Caldeirão da Bolsa

O furacão nas bolsas - Artigo de opinião

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

O furacão nas bolsas - Artigo de opinião

por marcolopes » 18/9/2007 19:53

O furacão nas bolsas

Por Diogo Simão

O FURACÃO NAS BOLSAS

A crise no mercado de dívida subprime norte-americana desplotou a pré-anunciada correcção das bolsas mundiais. Mas o fenómeno foi mais longe do que muitos pensavam e afectou quase todas as classes de activos, limitando os refúgios dos investidores. Com as quedas indescriminadas, chegaram também novas oportunidades...

O Verão de 2007 está a deixar poucas saudades. As temperaturas ficaram muito aquém do desejado pela maioria dos portugueses e a chuva fez se sentir de tempos a tempos. Se tal não bastasse, alguns dos dias mais solarengos foram fustigados por irritantes ventos, que tornaram a praia um local pouco agradável.

Porém, não foram só as praias que se mostraram decepcionantes durante o Verão. Também os mercados financeiros tiveram meses de Julho e Agosto para esquecer. As quedas multiplicaram se em quase todas as classes de actives, desenhando aquilo que muitos analistas já designaram como «a tempestade perfeita».

O furacão foi desencadeado nos Estados Unidos pela crise no segmento subprime, ou seja, pelo rápido aumento da taxa de incumprimento nos créditos pessoais de baixa qualidade que têm como garantia uma habitação. A deterioração da qualidade destas dívidas levou ao ocaso do mercado de obrigações colateralizadas por créditos imobiliários residenciais de elevado risco, conduzindo inclusive à falência de bancos e ao Congelamento de fundos de investimento e de hedge funds.

Aliás, os desenvolvimentos nestes últimos activos foram decisivos para a crise vivida. E que os receios dos investidores conduziram a um aumento exponencial das resgates, obrigando as hedge funds a desfazerem se dos activos mais líquidos, que são também os de maior qualidade, para terem liquidez. Assim, as vendas massivas penalizaram quase todos os mercados, inclusive refúgios como o ouro.

Portugal não escapou a esta crise no segmento subprime, pois apesar de os fundos nacionais terem baixas exposições a este mercado, dois fundos estrangeiros à venda no nosso país viram a sua cotação suspensa o Parvest Dynamic ABS e WestLB Compass Fund impedindo os seus 212 subscritores de efectuarem o resgate dos 19,5 milhões de euros que aí têm investidos. Pior, a bolsa portuguesa não conseguiu escapar à crise nos mercados accionistas como o tinha feito em Maio deste ano e esteve entre as bolsas mais penalizadas, tendo chegado a desvalorizar mais de 13% o máximo e o mínimo dos últimos dois meses. Aliás, esta foi a maior correcção do PSI 20 desde o fim da bolha tecnológica.

UM NOVO MUNDO DE OPORTUNIDADES

Apesar de ser desagradável para os investidores, a correcção agora vivida era já há muito desejada e prevista por diversos especialistas. Os mercados accionistas estão há cerca de 50 anos numa tendência de valorização e há quatro anos que acumulam mais valias de forma sistemática. Face às recorrentes valorizações dos últimos anos já havia quem defendesse que se estava a formar uma bolha em muitas áreas do mercado, pelo que esta desvalorização abrupta ajudou a atrasar e a deflacionar essa propalada bolha. Além disso, nos últimos tempo havia muitos investidores particulares a apostarem acções na bolsa nacional, chegando a ser responsáveis por mais de 40% do volume transaccionado. Este número é elevado e sinaliza exactamente esse fenómeno.

Porém, as fortes desvalorizações vieram traçar um novo cenário. Com descidas superiores a 10% nos principais mercados mundiais, as acções reforçaram o seu papel como os activos mais desejados da maioria dos especialistas. Aliás, a discussão actual não recai sobre o valor das acções, mas sobre o melhor momento de entrar no mercado.

O consenso entre os 30 especialistas contactados pela PRÉMIO é de que os próximos tempos ainda vão ser conturbados, esperando se que a volatilidade continue em níveis altos. Ainda assim, quase todos acreditam que as acções deverão fechar o ano a níveis superiores aos actuais e que a tendência de médio e longo prazo é de valorização. Porém, para evitar demasiados riscos, muitos especialistas aconselham a esperar por uma maior definição dos problemas que afectam o mercado, antes de avançar para a compra de títulos. Mas há quem siga a máxima de «comprar na queda e vender na euforia», teoria que se tem mostrado proveitosa ao longo da história.

O VOO PARA A QUALIDADE

Para quem está decidido a apostar no mercado accionista, os especialistas são quase unânimes a aconselhar a comprar de acções de qualidade, em especial de glandes capitalizações. Estes títulos foram demasiado penalizados pelas vendas dos hedge funds , pelo que o seu valor saiu reforçado, especialmente para quem investe a médio e longo prazo. Além disso, a maioria dos especialistas defende que os fundamentais das empresas continuam sólidos e que o crescimento económico deverá permitir lhes continuarem a crescer.

Assim, para eleger os melhores títulos há várias estratégias alternativas. As empresas de sectores não cíclicos (menos dependentes do ciclo económico) apresentam geralmente melhores performances em tempos de maior volatilidade. Interessante é também o facto de as companhias com elevada rendibilidade dos capitais próprios (ROE) registarem desempenhos superiores à concorrência em períodos como o que vivemos. Outro indicador interessante a terem conta são os dividendos, já que as empresas com melhor taxa de dividendo tornam se apostas menos arriscadas, pois o rendimento que geram não reside apenas na valorização bolsista.

ESTÁ DISPONÍVEL PARA PERDER DINHEIRO?

Mas há muitas mais estratégias que podem ser seguidas pelos investidores no mercado accionista. Por exemplo, comprar as acções mais penalizadas durante a correcção. Aliás, para os investidores mais agressivos, as sugestões de investimentos dadas pelos especialistas são mais do que muitas. Vários são os que apontam os mercados emergentes como o maná para os amantes do risco, existindo preferência por aqueles que acumulam superávit nas suas balanças e tem maiores taxas de crescimento.

Porém, o «supra sumo» do risco é a aposta na queda dos mercados. Através de CFD (contracts for difference), warrants e outros produtos derivados é possível aproveitar eventuais novas desvalorizações da bolsas. Contudo, a adopção destas estratégias são desaconselhadas pela quase totalidade dos especialistas, que defendem que o aproveitamento das oportunidades de curto paro apenas deve ser feito por profissionais ou investidores com elevada cultura financeira.

O ADEUS AO RISCO E O MILAGRE DA DIVERSIFICAÇÃO

Para quem não quer assumir riscos, os fundos de tesouraria surgem no topo das recomendações dos 30 especialistas contactados pela PRÉMIO. Estas aplicações permitem urna elevada liquidez e salvaguardam os investidores de eventuais quedas. Para quem quer assumir um pouco mais de risco, as obrigações de dívida pública também são aconselhadas, embora exista alguma divisão por haver quem considere que estes activos já estão caros. Já para os investidores mais cotos financeiramente, o recurso a derivados pode servir para cobrir o risco dos investimentos, fixando retomas esperados.

Entretanto, os especialistas dividem se quanto a activos refúgio. Muitos defendem que esse é um conceito que já não existe, uma vez que todos os investimentos acoplam riscos. Aliás, o tradicional ouro não escapou à recente correcção e foi também penalizado. Ainda assim, há quem defenda que este metal continua a ser uma boa aposta para períodos mais conturbados, o mesmo acontecendo com os produtos de capital garantido e os depósitos a prazo.

Mas não é apenas o ouro que é visto como um bom metal para investimento. Os outros metais preciosos, o alumínio, o ferro e o cobre são alguns dos aconselhados pelos especialistas, que vêem nas commodities uma excelente forma de diversificação do risco. Aliás, o mesmo acontece com os bens agrícolas.

Mas há mais no que toca a obter retornos descorrelacionados com os mercados mais tradicionais. Diversos fundos permitem capitalizar a volatilidade de mercados como o accionista e o obrigacionista. Há também fundos de retorno absoluto, que apenas têm como objectivo obter rentabilidades positivas, embora seja necessário averiguar se não estão expostos à crise.

Com tudo isto, já percebeu que os especialistas desaconselham a venda dos títulos em carteira, em especial acções. Porém, todos advertem para uma questão: é necessário fixar bem o seu perfil de risco antes de se fazer o que quer que seja. Se for preciso recorra a profissionais para o ajudar. E não tenha pudor em delegar a gestão dos seus investimentos. Passe a bola a quem sabe!

Sasha Evers, Mellon Global Investments

Segundo o managing director da Mellon, a história mostra que «em tempos de volatilidade nos mercados, tal como os das últimas semanas, é melhor não fazer ajustamentos significativos às carteiras até que haja mais claridade sobre o impacto de médio prazo dos acontecimentos». Porém, Sasha Evers defende que esta atitude só faz sentido se os portefólios dos investidores forem diversificados, tanto a nível geográfico coma por classes de activos.

Entretanto, face às oportunidades existentes no mercado, o responsável recomenda o investimento no Mellon Asian Equity Fund, um fundo é especialista em acções asiáticas. É que as empresas da Ásia estão com balanços sólidos e as suas avaliações continuam atractivas, além de que o crescimento da China deverá continuar a servir de cataclismo para toda a região. Contudo, para os mais avessos ao risco, as recomendações passam pelas grandes empresas e por obrigações de elevada qualidade. O Mellon Global Bond Fund é apresentado como uma solução adequada, já que investe em dívida pública de elevado rating e faz gestão da duração e do efeito cambial.

Ricardo Valente, Personal value

Uma «tempestade perfeita», é assim que Ricardo Valente classifica a crise que levou à correcção violenta e rápida na generalidade dos mercados accionistas. Porém, o CEO da Personal Value defende que «estamos perante uma mera correcção do mercado». O responsável considera que os mercados accionistas irão recuperar deste momento difícil, pelo que para investidores com uma perspectiva de investimento no mínimo a um ano, este é um bom momento acorrer ao mercado. «pensamos, no entanto, que Setembro será um melhor ponto de entrada», diz. Assim, as suas recomendações recaem nas grandes empresas europeias e norte-americanas, em especial nos sectores farmacêutico, tecnológico, de sistemas de informação e consumo não cíclico.

O mercado japonês e o britânico também são considerados atractivos, ao contrário dos emergentes e do segmento das small caps. Para os mais conservadores, as acções com elevada «dividend yield são a sugestão, devendo ser privilegiadas as farmacêuticas, as seguradoras e as utilities europeias. Concretizando, as melhores escolhas passam pela " Sonae Indústria, AXA, Microsoft, Bank of América, BNP Parivas, SAP, Daiwa House Industry KingFisher, Yahoo e Sanofi-Aventis.

João Gomes, Banco BiG

O gestor de activos do Banco BiG não tem dúvidas: «A recente correcção dos mercados pode ser uma oportunidade para os investidores reforçarem posições, particularmente no mercado accionista, quer através de fundos, quer através do investimento directo». Segundo João Gomes, «os investidores podem também beneficiar do aumento da volatilidade através do investimento em fundos que tiram partido de 'pickups' [movimentos] desta classe de activos».

Contudo, para os mais conservadores, as suas sugestões passam por fundos de retorno absoluto cuja evolução pretende ser descorrelacionada com a evolução dos mercados típicos de acções e obrigações. «São fundos cujo objectivo é igualmente proporcionar rendibilidades

superiores às dos depósitos». Entre as suas sugestões estão o Pictet F (LUX) Absolute Return, o Schroder ISF European Defensive e o Mellon Evolution Global Alpha Fund.

Departamento de investimento ibérico, Skandia

Segundo a Skandia, a queda dos mercadas podia ter sido minimizada se o Banco Central Europeu tivesse tido uma actuação mais transparente. Seja como for, a sociedade gestora realça que estas ocasiões file queda] costumam ser boas oportunidades para os investidores a longo prazo, já que entrar agora

significa «aproveitar os saldos». «Ainda que tenhamos turbulência a curto prazo, a longo prazo os benefícios podem ser significativos já que os fundamentais económicos não tiveram alterações».

Porém, cauda as apostas de curto prazo só devem ser efectuadas por pessoas core muito experiência de investimento e meios adequadas, a casa recomenda aos particulares o investimento em fundos de investimento com elevada qualidade de gestão. Para os mais conservadores, a solução passa por fundos monetários, sem exposição ao mercado do crédito.

Pedro Borges, Orey Valores

Para o director da Orey Valores, «é de crer que dias 'sangrentos' como os registados, sejam mais improváveis de acontecer». Aliás, ele está «francamente optimista» para o último trimestre do ano: «As correcções que ainda possam surgir, mostrarão ser excelentes oportunidades de investimento para um proveitoso quarto trimestre». Aos investidores aconselha a utilizar CFD, títulos que permitem aproveitar canto as subidas como as descidas das mercados e fazer a cobertura do risca dos investimentos.

Em termos de subjacentes, as suas apostas passam pela Novabase e Impresa - que devem «entrar na moda» no próximo trimestre -, bem como a mais defensiva REN. Entretanto, para os mais avessos ao risco, o gestor desaconselha o investimento em acções. E como diz não existirem activos refúgios, adianta como alternativa os produtos de capital garantido.

Pedro Lino, DIF Broker

Pedro Lino é dos mais pessimistas. «Pensamos que a bolsa irá continuar as perdas, embora em ritmo menos acelerado». O presidente da DIF Broker acreditava num período de acalmia até ao fim de Agosto, seguido de um aumento de volatilidade em Setembro e Outubro. Ainda assim, Pedro Lino defende que os investidores podem explorar a evolução dos mercados tentando aproveitar a volatilidade dos mesmos.

Já «os investidores a mais médio prazo devem tentar proteger-se em sectores menos expostos aos factores que estão a gerar turbulência (banca, construção), e devem mesmo ter uma parte da sua carteira protegida através de CFD, ou outros produtos derivados que permitam ganhar quando o mercado cai». Para os mais conservadores, a opção passa por títulos que caem geralmente menos do que o mercado. «Os escolhidos deverão ser títulos com dividend yeld mais elevada, que no caso português são a Portugal Telecom, EDP PT Multimédia e Galp Energia.

Ramón Pereira, Franklin Templeton

Para a Franklin Templeton, apesar de hoje ser mais difícil encontrar oportunidades do que há uns anos, a casa continua a encontrar acções (maioritariamente large caps) por todo o mundo a valores de pechincha, principalmente nos mercados emergentes para além da índia e da China.

Um desses exemplos é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, considerada pela gestora como uma das de melhor valor no mundo. Na sua estratégia accionista, a casa privilegia o investimento a nível global, já que também existem oportunidades em mercados desenvolvidos. «algumas das melhores em todo o mundo estão acualmente nos Estados Unidos». Para facilitar o acesso a estes activos, a casa aposta no seu fundo de investimento Templeon Growth (Euro) Fund. Já no que toca ao mercado da dívida, as obrigações não cotadas em dólares são vistas como «extremamente atractivas».

Porém, para conseguir uma boa diversificação e estar mais descansado, os fundos de obrigações multi-sector são vistos como uma boa solução.

Eurizon Capital

No curto prazo, os mercados accionistas podem ser afectados mais por factores psicológicos do que fundamentais. Quem o diz é a gestora de fundos Eurizon Capital, que acredita que a recente venda massiva de acções criou boas oportunidades de compra. A casa recomenda os investidores a mudarem para acções de qualidade, apostando em países com bons fundamentais e avaliações atractivas, embora os mercados emergentes com maior crescimento e superávit nas balanças sejam os eleitos para os investidores mais agressivos.

Quanto aos conservadores, a sugestão passa por não reduzir a exposição às acções, mas implementar estratégias de cobertura de risco. Neste campo, a escolha passa por fundos expostos à volatilidade e a metais preciosos como 0 ouro, sendo que o iene também pode ser encarado como um activo refúgio.

Hugo Figueiredo, BNP Paribas AM

Segundo o BNP Paribas AM, «é verdade que passamos por um período delicado, mas começam a vislumbrar-se oportunidades a nível sectorial e/ou de selacção de títulos». É que os fundamentais das empresas permanecem intactos e «as descidas das taxas de longo prazo vieram aumentar o valor relativo das acções, o qual já era atractivo antes da queda dos mercados». Assim, a gestora de activos liderada em Portugal por Hugo Figueiredo mantém o posicionamento ligeiramente positivo relativamente às acções, tanto nos mercados desenvolvidos como emergentes, preferindo as grandes capitalizações e os títulos de crescimento. Já no que toca à vertente obrigacionista, a gestora reforçou a sua aposta na dívida pública, apostando em títulos de qualidade.

Philipp Vorndran, Credit Suisse

Apesar da maior turbulência nos mercados financeiros, o Crédit Suisse permanece positivo quanto às perspectivas para a economia global. «Embora as preocupações sobre a questão das emissões 'subprime' devam continuar por mais algum tempo, não acreditamos que tenham um impacto significativo no mercado de crédito ou noutras classes de activos», realça Philipp Vorndran.

Segundo o estratego de investimentos do Credit Suisse, a recente onda de vendas generalizada nos mercados accionistas globais é uma reacção a curto prazo, pelo que no médio prazo continua a preferir as acções em detrimento das obrigações.

Os mercados emergentes continuam a ser a sua região preferida, esperando daí retornos de dois dígitos apesar das avaliações não serem baratas. A bolsa da Rússia é a sua principal escolha, já que tem tido um comportamento inferior ao das suas congéneres.

Bernhard Langer, Invesco AM

Bernhard Langer considera que o recente movimento dos mercados foi basicamente uma reavaliação do risco das várias classes de activos. Para o CEO do European Structured Product Group da Invesco AM, a aposta mais arriscada do momento é o investimento no forte e rápido ressurgimento das acções de empresas financeiras mais penalizadas. Quanto aos mais conservadores, o melhor é esperar por maior visibilidade sobre ao futuro. Ainda assim, Bernhard Langer deixa um conselho: «Continuem investidos até que a tempestade termine e comprem selectivamente nomes de alta qualidade em acções e obrigações corporativas».

Javier Ruiz Villabrille, Dexia Asset Managment

Para o responsável da Dexia Asset Management na Península Ibérica, não há dúvidas: «Incerteza e elevada volatilidade vão certamente prevalecer». Ainda assim, Javier Ruiz Villabrille considera que «qualquer que seja o acontecimento inesperado que possa sair do armário, os mercados financeiros irão resistir devido à actuação dos bancos centrais».

Assim, para os investidores «amantes do risco», a sua sugestão recai nos mercados emergentes, onde não há preocupações com o crédito e a economia está vigorosa, sustentando o crescimento dos lucros. Já para os mais defensivos, as obrigações governamentais são a sua sugestão, embora as yields não estejam

assim tão atractivas.

Paulo Cruz , Millennium investment banking

Paulo Cruz ainda tem dúvidas sobre se a actuação dos bancos centrais vai permitir ultrapassar a recente crise sem afectar o crescimento económico. Por isso, o head of trading do Millennium investment banking defende uma posição neutral para os mercados europeu e norte-americano, com excepção do índice alemão DAX, que recomenda comprar através de certificados.

Segundo o director o investimento em acções com beta elevado (maior correlação com o mercado) são uma alternativa para quem quer obter maiores retornos assumindo mais risco, defendendo uma posição inversa para os mais conservadores comprar títulos com baixa correlação com o mercado.

Seja como for, Paulo Cruz recomenda «a manutenção de posições aos níveis actuais e numa perspectiva de investimento de médio e longo prazo».

Rafael Febres-Cordero, Fidelity lnternational

Em tempos de volatilidade é muito tentador vender ou suspender um investimento porque se julga que as cotações vão continuar a cair. No entanto, Rafael Febres-Cordero alerta que, ao fazê-lo, existe o risco de os investidores perderem os ganhos significativos que tantas vezes ocorrem nos primeiros dias de uma nova tendência de subida.

«Um investidor que tente evitar as quedas está provavelmente a abdicar dos maiores ganhos», diz. Para não perder pitada da evolução dos mercados, o director executivo da Fidelity Internacional para o Sul da Europa e América latina aconselha a adopção de uma estratégia cost-averaging (plano de investimento mensal) para fazer frente à actual volatilidade do mercado. «Ao investir consistentemente uma determinada quantia em intervalos regulares, os investidores não ficam tão dependentes das cotações de um qualquer dia». Se os preços sobem, as acções que já estão em carteira vão valorizar e, se os preços descem, a próxima aplicação permitirá adquirir mais títulos do que anteriormente.

Cristina Rodrigues e João Pedro Afonso, Invesquest

Para os especialistas da InvestQuest, o futuro ainda é um pouco incerto, mas parece certo que a actual situação de instabilidade/volatilidade vai durar por mais umas semanas. Assim, João Pedro Afonso aconselha os investidores que pensam que estamos perante um problema passageiro a reforçar as suas carteiras em títulos de acções mais defensivas, vulgo utilities.

Contudo, para quem está disposto a assumir mais riscos, as acções tecnológicas são quase inevitáveis, o mesmo acontecendo, como refere Cristina Rodrigues, com os fundos de mercados emergentes, em especial os que apostam na Rússia e na Europa de leste. Já para os investidores que não gostam de assumir riscos, os fundos de tesouraria e os depósitos a prazo apresentam se como melhor solução, até porque permitem uma liquidez quase imediata.

A Estratégia de Tesouraria Liquidez da Investquest, por exemplo, garante uma taxa de rendibilidade mínima de 3% ao ano e tem liquidez diária.

Miguel Barradas, Banco Invest

Para o director-coordenador do Banco Invest, as crises provocam perdas, mas também geram oportunidades. Assim, recomenda os investidores com horizonte de médio/longo prazo a começarem, de uma forma diluída no tempo, a incrementar a sua carteira de acções de uma forma diversificada e incidindo nas maiores empresas a nível mundial (blue chips) que possuem melhores balanços, actividade mais estável e valorizações mais atractivas.

O recurso a ETF é a solução eleita por Mário Barradas, que aposta nos DJ shares Eurostoxx-50, DJ Global Titans e ishares NYSE-100. Já para os amantes de risco, sugere os grandes bancos internacionais, os bancos de investimento e os bancos hipotecários (casos do Citigroup, JP Morgan BNP Paribas e Barclays Bank).

Em contraponto, como activos refúgio, aposta nas obrigações de dívida publica que, no entanto, podem corrigir caso a crise se resolva depressa, pelo que aconselha a manter bons níveis de liquidez (aplicações sem risco).

Pedro Arbués, ESAF

Pedro Arbués defende que apesar de ser previsível a manutenção de alguma volatilidade, os fundamentais parecem favoráveis ao segmento de acções, sendo o activo que mais deverá beneficiar de um retorno de estabilidade no sistema financeiro.

De acordo com o responsável pelo departamento de investimentos da ESAF - Espírito Santo Activos Financeiros, «para qualquer investidor que suporte bem a volatilidade do mercado esta poderá ser uma altura para começar a montar posições». Já para investidores mais avessos ao risco, Pedro Arbués diz que as acções não devem ser um activo preferencial, devendo o investidor escolher fundos balanceados. Sugestões? O E.S. Estratégia Actua ou o E.S. Alpha 3, que se adequara bem a perfis mais conservadores.

Barclays Portugal

A equipa de research do Barclays Portugal acredita que os mercados continuam vulneráveis às más notícias, podendo continuar a descer nas próximas semanas. No entanto, o banco já está a comprar acções no mercado. «Preferimos entrar antecipadamente numa posição longa do que correr o risco de perder um possível corte surpresa na taxa de juro norte­-americana (que se pode provar como um catalizador para uma recuperação dos mercados)».

Aliás, as acções continuam a ser o activo com maior valor relativo para os especialistas do banco. «Esperamos ganhos até final do ano face aos níveis actuais e, num prazo de 12 meses, consideramos que as acções apresentam um potencial na ordem dos 15%, sustentado na actuação da Fed e no facto de a economia global apresentar fundamentais sólidos».

Mas há mais: no mercado da dívida corporativa também existem oportunidades, em especial no sector bancário.

Rui Teixeira, Deutche Bank Portugal

Apesar de manter uma visão positiva para os activos com maior risco numa perspectiva de seis a 12 meses, o Deutsche Bank reconhece que ainda estamos perante diversos riscos. Por isso, o banco aconselha os investidores a fazer a gestão dos riscos e a aumentarem a sua exposição a investimentos alternativos. «Continuam a ser o melhor caminho a seguir», afirma.

Assim, as matérias-primas encabeçam as preferências da instituição financeira, em especial os bens agrícolas e os metais preciosos. «São formas interessantes de obter exposição a esta classe de activos». Os hedge funds plenamente diversificados, com âmbitos de multi-estratégia e multi-gestor, também oferecem boas garantias.

Para os mais avessos ao risco, que não estejam dispostos a investirem acções de grande capitalização, as soluções passam pelo tradicional depósito a prazo e pelas obrigações governamentais de curto prazo.

Manuel arroyo, JP Morgan AM

Manuel Arroyo acredita numa ligeira redução da volatilidade a breve trecho, mas defende que esta não voltará para os níveis em que se encontrava antes da recente correcção, continuando muito prudente sobre a performance dos mercados a curto prazo.

Com uma tempestade perfeita em marcha, o client portfolio manager da JP Morgan AM desaconselha aos investidores mais conservadores a exposição a acções de pequena dimensão, mercados emergentes e obrigações de taxa fixa mais agressivas, tendo como activos refúgio os fundas cie tesouraria e de tesouraria mistos. Já aos risk lovers, as sugestões passam pelo aproveitamento dos movimentos de curto prazo. Seja como for, para todos são aconselhados os' de retorno absoluto.

Patrícia de Arriaga, Pictet Funds

Patrícia de Arriaga é peremptória: «Estamos muito confiantes de que os mercados accionistas vão fechar o ano em valores mais altos do que aqueles a que estamos». Para a directora comercial da Pictet Funds, «as acções estão mais baratas do que há uns meses», pelo que recomenda comprar acções de boa qualidade com desconto face aos fundamentais.

Mas como veículo para o conseguir, aconselha o recurso a fundos de acções. Já para os investidores mais agressivos, diz, a constituição de carteiras 100% investidas em acções pode ser uma maneira fácil de tomar risco sem tornar a vida muito complicada. Seja como for, Patrícia de Arriaga acredita que vender posições agora não é uma boa ideia, tal como não o foi nas anteriores crises.

Allianz global Investors

Segundo a AGI, estamos perante um cinquentenário de expansão dos mercados accionistas e enfrentamos significativas incertezas de mercado. «0 actual turbilhão pode durar por mais dois a três meses, com os mercados possivelmente a recuperarem a sua tendência para fechar o ano com um rally (forte subida)». Assim, no que toca a acções, a AGI favorece o mercado europeu, seguido do Japão.

As grandes capitalizações globais devem continuar a sua recente sobreperformance com a intensificação do movimento de «flight to quality». Entretanto, para os amantes do risco, as oportunidades de investimento a médio prazo multiplicam-se, enquanto os mais conservadores são aconselhados a proteger os seus investimentos. Isto apesar da AGI considerar que o «bull market ainda» não acabou.

Paulo Horta, Banco best

Para Paulo Horta, «a recente correcção dos mercados accionistas é um fenómeno mais pontual do que de tendência, pois as perspectivas de valorização a médio prazo continuam positivas». No entanto, o director de investimentos do Banco Best alerta para o facto de os investidores particulares já poderem beneficiar das variações da volatilidade ou executar coberturas de cadeiras, subscrevendo fundos de investimento, adoptando estratégias específicas em warrants ou investindo no mercado de futuros.

Por exemplo, o fundo Credit Agricole Dynarbitrage Volatility procura ganhar com a volatilidade sobretudo em instrumentos de dívida e o Credit Agrìcole Volatility Equities pretende ganhar com a volatilidade nos mercados accionistas.

lan Richards, ABN Amro

lan Richards defende que no actual clima de volatilidade a melhor abordagem dos investidores ao mercado passa por uma escolha refinada dos títulos. Por um lado, a fuga para os activos de qualidade deverá conduzir a uma performance superior das empresas com mais altas rendibilidades dos capitais próprios (exemplos: Telefónica, Imperial Tobacco, RWE, Alstom).

Por outro lado, as empresas com elevada taxa de dividendo podem dar mais segurança quando os mercados estão voláteis (ex: Alpha Bank, Northern Rock, HBOS, Bank of Ireland). Por fim, as empresas mais penalizadas podem ver essas perdas revertidas (ex: Sacyr Vallerhermoso, Orkla, Lafarge, BES).

Pedro Assis, Shroders

Para o director da Schroders, ainda é cedo para dizer que a correcção chegou ao fim. «Parece que já passámos o pior momento da crise de liquidez, mas as consequências não são ainda inteiramente conhecidas. A publicação de mais notícias negativas em relação ao mercado de habitação americano ou aos resultados de bancos e outras instituições financeiras no terceiro trimestre poderá provocar novas correcções nos mercados de crédito e accionista».

Assim, este é um bom momento para que os investidores particulares confirmem que têm a carteira mais adequada ao seu perfil de risco. E exemplifica: «Um investidor particular avesso ao risco deve ser indiferente a este tipo de eventos. Dado o seu perfil, dificilmente terá optado por investir nos activos que foram agora mais penalizados, nem deverá ser agora tentado a fazê-lo». A exploração das oportunidades criadas com a queda da maior parte dos mercados financeiros deve ser ponderada apenas pelos investidores profissionais, ou pelos particulares dispostos a assumir maiores riscos.

Estes poderão encontrar boas oportunidades em fundos de acções, como o Schroder ISF Global Quantitative Active Value, que analisa mais de 15 mil títulos em todo o mundo e escolhe os melhores baseado em medidas objectivas de valor, como rendibilidade das vendas e geração de cash-flow. Esta análise ajuda a distinguir os títulos que caíram por boas razões daqueles que foram injustamente penalizados.

Quem queira algo verdadeiramente estável deve procurar refúgio em fundos como o Schroder ISF Euro Liquidity.

Gonçalo Gomes, Activobank7

O Activobank7 está convicto de que grande parte dos factores que têm suportado a evolução dos mercados accionistas nos últimos anos se mantêm inalterados. Os resultados das empresas continuam a crescer, as avaliações são atractivas, existe liquidez, o crescimento económico é acompanhado por baixa inflação e o emprego está em máximos.

Assim, como a generalidade das acções de grande capitalização bolsista (large caps) foram alvo de venda indiscriminada no último mês, o fundo UBS (LUX) SF­

Equity (EUR) BG é uma solução aconselhada por Gonçalo Gomes. Contudo, para o gestor de produto do banco on-line, o Parvest Brazil L surge como a melhor aposta para

quem está disponível para correr maiores riscos. Já para quem é avesso ao risco, os fundos de retorno absoluto são a sugestão dada, destacando o gestor o Mellon Evolution Global Alpha A e o CAAM Funds Volatility Equities CI S.

Santander gestão de Activos

O Santander mantém uma visão positiva para os mercados accionistas no final do ano. «continuamos a considerar a classe de acções como o activo mais atractivo a deter no ano, pelos bons fundamentais e pelos ainda saudáveis níveis de liquidez que oferece».

Aliás, a gestora defende o investimento a longo prazo,

procurando sempre a diversificação de activos. Neste sentido, os fundos ou portefélios diversificados

surgem como melhores opções de investimento.

Assim, face ao actual período de maior incerteza e volatilidade de mercada, o fundo Santander Global é apresentado como uma alternativa para quem tem carácter mais defensivo. Já para investidores com um perfil de risco elevado, os fundos de acções Santander Acções Portugal e Santander Acções Europa são vistos pela gestora como «excelentes apostas».

João cantiga Esteves, Ephi-Ciência Financeira

Para Cantiga Esteves, mais importante do que a actuação dos bancos centrais - e os seus efeitos contraproducentes - são os fundamentais dos mercados financeiros. Segundo o managing partner da Ephi-Ciência Financeira, estes são favoráveis aos mercados accionistas e às commodities, dando espaço para valorizações a médio e longo prazo.

Segundo o professor universitário, a procura de acções continuará forte, favorecendo o ciclo positivo destes activos. Já no que toca a commodities, a procura física permanece alta, o que é favorável à evolução dos seus preços.

Apresentadas como uma excelente alternativa de diversificação, Cantiga Esteves salienta, porém, algumas que deverão conseguir melhores desempenhos. A saber: alumínio, cobre e ferro, esta última a grande aposta devida à procura do sector da construção na China e na índia.

Entretanto, Cantiga Esteves aconselha aos mais avessos ao risco a adopção de estratégias de hedging dos seus investimentos, recorrendo ao mercado de futuros sobre índices.

Scott Mather, PIMCO

Ao contrário da maioria dos especialistas, Scott Mather acredita que a actual crise poderá ter impacto no crescimento económico, na medida em que a reavaliação do risco condicionará o acesso de particulares e empresas ao crédito e ao consumo.

Aliás, o responsável pela gestão de portefólios da PIMCO na Europa acredita que a crise no mercado subprime ainda não chegou ao fim. Assim, para os investidores mais defensivos aconselha fundos de obrigações da zona euro diversificados, enquanto para os mais agressivos as escolhas recaem sobre créditos hipotecários nos EUA, obrigações de empresas de nível ,investment: grade» e dívida local de mercados emergentes. Conclusão? «As obrigações oferecem protecção contra as desvalorizações».

Millennium Fundos de lnvestimento

«Atendendo à evolução económica global dos últimos anos e ao forte crescimento dos lucros e solidez das empresas, encontramos no mercado a robustez necessária para, num futuro próximo, a estabilidade regressar», refere a gestora de fundos do grupo Millennìum bcp. Segundo esta casa, «as perspectivas para os mercados em termos globais a médio e longo prazo são optimistas», mas face à actual elevada volatilidade só a diversificação pode atenuar o risco de forma eficaz.

O recurso a fundos é aconselhado a todos os investidores, os quais até podem ser combinados com depósitos a prazo com taxas promocionais. No entanto, para os mais conservadores, a aposta deve recair sobre fundos de tesouraria, fundos especiais de investimentos de baixo risco (descorrelacionados com o mercado) e fundos de obrigações. Da sua oferta, a gestora destaca o Millennium Disponível, o Millennium Premium e o Millennium Extra Tesouraria II.

http://www.novabase.pt/showNews.asp?idP ... SA69DF6803
Crise? Qual crise?
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