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Grandes investidores dominam 75% da bolsa nacional

MensagemEnviado: 8/5/2007 7:59
por The Mechanic
Grandes investidores dominam 75% da bolsa nacional
Só 25% das acções são de pequenos investidores não identificados.

Tiago Freire

São poucos e poderosos. Apesar do aumento da liquidez registado nos últimos anos e das corrida dos pequenos accionistas às privatizações, os números são reveladores: 75% da bolsa ainda é controlada pelos accionistas de longo prazo e só 24% do capital está disponível para ser livremente negociado no mercado.

Os dados constam do último inquérito da CMVM à bolsa nacional e explicam, em parte, as dificuldades de crescimento da liquidez e a escassez de títulos para transaccionar. O domínio dos grandes accionistas estende-se, sobretudo, à gestão das empresas. Em média, o maior accionista de cada cotada tem cerca de 44% do capital da mesma, segundo o estudo que reúne dados até 2005. E, num universo de 48 empresas analisadas, este valor é superior a 50% em 23 dos casos.

Os números revelam ainda o peso da tradição da gestão familiar. As empresas nacionais continuam muito controladas por poucos accionistas, mantendo, em parte, o peso dinástico que sobressai num elevado número de companhias não cotadas. Uma das consequências deste fenómeno é a reduzida dispersão de capital, a percentagem da empresa que está disponível para ser negociada em bolsa. Este valor fixava-se nos 24,1%, no final de 2005, o período em análise.

Ontem, e confrontado com estes números, o economista António Borges pronunciou-se sobre esta preponderância, muitas vezes prolongada no tempo, de poucos accionistas com muito poder numa sociedade. “Há uma excessiva preocupação com a estabilidade do controlo. Era importante que houvesse mais contestação, que os bons administradores fossem melhor remunerados” e os maus dispensados, afirmou durante a conferência promovida pela CMVM. Em situações de grande domínio por parte de poucos accionistas, uma administração sente um maior conforto, estando relativamente imune à pressão que possa vir de todos os accionistas, bastando-lhe “agradar” aos que, na prática, têm o poder. Prejudicando, assim, os minoritários.

“Esta grande concentração não é exclusiva de Portugal, mas comum à maioria das praças da Europa continental”, explicou um especialista de uma casa de investimento internacional que pediu para não ser identificado. Para esta fonte, “acontecia o mesmo com os mercados anglo-saxónicos, no início do século XX, que evoluíram para uma pulverização muito grande do capital. A prazo, o mesmo também acontecerá na Europa”. Para o especialista, a situação actual tem vantagens e desvantagens. A vantagem traduz-se numa maior estabilidade no controlo da empresa, permitindo, à partida, uma maior continuidade da actividade. A maior desvantagem é a perda de valor da própria empresa, porque a reduzida dispersão gera reduzida liquidez. Uma situação que afasta os investidores, por um lado, enquanto o grande controlo por poucos accionistas, por outro, limita o factor especulativo, porque tende a dificultar uma OPA, sobretudo hostil.

“Com um ‘free-float’ tão baixo, torna-se difícil entrar e sair do papel, o que afasta alguns fundos e cria uma situação mais propícia a alguma manipulação do preço das acções”, defende Octávio Viana, presidente da associação de investidores ATM que se tem batido pelo fim das blindagens de estatutos. O responsável argumenta ainda que, um título com poucas acções no mercado, mais facilmente vê o seu valor manipulado ou fortemente influenciado por qualquer movimento, como a entrada ou saída de um fundo.

Por outro lado, “o facto de o capital estar muito concentrado, afasta eventuais ofertas sobre a empresa, porque basta um ou dois accionistas não quererem vender para a operação a falhar, prejudicando os restantes investidores”.

A liquidez mantém-se elevada mas, aparentemente, são sempre os mesmos títulos a trocarem de mãos. Isto, porque quem tem o capital não o quer vender, mantendo um controlo apertado sobre grande parte das empresas cotadas.

Abrindo-se a análise aos três maiores accionistas, verifica-se que, em média, estes detêm mais de 60% do capital das cotadas. A concentração do capital é menor nas empresas do PSI 20 e nas do sector financeiro. Outros dados igualmente divulgados pela CMVM mostram que 80% dos accionistas das cotadas nacionais são residentes, percentagem mais reduzida no PSI 20 e nos bancos.

in Diário Económico



Um abraço ,

The Mechanic