Market & Investments Views - Novembro
ECONOMIA GLOBAL
Menos liquidez, menor crescimento.
As previsões do FMI (do World Economic Outlook de Outono) sugerem uma ligeira desaceleração do crescimento económico mundial em 2008 (de 5.2% para 4.8%, ainda um registo forte), com uma expectativa de variações reais do PIB moderadas nos Estados Unidos, Zona Euro e Reino Unido, mas mantendo-se registos de crescimentos fortes nas economias emergentes e em desenvolvimento (menos expostas aos problemas do crédito titulado, beneficiando de uma conjuntura ainda favorável nas commodities e com fundamentos macroeconómicos positivos). Quanto à inflação, o FMI mantém a expectativa de um crescimento moderado dos preços em 2008.
Nas economias emergentes e em desenvolvimento, mantêm-se, por seu lado, as tendências de subida dos excedentes das contas externas e dos fluxos de investimento estrangeiro, acentuando o movimento de acumulação de reservas externas, o que contribui para a expectativa de um ambiente macroeconómico estabilizado em 2008.
Entretanto, a economia mundial – e, em particular, as economias desenvolvidas – continuam a lidar com um ambiente mais deteriorado no que respeita à liquidez e aos mercados de crédito.
Após alguma estabilização e aumento da confiança em Setembro, no seguimento dos cortes de juros por parte da Reserva Federal americana, o final de Outubro trouxe um newsflow mais negativo ao nível da actividade económica real nos EUA e ao nível de alguns resultados do 3º trimestre no sector financeiro.
A expectativa de um impacto mais prolongado da crise dos subprime mortgages levou a um aumento da volatilidade no mercado accionista, a um novo alargamento dos spreads de crédito, a uma nova fuga para os títulos de dívida pública e a uma depreciação adicional do USD.
Um ambiente mais restritivo ao nível da liquidez nos Estados Unidos e na Zona Euro é sugerido pelos spreads mais elevados nos mercados monetário e de crédito, mesmo após a correcção observada a partir dos máximos de Agosto.
Os spreads dos CDS (credit default swaps) subiram de novo em Outubro (e mantêm-se em níveis superiores aos de Julho), sugerindo custos de funding mais elevados para as empresas e Bancos; o mercado primário de securitizações continua virtualmente estagnado. Com excepção dos prazos mais curtos (onde as intervenções dos Bancos Centrais tiveram um impacto positivo), a liquidez continua escassa no mercado monetário (especialmente na Zona Euro), com as respectivas taxas claramente acima dos níveis normais.
Commodities
Os preços do petróleo mantêm uma trajectória de subida, com máximos nominais atingidos em Outubro, acima de USD 90/barril (quer no mercado de Londres, quer no de Nova York).
A forte procura por parte da Ásia emergente (sobretudo China), a continuação de restrições da oferta, a depreciação do dólar e os renovados riscos geopolíticos (sobretudo relacionados com tensões políticas e militares envolvendo a Turquia e o Iraque, por um lado, e o Irão e os EUA por outro), explicam o novo impulso registado pelos preços.
Em termos reais, preço do petróleo está já em máximos desde o início dos anos 1980, e a aproximar-se dos níveis do choque de 1979, que equivaleria, aos preços actuais, a um registo em torno de USD/barril 100.
Os preços de commodities não energéticas (metais e alimentação) mantêm também tendência de subida, com potenciais efeitos sobre a inflação a médio prazo. Com a subida do preço do petróleo e a depreciação do dólar, o preço do ouro subiu já cerca de 23% desde o início do ano, atingindo os máximos dos últimos 28 anos (em torno de USD 785/onça). Desde o início do ano, preços do cobre e trigo subiram já 24% e 61%, respectivamente.
EUA
As preocupações em relação à actividade económica são, sobretudo, visíveis nos EUA, onde a maior restritividade nos critérios de financiamento tem vindo a acentuar a recessão no sector da habitação.
As vendas de habitações novas caem ainda 23.3% y-o-y em Outubro, pressionando em alta os stocks de habitações não vendidas (subiram de 6.8 para 8.3 meses de vendas no último ano) e em baixa os respectivos preços. O índice de preços S&P Case-Shiller caiu, em Agosto, 4.4% y-o-y (acima das expectativas). Para 2008, são esperadas quedas em torno de 10%.
Contudo, o PIB registou mesmo uma ligeira aceleração no 3º trimestre (de 3.8% para 3.9% em termos anualizados), suportada por fortes crescimentos das exportações e do consumo privado.
A desaceleração deverá ocorrer a partir do 4º trimestre, com uma possível estagnação do PIB (desaceleração do consumo privado e maior queda no investimento residencial).
A recente deterioração das expectativas de crescimento e a persistência de alguma instabilidade no sector financeiro associada ao crédito de má qualidade levaram a Fed a proceder a uma nova descida da target rate dos fed funds no final de Outubro (em 25 bps, para 4.5%).
Os juros de referência poderão chegar a 4% até 2Q 2008, também em função de uma subida do desemprego e de um comportamento favorável dos preços (IPC core estabilizado em torno de 2.1% y-o-y e deflator core do consumo privado em 1.8% y-o-y).
Apesar da expectativa de um crescimento próximo de 2%, a possibilidade de recessão na 1ª metade de 2008 não pode ser ignorada. Cortes mais agressivos dos juros, a depreciação do dólar e a subida do preço do petróleo podem vir a gerar preocupações inflacionistas a médio prazo.
Zona Euro
O PIB deverá ainda crescer 0.5%-0.6% em termos trimestrais no 3º trimestre e em torno de 0.4%-0.5% no 4º trimestre. Mas os indicadores qualitativos sugerem uma desaceleração da actividade em 2008, esperando-se uma descida do crescimento do PIB, de 2.5% para 2%.
O inquérito do BCE ao mercado de crédito relativo ao 3º trimestre mostra um aumento significativo da percentagem líquida de Bancos a adoptar critérios de concessão de crédito mais restritivos.
A deterioração da confiança empresarial resulta também da tendência de apreciação do euro (subida de cerca de 9% face ao dólar desde o início do ano, com máximos históricos em torno de EUR/USD 1.44).
A inflação subiu de 1.7% para 2.1% em Setembro e deverá ter subido para 2.4% em Outubro, em resultado de uma forte subida homóloga dos preços da energia e de um aumento dos preços dos bens alimentares.
Apesar de uma desaceleração nas componentes mais líquidas (crescimento do M1 cai de 6.7% para 6.1%), a oferta de Moeda (M3) e o crédito às sociedades não financeiras mantêm crescimentos homólogos fortes, em 11.3% e 14.1%. A taxa de desemprego mantém tendência de baixa (queda de 8.8% para 8.7% da população activa na Alemanha).
Neste contexto, o Banco Central Europeu tem reforçado o seu tightening bias, com vários membros do Conselho de Governadores a referir os riscos acrescidos de inflação e o crescimento ainda relativamente forte da actividade. Uma normalização das condições no mercado monetário deveria, assim, levar o BCE a retomar o ciclo de subida de juros de referência em 2008. Mantém-se, assim, o cenário de subida das médias anuais das taxas Euribor em 2008 (Euribor a 3 meses em torno de 4.4%).
Fonte: ES Research
Abraço
Nuno Guedes
NNNN
Menos liquidez, menor crescimento.
As previsões do FMI (do World Economic Outlook de Outono) sugerem uma ligeira desaceleração do crescimento económico mundial em 2008 (de 5.2% para 4.8%, ainda um registo forte), com uma expectativa de variações reais do PIB moderadas nos Estados Unidos, Zona Euro e Reino Unido, mas mantendo-se registos de crescimentos fortes nas economias emergentes e em desenvolvimento (menos expostas aos problemas do crédito titulado, beneficiando de uma conjuntura ainda favorável nas commodities e com fundamentos macroeconómicos positivos). Quanto à inflação, o FMI mantém a expectativa de um crescimento moderado dos preços em 2008.
Nas economias emergentes e em desenvolvimento, mantêm-se, por seu lado, as tendências de subida dos excedentes das contas externas e dos fluxos de investimento estrangeiro, acentuando o movimento de acumulação de reservas externas, o que contribui para a expectativa de um ambiente macroeconómico estabilizado em 2008.
Entretanto, a economia mundial – e, em particular, as economias desenvolvidas – continuam a lidar com um ambiente mais deteriorado no que respeita à liquidez e aos mercados de crédito.
Após alguma estabilização e aumento da confiança em Setembro, no seguimento dos cortes de juros por parte da Reserva Federal americana, o final de Outubro trouxe um newsflow mais negativo ao nível da actividade económica real nos EUA e ao nível de alguns resultados do 3º trimestre no sector financeiro.
A expectativa de um impacto mais prolongado da crise dos subprime mortgages levou a um aumento da volatilidade no mercado accionista, a um novo alargamento dos spreads de crédito, a uma nova fuga para os títulos de dívida pública e a uma depreciação adicional do USD.
Um ambiente mais restritivo ao nível da liquidez nos Estados Unidos e na Zona Euro é sugerido pelos spreads mais elevados nos mercados monetário e de crédito, mesmo após a correcção observada a partir dos máximos de Agosto.
Os spreads dos CDS (credit default swaps) subiram de novo em Outubro (e mantêm-se em níveis superiores aos de Julho), sugerindo custos de funding mais elevados para as empresas e Bancos; o mercado primário de securitizações continua virtualmente estagnado. Com excepção dos prazos mais curtos (onde as intervenções dos Bancos Centrais tiveram um impacto positivo), a liquidez continua escassa no mercado monetário (especialmente na Zona Euro), com as respectivas taxas claramente acima dos níveis normais.
Commodities
Os preços do petróleo mantêm uma trajectória de subida, com máximos nominais atingidos em Outubro, acima de USD 90/barril (quer no mercado de Londres, quer no de Nova York).
A forte procura por parte da Ásia emergente (sobretudo China), a continuação de restrições da oferta, a depreciação do dólar e os renovados riscos geopolíticos (sobretudo relacionados com tensões políticas e militares envolvendo a Turquia e o Iraque, por um lado, e o Irão e os EUA por outro), explicam o novo impulso registado pelos preços.
Em termos reais, preço do petróleo está já em máximos desde o início dos anos 1980, e a aproximar-se dos níveis do choque de 1979, que equivaleria, aos preços actuais, a um registo em torno de USD/barril 100.
Os preços de commodities não energéticas (metais e alimentação) mantêm também tendência de subida, com potenciais efeitos sobre a inflação a médio prazo. Com a subida do preço do petróleo e a depreciação do dólar, o preço do ouro subiu já cerca de 23% desde o início do ano, atingindo os máximos dos últimos 28 anos (em torno de USD 785/onça). Desde o início do ano, preços do cobre e trigo subiram já 24% e 61%, respectivamente.
EUA
As preocupações em relação à actividade económica são, sobretudo, visíveis nos EUA, onde a maior restritividade nos critérios de financiamento tem vindo a acentuar a recessão no sector da habitação.
As vendas de habitações novas caem ainda 23.3% y-o-y em Outubro, pressionando em alta os stocks de habitações não vendidas (subiram de 6.8 para 8.3 meses de vendas no último ano) e em baixa os respectivos preços. O índice de preços S&P Case-Shiller caiu, em Agosto, 4.4% y-o-y (acima das expectativas). Para 2008, são esperadas quedas em torno de 10%.
Contudo, o PIB registou mesmo uma ligeira aceleração no 3º trimestre (de 3.8% para 3.9% em termos anualizados), suportada por fortes crescimentos das exportações e do consumo privado.
A desaceleração deverá ocorrer a partir do 4º trimestre, com uma possível estagnação do PIB (desaceleração do consumo privado e maior queda no investimento residencial).
A recente deterioração das expectativas de crescimento e a persistência de alguma instabilidade no sector financeiro associada ao crédito de má qualidade levaram a Fed a proceder a uma nova descida da target rate dos fed funds no final de Outubro (em 25 bps, para 4.5%).
Os juros de referência poderão chegar a 4% até 2Q 2008, também em função de uma subida do desemprego e de um comportamento favorável dos preços (IPC core estabilizado em torno de 2.1% y-o-y e deflator core do consumo privado em 1.8% y-o-y).
Apesar da expectativa de um crescimento próximo de 2%, a possibilidade de recessão na 1ª metade de 2008 não pode ser ignorada. Cortes mais agressivos dos juros, a depreciação do dólar e a subida do preço do petróleo podem vir a gerar preocupações inflacionistas a médio prazo.
Zona Euro
O PIB deverá ainda crescer 0.5%-0.6% em termos trimestrais no 3º trimestre e em torno de 0.4%-0.5% no 4º trimestre. Mas os indicadores qualitativos sugerem uma desaceleração da actividade em 2008, esperando-se uma descida do crescimento do PIB, de 2.5% para 2%.
O inquérito do BCE ao mercado de crédito relativo ao 3º trimestre mostra um aumento significativo da percentagem líquida de Bancos a adoptar critérios de concessão de crédito mais restritivos.
A deterioração da confiança empresarial resulta também da tendência de apreciação do euro (subida de cerca de 9% face ao dólar desde o início do ano, com máximos históricos em torno de EUR/USD 1.44).
A inflação subiu de 1.7% para 2.1% em Setembro e deverá ter subido para 2.4% em Outubro, em resultado de uma forte subida homóloga dos preços da energia e de um aumento dos preços dos bens alimentares.
Apesar de uma desaceleração nas componentes mais líquidas (crescimento do M1 cai de 6.7% para 6.1%), a oferta de Moeda (M3) e o crédito às sociedades não financeiras mantêm crescimentos homólogos fortes, em 11.3% e 14.1%. A taxa de desemprego mantém tendência de baixa (queda de 8.8% para 8.7% da população activa na Alemanha).
Neste contexto, o Banco Central Europeu tem reforçado o seu tightening bias, com vários membros do Conselho de Governadores a referir os riscos acrescidos de inflação e o crescimento ainda relativamente forte da actividade. Uma normalização das condições no mercado monetário deveria, assim, levar o BCE a retomar o ciclo de subida de juros de referência em 2008. Mantém-se, assim, o cenário de subida das médias anuais das taxas Euribor em 2008 (Euribor a 3 meses em torno de 4.4%).
Fonte: ES Research
Abraço
Nuno Guedes
NNNN