Horaclito Escreveu:Caro Surfer, sou empresário há 14 anos e digo-lhe que a competitividade é extremamente saudável quando as empresas lutam entre si com todas as armas "legais" ao seu dispor, caso contrário a competitividade é defraudada por fraudes que não têm nada a ver com competitividade....é a mesma coisa que um atleta de alta competição se dopar para vencer uma competição, em que situação ficam os outros atletas, onde está a competividade duma competição que já foi viciada??
Quanto aos mais fracos, conservadores e limitados morrerem como diz é verdade, mas em nada se aplica ao tema, senão o que deduziria é que para o sr, o empresário moderno, forte e com um skill acima da média é aquele cuja actividade principal é a fraude fiscal proporcionada através da sua actividade de negócio!!
E dou por encerrado este tópico.
Cumprimentos
Caro Horaclito,
Antes demais obrigado pela observação (critica) ao meu comentário.
Compreendo e concordo plenamente com a tua observação relativamente á competitividade justa ou ausência dela.
Mas eu exprimi-me com base em experiência própria numa empresa que vive e sobrevive felizmente com "saude" ao longo de quase 25 anos num sector industrial e tecnológico 100% de exportação.
Estou habituado a lidar com a concorrência de todo género e espécie, de ordem de grandeza muito superior ao mercado nacional.
Não acho que o empresário português seja inferior aqueles que a maioria das pessoas (sobretudo fora do âmbito empresarial) tendem a comparar e responsabilizar pelo mau estado da economia nacional.
O problema hoje não é tanto a fuga ao fisco (embora prevaleça sempre) dado que hoje felizmente os mecanismos de combate á fuga fiscal sejam mais eficazes e persistentes que anteriormente. A fuga ao fisco é um mal "obrigatório" e originário do capitalismo mundial.
O problema dos empresários sobretudo portugueses reside nomeadamente nas leis de mercado internas que para além de conservadoras, limitam a flexibilidade de acção e desenvolvimento das empresas. Aqui reside a origem do problema que depois ao longo tempo cria e alimenta mentalidades e acções nocivas ao desenvolvimento económico saudável e competitivo.
Existe muito pouca cultura empresarial em Portugal e sobretudo noção do que se trata na realidade a orgânica empresarial e a importância que isso significa para a economia e bem estar do pais.
Como se pode criticar e exigir responsabilidades ao empresário português quando a própria sociedade não entende ou percebe as dificuldades e problemas que os empresários portugueses vivem e enfrentam todos os dias interna e extrenamente.
São quase 25 anos a competir com países como a Espanha, Itália, Japão, Coreia do Sul, India, China, Vietname possivelmente no futuro e outros, algumas contra empresas com capital e subsidiadas por fundos estatais com base em projectos nacionais desses países... Ao longo de 25 anos, creio que não me recordo de uma vez que seja de assistir e viver greves ou assistir a pedidos de clemência por parte dos empresários ou associações do meu sector a entidades do estado português.
O empresário português ou novos empresários como lhe queiram chamar não necessita de subsídios, pedidos ou ajudas de clemencia como forma se subsistência. Nós necessitamos é de uma sociedade aberta e livre de preconceitos ou complexos que pertencem ao passado. Uma sociedade que entenda os problemas, que procure o conhecimento e de modo poder discutir e resolver os problemas, assim com estar preparada para enfrentar novos desafios.