No Jornal de Notícias também se falou disso…
“Reis Pinto Fernando Oliveira
Olha-se, esfrega-se os olhos e volta-se a olhar. E é mesmo verdade. Num vasto armazém da Zona Industrial da Maia alinham-se cerca de uma centena de automóveis antigos à espera de restauro. De exemplares raríssimos, como um Jaguar SS Coupé, ou um Alfa Romeo Freccia Doro, aos mais “banais” Porsche 911. À sua espera estão 24 especialistas que os vão deixar como novos.
Esta autêntica “caverna do Ali-Babá” é a oficina de restauro que presta serviço ao Auto-Museu da Maia e que até Março do próximo ano não aceita carros de particulares. “Todos estes automóveis foram comprados um pouco por toda a Europa e, depois de restaurados, serão adquiridos por portugueses. Pensamos que os carros não devem ser encarados apenas como objectos de coleccionismo. São um investimento para quem os compra, mas também uma fonte de diversão que os portugueses estão agora a descobrir”, afirmou Miguel Rodrigues, sócio da oficina.
Em três ou quatro meses, garante, um veículo é integralmente restaurado. “Não há problemas de peças. O que não encontramos no mercado, mandamos fazer no CEIIA - Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel, nosso parceiro noutros projectos (ler texto nesta página)”, referiu Miguel Rodrigues.
A oficina tem especialistas em todas as áreas do automóvel, da mecânica à electricidade, passando pela carpintaria “Todos entraram sem experiência de restauro e já são considerados especialistas de qualidade”, referiu Miguel Rodrigues.
Enquanto fala, aponta para o raro Jaguar SS Coupé, dos anos 30, recuperado das ruínas de uma estufa inglesa, onde permaneceu décadas. Da carroçaria do carro pouco sobrava, mas os profissionais da Maia Clássicos já lhe reconstruíram a armação em madeira. Se este carro não estará, seguramente, ao alcance de todas as bolsas (ainda não tem preço definido) já é mais fácil estabelecer uma cotação para os inúmeros MGA e Triumphs entre 30 a 35 mil euros.
“O cliente escolhe o carro [expostos numa estrutura de dois pisos], decide em que cor o quer e cerca de três meses depois pode levantá-lo. Acompanhado com um dossiê do restauro e dois anos de garantia. É evidente que isto é um negócio, mas estamos a enriquecer o património automobilístico nacional e a abrir o mercado a mais pessoas”, considerou Miguel Rodrigues.
O primeiro chassis do “Vinci GT”, um desportivo sonhado pelo Auto-Museu da Maia e elaborado em colaboração com o CEIIA - Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel, com sede na Maia, poderá ser visto a rodar “entre o próximo mês e Abril”. Segundo Miguel Rodrigues, responsável do Auto-Museu da Maia, “este já é um desafio ganho, pois temos fortes hipóteses de exportar todos os “Vinci GT”. Aliás, à partida estão já todos vendidos”. Durante a apresentação do automóvel, o Auto-Museu irá apresentar três novos modelos, que serão montados numa fábrica a instalar nos arredores do Porto. Miguel Rodrigues revelou que já está estabelecida a parceria com uma grande marca de automóveis, que irá transferir a tecnologia necessária, bem assim como fornecer a mecânica dos carros. “Serão motores com cilindrada entre os cinco e os seis mil centímetros cubicos. Apostamos em nichos de mercado, mas sempre do segmento mais alto”