Sempre achei que o imobiliario é um barometro de um economia pujante e em desenvolvimento , quando os sinais são de recessão neste sector pára tudo, pois as industrias e serviços dependentes deste sector são a grande maioria, continuo a pensar que estou certo sobre o assunto imobilario/barometro....
"Leilões de casas por pagar já são um bom negócio
Malparado Desemprego e divórcio são causas principais do incumprimento no crédito à habitação Instituições bancárias livram-se de habitações através de leilão
Isabel Forte
Comprar um apartamento com quatro assoalhadas em Lisboa por 60 mil euros, ou com duas, na Póvoa de Varzim, por 40 mil, pode não ser um negócio impossível. O importante é estar atento e ter a sorte durante as licitações dos leilões de imóveis - a última moda em Portugal - de serem vendidas casas a preços atractivos. Até porque grande parte dos imóveis que chegam a estes leilões provêm de instituições bancárias e resultam de crédito mal parado.
Só em Agosto deste ano, revela o Banco de Portugal, dos 72 mil milhões de euros em movimento para crédito à habitação, mais de mil milhões diziam respeito a incumprimento bancário.
Ora, o negócio dos bancos é comprar e vender dinheiro, nunca investir em imóveis. Pelo que, basicamente, quantos mais imóveis um banco tem, menos dinheiro possui para emprestar. "O dinheiro tem de rodar, não pode ficar parado", explica ao JN fonte bancária, cuja instituição também tem aproveitado os leilões para "despachar" imóveis. "Quanto mais um banco tiver habitações, mais necessidade tem de aumentar o seu capital próprio". E simplifica: "Imagine-se que são meras questões contabilísticas, que obrigam a que um banco tenha todo o interesse em ter o valor do património reduzido ao mínimo".
A vantagem, portanto, é vender rapidamente o "stock" de habitações paradas, quando os clientes deixam de pagar as prestações do crédito à habitação. E se estes novos leilões ajudam a "despachar" o que está a mais, tanto melhor. Para os bancos e para os consumidores.
Só este mês, por exemplo, a Euro Estates, uma das empresas que agarrou a iniciativa dos leilões, já realizou duas sessões. Uma em Lisboa e outra em Vila Nova de Gaia. Muitos dos imóveis licitados, refere a empresa, foram encaminhados por instituições bancárias. Desde a Caixa Geral de Depósitos, ao Millennium bcp, Montepio Geral ou Banif.
Mas a venda de imóveis, por crédito mal parado, é quase o último recurso da maior parte das instituições. Quase sem excepção, todos tentam, junto do cliente incumpridor, negociar o melhor para que a casa sujeita a crédito não mude de mãos.
Na Caixa Geral de Depósitos, por exemplo, onde a percentagem maior de crédito mal parado está ligada a clientes que passaram por uma situação de divórcio ou ficaram no desemprego, tenta-se de tudo para arranjar uma solução. "São situações sociais complicadas", explica ao JN fonte do gabinete de imprensa da CGD. "Nesses casos, o gestor de clientes entra em contacto com a pessoa, tenta perceber o motivo do incumprimento e, se for pontual, resolve-se"; se for uma situação de desemprego, "negoceia-se um prazo mais alargado para o pagamento do crédito". Só em último caso, refere, "é que se irá para tribunal".
No Millennium bcp, o crédito mal parado também aparece ligado a situações de divórcio (31%) e de desemprego (25%). A instituição tenta, primeiro, "resolver o problema numa prespectiva positiva". No mesmo plano está o BPI, onde o incumprimento se deve ao desemprego e divórcio (50%). Cartas de aviso ao incumpridor é a primeira acção tomada. Só em último caso se opta pela via judicial"
"Leilões de casas por pagar já são um bom negócio
Malparado Desemprego e divórcio são causas principais do incumprimento no crédito à habitação Instituições bancárias livram-se de habitações através de leilão
Isabel Forte
Comprar um apartamento com quatro assoalhadas em Lisboa por 60 mil euros, ou com duas, na Póvoa de Varzim, por 40 mil, pode não ser um negócio impossível. O importante é estar atento e ter a sorte durante as licitações dos leilões de imóveis - a última moda em Portugal - de serem vendidas casas a preços atractivos. Até porque grande parte dos imóveis que chegam a estes leilões provêm de instituições bancárias e resultam de crédito mal parado.
Só em Agosto deste ano, revela o Banco de Portugal, dos 72 mil milhões de euros em movimento para crédito à habitação, mais de mil milhões diziam respeito a incumprimento bancário.
Ora, o negócio dos bancos é comprar e vender dinheiro, nunca investir em imóveis. Pelo que, basicamente, quantos mais imóveis um banco tem, menos dinheiro possui para emprestar. "O dinheiro tem de rodar, não pode ficar parado", explica ao JN fonte bancária, cuja instituição também tem aproveitado os leilões para "despachar" imóveis. "Quanto mais um banco tiver habitações, mais necessidade tem de aumentar o seu capital próprio". E simplifica: "Imagine-se que são meras questões contabilísticas, que obrigam a que um banco tenha todo o interesse em ter o valor do património reduzido ao mínimo".
A vantagem, portanto, é vender rapidamente o "stock" de habitações paradas, quando os clientes deixam de pagar as prestações do crédito à habitação. E se estes novos leilões ajudam a "despachar" o que está a mais, tanto melhor. Para os bancos e para os consumidores.
Só este mês, por exemplo, a Euro Estates, uma das empresas que agarrou a iniciativa dos leilões, já realizou duas sessões. Uma em Lisboa e outra em Vila Nova de Gaia. Muitos dos imóveis licitados, refere a empresa, foram encaminhados por instituições bancárias. Desde a Caixa Geral de Depósitos, ao Millennium bcp, Montepio Geral ou Banif.
Mas a venda de imóveis, por crédito mal parado, é quase o último recurso da maior parte das instituições. Quase sem excepção, todos tentam, junto do cliente incumpridor, negociar o melhor para que a casa sujeita a crédito não mude de mãos.
Na Caixa Geral de Depósitos, por exemplo, onde a percentagem maior de crédito mal parado está ligada a clientes que passaram por uma situação de divórcio ou ficaram no desemprego, tenta-se de tudo para arranjar uma solução. "São situações sociais complicadas", explica ao JN fonte do gabinete de imprensa da CGD. "Nesses casos, o gestor de clientes entra em contacto com a pessoa, tenta perceber o motivo do incumprimento e, se for pontual, resolve-se"; se for uma situação de desemprego, "negoceia-se um prazo mais alargado para o pagamento do crédito". Só em último caso, refere, "é que se irá para tribunal".
No Millennium bcp, o crédito mal parado também aparece ligado a situações de divórcio (31%) e de desemprego (25%). A instituição tenta, primeiro, "resolver o problema numa prespectiva positiva". No mesmo plano está o BPI, onde o incumprimento se deve ao desemprego e divórcio (50%). Cartas de aviso ao incumpridor é a primeira acção tomada. Só em último caso se opta pela via judicial"