Banif lidera apostas
2007-12-04 00:05
Banif, Sonae Indústria, Martifer, Mota e Cimpor são algumas das apostas para 2008. O potencial de subida varia entre 25% e 73%.
Paula Alexandra Cordeiro e Bárbara Barroso
A evolução das bolsas tem muito ver com a gestão de expectativas. Olhar para o futuro é a máxima utilizada pelos gestores que utilizam as previsões para tomarem as suas decisões de investimento. Uma vez que o final de 2007 se aproxima a passos largos, o Diário Económico auscultou várias casas de investimentos para saber quais as acções portuguesas que em 2008 apresentam maior potencial de valorização. A escolha dos especialistas recaiu em oito empresas dos mais variados sectores. Sonae-SGPS, Mota-Engil, Cimpor, BES, Sonae Indústria, Banif, Altri e Martifer são as felizes contempladas.
Estes títulos podem subir entre 25% e 73%, ao longo do próximo ano, tendo em conta os preços-alvo atribuídos pelos vários analistas contactados. Da lista de 10 empresas, apenas duas não fazem parte do principal índice da bolsa portuguesa, o PSI 20, ou seja, o Banif e a Martifer.
Num momento em que o sector da banca é de evitar, a instituição financeira liderada por Horácio Roque apresenta a melhor perspectiva de subida, pois o preço-alvo da UBS, os 7,8 euros, pode permitir ao título ganhar quase 73% no próximo ano. As acções do banco foram bastante penalizadas nos últimos tempos, acompanhando o sector a nível internacional que tem sofrido fortemente por causa do impacto da crise de ‘sub-prime’. Um analista da UBS explicou esta escolha com “a estratégia seguida pelo banco ao nível do crescimento orgânico, no Continente e nas ilhas”, apresentando mesmo um forte desconto face aos congéneres europeus. Acrescentou que o Banif é um banco pequeno e pode “beneficiar” de uma possível consolidação do sector em Portugal.
Dentro desta mesma área, o Santander escolhe o BES. Os analistas atribuem um preço-alvo de 20,4 euros ao banco liderado por Ricardo Salgado. Face ao preço de fecho de ontem, a subida da acção pode atingir perto de 30% no próximo ano.
Esta aposta fica a dever-se ao facto do BES possuir uma forte rede de retalho que permite aguentar os problemas gerados com a crise de crédito, ao mesmo tempo que aproveitará a recuperação da economia portuguesa.
Relativamente às outras acções os analistas são consensuais na escolha da Sonae-SGPS. Com um potencial de subida superior a 25%, um dos principais “drivers” deste título será o “spin-off” da Sonae Capital, já em Janeiro de 2008, que deverá extrair ainda mais valor para os accionistas da empresa. A Lisbon Brokers atribuiu uma recomendação de “forte compra” a estes títulos, com um preço alvo de 2,7 euros por acção, enquanto o da UBS e da ESR é de 2,5 euros e o do Santander de 2,55 euros.
A recente cotada Martifer também faz parte desta lista. A ESR atribui um preço-alvo de 13,50 euros por cada acção da empresa dos irmãos Carlos e Jorge Martins, valor que supera em 57% a actual cotação dos títulos. A corretora sustenta esta avaliação no investimento da participada da Mota-Engil na geração de electricidade e nos biocombustíveis.
O ‘target’ de oito euros para a Altri pode levar a empresa de Paulo Fernandes a subir 32,5% em 2008. A ‘joint venture’ com a EDP no sector de energia renovável de biomassa é um “excelente investimento” é o ponto forte.
Sobre a Cimpor (potencial de subida 36%) e Mota-Engil (+50,5%), os especialistas referiram em relação à primeira a recente entrada nos mercados da Turquia e China, este último podendo representar cerca de 50% do consumo mundial de cimento em 2010. Sobre a segunda, o analista da UBS destacou a importância que a construtora terá, no futuro, nas grandes obras portuguesas, nomeadamente no novo aeroporto e na ligação ferroviária a Madrid.
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