Meu caro,
Foi muito atento que li os seus comentários e é com muito gosto que lhe respondo cordialmente.
Pela mesma ordem:
1- A única maneira de legitimar uma associação (ou qualquer empresa) é, efectivamente, pelo seu trabalho na persecução dos objectivos que propõe e nos resultados que obtém. No entanto, quando refiro que ninguém na ATM é remunerado, é com o sentido de dar força no comprometimento que todos tem com a Missão da Associação e espírito fundacional. Ou seja, se existe trabalho é porque realmente todos os que com a ATM colaboram gostam, comprometem-se e dão o seu melhor para cumprir aquilo que acreditam ser este projecto e não uma qualquer remuneração. – Fazemos por aquilo que acreditamos e não por aquilo que somos pagos. Tal reforça o nosso lema “Concordia
res parvae crescent -Trabalhar juntos para realizar mais”.
2- Não temos a intenção de formar alguém em determinado sentido, comprometendo-o com determinado estilo; pois a multiplicidade de pessoas que actuam no mercado apresentam perfis de investimento (negociação) muito diversos, de acordo, entre outras coisas, com os seus objectivos e necessidades pessoais. No entanto, sabemos que os intervenientes no mercado apresentam níveis distintos de conhecimento e de preparação técnica para o fazer, sendo que vários estudos (nomeadamente da CMVM) mostram que os menos preparados são os pequenos investidores, pelo que se impõe que procuremos superar a ausência de preparação destes. Na verdade, mais do que ensinar uma determinada técnica de negociação (se assim podemos dizer), a formação que nós propomos assenta na necessidade de tornar os investidores conscientes para o acto de negociar, nomeadamente dotar o investidor de conhecimentos mínimos que lhe permita avaliar o acto (de investimento) que pretende realizar. Alias, como é intuitivo, a formação terá de vir sempre antes da informação. De outro modo, é dizer que o investidor para entender a informação que é apresentada sobre determinada empresa (sejam rácios financeiros e económicos, sejam apenas o próprio preço a que é negociada) pressupõe um mínimo de conhecimento para a sua compreensão. Uma das nossas propostas,que é um curso de direito mobiliário e societário, vai permitir aos frequentadores, conhecerem os seus direitos relativamente ao acesso à informação, aos contractos de intermediação financeira e até mesmo como participar numa Assembleia Geral (AG). Não vai ser um curso para especialistas, vai ser um curso para quem realmente não sabe nada do assunto e gostaria de saber como reagir em determinada situação jurídica que acontece regularmente no mercado.
3- A resposta a está questão (3) encontra-a na anterior. Mas não posso deixar de concordar que vivemos tempos de individualismo nas nossa sociedade e é isso que esta Associação pretende romper, até pelo apoio à criação de Clubes de Investidores. Quanto à última parte do ponto 3, e na sua alusão á "mão invisível" de Adam Smith, também não podíamos estar mais de acordo, assim como estamos de acordo relativamente ao facto de que qualquer sistema deixaria de funcionar quando fosse “vulgarizado” (utilizando as suas palavras). No entanto nos não pretendemos ensinar sistemas, apenas dotar os investidores (formandos) de conhecimento para que eles próprios possam criar os seus sistemas de acordo com o seu perfil; isso dará, como entende, a maior diversidade de “sistemas” de negociação, uns superiores e ganhadores, outros nem por isso. Por outras palavras e superando o aforismo popular, não vamos nem dar o peixe, nem ensinar a pescar, vamos apenas facultar as canas de pesca e explicar como funcionam para que cada um aprenda a pescar ao seu estilo (o tamanho do peixei vai depender da capacidade e mérito de cada um - e vai haver sempre quem conclua, a bem ou a mal, que não possui características de “pescador”). Note, até podem optar por pescar com rede, lança ou outro método.
Por fim, quanto aos livros, nenhum deles pretende ensinar um determinado método de investimento. O primeiro a ser editado, possivelmente no final deste ano ou início do próximo, é um escrito por mim e que pretende ser mais uma reflexão. Acredito que a maioria dos investidores se identificará, de algum modo, com o que lá é evidenciado. Mas, e ainda sobre o meu livro, acredito que quem atingir a profundidade do que lá exponho e cumprir as suas regras, terá sucesso no mercado. O segundo livro, que deverá ser editado logo de seguida, na verdade é uma reedição daquele que considero o melhor livro de analise técnica de todos os tempos e, por sorte, escrito em português, por portugueses de elevado sucesso no mercado, e editado em tempos pela ATM. Também não tenta “impingir” um método a ninguém, apenas explica, de forma objectiva e extremamente completa, quase todas (senão todas as mais importantes) técnicas de análise (técnica). Um terceiro, será único em língua portuguesa, e debruça-se sobre o “
Peak Oil – Pico Mundial do Petróleo”, quer na óptica do investimento quer na assumpção do problema. Depois é um sobre direito e outros ainda sobre o mercado de capitais,
data mining, etc.
Para quem não comprou o “Expresso”, pode encontrar a entrevista no site da ATM (
http://www.associacaodeinvestidores.com), onde, para além do apresentado na edição papel, reproduzida tal e qual com a devida vénia ao jornalista, poderá encontrar no anexo que se junta mais detalhes sobre as questões num resumo alargado (conforme respondido na altura ao ilustre jornalista) mas só possível apresentar nesta versão electrónica devido a tecnicidade e extensão das mesmas.
Obrigado pela atenção dispensada na leitura e, principalmente, no comentário ao artigo que muito apreciei.
Com os cordiais cumprimentos,
On behalf of SDI
Octávio Viana