveria rondar cerca de metade do capital arriscado na mesma escala para as “trades” tendenciais.

Isto é, se por exemplo estivermos a negociar uma escala de 1 hora e uma escala diária, entre outras, poderíamos distribuir uma percentagem do capital total disponível da seguinte forma em cada negócio, aproveitando um exemplo aproximado do que pratico atualmente:

- Escala horária: 1% para “trades” oscilatórias e 2% para as tendenciais.
- Escala diária: 2% para negócios oscilatórios e 4% para os tendenciais.
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por Shimazaki_2 » 30/7/2026 10:17

Parabens Cem :clap:
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Re: Day Trading: dá dinheiro ou é uma treta?

por Kooc » 29/7/2026 21:00

Lendo isto, parece a minha consciência a "dar-me nas orelhas", porque o que estás a dizer, é o que eu penso e sei, mas nem sempre faço.
Já tentei de diversas formas, mas o negociar com escalas maiores, é o que nos dá mais rentabilidade e principalmente tranquilidade de espírito. É muito melhor negociar na escala diária, com trades de duração superior a uma semana, e no "entretanto" ir jogar golfe, do que estar o dia inteiro a olhar para a escala de 5 minutos.
Para mim, eu acho que o truque é ter muitos ativos debaixo de olho. Assim, há sempre um que está no ponto de entrada. Mantém-nos ocupados e com negócios frequentes. Se só seguimos dois ou três, acabamos por não resistir à espera e fazer entradas "de feeling". lembro-me sempre do Ulisses que dizia que tinha 250 ações debaixo de olho.
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