Da festa à violênciaPraticamente à mesma hora em que se iniciava a celebração na Praça da Concórdia, uma pequena multidão foi-se concentrando na Praça da Bastilha, para manifestar o seu protesto e decepção pela vitória de Sarkozy.
Chegaram a ser alguns milhares de jovens, mobilizados por formações da extrema-esquerda, alguns de rosto tapado, outros levando bandeiras negras, e que atearam várias fogueiras no pavimento. Os manifestantes ocuparam de imediato a base do monumento, onde deixaram inscritas a tinta numerosas frases contra o presidente acabado de ser eleito pela maioria do povo, tais como "Pequeno como Hitler, perigoso como le Pen" e "Morte a Sarko". O slogan mais entoado foi, sem dúvida, "Sarko facho".
A Bastilha foi rapidamente cercada por esquadrões da polícia, numa clara demonstração de força. Durante quase três horas, grupos de jovens desafiaram e provocaram a polícia, arremessando pesados paralelepípedos, arrancados do pavimento, bem como garrafas de vidro. As forças policiais responderam com várias centenas de granadas de gás lacrimogéneo e jactos de água. Num autêntico jogo do gato e do rato, a Bastilha só ficou "limpa" de manifestantes após várias cargas da polícia ao longo de algumas das artérias adjacentes. Verificaram-se alguns feridos, incluindo um fotógrafo, atingido na cabeça por uma pedra da calçada. Os distúrbios da Bastilha prolongaram-se depois na Praça de La Nation e em La République, bem com na Gare de Lyon, onde alguns automóveis foram incendiados. Os conflitos, ainda que de menor dimensão, continuaram noite dentro, com a polícia a perseguir grupos de jovens por algumas ruas de Paris.
Registaram-se também distúrbios na periferia da capital, assim como em algumas das principais cidades de França, designadamente, Lyon, Marselha, Toulouse e Nancy. Um balanço provisório aponta para cerca de 400 veículos incendiados pelos manifestantes e quase duas centenas de detenções.