Ontem li esta resposta ponto por ponto da PataHari e não respondi, mas hoje decidi responder à letra, porque vejo aqui coisas que não lembra ao diabo.
Pata-Hari Escreveu:Jam, eu interpreto a entrevista exactamente do mesmo modo que o Happy Guy, devo dizer-te. E não compreendo como interpretas de outro modo o que é dito de modo directo (sem azo a interpretação).
Eu não li em lado nenhum a palavra "flexibilidade". Agradecia que me mostrasses onde é que ela aparece, porque nem com o "find" do internet explorer a descobri.
"Os salários poderiam ser mais altos?
Na maior parte dos casos poderia, se houvesse um estudo de empresa, que a racionalizasse, tornando-a mais eficiente e, eventualmente, reduzindo o número de pessoas, mas melhorando o nível salarial das restantes."Quando as pessoas lêem o que lhes interessa e ignoram o resto, o texto a bold e um sublinhado numa palavra, é a ultima esperança para que leiam com maior atenção. Não fala em mais flexibilidade, mas coloca "eventualmente" antes dos despedimentos.
Foi dito que os empregados são ineficientes e que se pode fazer mais com menos empregados. Que havendo flexibilidade do mercado de trabalho e podendo despedir os menos eficientes e formando os melhores, que se pode pagar mais aos produtivos. Ou seja, os estudos na empresa estão feitos, a empresa sabe exactamente quem é eficiente e o que seria ideal fazer permitindo mesmo aumentar ordenados. Tu chegas a conclusões e fazes deduções além do que é dito e que, a meu ver, deturpam completamente o sentido do que foi dito.
"Os salários poderiam ser mais altos?
Na maior parte dos casos poderia, se houvesse um estudo de empresa, que a racionalizasse, tornando-a mais eficiente e, eventualmente, reduzindo o número de pessoas, mas melhorando o nível salarial das restantes."Lendo bem novamente a bold vejo que o primordial é um estudo de empresa que a racionalize e a torne mais eficiente, tudo isto pode
eventualmente resultar em despedir pessoas menos qualificadas. Acho que já começa a ser um problema de língua portuguesa e não de teimosia minha ou sua.
É engraçado criticar a gestão e falar em má gestão. Boa ou má, tem sempre um mérito que os empregados sempre tão criticos não reconhecem (sem entenderem sequer o tiro nos pés que se estão a infligir) : enquanto a empresa durar, gerou emprego e pagou ordenados. No dia em que não houver condições para essa gestão e essa empresa se manter, não haverá emprego. Nem para os produtivos, nem para os não produtivos. É incrivel como a nossa cultura continua a não valorizar quem empreende e quem corre riscos de capital, quem gera emprego e riqueza : critica e tenta extorquir ao máximo as unicas galinha de ovos que tem.
A nossa cultura não valoriza quem corre o risco, por diversas razões. Para alguns não é risco nenhum, porque abrem empresas e fecham à velocidade da luz. Além disso o risco é compensado quando as coisas correm bem. Já viu empresas distribuirem lucros pelos funcionários? Algumas (uma infíma percentagem) sim, como reconhecimento do esforço comum, mas a maioria não. Ora quem "arrisca é que mais petisca", será essa remuneração do risco não chega? Além disso a valorização do esforço de quem arrisca é proporcinal à valorização do esforço de quem trabalha, e muitas vezes é proporcional ao respeito que certas entidades patronais têm por quem trabalha.
Sim? ok, fechemos então todas as empresas com maus gestores. Deve ser porreiro como solução para os empregados. Vamos então permitir que só empresas modernas e de valor acrescentado (competitivas, portanto) abram.
O fecho de certas empresas geridas por gente incompetente poderia ser uma "limpeza" no mercado, abrindo a oportunidade a gente competente para criar a sua empresa. Este poderia ser o ponto de partida para uma renovação do mercado. O problema é que o incompetente aranjaria sempre um estratagema para abrir outra empresa e fazer "mais do mesmo"
Claro que vai ser chato importar os trabalhadores para poderem trabalhar em estruturas complexas e pagar-lhes a eles. Sim, porque os nossos só aprenderam a fazer as tais tarefas simples e que competem com os emergentes. Se calhar a solução passa por mandar os nossos para a china, não?
Sabe que os emigrantes do leste preferem Espanha a Portugal para trabalhar, registando-se até a saída de muitos do nosso país. São qualificados (ou tem duvidas que o são?) e fogem de Portugal. Parece que até para os emigrantes o nosso mercado de trabalho não é atractivo. Isto tem sido noticiado nos media.
JAM Escreveu:Eu defendo a minha posição com factos, não somos trabalhadores pouco produtivos
Manda lá os factos e os números, porque os que nós conehcemos demonstram o oposto do que afirmas. As tuas fontes são diferentes das nossas.
Eu sou paciente, continuo a aguardar que me expliquem qual a razão que mantém a AutoEuropa em Portugal e a Continental Mabor em Portugal, isto para citar apenas dois exemplos. Ainda não vi ninguém explicar a razão. Já pedi esta explicação umas 5 vezes e ninguém se dignou explicar. Será que estão cá por caridade?
Isso é efectivamente um problema. Acreditar que os ordenados e os empregos são um direito adquirido pelo facto de se ter nascido é uma crença muito inculcada na nossa cultura. Que o mundo é uma árvore das patacas que nos cai nas mãos pelo simples facto de termos nascido.
Não disse que o emprego é um direito adquirido. Mas Portugal é uma árvore das patacas, nem é preciso trabalhar para que o dinheiro chegue às mãos. É sempre mais atraente receber 300 euros por mês sem fazer nada do que receber 400 e ter de trabalhar 8 horas por dia e ter de "rezar" para que receba no final do mês. Não defendo que está bem como está, mas os defeitos estão de ambos os lados.
JAM Escreveu:Temos mão de obra suficientemente barata para permitir Às empresa serem competitivas
de onde foste buscar essa ideia....?? isso foi verdade há 50 anos quando o mundo era pequenino e eram os paises à nossa volta. Esse modelo económico terminou.
Eu vou fazer de conta que isto foi um lapso de memória que teve ao escrever. Então nós somos um país de mão de obra cara? Até o Manuel Pinho disse uma verdade inconveniente na China, recorda-se da célebre frase "venham para portugal que a mão de obra é barata" quando estava de visita à China? O homem foi criticado por falar nisso quando queremos mudar, mas a verdade é que somos um país de mão de obra barata. Quantos paises na Europa têm um salário mínimo abaixo dos 500 Euros? 5 países? 10 países? Dos 27 membros da UE, nós estamos na cauda.
Sim, acabe-se com os gestores e as empresas, lol. Não entendes as implicações do que dizes?!
Entendo claro, então só é permitido criticar os trabalhadores?
Exacto, é fechar as empresas e acabar com os gestores que nos vai fazer ficar mais ricos....
Já respondi em cima.
Permite-me que te pergunte em que área trabalhas e que realidade conheces das empresas e das suas contas para ter as tuas opiniões tão inflexiveis? tenho dificuldade em conseguir imaginar que realidade conheces.
Já te disse que trabalho na industria textil. E posso questionar-te em que área trabalhas? Eu tenho curiosidade em perceber onde trabalham algumas pessoas que opinam aqui. Vou imaginando onde trabalham, mas guardo para mim o que imagino.
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