Página 1 de 1

Negócios das arábias no país das maravilhas

MensagemEnviado: 19/11/2007 8:14
por luiz22
Negócios das arábias no país das maravilhas
Nos Emiratos Árabes Unidos estão 20% de todas as gruas do planeta. Há um projecto de cidade que é cinco vezes maior do que lisboa. Faltam 500 mil novas casas. Ninguém paga impostos. E já há portugueses a ganhar muito, muito dinheiro.

Fareed Abdulrahman tem um longo manto branco, mas não o veste para escapar ao calor infernal do Dubai. Isso era dantes, quando tinha 10 anos, dormia com uma ventoínha aos pés da cama e aprendia com os pais que a melhor forma de vencer o termómetro era mexer-se o menos possível. Fareed, na verdade, não precisava de fazer muito. Ele e todo o país viviam sobre uma imensa piscina de petróleo.

Agora, apenas 24 anos depois, Fareed é o presidente executivo de uma empresa com nome certeiro: SmartCity. Foi ele quem, num ano, construiu do nada a Internet City, uma das vinte zonas livres de impostos que o país desenhou para atrair investimento estrangeiro e onde hoje trabalham mais de 14 mil especialistas em tecnologia vindos de 85 nações diferentes. Fareed tem 34 anos e cresceu como os Emiratos Árabes Unidos - muito depressa.

O que despertou Fareed foi o mesmo que sacudiu o país: perceberam que a piscina já não enchia. Só esvaziava. “Há quem diga que um país é abençoado quando tem recursos naturais”, explica Fareed no inglês fluente, que aprendeu enquanto estudava fora. “Nós fomos abençoados quando descobrimos que as riquezas naturais estavam a desaparecer.”

Este é o segredo dos Emiratos Árabes Unidos e ajuda a explicar como foi possível transformar um deserto 23 vezes mais pequeno do que Portugal numa economia vibrante que cresce há uma década consecutiva a um ritmo de 8% ao ano. Em vez de petróleo, eles perceberam que estavam no no meio do planeta e que isso lhes permitia oferecer ao mundo um oásis financeiro. Para atrair pessoas e empresas, seguiram os manuais: acabaram com os impostos, mataram a burocracia e abriram a economia a qualquer visitante que trouxesse ideias e dinheiro fresco. Não é a versão moderna da velha hospitalidade do deserto - é mesmo faro para o negócio.

No faustoso ‘lobby’ do Emirates Palace, um hotel de 410 quartos desenhado para replicar o luxo dos palácios indianos, há um cartaz com uma fotografia do presidente dos Emiratos, que é também o líder do Abu Dhabi. Sobre a sua cabeça lê-se só a palavra INSPIRATION - o nome dele não caberia ali: Sua Alteza Xeque Khalifa Bin Zayed Al Nahyan. Mas na fotografia cabe a dimensão da inspiração: um investimento de 100 mil milhões de dólares (68,2 mil milhões de euros) para criar uma ilha perfeita nas margens da capital dos Emiratos Árabes Unidos com o traço dos arquitectos Frank Gehry (sim, mais um museu Guggenheim), Norman Foster, Tadao Ando e Zaha Hadid. Contas rápidas, e se a primeira parcela deste investimento (13,6 mil milhões de euros) fosse aplicada na economia portuguesa, Portugal chegaria ao final de 2007 com a economia a crescer 15% em termos reais. “O segredo é simples”, resume Fareed. “Ter visão a longo prazo e capacidade de concretização rápida.”

Quando o Diário Económico decidiu partir à descoberta desta economia das arábias, sabia que a viagem seria assim: um soco no estômago permanente para quem vive num país onde cada decisão demora décadas. Pior: onde num pedaço de terra que é agora pouco maior do que o grande Porto - o Dubai - se projecta construir já no próximo ano a Dubailand, uma “terra nova” que terá o tamanho de quatro cidades de Manhattan ou o equivalente a cinco Lisboas. Mas o trabalho aqui está, feito por uma equipa de reportagem que preparou, para si, e durante os próximos três dias, um guia que procura dar todas as respostas a curiosos, interessados e, claro, a todos quantos queiram investir nesta federação de pequenos Emiratos onde estão já 25% de todas as empresas listadas na poderosa lista Fortune 500 - sendo que, das 10 maiores, nove estão lá. O que permite fechar este texto com a resposta à pergunta essencial: vale mesmo a pena investir nos Emiratos Árabes Unidos? Vale.

Ao longo destes quatro dias, descobrirá que o Dubai é o Emirato que já recebeu maior volume de investimentos e que isso se explica facilmente: o Dubai foi o primeiro a sentir o petróleo parar de pingar, mas também foi o primeiro a substituir essa torneira dourada por outra - a da construção. Por isso, é no Dubai que se concentra a fatia de leão dos investimentos portugueses e de todos os outros países atentos à região. Isso explica, depois, outros factos incríveis: estão no Dubai 20% de todas as gruas do planeta, há 100 torres de escritórios acabadas de construir este ano e, só para dar um tecto aos novos residentes que o país espera oficialmente nos próximos 10 anos, os especialistas juram que será preciso construir ainda 500 mil novas casas. Claro: a concorrência aqui é fogo, como explicaram os representantes das empresas portuguesas com operações locais que o Diário Económico reuniu no Observatório cujo conteúdo poderá ler já na edição de quarta-feira.

Descobrirá, ainda, que o Abu Dhabi, a capital do país, é um lugar bem mais calmo. Por lá já existem torres de escritórios e edifícios megalómanos - mas nada que se compare ao Dubai. E a razão é que no Abu Dhabi a torneira do petróleo ainda não secou. Mas atenção: o tempo ali corre depressa e eles já decidiram recorrer ao modelo de sucesso do Dubai - muita construção, muito turismo e muitos negócios. Não apenas locais, como perceberá pela leitura deste trabalho - estar nos Emiratos, dizem todas as empresas, é pôr um pé em todo o Médio Oriente, África e Ásia. Eles estão no meio do mundo e querem ser o novo ‘hub’ de negócios que destronará Singapura e Hong-Kong.

Portanto, se chegar ao final deste especial de três dias a acreditar que o vão conseguir, então está como a equipa do Diário Económico. Sabe que eles vão conseguir. Na verdade, é tão simples como diz Zélia da Conceição, no Dubai há sete anos: “No nosso país temos belezas naturais. Aqui a