BP diz pede esclarecimentos BCP sobre concessão crédito
15/10/2007
(Acrescenta com comunicado do Millennium bcp)
LISBOA, 15 Out (Reuters) - O Banco de Portugal (BP), na sequência de notícias, pediu esclarecimentos ao Millennium bcp para analisar se violou as regras de concessão de crédito, mas o BCP nega que tenha sido reportada qualquer irregularidade, segundo comunicados das duas instituições.
Em comunicado, o BCP frisa que "no âmbito dos mecanismos instituídos de verificação, controlo e auditoria não foi em momento algum reportada qualquer irregularidade ou desvio de normalidade em qualquer das operações mencionadas".
Este banco adianta que, "em qualquer caso, atenta a natureza das insinuações, o Conselho ordenou o desencadear dos processos internos adequados para nova averiguação integral e completo esclarecimento das situações referidas".
O Expresso, Sábado passado, referiu que "mais de 12 milhões de euros (ME) de dívidas contraídas no BCP por cinco empresas detidas por um dos filhos de Jardim Gonçalves foram consideradas incobráveis pelo banco, no final de 2004".
Ao Expresso, Jorge Jardim Gonçalves salientou que as questões relacionadas com clientes não passavam por si, nem passam.
Hoje, o Jornal de Negócios refere que "dois dos maiores accionistas do BCP, pediram explicações ao presidente da comissão de auditoria do banco sobre um alegado perdão de dívidas no valor de 15 ME" a um accionista do banco.
No comunicado, o BCP assinala "as conexões destas notícias com actuações recorrentes visando atingir o bom nome e reputação do banco", vincando que se reserva "qualquer outro tipo de actuação legítima".
"Face às recentes notícias sobre a natureza de algumas operações de crédito realizadas pelo BCP, o BP informa que está a analisar a situação", afirma o banco central, em comunicado.
Adianta que solicitou "à instituição em causa os esclarecimentos considerados necessários, com o objectivo de apurar se terá ocorrido violação de normas cujo cumprimento lhe compete fiscalizar, nomeadamente o Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (RGICSF).
Jorje Jardim Gonçalves, em 2004, era o Chief Executive Officer (CEO) do BCP e actualmente é o 'chairman' -- presidente do Conselho Geral e de Supervisão.
O Millennium bcp esteve, recentemente, envolvido numa luta de poder que opôs o 'chairman' e fundador ao anterior CEO, Paulo Teixeira Pinto, que se demitiu a 31 de Agosto e foi substituído por Filipe Pinhal.
O BP realça que "as instituições de crédito não podem conceder crédito - sob qualquer forma ou modalidade, incluindo a prestação de garantias, directa ou indirectamente - aos membros dos órgãos de administração e de fiscalização, nem a sociedades ou outros entes colectivos por eles directa ou indirectamente controlados".
O BP frisa ainda que "presume-se o carácter indirecto da concessão de crédito quando o beneficiário seja cônjuge, parente ou afim em primeiro grau de algum membro dos órgãos de administração ou fiscalização ou que a sociedade beneficiária do crédito seja directa ou indirectamente controlada por alguma ou algumas destas pessoas".
No comunicado, o BCP adianta que "dos resultados desta averiguação irá ser dado conhecimento às autoridades de supervisão e órgãos competentes do banco".
"Durante o dia de amanhã será dado conhecimento das conclusões quanto às operações a respeito das quais, por terem sido suscitadas há alguns dias junto da Comissão de Auditoria e Risco, se tornou já possível completar o processo de análise", realça o BCP.