Ulisses Pereira Escreveu:Caro Valor, concordo com quase tudo o que escreveste,mas queria realçar que por muitos pedidos que se façam, o carisma dos CEO`s não se altera. Eles podem tentar ser isto ou aquilo, dizer isto ou aquilo, mas eu acredito que carisma e capacidade de liderança nascem com os indívudos e alguns nunca serão líderes carismáticos. Por mais que tentem.
Um abraço,
Ulisses
Viva,
Apesar de não achar que o carisma seja assim tão importante num CEO (acaba por ser uma consequência da confiança no seu próprio talento, embora seja o talento que interesse num CEO e não o carisma), acho que são qualidades que podem ser desenvolvidas, embora seja inata em raros casos.
Geralmente, a total falta de carisma e liderança é fruto do condicionamento, da maneira como o ambiente influenciou a personalidade. Estas qualidades podem ser "incutidas", se se vencer o condicionamento, e isso sim, é muito difícil em alguns, por mais que tentem.
Como é sábado, e ninguém (espero) leva a mal, vou exemplificar com filmes block-busters (que elitistas não devem ter visto, mas que se recomendam, com um balde de pipocas e bem acompanhados, em alta-definição e surround, quando possível):
Basta ver o "Spider Man 3", na parte em que o herói assume um "lado negro", para perceber que o carisma vem ao de cima porque está a fazer o que quer, como quer, quando quer, onde quer. Penso que neste filme a analogia do carisma com "lado negro" foi infeliz.
Existe uma linha muito ténue entre liderança carismática e ego-sede peneirenta, que talvez fosse o retratado no dito filme, e normalmente é o "carisma" revelado por quem profissionalmente está no "nível de Peter" (não o Parker, mas o Peter que afirmava que mais cedo ou mais tarde quase todos são promovidos a um nível tal em que são incompetentes).
Considero o Dr. Santana Lopes carismático, o Eng. Sócrates está a fazer um excelente e descomunal esforço, mas tem ainda muitos tíques de linguagem não verbal, e não só, que denunciam a olhos mais atentos que falta ainda qualquer coisa.
Os olhos menos atentos captam estas nuances subliminarmente, tal como nos exemplos das personalidade referidas ao longo deste tópico.
Mas não é o carisma que faz deles bons CEO's, apenas acrescenta valor. Um CEO sem carisma, mas que seja bom, é exactamente o mesmo que um carismático, pois ao fim ao cabo, são tudo contas de matemática e estratégia. Num político, num actor, num missionário, num líder, portanto, num "quem dá a cara" e comunica com o corpo, já faz muita, muita, muita diferença, aliás, faz toda.
Motivar, dirão alguns, exige carisma, mas não: isso faz-se com verdinhas, pancadas nas costas e arregaçar das mangas.
O carisma é uma forma subtil de hipnotismo, não motiva: convence, inconsciente, não deixando de recorrer a técnicas milenares teatrais de drama, efeitos cinemáticos, entretenimento no bom sentido de tentar embelezar e vender melhor a mensagem em que se acredita.
Se for dos mais tremendos, mais sólidos, mas serenos carismas que existam, nem é preciso falar ou mexer - sente-se esta força de "presença", nota-se a individualidade, mesmo que no meio de uma multidão, mal vestido, esfarrapado, gordo, magro, com barba por fazer - continuará carismática com um "je ne sais quoi" (começa na mente, o corpo propaga).
Exemplo: a entrada de James Bond (Die Another Day) num hotel 5 estrelas em Hong Kong, pouco depois do início do filme, de pijama, barba e gadelha enormes, a pingar água todo encharcado a atravessar o "lobby" luxuoso cheio de malta vestida de gala...
Eu estarei provavelmente a abusar de exemplos cinematográficos, evidentemente manipulados (luz, cor, background action, foque no personagem principal, etc.) para aumentar o carisma destes artificialmente - pois vistos de outro angulo poderiam parecer ridiculos - mas é uma forma de demonstrar que pode ser o carisma pode ser "induzido" e que todas as pessoas podem lá chegar.
Aliás, em certos cargos, devem.
O que me traz de volta ao tópico, para dizer que concordo que o carisma é de facto importante quando o que se espelha aqui é a forma como estas personalidades desempenham o seu papel diante do que mostram os media.
Claro que se, antes de obter esta "luz", este carisma, se a fingir, os resultados são catastróficos (Dr. Marques Mendes é um exemplo de um tipo que se tivesse trabalhado o carisma, tinha ido mais longe, não é por não o ter que era mau, pois não era).
O Dr. Luis Filipe Menezes ganhou muito pulso no Norte, e isso reflecte-se no carisma, embora voltar à capital possa trazer de volta, inconscientemente, condicionamentos adormecidos que lhe drenem a energia, e consequentemente, o carisma.
Alguém já viu o filme da animação "Surf's Up"? (não, não tenho - ainda - filhos, que saiba)
Numa das cenas o pinguim tenta "esculpir" o tronco de uma árvore até conseguir uma prancha de surf, e a lenda do surf diz-lhe "lembra-te que a prancha já está aí dentro (do tronco)".
Excelente lição de moral, e mais uma prova na prosa do efeito fim-de-semana aqui no je, este vosso amigo, que até iria dar uma voltita para esticar as pernas (e se calhar vou), apesar de isto estar muito "quente" aqui para os lados do Parque das Nações, de onde vos escrevo, com imenso prazer, este decreto-lei...
Mas em suma, um CEO não tem que ser carismático, a não ser que dê a cara para fora, pois para dentro tem que motivar, para fora tem que (con)vencer.
Abraços e bom fim-de-semana,
AMR
http://www.alvaromrocha.com