Não gosto de splits. Nunca gostei. Acho que fazem mal à nossa bolsa. São uma ilusão, não trazem valor acrescentado e o facto de serem tão populares cá em Portugal são, para mim, um forte indicador da pequenez do nosso mercado (em todos os sentidos possíveis do termo).
Vem isto a propósito do split da JMT. Tenho estado a acompanhar a acção, nomeadamente na era pós-split. E hoje, decorridas 6 semanas sobre o split (28 de Maio), achei que era altura de fazer um balanço. Para isso, nada melhor que recuperar este tópico que foi criado pelo JAS a propósito do split da JMT (sei que isto já foi discutido noutro tópico na primeira quinzena de Junho mas achei mais apropriado recuperar este).
Muito se escreveu aqui (neste e noutros posts) sobre os potenciais benefícios dos stocks splits em geral e deste (JMT) em particular. Tal como noutras acções, desconfio dos splits. Tenho sempre aquela sensação de que a procura que eventualmente geram não é nem pode ser sustentada. Dito de outra forma, se a tendência for genuinamente ascendente, não é por não haver split que vai deixar de o ser. Mas se é a expectativa de split que está a forçar essa tendência (ou final de tendência), então após o split temos inevitavelmente o "sell the fact" e a consequente inversão. Vimos isso aqui há tempos com o Banif, como o Ulisses oportunamente apontou. E vimos agora com a JMT, como o Ulisses também já referiu noutro post.
Mas voltemos ao presente post. No primeiro dia após o split (28 de Maio), o JAS escreveu:
4,40 parece que só estiveram no domingo...
Hoje abriram logo a 4,45 e acabaram o dia a 4,54.
Nada mau para primeiro dia de split.
Um abraço,
JAS
Depois disso nunca mais ninguém escreveu nada neste post. De facto, não havia muito mais para escrever.
As acções nunca mais voltaram a fechar a 4,54. Pior do que isso, uma semana após o split quebraram em baixa os 4,40 (= 22 euros, último fecho pré-split) e nunca mais voltaram a fechar acima desse valor.
Depois de algumas semanas a lateralizar (e mesmo ignorando aquele fecho "anormal" a 4,11 no dia 15 de Junho), a situação técnica tem vindo a degradar-se. Vários indicadores, como a MACD, o CMF e o RSI, estão em queda e a cotação evolui abaixo da mms de 50 dias.
Olhando para o gráfico, vejo uma grande diferença entre as situações pré e pós-split. Julgo que é importante reflectir sobre isto, pois é provável que venha a haver mais casos de splits no futuro.
Não estou a dizer que se não tivesse havido stock split a evolução seria diferente. Acredito que esta degradação técnica era inevitável neste momento do mercado e que, eventualmente, até teria acontecido um pouco mais cedo, sem haver aquele pico no final de Maio, data do split, que veio prolongar a procura com base num factor que, como refiri, dificilmente seria sustentável - por isso o stock split dificilmente poderia beneficiar a acção. Aliás até hoje não me consigo recordar de um único stock split em que o efeito do split tenha sido de facto benéfico. Vejo em quase todos eles um factor negativo: a acção torna-se mais difícil de transaccionar devido ao
spread bid-ask.
Apesar deste discurso "anti-split", gostaria de salientar que a tendência de longo prazo continua a ser ascendente e que a cotação evolui ainda confortavelmente acima da mms 150 (a verde), pelo que numa óptica de longo prazo, nada se alterou.
Saudações,
Elias