Re: Batotices
Pata-Hari Escreveu:Camilo Lourenço
Batotices
camilolourenco@gmail.com
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A receita do IRC cresce a 24,8%; a do IRS a 8,6%; a do IVA a 5,5%. Bem acima do PIB!!! As despesas com pessoal da Administração sobem 3,9%. As despesas correntes 3,2%. Os números (Agosto) são do Ministério das Finanças. Apesar destas evidências, o ministro continua a dizer (como fez na 6ª feira, em conferência de imprensa) que a consolidação orçamental está a ser feita, em 80%, pela via contenção da despesa pública.
Nada me move contra o ministro. Pelo contrário, até já o elogiei. Quando chegou, poucos davam alguma coisa por ele. Parecia talhado para o facilitismo. Dois orçamentos depois, Teixeira dos Santos provou que um ministro, para ser eficaz, não precisa de falar grosso. Mas isso não apaga os factos: não fora a espectacular revolução na Administração Fiscal, só teríamos o défice nos 3% lá para finais de 2008 (na melhor das hipóteses).
Onde é que isto nos deixa? Teixeira dos Santos é competente, mas não é anjinho. E, como tal, também faz as suas batotices. Uma delas foi denunciada pelo director deste jornal, no sábado, a propósito da comparação de previsões de crescimento entre Portugal e a União. A outra é apresentar o OE sem dar aos jornalistas quais elementos (sem papéis, não há análise; e sem análise, não há perguntas incómodas). Mas o que mais choca mesmo, ao analisar o OE 2008, é ficarmos com a sensação de que se podia ir (muito) mais longe.
Mais um que deu para este grande peditório. Daqui a uns anos descobrirá, tal como muitos nós, que era um saco sem fundo.
O que é muito estranho é alguns jornalistas terem comentado (e apreciado, claro) o Orçamento de Estado quando ele ainda não existia. E afinal, só foi dado muito mais tarde aos jornalistas como o Camilo Lourenço confessa.
Aproveito para contar este epidódio. Há dias na SIC Noticias, um comentador de serviço elogiava (como de costume) a preocupação e a coragem (!) social do Governo em 'atacar' as pensões mais elevadas. Em abono da verdade, não se atreveu, porém, a garantir que os pensionistas com reformas mais baixas iria ser beneficiados por isso.
Primeiro aspecto a salientar. O OE ainda não estava finalizado.
Segundo, uma 'gafe' no texto do OE implementava precisamente o contrário. Ou seja, as reformas mais baixas iriam ser mais prejudicadas.
Agora, pergunto eu:
- Como podia este comentador avaliar algo cuja forma final ainda não tinha sido distribuido aos jornalistas (nem à Ass Republica) ?
- Supondo, que ele teria tido, por qualquer forma, acesso ao documento. Ou não o tinha lido ou, não sabe ler. Porque o que estava no documento era precisamente o contrário.
É desta massa que é agora feito o jornalismo em Portugal. Com base em Press Releases do Governo ou, em úteis 'fugas de informação'.
Boa noite,
ls