Para quem leu a notícia,era isto?
Luísa Bessa
Wait and see
lbessa@mediafin.pt
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O que fazer agora? É a pergunta para a qual todos os investidores gostariam de ter resposta. Quando a bolsa sobe, não é preciso ser um grande especialista para ganhar dinheiro. O bolo está sempre a crescer e toda a gente sai beneficiada.
O que fazer agora? É a pergunta para a qual todos os investidores gostariam de ter resposta. Quando a bolsa sobe, não é preciso ser um grande especialista para ganhar dinheiro. O bolo está sempre a crescer e toda a gente sai beneficiada.
Os problemas começam quando a tendência vira e a turbulência se instala. Porque com ela chega a incerteza, que no caso presente é de proporções globais. Já ouvimos reputados especialistas, como Ricardo Reis, dizer que a crise não vai durar mais de um mês, ou outros, como Teodora Cardoso ou Silva Lopes, vaticinar que vai ser longa e profunda.
No meio desta situação, os investidores gostariam de ter uma bola de cristal ou, na falta dela, de um bom conselheiro, que dê respostas seguras e tranquilizadoras.
Foi neste contexto que o Jornal de Negócios realizou uma reportagem "cliente-mistério", em que os nossos jornalistas "violaram" o princípio de se identificarem perante os seus interlocutores por razões óbvias.
Porque não queremos dar aos leitores a visão do banco transmitida pelos seus eficientes departamentos de marketing e comunicação mas o banco "real". Dez repórteres deslocaram-se a outras tantas agências bancárias de Lisboa para avaliar de que forma os bancos estão a aconselhar os clientes sobre a crise financeira e alternativas de aplicação para um montante predefinido de 35.000 euros.
Por esta amostra, que cobre dez bancos, várias conclusões se podem tirar. De um modo geral, os funcionários bancários estão bem informados sobre a crise financeira e dão respostas satisfatórias às questões colocadas. Já quanto à pergunta que todos os investidores gostariam de ver respondida, a análise das respostas é menos inequívoca.
Os bancários abordados pelos nossos repórteres adoptaram uma postura defensiva, recomendando aplicações de liquidez ou depósitos a prazo de curta/média duração. Aplicações de risco não são recomendadas, mas também ninguém recomendou o desinvestimento em acções. Em síntese: "Wait and see."
Esta pequena amostragem deu uma imagem inversa da que o Jornal de Negócios recolheu há precisamente nove anos, quando realizou a primeira reportagem "undercover" sobre a informação disponibilizada pelos bancos aos clientes, cinco meses antes da entrada do euro, que aconteceria em Janeiro de 1999.
O resultado dessa pesquisa revelou o profundo desconhecimento que grassava nas agências bancárias sobre a matéria, chegando ao ponto de oferecerem informação enganosa aos clientes.
Mesmo descontando que, tanto em 1998 como em 2007, se tratou de uma amostragem sem pretensões de rigor estatístico, é possível perceber que neste período a formação dos colaboradores dos bancos evoluiu de forma significativa.
Não foi em vão que o sector investiu no rejuvenescimento dos seus quadros, como já vinha a investir em tecnologia e na modernização dos procedimentos.
E o facto de ter hoje, em média, menos funcionários por balcão do que há dez anos em nada prejudicou o desempenho. Antes pelo contrário.
Num país que se compraz com a sua crónica ineficiência, convém reconhecer um exemplo positivo. A banca continua
a ser dos sectores que se destacam positivamente na economia portuguesa, em inovação e eficiência, e por ser altamente lucrativo. Ser capaz de o reconhecer não impede que, noutras circunstâncias, deva ser citicada por abusar do seu poder perante os clientes e por propagandear uma atitude de concorrência que é mais teórica do que efectiva.
E quanto à rentabilidade, esperemos para ver os efeitos da crise de liquidez nos mercados internacionais. Também em relação aos bancos portugueses se pode dizer "wait and see".
Pinto D'oiro