RTP ‘Repudia’ críticas de Rodrigues dos Santos
Por Margarida Davim
A RTP emitiu, esta terça-feira, um duro comunicado para «repudiar» as afirmações feitas por José Rodrigues dos Santos ao Público sobre a interferência do conselho de administração na linha editorial da informação do canal do Estado
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O conselho de administração da RTP não poupa críticas a José Rodrigues dos Santos, na resposta ao que diz serem afirmações «falsas» feitas pelo pivot ao jornal Público.
Em comunicado, a administração do canal público de televisão «repudia veementemente» as acusações feitas pelo jornalista – que denunciou alegadas interferências na informação da RTP –, deixando no ar dúvidas sobre a oportunidade das críticas de Rodrigues dos Santos. «A que propósito vem o Sr. Dr. José Rodrigues dos Santos ressuscitar o assunto agora, precisamente agora, numa reportagem que nem sequer era sobre este tema?», interroga-se a administração.
A administração promete mesmo «iniciar os procedimentos legais que as circunstâncias requerem» , por considerar que a entrevista dada ao Público«é prejudicial à imagem da empresa em que é empregado» José Rodrigues dos Santos, pondo em causa o «dever de respeito» deste pivot para com a entidade empregadora.
Para o conselho de administração da estação do Estado, na base das afirmações de Rodrigues dos Santos poderá estar «alguma incomodidade» sentida pelo jornalista «por ter de cumprir horários normais como os demais quadros da empresa».
No documento, pode ainda ler-se que «embora tenha deixado de ser Director de Informação em 2004, o Sr. Dr. José Rodrigues dos Santos continuou a auferir a mesma remuneração que o coloca como um dos quadros mais bem pagos da RTP».
Respondendo ao que considera ser uma «estratégia de vitimização e busca de protagonismo» de José Rodrigues dos Santos, a RTP garante que «se tem pautado pelo escrupuloso cumprimento da lei» na relação com o accionista Estado, recusando a ideia de que o ex-director de informação do canal possa ter recebido qualquer «recado» do conselho de administração para influenciar a sua linha editorial.
margarida.davim@sol.pt
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Polémica no canal público
RTP nega suspensão de Rodrigues dos Santos
Por Vítor Rainho e Joana Andrade
Luís Marques, administrador da RTP, revelou ao SOL que «o Sr. Dr. José Rodrigues dos Santos não foi suspenso». O jornalista também não tem conhecimento de qualquer processo disciplinar e afirmou não ter medo do comunicado emitido pelo Conselho de Administração do canal público: «A razão da força pode estar do lado da Administração, mas a força da razão está do meu lado»
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Questionado pelo SOL sobre a acusação de incumprimento de horários, o jornalista considera que «as referências despropositadas a remunerações e horários revelam o desespero da Administração em desviar o assunto da questão essencial: o órgão regulador da comunicação social deu como provada a interferência da Administração na área editorial».
Luís Marques reiterou que não houve qualquer tentativa por parte da administração de interferir na linha editorial de informação do canal. E que não sabe a razão das declarações do jornalista ao jornal Público, onde este recordava o episódio de 2004 em que a nomeação de um correspondente para Madrid foi decidida pela administração.
Recorde-se que em Novembro de 2004 Rodrigues dos Santos demitiu-se de director de informação da RTP por não concordar com a nomeação de Rosa Veloso para correspondente em Madrid, uma vez que esta estava em quarto lugar no concurso para o cargo.
Numa entrevista ao SOL, publicada em 21 de Outubro do ano passado, José Rodrigues dos Santos afirmava:«A lei define que o director é o responsável exclusivo pela Informação. Entendo que nomear quem faz reportagens para o Telejornal – no Parlamento, numa manifestação que é no Porto, em Freixo de Espada à Cinta, em Madrid, ou em qualquer sítio – faz parte da responsabilidade editorial: é o director quem nomeia».
José Rodrigues dos Santos, na mesma entrevista acrescentava que «nunca pode haver uma nomeação que seja contrária à opinião do director, porque interfere grosseiramente com o texto da lei. Quando isso aconteceu, pensei que tudo era possível. Se o director perde o poder de nomear quem faz reportagens para o telejornal está tudo dito».
Em 2006, José Rodrigues do Santos foi considerado o melhor pivô, segundo um estudo da Obercom. O jornalista afirmou, na altura (31 de Março), ao SOL que acreditava que os portugueses o consideravam um bom profissional por defender a independência da RTP, «mesmo com custos profissionais e pessoais».
vitor.rainho@sol.pt
joana.andrade@sol.pt
Por Margarida Davim
A RTP emitiu, esta terça-feira, um duro comunicado para «repudiar» as afirmações feitas por José Rodrigues dos Santos ao Público sobre a interferência do conselho de administração na linha editorial da informação do canal do Estado
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O conselho de administração da RTP não poupa críticas a José Rodrigues dos Santos, na resposta ao que diz serem afirmações «falsas» feitas pelo pivot ao jornal Público.
Em comunicado, a administração do canal público de televisão «repudia veementemente» as acusações feitas pelo jornalista – que denunciou alegadas interferências na informação da RTP –, deixando no ar dúvidas sobre a oportunidade das críticas de Rodrigues dos Santos. «A que propósito vem o Sr. Dr. José Rodrigues dos Santos ressuscitar o assunto agora, precisamente agora, numa reportagem que nem sequer era sobre este tema?», interroga-se a administração.
A administração promete mesmo «iniciar os procedimentos legais que as circunstâncias requerem» , por considerar que a entrevista dada ao Público«é prejudicial à imagem da empresa em que é empregado» José Rodrigues dos Santos, pondo em causa o «dever de respeito» deste pivot para com a entidade empregadora.
Para o conselho de administração da estação do Estado, na base das afirmações de Rodrigues dos Santos poderá estar «alguma incomodidade» sentida pelo jornalista «por ter de cumprir horários normais como os demais quadros da empresa».
No documento, pode ainda ler-se que «embora tenha deixado de ser Director de Informação em 2004, o Sr. Dr. José Rodrigues dos Santos continuou a auferir a mesma remuneração que o coloca como um dos quadros mais bem pagos da RTP».
Respondendo ao que considera ser uma «estratégia de vitimização e busca de protagonismo» de José Rodrigues dos Santos, a RTP garante que «se tem pautado pelo escrupuloso cumprimento da lei» na relação com o accionista Estado, recusando a ideia de que o ex-director de informação do canal possa ter recebido qualquer «recado» do conselho de administração para influenciar a sua linha editorial.
margarida.davim@sol.pt
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Polémica no canal público
RTP nega suspensão de Rodrigues dos Santos
Por Vítor Rainho e Joana Andrade
Luís Marques, administrador da RTP, revelou ao SOL que «o Sr. Dr. José Rodrigues dos Santos não foi suspenso». O jornalista também não tem conhecimento de qualquer processo disciplinar e afirmou não ter medo do comunicado emitido pelo Conselho de Administração do canal público: «A razão da força pode estar do lado da Administração, mas a força da razão está do meu lado»
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Questionado pelo SOL sobre a acusação de incumprimento de horários, o jornalista considera que «as referências despropositadas a remunerações e horários revelam o desespero da Administração em desviar o assunto da questão essencial: o órgão regulador da comunicação social deu como provada a interferência da Administração na área editorial».
Luís Marques reiterou que não houve qualquer tentativa por parte da administração de interferir na linha editorial de informação do canal. E que não sabe a razão das declarações do jornalista ao jornal Público, onde este recordava o episódio de 2004 em que a nomeação de um correspondente para Madrid foi decidida pela administração.
Recorde-se que em Novembro de 2004 Rodrigues dos Santos demitiu-se de director de informação da RTP por não concordar com a nomeação de Rosa Veloso para correspondente em Madrid, uma vez que esta estava em quarto lugar no concurso para o cargo.
Numa entrevista ao SOL, publicada em 21 de Outubro do ano passado, José Rodrigues dos Santos afirmava:«A lei define que o director é o responsável exclusivo pela Informação. Entendo que nomear quem faz reportagens para o Telejornal – no Parlamento, numa manifestação que é no Porto, em Freixo de Espada à Cinta, em Madrid, ou em qualquer sítio – faz parte da responsabilidade editorial: é o director quem nomeia».
José Rodrigues dos Santos, na mesma entrevista acrescentava que «nunca pode haver uma nomeação que seja contrária à opinião do director, porque interfere grosseiramente com o texto da lei. Quando isso aconteceu, pensei que tudo era possível. Se o director perde o poder de nomear quem faz reportagens para o telejornal está tudo dito».
Em 2006, José Rodrigues do Santos foi considerado o melhor pivô, segundo um estudo da Obercom. O jornalista afirmou, na altura (31 de Março), ao SOL que acreditava que os portugueses o consideravam um bom profissional por defender a independência da RTP, «mesmo com custos profissionais e pessoais».
vitor.rainho@sol.pt
joana.andrade@sol.pt
