Caldeirão da Bolsa

Batotices

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

Re: Batotices

por LS » 16/10/2007 20:08

Pata-Hari Escreveu:
Camilo Lourenço
Batotices
camilolourenco@gmail.com
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A receita do IRC cresce a 24,8%; a do IRS a 8,6%; a do IVA a 5,5%. Bem acima do PIB!!! As despesas com pessoal da Administração sobem 3,9%. As despesas correntes 3,2%. Os números (Agosto) são do Ministério das Finanças. Apesar destas evidências, o ministro continua a dizer (como fez na 6ª feira, em conferência de imprensa) que a consolidação orçamental está a ser feita, em 80%, pela via contenção da despesa pública.
Nada me move contra o ministro. Pelo contrário, até já o elogiei. Quando chegou, poucos davam alguma coisa por ele. Parecia talhado para o facilitismo. Dois orçamentos depois, Teixeira dos Santos provou que um ministro, para ser eficaz, não precisa de falar grosso. Mas isso não apaga os factos: não fora a espectacular revolução na Administração Fiscal, só teríamos o défice nos 3% lá para finais de 2008 (na melhor das hipóteses).

Onde é que isto nos deixa? Teixeira dos Santos é competente, mas não é anjinho. E, como tal, também faz as suas batotices. Uma delas foi denunciada pelo director deste jornal, no sábado, a propósito da comparação de previsões de crescimento entre Portugal e a União. A outra é apresentar o OE sem dar aos jornalistas quais elementos (sem papéis, não há análise; e sem análise, não há perguntas incómodas). Mas o que mais choca mesmo, ao analisar o OE 2008, é ficarmos com a sensação de que se podia ir (muito) mais longe.



Mais um que deu para este grande peditório. Daqui a uns anos descobrirá, tal como muitos nós, que era um saco sem fundo.

O que é muito estranho é alguns jornalistas terem comentado (e apreciado, claro) o Orçamento de Estado quando ele ainda não existia. E afinal, só foi dado muito mais tarde aos jornalistas como o Camilo Lourenço confessa.

Aproveito para contar este epidódio. Há dias na SIC Noticias, um comentador de serviço elogiava (como de costume) a preocupação e a coragem (!) social do Governo em 'atacar' as pensões mais elevadas. Em abono da verdade, não se atreveu, porém, a garantir que os pensionistas com reformas mais baixas iria ser beneficiados por isso.

Primeiro aspecto a salientar. O OE ainda não estava finalizado.

Segundo, uma 'gafe' no texto do OE implementava precisamente o contrário. Ou seja, as reformas mais baixas iriam ser mais prejudicadas.

Agora, pergunto eu:
- Como podia este comentador avaliar algo cuja forma final ainda não tinha sido distribuido aos jornalistas (nem à Ass Republica) ?
- Supondo, que ele teria tido, por qualquer forma, acesso ao documento. Ou não o tinha lido ou, não sabe ler. Porque o que estava no documento era precisamente o contrário.

É desta massa que é agora feito o jornalismo em Portugal. Com base em Press Releases do Governo ou, em úteis 'fugas de informação'.

Boa noite,
ls
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por valves » 16/10/2007 19:38

a questão é pertinente a consolidação faz-se por via da receita e não despesa, no entanto é de duvidar que algum governo tenha força para consolidar por via da despesa neste momento. Portugal tem desiquilibrios economicos profundos muito parecidos com os países da america latina, no entanto como temos o Euro não temos crises monetarias temos crises de endividamento :? que abrangem transversalmente sector publico e privado e também a banca que para emprestar tem que pedir emprestado lá fora ...

Cumprimentos
Aqui no Caldeirão no Longo Prazo estamos todos ricos ... no longuissimo prazo os nossos filhos estarão ainda mais ricos ...
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Batotices

por Pata-Hari » 16/10/2007 19:06

Camilo Lourenço
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A receita do IRC cresce a 24,8%; a do IRS a 8,6%; a do IVA a 5,5%. Bem acima do PIB!!! As despesas com pessoal da Administração sobem 3,9%. As despesas correntes 3,2%. Os números (Agosto) são do Ministério das Finanças. Apesar destas evidências, o ministro continua a dizer (como fez na 6ª feira, em conferência de imprensa) que a consolidação orçamental está a ser feita, em 80%, pela via contenção da despesa pública.
Nada me move contra o ministro. Pelo contrário, até já o elogiei. Quando chegou, poucos davam alguma coisa por ele. Parecia talhado para o facilitismo. Dois orçamentos depois, Teixeira dos Santos provou que um ministro, para ser eficaz, não precisa de falar grosso. Mas isso não apaga os factos: não fora a espectacular revolução na Administração Fiscal, só teríamos o défice nos 3% lá para finais de 2008 (na melhor das hipóteses).

Onde é que isto nos deixa? Teixeira dos Santos é competente, mas não é anjinho. E, como tal, também faz as suas batotices. Uma delas foi denunciada pelo director deste jornal, no sábado, a propósito da comparação de previsões de crescimento entre Portugal e a União. A outra é apresentar o OE sem dar aos jornalistas quais elementos (sem papéis, não há análise; e sem análise, não há perguntas incómodas). Mas o que mais choca mesmo, ao analisar o OE 2008, é ficarmos com a sensação de que se podia ir (muito) mais longe.

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